Tuesday, May 26, 2026
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Câmara de Minas preocupada com intervenção do Estado na indústria extractiva

O vice-presidente da Câmara de Minas de Moçambique (CMM), Geert Klok, manifestou preocupação com a cláusula que impõe que o Estado moçambicano detenha obrigatoriamente 25% em todos os projectos de indústria extractiva, sem realizar capital, alertando para o risco de desinvestimento no sector.

“Compreende-se a necessidade da reforma legislativa do sector de Minas, mas estamos preocupados com dispositivos legais que impõe que o Estado tem de deter, participações mesmo sem realizar capital”, afirmou Klok, falando num dos painéis da 12ª edição da Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC).

A Assembleia da República aprovou recentemente revisões das leis de Minas e do Petróleo, submetidas ao parlamento com carácter de urgência pelo Presidente da República, Daniel Chapo, que sempre defendeu a necessidade de renegociação dos contractos com as multinacionais e de um maior usufruto dos benefícios das receitas da indústria extractiva.

Durante a 12.ª edição da MMEC, Geert Klok alertou igualmente para o impacto das disposições legais relacionadas com a participação obrigatória do Estado nos projectos extractivos e para a ausência de mecanismos claros de compensação aos investidores em situações de suspensão de operações por motivos de “força maior”.

O vice-presidente da Câmara de Minas de Moçambique defendeu que algumas das novas medidas poderão agravar os custos e aumentar a percepção de risco para os investidores, sobretudo numa fase em que o sector continua dependente de elevados investimentos de prospecção e desenvolvimento.

Sociedade civil e analistas alertam para ambiguidades e riscos nas novas disposições legais

Com as alterações legislativas aprovadas por consenso na Assembleia da República, o Estado moçambicano pretende reforçar a sua participação e aumentar as receitas e dividendos provenientes da exploração de recursos naturais.

Entretanto, diferentes organizações da sociedade civil, plataformas de monitoria económica e analistas do sector extractivo têm vindo igualmente a levantar questões em torno da clareza e aplicabilidade de algumas disposições introduzidas nas leis revistas.

Entre as preocupações apontadas está a ausência de definição clara sobre as condições de aquisição do gás doméstico pelo Estado, bem como os mecanismos previstos para lidar com situações de suspensão de projectos e repartição de responsabilidades financeiras entre o Estado e os investidores.

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), por exemplo, considera que alguns artigos carecem de maior precisão jurídica e operacional, sobretudo no que respeita às obrigações do Estado e às implicações financeiras associadas aos novos dispositivos legais.

Por outro lado, sectores ligados à análise económica e energética interpretam as revisões legislativas como um sinal do fortalecimento de correntes de nacionalismo económico na governação liderada por Daniel Chapo.

Numa análise publicada pelo portal Zitamar, as reformas introduzidas nas leis de Minas e do Petróleo reflectem uma estratégia orientada para reforçar o controlo e a participação do Estado nos grandes projectos extractivos, numa linha política que tem marcado o percurso de Daniel Chapo desde os tempos em que exerceu funções administrativas em distritos com forte presença de multinacionais, como Palma e Nacala, e posteriormente como governador da província de Inhambane.

Lançamento do GAC GS3 Emzoom destaca aposta em tecnologia e mobilidade no mercado moçambicano

Maputo acolheu, o cocktail de lançamento oficial do novo GAC GS3 Emzoom, realizado no showroom da Noble Mobility, num evento que reuniu convidados, parceiros estratégicos e representantes institucionais.

A cerimónia marcou a apresentação oficial de um modelo que aposta na combinação entre tecnologia, funcionalidade e conforto, posicionando-se como uma alternativa orientada para as exigências da mobilidade urbana e do quotidiano dos moçambicanos.

Durante o evento, Shelzea Alide, Gestora da Noble Mobility, apresentou as principais funcionalidades do GAC GS3 Emzoom, destacando a forma como o modelo responde às necessidades do mercado nacional, desde a eficiência e conectividade até às soluções práticas voltadas para diferentes perfis de utilizadores. “Apresentamos hoje ao mercado um automóvel criado com tecnologia avançada e com menos impacto para o meio ambiente”, afirmou.

