Thursday, September 3, 2026
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Mozal poderá encerrar em Março, enquanto decorrem esforços de última hora

A multinacional australiana South32 não antevê margem para reverter o encerramento da fundição de alumínio Mozal, cuja paralisação está prevista para Março próximo, segundo fontes próximas do processo. A decisão surge apesar de esforços de última hora protagonizados por fornecedores de energia em Moçambique e na África do Sul, que procuram uma solução para a revisão das tarifas de electricidade.

Nos últimos dias, surgiram indicações de que o Governo moçambicano estaria a intensificar diligências para evitar o fecho da maior unidade industrial do país. O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, afirmou à agência Reuters que o Executivo está a fazer “tudo o que é necessário” para garantir a continuidade das operações da Mozal.

Do lado sul-africano, o director-executivo da empresa pública de electricidade Eskom, Dan Marokane, foi citado a 23 de Janeiro como estando empenhado em encontrar uma solução que pudesse produzir resultados, sublinhando que as negociações permaneciam em curso. Contudo, fontes ligadas à South32 indicam que a percepção interna da empresa é distinta, após cerca de seis anos de negociações em torno das tarifas de energia e, mais recentemente, um ciclo de conversações intensivas com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Eskom, tendo em vista o termo do contrato vigente em Março.

Considerada uma das “jóias da coroa” do portefólio da South32, a Mozal destacou-se pela produção de alumínio de baixo custo e com menor pegada carbónica, beneficiando historicamente da energia hidroeléctrica proveniente da barragem de Cahora Bassa. Todavia, a actual seca reduziu drasticamente a capacidade de produção da barragem, que opera actualmente a cerca de um quinto do seu potencial anterior.

Perante este cenário, a fundição passou a depender maioritariamente da energia fornecida pela Eskom, cerca de 940 megawatts consumidos de forma contínua, 24 horas por dia, proveniente, em grande medida, de centrais térmicas a carvão, com custos significativamente mais elevados. A estratégia da South32 consistia em assegurar, junto da Eskom, tarifas transitórias mais acessíveis por um período de dois anos, até que Cahora Bassa recuperasse os níveis normais de produção. No entanto, as negociações não produziram os resultados esperados.

Dados do Conselho de Minerais da África do Sul indicam que as tarifas da Eskom aumentaram cerca de 900% desde 2008, limitando a margem de manobra para concessões adicionais. Este contexto tarifário adverso terá pesado de forma decisiva na posição da South32.

O eventual encerramento da Mozal poderá ter impacto significativo na economia moçambicana. Estima-se a perda directa de cerca de cinco mil postos de trabalho, podendo o número de afectados ascender a 22 mil, incluindo trabalhadores de empresas subcontratadas. A Mozal representa aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, sendo um dos principais contribuintes para as exportações industriais do país.

Caso se confirme o fecho em Março, Moçambique enfrentará um dos maiores desafios industriais das últimas décadas, num momento em que procura consolidar a sua base produtiva e reforçar a atracção de investimento estrangeiro.

Monte Muambe projectado para produzir 15.000 toneladas anuais de terras raras com apoio dos EUA

Os Estados Unidos da América confirmaram oficialmente o seu apoio ao projecto de exploração de terras raras de Monte Muambe, na província de Tete, operado pela Altona Rare Earths, através da U.S. Trade and Development Agency (USTDA). A iniciativa visa diversificar as cadeias globais de abastecimento de minerais críticos e reduzir a dependência da China, que actualmente controla cerca de 70% da produção mundial destas matérias-primas, equivalente a cerca de 3,7 milhões de toneladas, de acordo com Business Insider Africa.

O apoio norte-americano insere-se numa estratégia mais ampla de Washington, orientada para a criação de fontes alternativas de minerais estratégicos, essenciais para a indústria de defesa, tecnologias limpas, veículos eléctricos, turbinas eólicas e manufactura avançada. Segundo Cedric Simonet, CEO da Altona Rare Earths, “o compromisso da USTDA é uma poderosa validação externa da qualidade estratégica e do potencial económico do projecto de Monte Muambe, evidenciando o forte interesse de uma instituição governamental norte-americana em desenvolver uma fonte segura de terras raras”.

Para além de Moçambique, os Estados Unidos estão igualmente a apoiar projectos de terras raras em Angola, na África do Sul e na República Democrática do Congo, visando assegurar um acesso sustentável a minerais críticos.

