Wednesday, September 2, 2026
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Governo cria linha de emergência de 50 milhões de dólares para garantir importação de combustíveis

O Governo moçambicano criou um mecanismo financeiro de emergência com capacidade para mobilizar até 50 milhões de dólares destinados a assegurar a importação de combustíveis líquidos e evitar rupturas no abastecimento do mercado nacional em situações de crise.

A medida foi aprovada através da Resolução n.º 65/2026, de 3 de Agosto, do Conselho de Ministros, que estabelece as bases legais para a criação de uma linha de pagamento destinada a credores estrangeiros envolvidos no fornecimento de combustíveis ao país.

O mecanismo será operacionalizado através da Petromoc, empresa pública responsável pela comercialização de produtos petrolíferos, utilizando uma conta do Ministério das Finanças domiciliada no Banco de Moçambique. O objectivo é garantir que, perante uma situação de crise, existam recursos financeiros disponíveis para assegurar a continuidade das importações e, consequentemente, do abastecimento interno.

A resolução prevê ainda uma modalidade de utilização excepcional, permitindo que o ministro que superintende a área das Finanças, em coordenação com o ministro responsável pelo sector dos combustíveis, autorize o recurso à facilidade até ao limite de 40 milhões de dólares, sempre que tal seja considerado necessário para garantir o fornecimento ao mercado nacional.

A criação do mecanismo surge num contexto em que o mercado moçambicano continua exposto a constrangimentos no acesso a divisas e a choques externos que podem comprometer a cadeia de abastecimento de combustíveis. O conflito no Médio Oriente agravou recentemente estas vulnerabilidades, provocando dificuldades de fornecimento em várias regiões do país.

Apesar da criação da linha de emergência, os dados do Banco de Moçambique mostram que a factura de importação de combustíveis caiu 1,4% no primeiro trimestre de 2026, para cerca de 236,4 milhões de dólares, contra 239,6 milhões de dólares registados no mesmo período de 2025.

O diesel representou a maior parcela da factura, com 164,9 milhões de dólares, seguido da gasolina, com 56,4 milhões, e do combustível para aviação, com 15,2 milhões de dólares. No período, os combustíveis representaram quase metade dos cerca de 517 milhões de dólares gastos pelo país na importação de bens intermédios.

A nova facilidade financeira acrescenta, assim, uma componente de resposta de emergência à política de segurança energética do país, num momento em que o Governo procura reforçar o controlo sobre a cadeia de aquisição e abastecimento de combustíveis. A criação recente da Empresa Nacional de Aquisição de Produtos Petrolíferos (ENAPP), concebida para centralizar a gestão das compras e do fornecimento ao mercado nacional, integra igualmente esse esforço de reforço da capacidade de resposta do Estado.

Mais do que uma reserva financeira, o mecanismo representa uma tentativa de criar uma margem de segurança para um mercado particularmente sensível à disponibilidade de divisas, às condições dos mercados internacionais e às perturbações nas rotas globais de abastecimento.

LAM reforça ligações aéreas entre o centro e norte do país a partir da Beira

A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) iniciou esta quarta-feira, 12 de Agosto, uma nova operação de voos directos a partir da cidade da Beira, criando ligações aéreas entre a capital de Sofala e importantes destinos das regiões centro e norte do país. A iniciativa reposiciona a Beira como um ponto estratégico na rede doméstica da companhia aérea nacional.

A nova operação estabelece ligações entre a Beira e as cidades de Tete, Quelimane, Nampula, Nacala e Pemba, reduzindo a necessidade de deslocações com passagem por Maputo e criando uma alternativa mais directa para passageiros que circulam entre as diferentes regiões do país.

Para a LAM, a medida integra o processo de reestruturação da companhia e os esforços para reforçar progressivamente a conectividade aérea nacional. A escolha da Beira como base para esta operação confere à cidade um papel acrescido na arquitectura da rede doméstica da companhia, aproximando mercados que durante muito tempo dependeram de ligações indirectas.

A estratégia poderá ter implicações que ultrapassam a mobilidade de passageiros. A existência de ligações directas entre os principais centros urbanos do centro e norte pode facilitar deslocações empresariais, apoiar actividades turísticas e melhorar a circulação de bens e serviços entre mercados regionais.

A decisão surge também num momento em que a LAM procura recuperar capacidade operacional e ampliar a sua rede. A companhia deverá contar com 10 aeronaves em operação durante esta semana, depois da entrada em serviço de dois aviões que estavam em manutenção na África do Sul, estando prevista a expansão da frota operacional para 12 aeronaves até Dezembro.

Com a criação deste eixo a partir da Beira, a LAM procura, assim, descentralizar a sua operação doméstica e tornar a conectividade aérea nacional menos dependente do principal gateway do país, Maputo. A iniciativa poderá igualmente reforçar a posição da Beira enquanto plataforma logística e económica para a região centro e como ponto de ligação com o norte de Moçambique.

BCI distinguido como Melhor Banco em ESG nos Euromoney Awards for Excellence 2026

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) foi distinguido pela revista Euromoney, no âmbito dos Awards for Excellence 2026, com o prémio de Melhor Banco em matéria de Ambiente, Social e Governação (ESG), em reconhecimento do desempenho da instituição nos critérios ambientais, sociais e de governação.

Segundo um comunicado do banco, a distinção resulta de uma avaliação técnica independente realizada pela Euromoney, uma das principais publicações internacionais especializadas no sector financeiro.

Os Euromoney Awards for Excellence distinguem anualmente as instituições financeiras que se destacam pelo seu desempenho, liderança, inovação, transformação digital e impacto estratégico nos mercados onde operam. A cerimónia de entrega dos prémios teve lugar em Londres, reunindo representantes de instituições bancárias de vários mercados internacionais.

Para o BCI, o reconhecimento na categoria ESG reflecte a crescente integração dos critérios ambientais, sociais e de governação na estratégia e nas operações da instituição, num contexto económico que o banco considera particularmente desafiante para Moçambique.
A instituição considera que o prémio reconhece igualmente o processo de transformação e inovação que tem vindo a desenvolver, bem como a adopção de práticas orientadas para a sustentabilidade e para a criação de valor a longo prazo.