Na ocasião, Shelzea Alide explicou ainda que a introdução do modelo faz parte da estratégia de crescimento e consolidação da marca no mercado moçambicano, com foco na criação de soluções mais acessíveis para os jovens. “A ideia é fazer com que a marca cresça e se estabeleça no mercado e, para isso, criámos pacotes mais competitivos e acessíveis para que os jovens possam adquirir um carro 0 km. Uma viatura nova é muito melhor para o meio ambiente”, acrescentou Shelzea.

A responsável destacou igualmente a visão de longo-prazo da empresa, sublinhando que a Noble Mobility pretende reforçar a sua presença no sector automóvel nacional. “A marca Noble Mobility é moçambicana, criada para Moçambique e, no futuro, a ideia é termos uma fábrica de montagem cá”, referiu. O momento contou igualmente com intervenções de parceiros envolvidos na iniciativa.

Ivan Nhavotso, Director Geral da Noble Unicom, destacou a importância da parceria estabelecida no processo de introdução do modelo no mercado moçambicano, reforçando a aposta em soluções modernas e alinhadas com as actuais necessidades do sector automóvel. Representando a Metropolitano Microbanco, o Director Comercial, Frederico Chaise, considerou que a iniciativa representa uma oportunidade importante para muitos moçambicanos.

“Esta iniciativa é bem-vinda para o país, porque permitirá a realização de sonhos por parte dos moçambicanos que desejam obter uma viatura moderna”, afirmou. Mais do que a apresentação de um novo veículo, o evento serviu também como espaço de networking e partilha entre parceiros e convidados, num ambiente que reflectiu a aposta crescente do sector automóvel em tecnologia, inovação e experiências adaptadas ao contexto nacional.

O GAC GS3 Emzoom chega ao mercado acompanhado de recursos tecnológicos concebidos para proporcionar maior comodidade, conectividade e eficiência, alinhando-se às tendências globais da indústria automóvel e às necessidades práticas dos utilizadores.

Gestão patrimonial: o despertar de um novo protagonismo em Moçambique

O papel do planeamento financeiro na construção do futuro do País

À medida que mais moçambicanos desenvolvem a sua actividade económica e consolidam o seu percurso financeiro, seja através de actividades empresariais, investimento ou hábitos de poupança, surge um desafio central: como estruturar e administrar os recursos financeiros de forma eficiente e sustentável? Essa preocupação ganha relevância à medida que indivíduos e empresas procuram consolidar a sua trajectória financeira e garantir estabilidade no longo prazo.

Actualmente, gerir finanças vai além de simplesmente poupar ou investir ocasionalmente. Num ambiente económico cada vez mais dinâmico, o planeamento financeiro assume um papel cada vez mais estratégico, envolvendo visão de longo prazo, diversificação de investimentos baseada m informações confiáveis e alinhadas aos objectivos pessoais.

É neste contexto que o Absa Bank Moçambique aposta em soluções de acompanhamento financeiro especializado, concebidas para clientes que procuram uma gestão estruturada de investimentos e organização financeira.

Segundo Denise Cruz, Directora da Banca Pessoal e Privada do Absa Bank Moçambique, a crescente complexidade do ambiente financeiro faz com que mais clientes procurem aconselhamento especializado. “Cada vez mais pessoas reconhecem a importância de planear o futuro financeiro de forma estruturada. O nosso objectivo é apoiar os clientes nesse processo, ajudando-os a tomar decisões mais informadas e alinhadas com os seus objectivos pessoais e familiares”, destaca.

Uma abordagem moderna de planeamento financeiro vai muito além da escolha de produtos. Envolve compreender o perfil de cada cliente, os seus objectivos, o horizonte temporal das suas decisões e o nível de risco que está disposto a assumir, garantindo soluções personalizadas e eficazes.

O modelo adoptado pelo Absa, oferece aos clientes acompanhamento de gestores especializados, que monitoram de forma contínua a evolução das suas soluções financeiras, ajudando a identificar oportunidades e a ajustar estratégias para minimizar riscos e maximizar resultados.

Este acompanhamento inclui também acesso a soluções internacionais de investimento e serviços de custódia de activos, assegurando elevados padrões de segurança e transparência. Além disso, o Absa disponibiliza um conjunto diversificado de soluções financeiras adaptadas às necessidades especificas de cada cliente.

A digitalização está igualmente a transformar a forma como os clientes acompanham as suas decisões financeiras. Hoje, os clientes procuram não apenas aconselhamento especializado, mas também acesso simples e transparente à informação sobre as suas aplicações e investimentos, com recursos digitais que facilitam a gestão das carteiras.

