Monday, June 1, 2026
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Conheça a Vice-Presidente da ANJE, Mara Cancune

Mara Cancune é uma empreendedora moçambicana dedicada ao desenvolvimento humano e à capacitação profissional. Formada em Gestão de Recursos Humanos, pelo Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM) e com um mestrado em Administração e Gestão de Negócios pela Universidade Politécnica, Cancune possui uma base académica que a impulsionou em sua trajectória profissional.

Actualmente, Mara Cancune é Directora Geral da CharbanúRH, uma empresa especializada em consultoria e capacitação na área de recursos humanos. A CharbanúRH oferece serviços como consultorias em capital humano, outsourcing na gestão de RH, formações para jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho, capacitações para colaboradores em atitudes e comportamentos, desenvolvimento de políticas institucionais, recrutamento e selecção, diagnósticos de clima organizacional, entre outros processos voltados para o desenvolvimento do principal recurso das organizações.

Ademais, Mara desempenha um papel activo na Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), onde preside um dos pelouros. A sua participação na ANJE demonstra o seu compromisso com o empreendedorismo jovem e o desenvolvimento económico de Moçambique.

Mara também compartilha as suas experiências e conhecimentos por meio de plataformas digitais. Em suas redes sociais, destaca a importância da capacitação profissional e do desenvolvimento pessoal, incentivando jovens e profissionais a se aprimorarem continuamente.

A Sua trajectória reflecte uma dedicação contínua ao fortalecimento do capital humano em Moçambique, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados e organizações mais eficientes.

Meet the Vice-President of ANJE, Mara Cancune

Mara Cancune is a Mozambican entrepreneur dedicated to human development and professional training. With a degree in Human Resources Management from the Higher Institute of Science and Technology of Mozambique (ISCTEM) and a master’s degree in Business Administration and Management from the Polytechnic University, Cancune has an academic background that has propelled her on her professional path.

Mara Cancune is currently Managing Director of CharbanúRH, a company specializing in human resources consultancy and training. CharbanúRH offers services such as human capital consultancy, HR management outsourcing, training for young people wishing to enter the job market, training for employees in attitudes and behaviour, development of institutional policies, recruitment and selection, organizational climate diagnostics, among other processes aimed at developing organizations’ main resource.

In addition, Mara plays an active role in the National Association of Young Entrepreneurs (ANJE), where she chairs one of the departments. Her participation in ANJE demonstrates her commitment to youth entrepreneurship and economic development in Mozambique.
Mara also shares her experiences and knowledge through digital platforms. On her social networks, she highlights the importance of professional training and personal development, encouraging young people and professionals to continually improve themselves.

Mara also shares her experiences and knowledge through digital platforms. On her social networks, she highlights the importance of professional training and personal development, encouraging young people and professionals to continually improve themselves.
Her career reflects a continuous dedication to strengthening human capital in Mozambique, contributing to the formation of better prepared professionals and more efficient organizations.

Carla Louveira: “A linha de crédito de 10 mil milhões de meticais vai impulsionar a recuperação económica”

  • Nos últimos três meses de 2024, o país foi assolado por uma onda de manifestações que culminaram na destruição de infraestruturas públicas e privadas, afectando sobremaneira o tecido social e produtivo da nossa economia, resultando numa variação negativa do PIB na ordem de 4,9%.– Carla Louveira, Ministra das Finanças

Em entrevista ao Profile Mozambique, a Ministra das Finanças, Carla Louveira, analisa o impacto das manifestações e dos choques climáticos no desempenho da economia nacional. A governante destaca as medidas emergenciais adoptadas pelo Executivo para mitigar os efeitos da crise e restaurar a confiança dos investidores.

Profile Mozambique: Diante dos dados do Instituto Nacional de Estatística sobre o quarto trimestre de 2024, quais foram os principais factores que contribuíram para a variação negativa do PIB em 4,9%, e de que forma as manifestações violentas, aliadas a choques climáticos como a tempestade tropical severa Filipe e o fenómeno El Niño, impactaram os diferentes sectores da economia moçambicana?

