Thursday, September 3, 2026
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Workshop da EY Moçambique analisa impacto transversal da revisão fiscal na economia

A EY Moçambique, realizou em Maputo, um Workshop sobre os impactos da recente revisão da legislação fiscal, que introduz alterações estruturais aos códigos fiscais, aprovadas pelas Leis n.º 7 a 12/2025, inclusive, e ao regulamento do reembolso do IVA, aprovado pelo Decreto n.º 52/2025, todos de 29 de Dezembro, com implicações directas na tributação da actividade económica.

As novas medidas, com efeitos transversais sobre toda a actividade económica, do micro e pequeno empresário às grandes corporações, introduzem mudanças relevantes nos regimes do IVA, do IRPS e do IRPC, sobre as quais incidiu o evento, mas também nos regimes do ISPC, ICE e na Pauta Aduaneira (não abordados neste evento).

Em IRPC,  nos esperados grandes investimentos, em particular no sector de petróleo e gás, onde estão projectados mais de 70 mil milhões de dólares, destacam-se os impactos da redefinição do conceito de estabelecimento estável, com a redução do prazo de permanência no território moçambicano de 180 para 90 dias e o alargamento da incidência a prestações de serviços, incluindo serviços de consultoria e as prestações de serviços profissionais ou outras actividades, independentemente da presença física.

Na mesma linha, em sede de IRPS, verificou-se também uma tentativa de aumentar o volume de rendimentos tributáveis em Moçambique, nomeadamente através do aumento do número de trabalhadores oriundos do estrangeiro que passam a qualificar como residentes em Moçambique para efeitos fiscais, ao estreitaram-se significativamente as regras que determinam que um trabalhador seja considerado como residente fiscal em Moçambique.

Estas alterações poderão obrigar prestadores estrangeiros, mesmo em trabalhos pontuais de curta duração ou com rotação elevada de trabalhadores oriundos do estrangeiro, a reequacionar as suas operações e os seus modelos de negócio, trazendo constrangimentos adicionais à atracção de serviços especializados para Moçambique.

Já em sede IVA, destacam-se a tributação dos serviços e bens digitais bem como um conjunto de medidas que visam posicionar formalmente o IVA como uma fonte de financiamento das contas públicas, nomeadamente através do fim do efeito neutro da autoliquidação do IVA nas operações com entidades não residentes e da extensão de 30 para 150 dias do prazo para o reembolso do IVA pela Autoridade Tributária.

Europa lidera investimento estrangeiro em Moçambique com mais de 60 mil milhões de euros

A Europa é atualmente o maior investidor estrangeiro em Moçambique, com um volume de investimentos em projectos estruturantes que ultrapassa os 60 mil milhões de euros, concentrados sobretudo no sector energético, com destaque para o gás natural liquefeito (LNG).

A informação foi avançada por Simone Santi, presidente da Associação dos Empresários Europeus (EuroCam) e da Câmara de Comércio Moçambique–Itália, em entrevista recente à AIM.

“No geral, podemos dizer que a Europa investe em projectos de mais de 60 mil milhões de euros em Moçambique”, afirmou Santi, sublinhando que este valor corresponde à base consolidada dos investimentos já identificados.

Segundo o dirigente empresarial, quando se acrescentam os projectos das Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, em curso na província de Cabo Delgado, norte do país, o volume global de investimentos poderá ultrapassar os 80 mil milhões de dólares.

A maioria do capital está canalizado para os megaprojectos de óleo e gás, liderados por operadoras europeias. A italiana ENI destaca-se como um dos principais motores deste ciclo económico, com investimentos que já superam os 14 mil milhões de euros, tendo avançado recentemente para a duplicação do projecto, com novos aportes financeiros.

“Estamos a falar de um investimento gigantesco apenas da ENI”, frisou Santi.

A francesa TotalEnergies apresenta igualmente um volume de investimento semelhante, reforçando o peso europeu no sector energético moçambicano.

Para além das operadoras, os grandes contratos de engenharia, aquisição, construção, instalação e comissionamento (EPCIC) estão maioritariamente nas mãos de empresas europeias, como a italiana Saipem, a francesa Technip e a holandesa Van Oord.

Só estes contratos representam entre 20 e 30 mil milhões de dólares, sendo que a Saipem, por exemplo, detém um contrato avaliado entre 10 e 12 mil milhões de dólares.

