Thursday, April 9, 2026
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XX CASP: Maputo acolhe em Novembro o maior encontro de negócios e investimento país

O Governo de Moçambique, em parceria com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), realiza de 12 a 14 de Novembro de 2025, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, a 20.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), sob o lema “Reformar para Competir: Caminhando para o Relançamento Económico”.

Considerado o maior fórum de diálogo público-privado do país, o evento visa promover a concertação entre o Governo, o sector empresarial e os parceiros de cooperação, com enfoque na melhoria do ambiente de negócios, atracção de investimento e aceleração da retoma económica.

A edição deste ano contará com quatro componentes principais: o Diálogo Público-Privado, espaço central de discussão sobre políticas económicas e reformas estruturais, o Fórum de Promoção de Parcerias Bilaterais, destinado ao fortalecimento da cooperação empresarial entre Moçambique e os seus principais parceiros comerciais, o Fórum de Promoção de Investimentos e Oportunidades de Negócios, que reunirá investidores nacionais e estrangeiros interessados em sectores estratégicos, e a Mozambique Home EXPO 2025, mostra empresarial dedicada à inovação, indústria, comércio e serviços.

A CASP 2025 reafirma-se como uma plataforma de referência para o reforço da competitividade do sector privado, proporcionando acesso a informações de mercado, oportunidades de financiamento e networking com decisores e investidores.

As inscrições para o evento já estão abertas e podem ser feitas através do link de pré-inscrição: https://forms.gle/HnwQyhZnCfBFTZnLA.

Para mais informações, os interessados podem contactar o secretariado da conferência através do email casp@cta.org.mz ou do telefone +258 87 225 2188.

Depósitos de poupança dos moçambicanos cresceram 12,5 % em 2024

Os depósitos de poupança dos moçambicanos aumentaram 12,5% em 2024, para um recorde de 37,8 milhões de meticais (504 milhões de euros) por cada 1.000 adultos, segundo um relatório do banco central a que a Lusa teve acesso.

Este aumento reflecte uma tendência de fortalecimento da confiança dos cidadãos no sistema bancário e uma maior procura por instrumentos financeiros de acumulação segura em momentos de volatilidade económica.

Embora o relatório revelado pela Lusa não apresente o valor absoluto dos depósitos no período base, o incremento percentual sinaliza uma significativa mobilização de recursos internos, podendo reforçar a intermediação financeira e criar espaço para maior crédito doméstico.

Analistas destacam que este ritmo de expansão, se mantido nos próximos anos, poderá contribuir para a estabilidade macroeconómica, reduzir a dependência de capitais externos e fomentar investimentos locais, sobretudo se as taxas de juro reais forem mantidas competitivas.

Ainda assim, ressalta-se que para consolidar este crescimento será necessário um ambiente regulatório favorável, solidez institucional no setor bancário e promoção de produtos de poupança atrativos, que compartilhem rentabilidade razoável com segurança para os depositantes.

FMI confirma participação na CASP

A CTA manteve um encontro, recentemente, com o representante-residente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olamide Harrison, para discutir os desafios do sector privado moçambicano. Durante o encontro, a CTA convidou o FMI a participar como parceiro estratégico na 20ª CASP, a ter lugar nos dias 12 e 13 de Novembro de 2025, subordinada ao lema “Reformar para Competir: Traçando Caminhos para o Relançamento Económico”.

Dado o papel preponderante que o FMI tem desempenhado nos processos de estabilização macroeconómica e na recuperação financeira de Moçambique, a CTA considera relevante a sua participação activa na CASP, não só como orador, mas também como parceiro estratégico do evento, particularmente nas áreas ligadas à política fiscal, cambial e à estabilidade macroeconómica.

“Vivemos um momento delicado. A escassez de divisas, as pressões cambiais e a necessidade de implementar reformas estruturais tornaram-se desafios centrais. O sector privado, em particular, tem enfrentado enormes dificuldades no acesso a moeda externa, situação que afecta directamente a importação de insumos, matérias-primas e equipamentos. Estes constrangimentos comprometem seriamente a produtividade e a competitividade da economia nacional”, destacou o presidente da CTA, Álvaro Massingue.

Durante o encontro com o FMI, a CTA manifestou preocupação com a elevada carga tributária, actualmente situada em 36,1%, tendo defendido uma reforma fiscal profunda, baseada na redução dos impostos, alargamento da base tributária e promoção da equidade e previsibilidade do sistema.