Carla Louveira: Nos últimos três meses do ano de 2024, o país foi assolado por uma onda de manifestações violentas que culminaram com a destruição de infraestruturas públicas e privadas, estabelecimentos comerciais, grandes, médios e pequenos negócios, afectando sobremaneira o tecido social e produtivo da nossa economia, tendo resultado numa variação negativa do PIB na ordem de 4,9%.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes ao quarto trimestre de 2024, mostram que todos os setores foram afectados, sendo, em primeiro lugar, o sector secundário, com uma variação negativa de 8,9%, com maior destaque para o ramo da indústria manufatureira, com variação de menos 11%, como resultado da vandalização de 19 fábricas e indústrias, entre outras. Ocupa segunda posição o sector primário, com uma variação negativa de 4,8%, com destaque para o ramo da indústria de extração mineira, que observou uma variação de menos 10,1%.

E, por último, o sector terciário, registou igualmente uma variação negativa de 3,8%, induzido pelo ramo de hotéis e restaurantes, que observou uma variação de menos 14,7%, seguido do ramo do comércio e serviços de reparação, com uma variação de menos 10,6%, como resultado da destruição de 23 armazéns comerciais e 1.677 estabelecimentos comerciais.

Estas acções violentas contra activos públicos e privados impactou negativamente na taxa de crescimento económico, tendo-se situado em 1,9% em 2024, contra os 5,5% que haviam sido programados para este ano de 2024, e 5,4% observado no período homólogo, portanto, no período de 2023. Esta tendência foi igualmente agravada pelo impacto dos choques climáticos, com destaque para a tempestade tropical severa Filipe, causando chuvas intensas, cheias e inundações em algumas cidades e vilas, sobretudo na zona sul, bem como pelos efeitos do fenómeno El Nino, que afetaram o sector produtivo em algumas regiões do país.

PM: Face aos desafios económicos recentes, especialmente após as manifestações violentas que afectaram diversas empresas, quais são as principais medidas de curto e médio prazo adoptadas pelo Governo de Moçambique para estimular a recuperação da economia?

CL: O Governo de Moçambique, procura buscar soluções de curto, médio prazo para criar estímulos à economia moçambicana. É neste contexto que o Governo convidou o setor bancário para ser parte da solução que rapidamente respondeu com medidas imediatas que acreditamos que vão contribuir para a recuperação da economia.

Nestes termos, saudamos efusivamente a Associação Moçambicana dos Bancos (AMB), tanto em representação do sector bancário, por disponibilizar soluções financeiras de apoio à tesouraria e investimento das micro, pequenas e médias empresas. Nomeadamente, e conforme foi apresentado pelo Presidente da Associação Moçambicana dos Bancos, a medida relativa à reestruturação de financiamentos concedidos às empresas, que visa garantir maior flexibilidade financeira, sendo esta uma medida exclusivamente direcionada às empresas que foram afectadas pelas manifestações violentas mediante solicitação do cliente.

Ministra das Finanças, Carla Louveira

Portanto, esta é uma medida que vai permitir tantas empresas recorrerem para reestruturar o seu financiamento existente negociando novos prazos e eventuais, portanto, isenção de multas.

A segunda medida que também foi referida, que é a disponibilização de uma linha de crédito bonificada num montante global de 10 mil milhões de meticais, com vista a financiar a tesouraria e o investimento, impulsionando a recuperação económica e garantindo a sustentabilidade das empresas, com taxas de juros bonificadas, isenta de comissões e disponível até 30 de setembro de 2025.

A par destas medidas, de curto prazo, continuamos a trabalhar no desenho de outras soluções igualmente estruturantes, de médio e longo prazo, como é o caso do Fundo de Garantia Mutuária, mas entre outras que estão igualmente a ser estudadas.

Neste contexto, não poderia terminar esta minha intervenção sem reiterar que o Governo está consciente das preocupações com a segurança das pessoas, bem como a propriedade privada e pública e como isto afecta o investimento e as actividades económicas do dia-a-dia. E é nesses termos que continuamos a trabalhar para a manutenção da lei e ordem, durmo no resgate da confiança dos investimentos e melhoria do nosso ambiente de negócios.

PM: Como é que está a ser pensar as finanças com estes desafios públicos?

CL: Obviamente que ainda não é uma situação acabada. O que nós recebemos neste momento é o interregno de algumas actividades. No entanto, nas áreas prementes da malária, do HIV e também dos medicamentos, houve uma salvaguarda de segurança.

