A Bolsa de Vores de Moçambique (BVM, S.A) é oficialmente, uma instituição certificada em sistema de Gestão de Qualidade ISO 9001:2015. A certificação, atribuída esta terça-feira, 30 de Setembro de 2025, pelo Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), demonstra o compromisso da empresa com a excelência operacional e a melhoria contínua dos serviços prestados ao mercado de capitais moçambicano.
Intervindo durante a cerimônia, o Presidente do Conselho de Administração da BVM, S.A, Pedro Frederico Cossa, explicou que a certificação vai conferir à instituição maior competitividade e credibilidade junto das suas partes interessadas.
“Hoje recebemos um certificado que representa muito mais do que um documento. Trata-se de um testemunho do trabalho árduo, da dedicação incansável e do profissionalismo exemplar de toda a nossa equipa. É a materialização dos nossos valores institucionais: inovação, competência, eficiência, inclusão, equidade e transparência, com foco no compromisso do desenvolvimento do mercado financeiro nacional”.
Numa outra abordagem, Cossa referiu ainda que “esta distinção posiciona a BVM como uma referência regional, capaz de competir com os melhores mercados do continente africano e contribuir activamente para a integração de Moçambique nos mercados financeiros globais”.
Por sua vez, o Director-Geral do INNOQ, Geraldo Albasini, disse no seu discurso que a atribuição do certificação NM ISO 9001:2015 à BVM, S.A é o reflexo da dedicação, esforço conjunto, e visão estratégica voltada para o desenvolvimento sustentável e a credibilidade institucional.
Presidente do Conselho de Administração da BVM, S.A, Pedro Frederico Cossa.
“O certificado que hoje entregamos é mais do que um documento formal, é a prova de que a BVM adopta rigorosamente procedimentos que garantem eficiência, transparência e confiança nos serviços prestados ao público e aos investidores. Ao receber a certificação NM ISSO 9001:2015, a BVM, SA demonstra que não apenas cumpre requisitos formais, mas também valoriza a melhoria contínua, a satisfação dos clientes e a eficiência operacional”, frisou.
O Governador do Banco de Moçambique (BM), Rogério Zandamela, disse que a actividade do mercado paralelo de divisas em moeda estrangeira não afecta o mercado de bens e serviços, ou seja, a sua inflacção.
Segundo o Zandamela, tal se deve ao facto de a maioria das transacções comerciais de bens e serviços serem, “de longe”, realizadas no mercado oficial de divisas.
“Não é um mercado relevante ainda hoje… não verificamos uma repassagem de preços desse mercado, com a sua volatilidade na evolução e no comportamento dos preços daqueles produtos que compõem o nosso índice de bens de preços ao consumidor” disse.
Ele referiu que o mercado paralelo, existente em todo o mundo, é extremamente volátil e funciona com regras próprias, inclusive com clientela com características específicas.
“E ela tem seu próprio comportamento, evolução, que não está, necessariamente, que não está ligado ao mercado oficial de divisas” explicou, notando que a uma eventual correlação significativa entre mercado paralelo e o oficial no fornecimento de bens e serviços vai exigir intervenção do BM.
O Governo moçambicano planeia rever a estrutura dos preços dos combustíveis, como medida para mitigar o custo real de vida, marcado por preços proibitivos dos bens de primeira necessidade, no âmbito do Plano de Recuperação e Crescimento Económico (PRECE).
Segundo documento recentemente aprovado pelo Conselho de Ministros citado pela Carta de Moçambique, o plano visa reduzir o custo da gasolina e do gasóleo em 14,75 meticais/litro e 10,84 meticais/litro, “com um efeito multiplicador em toda a cadeia de produção que utiliza estes dois tipos de combustível como um dos seus fatores de produção”.
O preço actual de um litro de gasóleo é de 79,99 meticais, enquanto um litro de gasolina custa 83,57 meticais. Assim, as alterações propostas farão baixar o preço para 69,15 meticais por litro de gasóleo e 68,82 meticais por litro de gasolina.