No comunicado, o BCI reafirmou o seu compromisso de continuar a apoiar as famílias e as empresas moçambicanas, contribuindo para o crescimento económico e para a promoção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável no país.

A Euromoney é uma publicação internacional especializada em banca, finanças e mercados de capitais, cujos Awards for Excellence distinguem instituições financeiras de diferentes geografias e segmentos do sector.

Reforma fiscal 2026: o que muda para as empresas no segundo semestre

A reforma fiscal que entrou em vigor em Moçambique no início de 2026 não chega ao segundo semestre como uma nova lei a estrear. O essencial já está em vigor desde 1 de Janeiro. O que muda, nesta segunda metade do ano, é o grau de exposição das empresas às novas regras: aquilo que no início do ano podia ser tratado como adaptação passa a ser rotina fiscal, com consequências directas sobre facturação, contratos, contabilidade, operações digitais, retenções na fonte e gestão de caixa.

O pacote aprovado no final de 2025 alterou seis instrumentos fiscais, incluindo o ISPC, IVA, IRPS, IRPC, ICE e a Pauta Aduaneira. As alterações foram publicadas no Boletim da República de 29 de Dezembro de 2025, através das Leis n.º 7/2025 a 12/2025, e entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2026.

Para as empresas, portanto, a questão no segundo semestre já não é apenas “o que mudou?”, mas “a empresa já incorporou efectivamente estas mudanças na sua operação?”

IVA: a factura passou a ser também uma questão de compliance

Uma das mudanças com maior impacto operacional está no IVA. A reforma alargou expressamente o âmbito do imposto à economia digital, abrangendo bens e serviços digitais. Software, plataformas digitais, serviços de cloud computing, streaming, conteúdos digitais e outras prestações electrónicas passaram a integrar de forma mais clara o perímetro tributável. A taxa normal de IVA mantém-se em 16%.

O impacto é particularmente relevante para empresas que compram serviços ao exterior. Quando o fornecedor é não residente, determinadas obrigações de liquidação, declaração e pagamento do IVA passam a recair sobre o adquirente moçambicano, através dos mecanismos previstos na legislação. Isto significa que a contratação de uma plataforma internacional, de serviços tecnológicos ou de determinados serviços digitais já não deve ser analisada apenas pelo departamento de compras ou pela área de tecnologia: passa também a exigir uma leitura fiscal.

A reforma reforçou igualmente as obrigações relacionadas com facturação. Os sujeitos passivos devem submeter à Administração Tributária as facturas ou documentos equivalentes emitidos em cada operação, nos termos que vierem a ser regulamentados. Empresas com mais de um estabelecimento devem ainda discriminar as vendas e outras transacções por estabelecimento nas declarações periódicas.

Para o segundo semestre, isto coloca uma questão muito prática: os sistemas de facturação e contabilidade das empresas estão preparados para produzir, organizar e transmitir a informação fiscal exigida?

Reembolsos de IVA: impacto directo na gestão de tesouraria

Outra alteração que merece atenção dos directores financeiros é o novo enquadramento dos reembolsos de IVA.

A legislação aumentou de 30 para 150 dias o prazo para a Administração Tributária efectuar o reembolso, ao mesmo tempo que ampliou de 30 para 60 dias o período de suspensão de créditos quando não seja possível verificar a sua legitimidade por facto imputável ao contribuinte. O direito de solicitar o crédito passa a prescrever após dez anos a contar do nascimento do direito à dedução.

O novo regime também reforça a documentação necessária para sustentar pedidos de reembolso, incluindo extractos detalhados, facturas e operações, balancetes analíticos mensais e, quando aplicável, contratos e documentos relacionados com exportações e repatriamento de receitas.

A consequência empresarial é menos jurídica e mais financeira: um crédito de IVA deixou de ser apenas uma questão fiscal e passou a exigir maior atenção à tesouraria e ao capital circulante.

Empresas que dependem regularmente de reembolsos devem, por isso, incorporar os novos prazos no planeamento financeiro e assegurar que a documentação de suporte está disponível antes de qualquer solicitação.

IRPC: o conceito de presença empresarial em Moçambique ficou mais amplo

No Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, uma das alterações mais relevantes para grupos internacionais e empresas que prestam serviços em Moçambique está relacionada com o conceito de estabelecimento estável.

A Lei n.º 12/2025 reduziu o período aplicável a estaleiros de construção, instalação ou montagem de seis meses para 90 dias. A noção passou também a abranger determinados serviços, incluindo consultoria e serviços profissionais, quando prestados em território moçambicano por mais de 90 dias, agregados num período de 12 meses, ainda que não exista uma presença física tradicional nos moldes anteriormente considerados.

Esta mudança pode ter particular importância para empresas estrangeiras que executam projectos temporários em Moçambique, sobretudo nos sectores de energia, mineração, construção, engenharia, consultoria e infra-estruturas.

Na prática, contratos que antes poderiam ser avaliados apenas em função da duração do projecto precisam agora de ser analisados também pela sua duração acumulada e pela natureza dos serviços prestados.

Economia digital: o território fiscal já não termina na fronteira

A reforma introduziu ainda uma dimensão particularmente importante para a economia digital: determinados rendimentos provenientes da transmissão de bens ou prestação de serviços por via digital passam a estar sujeitos a tributação em Moçambique quando as operações são realizadas ou utilizadas no território nacional e os rendimentos são devidos por entidades localizadas ou residentes em Moçambique.

No IRPC, a legislação prevê ainda uma taxa de retenção na fonte de 10% para determinados rendimentos provenientes de bens ou serviços digitais e para comissões obtidas por agentes de intermediação de moeda electrónica. As mais-valias passam igualmente a ser tributadas autonomamente à taxa de 32%.

Para empresas que operam com fornecedores, clientes ou plataformas estrangeiras, a fronteira entre “serviço internacional” e “operação com implicações fiscais em Moçambique” tornou-se, portanto, mais estreita.

É uma mudança que exige revisão de contratos, fluxos de pagamentos e procedimentos de retenção na fonte — sobretudo quando as operações envolvem tecnologia, serviços profissionais ou activos digitais.

