Moçambique registou uma evolução favorável no comércio externo no primeiro semestre de 2026, com as exportações a crescerem 5% e as importações a reduzirem-se em 12%, resultando num saldo positivo da balança comercial de cerca de 114 milhões de dólares, segundo dados preliminares apresentados pelo ministro da Economia, Basílio Muhate.
A redução das importações pode indicar uma menor dependência de produtos adquiridos no exterior, mas o seu impacto económico dependerá da razão por detrás desta queda. Se resultar do aumento da produção nacional e da substituição de produtos importados por bens produzidos localmente, poderá contribuir para fortalecer empresas nacionais, estimular a produção e criar emprego.
Por outro lado, uma redução das importações provocada por dificuldades de acesso a divisas, menor procura ou limitações na capacidade das empresas para adquirir equipamentos e matérias-primas poderá representar um sinal de pressão sobre a actividade económica.
O crescimento das exportações apresenta igualmente uma oportunidade para a economia nacional, sobretudo se estiver associado à diversificação da base exportadora e ao aumento do valor acrescentado dos produtos moçambicanos.
Para a economia local, o principal desafio será transformar esta evolução do comércio externo em mais produção nacional, emprego, investimento e rendimento para as famílias. Como defendeu o ministro, a redução das importações deve ser acompanhada pelo reforço da produção interna, enquanto o crescimento das exportações deve privilegiar produtos transformados e com maior incorporação de valor em Moçambique.
Em termos económicos, o dado mais relevante não é apenas exportar mais e importar menos, mas saber se essa evolução está a aumentar a capacidade produtiva do País.