Para tal, o Governo pretende rever três componentes principais, nomeadamente a taxa de operação portuária, actualmente considerada uma das mais elevadas da região. Actualmente, o País cobra uma taxa de 0,86 meticais/litro pela movimentação de combustível, e a ideia é reduzi-la para 0,43 meticais/litro.
“A adopção das medidas propostas sobre os custos logísticos de importação poderá resultar numa redução total estimada de 0,50 meticais/litro no preço final do combustível. A redução da taxa de movimentação portuária não só aliviaria os custos internos, como também contribuiria para aumentar a competitividade dos portos moçambicanos”, lê-se na nota.
No entanto, o Governo acredita que a alteração desta taxa “exigirá uma deliberação formal (ordem específica), bem como uma coordenação institucional com o Ministério dos Transportes e Logística, a empresa pública Portos e Ferrovia (CFM) e o regulador do sector”.
Os outros componentes a rever na estrutura do preço dos combustíveis são a estabilização, a margem para as instalações de armazenamento central e a taxa de encargos bancários. Por exemplo, no componente de estabilização, Moçambique cobra actualmente 3,50 meticais/litro, enquanto o valor proposto é de 3,0 meticais/litro, uma redução de 0,50 meticais/litro.
“Estas medidas não têm implicações negativas significativas para a cadeia de abastecimento. A Componente de Estabilização foi originalmente concebida para compensar os operadores em contextos de não ajustamento dos preços, permitindo a estabilidade dos preços e protegendo os consumidores contra flutuações abruptas. O Governo também pretende reduzir os custos logísticos das importações de combustível (incluindo o IVA) em 0,50 meticais/litro. Embora exija coordenação com os operadores e os organismos reguladores, esta medida melhora a eficiência e pode tornar os portos nacionais mais competitivos”, lê-se no documento.
O Governo prevê também uma redução acumulada de 16% no custo dos produtos alimentares básicos através da eliminação do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) sobre o açúcar, o óleo alimentar, o sabão e o feijão. Prevê ainda a isenção dos moçambicanos da taxa de recolha de lixo paga aquando da compra de energia para consumo doméstico, nos bairros em expansão e nas áreas suburbanas não abrangidas pelos serviços de recolha de lixo dos Conselhos Municipais.
Os prémios visam reconhecer e celebrar as conquistas excepcionais das pequenas e médias empresas (PMEs) em toda a região, destacando o papel crucial que desempenham na promoção do crescimento do mercado, do desenvolvimento económico e da promoção das melhores práticas.
O prémio inaugural DHL Exportadores do Ano na África Subsaariana (ASS) visa reconhecer e celebrar as conquistas excepcionais de pequenas e médias empresas (PMEs) em toda a região, destacando o papel crucial que desempenham na promoção do crescimento do mercado, do desenvolvimento económico e da promoção de melhores práticas na comunidade comercial internacional.
Os prémios DHL Exportador do Ano são baseados no compromisso mais amplo da DHL com o crescimento das PMEs por meio do programa GoTrade, onde a empresa usa sua rede e liderança global para ajudar empreendedores a superar barreiras como acesso a treinamento, financiamento, logística e TIC.
Os prémios são abertos a PMEs formalmente registadas em seus países na região da África Subsaariana. As empresas elegíveis devem ter 25 funcionários em tempo integral ou menos, comercializar activamente bens e produtos internacionalmente por pelo menos 12 meses, operar seus negócios de forma sustentável e demonstrar conformidade com as regulamentações de comércio internacional.
“Sabemos que as PMEs são a espinha dorsal das sociedades e a força motriz do crescimento económico sustentável. É por isso que estamos entusiasmados em lançar estes prémios sob a égide do nosso programa DHL GoTrade, onde defendemos o comércio sustentável das PMEs em todos os mercados e sectores. Nosso objectivo é usar estes prémios como uma plataforma para celebrar nossas PMEs, promover o trabalho incrível que realizam e usar nossa voz para defender sua participação sustentável no mercado global”, disse Hennie Heymans, CEO da DHL Express na África Subsaariana.