Por essa razão, o Absa tem vindo a integrar plataformas digitais que permitem acompanhar o desempenho das carteiras, aceder a análises de mercado e receber informação relevante para apoiar decisões financeiras.

Esta combinação entre aconselhamento humano e tecnologia contribui para uma gestão financeira mais informada, próxima e dinâmica.

O acompanhamento financeiro do Absa vai além da dimensão técnica das soluções. O Banco oferece uma experiência de relacionamento diferenciada, com espaços de atendimento dedicados e uma central de serviços disponível 24 horas por dia.

Os clientes têm ainda acesso ao cartão Visa Infinite, que inclui benefícios internacionais como serviços de concierge, acesso a uma gama variada de Lounges em vários aeroportos internacionais, seguros de viagem e outras vantagens e serviços complementares.

À medida que Moçambique continua a desenvolver-se e a sua economia se torna mais dinâmica, cresce também a necessidade de soluções financeiras que apoiem indivíduos e empresas na tomada de decisões informadas e no planeamento do futuro.

Iniciativas como as do Absa Bank Moçambique fortalecem a cultura de planeamento financeiro responsável, promovendo maior estabilidade e sustentabilidade nas decisões financeiras de longo prazo, fundamentais para o avanço económico do país e o sucesso individual dos seus cidadãos.

Projecto Rovuma LNG espera gerar receitas de até 150 Mil Milhões de dólares

O projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil na Bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, poderá gerar receitas estimadas em até 150 mil milhões de dólares norte-americanos para o Estado moçambicano ao longo de aproximadamente 30 anos de operação, reforçando as perspectivas de Moçambique consolidar-se como um dos principais produtores globais de gás natural liquefeito (GNL).

A projecção foi apresentada pelo Director-Geral da ExxonMobil Moçambique, Arne Gibbs, durante a 12.ª edição da Mozambique Mining and Energy Conference and Exhibition (MMEC), que decorre em Maputo, onde confirmou igualmente que a Decisão Final de Investimento (FID) continua prevista para o segundo semestre deste ano.

Segundo a ExxonMobil, o novo conceito técnico adoptado para o Rovuma LNG permitirá ganhos significativos de escala e maior eficiência operacional, resultado de um processo de engenharia e optimização desenvolvido ao longo dos últimos dois anos. A multinacional considera o Rovuma LNG um dos maiores projectos energéticos actualmente em desenvolvimento no continente africano.

De acordo com Arne Gibbs, a revisão do modelo técnico permitirá aumentar a produção de gás natural liquefeito sem crescimento proporcional dos custos operacionais, melhorando a rentabilidade e o retorno económico para o Estado moçambicano.

Além das receitas fiscais de longo prazo, a ExxonMobil defende que os benefícios económicos do projecto começarão a ser sentidos ainda durante a fase de construção, através de impostos, taxas, contratação de serviços locais e participação do sector financeiro moçambicano.

O projecto Rovuma LNG integra a Área 4 da Bacia do Rovuma, uma das maiores descobertas de gás natural das últimas décadas, com reservas estimadas em mais de 85 biliões de pés cúbicos de gás natural. A concessão é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), consórcio que integra ExxonMobil, Eni e China National Petroleum Corporation (CNPC), entre outros parceiros internacionais.

Moçambique possui actualmente três grandes projectos aprovados para exploração de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma. O único em operação comercial é o Coral Sul FLNG, liderado pela Eni, que iniciou exportações em 2022. O país aprovou recentemente também o projecto Coral Norte FLNG, avaliado em cerca de 7,2 mil milhões de dólares, com produção prevista para 2028.

Paralelamente, o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies e avaliado em aproximadamente 20 mil milhões de dólares, encontra-se em processo de retoma após a suspensão causada pela insegurança em Cabo Delgado em 2021.

As autoridades moçambicanas e operadores internacionais consideram que a materialização destes investimentos poderá transformar estruturalmente a economia nacional, impulsionando receitas fiscais, criação de emprego, desenvolvimento de infra-estruturas e consolidação do Fundo Soberano de Moçambique, alimentado parcialmente pelas receitas provenientes do gás natural.

