Sexta-feira, Julho 12, 2024
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Moçambique exportou em nove meses mais do dobro de gás natural que em todo 2022

As vendas de gás natural por Moçambique ascenderam a US$ 1.177 milhões de dólares até Setembro, mais do dobro de todo o ano de 2022, aproximando-se do carvão, que continua como principal produto de exportação.

De acordo com um relatório detalhado do Banco de Moçambique sobre o volume das exportações do país, compulsados pela Lusa, e que estamos a citar, com dados dos três trimestres de 2023 e ao qual a Lusa teve hoje, 29 de Dezembro acesso, a exportação de gás natural bateu o recorde no terceiro trimestre, ultrapassando os US$ 500 milhões de dólares, contra os mais de US$ 335 milhões de dólares no anterior.

Em todo o ano de 2022, as exportações de gás natural de Moçambique ascenderam a US$ 541 milhões de dólares e a cerca de metade no ano anterior, segundo o histórico disponibilizado pelo Banco de Moçambique.

Ainda no terceiro trimestre, Moçambique exportou mais de US$ 574 milhões de dólares em carvão mineral, que ainda se mantém na liderança dos produtos vendidos pelo país africano ao exterior. No total dos três trimestres, Moçambique exportou quase US$ 1.619 milhões de dólares em carvão e em todo o ano de 2022 cerca de US$ 2.852 milhões de dólares, o dobro face a 2021.

Globalmente, as exportações moçambicanas somaram US$ 3.714,9 milhões de dólares de Janeiro a Setembro, mas em 2022 tinham batido o recorde, com mais de US$ 8.280,9 milhões de dólares em vendas ao exterior, impulsionadas pelo carvão.

O aumento nas exportações de gás natural é explicado pelo arranque, no final de Outubro de 2022, da operação na Área 4, pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma ‘joint venture’ em co-propriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70% de interesse participativo no contrato de concessão, cuja produção de gás natural arrancou em 2022. A Galp, Kogas (Coreia do Sul) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detêm cada uma participação de 10%.

A Eni, concessionária da Área 4 do Rovuma, já discute com o Governo moçambicano o desenvolvimento de uma segunda plataforma flutuante, cópia da primeira e designada Coral Norte, para aumentar a extracção de gás, disse à Lusa, no mês passado, fonte da petrolífera italiana.

Este plano envolve, nomeadamente, a aquisição de uma segunda plataforma flutuante FNLG, para a área Coral Norte, idêntica à que opera na extracção de gás, desde meados de 2022, na área Coral Sul.

“A Eni está a trabalhar para o desenvolvimento do Coral Norte através de uma segunda FLNG em Moçambique, aproveitando a experiência e as lições aprendidas na Coral Sul FLNG, incluindo as relacionadas com custos e tempo de execução”, acrescentou a mesma fonte da petrolífera, operador delegado daquele consórcio.

Um documento divulgado anteriormente, elaborado pela firma moçambicana Consultec para a petrolífera Eni, aponta tratar-se de um investimento de US$ 7 mil milhões de dólares, sujeito a aprovação do Governo moçambicano.

Se o cronograma correr como previsto, a plataforma começará a produzir no segundo semestre de 2027, ou seja, poderá arrancar ainda antes dos projectos em terra, que dependem de implicações de segurança devido à insurgência armada em Cabo Delgado.

A Coral Norte ficará estacionada 10 quilómetros a norte da Coral Sul cuja produção arrancou em Novembro do ano passado, tornando-se no primeiro projecto a tirar proveito das grandes reservas da bacia do Rovuma.

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