O projecto, avaliado em 276,3 milhões de dólares, prevê a produção de cerca de 15.000 toneladas anuais de carbonato misto de terras raras ao longo de 18 anos, com estudos de pré-viabilidade em curso para optimizar os números finais. A concretização do projecto posiciona Moçambique como actor relevante no mercado global de minerais críticos, ao mesmo tempo que oferece oportunidades para atracção de investimento, transferência de tecnologia e criação de emprego.

Para além de Moçambique, os Estados Unidos têm vindo a apoiar iniciativas semelhantes em África. Em Angola, a Pensana busca financiamento de até 160 milhões de dólares do U.S. Export-Import Bank para o projecto de Longonjo. Na África do Sul, o projecto de Phalaborwa recebeu apoio através de um subsídio da U.S. Development Finance Corporation (DFC), em parceria com a TechMet. Na República Democrática do Congo, Washington assinou em Dezembro de 2025 uma parceria estratégica de mineração, incluindo a aquisição de 40% das minas de cobre-cobalto Mutanda e Kamoto pelo Orion Critical Mineral Consortium, num investimento avaliado em cerca de 9 mil milhões de dólares.

Analistas destacam que o envolvimento norte-americano reflecte a crescente importância de África na arquitectura global de fornecimento de minerais críticos, num contexto em que as grandes potências procuram reduzir vulnerabilidades nas cadeias de valor e fortalecer a segurança económica. Estima-se que o continente possa fornecer até 9% das terras raras globais até 2029, consolidando a sua posição estratégica no mercado internacional.

Com este apoio, Moçambique reforça a sua presença no mapa global de recursos estratégicos, num sector que poderá assumir um papel determinante no futuro da economia mundial, consolidando o país como um ponto-chave na diversificação do fornecimento de minerais críticos e na transição para tecnologias verdes.

Executivo aposta na digitalização para acelerar crescimento e competitividade

A transformação digital deixou de ser apenas uma ambição tecnológica para se afirmar como uma escolha política estratégica do Estado moçambicano. A garantia foi dada pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), Américo Muchanga, à margem da Conferência Nacional de Transformação Digital, recentemente realizada em Maputo.

Segundo o governante, o maior desafio do país não é apenas tecnológico, mas estrutural e cultural. “Estivemos, essencialmente, a discutir como é que o Estado se transforma para colocar o cidadão no centro da sua agenda”, afirmou, sublinhando que digitalizar não significa apenas introduzir ferramentas tecnológicas, mas promover uma mudança profunda na forma como o Estado serve cidadãos e empresas.

Muchanga reconheceu que o actual modelo administrativo ainda funciona de forma segmentada, com instituições públicas a operarem em sistemas isolados e sem comunicação entre si. “Os sistemas não estão integrados. E, se queremos servir melhor o cidadão, temos de garantir que estejam interligados”, defendeu, acrescentando que é necessário superar resistências internas e abandonar a lógica de compartimentação institucional.

“O Estado precisa de funcionar como um corpo uno e indivisível”, frisou, explicando que a integração de dados e plataformas permitirá eliminar a peregrinação dos cidadãos entre várias instituições para resolver um único assunto.

Digitalização como pilar governativo

Na sessão de abertura da conferência, o Presidente da República, Daniel Chapo, reforçou que a transformação digital constitui um dos pilares do actual ciclo governativo. “A transformação digital é uma escolha política”, declarou, acrescentando que esta agenda caminha lado a lado com reformas estruturais destinadas a modernizar o Estado, aumentar a transparência, melhorar o ambiente de negócios e reforçar a confiança entre o cidadão e as instituições.

Foi nesse contexto que o Chefe de Estado destacou a criação, pela primeira vez na história do país, do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, com mandato claro para liderar o processo.

Daniel Chapo advertiu, contudo, que “não haverá Estado digital se persistirem mentalidades analógicas”, rejeitando a existência de “ilhas tecnológicas” dentro da Administração Pública. Para o Presidente, sistemas que não comunicam entre si, bases de dados desintegradas e serviços duplicados geram ineficiência, criam vulnerabilidades e prejudicam a competitividade da economia.

O estadista alertou ainda que as calamidades naturais que ciclicamente afectam o país demonstram a urgência da digitalização. A ausência de sistemas integrados compromete a capacidade de alerta atempado, a protecção de vidas e a preservação da memória colectiva do Estado.