O prémio DHL Exporters of the Year contará com três categorias distintas:
Prémio ESG Excellence Exporter: Este prémio homenageia exportadores que demonstram comprometimento excepcional com práticas ambientais sustentáveis, governança ética e responsabilidade social em suas operações.
Prémio Exportadora do Ano: Esta categoria reconhece mulheres exportadoras que demonstram liderança, inovação e sucesso excepcionais na expansão de seus negócios para mercados globais.
Prémio Exportador de Expansão Global: Esta categoria celebra a excelência na expansão do comércio internacional e reconhece PMEs que tiveram crescimento significativo como resultado de sua maior participação no comércio global.
Os vencedores receberão um prémio em dinheiro de 4.000 euros por categoria. Além disso, serão reconhecidos em uma cerimónia especial no Centro de Inovação da DHL em Dubai, onde terão a oportunidade de fazer networking, trocar ideias e obter insights de negócios com especialistas e parceiros globais da DHL.
“O Prémio Exportadores do Ano é a nossa forma de destacar o importante papel que as PMEs desempenham no comércio internacional, pois, à medida que as PMEs crescem, as economias crescem e a vida das pessoas nas sociedades melhora. Este é um claro reforço do compromisso da DHL em Conectar Pessoas e Melhorar Vidas”, disse Heymans.
As inscrições para os prémios estão abertas e serão encerradas em 30 de Outubro de 2025. (Comunicado)
O FDH Bank, do Maláui, confirmou ter concluído a aquisição do Ecobank Moçambique, que passa a liderar, com uma quota de 98,87%, conforme informação enviada à bolsa de valores daquele país, noticiou neste domingo (28) a Lusa.
De acordo com a informação, o banco FDH concluiu a compra da totalidade da participação do grupo pan-africano Ecobank na instituição, enquanto a posição minoritária restante de 1,13% continuará a ser detida pelo Fundo para o Fomento de Habitação, do Estado moçambicano.
O processo de transição em curso, explica ainda o FDH na mesma informação enviada à Bolsa de Valores de Maláui, inclui “uma mudança de nome e reformulação da marca, para garantir continuidade e estabilidade para clientes, funcionários e outras partes interessadas”.
“Esta aquisição representa um marco significativo na estratégia de crescimento regional do FDH Bank Plc e reafirma o forte compromisso do banco em investir na África Austral. Espera-se que ofereça benefícios estratégicos, incluindo expansão de mercado, diversificação de receita, sinergias operacionais e criação de valor a longo prazo”, lê-se ainda.
A intenção de vender a participação foi oficialmente anunciada em 5 de Agosto pelo Ecobank, considerado principal grupo privado de serviços financeiros no continente, presente em 35 países da África Subsaariana.
“Esta transacção representa uma alteração estratégica na estrutura accionista e na gestão operacional, não se prevendo qualquer perturbação nas operações bancárias, activos ou colaboradores”, referia então a instituição financeira pan-africana.
Sem adiantar detalhes do investimento envolvido, tal como não foi feito pelo FDH na informação à bolsa, o grupo acrescentava que a transacção “obteve todas as aprovações regulatórias necessárias”.
O Ecobank operava até agora com agências nas principais cidades de Moçambique, desde 2000, tendo sido inicialmente constituído como Novo Banco, adoptando a designação actual em 2014, na sequência da aquisição então feita pelo grupo pan-africano.
Citado no comunicado de Agosto, o director-executivo do grupo Ecobank, Jeremy Awor, justificou a saída do banco em Moçambique como sendo uma decisão que “está alinhada” com a “estratégia de crescimento, transformação e retorno”.
O grupo Ecobank emprega mais de 14 mil colaboradores em África, contando com mais de 32 milhões de clientes, segundo dados da instituição
“Enquanto instituição financeira pan-africana, avaliamos continuamente as nossas operações para impulsionar um crescimento sustentável, mantendo sempre a nossa missão de promover a integração financeira e o crescimento económico em África”, acrescentou, garantindo que a venda da participação em Moçambique foi “cuidadosamente ponderada”.
