Monday, April 13, 2026
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Manuseamento de carga nos portos do país cai em 2020

O Conselho de Administração da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) relata queda no manuseamento de carga em todos os portos do país, apontando para isso os efeitos da Covid-19, lê-se em Relatório e Contas , referente ao ano de 2020.

Detalhadamente, os CFM registaram, sob ponto de vista global, um nível de execução de 82% e uma redução de 9% em relação à realização do período anterior, ao registar 4.9 mil toneladas métricas (mtm) manuseadas, contra 4.8 mtm registados em igual período de 2019.

Relativamente aos terminais portuários sob gestão dos CFM, a empresa diz que foram manuseadas durante este período 11.8 mtm contra 8.9 mtm manuseadas em 2019, o que representa um crescimento em torno de 34% comparativamente a ano anterior e uma execução de 106% em relação ao plano, mercê, de entre outros factores, da retoma desde Janeiro da gestão e exploração directa do terminal de carga geral e contentores de Nacala.

Contudo, os CFM dizem que o desempenho do sistema ferroviário global, de Janeiro a Dezembro de 2020, fixou-se em cerca de 16.7 mil toneladas líquidas contra cerca de 20.5 mil toneladas transportadas em 2019, representando uma redução em torno de 18% e um nível de execução de 72% em relação ao planificado. Nas linhas operadas pelos CFM, durante o período em análise, transportou-se cerca de 10.5 mil toneladas líquidas contra 11.3 mil toneladas em 2019, uma redução de 7%.

Em termos de transporte de passageiros, em 2020, a instituição reporta terem sido transportadas 3.5 mil pessoas, contra 7.4 mil registados em igual período do ano anterior que corresponde a uma redução de 52% e nível de realização de 58%, tendo sido significativa e negativamente afectado pelo confinamento social motivado pelos efeitos da Covid-19, a destacar o mês de Abril em que apenas se realizou 5% do plano.

No geral, o Conselho de Administração dos CFM afirma que o ano de 2020 foi caracterizado por muitos desafios impostos pela conjuntura interna e internacional, os efeitos da pandemia da Covid-19, que exigiram da gestão de empresas maior eficiência, melhor capacidade de resposta na operação, para assegurar a robustez e estabilidade da estrutura financeira da empresa. Mesmo assim, a empresa CFM registou resultado de imposto de 7.8 mil milhões de Meticais

Ecobank nomeado Banco Africano das PMEs de 2021

O grupo bancário pan-africano, Ecobank Group, é o Banco Africano das PMEs 2021 do African Banker. O Ecobank venceu uma série de outros bancos no African Banker Awards 2021 para levar para casa o Prémio PMEs em um ano de 2020 tumultuado e caracterizado pela Covid-19.

A pandemia continua a devastar muitas economias africanas, sendo que as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), são as empresas que enfrentam os maiores desafios. Entre outros critérios, o prémio Banco Africano para as PMEs de 2021 reconhece o banco que contribuiu significativamente para o desenvolvimento do sector das PMEs, ajudando-as a construir a espinha dorsal económica do continente.

Parte dos critérios de entrada exigia que o banco vencedor canalizasse significativamente o financiamento para o sector privado na África e promovesse o desenvolvimento empresarial, facilitando o crédito e o acesso ao financiamento para as PMEs.

Desde o início da Covid-19, o Grupo Ecobank aumentou consideravelmente os investimentos em programas direcionados às PMEs, expandindo as linhas de crédito focadas nas PMEs, fornecendo assistência técnica às instituições de desenvolvimento das PMEs e construindo a capacidade das PMEs por meio de programas em colaboração com seus parceiros estratégicos.

O Grupo está na vanguarda da promoção da inclusão de género e fechando a lacuna de financiamento por meio de iniciativas inovadoras, como ‘Ellevar por Ecobank’, que visa empresas lideradas por mulheres e com foco em mulheres por todo o continente.

A executiva do Grupo Ecobank, Banca Commercial, Josephine Ankomah, disse “2020 foi um ano de desafios sem precedentes por causa da pandemia Covid-19. Exigia resiliência e inovação. Precisávamos repensar nosso negócio e fornecer maneiras inovadoras de ajudar nossos clientes PMEs a sobreviver às dificuldades trazidas pela pandemia”.

