Saturday, June 6, 2026
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Hollard impacta mais de mil jovens moçambicanos através de iniciativas de capacitação

A Hollard Moçambique impactou positivamente a vida de mais de mil jovens moçambicanos através de iniciativas facilitadoras, concebidas para nutrir a autoconfiança, a criatividade, o empreendedorismo e o crescimento cultural.

Estes programas implementados no último ano, tanto local como internacionalmente, demonstram o impacto profundo que o apoio aos jovens talentos e ao empreendedorismo juvenil pode criar no seu desenvolvimento pessoal e, consequentemente, na sociedade.

Um dos resultados mais notáveis são as conquistas dos jovens talentos musicais através do Projecto Xiquitsi. Endossados e apoiados pela Hollard Seguros, 8 aspirantes a músicos ganharam prestigiados prémios e reconhecimento internacional pelas suas excelentes realizações. A sua dedicação e talentos excepcionais catapultaram o rico potencial artístico de Moçambique para os holofotes globais.

Recentemente, o patrocínio dedicado e contínuo da Hollard Moçambique à “Colecção Crescente”, realizada pela Galeria Kulungwana, com a exposição e premiação anual promoveu o reconhecimento e a celebração de notáveis conquistas de jovens artistas, que através do meio visual têm realizado perguntas significativas, mudado pontos de vista e desafiado o status quo.

Como referiu Henri Mittermayer, CEO da Hollard durante a premiação: “a iniciativa “Colecção Crescente” motiva, inspira e apoia artistas moçambicanos em desenvolvimento. Ela também expõe as nossas comunidades às obras de arte e às mensagens visuais expressas pela nossa juventude local, que, numa base anual, fazem contribuições significativas para o cenário artístico de Moçambique”.

Três vencedores do prémio anual ‘Futuros Melhores’, foram selecionados pela sua criatividade, inovação e impacto cultural, por um painel de especialistas locais e internacionais em arte.

Por outro lado, Moçambique enfrenta elevadas taxas de desemprego juvenil. Através da parceria da Hollard com o First National Bank e o MozParks, foi criada a Fundação MozYouth que está a abordar a questão urgente do desemprego juvenil, proporcionando oportunidades e recursos que apoiam a aceleração do emprego para jovens, por via tanto da capacitação em competências necessárias para navegar com sucesso no mercado de trabalho, como também, em mentoria ao empreendedorismo para criar negócios sustentáveis.

Até à data, cerca de mil jovens beneficiaram dos programas da Fundação, com planos para aumentar este número para 5 mil nos próximos três anos.

Através destas iniciativas, a Hollard, uma seguradora moçambicana que se orgulha de ser orientada por propósito, e que mede os seus dividendos sociais juntamente com a contribuição dos acionistas, continua a ter um impacto significativo, ajudando a moldar um futuro mais brilhante para os jovens em Moçambique.

REVIMO ‘rendeu’ 1,2 Mil milhões de meticais em impostos nos últimos cinco anos

A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) já pagou 1,2 mil milhões de meticais ao Governo em obrigações fiscais durante os últimos cinco anos. A informação foi apresentada recentemente, destacando o desempenho da empresa desde a sua criação, em 2020, informou a Agência de Informação de Moçambique (AIM).

Além das contribuições fiscais, a REVIMO gerou 640 postos de trabalho, sendo que 58% dos contratados foram mulheres e 42% são homens.

De acordo com Afonso Mahumane, técnico da REVIMO, a maioria dos trabalhadores são jovens. “O número de trabalhadores contratados, distribuídos por faixa etária, a maioria são jovens, que ocupam um peso de 78 %”, afirmou.

A REVIMO é responsável pela construção, conservação e exploração de estradas e pontes, operando sob um sistema de portagens. Entre as principais infraestruturas que a empresa gere estão a Estrada Circular de Maputo e a via que liga Maputo a Ka Tembe.

Actualmente, a empresa tem operações em cinco províncias, que são Sofala, Manica, Gaza, Maputo-Cidade e Maputo-Província, com 16 portagens e centros de manutenção em cada uma dessas regiões.

A REVIMO é composta por três accionistas principais: o Fundo de Estradas, com mais de 68% de participação, e o Fundo de Pensões do Banco de Moçambique (KUHANHA) e o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), ambos com pouco mais de 14%.

Omar Mithá lidera o Conselho Consultivo de Investimento do Fundo Soberano

Omar Mithá, actual PCA do Banco Nacional de Investimentos (BNI), foi nomeado pelo Executivo para liderar o Conselho Consultivo de Investimento do Fundo Soberano (FS) de Moçambique. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (12) durante uma sessão do Conselho de Ministros.