“Apesar da alteração da nossa presença directa em Moçambique, o nosso compromisso com a integração financeira pan-africana e com o desenvolvimento económico do continente mantém-se mais forte do que nunca”, concluiu.
O grupo Ecobank emprega mais de 14 mil colaboradores em África, contando com mais de 32 milhões de clientes, segundo dados da instituição.
Em Moçambique existem actualmente activos 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.
A aquisição do Ecobank Moçambique pelo FDH Bank representa um passo decisivo na consolidação da sua presença na África Austral, ampliando a sua actuação para além das fronteiras malauianas e posicionando-o como um novo protagonista no espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Com esta operação, deixa de ser um banco restrito ao mercado do Maláui para se afirmar também em Moçambique, um dos mais relevantes e diversificados sistemas bancários da região. A entrada neste mercado abre caminho a futuras expansões dentro da SADC, permitindo explorar sinergias, parcerias estratégicas e uma maior integração de serviços financeiros entre países vizinhos. A presença em Moçambique cria ainda condições para servir, de forma mais competitiva, clientes corporativos e de retalho com operações transfronteiriças, comércio internacional e soluções financeiras inovadoras.
Fortalecimento competitivo
Ao assumir uma estrutura já operacional e com reconhecimento de mercado, o FDH Bank posiciona-se para disputar espaço com grandes players regionais e multinacionais, como Standard Bank, Absa e Nedbank, que já actuam em vários mercados da SADC. Esta expansão surge com a ambição de reforçar a capacidade de financiamento de projectos regionais, sobretudo em sectores estratégicos como o agro-negócio, energia, infra-estruturas e pequenas e médias empresas (PME).
Em síntese, a aquisição do Ecobank Moçambique marca a transformação do FDH Bank de uma instituição de alcance nacional para um banco regional, ampliando a sua relevância e capacidade de competir no sector financeiro da África Austral, ao mesmo tempo que se prepara para novas etapas de crescimento dentro da SADC.
Fontes ligadas ao projecto confirmam que a declaração de força maior que suspendeu as obras do empreendimento Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies em Afungi (Palma, Cabo Delgado), deverá ser oficialmente levantada na próxima semana, com sinais apontando para o dia 2 de Outubro.
O mercado tem vindo a especular há meses sobre o calendário para a retoma dos trabalhos no projecto, orçado em cerca de 20 mil milhões de dólares e com capacidade prevista de 13 milhões de toneladas por ano de gás liquefeito. Em declarações anteriores, o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, admitira a possibilidade de levantamento da força maior já no período estival, enquanto o responsável da companhia em Moçambique, Maxime Rabilloud, disse à comunicação social local que “estamos a preparar o levantamento da força maior; estamos a trabalhar arduamente para reiniciar o projecto”.
A fonte ouvida pela Upstream afirmou de forma peremptória, “It’s happening”, confirmando que o levantamento da medida está, de facto, agendado para uma data concreta na próxima semana. Outra fonte próxima do Mozambique LNG confirmou ainda a expectativa do anúncio.
Segundo a mesma reportagem, a engenharia do projecto encontra-se cerca de 90% concluída. Turbinas de gás estão a ser fabricadas no estrangeiro e os componentes concluídos “deverão começar a chegar pouco depois do levantamento da força maior”, citou a agência estatal AIM. A concretização destas entregas é considerada central para o reinício operacional das obras.
Espera-se que a cerimónia de anúncio atraia figuras de relevo do sector, além de Patrick Pouyanné, estão previstos representantes de ExxonMobil (cujo projecto Rovuma LNG partilhará o sítio de Afungi) e da Eni, bem como delegações das principais empreiteiras envolvidas, entre as quais Saipem, Technip Energies, JGC e TechnipFMC. Estas empresas deverão também participar nas fases imediatas de reabilitação logística e retoma de actividades.
O Mozambique LNG foi colocado sob força maior no início de 2021, na sequência dos ataques armados que afectaram a localidade de Palma e áreas próximas de Afungi, quando as obras de construção das instalações de liquefacção tinham apenas começado. Desde então, e apesar da suspensão formal, milhares de trabalhadores, muitos deles locais, têm permanecido no local ou nas imediações, preparando o terreno para a retoma oficial.