Ankomah acrescentou ainda que “estamos realmente honrados em receber este reconhecimento. Nossa imensa gratidão vai para nossa equipe, clientes e parceiros que tornaram isso possível”.

Segundo a executiva, algumas das medidas tomadas pelo Banco para apoiar as PMEs em 2020 incluem:

Instituir proativamente ações de mitigação, incluindo extensões de prazo e moratórias de juros, para ajudar as PMEs a administrar o pagamento de seus empréstimos;
Aumentar a utilização de canais digitais, como o Ecobank Omni Lite, para fornecer aos clientes a capacidade de fazer pagamentos de forma remota e conveniente;
Aumentar a qualificação do pessoal para garantir a sua capacidade para ajudar a desenvolver o setor das PMEs;
Colaborar com parceiros de risco existentes, particularmente Development Finance Institutions (DFIs), para compartilhar uma parte do risco associado aos nossos empréstimos das PMEs;
Parceria com o gigante da tecnologia Google para fornecer aos clientes PMEs os meios para desenvolver uma presença online gratuita por meio da plataforma Google Meu Negócio;
Colaborar com a Agência de Desenvolvimento da União Africana – AUDA-NEPAD – para se concentrar no fortalecimento do apoio da África para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e auxiliar na sua recuperação do impacto da pandemia, capacitando as MPMEs com acesso a capacidades, mercados e financiamento, para que possam desempenhar um papel central no relançamento das economias de África;
Lançamento do ‘Ellevar por Ecobank’, um produto pertencente a mulheres e voltado para mulheres, oferecendo às mulheres uma parceria parceria holística, por meio da qual elas ganham acesso a serviços financeiros e não financeiros, como educação financeira, informações sobre produtos, networking e reconhecimento;
Aumentar o número de comerciantes que usam os terminais de ponto de venda (POS) do Ecobank de 5.571 para 15.878, além de atrair um número significativo para o EcobankPay, nossa principal plataforma de coleta QR, de 180.060 para 248.664.

Suspensão do Standard Bank não afecta estabilidade do sistema financeiro

Após a suspensão preventiva do Standard Bank em todas as actividades que envolvam a conversão de moeda estrangeira no mercado cambial, o Banco de Moçambique garantiu que o sistema financeiro moçambicano continua “estável e sólido”.

“O Banco de Moçambique comunica ainda que as operações cambiais decorrem com normalidade e que o sistema financeiro, no geral, continua estável e sólido”, refere uma nota de imprensa da instituição.

No dia 23 de Junho, o banco central moçambicano anunciou a suspensão do Standard Bank do Mercado Cambial Interbancário e, no dia seguinte, a abertura de três “processos de contravenção” contra aquela instituição bancária e dois dos seus colaboradores.

“Com vista a salvaguardar os interesses dos clientes do Standard Bank, a continuidade do negócio está a ser assegurada pelos restantes bancos que operam no país, sob orientação e esclarecimento do Standard Bank”, refere a nota.

A decisão do banco central moçambicano surge na sequência das “constatações apuradas durante a inspeção on-site em curso”, acrescenta a nota, sem mais detalhes sobre as causas da suspensão.

Dados do banco central moçambicano divulgados em Abril apontavam o Standard Bank como o terceiro na lista dos três bancos de importância sistémica em Moçambique, numa lista liderada pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI) e em que o Banco Internacional de Moçambique (Millennium Bim) está na segunda posição.

No rácio que mede a importância para o sector, rotulada com a sigla inglesa D-SIB, o BCI encabeça a lista com 278 pontos, seguindo-se o Millennium Bim com 257 e o Standard Bank com 159.

Banco de Moçambique recebe 500 mil euros para combater crimes financeiros

O país vai receber 500 mil euros, o equivalente a 38 milhões de meticais, para combater o terrorismo e o branqueamento de capitais. Esta ajuda é fruto de um memorando de entendimento assinado, hoje, entre o Banco de Moçambique e a Embaixada da França.

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, acredita que com a assinatura do memorando, estão criadas as condições para identificar e mitigar as actividades relacionadas com a circulação ilícita de capitais no país.

Zandamela afirma ser urgente a fortificação do sistema bancário para a prevenção e combate ao terrorismo e ao branqueamento de capitais.

