Friday, April 17, 2026
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Economia de Moçambique em Perspectiva: Crescimento de 4% em 2025, desafios e oportunidades à vista

O Banco Mundial (BM) projecta que a economia de Moçambique cresça 4% este ano e mantenha o mesmo ritmo em 2025. Embora estas previsões estejam alinhadas com o desempenho esperado para outras economias da África Subsaariana, representam um ligeiro recuo em relação às projeções anteriores do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previa um crescimento de 4,3% para 2025.

Segundo o relatório das Perspectivas Económicas Mundiais, divulgado na quinta-feira, o crescimento na região subsaariana deverá aumentar de 3,2% em 2024 para 4,1% em 2025, apoiado por condições financeiras mais estáveis e pela redução gradual da inflação. A  Guiné-Bissau lidera o crescimento entre os países lusófonos da região, com uma expansão económica prevista de 5%.

Contribuições regionais e desafios

O relatório do BM destaca o impacto positivo da melhoria no fornecimento de energia em alguns países da África Austral e do aumento da produção de petróleo na Nigéria, mas aponta também para desafios significativos. A inflação, que registou níveis historicamente altos durante a pandemia de Covid-19, começa a dar sinais de abrandamento em grande parte da região, embora a pressão sobre os preços dos alimentos continue elevada.

“Fortes aumentos de preços e depreciações cambiais marcaram o desempenho de várias economias da região em 2024, como Nigéria e Angola, onde a inflação atingiu picos de 30%”, refere o documento.

Para Moçambique, o crescimento projectado reflecte os esforços do governo em consolidar a estabilidade macroeconómica, mas enfrenta obstáculos relacionados à recuperação das atividades económicas pós-pandemia e aos conflitos internos, que continuam a afectar a dinâmica produtiva e o investimento.

Ritmo global e impacto local

O BM alerta que, apesar do crescimento moderado, as economias da região continuarão a enfrentar desafios estruturais, incluindo elevados níveis de endividamento e fragilidades nos sistemas de saúde e educação. Para Moçambique, a sustentabilidade do crescimento dependerá de uma gestão eficaz dos recursos naturais e de políticas que promovam a diversificação económica e atraiam investimento estrangeiro.

O relatório enfatiza que a recuperação económica na região, incluindo Moçambique, está condicionada a factores externos, como a volatilidade dos mercados globais e as incertezas geopolíticas, além de variáveis internas, como a implementação de reformas estruturais e o fortalecimento da governação.

Com a previsão de um crescimento económico de 4%, Moçambique terá pela frente um ano de desafios e oportunidades. A manutenção de políticas macroeconómicas consistentes e o foco no fortalecimento do sector privado serão cruciais para garantir um crescimento sustentável e inclusivo que beneficie a maioria dos moçambicanos.

TotalEnergies substitui gestor do projecto Mozambique LNG

A TotalEnergies, multinacional francesa do sector de petróleo e gás, nomeou Nicolas Cambefort como novo gestor do projecto Mozambique LNG, em substituição de Stéphane Le Galles. Cambefort chegou recentemente a Maputo para assumir o cargo, num momento em que a empresa se prepara para uma possível retoma da construção das unidades de liquefacção na província de Cabo Delgado ainda este ano.

O projecto, que prevê a construção de duas unidades de liquefacção com capacidade total de 13 milhões de toneladas por ano, está suspenso desde Dezembro de 2020, tendo sido declarado força maior em Abril de 2021 devido à insegurança na região. Cambefort, engenheiro formado na École Nationale Supérieure d’Arts et Métiers, tem vasta experiência, incluindo funções em parques eólicos offshore e passagens por países como Noruega, Estados Unidos e Indonésia, embora esta seja a sua primeira missão em África.

Ele trabalhará em colaboração com Maxime Rabilloud, líder da subsidiária da TotalEnergies em Moçambique desde 2021, que aguarda ansiosamente a retoma do projecto.

A TotalEnergies monitora de perto a gestão do novo Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, diante da crise política e da violência após as eleições de Outubro de 2024. A empresa também observa o impacto da colaboração com as forças ruandesas destacadas desde 2021 para estabilizar a província rica em gás.