“Queremos um país onde cada cidadão possa aceder aos serviços públicos a partir de qualquer ponto do território nacional e mesmo no exterior através de sistemas interoperáveis e soluções de pagamento digitais seguras”, afirmou, defendendo que a Internet deve ser promovida como um direito humano.

Integração abre espaço ao sector privado

Para o Ministro Américo Muchanga, a transformação digital representa igualmente uma oportunidade concreta para o sector privado. A partir deste ano, instituições privadas poderão integrar os seus sistemas com plataformas estatais.

No sector financeiro, por exemplo, a interligação ao sistema de identificação do Estado permitirá maior rapidez na abertura de contas e reforço da segurança na verificação de identidade.

O governante assegurou que o Executivo não pretende monopolizar o desenvolvimento tecnológico. “Queremos que o sector privado seja actor deste processo, sob supervisão e regulação do Estado”, declarou.

Entre as iniciativas em curso destacam-se a plataforma de assinatura digital certificada, o Portal do Cidadão, o projecto de identidade digital e a expansão da infra-estrutura de telecomunicações para mais de 300 localidades, muitas com financiamento do Banco Mundial. Está igualmente prevista a criação da Agência de Modernização e Inovação e o reforço da legislação sobre cibersegurança e protecção de dados.

Comissão técnica para integrar serviços

Na abertura da conferência, o Presidente da República lançou o desafio da criação de uma Comissão Técnica Multissectorial dos Serviços Digitais, com mandato para apresentar, até ao final do primeiro semestre de 2026, um plano nacional de integração.

A comissão deverá mapear serviços existentes, promover interoperabilidade, eliminar redundâncias, definir prioridades e propor um roteiro de integração digital.

“O tempo da hesitação terminou. Queremos um Estado à distância de um clique, mas próximo das necessidades do povo”, enfatizou o Chefe de Estado.

Novo quadro regulatório reforça soberania digital

Entretanto, a recente aprovação dos Regulamentos de Centros de Dados e de Computação em Nuvem é apontada como um passo estruturante para a consolidação da soberania digital.

Os diplomas estabelecem regras claras para operadores nacionais e internacionais, reforçando a segurança e protecção de dados, especialmente em sectores críticos como finanças, transportes, telecomunicações e Administração Pública. Definem igualmente critérios sobre localização e tratamento de dados sensíveis e criam previsibilidade regulatória, elemento considerado essencial para atrair investimento e inovação.

Plataformas e provedores não residentes passam a operar sob um quadro jurídico definido, com obrigações proporcionais, incluindo representação local e requisitos de conformidade alinhados às boas práticas internacionais.

Banco Mundial reforça apoio

A transformação digital integra também a carteira de prioridades do Banco Mundial. Em entrevista exclusiva, o Director da instituição para Moçambique, Fily Sissoko, revelou que estão a ser mobilizados financiamentos acompanhados de assistência técnica e partilha de conhecimento internacional.

Com mais de duas décadas de experiência no sector financeiro internacional, Sissoko apontou o Vietname como exemplo de execução bem-sucedida. “O que fez a diferença foi a forma como decidiram executar”, afirmou, recordando que o país asiático começou por investir em aprendizagem internacional, lançou projectos-piloto e rapidamente escalou soluções, passando de meia dúzia para cerca de dois mil serviços digitais disponíveis numa única plataforma em pouco mais de um ano.

Para o responsável, a digitalização é uma das mais poderosas alavancas para acelerar o desenvolvimento económico, melhorar serviços públicos e reforçar a competitividade nacional.

Soberania no século XXI

Para o Governo, a transformação digital representa uma nova fronteira da soberania. “Ontem, a independência media-se pelo controlo do território. Hoje, mede-se também pela capacidade de governar o espaço digital”, afirmou o Presidente da República.

A ambição é clara: construir um Estado digital robusto, capaz de sustentar uma economia digital forte, reduzir burocracias, combater práticas indevidas, atrair investimento e criar empregos qualificados para a juventude.

“Queremos criar a nossa própria esfera digital”, sintetizou o Ministro Américo Muchanga, reafirmando que a digitalização não é apenas uma agenda tecnológica, mas uma agenda de dignidade, eficiência e futuro colectivo para Moçambique.