CTA Defende criação de Parques Industriais próximos das áreas de operação dos grandes projectos

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu, durante a edição 2026 da Mozambique Mining and Energy Conference and Exhibition (MMEC), a necessidade de criação de parques industriais próximos das áreas de implementação dos grandes projectos extractivos e energéticos, como estratégia para acelerar a industrialização, fortalecer o conteúdo local e maximizar o impacto económico dos recursos naturais no país.

A posição foi apresentada no contexto dos debates sobre industrialização, integração regional e criação de valor local, temas centrais da MMEC 2026, realizada em Maputo sob o lema “Mozambique: Open for Business – Unlocking Natural Resources for Industrialisation, Diversification and Inclusive Growth”.

Segundo a CTA, Moçambique continua a enfrentar o desafio de transformar os grandes investimentos nos sectores de mineração, gás e energia em benefícios estruturantes para a economia nacional, sobretudo ao nível da indústria transformadora, geração de emprego qualificado e fortalecimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

A organização entende que a criação de parques industriais estrategicamente localizados junto das zonas de operação dos grandes projectos poderá impulsionar cadeias de valor locais, reduzir custos logísticos e criar condições para o surgimento de indústrias de suporte ligadas aos sectores extractivo, energético e de infra-estruturas.

Para a CTA, esta abordagem permitiria aumentar significativamente a participação do sector privado nacional nas oportunidades geradas pelos megaprojectos, promovendo simultaneamente transferência de conhecimento, desenvolvimento tecnológico e maior integração económica regional.

O posicionamento surge numa altura em que Moçambique procura consolidar-se como um dos principais destinos de investimento energético e mineiro em África, impulsionado pela retoma de grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL), expansão da capacidade energética e novos investimentos em mineração e infra-estruturas.

Durante os painéis da MMEC 2026, os participantes destacaram igualmente a importância de corredores logísticos, infra-estruturas energéticas e zonas industriais integradas como elementos fundamentais para acelerar a transformação económica baseada nos recursos naturais.

O Presidente da CTA, Álvaro Massingue, tem vindo a defender uma nova abordagem de desenvolvimento económico assente em investimentos estruturantes, parcerias público-privadas mais eficazes e criação de condições para tornar Moçambique mais competitivo na atracção de capital e industrialização sustentável.

A CTA considera que o país dispõe de potencial estratégico para desenvolver polos industriais ligados ao gás, mineração, energia e agro-indústria, desde que exista alinhamento entre políticas públicas, investimento privado, infra-estruturas e mecanismos de financiamento adequados.

A MMEC 2026 reuniu líderes governamentais, investidores, operadores do sector energético e mineiro, instituições financeiras e representantes do sector privado nacional e internacional para discutir soluções de industrialização, segurança energética, conteúdo local, financiamento de projectos e desenvolvimento sustentável.

Millennium bim reforça posicionamento estratégico nos sectores de energia e mineração no MMEC 2026

O Millennium bim participou na 12.ª edição da Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2026), realizada nos dias 6 e 7 de Maio, em Maputo, reforçando o seu posicionamento junto dos principais intervenientes dos sectores de energia e mineração, num contexto de crescente relevância destas indústrias para a economia nacional.

Num contexto em que Moçambique aprofunda a valorização dos seus recursos naturais e acelera a industrialização, o MMEC 2026 afirmou-se como uma plataforma de diálogo relevante para a discussão de soluções concretas, mobilização de investimento e articulação entre os principais intervenientes do sector.

Ao longo do evento, o Millennium bim participou em sessões dedicadas ao financiamento de megaprojectos e à articulação entre os sectores de energia e mineração, contribuindo para a reflexão sobre modelos financeiros mais ajustados à complexidade, risco e horizonte de maturação destes investimentos.

Na Sessão 4, dedicada ao tema “Mobilização de financiamento para a nova geração de megaprojectos em Moçambique”, o Millennium bim esteve representado por Liliana Catoja, Administradora Executiva, que participou como oradora no painel de Project Finance, tendo sido evidenciada a necessidade de reforço de parcerias entre investidores, entidades governamentais e instituições financeiras na estruturação e execução dos projectos, bem como, na partilha de risco num contexto de crescente exigência e maior escrutínio sobre a sua viabilidade e sustentabilidade a longo prazo.

