O crescimento do tecido empresarial moçambicano começa a produzir sinais mais fortes fora dos tradicionais centros económicos, mas a distribuição da actividade continua longe de ser equilibrada. Cabo Delgado registou, em 2025, o maior crescimento do emprego empresarial no país, enquanto a Cidade e a Província de Maputo mantiveram uma posição dominante na concentração de empresas e trabalhadores.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados na publicação Estatísticas de Empresas e Instituições Sem Fins Lucrativos, 2025, o número de pessoas ao serviço nas empresas e respectivos estabelecimentos activos em Cabo Delgado aumentou 41,3%, passando de 26.883 trabalhadores em 2024 para 37.985 em 2025. O acréscimo corresponde a mais 11.102 pessoas empregadas.
A evolução do emprego acompanhou a expansão do próprio tecido empresarial da província. No mesmo período, o número de empresas e estabelecimentos activos em Cabo Delgado cresceu 30,8%, de 3.902 para 5.103. O desempenho colocou a província à frente de Nampula, que registou um crescimento de 19,4%, e Niassa, com 15,6%.
Apesar desta aceleração no norte do país, a geografia da actividade empresarial continua fortemente concentrada em Maputo. A Cidade de Maputo contabilizou 30.468 empresas e estabelecimentos activos em 2025, equivalentes a 29,8% do total nacional, enquanto a Província de Maputo registou 14.019, correspondentes a 13,7%.
A concentração é ainda mais evidente quando analisado o emprego. A Cidade de Maputo concentrava 388.847 pessoas ao serviço, ou 38,6% do total nacional. A Província de Maputo seguia com 125.046 trabalhadores, enquanto Sofala registava 107.614. No conjunto do país, as empresas e estabelecimentos activos empregavam 1.007.954 pessoas em 2025, mais 9,2% do que no ano anterior.
Microempresas continuam a sustentar a base empresarial
Os dados do INE mostram igualmente que a expansão do emprego ocorre numa estrutura empresarial ainda dominada por unidades de pequena dimensão. Em 2025, as microempresas representavam 65,7% das 93.612 empresas activas existentes no país.
Estas empresas empregavam 278.379 pessoas, equivalentes a 31,7% do total de trabalhadores. As grandes empresas, embora representem uma parcela muito menor do universo empresarial, absorviam 28,3% das pessoas ao serviço. O emprego nas microempresas cresceu 12% em relação a 2024, com Nampula a apresentar a maior variação nesta categoria, de 27,3%.
O desempenho de Cabo Delgado ganha particular relevância quando considerados todos os tipos de entidades legais activas, incluindo instituições sem fins lucrativos. Neste universo mais amplo, a província registou um crescimento de 42,5% no número de pessoas ao serviço, passando de 30.406 em 2024 para 43.315 em 2025.
Os números desenham, assim, um mapa empresarial com dois movimentos distintos: Maputo continua a concentrar a maior parte da actividade económica e do emprego, enquanto províncias como Cabo Delgado, Nampula e Niassa apresentam ritmos de expansão mais acelerados. Para a economia moçambicana, a questão passa agora por perceber se esta dinâmica de crescimento regional conseguirá transformar-se numa descentralização mais consistente da actividade produtiva e do emprego formal.