E é essa salvaguarda que estamos a ter que vamos ter, portanto, a normalidade no financiamento nessas categorias de salvaguarda. De resto, estamos a fazer um programa de reorçamento do Estado, estamos a elaborar um programa no canal do governo que vai permitir minimizar algumas situações que o país está a vivenciar.

Carla Louveira: “The 10 Billion Meticais Subsidized Credit Line Will Drive the Economic Recovery of Companies”

  • In the last three months of 2024, the country was struck by a wave of protests that culminated in the destruction of public and private infrastructure, severely affecting the social and productive fabric of our economy, resulting in a negative GDP variation of 4.9%. – Carla Louveira, Minister of Finance

In an interview with Profile Mozambique, Minister of Finance Carla Louveira analyzes the impact of the protests and climatic shocks on the national economy’s performance. The Minister highlights the emergency measures adopted by the government to mitigate the effects of the crisis and restore investor confidence.

Profile Mozambique: Given the data from the National Statistics Institute regarding the fourth quarter of 2024, what were the main factors that contributed to the negative variation of 4.9% in the GDP, and how did the violent protests, combined with climatic shocks such as the severe Tropical Storm Filipe and the El Niño phenomenon, impact the various sectors of the Mozambican economy?

Carla Louveira: In the last three months of 2024, the country was struck by a wave of violent protests that resulted in the destruction of public and private infrastructure, commercial establishments, large, medium, and small businesses, severely affecting the social and productive fabric of our economy, leading to a negative variation in the GDP of 4.9%.

Data from the National Statistics Institute for the fourth quarter of 2024 show that all sectors were affected. The secondary sector, with a negative variation of 8.9%, was hit hardest, particularly the manufacturing industry, which saw a decrease of 11%, due to the vandalization of 19 factories and industries, among other damages. The primary sector followed with a negative variation of 4.8%, notably the extractive mining industry, which saw a decrease of 10.1%. Lastly, the tertiary sector recorded a negative variation of 3.8%, induced by the hotel and restaurant sector, which saw a decline of 14.7%, followed by commerce and repair services, which decreased by 10.6% due to the destruction of 23 commercial warehouses and 1,677 establishments.

These violent actions against public and private assets negatively impacted the economic growth rate, which stood at 1.9% in 2024, compared to the 5.5% that had been projected for that year, and 5.4% observed in the same period in 2023. This trend was further aggravated by the impact of climatic shocks, particularly the severe Tropical Storm Filipe, which caused heavy rains, floods, and inundations in several cities and towns, especially in the southern region, as well as the effects of the El Niño phenomenon, which affected the productive sector in certain regions of the country.

PM: In light of the recent economic challenges, especially after the violent protests that affected several businesses, what are the main short- and medium-term measures adopted by the Government of Mozambique to stimulate the economic recovery?

CL: The Government of Mozambique is actively seeking short- and medium-term solutions to stimulate the Mozambican economy. In this context, the government invited the banking sector to be part of the solution, and they quickly responded with immediate measures that we believe will contribute to the economic recovery.

In this regard, we warmly welcome the Mozambican Association of Banks (AMB) for making financial solutions available to support the treasury and investment of micro, small, and medium enterprises. Specifically, as presented by the President of the Mozambican Association of Banks, the measure regarding the restructuring of loans granted to businesses, aimed at ensuring greater financial flexibility, is exclusively directed towards companies affected by the violent protests upon the client’s request.

This measure will allow many companies to restructure their existing loans by negotiating new terms and, where appropriate, the waiver of penalties. The second measure mentioned is the availability of a subsidized credit line totaling 10 billion meticais, aimed at financing treasury and investment, boosting economic recovery, and ensuring the sustainability of businesses, with subsidized interest rates, exempt from fees, and available until September 30, 2025.

Alongside these short-term measures, we continue to work on designing other equally structural solutions for the medium and long term, such as the Mutual Guarantee Fund, among others that are also being studied.

In this context, I must emphasize that the government is fully aware of concerns regarding the security of individuals and private and public property, and how this impacts investment and daily economic activities. We are working to maintain law and order, restore investor confidence, and improve our business environment.

PM: How are finances being managed in light of these public challenges?