De acordo com Simone Santi, o impacto destes investimentos vai muito além dos valores financeiros. Um único projecto pode empregar directamente mais de dois mil trabalhadores e gerar cerca de três mil subcontratações, criando um forte efeito multiplicador na economia nacional.

“As empresas europeias são aquelas que têm capacidade real de gerar emprego, transferência de tecnologia e subcontratação local”, sublinhou.

A liderança europeia estende-se ainda a outros sectores estratégicos, como o turismo, onde investidores portugueses, italianos e espanhóis têm presença significativa em Cabo Delgado, Inhambane, Gaza, e outras regiões costeiras. Grupos como a Pestana e a Visabeira consolidam projectos de longo prazo no país.

Nos materiais críticos e na mineração pesada, empresas irlandesas, alemãs e italianas desenvolvem investimentos em tantalite, carvão e ouro, incluindo tecnologias de recuperação e reutilização.

Santi referiu que a Itália assume um papel de relevo, não apenas no sector energético, mas também no agro-processamento, na digitalização, através do Plano Mattei, e no sector de águas, considerados eixos prioritários da cooperação económica bilateral.

Segundo o responsável da EuroCam, a confiança europeia em Moçambique assenta essencialmente em três factores: a estabilidade do país, as relações históricas com nações como Portugal e Itália, e o perfil de longo prazo das empresas europeias.

“Quem investe em Moçambique é para ficar. Não é investimento especulativo”, assegurou, acrescentando que a maioria dos empresários estabelece operações com uma visão de 20 a 30 anos.

Com uma forte base de pequenas e médias empresas, a Europa continua a posicionar-se como parceiro estratégico do desenvolvimento de Moçambique, apostando na industrialização, inovação tecnológica e valorização dos recursos nacionais, num ciclo de investimento que promete transformar estruturalmente a economia do país.

(AIM) – Paulino Checo

CCMUSA: AGOA poderá vigorar até 2028 e criar novas oportunidades para empresas moçambicanas

AGOA poderá vigorar até 2028 e criar novas oportunidades para empresas moçambicanas
A Câmara de Comércio Moçambique-Estados Unidos da América (CCMUSA) comunica aos seus membros sobre um desenvolvimento relevante no quadro das relações comerciais entre África e os Estados Unidos da América, com impacto directo para o sector privado moçambicano.

No último dia 13 de Janeiro de 2026, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a proposta de extensão do African Growth and Opportunity Act (AGOA) até 31 de Dezembro de 2028. O referido instrumento legal, que concede acesso preferencial (isenção de tarifas e quotas) ao mercado norte-americano para milhares de produtos oriundos de países africanos elegíveis, encontra-se actualmente em apreciação no Senado dos EUA, aguardando aprovação final e promulgação presidencial.

Importância Estratégica do AGOA

O AGOA constitui um dos principais pilares da cooperação económica e comercial entre os Estados Unidos e a África Subsaariana, promovendo:

• A expansão das exportações africanas para o mercado norte-americano;
• A diversificação da base produtiva e exportadora;
• A criação de emprego, com particular impacto nos sectores industrial e agro-industrial;
• O reforço da atractividade para o investimento directo estrangeiro.

Benefícios para Empresas Moçambicanas

A extensão do AGOA representa uma oportunidade relevante para os operadores económicos nacionais, destacando-se:

• Continuidade do acesso preferencial ao mercado dos EUA para produtos elegíveis, aumentando a competitividade das exportações moçambicanas;
• Maior previsibilidade e segurança jurídica para empresas já exportadoras e para novos projectos orientados à exportação;
• Potencial de crescimento em sectores como agro processamento, têxteis e vestuário, produtos industriais transformados e bens de valor acrescentado;
• Estímulo à captação de investimento e ao estabelecimento de parcerias comerciais com empresas norte-americanas.

A CCMUSA continuará a acompanhar atentamente a evolução do processo legislativo nos Estados Unidos e manterá os seus membros informados, bem como disponível para apoiar iniciativas empresariais que visem o aproveitamento dos benefícios do AGOA.

Reiteramos o nosso compromisso em promover o fortalecimento das relações económicas e comerciais entre Moçambique e os Estados Unidos da América.