“Estamos cientes da exposição do nosso sistema financeiro aos riscos de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, o que torna imperiosa a necessidade de reforçarmos cada vez mais os mecanismos de identificação e combate a este mal”, referiu.

No âmbito desta iniciativa, o Banco Central comprometeu-se a flexibilizar a implementação do memorando, através da assistência técnica, para que o país tenha um quadro regulatório mais ajustado aos actuais desafios, bem como na orientação estratégica para a implementação de um sistema de monitoria mais eficaz e abrangente.

“Como Banco Central, continuaremos a mobilizar os nossos parceiros de cooperação, no sentido de aprimorarmos as capacidades técnicas e tecnológicas necessárias, para melhor respondermos aos desafios impostos no âmbito do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo” concluiu.

Falando à imprensa, a Agência Francesa de Desenvolvimento – AFD, representada pelo embaixador da França em Moçambique, David Izzo, espera que com este apoio o sistema bancário moçambicano esteja mais robusto e preparado para controlar a circulação de capitais de forma ilícita, destinadas às incursões terroristas.

“Esta cooperação com o Banco de Moçambique está no cerne do nosso apoio contra o terrorismo. Sabemos que não há terrorismo sem financiamento, e que existem ligações entre o tráfico de todo o tipo, em que as transferências de dinheiro não são rastreadas”, referiu Izzo.

Com um financiamento de 500 mil euros, o programa a ser implementado é financiado pela cooperação francesa, através da Agência Francesa de Desenvolvimento, estando a implementação a cargo da expertise France, um parceiro da AFD.

“O nosso desejo é que esta colaboração traga elementos inovadores, que permitam reforçar os sistemas de vigilância e os recursos de controlo do Banco de Moçambique, e ao mesmo tempo, fortalecer o desenvolvimento de competências técnicas em matéria de luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo”, concluiu David Izzo.

O memorando de entendimento assinado esta quarta-feira, em Maputo, acontece numa altura em que o país e o mundo são confrontados com crimes financeiros que estimulam as acções terroristas.

Taxa de referência mantém-se em 18,9% pelo quarto mês

Associação Moçambicana de Bancos (AMB), anunciou que a taxa de juro de referência de do país vai manter-se em 18,9% em Julho.

Será o quarto mês consecutivo de manutenção da ‘prime rate’, que se fixou naquele valor desde 01 de Abril.

A taxa é calculada pela AMB e Banco de Moçambique com base num indexante único de 13,3% (calculado pelo banco central) e um prémio de custo de 5,6% (definido pela AMB).

A criação da ‘prime rate’ com um valor inicial de 27,75% foi acordada entre o banco central e a AMB em Junho de 2017 para eliminar a proliferação de taxas de referência no custo do dinheiro.

O objectivo é que todas as operações de crédito sejam baseadas numa taxa única, “acrescida de uma margem (spread), que será adicionada ou subtraída à ‘prime rate’ mediante a análise de risco” de cada contrato, explicam os promotores.

Vale amplia projecto na Indonésia após anunciar saída de Moçambique

Em Janeiro, a Vale anunciou “desinvestimento” na exploração de carvão em Moçambique. A mineradora assina acordo com gigante chinesa para construção e operação de fábrica de processamento de níquel na Indonésia.

A Vale justificou a sua saída do país com o objectivo de ser neutra ao nível das emissões de carbono até 2050 e reduzir algumas das suas principais fontes de poluição daquele tipo até 2030.

Segundo um comunicado, a joint-venture reúne a subsidiária local do grupo brasileiro, PT Vale Indonesia Tbk, a Taiyuan Iron and Steel, subsidiária da gigante estatal chinesa do ferro e aço China Baowu Steel Group, e a fabricante chinesa de níquel Shandong Xinhai Technology.

A Vale terá uma participação de 49 por cento no projecto de processamento de níquel, com as duas empresas chinesas a dividirem os restantes 51 por cento. A fábrica terá lugar na ilha de Sulawesi, na Indonésia.

A fábrica terá oito linhas de produção para a transformação de ferroníquel, com o objectivo de atingir uma produção anual de 73 mil toneladas de níquel. As três empresas têm agora seis meses para concluir as negociações e lançar o projecto, que “representa uma oportunidade significativa para a Vale e para a Indonésia”, defendeu Mark Travers, presidente da Vale Indonesia.