Segundo uma publicação do jornal O País, o novo Conselho Consultivo de Investimento, que será liderado por Mithá, é responsável por fornecer pareceres sobre as decisões relativas à Política de Investimento do FS.

Além de Omar Mithá, o Conselho contará com a participação de Enilde Sarmento, Hercílio Simão, Egildo Mussuanganhe, Ibraimo Hassane Mussagy, Irene Lusidia Maurício e Mukhtar Abdul Carimo. De acordo com a legislação, os pareceres deste órgão devem ser públicos, garantindo maior transparência nas decisões.

O FS de Moçambique, instituído pela medida 19 do Programa de Aceleração Económica (PAE), tem como objectivos principais assegurar o uso responsável das receitas petrolíferas, proteger a economia contra choques externos e volatilidade das receitas e promover o desenvolvimento económico do País.

Durante a mesma sessão, o Conselho de Ministros também aprovou diversos regulamentos dos quais se destaca a resolução que ratifica o acordo entre Moçambique e o Quénia para o reconhecimento mútuo e troca de cartas de condução, assinado em Agosto de 2023.

Além disso, a reunião avaliou os avanços em áreas como mulher e género, a implementação dos programas de segurança social básica e o estado da certificação dos finalistas do ensino técnico-profissional.

Governo aprovou  a aquisição Maioritária da hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa pela EDM

Governo aprovou  a aquisição Maioritária da hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa pela EDM

O Governo de Moçambique aprovou, nesta Quinta-feira (12), uma resolução que autoriza a Electricidade de Moçambique (EDM) a adquirir 70% das ações da Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, num negócio avaliado em 4,5 mil milhões de euros (316 mil milhões de meticais). Este movimento marca um passo crucial para a consolidação de um dos maiores projectos de energia renovável no país.

Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros, comunicou a decisão após a 27.ª sessão ordinária do órgão, realizada em Maputo. “Este é o primeiro passo em que se autoriza a EDM a adquirir as participações dos outros accionistas, e todos os outros passos vão ocorrer posteriormente”, afirmou Suazi.

Carlos Yum, director do gabinete do projecto, informou que o financiamento necessário para a construção da Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, avaliada em 4,5 mil milhões de euros, está em fase final de negociação, com garantias esperadas até o final deste ano. “Neste momento, estamos a tratar de matérias específicas das manifestações de interesse de financiamento ao projecto. Podemos dizer que as coisas estão a correr bem”, afirmou Yum.

Do total de 5 mil milhões de dólares (316 mil milhões de meticais) necessários para a construção da hidroeléctrica, 1,3 mil milhões de dólares (82,16 milhões de meticais) serão financiados pelo consórcio que irá gerir o projecto, enquanto o valor restante será garantido por instituições financeiras, com o “fecho financeiro” previsto para o final do ano. “A dimensão do projeto requer instituições com capacidade financeira”, acrescentou Yum.

O Governo planeia concluir a construção da hidroeléctrica em cinco anos, com a infra-estrutura prevista para iniciar operações em 2031. O projecto inclui uma central hidroeléctrica com capacidade de produção de 1500 Megawatts (MW) e uma linha de transporte de alta tensão que conectará Tete a Maputo, num percurso de aproximadamente 1350 a 1400 quilómetros.

“O projecto é fundamental para a estratégia de transição energética de Moçambique”, destacou Yum, salientando que a hidroeléctrica será alimentada por uma fonte renovável de água. Ele também assegurou que a construção seguirá rigorosos padrões de sustentabilidade ambiental, social, económica e financeira, envolvendo as comunidades locais.

Apesar de enfrentar críticas de algumas organizações ambientais, a Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa será construída 61 quilómetros a jusante da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), que continua a ser a maior do país, com uma capacidade de produção de 2075 MW.

Em Dezembro do ano passado, o Governo moçambicano e um consórcio liderado pela Electricidade da França (EDF) assinaram acordos para a implementação do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa.

Government approves EDM’s acquisition of a majority stake in the Mphanda Nkuwa hydroelectric plant

Governo aprovou  a aquisição Maioritária da hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa pela EDM

On Thursday (12), the Mozambican government approved a resolution authorizing Electricidade de Moçambique (EDM) to acquire 70% of the shares in the Mphanda Nkuwa hydroelectric plant, in a deal valued at 4.5 billion euros (316 billion meticais). This move marks a crucial step towards consolidating one of the largest renewable energy projects in the country.

Filimão Suazi, spokesperson for the Council of Ministers, announced the decision after the body’s 27th ordinary session, held in Maputo. “This is the first step in authorizing EDM to acquire the stakes of the other shareholders, and all the other steps will take place afterwards,” said Suazi.

