Thursday, September 3, 2026
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Fundos de Garantia Mutuária abrem caminho ao crédito para as PME moçambicanas

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Com o apoio do Banco Mundial e a participação activa do sistema bancário, Moçambique desenvolve um mecanismo de partilha de risco que pode transformar o acesso ao financiamento de pelo menos 15.000 micro, pequenas e médias empresas e acelerar a diversificação económica para além dos megaprojectos de gás.

As pequenas e médias empresas (PME) são, em qualquer economia, o motor silencioso do emprego, da inovação e da diversificação produtiva. Em Moçambique, esse papel está amplamente reconhecido tanto nos documentos estratégicos do Governo como nos relatórios dos parceiros de desenvolvimento, mas a sua tradução prática esbarra sistematicamente numa barreira de difícil resolução: o acesso ao crédito formal. É para atacar directamente esta barreira que o país está a desenvolver um Fundo de Garantia Mútua, com financiamento multimilionário que inclui apoio do Banco Mundial, num mecanismo que especialistas de inclusão financeira consideram um dos mais promissores instrumentos de democratização do crédito disponíveis para economias em desenvolvimento.

O Problema que Persiste

Os dados do Banco de Moçambique e os relatórios anuais do sector bancário descrevem, com consistência perturbadora, o mesmo quadro: as PME representam a esmagadora maioria do tecido empresarial formal do país, mas recebem uma fatia desproporcionalmente pequena do crédito bancário total. As razões são estruturais e mutuamente reforçantes.

Do lado das empresas, a ausência de colateral tangível imóveis titulados, equipamento com valor de mercado estabelecido, activos financeiros é o obstáculo mais imediato. A ele somam-se a falta de histórico de crédito documentado, a informalidade parcial ou total da contabilidade, e a incapacidade de apresentar projecções financeiras que satisfaçam os critérios mínimos de análise dos departamentos de risco dos bancos.

Do lado das instituições financeiras, a percepção de risco elevado traduz-se em prémios de risco que tornam o crédito proibitivamente caro para a maioria das PME, em prazos de reembolso curtos que são incompatíveis com os ciclos de investimento do sector agrícola, do turismo ou da transformação industrial, e numa preferência racional pelo financiamento a grandes empresas e ao Estado, que oferecem menor complexidade operacional e garantias mais robustas.

O resultado é um fosso de financiamento que penaliza não apenas as empresas excluídas, mas a economia no seu conjunto: PME que não investem não criam emprego, não aumentam a produtividade e não constroem a base tributária que Moçambique precisa de desenvolver para reduzir a sua dependência da ajuda externa e das receitas dos hidrocarbonetos.

Como Funciona o Mecanismo de Garantia Mutuária

A lógica dos fundos de garantia mútua é elegante na sua simplicidade. Quando um banco concede um crédito a uma PME elegível, o fundo garantidor compromete-se a cobrir uma percentagem definida das perdas potenciais em caso de incumprimento por parte do mutuário. Esta partilha de risco entre o banco e o garantidor altera fundamentalmente o cálculo de viabilidade da operação: o banco mantém os seus padrões prudenciais mas expõe-se apenas a uma fracção do risco total, o que lhe permite aceitar candidatos que, de outro modo, seriam automaticamente rejeitados.

Na prática, os esquemas mais eficientes não funcionam empréstimo a empréstimo, mas ao nível de carteira: o fundo garante um portefólio de crédito a PME, o que permite ao banco gerir o risco de forma agregada e calibrar a sua política de preços em função do desempenho histórico da carteira. Esta abordagem reduz a burocracia por operação, acelera o processamento e permite que os benefícios da garantia se reflictam em condições de crédito mais favoráveis para os mutuários finais taxas de juro mais baixas, prazos mais longos e exigências de colateral reduzidas.

O modelo que Moçambique está a desenvolver incorpora estas melhores práticas internacionais, com regras de elegibilidade transparentes e mecanismos de monitorização que minimizam os dois principais riscos inerentes a qualquer esquema de garantia: o risco moral a tendência para bancos e empresas assumirem riscos excessivos quando sabem que as perdas serão parcialmente socializadas e a subscrição indisciplinada, que pode transformar um instrumento de inclusão financeira num veículo de concessão de crédito a projectos inviáveis.

15.000 Empresas no Horizonte

O objectivo declarado do Fundo de Garantia Mútua moçambicano é reduzir as barreiras ao crédito para pelo menos 15.000 micro, pequenas e médias empresas (MPME), em sectores que incluem a agricultura e agro-indústria, o turismo, os serviços e a indústria transformadora ligeira precisamente as actividades com maior potencial de criação de emprego inclusivo e de encadeamento com os sectores primários de exportação.

A experiência internacional sustenta este optimismo com cautela. Em vários países da África Subsariana onde esquemas de garantia parcial de crédito foram implementados com governação sólida e participação bancária activa, os estudos das redes de inclusão financeira e dos parceiros de desenvolvimento documentam dois efeitos sistémicos de relevo: um aumento mensurável do volume de crédito às PME sem deterioração significativa da qualidade dos activos bancários, e um estímulo à concorrência no sector bancário, com os bancos a desenvolverem produtos e metodologias de avaliação de risco especificamente desenhados para empresas de menor dimensão.