Pequenos contribuintes: ISPC com novo mapa de regras

Para micro e pequenas empresas, a reforma do Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes (ISPC) também merece atenção.

O limite máximo de volume de negócios anual para enquadramento no ISPC aumentou de 2,5 milhões para 4 milhões de meticais. Ao mesmo tempo, foram introduzidos novos escalões de tributação: 3% para volumes até 1 milhão de meticais, 4% entre mais de 1 milhão e 2,5 milhões, e 5% entre mais de 2,5 milhões e 4 milhões, para determinadas actividades comerciais, industriais, agrícolas e afins. Para determinados serviços técnicos, a taxa é de 12%, enquanto as profissões liberais estão sujeitas a 15%.

A reforma também reforça a formalização das operações. Os sujeitos passivos do ISPC devem emitir factura ou documento equivalente por cada transmissão de bens ou prestação de serviços e manter o respectivo registo contabilístico.

Para profissionais liberais, há ainda uma limitação importante: a permanência no ISPC passa a estar limitada a cinco anos.

Isto significa que, para uma parte significativa das pequenas empresas e profissionais, o segundo semestre de 2026 é também um período para avaliar se o actual enquadramento fiscal continua adequado ao crescimento do negócio.

Mais-valias e contabilidade: menos espaço para estruturas informais

Outra mudança estrutural está na tributação das mais-valias. No IRPC, os rendimentos provenientes de mais-valias passam a estar sujeitos a tributação autónoma à taxa de 32%. A reforma eliminou também o anterior mecanismo de reinvestimento que permitia, em determinadas circunstâncias, diferir ou eliminar a tributação através do reinvestimento em activos imobilizados.

A legislação reforça ainda a obrigatoriedade de adopção de contabilidade organizada por meios informáticos e elimina determinados regimes de escrituração simplificada.

Este aspecto é particularmente relevante para empresas em crescimento que ainda funcionam com estruturas contabilísticas pouco sofisticadas. A reforma aproxima a fiscalidade da realidade operacional do negócio: quanto mais complexa for a empresa, menos sustentável se torna uma gestão baseada em documentação dispersa, folhas de cálculo e processos manuais.

O segundo semestre será, sobretudo, um teste de adaptação

Não há, portanto, uma única medida que defina a reforma fiscal de 2026 para as empresas. O que existe é uma combinação de alterações que tornam o sistema mais orientado para a formalização, rastreabilidade das operações, economia digital e utilização de informação contabilística.

A própria Autoridade Tributária mantém um calendário fiscal com obrigações periódicas relacionadas com IVA, IRPC, IRPS e Modelo 10, o que reforça a importância de as empresas transformarem as novas regras em procedimentos internos recorrentes e não em respostas pontuais a obrigações fiscais.

Para a administração das empresas, a agenda do segundo semestre deveria concentrar-se em pelo menos cinco pontos: rever o enquadramento fiscal da empresa; mapear operações digitais e transfronteiriças; actualizar contratos e procedimentos de retenção na fonte; testar a capacidade dos sistemas de facturação e contabilidade; e rever as projecções de tesouraria tendo em conta os novos prazos de reembolso do IVA.

A reforma fiscal de 2026 pode ser lida como uma mudança de regras, mas para as empresas representa algo mais concreto: uma mudança na forma como o Estado pretende ver, acompanhar e tributar a actividade económica.

E, no segundo semestre, já não será suficiente conhecer a lei. Será preciso provar que a empresa está operacionalmente preparada para cumpri-la.

Mozambique LNG a 45%: cronograma, emprego local e próximos marcos

Por Profile

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies na Área 1 da Bacia do Rovuma, atingiu aproximadamente 45% de execução, seis meses depois da retoma integral das actividades em terra e no mar. A actualização foi avançada pelo presidente e CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

O avanço ocorre num momento em que o projecto volta a ganhar intensidade no terreno, depois de quase cinco anos de suspensão provocada pela situação de segurança em Cabo Delgado. A declaração de Força Maior, accionada em Abril de 2021, foi levantada em Novembro de 2025 e a retoma efectiva das actividades foi anunciada em Afungi, a 29 de Janeiro de 2026, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, e pelo CEO da TotalEnergies.

45% de execução, mas ainda há trabalho pela frente

A actualização mais recente coloca o Mozambique LNG em cerca de 45% de execução, com 7.000 a 8.000 pessoas actualmente mobilizadas no projecto. Segundo Pouyanné, o ritmo de mobilização tem aumentado desde Janeiro e as actividades decorrem tanto em Afungi como nas componentes offshore.

O número de 45%, contudo, deve ser lido como progresso global do projecto e não como significando que 45% da instalação física já está pronta para operar. O próprio responsável da TotalEnergies sublinhou que ainda existe “muito” por construir em Afungi e offshore. A empresa mantém, ainda assim, o objectivo de iniciar em 2029 o primeiro comboio de liquefacção.

O projecto prevê dois módulos de liquefacção em terra, com uma capacidade combinada de aproximadamente 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano. O desenvolvimento está associado aos campos de Golfinho e Atum, localizados na Área 1 offshore.

Emprego local passa para uma nova escala

A aceleração da construção está a colocar o conteúdo local no centro da próxima fase do projecto. Em Março, o Mozambique LNG anunciou que prevê empregar até 7.000 moçambicanos no pico da construção e comprometer cerca de 4,5 mil milhões de dólares em empresas moçambicanas durante a fase de construção.

Este objectivo enquadra-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento da capacidade nacional. Antes mesmo da retoma integral, mais de 1.500 jovens moçambicanos tinham recebido formação técnica em áreas como carpintaria, soldadura, electricidade e hotelaria, enquanto 115 beneficiaram de bolsas de estudo e estágios técnicos no exterior. O programa CapacitaMoz, por sua vez, já tinha trabalhado com 75 empresas de Cabo Delgado, com a meta de chegar a 100 empresas.

A abordagem inclui também a criação de oportunidades para fornecedores nacionais. Em Março, os seminários de conteúdo local realizados em Pemba e Maputo apresentaram oportunidades de contratação para os três a nove meses seguintes, abrangendo construção e engenharia, logística e transporte, serviços de escritório, TIC, gestão de instalações, catering, serviços de emergência e actividades marítimas e offshore.