Outro factor determinante é a decisão do Exim Bank dos EUA sobre garantias financeiras para o Mozambique LNG, adiada devido à transição administrativa nos Estados Unidos. Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, espera que a nova administração republicana, assumida por Donald Trump, facilite o processo. ExxonMobil, que também opera na península de Afungi, apoia a TotalEnergies na obtenção dessas garantias, essenciais para assegurar investimentos adicionais.

Mais 27 PME’s capacitadas para enfrentar desafios do mercado

Vinte e sete empresas, de diversos pontos do País, em representação de treze sectores de actividade, participaram, recentemente, na quinta edição do Icreate, um programa de fortalecimento das capacidades das Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais, promovida pelo Standard Bank, através da sua Incubadora de Negócios.

A iniciativa, que teve a duração de sete semanas, teve por objectivo preparar este segmento de empresas para escalabilidade e crescimento.

Através desta iniciativa, o Standard Bank reitera o seu compromisso em fortalecer a economia local e promover o crescimento sustentável da economia do País, cujo futuro está intrinsecamente ligado à maximização do potencial das PME, que constituem, na verdade, a espinha dorsal da economia.

Concebida, pela primeira vez, exclusivamente para os clientes do Standard Bank, o programa oferece ferramentas e recursos personalizados para aumentar a competitividade e a sustentabilidade a longo prazo, incluindo um acompanhamento ainda mais personalizado e soluções sob medida para cada negócio, capacitando as empresas para enfrentar os desafios do mercado e a alcançar os seus objectivos.

Márcia Karim, Directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank

Intervindo na cerimónia de encerramento, a directora da Banca Comercial e de Negócios do Standard Bank, Márcia Karim, explicou que o banco pretende, com a iniciativa, impulsionar o crescimento de Moçambique.

“Estamos focados em capacitar as nossas PME, porque pretendemos que elas continuem a crescer. Gostaria de enfatizar o nosso compromisso de continuarmos a contribuir para o desenvolvimento sustentável das PME e a criar um futuro próspero para Moçambique”, acrescentou.

Na ocasião, os participantes enalteceram a iniciativa do Standard Bank que, na sua opinião, representa o início de uma nova fase para os seus negócios.

É o caso de Justino Gemo, da empresa Infordata, uma firma que actua na área de tecnologia: “Temos a certeza de que, depois desta formação, vamos caminhar mais fortes e colocar os nossos negócios num patamar mais alto. Tudo o que aprendemos foi muito importante para nós, por isso prometemos tirar maior proveito para o desenvolvimento dos nossos negócios”, assegurou.

Por seu turno, Almina Monjane, da Ecotech, do sector de limpeza, fumigação e gestão de resíduos sólidos, considerou muito proveitosa a sua participação no Icreate, cujos conteúdos e ferramentas transmitidas “vão contribuir significativamente para o crescimento da nossa empresa”.

“Aprendi muita coisa que vou colocar em prática, principalmente no que diz respeito à inovação, que pensei que fosse sinónimo de criar algo novo. Aprendi, ainda, sobre como me posicionar em tempos de crise, o que fazer, como agir, etc. Em suma, são esses detalhes que fazem a diferença no nosso negócio”, afirmou.

Potencial económico e barreiras ao investimento directo em 2025

Moçambique apresenta-se como um destino atractivo para o Investimento Estrangeiro Directo (IED), posicionando-se como um importante actor no crescimento económico da África Austral. Com uma vasta riqueza de recursos naturais, terras aráveis e uma localização estratégica ao longo do Oceano Índico, o país continua a atrair a atenção de investidores globais. No entanto, para 2025, as perspectivas de investimento permanecem moldadas por um equilíbrio entre oportunidades significativas e desafios estruturais.

Sectores promissores para investimento

Energia e Recursos Naturais

O sector energético lidera como o principal atrativo para os investidores estrangeiros, com destaque para os projectos de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, que têm captado a atenção de multinacionais como a TotalEnergies e a ExxonMobil. Estes projectos, além de prometerem receitas significativas para o país, têm o potencial de transformar Moçambique num dos maiores exportadores de gás natural no mundo.

Para além do gás, os recursos minerais, como carvão, grafite e rubis, continuam a atrair investidores, particularmente da Ásia e da Europa. Moçambique é um dos maiores produtores de grafite de alta qualidade, essencial para a produção de baterias de iões de lítio, alimentando a revolução energética global.