Ecobank mudou de nome para FDH Bank

Ecobank está presente em Moçambique desde 2000

O ECOBANK Moçambique passa, a partir do dia 20 de fevereiro, a chamar-se oficialmente FDH Bank Moçambique, depois de concluídas todas as autorizações pelo Banco Central.

A informação foi anunciada ontem pelo banco malawiano FDH, depois de ter concluído, em setembro, a aquisição do Ecobank Moçambique, que passa a liderar com uma quota de 98,87%.

“Esta alteração reflete o nosso crescimento e o foco renovado em prestar serviços de excelência aos nossos clientes e a todas as partes interessadas. A presente mudança afeta exclusivamente o nome do banco”, refere o grupo FDH Bank, em comunicado citado pela Lusa.

O grupo garantiu ainda que todos os contratos e acordos em vigor permanecem válidos, sendo apenas atualizado o nome da instituição na documentação oficial.

“A partir de 20 de fevereiro de 2026, os clientes começarão a ver o novo nome do banco em todos os documentos bancários oficiais, incluindo livros de cheques e outros formulários transacionais, plataformas digitais, sinalização das agências, e-mails, assinaturas de e-mail e demais comunicações”, lê-se ainda.

O FDH Bank, do Malawi, confirmou no final de setembro ter concluído a aquisição do Ecobank Moçambique, que passa a liderar, com uma quota de 98,87%, conforme informação enviada à bolsa de valores daquele país.

De acordo com a informação, o banco FDH concluiu a compra da totalidade da participação do grupo pan-africano Ecobank na instituição, enquanto a posição minoritária restante de 1,13% continuará a ser detida pelo Fundo para o Fomento de Habitação (FFH).

O processo de transição incluirá uma mudança de nome e reformulação da marca, para garantir continuidade e estabilidade para clientes, funcionários e outras partes interessadas”, referia ainda.

“Esta aquisição representa um marco significativo na estratégia de crescimento regional do FDH Bank Plc e reafirma o forte compromisso do banco em investir na África Austral. Espera-se que ofereça benefícios estratégicos, incluindo expansão de mercado, diversificação de receita, sinergias operacionais e criação de valor a longo prazo”, lê-se ainda na informação anteriormente enviada à bolsa.

A intenção de vender a participação foi oficialmente anunciada em 5 de agosto pelo Ecobank, considerado principal grupo privado de serviços financeiros no continente, presente em 35 países da África Subsaariana.

“Esta transação representa uma alteração estratégica na estrutura acionista e na gestão operacional, não se prevendo qualquer perturbação nas operações bancárias, ativos ou colaboradores”, referia então a instituição financeira pan-africana.

O Ecobank operava até agora com agências nas principais cidades, desde 2000, tendo sido inicialmente constituído como Novo Banco, adotando a designação atual em 2014, na sequência da aquisição então feita pelo grupo pan-africano.

Mãe dá à luz durante viagem da Yango com apoio do motorista

Motorista da Yango ajuda mulher a dar à luz em segurança a caminho do hospital na província Maputo

Um motorista de táxi por aplicativo, Yango, ajudou, em segurança, uma cidadã que se encontrava em trabalho de parto, dando à luz um bebé saudável, durante uma viagem à caminho do hospital, na província de Maputo.

O episódio ocorreu quando Odete Pembele começou a sentir fortes contracções em casa. Sozinha e impossibilitada de aguardar pelo marido, que se encontrava de serviço, decidiu solicitar uma viagem através da aplicativo Yango para se deslocar com urgência ao hospital.

O motorista da Yango,  Gil Chissaque respondeu prontamente ao pedido e, ao perceber-se a gravidade da situação, manteve a calma e ofereceu apoio emocional à passageira, garantindo uma condução segura num momento de grande tensão.

Assim, à medida que a viagem avançava, as contracções intensificaram-se e, de forma inesperada, a cidadã começou a entrar em trabalho de parto com o auxílio do motorista. Assim, o que era para ser uma simples viagem por táxi de aplicativo Yango transformou-se num momento de vida marcante.

De acordo com a equipa médica do Centro de Saúde de Nkobe, para onde a mãe e​ o bebé foram levados em segurança, o apoio prestado pelo motorista durante todo o trajecto, contribuiu para que o nascimento da bebé ocorresse em segurança até à chegada da parturiente e o eu bebé à unidade sanitária.

