Moçambique está hoje na chamada lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional, o GAFI. Essa classificação significa, na prática, que o país ainda tem falhas no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. Ou seja, apesar dos compromissos assumidos pelo Governo, ainda há pontos fracos que precisam de ser corrigidos.
Mas a grande questão é: o que acontece se Moçambique não conseguir sair dessa lista?
Em primeiro lugar, há um problema imediato de confiança. Os parceiros internacionais passam a olhar para o sistema financeiro moçambicano com desconfiança. Isso leva a mais fiscalização em cada transação bancária, o que significa atrasos, burocracia e custos adicionais. Para as empresas, torna-se mais difícil atrair investimento estrangeiro. E para o comércio internacional, principalmente importações e exportações, surgem novos obstáculos que reduzem a competitividade das empresas nacionais.
Agora, se o país não só permanecer na lista cinzenta como evoluir para a lista negra, o cenário seria muito mais pesado. Isso poderia significar isolamento quase total do sistema financeiro mundial, restrições sérias no comércio, fuga de investimentos e até a imposição de sanções multilaterais. Em poucas palavras, seria um golpe duro para a economia moçambicana.
É importante lembrar que este desafio não é apenas do Governo. Vários sectores têm responsabilidades directas. Os bancos e instituições financeiras precisam reforçar mecanismos de compliance e controlo de clientes. As empresas devem apostar em governança e transparência. A Ordem dos Contabilistas tem de assegurar auditorias rigorosas, enquanto as Alfândegas precisam combater o contrabando e a subfaturação. Até a Ordem dos Advogados deve estar atenta, para que a profissão não seja usada como ferramenta de ocultação de fluxos ilícitos. E mesmo sectores como o comércio de veículos têm de garantir maior rastreabilidade nas suas operações.
No fundo, sair da lista cinzenta não depende só de leis ou regulamentos, mas de uma mudança de cultura, valorizar integridade e transparência em todos os níveis. Para isso, Moçambique precisa aplicar de forma consistente as recomendações do GAFI, investir na formação de profissionais de auditoria e supervisão e criar uma frente unida entre Estado, sector privado e sociedade civil.
Portanto, ficar ou sair da lista cinzenta vai depender de uma acção colectiva. Permanecer pode trazer consequências graves, e cair na lista negra seria ainda mais arriscado. Mas, se o país assumir de forma firme esse compromisso, pode não só recuperar credibilidade internacional como também abrir portas para mais investimento e crescimento económico.
No âmbito da realização, em Ricatla, Distrito de Marracuene, Província de Maputo, da Sexagésima Edição da Feira Internacional de Moçambique, (FACIM), a Ministra das Financas, procedeu na manhã desta segunda-feira, 25 de Agosto, à assinatura de contratos das primeiras 3 Garantias a serem celebradas entre a Sociedade de Garantia de Moçambique, representada pela Presidente do Conselho de Administração, Ana Beatriz Freitas e três bancos, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), representado pelo Presidente da Comissão Executiva, Francisco Machado Costa, o Standard Bank, representado pelo seu Administrador Delegado, Berdardo Aparício e por fim com o ABSA – Bank Moçambique, representado pelo seu Chief Risk Officer , Alberto Piroto sob o testemunho do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo.
Na sua intervenção, Carla Loveira disse que a assinatura dos Contratos de Ganrantia do Fundo de Garantia Mutuária representa um passo decisivo da estratégia de inclusão financeira e de dinamização da economia de Moçambique. Através das assinaturas de garantias que hoje testemunhamos será possível oferecer garantias complementares ao financiamento de micro, pequenas e médias empresas (MPME), abrindo caminho para que mais negócios em crescimento acedam ao crédito formal, mesmo na ausência de garantias tradicionais.
A titular das Finanças sublinhou que ao facilitar o acesso ao financiamento, o Fundo de Garantia Mutuária tornará visível uma nova geração de empreendedores moçambicanos que até hoje permanecia à margem do crédito formal, não por falta de mérito, mas por ausência de instrumentos adequados.