Este segundo efeito é, a prazo, o mais transformador: quando os bancos aprendem a avaliar e a servir as PME com eficiência, essa capacidade permanece mesmo depois de o suporte da garantia ser retirado ou reduzido. O fundo de garantia funciona, neste sentido, como um catalisador de mercado e não como uma subvenção permanente.

O Papel do Sistema Bancário

A eficácia de qualquer mecanismo de garantia mútua depende, em última análise, da qualidade da participação das instituições financeiras. Os bancos não são apenas balcões de distribuição de crédito garantido são parceiros activos na triagem, no acompanhamento e na recuperação dos créditos, e a sua capacidade de integrar as garantias nos seus sistemas de avaliação, precificação e monitorização determina, em grande medida, o impacto real do esquema.

Neste contexto, os bancos com modelos de risco mais sofisticados e ferramentas de subscrição digital têm um papel multiplicador especialmente relevante. A capacidade de reduzir o tempo de processamento das candidaturas, de melhorar a avaliação de risco para clientes de menor dimensão e de alinhar a utilização das garantias com o apetite de risco institucional são factores que determinam a escala e a sustentabilidade da participação bancária no esquema.

Igualmente importante é a dimensão de capacitação empresarial que os bancos mais comprometidos com este segmento têm vindo a desenvolver: programas de formação financeira e de gestão de crédito dirigidos às PME mutuárias, que ajudam as empresas a melhorar o seu planeamento de tesouraria, a cumprir os requisitos de reporte e a construir um histórico de crédito que, por sua vez, aumenta a sua bancabilidade futura. É um investimento de médio prazo no desenvolvimento do mercado que complementa a função imediata da garantia.

Diversificação Económica: a Aposta de Longo Prazo

A criação do Fundo de Garantia Mútua insere-se num momento estratégico de singular importância para a economia moçambicana. Nos próximos cinco a dez anos, o país estará dominado pelo ciclo de construção e de entrada em produção dos megaprojectos de gás natural o Mozambique LNG da TotalEnergies, o Rovuma LNG da ExxonMobil e o Coral Norte da Eni, projectos que gerarão receitas fiscais substanciais mas emprego directo limitado, concentrado geograficamente e com encadeamentos internos modestos face à dimensão do investimento.

Para que o gás seja uma alavanca de transformação estrutural da economia e não apenas uma fonte de rendas que passam pelo orçamento do Estado sem criar capacidade produtiva endógena Moçambique precisa de um tecido empresarial de PME robusto, dinâmico e financiado. Empresas agrícolas que processam localmente as colheitas em vez de as exportar em bruto. Prestadores de serviços de logística, manutenção e catering que retêm no país uma fatia maior da despesa operacional dos megaprojectos. Operadores turísticos que capitalizam a reabilitação da segurança em Cabo Delgado para desenvolver uma oferta de eco e etnoturismo no norte do país.

Nenhum destes vectores de diversificação é possível sem acesso a financiamento de médio e longo prazo em condições compatíveis com os ciclos e as margens dos respectivos sectores. O Fundo de Garantia Mútua não resolve, por si só, todos os constrangimentos ao desenvolvimento do sector privado moçambicano a infraestrutura, a segurança jurídica, a logística e o capital humano são igualmente determinantes. Mas resolve, de forma directa e mensurável, um dos mais persistentes: a incapacidade do sistema bancário de transformar o potencial das PME moçambicanas em crédito produtivo.

A coordenação entre o Estado, os parceiros de desenvolvimento e as instituições financeiras que este mecanismo exige é, em si mesma, um exercício de governação económica com valor próprio. Se bem executado, o fundo pode ser o ponto de partida de um ecossistema de finanças inclusivas que Moçambique precisará de ter construído quando, dentro de uma geração, as reservas de gás começarem a declinar.

Fontes: Banco Mundial, Banco de Moçambique, IPEME, ACIS, Rede Africana de Microfinanças (AFMIN), Financial Sector Deepening Moçambique (FSDMoç)

Coca Cola Moçambique passa a ter novo accionista maioritário após a decisão da Autoridade Reguladora

A Coca-Cola HBC AG, juntamente com a sua subsidiária Coca-Cola HBC Holdings B.V., passa a ser o accionista maioritário da Coca-Cola Sabco Mozambique, SA, anunciou hoje a Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC).

“A Coca-Cola HBC AG, juntamente com a sua subsidiária Coca-Cola HBC Holdings B.V., passa a deter o controlo da Coca-Cola Beverages Africa Proprietary Limited, por meio da aquisição de 75% do seu capital social” uma operação com impacto automático na estrutura accionista da Coca Cola Mozambique-, indica a ARC, em comunicado, citado pelo Jornal Savana.

“A Coca-Cola Sabco Mozambique, SA, que detém fábricas de engarrafamento de bebidas não alcoólicas prontas a beber  nas províncias de Maputo,  Manica e Nampula, passou a ter novo accionista maioritário, como resultado da operação de  concentração notificada a esta Autoridade, a 5 de Dezembro de 2025”, pode ler-se na nota.

A ARC adoptou a Decisão de Não Oposição à realização da transacção, uma vez que as adquirentes  não exercem actividade no território nacional, nem detêm participações em sociedades moçambicanas, não resultando, por isso, em sobreposição de natureza horizontal, susceptível de  provocar aumento de preços, redução da oferta ou limitação das opções disponíveis no mercado, em prejuízo da concorrência e dos consumidores, salienta o regulador.