CL: Obviously, it is still a situation that is not resolved. What we are currently facing is a temporary halt in some activities. However, in critical areas such as malaria, HIV, and medication supplies, we have ensured security measures.

It is this security that we are working to maintain, ensuring that normal funding resumes in these critical categories. Additionally, we are implementing a state budget restructuring program, and we are preparing a government program that will help minimize some of the situations the country is currently experiencing. Does this reflect the government’s urgent objective of achieving economic independence? Yes, that is indeed the goal.

PCA da HCB: Moçambique deve “bloquear” soluções energéticas dos países vizinhos para manter a hegemonia regional

O Presidente do Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Tomás Matola, defende o “bloqueio” das soluções energéticas dos países vizinhos por forma a assegurar que Moçambique se torne num hub energético da região austral de África.

Segundo Tomás Matola, do lado da procura, os países da região, como a África do Sul, com um défice de mais de 6000 megawatts, o Zimbabué, o Botsuana e a Zâmbia, estão a demandar mais energia. Essa necessidade é crescente na Zâmbia devido à seca severa causada pelo fenómeno El Niño.

Na perspectiva do PCA, essa demanda constituiu uma oportunidade para Moçambique intervir nas soluções através do fornecimento de energia da HCB.

“O nosso pensamento é que nós não podemos deixar estes países criarem suas próprias soluções, porque nós é que temos mais potencialidade do que todos eles juntos. Então, temos de, rapidamente, bloqueá-los com acordos de offtakes com PPA [Power Purchase Agreement/Acordos de Compra de Energia], no sentido de garanti-los que nós vamos fornecer essa energia. Só assim, vamos garantir que Moçambique seja, de facto, hub energético na região austral” argumentou.

Matola frisou que essa é uma grande oportunidade para Moçambique se posicionar, e alertou que se deixar janela “fechar”, “mais tarde vamos perceber que todos os países, porque estão a sofrer, encontraram soluções própria e já não vão precisar da nossa energia”.

O PCA nota que o desafio para Moçambique é unicamente o aumento da capacidade de produção – a mesma há 50 anos – “para não se tornar completamente insignificante” nos próximos anos.

“Se tivermos uma procura muito grande e uma oferta muito pequena vamos perder a oportunidade, ficar irrelevantes, mesmo aqui na África Austral. Urge, agora, corrermos com projectos de nova geração com o aumento da capacidade” disse, vincando que a HCB está a olhar para esses desafios.

Tomás Matola falava na sexta-feira, em Maputo, no lançamento do “Prémio de Jornalismo” da HCB, por ocasião da celebração dos 50 anos a existência da empresa, no próximo dia 23 de Junho.

Cabo Delgado: TotalEnergies suspende subcontratos do pojecto Mozambique LNG

A TotalEnergies está a suspender todos os seus subcontratos com empresas baseadas na península de Afungi, na província de Cabo Delgado. As empresas já foram instruídas para cessar as actividades e os contratos com milhares de trabalhadores.

CCS Joint Venture (Chiyoda, McDermont e Saipem) por exemplo, já recebeu a ordem da multinacional francesa para avançar com a medida. Tudo está suspenso até nova comunicação.

Outras subcontratadas que continuavam a operar em Afungi, mesmo depois da suspensão do projecto da TotalEnergies, incluíam a portuguesa Gabril Couto, a sul-africana WBHO, a italiana Renco, e a mauritana International Facility Services (IFS), refere um texto publicado pela AI.

A informação encontra as autoridades moçambicanas de surpresa, dado que numa entrevista recente, a 05 de Fevereiro, o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, mostrou optimismo para retoma do projecto.

O CEO havia demonstrado satisfação com as actuais questões de segurança na área de Afungi, mercê da presença de forcas ruandesas.

Recorde-se que, em Abril de 2021, a TotalEnergies evocou Força Maior para projecto depois de um ataque terrorista às suas instalações. De lá há alguns meses, se dizia que a retoma do projecto estava condicionada

às questões de segurança. No entanto, outro condicionalismo tem que ver com o facto de alguns investidores terem recuado seus investimentos por conta das questões ambientais. Até então, a TotalEnergies não tem budget necessário para, pelo menos, iniciar com a exploração de gás natural liquefeito.