O presidente da CTA reafirmou o compromisso da instituição com a agenda de reformas económicas visando a estabilidade macroeconómica. Sobre esta preocupação, o representante- residente do FMI em Moçambique reconheceu a legitimidade e apontou que esta instituição financeira internacional está a trabalhar em conjunto com o Governo para solucionar as preocupações do sector empresarial, incluindo a questão de carga tributária.

Olamide Harrison apontou algumas soluções, com ênfase para a redução da despesa pública, que actualmente se situa nos 34% do PIB, que é alto da média da África Subsaariana, contra 27% da capacidade de arrecadação de receitas.

“O Governo de Moçambique está a tentar reduzir a pressão da dependência externa, aumentando a receita, sem contudo olhar para a redução de despesas.

Para financiar estas despesas, ao mesmo tempo reduzindo a pressão de dependência externa, terá que recorrer à tributação”, destacou o representante do FMI.

Galp vende participação de gás em Moçambique

A Galp irá receber 100 milhões de dólares (85,4 milhões de euros ao câmbio atual) no quarto trimestre deste ano após ter sido assinada a decisão final de investimento no projeto offshore de gás natural Coral Norte, em Moçambique, indica esta terça-feira a petrolífera portuguesa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Em março deste ano, a Galp concluiu a venda à XRG, subsidiária da ADNOC, dos Emirados Árabes Unidos, dos seus ativos de gás natural na Área 4, em Moçambique. Na altura, a empresa portuguesa embolsou 881 milhões de dólares, aos quais acresceriam os 100 milhões agora confirmados e ainda 400 milhões de dólares referentes ao projeto de Rovuma, ainda pendentes da decisão final de investimento.

A Galp revela também que “face a uma divergência, não resolvida até ao presente, quanto à tributação de mais-valias relativa ao processo de alienação da participação na Área 4 da Bacia do Rovuma, a Galp informa, ainda, que notificou formalmente o Estado de Moçambique sobre a existência de um diferendo, ao abrigo de acordos sobre a promoção e proteção recíproca internacional de investimentos. A carta remetida para o efeito abre a possibilidade para um período de discussão entre a Galp e o Estado Moçambicano tendo em vista a resolução do diferendo previamente a um processo de arbitragem internacional destinado a proteger os investimentos realizados pela Galp em Moçambique”.

“A Galp tem demonstrado total disponibilidade para cumprir com todas as obrigações fiscais e para encontrar uma via de entendimento. O recurso a mecanismos legais, nacionais e internacionais, é um passo que a empresa se vê obrigada a dar, mas que sempre procurou evitar, privilegiando um diálogo construtivo com as autoridades moçambicanas com vista ao esclarecimento do assunto”, reforça.

“A empresa entende, contudo, que não pode ser exigido o pagamento de impostos sem fundamento na legislação aplicável”, conclui.

PMI do Standard Bank destaca desaceleração da actividade empresarial em Setembro

A actividade empresarial em Moçambique registou uma ligeira desaceleração em Setembro, marcando o primeiro declínio nas vendas em três meses, segundo o índice PMI de Moçambique, medido pelo Standard Bank Moçambique, destacando queda para 49,4 pontos em Setembro, depois de 49,9 pontos em Agosto.

Este desempenho reflecte uma deterioração da actividade económica face ao mês anterior, enquanto valores acima desse limiar apontam para expansão, sinalizando uma nova contracção nas condições de negócio do sector privado.

Durante o período em análise, o relatório explica que as empresas inquiridas reportaram uma redução das novas encomendas e das vendas, o que limitou o crescimento da produção.

“O mês de Setembro representou mais um período de fraco desempenho para a economia do sector privado”, refere o documento, ressalvando que “várias empresas enfrentaram uma situação de falta de encomendas e dificuldades de tesouraria, enquanto outras registaram ligeiros aumentos na procura, com o sector dos serviços e o comércio por grosso e a retalho a contribuírem mais para a queda das vendas”.

Entretanto, o relatório aponta ainda que apesar desta desaceleração, o emprego continuou a manter-se em alta pelo quarto mês consecutivo e as pressões sobre os custos permaneceram moderadas, apoiadas por um ambiente de fornecimento mais estável.

Comentando os resultados, o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, citado no relatório, afirmou que a economia moçambicana tem vindo a registar contracções anuais do Produto Interno Bruto (PIB) desde o último trimestre de 2024 até ao segundo trimestre de 2025, reflectindo uma recuperação lenta dos efeitos provocados pelas perturbações pós-eleitorais.

“Não ficaríamos surpreendidos se os dados do PIB do terceiro trimestre mostrarem que a economia ainda se encontra em recessão. As nossas projecções indicam, no entanto, que o País deverá sair desse ciclo negativo no quarto trimestre de 2025, apoiado essencialmente por efeitos de base favoráveis”, assinalou.