Para as empresas moçambicanas, esta fase pode ser particularmente relevante: à medida que a construção avança, as oportunidades deixam de estar concentradas apenas nas grandes empreitadas e passam a abranger uma cadeia mais extensa de fornecimento de bens e serviços.

O calendário: 2026 é o ano da aceleração

O primeiro grande marco já foi cumprido: a retoma integral das actividades em Janeiro de 2026. Na altura, mais de 4.000 trabalhadores estavam mobilizados, dos quais mais de 3.000 eram moçambicanos. A TotalEnergies indicava que as actividades tinham sido retomadas tanto em terra como no mar.

O segundo marco é o actual aumento da capacidade de execução. Em Julho, a TotalEnergies indicava que a força de trabalho tinha crescido para 7.000 a 8.000 pessoas e que as dificuldades logísticas relacionadas com equipamentos fabricados no Dubai e noutros locais do Médio Oriente estavam a ser ultrapassadas.

A fase seguinte será marcada pela continuidade da construção em Afungi, pela instalação das infra-estruturas offshore e pela progressiva integração dos diferentes componentes do projecto. O objectivo permanece o mesmo: colocar em funcionamento o primeiro comboio de GNL em 2029.

O cronograma, contudo, continua dependente de factores que vão além da engenharia. A segurança em Cabo Delgado, a logística internacional e a conclusão dos processos relacionados com a actualização do Plano de Desenvolvimento permanecem elementos importantes para a execução do calendário.

O Instituto Nacional de Petróleo (INP) confirmou, em Janeiro, que a concessionária havia submetido ao Governo uma proposta de Emenda ao Plano de Desenvolvimento, incorporando custos adicionais e uma actualização do cronograma, documento que se encontrava então em avaliação.

2029 como teste de execução

Se o actual ritmo for mantido, o período entre 2026 e 2028 será determinante para transformar os 45% de execução num activo operacional. O desafio passa agora por converter a mobilização de milhares de trabalhadores, a construção das infra-estruturas em Afungi e offshore e a integração dos equipamentos num sistema capaz de iniciar a produção dentro do prazo anunciado.

O projecto tem como meta produzir cerca de 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano, durante um período estimado de 25 anos. O Governo estima que, ao longo do seu ciclo de vida, o Mozambique LNG possa gerar cerca de 35 mil milhões de dólares em receitas para o Estado, através de impostos, petróleo-lucro e outros mecanismos fiscais. Está igualmente previsto o fornecimento de até 400 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia ao mercado doméstico.

Assim, os 45% representam mais do que uma actualização de progresso. São um indicador de que o projecto voltou efectivamente à fase de execução, depois de anos de paralisação. Mas o verdadeiro teste será manter o ritmo, transformar o conteúdo local em contratos e empregos sustentáveis e cumprir a meta de primeiro GNL em 2029.

Para Moçambique, o próximo capítulo do Mozambique LNG será, por isso, menos sobre o anúncio da retoma e mais sobre a capacidade de converter uma das maiores apostas de investimento do país em produção, receitas públicas, desenvolvimento empresarial e emprego local.

Nova lei da electricidade muda regras para investir no sector

Nova lei do sector electridade abre caminho a mais investimento privado

Decreto n.º 31/2026 estabelece regras para concessões, reforça o papel da ARENE e introduz critérios mais exigentes para a selecção de produtores independentes de electricidade

A entrada em vigor do Decreto n.º 31/2026, de 7 de Julho, que aprova o novo Regulamento para a Atribuição, Execução e Extinção de Concessões no sector eléctrico, cria um novo quadro para a participação privada na produção e fornecimento de electricidade em Moçambique. O diploma surge num momento em que o país procura acelerar a entrada de novos projectos de geração, incluindo iniciativas de energia solar promovidas através do modelo de Produtores Independentes de Energia (IPP).

O regulamento estabelece procedimentos para a atribuição, execução e extinção de concessões nas áreas de produção, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização de energia eléctrica, abrangendo igualmente a importação e exportação. Com a sua entrada em vigor, ficam revogados os Decretos n.º 8/2000 e n.º 42/2005, substituindo um quadro regulatório com mais de duas décadas por regras alinhadas com a Lei da Electricidade de 2022.

Concursos passam a ser a regra

Uma das alterações com maior impacto para os investidores é a definição do concurso público como regime geral para a atribuição de concessões. Cabe à Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) organizar, instruir e tramitar os concursos, enquanto o ajuste directo passa a ter carácter excepcional e fica condicionado às circunstâncias previstas na legislação.

O processo passa a obedecer a várias etapas, desde a preparação e publicação do concurso até à apresentação e avaliação das propostas, adjudicação, negociação e assinatura do contrato de concessão. Para projectos com potência instalada inferior a 100 MW, a abertura do concurso é autorizada pelo ministro que superintende a área da Energia. Para projectos de 100 MW ou mais, a autorização compete ao Conselho de Ministros.

A ARENE dispõe, por sua vez, de um prazo de até 30 dias para publicar o anúncio do concurso depois de receber a decisão de lançamento. Para projectos inferiores a 100 MW, o anúncio deve ser publicado em jornais de maior circulação local e nacional, enquanto projectos de maior dimensão devem ser anunciados também em pelo menos dois jornais de circulação nacional e internacional.

Investidores terão de demonstrar capacidade financeira e técnica

O novo quadro coloca uma fasquia elevada para os potenciais concessionários. As propostas devem apresentar, entre outros elementos, o plano de investimento, a estrutura de financiamento, o modelo económico-financeiro, as projecções de consumo, a proposta de tarifa ou preço da energia e um plano de conteúdo local.

Na avaliação das propostas, serão considerados factores como a capacidade técnica e financeira do concorrente, a viabilidade do projecto, os níveis de produção previstos, a integração na Rede Eléctrica Nacional, a competitividade das tarifas e preços, bem como os impactos económicos, sociais e ambientais.