Já na Sessão 6, dedicada às sinergias entre mineração e energia, o painel contou com a moderação de Ducla Dos Santos, Directora Comercial para o Sector de Energia e Infraestruturas (CIB), tendo sido sublinhada a importância de uma abordagem integrada entre estes sectores, como condição para maior eficiência, previsibilidade e coerência no desenvolvimento dos projectos.

Para Liliana Catoja, Administradora Executiva do Millennium bim, “Moçambique tem hoje uma oportunidade clara de se afirmar como um polo relevante nos sectores de energia e mineração. Contudo, a materialização dessa oportunidade impõe mais do que o capital: exige capacidade para estruturar e executar projectos sólidos e credíveis, o alinhamento de interesses, criação de estabilidade/previsibilidade e assegurar a sua viabilidade ao longo do tempo.

O sector financeiro tem aqui um papel determinante, não apenas na estruturação do financiamento, mas também na apresentação de soluções integradas que permitem a viabilização, incluindo fazer a ligação com a economia local.” A participação do Millennium bim no MMEC 2026 enquadra-se na estratégia do Banco de reforçar o seu posicionamento junto dos sectores estratégicos para o desenvolvimento económico do país, através da estruturação de soluções financeiras adaptadas à realidade do mercado, às necessidades de projectos de grande escala e ao reforço da participação do conteúdo local na cadeia de valor destes sectores.

Conselho de Ministros renova liderança do IGEPE, da ENH e do FFH

Três presidentes de conselhos de administração substituídos em simultâneo. No caso do IGEPE, a saída de Ana Coanai encerra uma liderança de uma década. Na ENH, Ludovina Bernardo deixa o cargo menos de um ano após a posse.

A 12.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, realizada a 6 de Maio, formalizou a substituição simultânea dos presidentes dos conselhos de administração de três entidades públicas com peso significativo na arquitectura económica do Estado: o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e o Fundo de Fomento e Habitação (FFH).

A mudança de maior impacto institucional é a do IGEPE. Ana Isabel Senda Coanai, que dirigia o instituto desde 2015, foi exonerada após mais de uma década à frente da entidade responsável pela gestão das participações financeiras do Estado resultantes do processo de reestruturação do sector empresarial público. O seu mandato, renovado em 2020, havia caducado em 2025. Em seu lugar, o Executivo nomeou Danilo Mussá Nalá.

Na ENH, a exoneração de Ludovina Bernardo é a mais breve da série. Empossada em Agosto de 2024, a gestora estava no cargo há menos de dez meses. Antes de assumir a presidência da petrolífera pública, exercera funções de vice-ministra da Indústria e Comércio. O Governo nomeou Rudêncio Morais para liderar a empresa.

No FFH, Armindo José Munguambe encerrou uma liderança que durava desde Dezembro de 2018. Quadro de carreira do fundo, Munguambe foi substituído por Amorim Remígio Manuel Pery.

O Executivo não apresentou justificações públicas para as exonerações além da caducidade dos mandatos. A coincidência das três substituições numa única sessão aponta para uma revisão mais ampla da governação das empresas e institutos públicos sob tutela do Estado.

Na mesma sessão, o Conselho de Ministros aprovou o decreto que cria a Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico – ANDITUR. FP, dotada de personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e patrimonial. O porta-voz Salim Valá descreveu a nova entidade como um instrumento para transformar o sector turístico num motor de crescimento inclusivo e de geração de emprego, posicionando o país para atrair investimento estruturado nesta área.

O Executivo aprovou igualmente o Projecto de Resgate do Património e Turismo de Moçambique (PREPT-MOZ), que enquadra a valorização do património edificado, histórico, cultural e natural do país como activos económicos sustentáveis.

Em matéria fiscal e aduaneira, foram aprovadas alterações às Regras Gerais de Desembaraço Aduaneiro em conformidade com a Lei n.º 8/2025, de 29 de Dezembro e ao Regulamento do Código do Imposto sobre Consumos Específicos (ICE), alinhando os instrumentos regulatórios com as revisões legislativas aprovadas no final do exercício anterior.

Vodacom promove formação para Mulheres Jornalistas sobre cobertura digital

A Vodacom Moçambique, em parceria com o Sindicato Nacional de Jornalistas, realizou uma formação dirigida a mulheres jornalistas, centrada em técnicas de cobertura jornalística em tecnologia e inovação digital. A iniciativa teve como objectivo reforçar competências e promover uma abordagem mais informada, ética e crítica no tratamento de temas ligados ao ambiente digital.