“De acordo com a avaliação da ARC, a operação em causa é de natureza horizontal e consubstancia uma Aquisição de Controlo Exclusivo, nos termos previstos na Secção II do Regulamento de  Formulários de Notificação de Operações de Concentração de Empresas [RFNOCE]”.

Montepuez Ruby Mining abre 159 vagas de emprego em Cabo Delgado

A Montepuez Ruby Mining, Lda. (MRM), empresa constituída segundo as leis moçambicanas, titular da concessão mineira n.º 4703C e com NUIT n.º 400323811, sediada na Avenida Eduardo Mondlane n.º 178, cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, anuncia a abertura de 159 vagas de emprego em diversas categorias profissionais.

As oportunidades destinam-se a candidatos com perfil técnico e operacional, sendo que residir na província de Cabo Delgado constitui vantagem no processo de selecção.

Os candidatos às vagas de operadores devem estar cientes de que o processo de recrutamento inclui testes práticos, o que implicará deslocações às instalações da empresa. Para o efeito, é obrigatória a apresentação de carta de condução válida e dos certificados que qualifiquem o candidato para operar as máquinas às quais se candidata. A MRM esclarece que não cobrirá quaisquer despesas com acomodação ou alimentação incorridas durante o período de testes.

A empresa sublinha, de forma expressa, que não cobra quaisquer valores aos candidatos em nenhuma fase do processo de recrutamento, distanciando-se veementemente de qualquer prática nesse sentido. Candidatos que sejam abordados com exigências de pagamento devem reportar a situação de imediato.

As candidaturas devem ser submetidas por correio electrónico para mrm.recruit@gemfields.com ou entregues pessoalmente nos escritórios da Montepuez Ruby Mining em Pemba ou Namanhumbir.

Bilhetes para o Festival LUJU 2026 já à venda!

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Garanta o seu passe para um dos principais eventos de gastronomia e moda da África Austral! Os bilhetes para a 8ª edição do Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival já estão disponíveis para compra online e através do Unayo do Standard Bank.

As vendas de bilhetes foram lançadas com um número limitado de bilhetes Early Bird com desconto, que podem ser adquiridos online e no Unayo. Estes bilhetes esgotam todos os anos num curto espaço de tempo, por isso adquira já o seu enquanto houver disponibilidade!

Os bilhetes Premium Lounge, Luju Gardens e Criança estão disponíveis em www.lujufestival.com.

Num novo e empolgante capítulo inspirado pelo crescimento e influência extraordinários do festival, este ano o luxuoso banquete de experiências culinárias, moda de alto nível, música afrocentrada e entretenimento saudável para toda a família irá, pela primeira vez, decorrer durante dois dias completos de fim-de-semana. Faça parte deste desenvolvimento emocionante na sexta-feira, 1 de Agosto, e sábado, 2 de Agosto de 2026, no House On Fire, em Malkerns, Eswatini.

Impulsionado pelo crescente interesse regional e aumento de participantes, o formato expandido posiciona firmemente o Festival Luju como um destino principal de fim-de-semana e uma força dinâmica para o turismo cultural em todo o continente. Em 2026, espera-se que o Luju receba mais de 12.000 participantes. Assim, esta nova experiência de dois dias oferece uma celebração ainda mais rica e imersiva para públicos que viajam de toda a África.

Tipo de ingressoAntecipado ( early bird).1ª fase fase3ª fase
Lounge PremiumE1500E1980E2380E2780
Luju GardensE550E680E780E880
CriançasE160E180E250E280

Bilhetes para residentes de Eswatini no Unayo

O House On Fire e o Standard Bank Eswatini demonstram, mais uma vez, o seu compromisso conjunto de garantir que o festival permaneça acessível aos EmaSwati, tornando mais fácil e conveniente para os residentes locais adquirirem bilhetes.

Os bilhetes Premium Lounge, Luju Gardens e Criança estão disponíveis para residentes de Eswatini através do Serviço de Bilhética Unayo no WhatsApp. Para comprar via Unayo, basta enviar “Hi” por WhatsApp para 7805 6364 (“Luju Tickets with Unayo”), seleccionar ‘Unayo Ticketing’ e seguir as instruções para uma experiência de reserva simples.

O Que esperar do Luju 2026

O Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival deste ano oferecerá mais uma vez uma mostra completa de sons africanos, culturas, design criativo e iguarias. Desde demonstrações culinárias por chefs celebridades, a degustações premium de vinho e whisky conduzidas por conhecedores, e um desfile regional de moda de classe mundial, o Luju é uma homenagem de celebração à elegância artística e estilo africano, do passado ao presente e rumo ao futuro.

No verdadeiro estilo do Standard Bank LUJU Festival, a programação deste ano contará com uma mistura equilibrada de artistas pan-africanos de diferentes géneros, que fazem mais do que simplesmente entreter, utilizando a sua arte como uma poderosa forma de expressão criativa.

O programa cuidadosamente seleccionado do Luju é inspirado pelo lema do festival: “Um Regresso ao Futuro Africano”. Esta declaração ousada da história em evolução de África é um convite para reivindicar o nosso património, reimaginar a nossa identidade africana e reconectar-nos com as tradições que sustentaram os nossos antepassados, enquanto construímos um futuro impulsionado pela inovação africana. Portanto, venha comer, balançar, amar e desfrutar da beleza da capacidade criativa do nosso continente em toda a sua ousadia afro-futurista.

