O comércio mundial de bens deverá crescer a um ritmo mais rápido até 2029 do que na década anterior. A previsão, contudo, aponta para uma desaceleração gradual nos próximos anos. Segundo o DHL Globalization Tracker, o comércio mundial deverá crescer, em média, 3,4% por ano entre 2026 e 2029. Entre 2016 e 2025, o crescimento médio foi de 2,7%.
A expansão deverá abrandar de 5,3% em 2025 para 4,6% em 2026. Para 2027, a previsão aponta para um crescimento de 3,6%.
África Subsaariana cresce 11%
Entre Janeiro e Maio de 2026, o valor do comércio da África Subsaariana aumentou 11% em termos homólogos. A Ásia Oriental e o Pacífico registaram o maior crescimento regional, com 24%. A Europa apresentou uma expansão de 12%.
Os valores são calculados em dólares correntes. Por isso, não representam necessariamente aumentos equivalentes no volume de cargas transportadas.
Inteligência artificial impulsiona comércio
A procura por equipamentos destinados à infra-estrutura de inteligência artificial tem sido um dos principais motores do comércio mundial.
Semicondutores e equipamentos de transmissão de dados representaram 76% do crescimento do comércio mundial de bens no primeiro trimestre de 2026.
A forte concentração neste sector, contudo, cria novos riscos. Uma desaceleração dos investimentos em inteligência artificial poderá afectar o ritmo do comércio.
Conflitos e tarifas aumentam incerteza
O cenário global continua condicionado por conflitos e novas barreiras comerciais. As perturbações no Estreito de Ormuz tiveram impacto directo em algumas economias. Entre Janeiro e Maio de 2026, o valor do comércio da Arábia Saudita caiu 37%, enquanto o dos Emirados Árabes Unidos recuou 7%.
As relações comerciais entre Estados Unidos e China também continuam a mudar. O comércio bilateral representou 1,6% do comércio mundial entre Janeiro e Maio, abaixo do pico de 3,5% registado em 2015. Apesar da redução das trocas directas, os produtos importados pelos Estados Unidos de outros mercados continuam a incorporar materiais e componentes chineses.
O estudo recomenda que as empresas preparem as suas cadeias de abastecimento para possíveis interrupções. Ao mesmo tempo, devem avaliar os benefícios do acesso a fornecedores e mercados internacionais antes de alterar as suas estratégias de aprovisionamento.
Fonte: Freight News