Mais de metade do níquel produzido em todo o mundo é transformado em aço inoxidável, utilizado em projectos de engenharia e no fabrico de objetos metálicos, segundo o Instituto do Níquel, a maior associação de produtores deste metal.

A fábrica irá nascer no parque industrial da Shandong Xinhai Technology na ilha de Sulawesi. O diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, disse na cerimónia de assinatura de acordo estar contente por ver a relação do grupo brasileiro com a China chegar a outros países, referiu a China Baowu Steel.

Antes da cerimónia, o presidente da China Baowu Steel, Chen Derong, pediu, num encontro com Eduardo Bartolomeo, o reforço do fornecimento de minério da Vale para aumentar ainda mais a produção de aço do grupo chinês, que em 2020 ultrapassou os 100 milhões de toneladas.

As três empresas irão também construir uma central a gás natural para fornecer eletricidade ao projecto e assim reduzir as emissões de carbono em 60 por cento, referiu a China Baowu Steel num comunicado. A decisão de apostar no gás natural em vez do carvão reflete o compromisso da Vale com a sustentabilidade, sublinhou a diretora-geral da Vale Indonesia, Febriany Eddy.

Projecto Mphanda Nkuwa aberto a investimentos privados

A fim de obter rapidamente o financiamento necessário para a implementação do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, o governo moçambicano planeia vender a maioria das suas acções a potenciais investidores. O convite à manifestação de interesse deve ser lançado antes do final de 2021. De acordo com Carlos Yum, o director responsável pelo projecto, o processo de licitação deverá levar mais de seis meses.

O(s) investidor(es) de sucesso implementarão o projecto em parceria com as empresas estatais Electricidade de Moçambique (EDM) e Hidroelectrica de Cahora Bassa, que já opera uma central hidroeléctrica de 2,075 MW no rio Zambeze. A central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa ficará situada 61 km a sudeste da barragem de Cahora Bassa. Com uma central capaz de gerar 1.500 MW, a barragem terá um reservatório de mais de 100 km2 que deslocará 1.400 famílias e afectará a subsistência de 200.000 pessoas de acordo com as Nações Unidas (ONU).

Um impacto esperado que deverá certamente afectar a mobilização do financiamento necessário para a implementação do projecto por parte das instituições financeiras internacionais, cada vez mais preocupadas com os aspectos ambientais e sociais dos projectos de desenvolvimento. Estima-se que a construção da barragem e da central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa exija um investimento de 2,4 mil milhões de dólares.

Além disso, a construção de uma linha de transmissão elevará o custo global do projecto para 4,4 mil milhões de dólares, equivalente ao orçamento de investimento de Moçambique para 2020 de 5 mil milhões de dólares.

O início da construção das instalações está planeado para 2024 e entrega em 2030.

A electricidade de Mphanda Nkuwa irá impulsionar a rede eléctrica nacional de Moçambique. Parte da produção será vendida aos países vizinhos, nomeadamente África do Sul e Lesoto.

Tmcel calcula recuperar-se da crise em 2024

A empresa de telefonia móvel, Moçambique Telecom (Tmcel) antevê sair da crise financeira herdada das extintas Moçambique Celular (Mcel) e Telecomunicações de Moçambique (TDM) num período de três anos.

Para o efeito, em Média breakfast havida semana finda, em Maputo, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Tmcel, Mahomed Rafique, disse que a empresa vai apostar em nova tecnologia de telecomunicações e melhoria do serviço.

Nesse contexto, Rafique avançou o lançamento, em breve, da tecnologia LTE 5G e a expansão do actual 4G (LTE) para o resto do país. O gestor anunciou também o relançamento da carteira móvel Mkesh, totalmente actualizada, prevendo dispor de diversas funcionalidades, parte das quais inovadoras para o mercado.

O PCA da Tmcel apontou também estar-se, igualmente, em vias de arranque do projecto de instalação de 3.6 mil km da rede de fibra óptica, em todo o país, no contexto da transformação da Tmcel em empresa digital.

A empresa diz estar ainda a investir perto de 7 milhões de USD na modernização do sistema de facturação, em parceria com Erickson, empresa de origem sueca.

“A nossa previsão, mesmo com a Covid-19, efeito de suspensão de investimento na área de exploração do gás natural, nomeadamente pela ExxonMobil e Total, nós vamos precisar de três anos para começar a produzir lucros”, afirmou Rafique.