Agricultura e Agro-processamento

Com mais de 36 milhões de hectares de terra arável, apenas uma pequena percentagem está a ser cultivada de forma eficiente. Este facto apresenta uma oportunidade única para o investimento em culturas comerciais, como algodão, caju, açúcar e horticultura. A crescente procura por alimentos a nível global torna a agricultura uma área promissora para a expansão do IED.

Ademais, o desenvolvimento de unidades de agro-processamento para transformar produtos agrícolas localmente pode aumentar a competitividade de Moçambique no mercado global, ao mesmo tempo que gera empregos e promove o desenvolvimento rural.

Turismo

Com paisagens diversificadas que incluem praias deslumbrantes, reservas naturais e patrimónios culturais únicos, Moçambique apresenta-se como um destino turístico emergente. Locais como o Arquipélago de Bazaruto e a Reserva Nacional do Niassa atraem turistas em busca de experiências autênticas e exclusivas. O desenvolvimento de infra-estruturas turísticas modernas, como hotéis, resorts e transporte, é essencial para potenciar o crescimento do sector.

Desafios regulatórios e estruturais

Ambiente legal e burocracia

Embora Moçambique tenha avançado em reformas regulatórias, o ambiente jurídico para o IED ainda apresenta desafios significativos. A lei que regula o Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) continua a ser uma barreira para investidores estrangeiros, dada a exigência de que a terra seja propriedade do Estado e apenas concedida sob determinadas condições.

Além disso, a burocracia nos processos de licenciamento e a falta de clareza nas políticas fiscais muitas vezes desencorajam investimentos de longo prazo. A simplificação destes processos é uma prioridade para melhorar a competitividade do país.

Infra-estruturas e conectividade

A insuficiência de infra-estruturas de transporte, energia e comunicação é um dos principais obstáculos ao crescimento económico. Portos como os de Maputo, Beira e Nacala desempenham um papel crucial no comércio internacional, mas carecem de modernização para atender à crescente procura.

O desenvolvimento de redes rodoviárias e ferroviárias que conectem as regiões produtoras aos mercados internacionais também é essencial para reduzir os custos de logística e aumentar a atratividade de Moçambique para os investidores.

Instabilidade política e percepção de risco

Embora os esforços para estabilizar a situação política e combater a insegurança no norte de Moçambique sejam notáveis, as percepções de risco associadas a conflitos armados e à corrupção continuam a preocupar os investidores. Melhorar a transparência e reforçar o Estado de Direito são passos essenciais para garantir a confiança dos investidores.

Iniciativas para atrair o IED

Reformas e incentivos governamentais

O governo moçambicano, através da Agência de Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), tem implementado incentivos fiscais e financeiros para atrair investidores. Estes incluem isenções de impostos, facilitação de vistos e acesso a zonas económicas especiais, como a de Nacala, que oferecem condições favoráveis para o investimento.

Ademais, a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2025-2044 prioriza a criação de um ambiente de negócios favorável, enfatizando a necessidade de diversificar a economia e promover a industrialização.

Parcerias Público-Privadas (PPPs)

As PPPs têm sido promovidas como um modelo viável para o desenvolvimento de infra-estruturas e serviços essenciais. Estas parcerias permitem aos investidores participar em projectos estratégicos, como a construção de estradas, portos e centrais eléctricas, garantindo retornos sustentáveis.

Perspectivas para 2025

Para 2025, Moçambique enfrenta um cenário promissor, mas desafiante. O sucesso em atrair e reter investimentos estrangeiros dependerá de reformas profundas, modernização de infra-estruturas e da estabilidade política e económica.

Enquanto sectores como o gás natural, a agricultura e o turismo continuam a liderar como áreas de crescimento, o país deve apostar na diversificação económica e no fortalecimento das suas capacidades institucionais. Moçambique tem o potencial de se tornar um destino de referência para o IED na África Austral, mas apenas com uma abordagem integrada e estratégica será possível transformar oportunidades em realidades tangíveis.

Economic Potential and Barriers to Direct Investment in 2025

Mozambique positions itself as an attractive destination for Foreign Direct Investment (FDI), emerging as a key player in the economic growth of Southern Africa. With vast natural resources, arable land, and a strategic location along the Indian Ocean, the country continues to capture the attention of global investors. However, for 2025, investment prospects remain shaped by a balance between significant opportunities and structural challenges.