“Quando alguém pede uma viagem numa situação como está, é porque confia nos nossos serviços. A jovem mãe confiou na Yango e em mim. Foi uma experiência inesperada, mas felizmente tudo correu bem. Estou grato por ter ajudado num momento tão delicado”,  Relatou o motorista  Gil Chissaque.

Por sua vez, Odete Pembele destaca a importância do apoio recebido: “Usei o aplicativo para ir ao hospital porque estava sozinha. Quando estávamos quase a chegar, as contracções já eram muito fortes e acabei por dar à luz dentro do carro. Graças a Deus tudo correu bem.”,

A Yango Moçambique destaca esta história como um exemplo do seu compromisso com a segurança da comunidade. O episódio evidencia a importância de estarmos preparados para o inesperado e demonstra como os serviços digitais podem fazer a diferença em momentos de urgência e necessidade.

Coral Norte garante retorno de 3,2 vezes o investimento, superando Mozambique LNG

Os projectos Coral North FLNG (Área 4, offshore), liderado pela Eni, e Mozambique LNG (Área 1, onshore), operado pela TotalEnergies, apresentam perfis distintos em termos de capacidade produtiva, risco de segurança e retorno económico para o Estado moçambicano, de acordo com dados disponíveis sobre investimento, receitas esperadas e impacto local.

O projecto Coral North, de natureza offshore, terá uma capacidade de produção anual entre 3,55 e 3,6 milhões de toneladas de GNL, com o início das operações previsto para 2028. O investimento estimado situa-se entre 7 e 7,2 mil milhões de dólares, com receitas fiscais e económicas projectadas em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo de 25 anos de exploração.

Segundo as projecções, o rácio entre receitas governamentais e investimento atinge cerca de 3,19 vezes, posicionando o Coral North como um dos projectos de maior eficiência financeira no portefólio do gás natural em Moçambique. Em termos de conteúdo local, o projecto deverá gerar mais de 3 mil milhões de dólares em contratos para empresas moçambicanas, o que corresponde a um rácio de 0,42 vezes face ao investimento total.

Do ponto de vista da segurança, a localização offshore do Coral North reduz significativamente a exposição a riscos de insurgência armada em Cabo Delgado, sendo considerada uma opção estratégica enquanto a situação de segurança na região se consolida. O projecto deverá gerar emprego especializado no sector offshore, embora em menor escala quando comparado com empreendimentos em terra firme.

Já o Mozambique LNG, localizado em Afungi, Cabo Delgado, apresenta uma escala substancialmente maior, com capacidade instalada de 13 milhões de toneladas anuais, distribuídas por duas linhas de liquefação, com possibilidade de expansão futura. O início da produção está agora projectado para 2029, após sucessivos atrasos provocados por constrangimentos de segurança que culminaram na declaração de força maior em 2021.

O investimento inicial do projecto rondava os 20 mil milhões de dólares, tendo sido revisto em alta em cerca de 4 mil milhões de dólares, elevando o custo total para aproximadamente 24 mil milhões de dólares. As receitas acumuladas para o Estado moçambicano poderão atingir 35 mil milhões de dólares ao longo da vida útil do projecto, o que se traduz num rácio de retorno de cerca de 1,46 vezes face ao capital investido.

Em termos de impacto local, o Mozambique LNG destaca-se pela criação de até 7.000 postos de trabalho durante a fase de construção, pela atribuição de mais de 4 mil milhões de dólares em contratos a empresas nacionais e pela constituição de uma fundação de desenvolvimento socioeconómico avaliada em 200 milhões de dólares. Ainda assim, o rácio de conteúdo local situa-se em cerca de 0,17 vezes em relação ao investimento total.

A análise comparativa indica que, embora o Mozambique LNG apresente o maior impacto económico agregado, com receitas estimadas superiores em 12 mil milhões de dólares face ao Coral North, o projecto offshore liderado pela Eni evidencia maior eficiência financeira, com um retorno sobre o investimento mais do dobro do registado pelo projecto onshore.