Fidelidade Ímpar começa 2026 com confiança e reconhecimento Great Place to Work

O ano de 2025 foi bastante exigente tendo em conta a situação económica, ficou marcado por decisões de gestão muito desafiantes. Neste contexto, a Fidelidade Ímpar manteve um foco claro: cuidar das suas equipas, melhorar as condições de trabalho e fortalecer, de forma contínua, uma cultura interna baseada na confiança, proximidade e responsabilidade.

Depois de um ano atípico e exigente para o tecido empresarial em Moçambique, a Fidelidade Ímpar inicia 2026 com optimismo e um que reforça a confiança, reconhecimento consistência do seu posicionamento enquanto empresa centrada nas pessoas. Em Dezembro de 2025, a Seguradora recebeu a certificação do Selo Great Place to Work (GPTW) pela segunda vez.

O ano de 2025 foi bastante exigente tendo em conta a situação económica, ficou marcado por decisões de gestão muito desafiantes. Neste contexto, a Fidelidade Ímpar manteve um foco claro: cuidar das suas equipas, melhorar as condições de trabalho e fortalecer, de forma contínua, uma cultura interna baseada na confiança, proximidade e responsabilidade.

A certificação Great Place to Work conquistada confirma esse caminho. Mais do que um selo é o reflexo da opinião dos próprios colaboradores e da forma como vivem o dia a dia na organização.

Actualmente, a Fidelidade Ímpar é a única empresa em Moçambique com a certificação Great Place to Work, um reconhecimento internacional que avalia dimensões como credibilidade, respeito, equidade e orgulho no local de trabalho.

Começar 2026 com este reconhecimento é um sinal claro de continuidade e ambição. A par dos resultados positivos alcançados, mostra que é possível crescer de forma sustentável mesmo em contextos adversos, criando valor para as pessoas e para o mercado.

O nosso sucesso não se mede apenas em números. Mede-se na forma como trabalhamos, como cuidamos das nossas equipas e como construímos, ano após ano, um ambiente onde todos se sentem valorizados, seguros e motivados.

Em 2026, a Fidelidade Ímpar mantém o compromisso de continuar a investir nas pessoas, reforçar boas práticas de gestão e contribuir para um mercado de trabalho mais forte e resiliente em Moçambique.

Porque acreditamos que empresas sólidas se constroem com pessoas confiantes e com futuro.

Exportações industriais atingem 5,47 mil milhões USD, mas dependência de bens de capital persiste

  1. Em 2024, Moçambique exportou 5,47 mil milhões USD em produtos industriais e energéticos, enquanto importou 2,46 mil milhões USD em maquinaria e bens de capital.

Os dados de comércio externo de Moçambique referentes a 2024 revelam uma estrutura assimétrica entre exportações e importações, marcada pela forte concentração das vendas externas em produtos industriais e energéticos e por uma elevada dependência de bens manufacturados e de capital importados.

Fonte: TRADAR Club

De acordo com as projecções, os produtos químicos, industriais e combustíveis constituem o principal eixo das exportações nacionais, com um valor estimado em 5,47 mil milhões de dólares, superando largamente as importações da mesma categoria, avaliadas em 3,20 mil milhões de dólares. Este diferencial reflecte o peso crescente do sector extractivo, em particular do gás e do carvão, na balança comercial do país.

As exportações de metais e produtos metálicos ascenderam a 1,48 mil milhões de dólares, igualmente acima das importações, que se situaram em 0,60 mil milhões de dólares, confirmando a relevância dos recursos minerais como fonte de receitas externas.

Em contraste, o país apresenta défices expressivos em categorias associadas à industrialização e à modernização produtiva. As importações de maquinaria e produtos manufacturados complexos atingiram 2,46 mil milhões de dólares, face a exportações residuais de apenas 0,04 mil milhões, evidenciando a forte dependência externa de equipamentos, tecnologia e bens de capital.

Situação semelhante observa-se nos bens de consumo manufacturados, cujas importações totalizaram 1,07 mil milhões de dólares, comparativamente a exportações de 0,18 mil milhões, reflectindo limitações estruturais da indústria transformadora nacional.

No sector de alimentos e produtos agrícolas, as importações, avaliadas em 1,86 mil milhões de dólares, continuam a superar as exportações, que se fixaram em 1,01 mil milhões, sublinhando os desafios persistentes na substituição de importações e na agregação de valor à produção agrícola interna.