Todos os anos, o Luju utiliza conscientemente a plataforma do festival para desenvolver e promover a economia criativa, a sustentabilidade e o crescimento das pequenas empresas, em alinhamento com este lema.

Tanto o House On Fire como o patrocinador principal Standard Bank Eswatini estão comprometidos com o desenvolvimento da economia local e da indústria das artes. A edição deste ano voltará a proporcionar a artistas locais, designers, artesãos e PME’s a oportunidade de expor os seus talentos e produtos ao público regional do festival.

Os formulários de candidatura para comerciantes aspirantes nos sectores de gastronomia, moda, design e lifestyle, bem como para o espaço infantil Beehive, abrirão em Março de 2026. Fique atento aos anúncios oficiais no website do Standard Bank Luju Food & Lifestyle Festival: www.lujufestival.com.

Mais detalhes sobre acomodação e pacotes de viagem serão divulgados oportunamente, por isso acompanhe o Luju Buzz nas redes sociais do Luju Festival e House On Fire, bem como no website oficial do festival.

Conheça algumas oportunidades de negócios em diversos sectores

O mercado moçambicano oferece, um conjunto expressivo de oportunidades de negócio em sectores estratégicos da economia nacional, desde a saúde e energia até aos transportes, tecnologia e segurança.

Na área da saúde, o Hospital Central de Maputo, através da organização JHPIEGO Mozambique, lança concurso para a aquisição de equipamento médico e consumíveis destinados ao Banco de Leite Humano, com prazo de candidatura até 10 de Março. A iniciativa insere-se no esforço de reforço das capacidades clínicas das unidades sanitárias de referência do país.

O sector energético não fica atrás. A Electricidade de Moçambique abre concurso para o fornecimento, instalação e comissionamento de sistemas SCADA/SEM, telecomunicações e obras de adaptação de subscrições para o novo Centro Nacional de Controlo e novos Centros Regionais de Controlo, com prazo até 30 de Março. A oportunidade é de grande envergadura técnica e financeira, dirigida a empresas especializadas em automação e infra-estrutura eléctrica. No mesmo sector, a TotalEnergies procura prestadores de serviços marítimos para a Área 1 e Área 4 da Bacia do Rovuma, com candidaturas abertas até 4 de Abril, através do endereço electrónico tepma1.contractsmoz@totalenergies.com.

No domínio dos transportes, o Fundo de Desenvolvimento dos Transportes e Comunicações (FTC) lança dois concursos em simultâneo: a aquisição de autocarros para o transporte público de passageiros e o fornecimento de veículos para o transporte de pessoas e bens em zonas de difícil acesso, ambos com prazo até 8 de Abril. As propostas devem ser submetidas na Avenida Eduardo Mondlane n.º 123, em Maputo.

A agricultura surge igualmente entre as áreas com oportunidades activas. O Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural (FAR,FP) abre concurso para a aquisição de kits de medição de fertilizantes do solo e do rendimento, com prazo até 6 de Abril. A iniciativa visa apoiar os esforços de modernização das práticas agrícolas e de aumento da produtividade no sector primário.

O Conselho Municipal de Maputo concentra, por sua vez, três concursos abertos em simultâneo: a contratação de serviços de gestão de spots publicitários, a contratação de serviços de dados de internet e a contratação de serviços de APN. Os prazos de candidatura decorrem entre 26 de Fevereiro e meados de Março, e os interessados devem contactar a autarquia pela Avenida Ho-Chi-Min ou pelo endereço electrónico promaputo.aquisicoes@gmail.com.

Na área da segurança, a empresa REVIMO, S.A. disponibiliza duas oportunidades distintas: prestação de serviços de segurança nas portagens da Costa do Sol e Zintava, e nas portagens da Katembe, Mudissa e Mahubo, com prazo até 12 de Março para a segunda. As propostas devem ser dirigidas à sede da empresa, na Avenida das Estâncias n.º 195, Cidade de Maputo.

A Imprensa Nacional de Moçambique abre, por seu turno, dois concursos com prazo até 6 de Março: o fornecimento de licenças Microsoft Office 365 Family e a prestação de serviços de manutenção e reparação de máquinas fotocopiadoras Konica Minolta Bizhub. Estas oportunidades são dirigidas a fornecedores de tecnologia e de serviços técnicos especializados.

Por fim, a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento lança concurso para a aquisição e fornecimento de material de sinalização vertical, com prazo até 9 de Março, na Avenida Albert Lithuli n.º 59/67, em Maputo. A diversidade sectorial das oportunidades disponíveis reflecte a dinâmica do mercado de contratação pública moçambicano e constitui um sinal positivo para as empresas nacionais e estrangeiras que operam ou pretendem investir no país. Os interessados são aconselhados a consultar os editais completos junto das entidades promotoras, respeitando escrupulosamente os prazos e requisitos técnicos estabelecidos em cada concurso.

Data Center da Vodacom é a aposta do Millennium bim para reforço de Sistema de Recuperação de Emergência e Resiliência Financeira

O Banco Internacional de Moçambique (BIM) passou a hospedar o seu site de Disaster Recovery (DR) – mecanismo tecnológico de recuperação de operações em caso de falha grave ou interrupção inesperada – no Data Center da Vodacom Mozambique. Esta decisão reforça a capacidade de resposta do Banco perante a eventual ocorrência de emergências, tais como falhas técnicas, incidentes de segurança informática ou desastres naturais, e contribui para a robustez da infra-estrutura digital que suporta o sistema financeiro nacional.