Na abertura da iniciativa, a Directora de Relações Governamentais e Engajamento Institucional da Vodacom Moçambique, Cláudia Manjate, destacou a relevância do encontro num contexto marcado por desafios crescentes, tanto para as mulheres como para o exercício do jornalismo. A responsável sublinhou que a combinação dessas realidades exige maior preparação e consciência do papel social da profissão, afirmando que “o jornalismo não se trata apenas de informar, trata-se de influenciar percepções, moldar comportamentos e contribuir para uma sociedade mais consciente, crítica e inclusiva”.

Num cenário em que o digital ganha cada vez mais espaço na produção e disseminação de conteúdos, foi igualmente enfatizada a importância de mecanismos que garantam maior segurança e equilíbrio no acesso à informação.

Neste contexto, a representante do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique, Dalila Morais, destacou o papel da regulação na protecção dos cidadãos, referindo que “o papel do regulador é assegurar que o ambiente digital seja mais seguro e equilibrado, o que exige também um jornalismo responsável e alinhado com princípios éticos”.

A formação foi também enquadrada como uma oportunidade de fortalecimento do papel das mulheres no sector da comunicação, num momento em que se assinalam datas relevantes para a classe e para a valorização do contributo feminino na sociedade.

A Vereadora da Mulher, Assistência Social e Familiar do Município de Maputo, Anabela Inguame, reforçou esta perspectiva, ao considerar que “fortalecer as competências das mulheres jornalistas é também contribuir para uma sociedade mais informada, participativa e inclusiva”.

Ao longo da sessão, foram abordados temas como a segurança digital, ética na produção de conteúdos e o impacto da informação na sociedade. As participantes destacaram a pertinência dos conteúdos e a sua aplicabilidade no exercício da profissão.

Janet Mondlane, uma das formandas sublinhou o valor prático da iniciativa, afirmando que “esta formação permitiu-nos abordar temas tecnológicos com mais segurança e responsabilidade, sem perder de vista o impacto que a informação tem na vida das pessoas”.

A iniciativa enquadra-se no compromisso da Vodacom Moçambique de contribuir para o desenvolvimento do sector da comunicação e para a promoção de um ecossistema digital mais seguro, inclusivo e orientado para o conhecimento.

TRAC quer continuar a gerir EN4 além de 2028

Trans African Concession (TRAC), concessionária sul-africana da Estrada Nacional Nº 4, manifesta a intenção de continuar a gerir a rodovia, além de Fevereiro de 2028, data em que expira o actual contrato de concessão de 30 anos. A informação foi avançada, há dias, pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da concessionária, Alex Van Niekerk, em exclusivo à “Carta”.

Após analisar o Relatório de Avaliação da Concessão da EN4, o Governo moçambicano publicou um anúncio de concurso de pré-qualificação em meados de Abril passado. A TRAC diz estar a analisar o documento, mas com a finalidade de concorrer para continuar a gerir a EN4.

“Estamos ainda a analisar o documento e, com base nos requisitos nele contidos, precisaremos de avaliar a nossa situação e verificar se será possível participarmos no processo à medida que este se desenrolar e no futuro. Mas vamos certamente considerar isso e analisar a situação com atenção”, disse o PCA da TRAC.

Caso a TRAC ganhe o concurso, Niekerk avançou que existem planos para melhorar ainda mais a EN4 com a construção de faixas adicionais entre a fronteira de Ressano Garcia e a Cidade de Maputo, pois, como é consabido “há estrangulamentos dentro de Maputo, como o acesso ao porto e não só. E há certamente formas de melhorar isso”.

Todavia, o gestor disse que tudo dependerá também das expectativas e dos requisitos da candidatura apresentada pelo Governo. “E embora tenhamos as nossas opiniões sobre isso e sobre o que pode ser feito, precisamos obviamente de discutir as expectativas do anúncio de concurso”, acrescentou Niekerk.

Em relação às obras em curso, de Ressano Garcia à Matola, o PCA da TRAC, que falava à margem da IX Conferência Bienal do Porto de Maputo, disse que deverão estar concluídas no segundo semestre de 2027. “Depois também vamos analisar, mas trata-se apenas do projecto de reabilitação do pavimento, onde iremos melhorar o revestimento, entre o Centro Comercial Novare e o cruzamento com a Shopprite”, avançou o PCA da TRAC.