Por: Herinques Maculuve e Simão Djedje

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Fontes Consultadas: Lusahttps://www.aman-alliance.org/Home/ContentDetail/88352?utm_

ENIhttps://www.eni.com/en-IT/media/press-release/2025/10/pr-eni-announces-final-investment-decision-mozambique-coral-north-project.html?utm

INVESTINGhttps://www.investing.com/news/company-news/totalenergies-resumes-mozambique-lng-project-after-4year-force-majeure-93CH-4473893?utm

REUTERShttps://www.reuters.com/sustainability/climate-energy/totalenergies-partners-lift-force-majeure-20-billion-mozambique-lng-project-2025-10-25/?utm

Fundo Soberano regista primeiro lucro de USD 210 Mil

O Fundo Soberano de Moçambique registou um lucro superior a 210 mil dólares norte-americanos no exercício económico de 2025, resultado da aplicação do seu capital próprio em instituições financeiras no exterior, de acordo com as demonstrações financeiras da entidade.

O resultado positivo surge após o Fundo ter recebido do Governo, a 10 de Dezembro de 2025, cerca de 110 milhões de dólares, montante que foi posteriormente aplicado pelo Banco de Moçambique, na qualidade de gestor operacional, em depósitos a prazo de muito curto prazo em três bancos internacionais.

Segundo as contas referentes a 2025, os recursos foram depositados no Bread Bank Popular de Toronto, Dominion Bank e Sumitomo Mitsui Trust Bank, permitindo ao Fundo alcançar o seu primeiro resultado líquido positivo desde a sua criação.

As demonstrações financeiras indicam que o lucro, apurado a 31 de Dezembro de 2025, resultou exclusivamente de juros de aplicações overnight, iniciadas a 12 de Dezembro de 2025, junto das referidas contrapartes financeiras estrangeiras.

No total, o Fundo Soberano registou um lucro de 210,6 mil dólares, valor que, somado ao capital inicial, perfaz cerca de 110,2 milhões de dólares em capitais próprios, montante destinado à constituição de poupanças para as futuras gerações.

Ainda de acordo com a informação financeira, as taxas de juro aplicadas nos depósitos a prazo em moeda estrangeira variaram entre 3,60% e 3,90%, com um prazo de um mês, conforme consta das demonstrações financeiras do Fundo. O relatório financeiro foi aprovado pelo governador do Banco de Moçambique, enquanto entidade máxima responsável pela gestão operacional do Fundo Soberano, em conformidade com o quadro legal em vigor.

BPI sinaliza venda de 35,7% do BCI após prejuízo de €20 milhões

Banco BPI manifestou a intenção de vender a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) na sequência de prejuízos acumulados em 2025, atribuídos ao agravamento da dívida pública moçambicana. A revelação foi feita esta segunda-feira (2), pelo presidente do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados anuais, realizada em Lisboa.

De acordo com a Lusa, na ocasião, o gestor reiterou que as participações em Angola e Moçambique “não são estratégicas”, sinalizando abertura para alienar os activos detidos nestes mercados. “Quando digo publicamente que se trata de participações não estratégicas, significa que estou disponível para vender”, afirmou, sem avançar com prazos concretos.

Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 512 milhões de euros, o que representa uma quebra de 13% face ao exercício anterior. A administração atribui esta descida, sobretudo, à evolução das suas posições no Banco de Fomento Angola (BFA) e no BCI.

Enquanto o BFA contribuiu com 43 milhões de euros para os resultados líquidos do grupo, mais 4 milhões do que em 2024, o BCI apresentou uma contribuição negativa de 20 milhões de euros, em contraste com os 38 milhões de euros positivos registados no ano anterior. O impacto da dívida soberana moçambicana no desempenho da instituição é apontado como principal causa desta deterioração.

Apesar da intenção de venda, Oliveira e Costa garantiu que qualquer decisão em relação ao BCI será comunicada previamente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), principal accionista do banco moçambicano. “Não tomaremos nenhuma decisão sem informar previamente a CGD”, declarou o executivo, que aproveitou para criticar a forma como as autoridades moçambicanas têm tratado o banco.

Em Setembro último, o BPI concretizou a venda de 14,75% do capital do BFA, angariando cerca de 103 milhões de euros, mantendo actualmente uma posição de 33,4%. Quanto ao BCI, o banco português detém 35,67%, sendo o restante capital maioritariamente controlado pela CGD.

No final da conferência, João Pedro Oliveira e Costa manifestou-se “completamente chocado” com a morte de Pedro Ferraz dos Reis, administrador financeiro do BCI, com quem mantinha uma relação profissional há mais de duas décadas.