O Disaster Recovery, frequentemente designado pela sigla DR, corresponde a um conjunto de soluções tecnológicas que permitem restaurar sistemas, dados e operações críticas, sempre que ocorre uma interrupção significativa. Na prática, trata-se de uma réplica segura dos sistemas principais do Banco, preparada para entrar em funcionamento quase de imediato, caso o sistema principal fique indisponível.

Num contexto de crescente digitalização dos serviços bancários, a continuidade operacional tornou-se um pilar importante da estabilidade financeira. A implementação de soluções de Disaster Recovery em território nacional, permite garantir elevados padrões de segurança, redundância e capacidade de resposta a incidentes imprevistos, enquanto garante a protecção dos dados, das operações e da confiança dos clientes.

O Data Center da Vodacom oferece infra-estrutura resiliente, com elevados níveis de segurança física e tecnológica, sistemas de energia redundantes e monitorização permanente. Estes elementos proporcionam um ambiente adequado para operações críticas como as do sector financeiro.

“A resiliência tecnológica é parte integrante da gestão prudente do risco bancário. Ao reforçar a nossa infra-estrutura de Disaster Recovery, estamos a fortalecer a capacidade de continuidade dos nossos serviços e a proteger os interesses dos nossos clientes”, considera o Eng. Sérgio Magalhães, Administrador Executivo do Millennium bim, com o pelouro Tecnologia e Operações.

“Temos vindo a consolidar o nosso posicionamento como uma empresa de tecnologia, com experiência global. E com essa capacidade que disponibilizamos, no território nacional, as melhores soluções tecnológicas às empresas moçambicanas, entre as quais o BIM. Esta colaboração demonstra como as parcerias estratégicas podem reforçar a resiliência do ecossistema financeiro”, afirmou José Correia Mendes, Director Executivo Vodacom Business.

Esta parceria evidencia o papel crescente da infra-estrutura digital como componente crítica do desenvolvimento económico, permite reforçar a confiança no sistema financeiro e contribui para a consolidação de uma base tecnológica robusta ao serviço do país.

ExxonMobil Rejeita ingerência da ENH nos contratos de obras preliminares do Rovuma LNG

A petrolífera norte-americana recusa qualquer papel operativo da empresa pública moçambicana na adjudicação dos work contractors dos 12 trens de liquefacção. Assinatura do contrato prevista para Março.

A ExxonMobil, operadora do projecto Rovuma LNG na península de Afungi, no extremo norte da província de Cabo Delgado, opõe-se formalmente a qualquer tentativa da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de influenciar ou intervir no processo de adjudicação dos contratos de obras preliminares (early works) para os 12 trens de liquefacção do projecto, avança a publicação especializada Africa Intelligence na sua edição desta segunda-feira.

Segundo a mesma fonte, a assinatura do acordo entre a ExxonMobil e o consorcio vencedor do concurso relativo aos trabalhos preparatórios das infra-estruturas de liquefacção com capacidade projectada de 18 milhões de toneladas por ano (mtpa) esta prevista para o mês de Marco de 2026, numa fase que antecede a Decisão Final de Investimento (DFI), esperada para a primeira metade do mesmo ano.

Tensão silenciosa no seio do consórcio

A fricção entre a ExxonMobil e a ENH, que detém uma participação de 10 por cento no Bloco 4 da Bacia do Rovuma, ao lado da Mozambique Rovuma Venture consórcio composto pela própria ExxonMobil (40%), pela italiana Eni (40%) e pela chinesa CNPC (20%) reflecte uma tensão latente no que respeita ao papel operativo e comercial que o Estado moçambicano, através da sua empresa publica, pretende exercer no maior projecto de gás natural do pais.

A ENH, empresa pública fundada em 1981, representa o Estado moçambicano nas operações petrolíferas e detém participações no Bloco 4, no Bloco 1 (Mozambique LNG, operado pela TotalEnergies, onde tem 15%), e no projecto Coral Sul FLNG, em produção desde 2022. A empresa concluiu recentemente, em Dezembro de 2025, a aquisição dos 70 por cento da participação da sul-coreana Kogas Moçambique na ENH-Kogas, alargando progressivamente a sua presença no sector.

O diferendo em torno dos early works do Rovuma LNG, trabalhos técnicos e de infraestrutura realizados antes da DFI formal, destinados a manter o cronograma de primeira produção em 2030, sublinha uma questão mais vasta: a fronteira entre o exercício legítimo dos direitos de parceiro minoritário por parte da ENH e o que a ExxonMobil considera ingerência indevida na esfera decisória do operador.

Um projecto de 30 mil milhões de dólares em fase decisiva

O Rovuma LNG, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares (USD), encontra-se numa fase de aceleração técnica e contratual sem precedentes desde o levantamento da forca maior, declarada em Abril de 2021 na sequencia do ataque jihadista a Palma e agora suspensa em Novembro de 2025. A ExxonMobil, liderada pelo seu presidente e CEO Darren Woods, confirmou no final de 2025 a intenção de levantar a forca maior e avançar para a DFI, com o primeiro carregamento de GNL alinhado para 2030.