O lançamento do Fundo é acompanhado por um investimento inicial de 40 milhões de dólares, com o apoio de parceiros nacionais e internacionais, a expectativa é que, nos primeiros cinco anos, mais de 15.000 MPME beneficiem de garantias que facilitem o acesso ao crédito formal.
Ademais, com cobertura nacional e foco em sectores produtivos prioritários, a iniciativa pretende não apenas reforçar o ecossistema de financiamento, mas também estimular a transição de milhares de operadores informais para o tecido económico estruturado, fomentando assim a criação de empregos, o aumento da produtividade e o desenvolvimento local , assegurou Carla Loveira.
Refira-se que nos póximos dias seguirão na linha, outras instituições financeiras que actuam no mercano nacional.
O governo moçambicano distinguiu uma dezena de exportadores e investidores no país, um acto testemunhado pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
A distinção surge no âmbito da 60ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) evento que teve início esta segunda-feira (25) no posto administrativo de Ricatla, distrito de Marracuene, província meridional de Maputo.
Para o efeito, como maior exportador para grandes projectos, cuja classificação é única, o Executivo premiou a mineradora australiana Vulcan Resources, que opera desde 2022, as minas de carvão, no distrito de Moatize, província de Tete, centro do país.
No entanto, a província meridional de Gaza assumiu hoje o título de Província de Honra, pelo facto de exibir o potencial agrícola, mineral e turístico. Já a África do Sul coube o título País de Honra na 60ª edição da FACIM.
Maior Exportador do sector Agrícola
1º lugar: SANAM Sociedade Algodoeira de Namialo
2º lugar: Macs in Moz, Limitada
3º lugar: Belúzi Bananas, Limitada
Maior exportador do sector pesqueiro
1º lugar: Pescamar, Limitada
2º lugar: Marbeira Sociedade de Pescas, Limitada
3º lugar: Vitapesca, Limitada
Maior exportador do sector mineiro
1º lugar: JSPL Mozambique Minerals
2º lugar: Montepuez Ruby Mining
3º lugar: Haiyu (Mozambique) Mining Co
Maiores exportadores para os mercados preferenciais
Na União Europeia a fundição de alumínio Mozal, SARL.
Na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) está a empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que opera a barragem de Cahora Bassa, localizada em Tete.
Em termos de mercado preferencial para o mundo coube a Midal Cables.
No Malawi a M M Integrated Steel Millis Mozambique
Estados Unidos da América – Kenmare Moma Processing Limited
Maior Pequena e Média Empresa (PME) exportadora do sector agrícola, em classificação única, está a Sociedade Algodoeira de Mutuali, que opera no distrito de Malema, província nortenha de Nampula.
Maior PME exportadora do sector pesqueiro, igualmente de classificação única, venceu a Chicoa Fish Farm.
Maior PME exportadora do sector mineiro
1º lugar: Helin Mining Co, Limitada
2º lugar: RT Recursos de Tantalite, Limitada
No que concerne aos maiores investidores dos sectores, agrícola destacam-se Mpombe Macadamia; energia – Vulcan Central Termoeléctrica de Moatize; indústria – Robust International; e Turismo – Tinga Birds View Resorts.
Dirigindo-se aos vencedores, Chapo vincou que os prémios representam mais do que números e contratos, porque narram histórias de visão, resiliência e coragem, que apesar das adversidades que incluem ciclones, COVID-19, manifestações violentas e ilegais pós-eleitorais que destruíram bens públicos e privados, os empresários acreditaram em Moçambique, arriscando inovando e abrindo novos mercados.
“Estas empresas continuam firmes a confiarem neste grande Moçambique. Aos laureados, dirigimos palavras de apreço: o vosso sucesso é orgulho nacional e inspiração para toda a Nação moçambicana; o vosso exemplo deve guiar outros empreendedores, nacionais e estrangeiros, a acreditarem no seu potencial e a multiplicarem o impacto económico e social das suas iniciativas em Moçambique e acreditarem neste Moçambique próspero”, afirmou.
Com o lema “Promovendo a Diversificação Económica rumo ao Desenvolvimento Sustentável e Competitivo de Moçambique”, participam na 60ª edição da FACIM pelo menos 2.350 expositores nacionais e 800 estrangeiros, representando 30 países do mundo inteiro.