O regulamento determina ainda que sejam avaliados os planos de desenvolvimento das comunidades locais e de conteúdo local, incluindo a capacidade de empresas moçambicanas participarem nas cadeias de fornecimento e de valor dos projectos.

Esta componente poderá ter particular importância para os novos projectos de produção independente, num mercado que procura não apenas aumentar a capacidade instalada, mas também transformar o investimento energético em oportunidades para empresas e trabalhadores nacionais.

Garantias financeiras aumentam a disciplina dos projectos

O Decreto n.º 31/2026 introduz igualmente um sistema de garantias financeiras associado às diferentes fases da concessão. Na apresentação da proposta, o concorrente deve prestar uma garantia equivalente a 0,1% do investimento previsto. Depois da celebração do contrato, a garantia de implementação corresponde a 10% do investimento, mantendo-se válida até ao início da exploração comercial.

No início da operação comercial, é exigida uma garantia de desempenho operacional, económico e financeiro equivalente a 5% do investimento. Existe ainda uma garantia de 5% associada à devolução do empreendimento no final da concessão.

O mecanismo procura reduzir o risco de projectos serem adjudicados sem capacidade efectiva de avançar para a fase de construção e operação, transferindo para os concessionários uma responsabilidade financeira mais clara pelo cumprimento dos compromissos assumidos.

Solar de 30 MW coloca novo regulamento à prova

A aplicação prática destas regras ocorre num contexto de expansão dos concursos para novos produtores independentes. Entre os processos em curso está a selecção de um IPP para uma central solar fotovoltaica de 30 MWac, no âmbito do Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), apoiado pela União Europeia e pela Agência Francesa de Desenvolvimento.

O projecto de 30 MWac constitui uma das iniciativas destinadas a mobilizar investimento privado para a geração de energia renovável. A ARENE publicou em Julho uma actualização relativa à prorrogação do prazo para apresentação de propostas para o concurso de selecção do produtor independente, mantendo o processo na agenda do regulador.

O projecto é particularmente relevante porque representa a tentativa de combinar capacidade adicional de geração, investimento privado e diversificação da matriz energética, num país onde a expansão da electricidade continua a exigir novos investimentos em geração e infra-estruturas de rede.

Mais do que produzir energia

O novo regulamento vai, contudo, além da definição das regras para construção de centrais. O diploma estabelece como princípios do sector a sustentabilidade económico-financeira do Sistema Eléctrico Nacional, o acesso universal à energia, a eficiência energética, a utilização sustentável dos recursos, a minimização dos impactos ambientais e a promoção das fontes renováveis.

Para os investidores, isto significa que a competitividade de um projecto não será determinada apenas pela capacidade de produzir electricidade ao menor custo. A localização, a solução tecnológica, a integração na rede, a sustentabilidade financeira, o impacto ambiental, o relacionamento com as comunidades e o conteúdo local passam também a integrar a equação de avaliação.

O regulamento prevê ainda que, quando um projecto implicar a aquisição de direitos de uso e aproveitamento da terra ou afectar o uso existente do território, seja realizada consulta pública na área de implantação.

Um novo teste para o mercado eléctrico

A reforma regulatória surge, assim, num momento em que Moçambique procura acelerar a mobilização de capital privado para responder à crescente procura de electricidade e ampliar a participação das energias renováveis.

Para a ARENE, o desafio passa agora por transformar o novo quadro legal em processos de concessão previsíveis, competitivos e transparentes. Para os investidores, a nova regulamentação oferece maior clareza sobre as regras de entrada, mas também aumenta as exigências técnicas, financeiras, ambientais e de conteúdo local.

O concurso para a central solar de 30 MWac será, neste contexto, um dos primeiros processos a acompanhar de perto. Mais do que a selecção de um novo produtor independente, poderá servir como indicador da capacidade do novo modelo regulatório de converter o interesse privado em projectos concretos de geração eléctrica.

Fonte: Decreto n.º 31/2026, de 7 de Julho, Regulamento para a Atribuição, Execução e Extinção de Concessões para a Produção, Transporte, Distribuição, Comercialização, Armazenamento, Importação e Exportação de Energia Eléctrica; ARENE. (Simão Djedje)

Consultar o Decreto n.º 31/2026 na ARENE

Grupo suíço Core Energy manifesta interesse em investir em energia, petróleo e gás

A Core Energy Consortium manifestou interesse em desenvolver operações de investimento privado em Moçambique, com incidência nos sectores de energia, petróleo e gás, infra-estruturas e parcerias público-privadas.

A intenção foi apresentada durante uma audiência concedida pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, ao CEO e co-fundador da organização, Gabriele Callegarin, na terça-feira, 4 de Agosto, em Maputo.

Segundo a Presidência da República, o encontro serviu para analisar oportunidades de investimento em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento económico nacional, incluindo o aproveitamento dos recursos energéticos e a estruturação de infra-estruturas através da participação do sector privado.

À saída da audiência, Callegarin afirmou que a organização identificou convergência entre a sua estratégia e a visão de desenvolvimento apresentada pelo Chefe do Estado.

“Viemos aqui com a intenção de criar e implantar uma operação de investimento no sector de energia, petróleo e gás”, declarou o responsável, citado na nota informativa da Presidência.

A manifestação de interesse coloca a empresa entre os potenciais investidores que procuram posicionar-se numa fase de expansão da agenda energética moçambicana. Não representa, porém, uma decisão final de investimento nem um compromisso financeiro formalmente anunciado.

Projectos, Capital E Calendário Permanecem Por Definir

As informações divulgadas pela Presidência não identificam os projectos que poderão receber investimento da Core Energy Consortium.

Também não foram apresentados o valor potencial da operação, a modalidade de financiamento, a percentagem de capital próprio, os parceiros técnicos ou financeiros, as províncias abrangidas e o prazo previsto para o início da implementação.

Esta ausência de elementos não invalida a manifestação de interesse, que constitui normalmente uma etapa preliminar de aproximação institucional. Limita, contudo, a possibilidade de medir o seu impacto económico imediato.

Entre uma audiência de prospecção e a concretização de investimento existem várias fases: identificação dos activos, estudos de viabilidade, avaliação técnica e ambiental, negociação contratual, licenciamento, mobilização de financiamento e tomada da decisão final de investimento.