A empresa redesenhou o projecto em 2023, substituindo os dois grandes trens de liquefacção originalmente previstos por 12 trens modulares de 1,5 mtpa cada, elevando a capacidade total para 18 mtpa, a maior instalação de GNL em África actualmente em preparação. O contrato EPC para as instalações onshore foi adjudicado ao consorcio JGC, Fluor e TechnipFMC em Outubro de 2024.

Em paralelo, Frank Kretschmer, director-geral da unidade moçambicana da ExxonMobil, confirmou em Novembro de 2024 que a empresa pretendia iniciar trabalhos preliminares no sitio de Afungi ainda no decurso de 2025, para manter o cronograma de primeira produção em 2030. Pipeline and Gas Journal

O Papel da ENH: Parceiro ou Árbitro?

A questão de fundo que este diferendo ilumina vai além do episodio concreto dos early works. Com o arranque iminente do maior investimento privado da historia de Moçambique, a ENH que em 2025 registou um resultado liquido de 1,7 mil milhões de meticais (cerca de 26,7 milhões de USD), metade do ano anterior enfrenta o desafio estrutural de todos os parceiros minoritários em projectos LNG: como exercer influencia substantiva quando a operação e o processo de contratação estão concentrados no operador maioritário.

A ENH detém uma participação de 10 por cento no Rovuma LNG (Área 4), bem como 15 por cento no Mozambique LNG (Área 1, TotalEnergies) e participação no Coral Sul FLNG, o primeiro projecto de GNL offshore de Moçambique, em produção desde 2022.

Do ponto de vista jurídico, o contrato de concessão e exploração do Bloco 4 confere a operadora a Mozambique Rovuma Venture, sob liderança técnica e comercial da ExxonMobil para as instalações onshore, o direito exclusivo de gerir os processos de contratação e de tomar as decisões técnicas necessárias a execução do projecto, ouvidos os parceiros mas sem necessitar do seu veto individual para avançar. A ENH, como parceiro de 10 por cento, tem direitos de informação e de alinhamento, mas não de co-decisão operativa.

A Pressão do Calendário

O diferendo surge num momento em que todos os actores envolvidos no projecto ExxonMobil, os seus parceiros, o Governo de Moçambique e os financiadores internacionais são movidos pelo imperativo de não perder o alinhamento com a janela estratégica de 2026-2030. O Presidente Daniel Chapo deslocou-se aos Estados Unidos e reuniu-se com a ExxonMobil na sua sede em Spring, Texas, tendo anunciado a assinatura de dois memorandos de entendimento para avaliar projectos de gás domestico e criar um centro de formação para trabalhadores moçambicanos.

A TotalEnergies, por seu lado, levantou a sua própria forca maior em Outubro de 2025, mas condicionou o reinicio efectivo das obras de construção do Mozambique LNG projecto vizinho que partilha infraestruturas com o Rovuma LNG a um acordo com o Governo sobre o aumento de custos de 4,5 mil milhões de USD e a extensão do período de desenvolvimento e produção em 10 anos. A interdependência dos dois projectos, que partilham infraestruturas criticas na península de Afungi, torna qualquer atraso num potencial bloqueio para ambos.

O que está em jogo para Moçambique

O desfecho desta tensão entre a ExxonMobil e a ENH tem implicações que transcendem a gestão interna de um consorcio petrolífero. Para o Estado moçambicano, a capacidade da ENH de exercer uma influencia real e não apenas nominal nos processos de contratação dos grandes projectos LNG e uma questão de soberania económica e de conteúdo local. Para a ExxonMobil, a eficiência e a integridade do processo de adjudicação, sem interferências externas ao consorcio operativo, são condições de credibilidade perante os financiadores internacionais e perante os seus próprios accionistas.

O contrato de early works, cuja assinatura esta prevista para Março, será um teste a esta equação. A forma como a ExxonMobil e a ENH e por extensão o Governo de Moçambique gerirem as suas diferenças determinara em boa parte o clima relacional em que o projecto entrara na sua fase de maior intensidade: a construção de um complexo industrial de classe mundial nas margens do Oceano Indico, numa regiao que ha cinco anos foi cenário de um dos ataques terroristas mais violentos da historia recente de África.

Fontes: Africa Intelligence (23/02/2026), SPE Journal of Petroleum Technology, Reuters, FurtherAfrica, Global Energy Monitor, ENH.




Vodacom Moçambique e Bayobab Zâmbia lançam interligação Estratégica de fibra óptica entre os dois países

A Vodacom Moçambique e a Bayobab Zâmbia anunciaram hoje o lançamento estratégico de uma interligação de fibra óptica na fronteira Zâmbia–Moçambique, assinalando um marco importante na jornada de transformação digital africana. O evento contou com a presença de altos representantes governamentais e intervenientes-chave do sector de ambos os países.

A parceria melhora a conectividade transfronteiriça e estabelece uma rota de fibra óptica fundamental que liga as redes do interior aos sistemas de cabos submarinos nas costas oriental e ocidental de África. A interligação permitirá a conectividade internacional directa com o sistema de cabo submarino 2Africa, reforçará a resiliência da rede e acelerar a inclusão digital em toda a África Austral.