Carlos Yum, director of the project office, said that the financing needed to build the Mphanda Nkuwa Hydroelectric Power Plant, valued at 4.5 billion euros, is in the final stages of negotiation, with guarantees expected by the end of this year. “At the moment, we’re dealing with the specifics of the expressions of interest in financing the project. We can say that things are going well,” said Yum.

Of the total of 5 billion dollars (316 billion meticais) needed to build the hydroelectric plant, 1.3 billion dollars (82.16 million meticais) will be financed by the consortium that will manage the project, while the remaining amount will be guaranteed by financial institutions, with “financial closure” scheduled for the end of the year. “The size of the project requires institutions with financial capacity,” added Yum.

The government plans to complete construction of the hydroelectric plant in five years, with the infrastructure set to begin operations in 2031. The project includes a hydroelectric plant with a production capacity of 1500 Megawatts (MW) and a high-voltage transmission line that will connect Tete to Maputo, along a route of approximately 1350 to 1400 kilometers.

“The project is fundamental to Mozambique’s energy transition strategy,” said Yum, noting that the hydroelectric plant will be powered by a renewable source of water. He also assured that construction will follow strict environmental, social, economic and financial sustainability standards, involving local communities.

Despite facing criticism from some environmental organizations, the Mphanda Nkuwa Hydroelectric Plant will be built 61 kilometers downstream from the Cahora Bassa Hydroelectric Plant (HCB), which remains the largest in the country, with a production capacity of 2075 MW.

In December last year, the Mozambican government and a consortium led by Electricité de France (EDF) signed agreements for the implementation of the Mphanda Nkuwa hydroelectric project.

“Como o Gás Natural Pode Impulsionar a Diversificação Económica e o Desenvolvimento Agrícola em Moçambique”

Do Gás à Prosperidade: Como o Gás Natural Pode Impulsionar a Diversificação Económica e o Desenvolvimento Agrícola em Moçambique

Moçambique possui vastas reservas de recursos naturais que, se bem aproveitados, têm o potencial de transformar profundamente a economia do país. Com reservas estimadas em cerca de 277 trilhões de pés cúbicos de gás natural, o país está posicionado para se tornar um dos maiores produtores de gás natural do mundo, e o segundo maior produtor de África, apenas atrás da Nigéria. A partir da produção de GNL, o país espera arrecadar cerca de 96 mil milhões de dólares norte-americanos (USD) durante a vida útil dos projectos de exploração de gás natural, com as primeiras contribuições já a serem encaixadas[1].

O principal desafio do país agora é como (1) maximizar os ganhos provenientes das receitas do gás natural e outros recursos naturais não renováveis, (2) desenvolver instituições funcionais e transparentes, sem comprometer a economia, e (3) criar mecanismos eficazes de partilha de receitas com as regiões produtoras, integrando-as à agenda nacional de desenvolvimento.

A experiência passada sugere que a simples exploração desses recursos não garante automaticamente um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Historicamente, Moçambique enfrentou desafios significativos na conversão dos seus recursos naturais em benefícios tangíveis para os mais de 33 milhões de moçambicanos. O país teve desilusões com projectos anteriores, como a exploração de gás natural na província de Inhambane, iniciada em 2004, e a produção de carvão em Tete, a partir de 2011.

Apesar dos investimentos substanciais e da posição econômica promissora que o país conquistou entre 2000 e 2015, muitas das promessas de desenvolvimento não se concretizaram. O crescimento econômico não foi acompanhado por melhorias substanciais na qualidade de vida da maioria da população, como evidenciado pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,446, que posiciona Moçambique na parte inferior da escala de desenvolvimento global. Muitos moçambicanos continuam a viver em condições de pobreza, com serviços básicos de educação e saúde de qualidade desigual e um capital humano limitado[2].

Repensando o Desenvolvimento: A Necessidade de Diversificação Económica (A agricultura como a Opção mais funcional)

Moçambique enfrenta um desafio crítico: apesar dos investimentos substanciais no sector extractivo, a população não beneficiou amplamente do crescimento económico gerado por este sector. Para transformar a economia do país e assegurar um desenvolvimento mais inclusivo, é fundamental adoptar uma estratégia de diversificação económica.

O país deve reavaliar a sua abordagem. Em vez de focar exclusivamente na maximização das receitas provenientes da exploração dos seus recursos, Moçambique deve procurar diversificar a sua economia. A diversificação tem o potencial de transformar a economia nacional, passando de uma economia extractivista para uma economia mais dinâmica e reduzindo a dependência de receitas imediatas dos recursos extractivos.