Pouyanné está expectante que o Exim Bank dos Estados Unidos da América aprove, no curto prazo, garantias financeiras para o projecto. Mas parece que a falta de um horizonte temporal mais preciso é que terá precipitado, agora, a suspensão com as subcontratadas.

TotalEnergies Suspends All Subcontracts with Companies Based in Afungi, Cabo Delgado

TotalEnergies is suspending all its subcontracts with companies based in the Afungi peninsula, in Cabo Delgado province. The companies have already been instructed to cease their activities and terminate contracts with thousands of workers.

CCS Joint Venture (Chiyoda, McDermott, and Saipem), for instance, has already received instructions from the French multinational to proceed with the measure. Everything is suspended until further notice.

Other subcontractors that continued operating in Afungi even after the suspension of TotalEnergies’ project included the Portuguese Gabriel Couto, the South African WBHO, the Italian Renco, and the Mauritanian International Facility Services (IFS), according to a text published by AI (Amnesty International).

This information has caught Mozambican authorities by surprise, as in a recent interview on February 5, TotalEnergies’ CEO, Patrick Pouyanné, expressed optimism about the resumption of the project.

The CEO had previously shown satisfaction with the current security conditions in the Afungi area, thanks to the presence of Rwandan forces.

It is worth recalling that in April 2021, TotalEnergies invoked Force Majeure for the project after a terrorist attack on its facilities. For months, the company’s official stance was that the project’s resumption was contingent on security improvements.

However, another challenge emerged, as some investors withdrew their funding due to environmental concerns. As a result, TotalEnergies currently lacks the necessary budget to initiate the liquefied natural gas (LNG) exploration.

Pouyanné remains hopeful that the Export-Import Bank of the United States (Exim Bank) will approve financial guarantees for the project in the near future. However, it seems that the lack of a clear timeline for these approvals has now led to the suspension of subcontractor operations.

PMI do Standard Bank Moçambique: As condições das empresas abrandam novamente em Janeiro

  • Produção e novas encomendas caem pelo terceiro mês consecutivo
  • Custos mais baixos e uma fraca procura resultam em preços de venda reduzidos
  • Emprego e aquisições registam uma melhoria

O PMI® do Standard Bank Moçambique assinalou uma contração adicional na economia do setor privado em Janeiro. Os níveis de produção e as novas carteiras de encomendas desceram pelo terceiro mês consecutivo, à medida que os protestosncontinuaram a comprometer as condições económicas.

No entanto, o declínio foi menos grave quando comparado com o final do ano passado, a mesmo tempo que as expectativas para a produção futura melhoraram. Ocorreram igualmente novos aumentos na contratação de pessoal e nas aquisições, auxiliados por uma diminuição adicional dos preços dos meios de produção. É de salientar que os preços de venda também diminuíram da forma mais acentuada dos últimos três anos.

O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ Index TM (PMI). Indicadores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas em relação ao mês anterior, ao passo que indicadores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração.

Ao registar 47,5 em Janeiro, o índice básico indicou uma forte deterioração nas condições das empresas no início de 2025. O índice tem estado abaixo do valor de 50,0 nos últimos três meses, apesar de ter aumentado em relação aos 46,4 de Dezembro, o valor mais baixo dos últimos 52 meses.

As empresas moçambicanas inquiridas referiram, na sua maioria, um impacto sustentado dos protestos políticos. Janeiro assistiu à diminuição da produção e das novas encomendas pelo terceiro mês consecutivo, embora em menor medida do que em Dezembro. Algumas empresas indicaram que as perturbações abrandaram, resultando, assim, num aumento do número de clientes.

Membros do painel indicaram novos esforços para aumentar a capacidade, assinalando mais uma vez que o impacto dos protestos sobre as empresas estava a diminuir. O emprego total aumentou ligeiramente em Janeiro, terminando um período de dois meses de cortes de pessoal. De igual modo, após um declínio acentuado em Dezembro, as aquisições de meios de produção cresceram pela primeira vez em três meses.

Os problemas logísticos foram também parcialmente solucionados, conferindo aos fornecedores uma maior flexibilidade com as suas entregas. Apesar de, no geral, os prazos de entrega terem continuado a piorar, este declínio foi apenas ligeiro e ao ritmo mais lento dos últimos três meses.