“Esta parceria consolida a espinha dorsal digital de Moçambique e alarga a capacidade necessária para responder à crescente procura de conectividade fiável. Ao reforçar a resiliência transfronteiriça, estamos a acelerar o acesso a serviços digitais de elevada qualidade que impulsionam o crescimento económico e apoiam a ambição do Governo de garantir a Internet para Todos até 2030”, afirmou Simon Karikari, Director-Geral da Vodacom Moçambique.

O projecto reforça a integração regional através da melhoria da conectividade transfronteiriça entre a Zâmbia e Moçambique, apoiando uma maior colaboração comercial e económica. Além disso, a iniciativa promove a inclusão digital através da expansão do acesso de banda larga às comunidades mais carenciadas e remotas.

“Esta interligação é uma mudança de paradigma para a Zâmbia e para a região. Ao criar uma ligação directa com o sistema de cabo 2Africa, estamos a posicionar a Zâmbia como um hub regional de conectividade e a permitir que as empresas e as comunidades prosperem na economia digital”, afirmou Lillian Mutwalo, Directora-Geral da Bayobab Zâmbia.

A iniciativa está em linha com as estratégias nacionais de TIC da Zâmbia e de Moçambique e permite a partilha de infra-estruturas, apoiando o co-investimento eficiente, a optimização dos recursos de rede, a minimização de duplicações desnecessárias e a redução da pegada ambiental global. O projecto reflecte igualmente a visão Ambition 2030 do MTN Group para disponibilizar soluções de referência em toda a África e reforça o compromisso da Vodacom em ligar 260 milhões de clientes em África até 2030.

TotalEnergies e ExxonMobil avançam 400 Navios de GNL por ano

Os dois consórcios que operam na Península de Afungi, em Cabo Delgado, avançam em paralelo na preparação logística marítima dos projectos Mozambique LNG e Rovuma LNG, num sinal concreto de que a partilha de infraestruturas entre as duas gigantes passa dos planos para a prática contratual.

A TotalEnergies e a ExxonMobil estimam movimentar, em conjunto, 400 navios de gás natural liquefeito (GNL) por ano na Península de Afungi, no extremo norte de Cabo Delgado, e já iniciaram um concurso conjunto para a contratação de sete embarcações de apoio, incluindo rebocadores e navios de serviço. O dado consta de um caderno de encargos acedido esta segunda-feira pela agência Lusa.

O concurso, lançado sob a forma de manifestações de interesse (expressions of interest, EOIs), abrange simultaneamente a Área 1, onde opera o Mozambique LNG sob liderança da francesa TotalEnergies, e a Área 4, palco do Rovuma LNG liderado pela norte-americana ExxonMobil cujo arranque formal ainda aguarda a Decisão Final de Investimento (DFI), prevista para o primeiro semestre deste ano.

Uma Logística Marítima de Escala Industrial

O documento especifica que os dois concessionários procuram “serviços seguros, eficientes e fiáveis para o transporte, carregamento e descarregamento” de GNL “desde os locais de produção até aos mercados globais”. Para o efeito, o concurso prevê a contratação de cinco rebocadores com 80 toneladas de tracção estática, um barco-piloto e dois navios de trabalho sete embarcações no total.

As projecções de tráfego discriminadas no caderno de encargos ilustram a magnitude do que está em preparação na costa norte de Moçambique: a Área 1, que deverá começar a exportar GNL em 2029 com uma capacidade de 13 milhões de toneladas por ano, prevê a passagem anual de 160 navios-tanque de GNL e dez navios de condensados; a Área 4, cujo design foi redesenhado em 2023 para 12 trens modulares de 1,5 mtpa, elevando a capacidade total para 18 mtpa a maior projectada em África, aponta para 220 navios-tanque de GNL e 15 navios de condensados por ano.

No total, as duas instalações deverão gerar, em regime de plena produção, a passagem de 395 navios por ano pelas águas da Baía de Afungi uma cifra que transforma esta zona remota do norte moçambicano num dos corredores marítimos de energia mais movimentados do continente africano.

Um Concurso Conjunto que Confirma a Partilha de Infra-estruturas

A natureza conjunta deste concurso inédita entre dois consórcios tecnicamente concorrentes é em si mesma um dado de relevo. A partilha de infraestruturas onshore entre as duas instalações em Afungi, incluindo cais, instalações de armazenamento e utilidades comuns, estava prevista desde o início do projecto ExxonMobil, mas a simultaneidade dos processos de force majeure entre 2021 e 2025 adiou a sua concretização prática. Este concurso conjunto é o primeiro sinal tangível de que a coordenação operacional entre as duas gigantes está a materializar-se em tempo real.

A TotalEnergies e o Presidente Daniel Chapo anunciaram conjuntamente, a 29 de Janeiro, em Afungi, o reinício pleno das actividades do Mozambique LNG, com mais de 4.000 trabalhadores mobilizados, dos quais mais de 3.000 são cidadãos moçambicanos. “Verão uma aceleração massiva da actividade nos próximos meses (…) um primeiro navio offshore já foi mobilizado para começar a instalar as infraestruturas marítimas”, declarou Patrick Pouyanné, presidente executivo da TotalEnergies, na cerimónia de Afungi.