Espera-se que o sector extractivo contribua para o desenvolvimento económico e social através da contratação de moçambicanos e da aquisição de bens e serviços produzidos localmente. A economia interna necessita de ser fortalecida, e o governo deve equilibrar mega projectos com investimentos no capital nacional, especialmente em áreas rurais.

Para alcançar estes objectivos, é crucial implementar políticas que promovam o desenvolvimento de sectores-chave, como a agricultura, e incentivar a criação de valor local. Adicionalmente, a criação e aplicação de uma Proposta de Lei do Conteúdo Local que seja seria e realmente funcional pode garantir que empresas moçambicanas se integrem às cadeias de suprimento dos grandes projectos. Simultaneamente, programas de Responsabilidade Social Empresarial devem focar em benefícios locais, desenvolvimento de capital humano e criação de emprego produtivo.

O Potencial do Gás Natural para a Agricultura

O gás natural pode desempenhar um papel bastante relevante no processo de transformação do sector agrícola de Moçambique. A utilização sustentável do gás não se limita apenas ao aumento das receitas fiscais, mas pode ser um motor crucial para o desenvolvimento econômico através da produção de fertilizantes e do investimento em infraestrutura agrícola. O gás natural é uma matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, que são fundamentais para aumentar a produtividade no sector da agricultura. O processo envolve a conversão do gás em hidrogénio, que é então combinado com nitrogénio para produzir amónia. A amónia é uma componente chave na fabricação de fertilizantes como a ureia, amplamente utilizada para melhorar a qualidade do solo e aumentar os rendimentos das colheitas, um dos principais problemas do sector em Mocambique.

A produção local de fertilizantes pode reduzir a dependência de importações e oferecer produtos a preços mais acessíveis aos agricultores moçambicanos. Isso pode ter um impacto directo na produtividade das pequenas propriedades agrícolas, contribuindo para a redução da insegurança alimentar e melhoria da qualidade das colheitas. Além disso, a criação de centros de processamento de fertilizantes dentro de Moçambique não só atenderia à demanda local, parece haver potencial para um mercado local, mas também geraria empregos e estimularia a economia local.

Investimentos Necessários para o Desenvolvimento da agricultura

Uma maneira eficaz de maximizar as receitas do gás natural é direcioná-las para enfrentar os desafios de investimento no sector agrícola. A agricultura é um sector crucial para a economia de Moçambique, representando quase um quarto do PIB e empregando cerca de 70% da força de trabalho activa no país. No entanto, este sector enfrenta diversos desafios relacionados com a sua produtividade, em grande parte devido ao uso de tecnologias rudimentares. A actual situação é em parte explicada pelo baixo poder de investimento do país.

Utilizar as receitas do gás natural para investir em infraestrutura, tecnologias avançadas, sementes melhoradas e no desenvolvimento de uma rede comercial eficiente pode ser uma estratégia crucial. Essa abordagem permitirá uma transição eficaz dos recursos para o desenvolvimento do sector agrícola.

Além disso, é possível utilizar as receitas derivadas da exploração do gás natural para criar um banco de desenvolvimento focado no financiamento do sector agrícola. Este banco poderia oferecer crédito acessível aos agricultores, apoiar a inovação e melhorar as práticas agrícolas. Investir em capital humano é igualmente vital, promovendo a formação de especialistas e técnicos capazes de desenvolver e aplicar conhecimentos avançados no sector.

A melhoria das redes comerciais e de distribuição é igualmente essencial. Com investimentos adequados, é possível construir redes de distribuição mais eficientes, assegurando que produtos agrícolas e fertilizantes cheguem de forma eficaz aos agricultores e aos mercados. Isso pode reduzir os custos e melhorar o acesso aos insumos necessários para uma produção agrícola mais eficiente.

Conclusão

Em face dos desafios históricos e das lições aprendidas com a exploração de recursos naturais em Moçambique, é imperativo que o país adopte uma abordagem mais estratégica e diversificada para o seu desenvolvimento econômico. A vasta reserva de gás natural tem o potencial de ser um motor transformador para a economia, mas a sua eficácia em beneficiar amplamente a os mais de 33 milhões de moçambicanos depende de uma gestão prudente e de investimentos bem direcionados.

A diversificação económica é a chave para transformar Moçambique de uma economia predominantemente extractivista para uma economia mais robusta e dinâmica. Para isso, é necessário redirecionar as receitas provenientes do gás natural para sectores cruciais, como a agricultura, e para o fortalecimento das infraestruturas e capacidades locais. O investimento em tecnologias agrícolas avançadas, a criação de um banco de desenvolvimento agrícola e a melhoria das redes comerciais e de distribuição são passos fundamentais para garantir que o crescimento económico se traduza em melhorias concretas na qualidade de vida da população, visto que mais da metade da população do país tem alguma relação com o sector.