A nota da Presidência indica que o consórcio espera avaliar, durante as próximas semanas e meses, as condições necessárias para fazer avançar os projectos.

O desenvolvimento da iniciativa dependerá, portanto, da passagem de uma declaração abrangente de interesse para propostas específicas, com capital identificado, riscos distribuídos e obrigações claras para cada interveniente.

Perfil Da Organização Exige Clarificação Na Fase De Estruturação

A Presidência apresenta a Core Energy Consortium como uma empresa privada com sede na Suíça, activa nas áreas de energia, petróleo e gás, metais preciosos, infra-estruturas e parcerias público-privadas.

No seu portal institucional, a organização descreve-se como uma plataforma que presta consultoria e financiamento, estrutura investimentos energéticos e participa no comércio e logística de petróleo, gás e metais preciosos.

O mesmo portal caracteriza a Core Energy Consortium como um consórcio “constituído informalmente”, cuja flexibilidade lhe permite organizar equipas e parceiros em função das necessidades de cada projecto. A informação institucional indica uma presença em Baar, no cantão suíço de Zug. 

Esta configuração sugere que a organização poderá actuar mais como estruturadora, intermediária, mandatária comercial e agregadora de investidores do que como uma única empresa industrial proprietária de todos os recursos financeiros e técnicos necessários.

A distinção será determinante nas etapas seguintes. Para avaliar a capacidade real de execução, será necessário conhecer os investidores que compõem o consórcio, o capital que poderão mobilizar, o histórico dos projectos realizados, os parceiros tecnológicos e as garantias financeiras disponíveis.

Nas páginas públicas consultadas, não são apresentados dados detalhados sobre activos sob gestão, demonstrações financeiras, volumes de investimento realizados ou projectos concluídos comparáveis aos que poderão ser desenvolvidos em Moçambique. Trata-se, por isso, de uma área que deverá ser esclarecida através dos procedimentos de diligência prévia.

Interesse Surge Numa Agenda Energética De Grande Escala

A aproximação ocorre num momento em que Moçambique procura atrair capital privado para transformar os seus recursos energéticos em capacidade de produção, industrialização, exportação e acesso interno à electricidade.

Em Julho, o Presidente Daniel Chapo voltou a defender a transformação de Moçambique num centro energético e industrial da África Austral, associando a exploração dos recursos naturais à criação de emprego, conteúdo local, infra-estruturas e diversificação económica.

A agenda inclui gás natural liquefeito, geração hidroeléctrica, centrais solares e eólicas, linhas de transporte de electricidade, combustíveis, armazenamento, logística e interligações regionais.

No sector do gás, a Reuters informou que Moçambique e a TotalEnergies relançaram, em Janeiro, a construção do projecto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. A unidade deverá produzir 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, com o início das entregas apontado para 2029. 

A dimensão destes activos mostra que a entrada em projectos energéticos moçambicanos requer capacidade financeira elevada, estruturas contratuais complexas e mecanismos sólidos de partilha de risco.

Sector Eléctrico Procura Mobilizar Quase US$8,7 Mil Milhões

O interesse da Core Energy Consortium pode igualmente encontrar espaço fora dos grandes projectos de gás.

Compacto Nacional de Energia de Moçambique, preparado no âmbito da iniciativa Mission 300 e publicado pelo Banco Mundial, estima que o país terá de mobilizar cerca de 8,7 mil milhões de dólares de investimento privado até 2032 para cumprir os seus objectivos energéticos.

O plano prevê a expansão e modernização da rede, mais de dois mil quilómetros de linhas de transporte, novas capacidades de geração renovável e maior integração de Moçambique no mercado energético regional.

O documento estabelece como objectivo elevar o acesso à electricidade dos actuais 60,1% para 100% até 2030, o que exigirá aproximadamente 4,9 milhões de novas ligações.

Estes números mostram que existe uma procura efectiva por investidores, financiadores e parceiros capazes de estruturar projectos de geração, transporte, distribuição, armazenamento e electrificação descentralizada.

A oportunidade para a Core Energy Consortium dependerá da sua capacidade para identificar áreas onde possa acrescentar capital, tecnologia e competências que ainda não estejam assegurados por operadores estabelecidos.

Parcerias Público-Privadas Podem Alargar Campo De Entrada

A referência a parcerias público-privadas amplia a possível actuação da organização para além da exploração directa de recursos.

No sector energético, estas estruturas podem ser utilizadas para centrais eléctricas, linhas de transporte, terminais de combustíveis, instalações de armazenamento, gasodutos, infra-estruturas portuárias e projectos de distribuição.

Uma parceria público-privada permite combinar activos ou concessões do Estado com capital, tecnologia e capacidade de gestão privada. A sua sustentabilidade depende, entretanto, de contratos que distribuam adequadamente os riscos de construção, procura, financiamento, câmbio, operação e regulação.

Para Moçambique, o recurso a este modelo deve ser acompanhado por uma avaliação rigorosa dos encargos futuros assumidos pelo Estado. Garantias soberanas, compromissos de compra de energia e cláusulas de compensação podem transformar projectos privados em responsabilidades públicas de longo prazo.

Num contexto de limitada capacidade orçamental e elevado endividamento, a qualidade da estrutura financeira será tão importante quanto o volume nominal do investimento anunciado.

Interesse Deve Traduzir-Se Em Propostas Bancáveis

A audiência presidencial atribui visibilidade política à intenção da Core Energy Consortium e cria condições para o aprofundamento do diálogo com as instituições sectoriais.

A etapa seguinte deverá envolver o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o Ministério das Finanças, a Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, reguladores, empresas públicas e eventuais parceiros privados.

O processo deverá determinar se o consórcio pretende investir directamente, mobilizar terceiros, conceder financiamento, estruturar transacções comerciais ou formar veículos de projecto com entidades moçambicanas.

Uma proposta bancável terá de indicar, entre outros aspectos, o activo a desenvolver, a procura que sustentará as receitas, o investimento necessário, a origem dos recursos, o retorno esperado e a repartição dos riscos.

