Sunday, April 12, 2026
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Zambézia recebe 75 milhões de meticais para apoiar iniciativas de jovens

Metical

O Governo de Moçambique, através da Secretaria de Estado da Juventude e Emprego, anunciou que irá desembolsar 75 milhões de meticais para financiar 50 projectos de geração de rendimento na província da Zambézia. Este apoio financeiro faz parte do programa “Agora Emprega” e visa desenvolver os distritos desta região central do país.

Oswaldo Petersburgo, secretário de Estado da Juventude e Emprego, afirmou que a verba será disponibilizada em breve e ressaltou que o objectivo principal é apoiar iniciativas focadas no desenvolvimento local. “Ao todo, foram submetidos 1123 projectos de jovens, mas apenas 50 foram qualificados, reunindo condições para ter acesso ao financiamento por meio do ‘Agora Emprega’. Os beneficiários mostraram-se satisfeitos e vamos iniciar com as actividades previstas”, explicou.

Petersburgo também destacou que o programa segue altos padrões de transparência, e alertou que qualquer tentativa de corrupção não será tolerada. O ‘Agora Emprega’ é uma competição de planos de negócio destinada a apoiar o crescimento de Micro, Pequenas e Médias Empresas, criando oportunidades de emprego sustentável para jovens moçambicanos. Podem concorrer mulheres e homens, dos 18 aos 35 anos, de nacionalidade moçambicana e que residam em Moçambique durante a implementação da competição.

BAD financia estudo de viabilidade para projecto integrado de Techobanine com $4 milhões

Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai desembolsar 4 milhões de dólares (252,8 milhões de meticais), a título de donativo, para financiar o estudo de viabilidade do Projecto Integrado de Techobanine, orçado em mais de 800 milhões de dólares (50,9 mil milhões de meticais). Trata-se de uma infra-estrutura que envolve também o Zimbabué e o Botsuana e que consiste na construção de um porto de águas profundas na localidade de Techobanine, província de Maputo, sul de Moçambique.

De acordo com o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, o estudo vai servir para credibilizar a implementação do empreendimento e será desenvolvido, graças ao financiamento, de forma independente, integrada e actualizada.

“O objectivo do estudo é garantir que todos os passos exigidos em projectos desta magnitude sejam rigorosamente seguidos, com a participação de actores nacionais e internacionais. Pretendemos, no final, conhecer os caminhos que devem ser seguidos de modo que não prejudiquem a vida humana e a biodiversidade”, explicou.

O governante avançou que os países do hinterland estão com muita necessidade de fazer o transporte de mercadorias para o mundo através de Moçambique, havendo, por isso, muita pressão para a materialização do projecto, que será benéfico para toda a região da África Austral.

Informações avançadas pelo jornal notícias indicam que, no âmbito do Projecto Integrado de Techobanine, está prevista a construção de um porto de 20 metros de águas profundas numa área de 13 mil hectares e uma linha férrea de 1200 quilómetros ligando Moçambique, Botsuana e Zimbabué.

Galp e King Pie aliam-se e “revolucionam” postos de abastecimento

A Galp Moçambique anunciou uma parceria com a King Pie, líder em fast food na África do Sul, trazendo uma nova dimensão de conveniência e sabor aos postos de abastecimento da Galp em Maputo.

A relação entre a empresa de energia e a cadeia alimentar pretende alargar e melhorar a experiência dos clientes, disponibilizando refeições rápidas da King Pie em localizações privilegiadas.

Segundo um comunicado de imprensa, a praça da OMM e o bairro das Mahotas são os primeiros pontos da rede Galp a estrear este novo conceito de conveniência, que antecipa e endereça as necessidades dos clientes.

“Esta é uma parceria entre duas empresas que são realmente referências no seu sector de actividade, duas marcas de confiança para os consumidores, dois líderes de mercado: a Galp e King Pie. É apenas o primeiro passo. Queremos replicar o modelo por todo o País, apostados em melhorar continuamente os nossos postos, com mais serviços de conveniência, de mobilidade e soluções de energia, fazendo deles verdadeiros pontos de encontro para os nossos clientes”, disse o CEO da Galp Moçambique, Paulo Varela, projectando o sucesso da relação comercial.

Presente no mercado moçambicano há cerca de 20 anos, para a King Pie esta é uma importante oportunidade de colaboração. “Sentimo-nos honrados em trabalhar com a Galp, uma empresa líder em Moçambique. Queremos crescer juntos, expandir esta ideia e superar todas as expectativas. O nosso olhar está voltado para o futuro”, afirmou Rouaan Bredenkamp, em representação da King Pie.

Com esta iniciativa inicial nos postos da Praça da OMM e das Mahotas, a Galp e a King Pie têm planos para expandir esta oferta por Maputo, elevando o padrão de serviços na rede de postos Galp.