Além disso, a implementação eficaz de políticas como a Proposta de Lei do Conteúdo Local e programas de Responsabilidade Social Empresarial pode assegurar que os benefícios da exploração dos recursos sejam amplamente distribuídos, promovendo a inclusão e o desenvolvimento sustentável.

Portanto, Moçambique tem diante de si uma oportunidade significativa de utilizar as suas reservas de gás natural não apenas para gerar receitas, mas para impulsionar uma transformação económica que beneficie todos os moçambicanos. A chave para o sucesso estará na capacidade do país de transformar estas receitas em investimentos estratégicos que fortaleçam a economia, reduzam a dependência de recursos extrativos e promovam um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo.

Por: Salvado Raisse

[1] https://www.diarioeconomico.co.mz/2024/09/11/oilgas/fundo-soberano-receitas-de-gas-natural-somam-114-m-nas-primeiras-transferencias/

 

Lucros da Eni suplantam estimativas com ajuda do gás do Rovuma

Eni Moçambique e ENH

O lucro do segundo trimestre da petroquímica italiana Eni SpA foi melhor do que o esperado, após um forte desempenho no seu negócio upstream, levando a empresa a rever a sua orientação para o ano de 2024.

Contribuiu para os resultados fabulosos da empresa, a plataforma flutuante de gás natural, Coral Sul FLNG, ancorada nas águas profundas da Bacia do Rovuma em Cabo Delgado, norte de Moçambique, que já exportou para o mercado global 4,48 milhões de toneladas desde o primeiro carregamento feito em Novembro de 2022. Ao todo, a plataforma fez, até Junho passado, 63 carregamentos.

Mas, estranhamente, ainda não se sabe publicamente, os dividendos que o país encaixou com os carregamentos.

Os dados foram avançados recentemente pela Energy Connects, uma plataforma agregadora de informação sobre a exploração dos hidrocarbonetos, confirmando os dados partilhados pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu último Informe sobre o Estado Geral da Nação, proferido a 7 de Agosto.

O Chefe do Estado não avançou quanto o país encaixou em receitas fiscais no âmbito dos 63 carregamentos efectuados desde Novembro de 2022, mas mencionou este efeito no quadro do legado que deixa ao país, findos dois mandatos de governação. Aliás, para si, este marco simboliza o sonho de décadas e posiciona Moçambique como actor relevante no mercado global de energia.

Os resultados positivos da petroquímica italiana surgem numa altura em que as empresas europeias de energia têm-se confrontado com forças concorrentes, designadamente o impacto negativo dos baixos preços do gás natural e a queda das margens de refinação devido à fraca procura de combustível, contra o efeito positivo dos preços mais elevados do petróleo no contexto dos cortes de oferta da OPEP+.

Mas, para a Eni, as vantagens superaram as desvantagens, e o lucro líquido ajustado da gigante energética italiana foi de 1,52 mil milhões de euros (1,7 mil milhões de dólares) no segundo trimestre, superando a estimativa média dos analistas de 1,46 mil milhões de euros.

A Eni aumentou a sua meta para o ano inteiro de lucros ajustados proforma antes de juros e impostos em mil milhões de euros, para cerca de 15 mil milhões de euros. As acções da empresa têm conhecido subida meteórica em Milão, e a unidade de exploração e produção reportou um lucro operacional ajustado de 3,53 mil milhões de euros, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

A produção de hidrocarbonetos aumentou 6% em relação ao trimestre anterior, para 1,71 milhão de barris de óleo equivalente por dia.

“Este crescimento foi apoiado pela aquisição da Neptune Energy no ano passado, pelo aumento de projectos na Costa do Marfim e em Moçambique e pelo aumento da produção na Líbia”, escreve a Energy Connects citando um comunicado da Eni.

A produção para este ano deverá situar-se no limite superior do intervalo entre 1,69 milhões e 1,71 milhões de barris de petróleo equivalente por dia, assumindo que o preço do petróleo Brent de 86 dólares por barril poderá exceder o objectivo anterior de 14 mil milhões de euros.

Refira-se que, no segundo trimestre, a empresa alienou um activo upstream não essencial no Alasca e chegou a um acordo para vender uma participação na sua unidade de bio refinação Enilive.

“Com o progresso agora feito nos desinvestimentos, esperamos que a alavancagem fique significativamente abaixo de 0,2 até o final do ano, melhor do que nossa expectativa original”, disse o CEO Claudio Descalzi no comunicado.