Italiana Eni vai construir central térmica de 75 megawatts em Temane

A petrolífera italiana Eni vai construir a Central Térmica com capacidade para gerar 75 MegaWatts de energia, no Posto Administrativo de Temane, distrito de Inhassoro, província de Inhambane, anunciou, ontem, em Maputo, o Presidente da República.

“Este empreendimento reforçará a capacidade nacional de geração de energia, contribuindo para a segurança energética e para a dinamização da nossa economia”, considerou o Daniel Chapo.

A infra-estrutura está orçada em cerca de 130 milhões de dólares, e o projecto será implementado pela Electricidade de Moçambique (EDM).

Chapo falava durante a cerimónia de assinatura da Decisão Final do Investimento (DFI) documento que viabiliza a aplicação de cerca de 7,2 mil milhões de dólares na construção da FLNG, por um consórcio liderado pela Eni, desta vez para ser ancorado no Coral Norte, na bacia do Rovuma.

A Eni vai ainda investir no desenvolvimento da cadeia de produção de biocombustíveis, através do fomento da produção agrícola.

“Estamos convictos de que este esforço contribuirá para diversificar a matriz energética de Moçambique, fortalecer a nossa agricultura e criar novas oportunidades económicas para as nossas comunidades locais” referiu.

A Central Térmica de Temane a ser construída pela Eni, vai se juntar a outra na fase de conclusão no mesmo posto administrativo, com uma capacidade de 450 MW, orçado em 650 milhões de dólares, acoplado à refinaria de gás de cozinha. A empresa inglesa Globelec, lidera o projecto, que também tem a participação da petroquímica sul-africana Sasol e da EDM.

BAD aprova 22,8 milhões de dólares para fortalecer produção de arroz | Profile

O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou a aprovação de uma subvenção no valor de 22,8 milhões de dólares para reforçar a cadeia de valor do arroz em Moçambique e melhorar a resiliência climática, beneficiando 30 mil pequenos agricultores em quatro províncias do país.

Este financiamento destina-se ao Projecto da Cadeia de Valor do Arroz e Resiliência Climática (RIVACREP), cuja meta é aumentar a autossuficiência de arroz de Moçambique de 50% para 75% até 2030, enfrentando, assim, desafios críticos de segurança alimentar numa das nações africanas mais vulneráveis nesse aspecto.

Embora o arroz constitua um alimento básico, Moçambique produz apenas metade das 600 mil toneladas que consome anualmente, dependendo das importações para suprir um défice de 300 mil toneladas, uma situação que pressiona as reservas cambiais e agrava a pobreza rural.

Macmillan Anyanwu, representante residente do BAD em Moçambique, afirmou que a subvenção se concentra nas populações mais vulneráveis, destacando que 70% dos beneficiários são mulheres e 30% jovens. “Ao focar em tecnologias climaticamente inteligentes, esta iniciativa terá um impacto duradouro na segurança alimentar e nos meios de subsistência rurais”, sublinhou Anyanwu, enfatizando que o projecto está alinhado com a estratégia nacional de desenvolvimento do país.

O RIVACREP tem como objectivo quadruplicar a produção de arroz, passando de uma tonelada por hectare para quatro, e aumentar o rendimento anual das famílias de cerca de 590 para 1000 dólares. Os resultados iniciais do projecto deverão gerar um acréscimo de 6.000 toneladas de arroz por ano, uma contribuição que, embora represente apenas 2% do défice total do país, estabelece as bases para um aumento futuro da produção e uma menor dependência das importações.

O projecto prevê a reabilitação de 1.000 hectares de infraestruturas de irrigação, principalmente na província de Gaza, além da criação de cinco fábricas de moagem de pequena escala e 10 centros agregadores, através de uma parceria público-privada.

Entre as principais intervenções estão a reabilitação de sistemas de irrigação, o nivelamento do solo, melhorias na drenagem e a construção de instalações de armazenamento resistentes às alterações climáticas. Além disso, será promovida a introdução de variedades de arroz resistentes à seca e às inundações, em colaboração com instituições de investigação internacionais.

Estas acções são esperadas para reduzir as perdas pós-colheita em mais de metade, passando de 26% para 12%. “Ao construir infraestruturas resilientes e integrar atores do setor privado, o RIVACREP permitirá a Moçambique reduzir a dependência das importações, criar valor acrescentado interno e estabelecer as bases para um sector de arroz industrializado e climaticamente inteligente”, concluiu Anyanwu.