A Grindrod, grupo de portos e logística cotado na Bolsa de Joanesburgo (JSE), mantém-se sem um nome definido para suceder o CEO Xolani Mbambo, que anunciou a sua saída em junho devido a compromissos profissionais. A responsabilidade de encontrar quem o substituirá foi atribuída a uma empresa especializada em recrutamento executivo, com candidaturas abertas tanto internamente como externamente, confirmou a presidente do conselho, Cheryl Carolus.
Segundo Carolus, o objectivo é que o novo CEO esteja em funções antes de 31 de dezembro, data prevista para o fim do período de transição de Mbambo. Durante apresentação de resultados financeiros referentes ao primeiro semestre, Mbambo se despediu da equipa, ao mesmo tempo que sublinhava os avanços estratégicos da empresa, incluindo a concessão de acesso a um corredor ferroviário no programa de acesso aberto da Transnet, especificamente no Corredor Nordeste.
Financeiramente, a Grindrod registou uma queda de 8% na receita principal, caindo para 12,57 mil milhões de meticais (aproximadamente USD 198,8 milhões), e uma redução de 2% no lucro operacional, para 3,62 mil milhões de meticais (cerca de USD 57,3 milhões). Contudo, o grupo destacou a recuperação observada no segundo trimestre nos terminais de Matola e Maputo, com registo de volumes recordes de carga.
Paralelamente, a empresa concluiu a aquisição dos 35% restantes do Terminal de Matola, passando a deter, agora, 100% do activo, e firmou uma parceria com a Transnet National Ports Authority e a Eyamakhosi Resources para desenvolver uma instalação de movimentação de contentores em Richards Bay, na África do Sul.
Por fim, Cheryl Carolus destacou a prioridade imediata da administração: definir a liderança que conduzirá a Grindrod à próxima fase de crescimento estratégico. “Estamos confiantes de que encontraremos o perfil certo para liderar a Grindrod rumo à sua próxima etapa de expansão”, afirmou
Foi lançado, o Fundo de Garantias Mutuárias, em Ricatla, Marracuene, num valor de 40 milhões de dólares para financiar novos investidores que não possuem as garantias tradicionais.
O lançamento foi feito pela ministra das Finanças, Carla Louveira e vai beneficiar mais de 15 mil novas empresas, através de três bancos comerciais que operam no país, segundo avançou o “Notícias”.
A acção enquadra-se na cerimónia do “Dia do Exportador”, que marca o arranque da 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM 2025).
O Moza banco formou, durante o primeiro semestre do presente ano, mais de 6 mil empresários nacionais, oriundos de todo o país, em matérias de gestão empresarial.
Trata-se de uma actividade gratuita levada a cabo no quadro das ações que o Banco tem realizado para potenciar o desenvolvimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) Nacionais.
O programa e o plano temático da formação foram desenvolvidos e realizados virtualmente, através de uma plataforma criada em parceria com a Fundação Dom Cabral, uma instituição brasileira renomada, que figura entre as melhores escolas mundiais de negócios.
Além dos cerca de 6 mil empresários já formados, o Banco registou a inscrição de mais 1500 que, em breve deverão arrancar com as formações, buscando desta feita ferramentas essenciais para melhorar o funcionamento das suas empresas, sobretudo no que toca a organização e gestão financeira.
Durante a fase piloto do projecto, arrancado no ano passado, o Banco formou cerca de 50 empresas de vários ramos, com destaque para as áreas de tecnologia, farmácia, gráfica, segurança, abastecimento, catering e papelaria.
Para os formandos, a oportunidade responde a uma das suas principais necessidades.
“Esta é uma grande oportunidade para que possamos aprender a administrar e a desenhar planos que nos permitam criar um horizonte para os nossos negócios”, referem.
De acordo com o Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, estas formações vêm responder a uma questão que, muitas vezes, constitui entrava para o desenvolvimento das PMEs moçambicanas.