Consequentemente, os inventários de meios de produção nas empresas do setor privado expandiram ao ritmo mais elevado desde Agosto de 2024.

Com a persistência da fraca procura, as empresas processaram um maior volume de encomendas existentes no início do ano. As encomendas em atraso diminuíram ao ritmo mais elevado dos últimos oito meses. No que diz respeito aos preços, os dados do inquérito mais recente assinalaram uma nova diminuição dos encargos com a produção durante o mês de Janeiro. Além disso, o ritmo dos descontos acelerou em relação a Dezembro, tendo sido o mais acentuado dos últimos três anos. Os preços mais baixos foram associados ao efeito duplo da fraca procura e da queda nos custos. Relativamente a esta última, as empresas comunicaram uma queda nos custos dos meios de produção pelo terceiro mês consecutivo. De acordo com os membros do painel, a baixa procura de matérias-primas devido aos protestos resultou numa descida das tarifas dos fornecedores. Os preços de aquisição baixaram, ainda que apenas ligeiramente e ao ritmo mais lento dos últimos três meses. Os custos salariais também diminuíram depois de terem estabilizado em Dezembro. Quanto a isto, as empresas referiram que a fraca procura afetou os orçamentos para despesas salariais.

Em Janeiro, as expectativas empresariais para o próximo ano apresentaram um aumento, melhorando pelo segundo mês consecutivo, depois de terem atingido em Novembro o valor mais baixo dos últimos 49 meses. Diversas empresas esperam que um regresso às condições económicas normais venha a contribuir para uma subida da actividade, enquanto outras preveem umcrescimento da carteira de clientes e do desenvolvimento de produtos.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, comentou: “O PMI do Standard Bank Moçambique aumentou de 46,4 em Dezembro para 47,5 (corrigido de sazonalidade) em Janeiro. Ocorreram contracções mensais consecutivas na produção, nas novas encomendas e nos prazos de entrega dos fornecedores. No entanto, foi sentida alguma recuperação no emprego e nos inventários.

Em Janeiro, o PMI manteve-se abaixo de 50 pelo terceiro mês seguido, implicando novas contracões mensais consecutivas na actividade económica. Apesar de os protestos pós-eleitorais terem diminuído em Janeiro, o ambiente político e social manteve-se tenso.

De acordo com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro, o sentimento empresarial aumentou pelo egundo mês consecutivo em Janeiro, sendo que os inquiridos esperam uma produção mais elevada ao longo dos próximos 12 meses.

Ainda assim, o PMI sugere a atenuação das pressões sobre os preços em Janeiro, devido, em grande medida, à procura agregada moderada. Isto indica que a inflação poderá manter-se controlada a curto prazo, mas com a probabilidade de que a inflação sobre os alimentos venha a aumentar. Assim sendo, é esperado um aumento da inflação para 6,1%, em termos homólogos, em Dezembro de 2025, em relação aos 4,2%, em termos homólogos, em Dezembro de 2024.

As nossas estimativas de crescimento do PIB para 2024 de 2,5%, em termos homólogos, após os 5,4%, em termos homólogos, em 2023, reflectem uma contração de 1,6%, em termos homólogos, no crescimento do PIB no quarto trimestre de 2024 e implicam um crescimento do PIB, excluindo o sector extractivo (exploração mineira e GNL), que se situou abaixo de 1%, em termos homólogos, em 2024, representando uma descida dos 2,2%, em termos homólogos, em 2023. É esperado que a contração no crescimento do PIB se mantenha no primeiro trimestre de2025, nas deverá ocorrer uma recuperação nos trimestres subsequentes, consistente com a nossa previsão de crescimento do PIB de 3%, em termos homólogos, para 2025.

Apesar de a política monetária estar a tornar-se gradualmente menos restritiva, as condições de financiamento mantêm-se apertadas. A curto prazo, esta economia ainda se depara com pressões fiscais recorrentes, uma oferta insuficiente de divisas e um investimento reduzido nos sectores público e privado.”

Custo de vida continua alto e lamentável quanto antes (Uma semana após a redução dos preços dos combustíveis)

Há cerca de uma semana, o Governo moçambicano anunciou a redução dos preços dos combustíveis, em vigor desde quinta-feira (24.02). A medida foi recebida com expectativa por parte da população, na esperança de que pudesse aliviar a pressão financeira sentida nos últimos meses. No entanto, os efeitos práticos ainda não se fazem sentir de forma significativa no custo de vida.

