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Mozambique Good Trade quer trabalhar com mais pequenos agricultores

Análise de Mercado

A 2ª edição do Mozgrow trouxe bons insights para o sector agrícola. Tendo decorrido sob o lema “Produzir, Valorizar, Nutrir e Preservar”, conseguiu reunir o essencial para ajudar o sector a caminhar na direcção certa.

Há décadas que somos um país de agricultura familiar e só recentemente nossos esforços em mecanizar começaram a se traduzir em acções. Se estava claro que o caminho era a mecanização, iniciativas como a da Mozambique Good Trade colocam o velho sonho de lado.

É que esta empresa moçambicana trabalha com pequenos agricultores. Distribui e exporta produtos moçambicanos fornecidos por agricultores um pouco acima do nível familiar.

Entretanto, nem sempre esse fornecimento é consistente e sistemático. Notou isto Diogo Lucas, director-geral da empresa.

Em conversa com a experiente Sandra Veludo, directora nacional de Marketing da Delta Cafés em Portugal e Emídio Rafael, representante do Instituto de Propriedade Industrial (IPI), Diogo Lucas encorajou que se investisse nos pequenos agricultores para equipá-los de conhecimento suficiente para trabalharem como e com empresas.

A partir daí forneceriam produtos com padrões de qualidade aceitáveis no mercado. Por um lado, Sandra Veludo, acredita que qualquer marca que queira se posicionar deve planear para se destacar diante do consumidor.

Por outro, no nosso caso, enquanto a Mozambique Good Trade faz esse planeamento os pequenos agricultores devem suportar as marcas que representam seus produtos, fornecendo o que precisam sistemática e continuamente.

De que o mercado precisa?

O mercado precisa que esses produtos não sumam das prateleiras nem percam qualidade de uma hora para outra. À medida que um produto se posiciona em termos de qualidade, cresce também o valor agregado a sua comercialização.

Isto significa que as pessoas deixam de associar o valor de produção ao que pagam no supermercado. Por exemplo, qualquer pessoa argumentaria que não precisa comprar óleo de coco na prateleira de um supermercado já que pode facilmente adquiri-lo na rua.

Mas essa forma de pensar mudaria se os pequenos agricultores se comprometessem a fornecer o mesmo óleo a empresas como Mozambique Good Trade. Nessa situação, a empresa daria roupagem atractiva, promoveria e colocaria o produto nas prateleiras.

A diferença entre comprar óleo de coco no bairro e comprá-lo num supermercado é abismal. No bairro não há certeza sobre a origem nem autenticidade desse óleo, que se dirá sobre a qualidade?

No pior cenário, o consumidor leva para casa uma mistura duvidosa feita num quarto suspeito e mal iluminado. Sandra Veludo considera que qualquer produto tem potencial não apenas para chegar a prateleira de um supermercado renomado, mas também para se destacar e até se internacionalizar.

O trabalho necessário para isso está na qualidade, no pacote, na abordagem ao mercado, na escolha dos parceiros e na forma de apresentar esse produto ao consumidor.

No mesmo contexto, Emídio Rafael, representante do IPI partilhou que decorrem financiamentos para ajudar os fornecedores a manterem a qualidade de seus produtos, bem como para compreenderem o potencial envolvido na área de negócio em que actuam.

Enquanto rumamos para a agricultura mecanizada, pequenos agricultores vão também ganhando um espaço significativo no coração dos consumidores devido às características orgânicas do que produzem.

Se esses agricultores quiserem – e é melhor que queiram – se estabelecer no mercado e trabalhar com empresas e marcas estáveis, precisam se posicionar como autoridades no seu ofício.

Isto quer dizer que o mercado deve entender claramente e aprovar seus procedimentos de 1) produção, 2) segurança, 3) conservação e 4) comercialização. Ao seguirmos as origens de um produto precisamos chegar ao agricultor que o produziu e ver em que condições o fez.

A crescente tendência pelo consumo de produtos orgânicos coloca Moçambique numa posição interessante. Temos aqui um nicho valioso por explorar.

Enquanto surgem exemplos bem-sucedidos aqui e ali, o caminho é formar nossos pequenos agricultores para se aliarem a iniciativas como a da Mozambique Good Trade. Por mais xikhaba (mistura local de amendoim e açúcar) nas prateleiras de nossos supermercados!

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