“Muitos empresários nacionais ainda enfrentam dificuldades na gestão financeira, sendo comum, por exemplo, confundir receita com lucro. A receita corresponde ao valor total que a empresa gera, enquanto o lucro é o que sobra depois de deduzidas todas as despesas.
Sem essa noção básica, torna-se difícil alcançar prosperidade. Por isso, unimo-nos à FDC para desenvolver programas de capacitação que ajudem os empresários nacionais a compreenderem este e outros temas fundamentais para o sucesso dos seus negócios”, justificou Manuel Soares.
Esta é mais uma iniciativa do Moza Banco, implementada no âmbito do seu compromisso com o desenvolvimento da economia nacional, através da potencialização daqueles que Fazem Acontecer a transformação positiva do país.
Ao introduzir o projecto em Moçambique, o Banco coloca em acção um dos seus principais valores, denominado Ganhar Juntos, com base no qual o Moza trabalha junto dos agentes económicos nacionais, em benefício último da economia nacional.
PROFILE Mozambique: A Vivo Energy Moçambique assinou recentemente um memorando de entendimento com a Vodafone M-Pesa. Que significado tem esta parceria para a empresa e para os consumidores moçambicanos?
Hugo Narcy: A Vivo Energy representa a marca Engen e os lubrificantes Shell, estando presente a nível nacional com cerca de 60 postos de abastecimento. Estes postos, formais e informais, são verdadeiros polos de atracção, por onde circula diariamente uma diversidade de clientes que já utilizam plataformas tecnológicas, como o M-Pesa.
Por isso, esta parceria faz todo o sentido. Queremos oferecer soluções mais convenientes, tanto para quem abastece combustível, como para quem utiliza os nossos espaços de conveniência. A integração das soluções de pagamento do M-Pesa nos postos Engen permitirá encurtar a distância entre o cliente e o produto final, através de uma experiência mais rápida, segura e simples.
Director Geral da Vivo Energy Moçambique, Hugo Narcy, e Sérgio Gomes, Director Geral da Vodafone M-Pesa.
Esta, no entanto, é apenas a primeira iniciativa. Combinando o poder tecnológico e a capacidade de análise estatística e financeira do M-Pesa com a nossa presença física no mercado, abrangendo passageiros, transportes e consumidores em geral, acreditamos que será possível desenvolver sinergias em diferentes áreas. O nosso propósito é criar soluções inovadoras, acessíveis e com impacto real na economia nacional, fortalecendo a inclusão financeira e oferecendo alternativas alinhadas ao estilo de vida dos moçambicanos.
PM: E para quando está previsto o arranque desta actividade em terreno?
HN: O roll-out desta iniciativa está previsto para as próximas três a quatro semanas, podendo até acontecer antes. Na verdade, a fase piloto já se encontra em andamento e o go-live será muito em breve. Dentro de pouco tempo, todos os nossos clientes poderão aceder ao M-Pesa e encontrar já disponível o produto desenvolvido em parceria com a Vivo Energy.
Numa fase inicial, iremos igualmente disponibilizar um cartão M-Pesa Vivo, que complementará a experiência digital. A partir daí, seguiremos com a expansão gradual da solução, de forma estruturada e adaptada às necessidades do mercado. Evidentemente, ainda não podemos revelar todos os detalhes, mas garantimos que este é apenas o início de um processo com grande potencial para transformar a relação dos consumidores com os nossos serviços.
PM: Gostaríamos de perceber como está o posicionamento da Vivo Energy no mercado neste momento e, em particular, no contexto do sector em que operam.
HN: Tal como aconteceu em praticamente todos os sectores, também fomos afectados pelos choques registados no terceiro e quarto trimestres do ano passado. Ainda sentimos alguns efeitos dessa conjuntura, mas conseguimos colocar-nos novamente de pé e traçar uma estratégia assente no essencial, focar-nos no básico e garantir que estamos a fazer as coisas certas neste momento.
Neste cenário, não podemos falar ainda em crescimento, sobretudo porque persistem restrições ao nível da importação de combustíveis. Trata-se de desafios estruturais que estamos a procurar ultrapassar em coordenação com o regulador, o Banco Central, o Governo e os restantes operadores privados do sector.