“Isto permitir-nos-á acelerar a execução do nosso programa de recompra de açcões de 1,6 mil milhões de euros.” Realçou o Chefe da Eni.

A CFM envia o seu primeiro comboio de combustível para o Malawi

A empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) enviou o seu primeiro comboio de combustível para o vizinho Malawi, através do ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira, na província central de Tete.

Segundo o comunicado dos CFM, “o comboio partiu do Porto central da Beira com 48 tanques de combustível (24 plataformas), tendo como destino final a localidade de Marka, situada no distrito malawiano de Nsanje, que faz fronteira com Vila Nova da Fronteira do lado moçambicano”.

O documento, que cita Adélio Dias, director de Comunicação e Imagem da empresa, explica que a conclusão do primeiro comboio de combustível para o Malawi, a partir da Beira, é uma indicação clara de que o ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira já está a ser utilizado para fins comerciais.

Em julho passado, a linha recebeu o primeiro comboio comercial de melaço, importado do Malawi, a partir da Beira.

Recentemente reconstruído com fundos próprios da empresa, no valor de 30 milhões de dólares americanos, o Ramal Dona Ana-Vila Nova da Fronteira servia anteriormente apenas para o transporte de materiais de construção que estão a ser utilizados na reconstrução da extensão da via do lado do Malawi.

Antes da reabertura do ramal. As importações de combustível do Malawi a partir da Beira eram feitas por estrada, uma alternativa ineficiente e dispendiosa.

“O investimento realizado pelos CFM na reconstrução da linha Dona Ana-Vila Nova da Fronteira enquadra-se na resposta aos desafios da cadeia logística na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), e surge no cumprimento das orientações emanadas do encontro entre os presidentes de Moçambique e do Malawi, realizado no Songo em finais de 2020”, lê-se na nota.

O Export-Import Bank dos EUA está de olho no investimento em outro projecto de GNL em Moçambique

O Banco de Exportação-Importação dos EUA está a considerar financiar um projecto de gás natural liquefeito liderado pela Eni SpA ao largo da costa de Moçambique, anos depois de ter investido numa instalação em terra para produzir o combustível que tem sido adiada por questões de segurança e a que se opõem grupos ambientalistas.

A fábrica flutuante de GNL Coral Norte, planeada pela Eni, consta da lista da agência oficial de crédito à exportação dos EUA, conhecida como Ex-Im, como um projecto pendente. “O montante do financiamento será divulgado após a aprovação final do conselho de administração”, disse o banco numa resposta por correio eletrónico a perguntas, recusando-se a dar um calendário para a decisão.

A Eni não respondeu imediatamente a um pedido de comentário

À medida que os EUA intensificam os seus esforços para se empenharem no continente africano e competirem com a China na obtenção de minerais essenciais para a transição para fontes de energia mais limpas, o Ex-Im tem enfrentado um maior escrutínio. Uma auditoria realizada em maio pelo inspetor-geral criticou-o por não ter uma estratégia clara de crescimento na região, algo que o banco negou.

O investimento anterior em gás do Ex-Im não correu de acordo com o planeado. Em 2020, o banco ajudou a financiar o que viria a ser o projecto de GNL da TotalEnergies SE em Moçambique, ao longo da costa norte do país, com um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares que, segundo o banco, na altura, se sobrepôs aos esforços de financiamento da China e da Rússia. A sua própria análise também alertou para os riscos de segurança antes de conceder o empréstimo e, mais tarde, os ataques violentos dos insurrectos interromperam a construção no local.

Desde então, a situação do projecto da TotalEnergies melhorou e é possível que a construção avance até ao final do ano, afirmou em julho o director executivo Patrick Pouyanne. O Ex-Im ainda não dispersou quaisquer fundos para a Mozambique LNG, de acordo com o banco.

Apesar de os projectos flutuantes de GNL estarem localizados a milhas da costa, longe de potenciais ameaças à segurança, os financiadores de Coral North poderão enfrentar o escrutínio de grupos ambientalistas que têm visado empreendimentos de petróleo e gás do Uganda à África do Sul em campanhas para acabar com a utilização de combustíveis fósseis. A Friends of the Earth contestou a aprovação de 1,5 mil milhões de libras (2 mil milhões de dólares) do UK Export Finance para o Mozambique LNG. O Tribunal de Recurso considerou que o governo não violou as regras climáticas.

O projecto Coral South LNG da Eni, no valor de 7 mil milhões de dólares, que começou a exportar combustível a partir da sua unidade de liquefação flutuante em 2022, situa-se na concessão da Área 4, cujos parceiros incluem a Exxon Mobil Corp, a China National Petroleum Corp, a Abu Dhabi National Oil Co, a Korea Gas Corp e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos E.P., produtora estatal de Moçambique.