Fonte: TRADAR Club

Moçambique mantém abertura ao investimento estrangeiro e melhora perspectivas comerciais

Moçambique continua a afirmar-se como um destino aberto ao investimento estrangeiro, sustentado por melhorias graduais no quadro regulatório e fiscal, bem como por reformas em curso nas áreas tributária, laboral e de vistos, orientadas para o reforço da competitividade e para a atracção de maior participação do sector privado.

No âmbito do reforço do tecido empresarial nacional, o Governo lançou, em Outubro de 2025, um Fundo de Garantia Mútua no valor de 40 milhões de dólares norte-americanos, com o objectivo de ampliar o acesso ao crédito para as pequenas e médias empresas (PMEs). A iniciativa visa fortalecer a capacidade do sector privado doméstico e promover a sua integração em grandes projectos de energia e infra-estruturas.

As perspectivas comerciais do país registam sinais de melhoria, impulsionadas pela evolução dos investimentos em gás natural liquefeito (GNL) e pelo aprofundamento da integração regional no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). A modernização das infra-estruturas portuárias de Maputo, Beira e Nacala tem facilitado os fluxos comerciais com os mercados vizinhos, enquanto as zonas económicas especiais continuam a oferecer incentivos fiscais para investimentos nos sectores da energia, agro-indústria e logística.

Em termos de exportações, o gás natural e o carvão representaram cerca de metade das receitas de exportação de Moçambique em 2024. Com a entrada em funcionamento de todos os projectos de GNL actualmente planificados, prevê-se um aumento significativo dos volumes de exportação deste recurso. O crescimento do investimento no sector exportador tem sido acompanhado por uma maior procura de importações de bens intermédios e de capital.

Em 2024, os produtos químicos, industriais e combustíveis constituíram a principal categoria de importações do país, avaliada em 3,2 mil milhões de dólares, reflectindo a expansão das indústrias de infra-estruturas, construção e processamento.

Vodacom Moçambique reconhecida como Top Employer 2026 em Moçambique

A Vodacom foi distinguida como Top Employer número 1 em Moçambique, pelo terceiro ano consecutivo, reforçando o seu compromisso em oferecer um ambiente de trabalho moderno, inclusivo e orientado para o desenvolvimento das suas pessoas. O reconhecimento, atribuído pelo Top Employers Institute, destaca as práticas da empresa que impulsionam o desempenho, o envolvimento e o crescimento dos colaboradores.

Katia Meggy, Directora de Recursos Humanos da Vodacom, afirmou:
“Esta certificação reforça o nosso compromisso em criar um ambiente ético, inclusivo e focado no desenvolvimento das nossas pessoas. Na Vodacom, acreditamos que equipas motivadas são essenciais para a inovação, excelência operacional e para o contributo que damos ao desenvolvimento de Moçambique. Recebemos este reconhecimento com orgulho e com a responsabilidade de continuar a elevar os padrões de bem-estar, liderança e cultura organizacional no país.”

O CEO do Top Employers Institute, Adrian Seligman, comentou:
“Temos orgulho em reconhecer a Vodacom pelo seu contributo significativo para um melhor contexto laboral em Moçambique.”

A Certificação Top Employer oferece à Vodacom dados fiáveis, insights estratégicos e validação independente das suas práticas, fortalecendo a estratégia de pessoas e a capacidade de demonstrar impacto aos líderes e ao mercado de talento.

Presente em 131 países/regiões, o Top Employers Institute é a autoridade global em certificação, benchmarking e consultoria em RH. O seu Programa avalia organizações através do HR Best Practices Survey, que abrange seis domínios essenciais: Estratégia de Pessoas, Ambiente de Trabalho, Aquisição de Talento, Aprendizagem, Diversidade, Equidade & Inclusão e Bem-Estar.

Em 2025, o Programa certificou quase 2.500 Top Employers em 131 países/regiões, impactando positivamente mais de 14 milhões de colaboradores em todo o mundo.