PM:E como é que a escassez de divisas impacta a vossa operação, em termos da gestão das actividades e do desenvolvimento do negócio?
HN: Mais do que a escassez de divisas em si, o que temos enfrentado são grandes dificuldades ao nível da importação, resultantes de um conjunto de factores. Naturalmente, a questão cambial é relevante, mas não é o único ponto de foco.
O que temos procurado fazer é desenhar uma estratégia que assegure as condições mínimas necessárias para a continuidade da nossa operação. Tal como as restantes gasolineiras, estamos a trabalhar em estreita articulação com o Banco Central, os bancos comerciais, o regulador e os demais parceiros do sector, de forma a encontrar soluções que nos permitam ultrapassar este cenário.
Vale destacar que, nos últimos dois a três meses, já se notou uma melhoria, o que nos dá confiança de que, paulatinamente, conseguiremos alcançar um equilíbrio mais favorável para o negócio e para o sector no seu conjunto.
PM: Quais são, neste momento, os principais desafios que persistem e que continuam a pesar sobre o sector das gasolineiras no país?
HN: Mais do que um desafio exclusivo das gasolineiras, estamos perante uma realidade que afecta toda a indústria. É inegável o impacto que os últimos acontecimentos, como manifestações, o período eleitoral e o contexto difícil que atravessamos, tiveram directamente no bolso do cidadão moçambicano.
Naturalmente, isso reflectiu-se nos volumes de consumo, no desempenho do nosso negócio e na capacidade de resposta do sector. O esforço que temos vindo a fazer é precisamente o de quebrar este ciclo adverso e caminhar para um ciclo mais favorável.
É um processo que levará tempo, mas acreditamos que, aos poucos, a economia moçambicana está a dar sinais de recomposição, o que abre espaço para que o sector recupere a sua estabilidade e volte a criar valor para todos os intervenientes.
PROFILE Mozambique:Vivo Energy Mozambique recently signed a memorandum of understanding with Vodafone M-Pesa. What does this partnership mean for the company and for Mozambican consumers?
Hugo Narcy: Vivo Energy represents the Engen brand and Shell lubricants, with a nationwide presence of around 60 service stations. These stations, both formal and informal, act as true hubs, attracting a diverse flow of clients every day, many of whom are already users of technological platforms such as M-Pesa.
That is why this partnership makes perfect sense. We want to provide more convenient solutions, not only for those refueling but also for those using our convenience spaces. The integration of M-Pesa payment solutions at Engen stations will bring customers closer to the final product through a faster, safer and simpler experience.
Hugo Narcy, Managing Director of Vivo Energy Mozambique, and Sérgio Gomes, Managing Director of Vodafone M-Pesa.
This, however, is only the first initiative. By combining M-Pesa’s technological strength and its statistical and financial analytics capabilities with our physical market presence, serving passengers, transport operators and consumers at large, we believe it will be possible to create synergies across multiple areas. Our goal is to deliver innovative, accessible solutions with a real impact on the national economy, strengthening financial inclusion and providing alternatives aligned with the lifestyle of Mozambicans.
PM:When is this initiative expected to go live on the ground?
HN: The roll-out of this initiative is scheduled within the next three to four weeks, possibly even sooner. In fact, the pilot phase is already underway, and the go-live will be very soon. In just a short time, all our customers will be able to access M-Pesa and use the product developed in partnership with Vivo Energy.
At an initial stage, we will also launch a M-Pesa Vivo card, designed to complement the digital experience. From there, we will proceed with a gradual, structured expansion of the solution, adapting it to market needs. Of course, we cannot reveal every detail just yet, but what we can assure is that this is only the beginning of a process with significant potential to transform the way consumers interact with our services.
PM:Could you share how Vivo Energy is positioned in the market right now, particularly within the sector you operate?
HN: As with almost every sector, we were impacted by the shocks recorded in the third and fourth quarters of last year. We still feel some of the effects of that environment, but we managed to stand back on our feet and design a strategy based on essentials, focusing on the basics and ensuring we are doing the right things at the right time.
In this context, we cannot yet talk about growth, particularly because restrictions on fuel imports remain in place. These are structural challenges that we are working to overcome in coordination with the regulator, the Central Bank, Government, and other private operators in the sector.