Clima económico das empresas melhora pelo Quarto Trimestre consecutivo, aponta INE

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a confiança nas empresas moçambicanas voltou a crescer no segundo trimestre deste ano e pela quarta vez consecutiva, influenciada pelo aumento das expectativas de procura e pelos empregos.

“O clima económico das empresas continuou em recuperação ligeira no segundo trimestre deste ano, cenário verificado nos trimestres anteriores. Esta conjuntura favorável foi influenciada pelo aumento ligeiro das expectativas da procura e pela existência de novos postos de emprego”, avançou a entidade, através do Indicador do Clima Económico das Empresas (ICEE), um documento divulgado nesta segunda-feira (15) pela Lusa.

A publicação revelou que o ICEE compila a opinião dos agentes económicos, incluindo gestores de empresas, sobre a evolução corrente da sua actividade e expectativas a curto prazo, com foco no emprego, procura, encomendas, preços, produção, vendas e algumas limitações do sector empresarial.

“A avaliação satisfatória do clima económico, no período em análise, deveu-se à apreciação favorável em todos os sectores alvos do inquérito, com maior destaque para o ramo do comércio que aumentou substancialmente em comparação com o trimestre anterior”, acrescentou.

Segundo o INE, “o indicador da expectativa da procura continuou com a trajectória crescente pelo quarto trimestre consecutivo, tendo o seu saldo atingido o nível mais alto desde o primeiro trimestre de 2020, comportamento que se deveu principalmente às subidas das previsões da procura nos sectores de produção industrial e de comércio”.

Já sobre o indicador relativo à expectativa de emprego, a entidade avançou que o mesmo “mostrou sinais de recuperação, após uma queda ligeira no trimestre anterior”.

Entretanto, no que diz respeito ao indicador de expectativa de preços, explica-se que “voltou a diminuir de forma ligeira, influenciado pela diminuição substancial nos sectores dos serviços e do comércio”.

APAMO: “Indústria de Açúcar prejudicada por importações ilegais”

A Associação dos Produtores de Açúcar em Moçambique (APAMO) alertou para os prejuízos enfrentados pela indústria nacional de açúcar devido às importações ilegais do produto. Segundo Orlando da Conceição, director-executivo da organização, esta prática tem causado uma redução significativa na produção e ameaça a contribuição do sector para o Produto Interno Bruto (PIB) e a criação de empregossegundo o jornal notícias.

De acordo com a APAMO, a entrada ilegal de açúcar no País tem prejudicado a indústria açucareira nacional, resultando numa redução da produção em cada campanha nos últimos anos. Orlando da Conceição explicou que, além das dificuldades causadas por fenómenos climáticos adversos e pelos elevados encargos fiscais, o contrabando de açúcar é uma das maiores preocupações para o sector.

“Temos a questão dos eventos climáticos que afectam a rentabilidade da produção, como é o caso mais evidente da Maragra. No entanto, a entrada ilegal de açúcar constitui uma violação de uma norma criada pelo Governo, que é a cobrança da sobretaxa na importação,” explicou o director-executivo da APAMO.

Orlando da Conceição afirmou que permitir a importação de açúcar, desde que seja paga a sobretaxa, ajudaria a proteger a indústria nacional. Contudo, na prática, verifica-se o inverso, com uma presença expressiva de açúcar ilegalmente importado no mercado.

“O País está a perder duas vezes. Está a perder porque o Estado não está a captar as receitas da importação ilegal do produto, mas também porque a nossa indústria não está a contribuir para o PIB e para a criação de emprego”, disse o responsável.

A APAMO sublinha a necessidade urgente de medidas eficazes para combater o contrabando de açúcar e proteger a indústria nacional, garantindo a sua sustentabilidade e capacidade de contribuir para o desenvolvimento económico do País.

Oportunidades para investimentos no modelo PPP e CE em Moçambique

Moçambique está a emergir como um destino actrativo para investimentos através de Parcerias Público-Privadas (PPP) e Concessões de Exploração (CE). Com um vasto leque de oportunidades, os sectores de transportes e comunicações destacam-se pela sua capacidade de transformar a infraestrutura e impulsionar o desenvolvimento económico do país. Este artigo explora as principais oportunidades e a legislação aplicável que governa estas iniciativas.

No sector dos transportes, a implementação do Sistema AGT ou Metro de Superfície no percurso Baixa – Zimpeto, com cerca de 20 km, visa melhorar os transportes públicos na capital, facilitando a mobilidade urbana. A reabilitação do Aeroporto Internacional da Beira e a construção de novos cais e terminais no Porto da Beira, incluindo o Cais 11 e o Terminal de Fertilizantes, são projectos cruciais para modernizar as infraestruturas aeroportuárias e portuárias, aumentando a capacidade de exportação e eficiência logística.