Promising Sectors for Investment

Energy and Natural Resources

The energy sector stands out as the primary attraction for foreign investors, with a particular focus on liquefied natural gas (LNG) projects in the Rovuma Basin, which have garnered the interest of multinationals such as TotalEnergies and ExxonMobil. These projects, in addition to promising significant revenue for the country, have the potential to transform Mozambique into one of the world’s largest natural gas exporters.
Beyond gas, mineral resources such as coal, graphite, and rubies continue to draw investors, especially from Asia and Europe. Mozambique is one of the largest producers of high-quality graphite, which is essential for manufacturing lithium-ion batteries, driving the global energy revolution.

Agriculture and Agro-Processing

With over 36 million hectares of arable land, only a small percentage is being efficiently cultivated. This presents a unique opportunity for investment in cash crops such as cotton, cashew, sugar, and horticulture. The growing global demand for food positions agriculture as a promising area for FDI expansion.
Additionally, the development of agro-processing units to locally transform agricultural products could enhance Mozambique’s competitiveness in the global market while generating jobs and promoting rural development.

Tourism

With diverse landscapes that include stunning beaches, natural reserves, and unique cultural heritage, Mozambique presents itself as an emerging tourist destination. Locations such as the Bazaruto Archipelago and the Niassa National Reserve attract tourists seeking authentic and exclusive experiences. The development of modern tourist infrastructure, including hotels, resorts, and transport networks, is essential to unlocking the sector’s growth potential.

Regulatory and Structural Challenges

Legal Environment and Bureaucracy

While Mozambique has made progress in regulatory reforms, the legal framework for FDI still presents significant challenges. The law governing Land Use and Benefit Rights (DUAT) remains a barrier for foreign investors, as land is state-owned and only granted under specific conditions.
Additionally, bureaucracy in licensing processes and a lack of clarity in fiscal policies often discourage long-term investments. Simplifying these processes is a priority to enhance the country’s competitiveness.

Infrastructure and Connectivity

The insufficiency of transport, energy, and communication infrastructure is one of the main obstacles to economic growth. Ports such as Maputo, Beira, and Nacala play a crucial role in international trade but require modernization to meet growing demand.
The development of road and rail networks connecting production regions to international markets is also essential to reducing logistics costs and increasing Mozambique’s appeal to investors.

Political Instability and Risk Perception

Although efforts to stabilize the political situation and combat insecurity in northern Mozambique are noteworthy, perceptions of risk associated with armed conflicts and corruption continue to concern investors. Improving transparency and strengthening the rule of law are critical steps to ensuring investor confidence.

Initiatives to Attract FDI

Government Reforms and Incentives

The Mozambican government, through the Investment and Export Promotion Agency (APIEX), has implemented fiscal and financial incentives to attract investors. These include tax exemptions, visa facilitation, and access to special economic zones such as Nacala, which offer favorable investment conditions.
Moreover, the National Development Strategy (ENDE) 2025-2044 prioritizes creating a business-friendly environment, emphasizing the need to diversify the economy and promote industrialization.

Public-Private Partnerships (PPPs)

PPPs have been promoted as a viable model for developing essential infrastructure and services. These partnerships enable investors to participate in strategic projects such as constructing roads, ports, and power plants, ensuring sustainable returns.

Prospects for 2025

For 2025, Mozambique faces a promising but challenging landscape. Success in attracting and retaining foreign investments will depend on deep reforms, infrastructure modernization, and political and economic stability.

While sectors such as natural gas, agriculture, and tourism continue to lead as growth areas, the country must focus on economic diversification and strengthening institutional capacities. Mozambique has the potential to become a leading FDI destination in Southern Africa, but only with an integrated and strategic approach will it be possible to turn opportunities into tangible realities.

Portos de Maputo, Beira e Nacala: O Triângulo estratégico que impulsiona o comércio em África

Moçambique, com a sua extensa costa ao longo do Oceano Índico, possui uma localização estratégica que o posiciona como um importante centro de comércio internacional na África Austral. Os portos de Maputo, Beira e Nacala desempenham um papel crucial na facilitação das trocas comerciais, não só para o país, mas também para as nações vizinhas sem acesso directo ao mar.