Vários cidadãos têm manifestado descontentamento, pois os preços de bens e serviços permanecem elevados, apesar de o custo dos produtos petrolíferos ter sofrido uma ligeira descida. Nos mercados, a reclamação é de que produtos como arroz, farinha, açúcar e óleo alimentar continuam a ser vendidos a preços altos, inviabilizando o acesso por parte das famílias de baixa renda.

Também os transportadores alegam dificuldades para reduzir as tarifas. A Associação dos Transportadores de Moçambique (ATROMO) reconhece que a baixa do preço dos combustíveis é um passo positivo, mas ressalva que outros fatores, como a inflação, a depreciação cambial, os custos de manutenção e os impostos, continuam a pesar na formação dos preços do transporte.

A recente decisão do Governo de reduzir o IVA de 17% para 16% é vista por alguns economistas como mais uma tentativa de mitigar a crise e travar a alta generalizada dos preços. Todavia, alertam que esta medida, por si só, pode não ser suficiente para estancar a escalada inflacionária.

“É preciso um conjunto de ações coordenadas que envolvam a produção interna, a estabilização cambial e a fiscalização dos preços, para que os moçambicanos sintam, de fato, um alívio no bolso”, afirma um dos especialistas ouvidos pelo nosso jornal.

Enquanto isso, o cidadão comum continua a aguardar por resultados concretos no seu dia a dia. Muitos dizem que a situação é “lamentável quanto antes”, pois a capacidade de compra segue em queda, ao mesmo tempo que o desemprego e o custo dos serviços básicos não param de aumentar.

Em alguns mercados informais da capital, o preço do quilograma de arroz subiu cerca de X meticais em relação ao mês anterior. O óleo alimentar, que chegou a registar um pico de preço em janeiro, mantém-se em valores ainda elevados, segundo os vendedores.

“Estamos a vender caro porque também compramos caro. A redução do combustível ajuda, mas ainda não se refletiu nos nossos fornecedores”, explica um comerciante entrevistado.

Para os consumidores, o cenário é desanimador. “Cada dia que passa, o salário não acompanha a subida dos preços. Vamos ao mercado com um valor e voltamos com poucos produtos. Não há mudanças palpáveis após o anúncio do Governo”, lamenta uma cidadã que preferiu não se identificar.

“A redução do IVA para 16% pode ter impacto a médio prazo, mas não resolve de imediato a alta de preços. É fundamental que se adote uma política económica mais ampla, que inclua incentivos à produção nacional, para reduzir a dependência das importações e a pressão sobre o metical.”

A população, por sua vez, clama por uma intervenção mais incisiva do Governo na regulação e fiscalização de preços, pois teme que as reduções anunciadas acabem por não chegar ao consumidor final.

“Anunciar redução de combustíveis e IVA é uma coisa, mas garantir que o efeito chegue às bancas e aos transportes é outra. Se não houver fiscalização, continuaremos a ver preços altos, e o custo de vida vai continuar a castigar as famílias”, defende um representante de uma associação de consumidores.

Assim, passados sete dias desde que as novas medidas entraram em vigor, o consenso é de que ainda há um longo caminho pela frente para que o custo de vida se torne efectivamente mais acessível à maioria dos moçambicanos. (Estrela Charles – Economista CIP)

Kelver Inácio: “Queremos conectar empreendedores e impulsionar o crescimento da indústria e comércio”

Profile Mozambique: Para começarmos, poderia nos falar um pouco sobre o seu percurso profissional e a sua trajectória no mundo empresarial?

Kelver Inácio: O meu nome é Kelver Inácio Maxim, sou empresário há 25 anos. Comecei a minha jornada de empreendedorismo com o meu pai, aos 12 anos, ajudando na empresa dele, que fornecia lonas e tendas. Com o tempo, expandimos para a hotelaria, agricultura, pecuária e, mais recentemente, para a indústria de reciclagem.