“Era uma pessoa de qualidades pessoais e intelectuais extraordinárias”, referiu, expressando ainda agradecimentos ao Governo e ao Presidente da República pelo apoio prestado à família e à instituição.

Segundo as autoridades, Pedro Ferraz dos Reis suicidou-se a 19 de Janeiro, numa casa de banho pública do Hotel Polana Serena, em Maputo.

Fonte: DE

Grupo de empresários dos Emirados avalia investimentos em Energia, Mineração e Digital no país

Um grupo de empresários dos Emirados Árabes Unidos inicia na próxima semana uma missão a Moçambique para identificar oportunidades de investimento em sectores prioritários da economia nacional, nomeadamente energia, transformação digital e mineração, segundo a agência Lusa.

De acordo com o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Moçambicana (CCAM), Sérgio Matos, a visita inclui encontros técnicos com instituições locais e prospecção de projectos estratégicos nos sectores de maior impacto económico, como portos, agricultura e infra-estruturas logísticas.

“O interesse do capital árabe reflecte confiança no crescimento económico de Moçambique e poderá gerar emprego, transferência de tecnologia e reforçar a atratividade do país na África Austral”, afirmou Matos, destacando a necessidade de acompanhamento institucional pela APIEX para garantir previsibilidade e celeridade nos processos.

No sector energético, a delegação avaliará investimentos em exploração de gás natural e energia solar fotovoltaica e flutuante, especialmente nas regiões centro e norte do país, alinhados com a estratégia de diversificação da matriz energética e o objectivo de tornar Moçambique um pólo regional de produção de energia na SADC.

Em mineração, os empresários focar-se-ão na instalação de refinarias de ouro e no apoio a cooperativas mineiras, promovendo o processamento local e a formalização das cadeias produtivas. No digital, o interesse recai sobre o Governo electrónico e a criação de uma plataforma integrada para modernização dos serviços públicos.

Outros sectores alvo da missão incluem saúde, turismo de luxo, ecoturismo e produção agrícola em larga escala, com projectos previstos nas províncias de Tete, Manica, Zambézia e Sofala. A visita decorre após a recente deslocação do Presidente da República, Daniel Chapo, aos Emirados Árabes Unidos, durante a qual foram apresentados convites formais para participação de capital árabe em projectos estruturantes nacionais.

Moçambique aprovou quadro regulatório para centros de dados e computação em nuvem

Moçambique aprovou recentemente os Regulamentos de Centros de Dados e de Computação em Nuvem, num passo considerado estruturante para a consolidação do ecossistema digital nacional e ainda pouco comum a nível regional e internacional. A iniciativa coloca o país entre o reduzido grupo de Estados que já dispõem de balizas claras para a construção, licenciamento e operação de infra-estruturas críticas de dados, bem como para a utilização de serviços de cloud computing, assegurando previsibilidade regulatória sem comprometer a inovação tecnológica.

O Regulamento de Centros de Dados introduz um conjunto de exigências técnicas e operacionais consideradas determinantes para a robustez do sector. Entre os principais aspectos destacam-se a definição de categorias de resiliência, requisitos de continuidade de serviço, normas de segurança física e cibernética e regras específicas aplicáveis a serviços essenciais, elevando de forma significativa os padrões de responsabilidade e maturidade do mercado nacional.

Por sua vez, o Regulamento de Computação em Nuvem vem clarificar os modelos de prestação de serviços, as responsabilidades dos diferentes intervenientes, as regras relativas à localização e ao tratamento de dados, bem como os princípios de interoperabilidade e de soberania digital. Este enquadramento cria maior segurança jurídica para operadores, utilizadores e investidores, num contexto de crescente dependência de soluções digitais para a actividade económica e para a administração pública.

Este avanço normativo surge em articulação com outros instrumentos legais já aprovados, como a Lei de Protecção de Dados Pessoais e a legislação sobre Crimes Cibernéticos, reforçando a arquitectura jurídica necessária para uma transformação digital segura e sustentável. No seu conjunto, estas medidas posicionam Moçambique como um actor cada vez mais relevante no debate regional sobre governação digital, cibersegurança e economia baseada em dados. Com a aprovação destes regulamentos, o país dá um sinal claro ao mercado de que pretende atrair investimento, promover a confiança no ambiente digital e criar condições para o desenvolvimento de serviços tecnológicos alinhados com as melhores práticas internacionais, num sector considerado estratégico para a competitividade e o crescimento económico.