Porto de Maputo: Porta de entrada para a África Austral

O Porto de Maputo é um dos principais pontos de entrada e saída de mercadorias em Moçambique. A sua gestão está a cargo da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), que supervisiona tanto as infraestruturas portuárias como ferroviárias do país.

Este porto é fundamental para o comércio, facilitando o acesso a mercados em toda a região da África Austral.

Porto da Beira: Ligação estratégica ao interior da África

O Porto da Beira destaca-se pela sua eficiência no atendimento aos países do interior, como o Malawi, Zâmbia e Zimbabwe. Através do Corredor da Beira, este porto facilita o escoamento de mercadorias, sendo considerado o mais eficiente a servir o Malawi e a região circundante.

A empresa Cornelder de Moçambique gere as operações portuárias na Beira, incluindo a movimentação de petroleiros e outras embarcações.

Porto de Nacala: O Porto natural mais profundo da região

O Porto de Nacala é reconhecido como o porto natural mais profundo da África Austral, permitindo a atracação de navios de grande calado. Este porto serve não apenas o norte de Moçambique, mas também países como o Malawi e partes da Zâmbia, através de uma rede ferroviária que se estende por 931 km.

Recentemente, o Porto de Nacala registou um marco significativo ao atingir a movimentação de 100 mil TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) em 2024, consolidando-se como um hub logístico internacional.

Corredores de Desenvolvimento: Integração regional e facilitação do comércio

Os portos de Maputo, Beira e Nacala estão integrados em corredores de desenvolvimento que conectam Moçambique aos países vizinhos:

  • Corredor de Maputo: Liga o porto à África do Sul e Eswatini, facilitando o fluxo de mercadorias entre estes países e o mercado global.
  • Corredor da Beira: Conecta o Porto da Beira ao Zimbabwe, Zâmbia e Malawi, sendo vital para o escoamento de produtos destes países.
  • Corredor de Nacala: Serve principalmente o Malawi e partes da Zâmbia, oferecendo uma rota eficiente para o comércio internacional.

Desafios e Perspectivas

Apesar da importância estratégica, os portos moçambicanos enfrentam desafios como a necessidade de modernização das infraestruturas, melhoria na eficiência operacional e superação de barreiras burocráticas. Esforços têm sido feitos para atrair investimentos e parcerias que visem a expansão e modernização das capacidades portuárias, garantindo que Moçambique continue a desempenhar um papel central no comércio internacional da região.

Em linhas gerais, os portos de Maputo, Beira e Nacala são pilares fundamentais para o comércio internacional de Moçambique e da África Austral. A sua localização estratégica e as conexões ferroviárias e rodoviárias associadas permitem que o país funcione como um corredor vital para o escoamento de mercadorias, impulsionando o desenvolvimento económico regional.

Vodacom é classificado como o melhor empregador em África pelo segundo ano consecutivo