Relativamente ao benefício de investir na Coral North, o Ex-Im afirmou que o banco “tem a missão distinta de apoiar o emprego nos EUA através de ferramentas de financiamento que apoiam os exportadores americanos”.

Holger Hey: “A nossa missão é promover um intercâmbio empresarial e inclusivo entre a Alemanha e Moçambique”

Holger Hey, representante da Câmara de Comércio e Indústria da África Austral-Alemanha em Moçambique, destacou em entrevista ao Profile, realizada à margem da Conferência Bilateral entre os dois países em Maputo, a importância das pequenas e médias empresas (PMEs) e das oportunidades estratégicas nos sectores de infra-estrutura portuária e energia.

Holger sublinhou como essas áreas podem desempenhar um papel crucial no crescimento sustentável tanto de Moçambique quanto da Alemanha.

Profile Mozambique: Como a Câmara de Comércio e Indústria da África Austral-Alemanha pretende assegurar que essas parcerias com empresas alemãs beneficiem directamente o desenvolvimento económico de Moçambique?

Holger Hey: O nosso objectivo é fomentar o intercâmbio económico entre a Alemanha e Moçambique, promovendo tanto a entrada de investimentos alemães em Moçambique quanto a expansão de negócios moçambicanos na Alemanha.

Com esse propósito, organizamos uma Conferência de Alto-Nível apoiada pelo governo alemão, através do Ministério da Economia, que trouxe ao país sete empresas alemãs especializadas em infra-estrutura portuária, tecnologias associadas, sistemas energéticos e logística. Essas empresas vieram a Moçambique pela primeira vez para explorar as oportunidades que o mercado local oferece. Sabemos que o Porto de Maputo, por exemplo, registou um crescimento entre 20% e 30% nos últimos dois anos, e outros portos no país também desempenham papéis estratégicos no contexto do continente africano oriental, especialmente considerando a localização geoestratégica de Moçambique.

É importante sublinhar que Moçambique está adoptar uma abordagem inovadora para o desenvolvimento, e nós, com as nossas tecnologias e facilidades alemãs, estamos ansiosos para colaborar, buscando parcerias que nos permitam integrar e contribuir para esse progresso. A nossa pretensão é trabalhar em conjunto, alinhando esforços para promover o desenvolvimento sustentável de ambos os paíse

PM: Quantas empresas, incluindo PMEs, participam da Conferência Bilateral de Infra-estrutura Portuária Alemanha-Moçambique e de que forma este fórum pode fortalecer as relações económicas entre os dois países e impulsionar investimentos estratégicos no sector?

HH: Neste contexto específico, estamos a realizar uma viagem técnica que envolve sete empresas alemãs de médio porte, todas elas marcas com repercussão internacional. Essas empresas estão em Moçambique para uma visita de uma semana, durante a qual já visitamos os portos de Maputo, incluindo o porto de contentores gerido pela DP World. Ainda nesta senda, visitaremos o MozParks, uma iniciativa significativa que conta com a participação do governo moçambicano. Trata-se de zonas de desenvolvimento económico e free zones, que apresentam oportunidades atractivas para potenciais investimentos alemães.

Durante esta visita, exploraremos sistemas logísticos e instalações de energia descentralizada, como uma planta fotovoltaica instalada num dos centros comerciais da Matola, um projecto implementado por uma pequena empresa alemã. Ademais, visitaremos o Estádio Nacional do Zimpeto, especialmente relevante dado o recente triunfo da selecção nacional de Moçambique sobre a Guiné-Bissau.

Esta iniciativa combina elementos de uma viagem técnica com a realização de uma conferência de grande envergadura, como a que ocorre hoje, a primeira Conferência Bilateral de Infraestrutura Portuária entre Alemanha e Moçambique. Este evento conta com a participação do governo moçambicano, da APIEX, de entidades portuárias, de associações relevantes, e de uma parceria sólida com a Câmara de Comércio de Moçambique. Portanto, o fórum também atraiu consultores e potenciais parceiros de joint venture, incluindo empresas alemãs já estabelecidas no país, totalizando cerca de 100 participantes.

O objectivo é que este evento tenha uma repercussão considerável, e, paralelamente, queremos mostrar aos alemães a cultura e a mentalidade moçambicanas, destacando que o país possui um espírito empreendedor dinâmico, com uma juventude ágil e competente, pronta para colaborar no desenvolvimento de infraestrutura, inovação e transferência de conhecimento. Este é um diálogo abrangente, sem receio das barreiras linguísticas, incluindo o Português, o Xichangana e as outras línguas nacionais.