A reportagem refere ainda que, após o levantamento da força maior, os grupos adjudicatários de contratos adjudicados há mais de cinco anos iniciarão progressivamente os trabalhos de reinício. A Saipem aparece como o principal contratista EPC (engineering, procurement and construction) para as duas linhas de liquefacção, enquanto empresas como McDermott e Chiyoda passam a assumir papéis menores face a dificuldades financeiras recentes.
A TotalEnergies foi contactada para comentários sobre o assunto, segundo o documento, e fontes do processo aguardam apenas a confirmação final do governo, referido no texto como o governo do Presidente Daniel Chapo, para oficializar o calendário e permitir a chegada a Moçambique de representantes do sector, fornecedores e investidores para o que deverá ser considerado um evento de grande simbolismo económico. UPSTREAM ONLINE
A Embaixada dos Estados Unidos de América em Moçambique confirma, através de um comunicado de imprensa, a retoma do financiamento do programa Millennium Challenge corporations, avaliado em mais de 500 milhões de dólares de financiamento ao país, em vários programas de reconstrução e transformação social.
O programa havia sido suspenso pela administração Trump, no âmbito da reestruturação feita no início do ano, e que culminou com a retirada de vários projectos de apoio ao continente africano.
De acordo com o documento, a decisão de manter o programa em Moçambique foi tomada pelo Conselho de Administração da Millennium Challenge Corporation (MCC) durante uma reunião que teve lugar em Agosto, que recomendou o avanço do Compacto de Conectividade e Resiliência Costeira de Moçambique, no âmbito da revisão da assistenciais externa.
A Embaixada norte-americana garante que o programa “está plenamente alinhado com as prioridades da política externa dos EUA” e que “visa produzir benefícios concretos” para os dois povos.
O Acordo de Financiamento ao Compacto II foi assinado a 20 de Setembro de 2023 no Capitólio, em Washington e inclui uma nova ponte sobre o rio Licungo, na província da Zambézia, e uma circular integrada na mesma infra-estrutura.
Segundo a Embaixada, neste segundo, a aposta é melhorar as redes de transporte em áreas rurais, em sede do Projecto de Transportes e Estradas Rurais, onde se incluem a nova ponte sobre o rio Licungo e respectiva estrada de ligação, incentivar a agricultura comercial através de reformas políticas e fiscais (Projecto de Promoção de Investimentos e Reformas na Agricultura Comercial) e reforçar os meios de subsistência costeiros através de iniciativas de resiliência climática (Projecto Meios de Vida e Resiliência Climática) é igualmente parte das acções-chave do Compacto II para Moçambique.
Aos 500 milhões de dólares da MCC, somam-se 37,5 milhões de comparticipação do Estado moçambicano, conforme o Acordo de Financiamento.
A nível da África Austral, Moçambique e o único país que vai continuar a contar com a ajuda da MCC, dado que os outros países da região como Lesotho, Malawi e Zâmbia deixaram de beneficiar do apoio.
Apenas 17% da população moçambicana está coberta por algum tipo de seguro, segundo o secretário de Estado para o Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, que falava durante a XXIV Conferência Anual da Associação de Supervisores de Seguros dos Países Lusófonos (ASEL), realizada em Maputo.
Com uma população superior a 30 milhões de habitantes, o número de pessoas com seguro ainda é considerado bastante reduzido, sendo os homens os que mais recorrem aos serviços disponíveis. Segundo Tivane, “nós somos uma população de cerca de 32 milhões de habitantes, e mais da metade é economicamente activa. Contudo, em 2022, apenas 31% dos adultos possuíam uma conta bancária, a cobertura de pensões abrangia somente 14% da nossa população adulta e apenas 17% tinham acesso a algum serviço de seguro, actualmente”.