Vodacom é Classificado como o Melhor Empregador em África pelo Segundo Ano Consecutivo
O Grupo Vodacom foi nomeado pela Top Employers Institute como o Melhor Empregador de África pelo segundo ano consecutivo. Esta prestigiada certificação e a posição de primeiro lugar abrange o Grupo Vodacom, a Vodacom África do Sul, a Vodacom Moçambique, a Vodacom Tanzania e a Safaricom Quénia.
O Top Employers Institute concede este prémio às empresas com base no seu desempenho em áreas-chave de Recursos Humanos, como Estratégia de Pessoas, Ambiente de Trabalho, Aquisição de Talento, Aprendizagem e Bem-Estar.
“Estamos extremamente orgulhosos por sermos novamente reconhecidos como o Melhor Empregador em Moçambique. Este prémio reflecte o nosso compromisso em proporcionar um ambiente de trabalho onde os colaboradores se sintam apoiados, valorizados e motivados a dar o melhor de si. Ao investirmos continuamente em políticas e práticas inclusivas, demonstramos o nosso propósito de conectar Moçambique e toda a África a um futuro melhor,” afirmou Simon Karikari, CEO da Vodacom Moçambique.
Em 2024, a Vodacom reforçou a sua Proposta de Valor com ofertas para colaboradores que reforçam o seu compromisso em criar um ambiente de trabalho inclusivo e de apoio. Com ênfase em Compaixão, Aceitação, Respeito e Empatia (C.A.R.E.), as iniciativas de bem-estar da empresa incluem apoio para todas as fases da vida, como a menopausa, e uma política de licença por responsabilidades familiares mais abrangente. “Esta distinção reafirma o compromisso que temos em cuidar dos nossos colaboradores e criar condições para o seu desenvolvimento. É um orgulho liderar uma equipa comprometida, que não só contribui para o sucesso da nossa organização, mas também para a capacitação das nossas comunidades. Iniciativas como o Digital Skills Hub são uma extensão deste propósito, ao oferecer aos jovens moçambicanos e africanos no geral, a oportunidade de adquirir competências digitais essenciais para o futuro,” acrescentou Katia Meggy, Directora de Recursos Humanos da Vodacom Moçambique.
Desenvolvido em colaboração com outras organizações tecnológicas, incluindo Amazon Web Services e Microsoft, o Vodacom Digital Skills Hub tem como objectivo aumentar a literacia digital em África, colmatando a lacuna de competências digitais em oito países africanos, África do Sul, Etiópia, Tanzania, Moçambique, Lesoto, Egipto, República Democrática do Congo e Quénia, respectivamente.
O Vodacom Digital Skills Hub foi concebido para capacitar a próxima geração a considerar uma carreira em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), e inclui formação prática e envolvente em competências digitais para jovens no continente. O AWS Educate é um dos primeiros programas a ser oferecido através do Digital Skills Hub e um programa adicional às várias plataformas de aprendizagem online existentes na Vodacom. Este programa oferece aos jovens uma vasta biblioteca de formação online ao ritmo de cada um, que cobre uma gama de tópicos desde os fundamentos de Cloud até à Inteligência Artificial.
“À medida que iniciamos este novo ano, encorajamos os jovens moçambicanos, sejam estudantes, empreendedores em início de carreira ou aqueles à procura de novas oportunidades, a explorar o Digital Skills Hub. Como Melhor Empregador, temos a responsabilidade de capacitar não apenas os nossos colaboradores, mas a actual e futuras gerações para construir um futuro digital mais inclusivo,” concluiu Katia Meggy.

Vodacom Ranked Best Employer in Africa for Second Consecutive Year

Vodacom é Classificado como o Melhor Empregador em África pelo Segundo Ano Consecutivo

The Vodacom Group has been named by the Top Employers Institute as Africa’s Best Employer for the second year running. This prestigious certification and first place position covers Vodacom Group, Vodacom South Africa, Vodacom Mozambique, Vodacom Tanzania and Safaricom Kenya.
The Top Employers Institute awards this prize to companies based on their performance in key areas of Human Resources, such as People Strategy, Work Environment, Talent Acquisition, Learning and Well-Being.
“We are extremely proud to once again be recognized as the Best Employer in Mozambique. This award reflects our commitment to providing a work environment where employees feel supported, valued and motivated to give their best. By continuously investing in inclusive policies and practices, we demonstrate our purpose of connecting Mozambique and all of Africa to a better future,” said Simon Karikari, CEO of Vodacom Mozambique.

In 2024, Vodacom strengthened its Value Proposition with employee offers that reinforce its commitment to creating an inclusive and supportive work environment. With an emphasis on Compassion, Acceptance, Respect and Empathy (C.A.R.E.), the company’s wellness initiatives include support for all life stages, such as menopause, and a more comprehensive family leave policy. “This distinction reaffirms the commitment we have to taking care of our employees and creating conditions for their development. We are proud to lead a committed team that not only contributes to the success of our organization, but also to the empowerment of our communities. Initiatives like the Digital Skills Hub are an extension of this purpose, offering young Mozambicans and Africans in general the opportunity to acquire essential digital skills for the future,” added Katia Meggy, Human Resources Director at Vodacom Mozambique.

Developed in collaboration with other technology organizations, including Amazon Web Services and Microsoft, the Vodacom Digital Skills Hub aims to increase digital literacy in Africa by bridging the digital skills gap in eight African countries, South Africa, Ethiopia, Tanzania, Mozambique, Lesotho, Egypt, the Democratic Republic of Congo and Kenya, respectively.