Inflação média deverá subir de 4,8% em 2026 para 8,4% em 2027, prevê Oxford Economics

A inflação em Moçambique deverá abandonar a trajectória de abrandamento registada em 2025 e retomar uma dinâmica ascendente a partir de 2026, pressionada por factores cambiais, fiscais e estruturais. De acordo com a consultora britânica Oxford Economics, a inflação média poderá situar-se em 4,8% este ano, antes de acelerar para 8,4% em 2027, num cenário marcado pela retoma dos projectos de gás natural liquefeito, pela escassez de divisas e por ajustamentos esperados no valor do metical.

Da desinflação à pressão gradual sobre os preços

Após um período de moderação, em que a inflação anual caiu para 3,23% em 2025, praticamente metade da previsão inicial do Governo, os analistas da Oxford Economics consideram que os fundamentos macroeconómicos apontam para uma inversão gradual desta tendência. No curto prazo, a inflação deverá manter-se relativamente contida no primeiro trimestre de 2026, beneficiando da estabilidade cambial recente e da manutenção de taxas de juro reais elevadas por parte do Banco de Moçambique.

Contudo, este equilíbrio é visto como frágil. A consultora sublinha que a actual trajectória não incorpora ainda choques adicionais associados às cheias e perdas agrícolas recentemente registadas no país, factores que poderão exercer pressão adicional sobre os preços dos alimentos ao longo do ano.

Metical sobrevalorizado e reservas limitadas

Um dos principais motores da inflação projectada prende-se com o comportamento esperado da taxa de câmbio. Segundo a Oxford Economics, o metical permanece sobrevalorizado, num contexto de reservas internacionais limitadas e de crescente pressão externa, incluindo as exigências do Fundo Monetário Internacional em matéria de ajustamento macroeconómico.

Este enquadramento deverá conduzir o Governo e o banco central a promoverem uma desvalorização gradual da moeda em 2026, com impactos directos sobre os preços dos bens importados e sobre a inflação subjacente. À medida que os efeitos cambiais se tornem mais pronunciados, a consultora antecipa uma aceleração inflacionista mais forte em 2027.

Gás natural e política orçamental como factores de pressão

Outro elemento central da análise é o reinício dos grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL), que, embora positivos para o crescimento económico e para as exportações no médio prazo, tendem a gerar pressões inflacionistas no curto prazo, sobretudo através do aumento da procura interna, da circulação monetária e da pressão sobre serviços e bens não transaccionáveis.

A isto acresce a possibilidade de financiamento monetário do défice orçamental, num contexto de restrições fiscais e necessidades crescentes de despesa pública, cenário que, segundo os analistas, poderá contribuir para um aumento adicional da liquidez e, consequentemente, dos preços.

Comparação histórica e enquadramento regional

Apesar da trajectória ascendente prevista, a Oxford Economics sublinha que os níveis projectados permanecem, para já, abaixo dos picos históricos recentes. Em 2024, a inflação acumulada situou-se em 4,15%, após ter atingido máximos próximos de 13% em Julho de 2022, enquanto em 2023 rondou os 5,3%.

Ainda assim, a aceleração prevista para 2027 coloca Moçambique novamente numa posição de maior vulnerabilidade face a choques externos, sobretudo num contexto regional marcado por volatilidade cambial, pressões nos preços dos alimentos e custos energéticos incertos.

Implicações para a política monetária

A trajectória inflacionista antecipada reforça o dilema da política monetária em Moçambique. Por um lado, o Banco de Moçambique tem procurado manter uma postura restritiva para ancorar expectativas e conter a inflação; por outro, a necessidade de apoiar a recuperação económica e acomodar choques fiscais e externos limita a margem de manobra.

Neste contexto, a previsão da Oxford Economics sugere que a estabilidade de preços em 2026 será mais difícil de preservar, exigindo um delicado equilíbrio entre controlo da liquidez, gestão cambial e coordenação com a política orçamental.

Fonte: O.Economico

Moçambique dá passo decisivo no Coral Norte FLNG com lançamento do casco da unidade flutuante

O Governo de Moçambique e o consórcio liderado pela Eni Rovuma Basin (ERB) assinalaram, esta sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026, um marco determinante no desenvolvimento do Projecto Coral Norte FLNG, com a realização da cerimónia de lançamento do casco da unidade flutuante de produção de gás natural liquefeito (GNL). O acto teve lugar no estaleiro naval da Samsung Heavy Industries, em Geoje, na República da Coreia.