Arrancam estudos geotécnicos e geofísicos do projecto Mphanda Nkuwa

Arrancam ainda este mês os estudos geotécnicos e geofísicos no âmbito do desenvolvimento do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, uma das iniciativas consideradas estratégicas para a expansão da matriz energética nacional.

Com duração prevista de três meses, os trabalhos serão conduzidos pelas empresas Geomechanics PTY Ltd e Open Ground Resources, e terão como objectivo aferir as condições geotécnicas e geofísicas das rochas onde será implantada a futura barragem.

Como parte das actividades preparatórias, foram já realizadas cerimónias tradicionais, a pedido das comunidades locais, em respeito pelos usos e costumes da região. Os rituais abrangeram as comunidades de Chirodzi Nsanangue, Chacocoma, Nwana Ngombe, no distrito de Marara, e Luzinga Mussafa, no distrito de Chiuta.

Paralelamente, decorrem os trabalhos de montagem do acampamento e de toda a logística necessária para o arranque dos estudos. Ao mesmo tempo, avança o processo de compensação às famílias cujas machambas se encontram abrangidas pelo projecto, medida que será implementada de forma faseada, acompanhando o progresso das actividades no terreno.

O início dos estudos técnicos representa um passo determinante rumo à concretização de Mphanda Nkuwa, empreendimento que se destaca por assentar em energia limpa, renovável e sustentável, e que se encontra inscrito entre os grandes projectos de impacto económico e social do país.

Emprego e dinamização local

A realização dos estudos vai criar pelo menos 40 oportunidades de emprego para membros das comunidades locais. Esta medida enquadra-se na política de conteúdo local do projecto e tem como objectivo assegurar a participação directa das populações no processo, ao mesmo tempo que contribui para dinamizar a economia nas zonas abrangidas.

Embora a duração esteja fixada em três meses, o prazo dos trabalhos poderá ser estendido por mais um mês, dependendo da evolução das actividades técnicas no terreno.

Eni formaliza investimento de 7,2 mil milhões de dólares no projecto Coral Norte

A petrolífera italiana Eni formalizou, esta quinta-feira, em Maputo, a Decisão Final de Investimento (FID) para o desenvolvimento do projecto Coral Norte, a segunda unidade flutuante de gás natural liquefeito (FLNG) na bacia do Rovuma. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (equivalente a 456 mil milhões de meticais), o empreendimento consolida a posição de Moçambique como um dos protagonistas emergentes do mercado global de gás natural.

Localizado na Área 4 do Rovuma, o Coral Norte será operado pela Eni em nome da Rovuma Mozambique Venture (MRV), consórcio que integra ainda a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC). O plano prevê a instalação de uma infra-estrutura flutuante com capacidade de produção de 3,55 milhões de toneladas anuais de GNL, seis poços de exploração e arranque operacional projectado para 2028. A unidade terá igualmente capacidade para produzir 4.300 barris diários de condensado, tornando Moçambique o 14.º maior exportador mundial de GNL e o 4.º em África, com ambição de ascender ao 3.º lugar, atrás apenas da Nigéria e da Argélia.

De acordo com Estêvão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), o projecto assegurará ao Estado moçambicano receitas estimadas em 23 mil milhões de dólares (cerca de 1,4 biliões de meticais) ao longo de três décadas, provenientes de impostos e outras contribuições. Ademais, 25 por cento do gás extraído será destinado ao mercado interno, enquanto a totalidade do condensado será utilizada para geração de energia, sob gestão da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), criando novas oportunidades de industrialização e contribuindo para a redução da dependência energética externa.

Falando à margem do DFI, o Presidente da República, Daniel Chapo, destacou a criação de 1.400 empregos directos para moçambicanos, a serem garantidos por um plano de sucessão orientado para o reforço da qualificação e da disponibilidade de mão-de-obra nacional no sector de petróleo e gás. Por outro lado, está prevista a atribuição de contratos no valor de 3 mil milhões de dólares (190 mil milhões de meticais) a empresas moçambicanas, reforçando o impacto do conteúdo local e multiplicando por quase quatro os 800 milhões alcançados no Coral Sul.

O plano de desenvolvimento do Coral Norte havia sido aprovado em Abril deste ano, sendo apontado pelo Executivo como de impacto estratégico para a economia nacional. A iniciativa representa a segunda fase de exploração do campo Coral, na sequência do sucesso do Coral Sul, que entrou em produção em 2022 e posicionou Moçambique no mapa energético mundial.