The Vodacom Digital Skills Hub is designed to empower the next generation to consider a career in science, technology, engineering and mathematics (STEM), and includes hands-on, engaging digital skills training for young people on the continent. AWS Educate is one of the first programs to be offered through the Digital Skills Hub and an additional program to Vodacom’s various existing online learning platforms. This program offers young people a vast library of online training at their own pace, covering a range of topics from Cloud fundamentals to Artificial Intelligence.
“As we start this new year, we encourage young Mozambicans, whether they are students, budding entrepreneurs or those looking for new opportunities, to explore the Digital Skills Hub. As a Best Employer, we have a responsibility to empower not only our employees, but the current and future generations to build a more inclusive digital future,” concluded Katia Meggy.

Investimentos e oportunidades locais para o primeiro trimestre de 2025

O panorama económico de Moçambique no início de 2025 encontra-se numa encruzilhada importante. Os desafios provocados por eventos climáticos, a instabilidade política e as pressões externas têm potencial para limitar o crescimento económico. Por outro lado, surgem oportunidades estratégicas que, quando bem aproveitadas, podem transformar os sectores chave e atrair investimentos de longo prazo.

Contexto económico

Moçambique atravessa um período de desaceleração económica. O Governo projecta um crescimento de 4,7% em 2025, inferior aos 5,5% estimados para 2024. Esta redução reflecte o impacto de várias dinâmicas, incluindo:

  • Sector extractivo: Atingiu a sua capacidade máxima em determinados projectos, reduzindo o contributo ao crescimento económico.
  • Sector agrícola: Enfrenta desafios resultantes do fenómeno climático ‘La Niña’, com chuvas intensas que comprometem a produção agrícola e a estabilidade alimentar.
  • Sector de transportes e comunicações: Prejudicado por infra-estruturas danificadas devido a condições climáticas adversas.

Adicionalmente, a violência e instabilidade pós-eleitoral estão a criar um ambiente menos propício ao investimento interno e externo, exacerbando os desafios para o governo e o sector privado.

Impacto dos fenómenos climáticos

O ‘La Niña’, fenómeno que influencia os padrões de chuva em várias regiões do mundo, desempenhará um papel central no primeiro trimestre de 2025:

  • Regiões afectadas: As regiões centro e sul são as mais vulneráveis, com riscos elevados de inundações.
  • Produção agrícola: A produção de culturas de subsistência, como milho e mandioca, e de exportação, como o açúcar, poderá sofrer perdas significativas.
  • Resposta governamental: Planos para reforçar as infra-estruturas resilientes aos desastres climáticos ainda estão em fase inicial, deixando o país vulnerável.

Segundo o Banco Mundial, cerca de 70% da população depende da agricultura, o que amplifica o impacto directo na segurança alimentar e na economia rural.

Pressões inflaccionárias e desafios políticos

A inflação, projectada para 5,4% em 2025, deverá ser impulsionada por uma combinação de:

  • Escassez de produtos: Resultante das dificuldades na cadeia de abastecimento causadas por infraestruturas danificadas.
  • Impactos políticos: As tensões pós-eleitorais estão a criar incertezas no mercado, reduzindo a confiança dos investidores e aumentando os custos de operação.
  • Aumento do preço de importações: Dada a dependência de bens essenciais vindos do exterior, qualquer flutuação cambial ou aumento de custos logísticos terá impacto directo nos preços locais.

Esta inflacção compromete a capacidade de compra das famílias e aumenta a pressão sobre empresas que dependem de insumos importados.

Oportunidades estratégicas de investimento

Embora o cenário actual apresente riscos, existem sectores com potencial para atrair capital e impulsionar o crescimento:

Energia e Gás Natural

O gás natural liquefeito (GNL) continua a ser o principal motor do investimento estrangeiro em Moçambique:

  • Projectos em crescimento: Com empresas internacionais a explorar novas bacias, prevê-se um aumento de exportações nos próximos anos.
  • Parcerias público-privadas: Há uma oportunidade para parcerias que melhorem a eficiência e a transparência nos processos de exploração.

Infra-estruturas

O investimento em infraestruturas resilientes aos desastres naturais é crucial:

  • Sector ferroviário e portuário: Melhorar a capacidade logística, especialmente nas exportações de carvão e minerais.
  • Reconstrução pós-desastre: Projectos de reconstrução de pontes e estradas danificadas têm grande potencial para atrair financiamentos multilaterais.