A baixa adesão reflecte a escassez de conhecimento da importância dos seguros e a fraca penetração do sector na economia, com apenas 2% de contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB), comparativamente aos 4% registados, em média, nos países da CPLP. A meta do Governo moçambicano é atingir os 3% nos próximos anos.
A conferência também destacou o papel da tecnologia como elemento essencial para impulsionar o sector segurador. A presidente do Conselho de Administração da ASEL, Ester José, defendeu a inovação como caminho para a inclusão. “O desafio é, agora, aliar-se à tecnologia para criar produtos personalizados e acessíveis, garantindo que o consumidor os utilize de forma consciente”, afirmou.
Ester José sublinhou ainda que “a inteligência artificial revela ser uma força transformadora que tende a redefinir a subscrição de riscos e a gestão de sinistros, trazendo novos desafios regulatórios para a ASEL”.
Para Moçambique, um dos países mais vulneráveis do mundo a eventos climáticos extremos, a necessidade de mecanismos de protecção torna-se cada vez mais urgente.
“Precisamos de um sector de seguros robusto, inclusivo e preparado para enfrentar os desafios do presente e do futuro, com destaque para as mudanças climáticas, apostando nas novas estratégias tecnológicas e na gestão sustentável dos nossos recursos naturais”, apelou Tivane.
“A necessidade de seguros paramétricos e agrícolas tende a deixar de ser um discurso académico para se tornar uma prioridade política”, alertou Ester José, sublinhando o papel estratégico do sector segurador na resiliência das economias lusófonas.
A porta-voz do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM), Francelina Sitoe, reconheceu que a falta de conhecimento e confiança nos seguros continua a ser uma barreira significativa. “Nem toda a população compreende a importância de assegurar a sua saúde e os seus bens, daí que precisamos de continuar a trabalhar para conquistar a confiança da população”, afirmou Sitoe.
O seguro automóvel continua a liderar a procura no país, mas, durante a pandemia da COVID-19, houve um crescimento expressivo dos seguros de vida, reflectindo uma mudança no comportamento dos consumidores moçambicanos.
O Governo e os operadores do sector comprometem-se a fortalecer a regulação, promover a inovação tecnológica e reforçar campanhas de educação financeira. A intenção é, não apenas aumentar a taxa de cobertura, mas também garantir que os seguros sejam ferramentas eficazes na protecção social e económica dos moçambicanos.
A petrolífera sul-africana Sasol, que explora os poços de gás natural de Pande e Temane na província meridional de Inhambane, consolidou a sua posição de destaque na economia moçambicana, ao canalizar 6,2 mil milhões de meticais (cerca de 92 milhoes de dólares) em impostos em 2024, valor que a mantém entre os três maiores contribuintes fiscais no país.
Nos últimos cinco anos, a companhia já entregou perto de 25 mil milhões de meticais (391 milhoes de dólares) aos cofres do Estado, confirmando-se como parceiro estratégico para o desenvolvimento económico.
Segundo o director-geral da Sasol em Moçambique, Ovídio Rodolfo, em entrevista a AIM, o cumprimento das obrigações fiscais é um dos compromissos centrais da empresa. “Estamos a cumprir rigorosamente o pagamento de todos os impostos devidos, desde o IRPC, com uma taxa de 32%, ao IVA, de 16%, royalties de 5% e o IRPS. Este compromisso já nos valeu várias distinções pela Autoridade Tributária”, afirmou.
Em 2024, a Sasol Petroleum Temane (SPT) foi reconhecida como terceiro maior contribuinte em IRPC. No ano anterior, em 2023, a empresa foi distinguida em duas categorias, maior contribuinte de IRPC e maior contribuição global no exercício económico.
A expectativa de receitas para Moçambique tende a crescer com a entrada em produção da licença o Projecto do Acordo de Partilha de Produção (PSA). Trata-se de um activo de desenvolvimento integrado que irá produzir gás natural, petróleo leve e gás de petróleo liquefeito (GPL), conhecido como gás de cozinha para serem comercializados em Moçambique prevista para o final de 2025.