O PCA da Tmcel sublinhou, porém, que, mesmo com a entrada em funcionamento dessas tecnologias de ponta, a empresa irá precisar de tempo para recuperar o investimento aplicado, actualmente acima de 30 milhões de USD.

“Portanto, mais três anos, nós vamos começar a ganhar dinheiro. Produzir lucro é importante, mas, mais do que isso, é trazer permanentemente a tecnologia de ponta para o país, de modo que os moçambicanos se possam beneficiar daquilo que se oferece no mercado em tecnologia”, sublinhou.

A Tmcel existe desde 2019, ano em que definitivamente se fundiram as empresas TDM e Mcel. A fusão compreendeu as áreas de recursos humanos, infra-estruturas, sistema comercial e vendas e sistemas tecnológicos e de informática.

A economia moçambicana poderá não se recuperar em todos os sectores

No decurso do primeiro trimestre do ano em curso, a economia de Moçambique registou um crescimento económico que foi um sinal de ter saído da recessão, um crescimento sustentado, principalmente, pelo sector primário, segundo as últimas pesquisas do economista sénior do Rand Merchant Bank (RMB).

Apesar do sector agrícola ter contribuído com 23.5% no crescimento da economia nacional, os restantes sectores como o dos transportes, comunicações, hotelaria e restauração registaram retracções, o sector mineiro destacou-se ao apresentar 18.1% de crescimento negativo.

“Prevemos que a economia registará um crescimento de 2.5% este ano, considerando a recuperação significativa demonstrada no primeiro trimestre”, afirma Daniel Kavishe, economista sénior do RMB.

Um inquérito realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que as empresas, para além de preverem que a economia recuperará ao longo dos próximos 12 meses, em Moçambique a procura continuará a ser menor comparativamente ao final do ano passado, principalmente nos sectores da restauração, hotelaria e serviços relacionados. As estatísticas apontam igualmente que os indicadores de confiança no sector de transportes e logística apresentam, actualmente, os níveis mais baixos dos últimos três trimestres.

Kavishe afirma que, com base nestes inquéritos, existe uma grande probabilidade da recuperação da economia moçambicana, em 2021, não ser transversal a todos os sectores.

“Tomando como base as nossas projecções deste ano, o sector primário irá provavelmente liderar os resultados positivos e o sector agrícola apresentará, igualmente, ganhos significativos”.

Daniel Kavishe prevê que a decisão do governo na flexibilização das restrições associadas ao combate à pandemia impulsionará a recuperação económica no segundo semestre do ano.

 

Licenciamento para pesca de camarão e caranguejo gerou 200 milhões de meticais

As licenças para a captura de camarão e caranguejo, geraram cerca de 200 milhões de meticais durante o primeiro semestre de 2021. Um desempenho avaliado em 56 por cento.

Segundo o director-geral Adjunto da Administração Nacional de Pescas, Cassamo Júnior, neste desempenho, o destaque vai para o licenciamento dos operadores de pesca industrial, cujas receitas foram de 155 milhões de meticais, cerca de 61 por cento.

No sector semi-industrial, as receitas foram de 37 milhões, enquanto no artesanal, a cifra foi de 1 milhão de meticais, o que corresponde a 57 e 8 por cento, respectivamente.

Em termos de captura do produto, o camarão registou um crescimento de 1340, em 2020, para 1518 no período em análise. Esta espécie teve, igualmente, um incremento de 38 por cento de rendimento médio diário.

Para além do camarão, o caranguejo teve um desempenho positivo, tendo já sido capturadas cerca de 850 toneladas no período em referência.

Os números são positivos, mas ainda persistem, no país, desafios para uma pesca sustentável.

“Precisamos de continuar a trabalhar para melhorarmos o cumprimento das medidas de gestão e para que possamos ter rapidamente melhores resultados”, disse Cassamo Júnior.

O director-geral Adjunto da Administração Nacional de Pescas defende ainda que, “é necessário melhorar a informação estatística, desenvolver estudos, com vista a tomar medidas de gestão acertadas, sobretudo no que diz respeito à fiscalização”.

Estes são apenas resultados preliminares. No presente ano, o país espera arrecadar, no geral, cerca de 420 milhões da actividade pesqueira, dos quais 344 milhões são do licenciamento pela captura do camarão e caranguejo.