Agricultura sustentável

Dada a importância do sector agrícola, projectos que promovam a resiliência climática estão em destaque:

  • Sistemas de irrigação: Investimentos em tecnologias que reduzam a dependência da chuva.
  • Culturas de alto valor: Apostar em produtos como o caju e o algodão, que possuem alta procura no mercado internacional.

Perspectivas de financiamento e políticas de atracção

Para garantir um ambiente atractivo aos investidores, o Governo está a trabalhar em medidas específicas:

  • Reformas fiscais: Simplificar os processos para investidores estrangeiros e reduzir a burocracia.
  • Incentivos específicos: Ofertas de isenções fiscais para investimentos em zonas economicamente desfavorecidas.
  • Estabilidade política: Esforços contínuos para mitigar os efeitos das tensões pós-eleitorais, garantindo um ambiente seguro para negócios.

Nota conclusiva

O primeiro trimestre de 2025 será decisivo para Moçambique. Enquanto os desafios se acumulam, as oportunidades em sectores estratégicos mostram que o país tem potencial para superar os obstáculos.

A chave será a capacidade de alinhar esforços do Governo, sector privado e parceiros internacionais, promovendo um crescimento económico sustentável e inclusivo. Os investidores interessados devem permanecer atentos às dinâmicas locais e globais, adoptando estratégias que equilibrem os riscos e as recompensas.

 

Santa Casa de Lisboa intervém financeiramente na Sojogo para evitar colapso

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) concedeu um apoio financeiro à operadora de jogo moçambicana Sojogo, assumindo uma garantia bancária de 65,8 milhões de meticais (aproximadamente 1 milhão de dólares), com o objetivo de estabilizar sua situação financeira. A informação foi divulgada na Terça-feira (14) por Fernando Sousa Afonso, antigo vice-provedor da SCML, durante uma audiência na comissão parlamentar de inquérito à gestão estratégica e financeira da instituição portuguesa.

Garantia bancária para evitar colapso

De acordo com Sousa Afonso, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não obteve lucros com a sua participação na Sojogo, mas manteve um envolvimento contínuo na operação da empresa, inclusive intervindo financeiramente para evitar que a operadora moçambicana enfrentasse um colapso. O apoio foi feito por meio de uma garantia bancária, permitindo à Sojogo obter um empréstimo de um banco moçambicano para reequilibrar suas finanças.

Histórico de envolvimento da Santa Casa em Moçambique

A relação da SCML com o setor de jogos em Moçambique começou em 2011, quando assumiu a presidência do conselho de administração da Sojogo, empresa que detém a concessão exclusiva do jogo social no país. Segundo Sousa Afonso, a SCML optou por reforçar sua presença em Moçambique para oferecer apoio mais próximo à operadora, que enfrentava sérias dificuldades financeiras e operacionais.

O antigo vice-provedor também explicou que o departamento de jogos em Moçambique existia antes da independência do país, mas que, nos últimos anos, a SCML se envolveu mais activamente na gestão da Sojogo devido aos desafios que a empresa enfrentava. Em um momento crítico, a Santa Casa teve de assumir uma garantia bancária para viabilizar um empréstimo que ajudaria a estabilizar as operações da empresa.

Falta de retorno e dúvidas sobre a viabilidade

Apesar do apoio financeiro, Sousa Afonso garantiu que todas as decisões tomadas pela SCML foram feitas com o devido conhecimento e aprovação da Direção da Santa Casa e da assembleia geral. No entanto, ele reconheceu que até o momento a Santa Casa não obteve um retorno significativo da sua participação na Sojogo, o que levanta questionamentos sobre a viabilidade da operação e o futuro da empresa.

Investigação parlamentar e desafios para a Sojogo

A revelação do apoio financeiro à Sojogo ocorre no contexto de um crescente escrutínio sobre a gestão financeira da SCML, especialmente em relação à sua actuação fora de Portugal. O Parlamento português continua a investigar as decisões financeiras da instituição, incluindo o impacto das suas parcerias internacionais, como a sua actuação no sector de jogos em Moçambique. Enquanto isso, a Sojogo mantém suas operações no país, embora continue a enfrentar desafios de sustentabilidade financeira. A incerteza sobre o suporte contínuo da SCML e a necessidade de ajustes estratégicos são questões centrais para o futuro da operadora e para o sector de jogos em Moçambique.