Com um investimento de 760 milhões de dólares, este projecto vai representar uma mudança estrutural na matriz energética nacional, tendo em conta que, cerca de 60 por cento a 65 por cento do gás produzido será monetizado no mercado interno, contrastando com os 20 a 25 por cento actualmente consumidos no país pela licença Acordo de Produção de Petróleo (PPA), em vigor desde 2004.
Além disso, a Sasol já abastece cinco centrais termoeléctricas a gás em Moçambique, que juntas produzem 450 MW de energia, reforçando o papel da companhia na segurança energética nacional.
Outro marco do compromisso da Sasol é o aumento das compras locais, tendo despesa anual com fornecedores moçambicanos quase triplo em cinco anos, passando de 16,5 milhões de dólares em 2019 para 37 milhões em 2024. No mesmo período, os gastos com empresas de Inhambane multiplicaram-se por cinco, atingindo 13,2 milhões de dólares.
“Estamos a investir em Moçambique há mais de 20 anos, mesmo em contextos de instabilidade, porque acreditamos no potencial do país. Hoje, estamos a criar um mercado interno para o gás natural e a preparar oportunidades para os jovens e empresas locais no sector do oil & gas”, destacou Rodolfo.
A Sasol reforça ainda o seu impacto social através de acordos de envolvimento local, programas de geração de renda e investimentos em educação e comunidades, iniciativas que, segundo o director-geral, têm “virado a página” na relação com as populações das áreas de operação.
Com planos de expandir as actividades a jusante e contribuir para a transição energética, a Sasol reafirma-se como actor-chave não apenas no sector extractivo, mas também na construção de um futuro energético sustentável para Moçambique. AIM-Paulino Checo/sg
A Grindrod celebrou esta semana, em Maputo, o segundo aniversário da sua Campanha de Cultura de Segurança Bassopa, com a participação de mais de 300 pessoas entre colaboradores, contratados e parceiros num evento dinâmico que incluiu actuações culturais, partilhas de histórias pessoais e a entrega de prémios que reconheceram aqueles que vivem a segurança diariamente e que vão além dos valores da empresa.
Durante o evento, a Grindrod apresentou The Grindrod Way, uma estrutura recém-criada com foco no crescimento do negócio e na eficácia operacional através de uma abordagem centrada nas pessoas. Kwazi Mabaso, CEO da Divisão Bulk da Grindrod, afirmou: “Temos orgulho em apresentar The Grindrod Way, um modelo integrado que visa impulsionar tanto a excelência do cliente como a excelência operacional, dando sempre prioridade à segurança, aos padrões éticos e ao nosso propósito organizacional.”
Pedro Poh Quong, COO da Grindrod Bulk Moçambique, acrescentou: “O que começou como uma campanha é agora a nossa cultura. As equipas avaliam riscos rotineiramente, expressam as suas preocupações e apoiam-se mutuamente. A verdadeira conquista é todos regressarem a casa em segurança. Com o The Grindrod Way, estamos a incutir o mesmo cuidado, disciplina e excelência em todas as nossas operações.”
Desde o seu lançamento em 2023, a campanha Bassopa contribuiu para avanços significativos em segurança, incluindo uma redução de 62% em Acidentes com Perda de Tempo (LTI) e uma melhoria de 47% na Taxa de Frequência de Acidentes com Perda de Tempo (LTIFR). Estes resultados foram alcançados através de medidas proactivas como a promoção da comunicação aberta, a resolução de quase acidentes, a implementação de procedimentos estruturados de encerramento de turnos e a disponibilização de coaching entre pares.
The Grindrod Way abrange Segurança, Valores e Ética, Excelência no Cliente, Excelência Operacional e Reconhecimento, define indicadores-chave de desempenho (KPIs) claros, promove a resolução de problemas na sua raiz e reforça os princípios STIAD: Safely (Segurança), Think (Pensar), Identify (Identificar), Assess (Avaliar), Do (Fazer). Esta abordagem foi concebida para cultivar um ambiente que permita aos colaboradores alcançar alto desempenho, apoiar o sucesso dos clientes e garantir que o propósito da Grindrod seja constantemente refletido em todas as operações.