PM:And how does the shortage of foreign currency affect your operations, both in terms of managing activities and business development?
HN: More than the shortage of foreign currency itself, what we have been facing are major difficulties in imports, caused by a combination of factors. Naturally, the exchange rate issue is relevant, but it is not the only point of concern.
What we have sought to do is design a strategy that secures the minimum necessary conditions to ensure the continuity of our operations. Like other fuel companies, we are working closely with the Central Bank, commercial banks, the regulator, and other sector partners to find solutions that allow us to overcome this scenario.
It is worth noting that in the past two to three months we have already seen some improvements, which gives us confidence that, gradually, we will reach a more favorable balance for both our business and the sector as a whole.
PM:What are the main challenges that persist and continue to weigh on the fuel sector in the country?
HN: More than a challenge unique to fuel companies, we are dealing with a reality that affects the entire industry. It is undeniable that recent events, such as protests, the electoral period, and the difficult environment we are going through, had a direct impact on the wallets of Mozambican citizens.
Naturally, this has been reflected in consumption volumes, the performance of our business, and the sector’s ability to respond. The effort we have been making is precisely to break this adverse cycle and move towards a more favorable one.
It is a process that will take time, but we believe that, step by step, the Mozambican economy is showing signs of recovery, creating space for the sector to regain stability and resume generating value for all stakeholders.
A Vodafone M-Pesa, serviço de pagamentos móveis da Vodacom Moçambique, e a Vivo Energy Moçambique, empresa detentora da licença comercial Engen e distribuidora autorizada exclusiva de lubrificantes Shell, formalizaram a assinatura de um memorando de entendimento que impulsiona ainda mais a inovação e a inclusão financeira no país.
Sérgio Gomes, Director Geral da Vodafone M-Pesa e Director Geral da Vivo Energy Moçambique, Hugo Narcy.
O acordo prevê a integração das soluções de pagamento do M-Pesa nos postos Engen, permitindo que os clientes realizem as transacções de forma mais rápida, segura e fácil, fortalecendo o papel do M-pesa na liderança da inclusão financeira e na criação de alternativas acessíveis e adaptadas ao estilo de vida dos consumidores moçambicanos.
A iniciativa está alinhada com o compromisso da Vivo Energy Moçambique em apostar continuamente na inovação e na melhoria da experiência do cliente, através da introdução de soluções que facilitam o dia a dia dos consumidores Com este memorando, os clientes poderão utilizar o M-Pesa para pagar pelo abastecimento de combustível, realizar depósitos, levantamentos, transferências e efectuar pagamentos de outros serviços disponíveis.
A solução será implementada progressivamente em todos os postos de combustível, localizados em diferentes regiões do território nacional. Durante o evento, Sérgio Gomes, Director Geral da Vodafone M-Pesa, destacou o potencial da parceria para ampliar a rede de serviços financeiros digitais, reforçando que a iniciativa responde à crescente procura por soluções digitais, promove a inclusão financeira e se alinha ao compromisso da empresa em proporcionar maior conveniência e conforto ao cliente.
Complementando esta abordagem, para o Director Geral da Vivo Energy Moçambique, Hugo Narcy, a introdução dos serviços M-Pesa nos postos Engen é parte de uma estratégia de inovação e melhoria permanente da experiência do cliente.
A parceria contribuirá para o fortalecimento do ecossistema de pagamentos digitais em Moçambique, promovendo a formalização das transacções e incentivando o crescimento do comércio de proximidade, especialmente em áreas onde o acesso a soluções financeiras ainda é limitado. A partir de um reforço da Vodacom M-Pesa e Vivo Energy Moçambique, reafirma-se o compromisso com um país cada vez mais conectado, inovador e financeiramente inclusivo, alinhando as suas acções às metas nacionais de digitalização e ao desenvolvimento socioeconómico sustentável.
Profile Mozambique: Qual é hoje o papel da PwC Moçambique dentro da rede global da PwC e que enfoque a firma tem dado aos projectos de transformação empresarial no país?