Aos 25 anos, decidi fundar a minha primeira empresa, a DK Eventos. A motivação veio do facto de a empresa do meu pai alugar tendas e casas de banho para eventos, mas sem oferecer um serviço completo de gestão. Vi essa lacuna e passei a coordenar os eventos de forma informal. Com a crescente demanda, legalizei a empresa e expandi os serviços para gestão completa de eventos, fornecimento de mobiliário e assessoria.

O sucesso da DK Eventos levou-me a entrar no sector de catering, suprindo as necessidades dos clientes que reclamavam da qualidade dos serviços prestados por terceiros. Assim, fui identificando necessidades e criando soluções empresariais. Hoje, gero cerca de 15 empresas em diferentes sectores, sempre focado na resolução de problemas e no fornecimento de serviços estruturados.

PM: O que motivou a criação da Feira Internacional da Indústria e Comércio (Finduco)?

KI: A Finduco nasceu dentro da PAEMO com o objectivo de promover a interação entre empresas e fomentar o crescimento dos sectores de indústria e comércio, que são grandes impulsionadores da economia moçambicana. A feira busca conectar empreendedores, promover networking e impulsionar o setor B2B e B2C.

PM: Quando e onde será realizada a Finduco?

KI: O evento acontecerá de 7 a 9 de agosto, no Conselho Municipal de Maputo. Contamos com o apoio de diversas instituições, incluindo a CTA e organizações internacionais. Esperamos receber representantes de toda a região da SADC e outros países.

PM: Qual a estrutura da feira e quais são os sectores contemplados?

KI: A feira contará com exposição de empresas de indústria, comércio e serviços, incluindo restauração, entretenimento e networking. Teremos conferências, debates e workshops, proporcionando um espaço rico para aprendizado e troca de experiências. Esperamos atrair cerca de 20 mil visitantes por dia.

PM: Como as emprdem participar da Finduco?

KI: A participação é simples. Basta entrar em contacto com a PAEMO por meio das nossas redes sociais e portal online. Temos uma ficha de inscrição onde os interessados escolhem o tamanho do stand conforme suas condições financeiras. Também facilitamos a contratação de serviços de terceiros, especialmente na área gráfica, para a construção e decoração dos stands.

PM: O que diferencia a Finduco de outras feiras em Moçambique?

KI: A Finduco é a primeira feira organizada por uma entidade privada em pleno centro da cidade de Maputo, proporcionando maior mobilidade aos expositores e visitantes. Ademais, nossos preços são acessíveis, permitindo maior inclusão de pequenas e médias empresas.

Temos capacidade para receber até 5 mil empresas expositoras e queremos garantir uma feira inclusiva e acessível a todos.

PM: A Finduco será um evento anual? Existem outros workshops planeados?

KI: Sim, a Finduco é um evento anual e faz parte de um portfólio maior de feiras segmentadas que organizamos. Temos a Translog (Feira Internacional de Transporte e Logística), a Telecom (Feira de Telecomunicações e Tecnologia) e a Feira da Banca (sector financeiro e seguros), entre outras. Algumas delas ocorrerão ainda este ano, enquanto outras estão programadas para 2026.

PM: Como a PAEMO contribui para o crescimento dos empreendedores moçambicanos?

KI: A PAEMO é uma plataforma que apoia micro, pequenas e médias empresas, ajudando-as a se formalizar e a crescer de forma sustentável. Acreditamos que a falta de organização é um dos principais entraves para o crescimento empresarial. Por isso, oferecemos treinamentos, suporte legal e networking para ajudar os empreendedores a profissionalizar seus negócios.

KI: Que conselhos ou livros você recomendaria para os empreendedores que desejam desenvolver suas competências?

KI: O principal conselho é que não há crescimento sem organização. É fundamental ter um plano de longo prazo, estruturar o negócio de forma profissional e estar em conformidade com a legislação. Empresas bem organizadas têm maior potencial de crescimento e podem, no futuro, até mesmo ser cotadas na bolsa de valores.

Recomendo alguns livros essenciais para empreendedores:

  1. “O Poder do Hábito” – Charles Duhigg
  2. “Pai Rico, Pai Pobre” – Robert Kiyosaki
  3. “A Startup Enxuta” – Eric Ries
  4. “De Zero a Um” – Peter Thiel
  5. “Os Segredos da Mente Milionária” – T. Harv Eker