Sem estes elementos, o interesse permanece relevante do ponto de vista diplomático e de promoção do investimento, mas ainda não pode ser contabilizado como capital comprometido ou projecto em execução.

Conteúdo Local Deve Entrar Desde A Fase De Concepção

A entrada de um novo investidor no sector energético oferece também uma oportunidade para incorporar empresas e profissionais moçambicanos desde a preparação dos projectos.

O conteúdo local não deve limitar-se à contratação de mão-de-obra durante a construção. Deve abranger serviços de engenharia, consultoria, logística, manutenção, fornecimento de materiais, formação profissional e participação empresarial no capital ou na cadeia de fornecimento.

A definição antecipada destes requisitos permite que as empresas nacionais se preparem para responder às exigências técnicas e financeiras dos projectos.

Também reduz o risco de a maior parte do valor acrescentado permanecer no exterior, enquanto Moçambique recebe apenas receitas fiscais, empregos temporários e compensações associadas à exploração dos recursos.

A participação local deverá, portanto, integrar os memorandos, estudos de viabilidade e contratos desde o início, e não ser adicionada depois de as principais decisões de investimento terem sido tomadas.

Manifestação De Interesse É Um Ponto De Partida, Não Um Resultado

A aproximação da Core Energy Consortium confirma que o potencial energético de Moçambique continua a gerar interesse de investidores e plataformas internacionais.

O alcance económico da iniciativa dependerá, porém, da capacidade de transformar a audiência institucional numa carteira concreta de projectos.

O primeiro indicador será a apresentação de propostas com objecto definido. O segundo será a demonstração da capacidade financeira e técnica dos parceiros envolvidos. O terceiro será a conclusão dos estudos, licenças e contratos necessários.

Só depois destas etapas será possível avaliar o montante do investimento, os empregos previstos, a participação das empresas nacionais e o impacto sobre a produção de energia e as infra-estruturas.

Por enquanto, a Core Energy Consortium abriu uma via de diálogo com o Governo. A sua relevância para a economia moçambicana será determinada pelo capital que conseguir mobilizar, pelos projectos que seleccionar e pelas condições em que pretender implementá-los.

Fonte: O.economico

Nova Lei de Minas reforça controlo sobre recursos minerais estratégicos

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) reafirmou, ha dias, que a revisão da Lei de Minas veio corrigir fragilidades do anterior quadro legal e reforçar a soberania do Estado sobre os recursos minerais estratégicos, combatendo práticas lesivas ao interesse nacional por parte de algumas empresas concessionárias.

A posição foi apresentada pelo Secretário Permanente do MIREME, António Manda, durante a I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades, que decorre em Maputo.

Segundo Manda, a reforma da legislação visa assegurar que o País retire maiores benefícios da exploração dos seus recursos naturais, estabelecendo que a atribuição de concessões mineiras passe a privilegiar mecanismos transparentes, como concursos públicos e leilões.

“Foi por isso que procedemos à revisão da Lei de Minas, porque a legislação anterior beneficiava sobretudo as empresas estrangeiras e não o Estado moçambicano”, afirmou.

Explicou que a revisão introduz o princípio segundo o qual o Estado exerce soberania sobre os recursos minerais estratégicos e prevê a criação de uma empresa estatal que ficará responsável pela gestão destes minerais.

“Nenhuma empresa poderá explorar minerais estratégicos em Moçambique sem antes estabelecer uma parceria com a empresa moçambicana que será criada para esse efeito”, declarou.

O dirigente destacou igualmente que a nova Lei de Minas estabelece uma participação obrigatória do Estado em 15 por cento nos projectos mineiros, situação que não estava prevista na legislação anterior.

Segundo explicou, no passado algumas concessionárias impunham as suas condições ao Estado, que dispunha de reduzida capacidade de negociação.

No que respeita ao pagamento do imposto de produção, Manda afirmou que a revisão da legislação procura eliminar práticas fraudulentas relacionadas com a subfacturação e subavaliação dos minerais exportados.

“Encontrávamos situações em que um produto, depois de exportado, era vendido por cerca de cinco mil dólares, mas à saída do País era declarado como sendo de baixa qualidade, reduzindo significativamente o valor tributável”, explicou.

Acrescentou que estas irregularidades eram facilitadas pela insuficiência de meios técnicos e humanos nos portos de Nacala e da Beira, permitindo que o Estado fosse lesado.

Outra inovação da legislação, segundo o responsável, consiste na possibilidade de renegociar contratos de exploração quando ocorram alterações significativas das condições económicas e financeiras inicialmente previstas.

Manda defendeu igualmente maior rigor na gestão das concessões mineiras, criticando empresas que mantêm extensas áreas concessionadas durante vários anos sem realizar investimentos.

“Existem concessionárias que detêm áreas há mais de dez anos, alegando falta de recursos para investir, enquanto outros investidores com capacidade financeira permanecem impedidos de desenvolver esses projectos”, afirmou.

O dirigente intervinha num painel subordinado ao tema “Desafios da capitalização e do aproveitamento dos recursos minerais em benefício das comunidades locais”, integrado na I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades.

Durante o encontro, os chefes das localidades apresentaram diversos desafios enfrentados nas respectivas circunscrições administrativas.

O chefe da Localidade de Ancuabe, província de Cabo Delgado, Joaquim João Unaite, apontou como principais preocupações o mau estado das vias de acesso, a insuficiência de técnicos, os problemas de ordenamento territorial e os impactos provocados pelo terrorismo.

Segundo referiu, várias infra-estruturas públicas são concluídas sem cerimónia oficial de entrega, permanecendo durante anos em situação provisória.

“Temos escolas e unidades sanitárias que nunca chegaram a ser oficialmente entregues às comunidades”, lamentou.

Por seu turno, a chefe da Localidade de Sangage, distrito de Angoche, província de Nampula, Adelaide Zangueza, acusou uma empresa mineira que opera na região de incumprir os compromissos assumidos no âmbito da responsabilidade social.

A dirigente denunciou igualmente alegadas desigualdades no tratamento laboral entre trabalhadores locais e não locais.