Carlos Jerónimo: A PwC é uma network global de firmas, organizada em clusters regionais. No nosso caso, integramos a estrutura que agrega PwC Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Em cada geografia contamos com escritórios e equipas dedicadas a apoiar os clientes localmente. Em Moçambique, apesar da presença de longa data, durante muitos anos a operação esteve ligada à PwC África do Sul. Há cerca de dois anos, este quadro mudou e hoje estamos integrados neste cluster de países sob coordenação da PwC Portugal, reforçando a nossa capacidade de actuação no mercado nacional.
Na área que lidero, de transformação de negócio, apoiamos clientes de diversos sectores, energia, financeiro, industrial, serviços públicos, entre outros, em projectos estruturantes de transformação, que vão desde a redefinição de processos até à transformação digital. Com mais de 25 anos de experiência nesta área, posso afirmar que a tecnologia é uma peça central, mas não a única, neste processo.
O nosso modelo de intervenção cobre todo o percurso da transformação empresarial, planeamento estratégico, gestão de programas de transformação e implementação tecnológica. Fazemo-lo através de uma equipa multidisciplinar que integra especialistas em consultoria de gestão, finanças, recursos humanos, experiência do cliente, gestão de programas e tecnologia.
Alguns clientes optam por contar connosco em todas as fases, outros recorrem à PwC apenas em etapas específicas do processo.
É nesta lógica que actuamos, apoiar os clientes a tornarem-se mais ágeis, eficientes, competitivos e, no limite, contribuir para o crescimento da economia nacional.
PM: A PwC tem vindo a expandir a sua oferta formativa em Moçambique com foco em Digital & Analytics, IA, cibersegurança e transformação digital.
– Que papel desempenha essa crescente oferta formativa na democratização do acesso a dados de qualidade? A PwC vê os dados como uma commodity acessível apenas às grandes organizações ou como um recurso possível de ser agregado de forma ética e inclusiva, incluindo PME e sector público?
CJ: Quando falamos em transformação de negócios, há um factor central que se destaca, os dados. O crescimento exponencial do volume de dados, fenómeno global que também se verifica em Moçambique, coloca hoje às empresas o grande desafio de os transformar em informação útil e, mais do que isso, em valor económico. Todos os dias, em diversos sectores, da energia à indústria, das finanças ao consumo, são gerados milhões de dados. A questão é como extrair deles informação relevante para a tomada de decisão e como transformar essa informação em activos de negócio.
O conceito de dados como ‘commodity’ é relativamente recente, mas cada vez mais decisivo. Tal como outros recursos naturais, os dados estão a ser reconhecidos como activos económicos transacionáveis, com potencial para gerar novas fontes de receita e impulsionar a economia. Estudos internacionais estimam que a monetização de dados atinja taxas de crescimento anuais acima de 25% até 2034.
Neste contexto, há três dimensões fundamentais, em primeiro lugar, as empresas precisam definir modelos de negócio que lhes permitam rentabilizar os dados de forma estruturada. Em segundo, é essencial investir na literacia de dados, dotando colaboradores da capacidade de interpretar e utilizar informação de forma estratégica. Em terceiro, é necessário investir em tecnologia que permita não apenas armazenar, mas também analisar, visualizar e aplicar dados em tempo real.
Na PwC temos seguido essa lógica, começando internamente, com forte investimento na formação das nossas equipas em ferramentas de business intelligence, análise avançada e inteligência artificial. Hoje, grande parte do nosso trabalho, tanto dentro da organização como em projectos para clientes, assenta na utilização de dados e de tecnologia de ponta.
Em Moçambique, já estamos a levar esta experiência diretamente aos clientes, integrando a capacitação em projectos de transformação digital. Um exemplo é o sector público, onde apoiamos a implementação de novos sistemas de ERP ligados à energia. Mais do que substituir tecnologia, trabalhamos em paralelo na formação de quadros, garantindo que os colaboradores não apenas utilizam as novas ferramentas, mas também conseguem extrair delas informação relevante para decisões mais rápidas e eficazes.
PM: A PwC Moçambique presta apoio estratégico às funções financeiras e fiscais, ajudando a transformar dados em activos que permitem uma contabilidade e fiscalidade mais transparente e em tempo real.