Chapo Projecta Início da Construção do Rovuma LNG em 12 a 18 Meses

Na mesma ocasião, o Chefe de Estado moçambicano proferiu palavras que o sector aguardava há anos. “Dentro dos próximos 12 a 18 meses, regressaremos a este local para testemunhar o início da construção do Rovuma LNG”, afirmou Daniel Chapo, em Afungi, confirmando o compromisso do Governo em garantir as condições de segurança e de enquadramento contratual necessárias para a DFI da ExxonMobil.

A declaração é consistente com o que o Presidente tinha já adiantado em Novembro passado, na abertura da Conferência Anual do Sector Privado (CASP) em Maputo. “Nas nossas conversações com a ExxonMobil em Houston, ficou claro que, com o relançamento do projecto da TotalEnergies — que envolve infraestruturas partilhadas, a ExxonMobil está também pronta a avançar. Esperamos, portanto, que até meados do próximo ano, o mais tardar em Julho, seja tomada a decisão de investimento”, disse Chapo, sublinhando a interdependência estrutural entre os dois projectos de Afungi.

A ExxonMobil anunciou a 20 de Novembro de 2025 que levantou a declaração de force majeure sobre o projecto Rovuma LNG, confirmando a associação com o projecto vizinho da TotalEnergies e a planificação conjunta da infraestrutura em Afungi, no distrito de Palma.

Bacia do Rovuma: Três Projectos, Uma Estratégia de Exportação

O concurso conjunto insere-se num contexto mais vasto de consolidação da Bacia do Rovuma como hub de exportação de GNL do Oceano Índico. O único projecto actualmente em operação na bacia é gerido pela Eni através da plataforma flutuante Coral Sul, que produz cerca de 7 mtpa desde 2022. A empresa italiana aprovou recentemente a Coral Norte, uma segunda plataforma semelhante que deverá duplicar a capacidade a partir de 2028, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares.

A TotalEnergies detém uma participação de 26,5% no consórcio Mozambique LNG, seguida da japonesa Mitsui com 20%, da ENH com 15%, e das indianas Bharat Petroleum, Oil India e ONGC Videsh com 10% cada. A tailandesa PTTEP detém os restantes 8,5%.

Quando os três projectos Mozambique LNG, Rovuma LNG e Coral Norte estiverem em plena produção, Moçambique terá uma capacidade instalada de exportação de GNL superior a 38 milhões de toneladas por ano, posicionando-se entre os maiores exportadores mundiais de gás natural. Segundo a Deloitte, o país poderá gerar mais de 100 mil milhões de dólares em receitas totais ao longo dos ciclos de produção dos três megaprojectos.

O concurso conjunto de serviços marítimos, cujo prazo de submissão de manifestações de interesse não foi divulgado, é o mais recente indicador de que a península de Afungi está, de facto, a transformar-se na plataforma logística de exportação energética mais significativa da África Oriental.

Fonte principal: Lusa. Informação complementar: TotalEnergies, Reuters, CNBC Africa, SPE Journal of Petroleum Technology, 360Mozambique.

Dois milhões de dólares para financiar micro e pequenas empresas em Cabo Delgado e Niassa

A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) lançou, sexta-feira, na cidade de Lichinga, uma linha de financiamento no valor de dois milhões de dólares norte-americanos destinada a apoiar micro e pequenas empresas nas províncias de Cabo Delgado e Niassa.

A iniciativa visa promover a criação e consolidação de postos de trabalho, dinamizar o crescimento empresarial e impulsionar as economias locais, numa região que continua a enfrentar desafios estruturais no domínio do desenvolvimento produtivo.

Foto: ADIN – Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte

Integrada no programa Conecta Negócios, a linha de subvenções cofinanciadas irá financiar planos de negócio economicamente viáveis, priorizando empresas com acesso limitado ao crédito e a outros serviços financeiros. O mecanismo pretende reforçar a capacidade produtiva das micro e pequenas empresas, incentivar maior formalização e estimular investimentos com impacto directo na geração de rendimento.

Falando durante a cerimónia de lançamento, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Vala, sublinhou a importância estratégica das províncias de Cabo Delgado e Niassa no contexto nacional. Segundo afirmou, embora estas representem mais de um quarto do território nacional, registam ainda baixos níveis de densidade empresarial formal, o que exige medidas concretas de estímulo ao sector privado.

Por seu turno, a Governadora da Província do Niassa, Elina Massengele, considerou que a iniciativa constitui uma oportunidade real para fortalecer o tecido económico provincial, valorizar o empreendedorismo local e criar mais oportunidades para a juventude.

Entretanto, o Presidente do Conselho de Administração da ADIN, Jacinto Loureiro, assegurou que a instituição irá garantir transparência e rigor na gestão dos fundos. Destacou que o sucesso da iniciativa dependerá da qualidade dos projectos submetidos e do seu impacto tangível na economia local.

A linha de financiamento é dirigida a micro e pequenas empresas que actuam em sectores como agronegócio, turismo sustentável, produção alimentar e pesqueira, apicultura, mecânica-auto e serviços eléctricos, carpintaria, construção civil, pequenas indústrias, transporte, oficinas de costura e outros negócios locais com potencial de crescimento e capacidade de gerar emprego.

Com esta medida, o Governo e a ADIN pretendem acelerar a inclusão económica no Norte do país, apostando no fortalecimento do sector produtivo como alavanca para o desenvolvimento sustentável e a estabilidade regional.

Foto: ADIN – Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte

Fonte: ADIN (Comunicado de Imprensa)