Já o chefe da Localidade de Chueza, distrito de Marromeu, província de Sofala, Germano Domingos Luís, informou que decorrem projectos de saneamento do meio e de abastecimento de água, que irão beneficiar cerca de sete famílias distribuídas por dois bairros.

Entretanto, o chefe da Localidade de Inhonjone, distrito de Panda, província de Inhambane, Simone Mapanzene, propôs ao Governo a instalação de um sistema de regadio em cada localidade do País, como forma de impulsionar a produção agrícola e criar oportunidades de emprego para a juventude.

“Com um sistema de regadio em cada localidade criaremos mais emprego para os jovens”, defendeu.

A I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades teve início na quarta-feira e termina no próximo sábado.

ExxonMobil prepara FID do Rovuma LNG

A petrolífera norte-americana ExxonMobil assegura que vai avançar ainda este ano com a Decisão Final de Investimento (FID) do projecto Rovuma LNG, numa decisão que poderá abrir caminho para a concretização de um dos maiores empreendimentos de gás natural em Moçambique.

O compromisso foi reafirmado esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente da ExxonMobil para Upstream, Dan Ammann.

A garantia foi dada no termo da audiência pela Presidente da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, que integrou a delegação da multinacional recebida pelo Chefe do Estado.

A responsável classificou o encontro como produtivo, salientando que as discussões estiveram centradas nos próximos passos para o avanço do projecto de gás natural na Bacia do Rovuma.

“Foi uma reunião muito produtiva. Houve muita discussão sobre como vamos avançar com o projecto do Rovuma para termos uma Decisão Final de Investimento este ano”, afirmou Boothey.

A dirigente da ExxonMobil destacou igualmente que a reunião permitiu discutir os benefícios que o megaprojecto poderá proporcionar a Moçambique, com particular enfoque na criação de oportunidades de emprego, implementação de projectos sociais e aumento das receitas do Estado.

“Foi uma discussão muito produtiva sobre os benefícios deste megaprojecto para Moçambique, em termos de oportunidades de emprego, projectos sociais que serão empreendidos, e todos os benefícios que virão em termos de receitas adicionais para Moçambique”, declarou.

A Decisão Final de Investimento constitui uma das etapas mais aguardadas do desenvolvimento do Rovuma LNG e, uma vez tomada, deverá permitir a passagem do projecto para uma nova fase de execução, abrindo caminho para a mobilização de avultados investimentos e para o avanço das componentes de construção e desenvolvimento das infra-estruturas associadas.

O Rovuma LNG prevê a produção, liquefacção e exportação de gás natural proveniente dos recursos da Área 4 offshore da Bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado.

O projecto figura entre as principais iniciativas destinadas a transformar as vastas reservas de gás natural da região em investimentos e receitas para o país.

A ExxonMobil Moçambique lidera a futura operação das instalações do Rovuma LNG, num projecto cuja concretização envolve uma série de etapas técnicas, comerciais e financeiras. Entre estas, a FID representa um momento determinante para confirmar a passagem do empreendimento à fase de implementação.

A concretização do investimento poderá ter impactos significativos na economia nacional, nomeadamente através da mobilização de capital, criação de postos de trabalho, desenvolvimento de projectos sociais e geração de receitas adicionais para o Estado.

Para Cabo Delgado, onde se concentram alguns dos mais importantes recursos de gás natural do país, o avanço do Rovuma LNG é também acompanhado com expectativas de criação de oportunidades económicas e de desenvolvimento de infra-estruturas e iniciativas sociais.

O encontro entre Daniel Chapo e a liderança da ExxonMobil ocorre, assim, num momento particularmente importante para o futuro do projecto.

(AIM)

Standard Bank Moçambique regista lucro de 2.244 mil milhões de meticais no primeiro semestre

O Standard Bank Moçambique, um dos três maiores bancos do país, registou um lucro de 2.244 mil milhões de meticais (30 milhões de euros) no primeiro semestre de 2026, de acordo com as demonstrações financeiras consultadas pela Lusa na sexta-feira.

Segundo o documento, o banco continuou a expandir as suas operações, com o total de activos a crescer 0,7%, para 195.259 mil milhões de meticais (2,604 mil milhões de euros) em Junho, face ao final de 2025.

Os depósitos de clientes aumentaram 5,0%, para 146.558 mil milhões de meticais (1,955 mil milhões de euros), enquanto o crédito líquido a clientes diminuiu 10,8%, para 28.950 mil milhões de meticais (386,1 milhões de euros), também em comparação com o exercício financeiro encerrado em Dezembro.

O total do passivo cresceu 1,3%, para 157.102 mil milhões de meticais (2,095 mil milhões de euros), enquanto os capitais próprios diminuíram 1,6%, para 38.110 mil milhões de meticais (508 milhões de euros).

As demonstrações financeiras mostram ainda proveitos operacionais de 8.052 mil milhões de meticais (107,4 milhões de euros) e um resultado operacional antes de imparidades de 3.462 mil milhões de meticais (46,2 milhões de euros) no período de seis meses.

O lucro do Standard Bank Moçambique já havia caído 26% em 2025, para 4.526 mil milhões de meticais (60,4 milhões de euros), depois de atingir 6.134 mil milhões de meticais (81,8 milhões de euros) em 2024 e um recorde de 7.191 mil milhões de meticais (95,9 milhões de euros) em 2023.

No seu relatório anual e demonstrações financeiras de 2025, anteriormente noticiados pela Lusa, a administração do banco atribuiu a redução dos resultados a factores macroeconómicos adversos, nomeadamente o elevado risco soberano, a disponibilidade limitada de moeda estrangeira, as taxas de juro mais baixas e a contracção do crédito.

O banco afirmou igualmente que a escassez de moeda estrangeira afectou as importações de bens intermédios, limitou a expansão do sector privado e condicionou a procura de financiamento, contribuindo para a estagnação da carteira de crédito.

O Standard Bank Moçambique é um banco privado criado em 1967, com sede em Maputo, embora a presença da instituição no país remonte a 1894. O seu principal accionista é a Stanbic Africa Holdings Limited, que detém 98,15% do capital social e é controlada pelo grupo sul-africano Standard Bank Group.

Fonte: Lusa