– Num ambiente onde os dados contábeis são cada vez mais exigidos em tempo real e com maior transparência, como vê a PwC o papel dos dados como commodity estratégica para a integridade institucional? E que desafios tecnológicos ou regulatórios persistem nesse campo?
CJ: Na PwC Moçambique, entendemos que o desenvolvimento positivo que se verifica em Moçambique na adopção de legislação e normas contabilísticas e fiscais cada vez mais exigentes tem vindo a alinhar-se com padrões internacionais, comparáveis aos de países economicamente mais avançados. Observamos uma acção visível por parte do Governo e das autoridades competentes para garantir que o mercado cresça de forma sustentada, com regras claras, verificáveis e dentro de um âmbito de concorrência justa e regulada.
Reconhecemos que este contexto representa desafios significativos para as empresas, que precisam adaptar rapidamente os seus processos internos para cumprir eficazmente essas obrigações legais e fiscais. Na PwC, apoiamos as empresas neste percurso através de várias especialidades que harmonizamos dentro dos projectos que construímos.
Na vertente fiscal, contamos com uma tradição consolidada e liderança de mercado, garantindo que as obrigações legais e fiscais das empresas sejam cumpridas, contemplando aspetos financeiros e de recursos humanos. Paralelamente, a nossa área de auditoria assegura a revisão rigorosa destes processos. Ademais, na consultoria, ajudamos as empresas a criar estruturas e processos internos que facilitem a conformidade com estas regras fundamentais.
Destacamos ainda a importância da tecnologia na optimização destes processos. O que as empresas procuram cada vez mais é agilizar a gestão de informação e dados de forma íntegra, rastreável e centralizada. Assim, garantimos que os dados possam ser auditados e reconhecidos de forma confiável.
Por fim, enfatizamos a transformação dos dados de negócio em informação estratégica para a tomada de decisão. Para além de responder às obrigações legais, ajudamos as empresas a utilizar esta informação para definir estratégias de crescimento, decidir sobre financiamento, avaliar novos mercados e estruturar campanhas de marketing. Plataformas tecnológicas, como sistemas ERP, e modelos avançados de análise preditiva e inteligência artificial são essenciais para que os gestores possam projectar cenários e tomar decisões mais assertivas.
PM: Vai integrar o painel que abordará o tema “Monetização de dados e modelos de negócio”, na 7ª edição das Conferências Índico. Que contributos espera trazer para as empresas moçambicanas, para o sector público e, de forma abrangente, para toda a comunidade que irá acompanhar esta sessão?
Para nós, trata-se de um debate de enorme actualidade, sobretudo no contexto moçambicano, onde a gestão estratégica de dados pode ser um verdadeiro catalisador de eficiência e crescimento económico.
Acreditamos que a transformação digital deve assentar em três dimensões centrais. Em primeiro lugar, na capacidade de transformar dados em valor útil. Já não enfrentamos a escassez de informação, mas sim o excesso dela, por isso, torna-se essencial estruturar e organizar os dados de forma a gerar conhecimento com impacto real. Em segundo lugar, entendemos que a utilização dos dados deve tornar as organizações mais ágeis, competitivas e orientadas para resultados.
É fundamental irmos além do mero cumprimento de requisitos de reporte ou auditoria, usando os dados para reduzir custos, melhorar a experiência do cliente e criar novos modelos de negócio. Em terceiro lugar, defendemos que os dados são também uma alavanca para a inovação, permitindo desenvolver produtos, serviços e modelos de monetização já validados noutros mercados e que podem ser adaptados à nossa realidade.
Reconhecemos, contudo, que esta transformação exige três condições fundamentais, maior consciencialização executiva, definição de modelos de negócio sustentáveis baseados em dados e actualização dos quadros regulatórios, para assegurar confiança, rastreabilidade e transparência.
Acrescentamos ainda que tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial, blockchain e internet das coisas deixaram de ser opcionais e tornaram-se inevitáveis. Cabe, portanto, a cada organização definir o seu próprio roteiro de maturidade digital.