Após apreciar o Relatório de Avaliação da Concessão da EN4 à TRAC, durante a quarta Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, disse que o Executivo “decidiu adoptar o relatório da Comissão Técnica que vai orientar os próximos passos a serem seguidos para o lançamento do concurso público para a selecção da futura concessão para a continuação do desenvolvimento da exploração da EN4 no contexto desse projecto”.

Impissa acrescentou que “do trabalho da Comissão conclui-se que o contrato de concessão da EN4 está a ser regularmente cumprido, com os objectivos alcançados ao longo do período de vigência”.

Refira-se que o objecto do contrato de concessão é a construção, financiamento, operação e manutenção da EN4 numa extensão de 600 km, desde o cruzamento de Solomon, em Gauteng, na África do Sul, até ao Porto de Maputo, dos quais a extensão em Moçambique tem 97 km, de Maputo a Ressano Garcia, num parceria público-privada.

Dados do Governo indicam que o investimento inicial realizado pela TRAC foi de 6.5 biliões de Rands, tendo 40% desse valor aplicado no território nacional. Quase no fim da gestão da EN4, a TRAC tem vindo nos últimos anos a investir em obras de melhoria da estrada entre Maputo e Ressano Garcia.

Projecto Mozambique LNG atinge 42% de execução

O projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, atingiu 42% de execução e conta actualmente com mais de 6.000 trabalhadores no terreno, numa fase de retoma que reforça o seu peso estratégico no portefólio global da petrolífera.

A informação foi avançada pelo director executivo da empresa, Patrick Pouyanné, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, ocasião em que confirmou que o início da produção de gás natural liquefeito (LNG) está previsto para 2029.

Retoma do projecto consolida estratégia de diversificação

A decisão de retomar as actividades de construção, em Janeiro deste ano, insere-se numa estratégia mais ampla de diversificação geográfica dos activos energéticos da empresa, num contexto internacional marcado por volatilidade e tensões geopolíticas.

Segundo Pouyanné, a aposta em Moçambique permite reduzir a exposição a regiões mais instáveis, reforçando a resiliência do portefólio da multinacional.

“Mais do que nunca, a decisão de reiniciar a construção do Mozambique LNG pode ser plenamente apreciada, porque representa uma forma de diversificação que será benéfica para o nosso portefólio até 2029”, afirmou o responsável.

O responsável destacou ainda o potencial transformador do projecto para a economia nacional e para o posicionamento de Moçambique no mercado internacional de energia.

“Há quem diga que Moçambique será o Qatar de África, e estamos orgulhosos de desenvolver estes projectos no país”, referiu, numa alusão ao potencial do país para se afirmar como um dos principais produtores globais de gás natural.

Contexto global reforça importância do LNG

A retoma do projecto surge num momento em que o sistema energético global enfrenta perturbações significativas, em particular devido ao conflito no Médio Oriente, que afectou cerca de 15% da produção de petróleo e gás da empresa.

A disrupção no Estreito de Ormuz, por onde circula uma parte significativa das exportações globais de energia, veio evidenciar a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento e a necessidade de diversificação das fontes e rotas de fornecimento.

Neste cenário, activos como o Mozambique LNG assumem um papel estratégico na garantia de maior estabilidade e segurança energética.

Durante a mesma intervenção, Pouyanné sublinhou que o actual contexto reforça a importância dos contratos de longo prazo no mercado de LNG, sobretudo na Ásia, onde a procura continua elevada.

Apesar do crescimento das energias renováveis, o gás natural continua a ser visto como uma solução de transição, assegurando flexibilidade e fiabilidade no sistema energético global.

Investimento de grande escala com impacto nacional

Avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, o Mozambique LNG posiciona-se como um dos maiores projectos energéticos em África, com potencial para gerar impactos significativos na economia moçambicana.

Entre os principais benefícios esperados destacam-se o aumento das receitas fiscais, o reforço das exportações, a criação de emprego e o desenvolvimento de cadeias de valor locais.

A evolução do projecto é considerada determinante para o posicionamento de Moçambique como hub energético regional, num contexto internacional em que se intensifica a procura por fontes diversificadas de gás natural.

Num cenário global marcado por incerteza e reconfiguração dos fluxos energéticos, o país emerge como um actor com potencial crescente no mercado internacional de LNG, consolidando a sua relevância estratégica no panorama energético mundial.