Durante a sua intervenção, o CEO da Eni, Cláudio Descalzi, sublinhou que o Coral Norte vai “projectar Moçambique no panorama global do gás natural”, reforçando o peso do país entre os grandes exportadores mundiais. O gestor destacou ainda que o Coral Norte “duplicará os benefícios já trazidos pelo Coral Sul”, elevando as receitas conjuntas dos dois projectos de 16 para 23 mil milhões de dólares e expandindo significativamente o investimento em conteúdo local.

Estudos divulgados em 2024 pela consultora Deloitte indicam que as reservas de gás natural liquefeito de Moçambique, com projectos liderados pela Eni, TotalEnergies e ExxonMobil, têm potencial para gerar cerca de 100 mil milhões de dólares em receitas no longo prazo.

Neste contexto, o Coral Norte surge não apenas como um investimento de vulto, mas também como um marco que reforça a confiança internacional no sector energético moçambicano, tornando-se peça central da estratégia nacional de transformação económica e de desenvolvimento sustentável.

Ajuste salarial evidencia disparidades estruturais e consolida dinamismo do sector financeiro | Profile

Moçambique entrou numa nova fase de ajustamento salarial, com a entrada em vigor, a 29 de Setembro, dos novos salários mínimos nacionais, que passam a variar entre 4.991,09 e 19.943,61 meticais. A actualização, publicada no Boletim da República, revela um quadro de forte diferenciação entre sectores, evidenciando tanto o dinamismo de algumas áreas de actividade como as fragilidades estruturais de outras.

O maior reajuste foi registado no sector financeiro, concretamente nos bancos e seguradoras, onde os salários mínimos aumentaram 1.162,29 meticais, fixando-se em 19.943,61 meticais, o mais elevado da tabela. Também no segmento das microfinanças e microseguradoras, verificou-se um incremento expressivo de 1.023,18 meticais, levando o valor de referência para 16.764,47 meticais. Estes números confirmam o sector financeiro como motor de resiliência e de atracção de talento no mercado laboral moçambicano, acompanhando a tendência de crescimento e digitalização que se verifica na indústria.

Por contraste, o menor aumento foi observado no sector das pescas, especificamente na pesca de kapenta, onde a actualização salarial ficou-se por apenas 49,41 meticais, fixando o mínimo em 4.991,09 meticais. Também outras áreas tradicionalmente ligadas à economia rural, como a agricultura, pecuária, caça e silvicultura, viram os seus salários mínimos fixar-se em 6.688 meticais, depois de um acréscimo de 350 meticais. Esta discrepância sublinha as desigualdades na produtividade e na capacidade de geração de valor entre sectores modernos, ligados ao capital financeiro e industrial, e os sectores primários, ainda marcados por baixa mecanização e informalidade.

No campo da indústria extractiva, as grandes empresas de mineração passam a praticar salários mínimos de 15.176,66 meticais, após uma subida de 992,86 meticais. Já as pedreiras e areeiros, com peso de médias empresas, ficaram em 8.008 meticais, e as salinas, enquadradas em micro e pequenas empresas, situaram-se em 6.538,44 meticais. O quadro mostra a heterogeneidade do sector mineiro, que concentra grandes investimentos internacionais, mas também unidades de menor escala e frágil sustentabilidade económica.

Na produção e distribuição de electricidade, gás e água, os salários variam agora entre 12.275 meticais, para grandes empresas, e 9.960 meticais, para pequenas e médias, revelando a diferença de capacidade financeira e organizacional entre categorias empresariais. Ao passo que, a indústria transformadora apresenta salários mínimos médios em torno de 10.147 meticais, com algumas especializações, como panificação e caju, a situarem-se entre 6.500 e 7.200 meticais.

Este reajuste salarial não só actualiza os rendimentos dos trabalhadores como lança desafios adicionais para as empresas, sobretudo em sectores de margens reduzidas. O incremento da folha salarial, sem correspondente crescimento da produtividade, pode pressionar a competitividade de segmentos mais frágeis. Por outro lado, a elevação dos mínimos no sector financeiro e mineiro reforça a atractividade destes mercados para mão-de-obra qualificada, mas pode aprofundar disparidades regionais e sectoriais.

Num momento em que a economia moçambicana enfrenta o desafio da diversificação e da inclusão, os novos salários mínimos traduzem um esforço de equilíbrio entre justiça social e viabilidade empresarial. O quadro salarial agora estabelecido deverá ser acompanhado de políticas complementares de fomento à produtividade, educação financeira e apoio às pequenas e médias empresas, de forma a garantir que o reajuste se traduza em ganhos reais de bem-estar e competitividade.

Texto: Simão Djedje