O lançamento do casco constitui um dos primeiros grandes marcos industriais do Projecto Coral Norte FLNG em 2026, confirmando o cumprimento do cronograma aprovado e o firme compromisso dos investidores com a implementação do segundo projecto de GNL de Moçambique.

Aprovado pelo Conselho de Ministros em Abril de 2025, o Projecto Coral Norte FLNG é uma réplica do Coral Sul FLNG, em produção desde 2022, sendo este o primeiro projecto a nível mundial a operar em águas ultra-profundas. O empreendimento integra uma infraestrutura flutuante para a liquefacção de gás natural, com capacidade de produção anual de 3,55 milhões de toneladas de GNL, suportada por seis poços de produção e respectivas infra-estruturas submarinas.

Até Novembro de 2025, o projecto registava um progresso global superior a 43%, tendo já sido assinados diversos contratos para a aquisição e instalação de equipamentos críticos. Para 2026, estão previstos marcos relevantes, entre os quais a perfuração dos seis poços de produção e a aprovação dos Contratos de Compra e Venda de GNL.

Com um investimento de 7,2 mil milhões de dólares norte-americanos, anunciado a 2 de Outubro de 2025, aquando da Decisão Final de Investimento (FID), o Projecto Coral Norte FLNG deverá gerar receitas estimadas em cerca de 23 mil milhões de dólares ao longo da sua vida útil. O projecto prevê igualmente a criação de emprego, com destaque para a contratação de trabalhadores nacionais e a implementação de um plano de nacionalização e sucessão, visando o reforço da qualificação da mão-de-obra moçambicana no sector, bem como a promoção da transferência de tecnologia e do conteúdo local.

O gás natural liquefeito produzido destina-se tanto ao mercado doméstico como à exportação, através de navios especializados. A infraestrutura flutuante será ancorada na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, a mais de 50 quilómetros da costa do distrito de Palma e a cerca de 10 quilómetros a norte da unidade Coral Sul FLNG. Com este projecto, Moçambique consolida-se como um dos principais polos mundiais de produção de GNL offshore.

União Europeia abre financiamento para empresas inovadoras

Empresários e líderes empresariais devem estar atentos a uma nova oportunidade de financiamento lançada pela Comissão Europeia, no quadro do mecanismo Global Gateway Early-Stage – Call for Proposals, uma chamada de propostas destinada a apoiar empresas da União Europeia nas fases iniciais de desenvolvimento de projectos em países parceiros.

De acordo com informação do European External Action Service, o instrumento visa transformar ideias promissoras em projectos estruturados e financeiramente viáveis, reforçando a presença europeia em sectores estratégicos e promovendo soluções sustentáveis à escala global.

O mecanismo prevê financiamento competitivo, com contribuições financeiras que variam entre 500 mil e 2 milhões de euros por projecto, conforme detalhado no portal oficial de financiamento da União Europeia. O apoio destina-se a cobrir etapas críticas de preparação, estruturação e amadurecimento de iniciativas com potencial de impacto económico e social.

Sectores estratégicos em destaque

A chamada de propostas incide sobre áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento sustentável e a transição digital, com destaque para:

  • Transportes;
  • Energia;
  • Inteligência Artificial;
  • Desenvolvimento urbano sustentável.

Estes sectores enquadram-se na estratégia Global Gateway, que procura mobilizar investimento europeu para infra-estruturas, inovação e soluções tecnológicas nos países parceiros da UE.

Quem pode candidatar-se

Podem submeter candidaturas empresas de diferentes dimensões, incluindo startups, pequenas e médias empresas e grandes grupos empresariais, bem como consórcios, parcerias público-privadas e outras entidades com projectos inovadores. O foco está em iniciativas com ambição de crescimento internacional e capacidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável nos mercados-alvo.

Prazo e submissão

O prazo para a submissão das propostas termina a 16 de Março de 2026, às 12h00 (hora de Bruxelas). Os interessados devem consultar atentamente as regras, critérios de elegibilidade e documentação exigida antes da submissão.

Mais informações e acesso ao formulário de candidatura estão disponíveis através do link oficial: https://lnkd.in/gvzuXq8h

Com este instrumento, a União Europeia reforça o apoio à inovação empresarial e cria uma janela de oportunidade para empresas que pretendam transformar ideias em projectos concretos, com escala internacional e impacto sustentável.