PM: Considerando a sua experiência, de que forma os eventos bilaterais podem ajudar a mudar a percepção sobre Moçambique na Alemanha e atrair mais investimentos para o país?

HH: Há um enorme potencial que muitas vezes nem é reconhecido em Moçambique. Já existe uma presença significativa de empresas alemãs no país, actuando em diversos mercados, como a DHL, uma das maiores empresas de logística do mundo, que é alemã e tem uma actuação forte em Moçambique, tanto nos portos quanto no interior do país. Portanto, os portos de Moçambique são estratégicos porque movimentam produtos agrícolas, tecnológicos e outros bens dos países vizinhos que dependem dessas infra-estruturas para exportar seus produtos.

Essa logística já possui um toque de “Made in Germany”. Além da DHL, a DB Schenker também está presente no mercado moçambicano, e há outras iniciativas alemãs em curso, como soluções de energia solar e uma forte cooperação com a GIZ, que trabalha em sistemas de energia descentralizada, especialmente para a agricultura.

Embora haja actividade significativa, ainda é insuficiente diante do enorme potencial de crescimento que Moçambique apresenta. Nesse caso, nosso intuito é intensificar essa cooperação bilateral, promovendo uma maior participação alemã neste caminho de sucesso. No entanto, pouco se sabe na Alemanha sobre as oportunidades que Moçambique oferece.

Daí que, eventos como este são fundamentais para mudar a narrativa sobre Moçambique na Alemanha e na Europa, onde, infelizmente, a percepção é muitas vezes negativa ou inexistente. Se contarmos a verdadeira história de Moçambique, surgirão inúmeras oportunidades. Problemas existem em todos os lugares, não apenas aqui.

PM: PM: Como a parceria entre empresas moçambicanas e alemãs pode promover o desenvolvimento do conteúdo local, permitindo que as PMEs beneficie-se das várias oportunidades apresentadas?

HH: A propósito, contamos com a presença do Presidente da Associação de Conteúdo Local de Mocambique (ACLM) numa das sessões desta conferência, Elthon Chemane.

E de facto, o conteúdo local é muito importante para o país, para o desenvolvimento da industrialização no país, mais uma vez para levar a juventude moçambicana para participar dessa onda que espero que sejam muitas de desenvolvimento e de sucesso e crescimento econômico. Então o conteúdo local é uma componente que a gente não pode esquecer, que nós queremos nesse evento desde já também transportar para os possíveis e para os investidores alemães que pensem também em soluções nesse conteúdo.

Treinando-se as pessoas, pode-se envolvê-las, pode-se conquistá-las para participarem nas atividades aqui reais de economia e de trabalho, o que a gente chama de fazer, quem faz é aqui. Mas tem muita solução já existente no Moçambique que pode ser inclusa num perfil de desenvolvimento tecnológico ou do trazer de novas tecnologias alemãs. Elas não vêm por si só.

Falamos muito nesse evento já de uma palavra que é muito importante, que é a parceria. Não viemos aqui para fazer, viemos para fazer em parceria com as entidades, com as empresas, também as pequenas e médias moçambicanas, porque tem a ver. O DNA de pequenas e médias moçambicanas é o mesmo que o DNA alemão.

A economia alemã não é só Mercedes e Siemens, temos muito orgulho de tê-las, mas o DNA alemão também é de pequenas e médias. Então, vamos interagir, vamos conversar a esse respeito, olho a olho, na mesma altura e tentar crescer em conjunto.

PM: Como a Alemanha pretende se posicionar para participar de futuros desenvolvimentos portuários em Moçambique, como a possível criação de um PORTOCEL em Maputo?

HH: Durante a nossa recente visita ao Porto de Maputo, tivemos a oportunidade de conhecer profundamente as operações e os planos em curso, que são realmente impressionantes.

Sabemos que existe um master plan para o desenvolvimento do Porto de Maputo, incluindo parcerias público-privadas (PPP) e a expansão das operações de contêineres pela DP World. Entretanto, é possível que planos para um projecto como o PORTOCEL estejam sendo considerados.

Embora eu não possa fornecer uma resposta definitiva sobre a criação de um PORTOCEL em Maputo, o que posso afirmar é que estamos aqui para fortalecer a presença alemã no mercado moçambicano. E o nosso grande compromisso é assegurar que, quando surgir a oportunidade de um empreendimento dessa magnitude, o diálogo com a Alemanha já esteja estabelecido, permitindo nossa participação desde o início em um desenvolvimento desse porte.