 

Outro projecto significativo é a reabilitação do Cais Sul do Porto de Nacala, que visa melhorar a eficiência logística e aumentar a capacidade de carga. A construção do Porto de Angoche pretende desenvolver a infraestrutura portuária para atender à crescente demanda comercial. Além disso, a aquisição de barcos para travessias em rotas estratégicas, como Inhambane-Maxixe, Quelimane-Ricamba, Quelimane-Chinde, Nacala-Nacala-a-Velha e Pemba-Ibo, visa melhorar a conectividade marítima entre as regiões, facilitando o transporte de pessoas e mercadorias.

A construção de novas linhas ferroviárias, como a Mapai – Massangena – Dondo, com 509,05 km, e a Nyamayabwe – Mutuali, com 440 km, é fundamental para facilitar o transporte de mercadorias e passageiros, fomentando o comércio regional. Projectos adicionais incluem a construção de aeródromos em Bilene, Inhambane, Angoche e Lumbo, melhorando a infraestrutura aérea regional e promovendo o desenvolvimento económico.

A consolidação da cabotagem marítima em Moçambique é outra iniciativa estratégica, promovendo o transporte costeiro eficiente. A revitalização da Escola Nacional de Aeronáutica é essencial para a formação de profissionais qualificados para a indústria aeronáutica, garantindo a sustentabilidade do sector.

No sector das comunicações, apesar do crescimento visível e dos ganhos significativos, os serviços de telecomunicações ainda não estão disponíveis a toda a população. A qualidade do serviço precisa de melhorias e o acesso à internet é limitado e caro. O país tem 90% de cobertura de rede de telefonia móvel, com 50% de penetração da população e 20% de utilizadores do serviço de internet. Atrair investimento privado é fundamental para a implementação da banda larga a nível nacional, expansão dos serviços de internet e desenvolvimento de conteúdos locais, estimulando o crescimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME).

A legislação aplicável às concessões, regida pela Lei n.º 15/2011, de 10 de Agosto, e seu Regulamento aprovado pelo Decreto n.º 16/2012, de 4 de Julho, estabelece o regime BOT (Construir, Operar e Transferir) com prazos de 30 anos para construção de raiz, 20 anos para reabilitação e ampliação, e 10 anos para gestão. Questões fundamentais incluem o interesse público, acesso universal, operador independente, e a gestão de carga geral e passageiros.

Com a implementação destas iniciativas, Moçambique tem a oportunidade de atrair investimentos significativos e desenvolver infraestruturas vitais que impulsionarão o crescimento económico sustentável. A aposta nos modelos de PPP e CE representa uma estratégia viável para superar os desafios actuais e construir um futuro próspero para o país.

 

Moçambique beneficia de acordo de mil milhões de dólares entre Absa e Banco Mundial para financiamento climático

O Grupo Absa assinou um acordo ampliado com a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), entidade pertencente ao Grupo Banco Mundial, destinado a aumentar a capacidade de financiamento para projectos climáticos em África. Segundo o website Engineering News, este acordo, que eleva as garantias de capital para 63,2 mil milhões de meticais (mil milhões de dólares), beneficiará Moçambique e outros países africanos, permitindo ao Absa oferecer financiamento adicional às suas subsidiárias e apoiar a transição para um crescimento sustentável na região.

“O novo acordo reforça a nossa parceria com a MIGA e avança o nosso objectivo de financiar projectos climáticos por toda a África, promovendo a actividade económica e a sustentabilidade”, afirmou Deon Raju, director financeiro do Grupo Absa.

Em 2019, a MIGA havia emitido garantias de capital no valor de 31,4 mil milhões de meticais (497 milhões de dólares) para o Absa, visando a gestão de riscos em países como Moçambique, Gana, Quénia, Ilhas Maurícias, Seychelles, Uganda e Zâmbia. Estas garantias permitiram à entidade fornecer financiamento adicional às suas subsidiárias, apoiando o crescimento económico e a concessão de empréstimos nesses mercados.

O novo acordo, assinado a 24 de Junho, expande as transacções iniciais, aumentando a cobertura adicional de reservas de caixa para cerca de 63,2 mil milhões de meticais (mil milhões de dólares). “As garantias adicionais deverão reduzir cerca de 16,9 mil milhões de meticais (4,9 mil milhões de rands) em activos ponderados pelo risco para o Grupo Absa. Esta redução reflecte um menor risco, melhorando o perfil de risco do banco e permitindo a obtenção de recursos adicionais de capital”, afirma-se no comunicado oficial.

Segundo o documento, o Absa planeia utilizar a capacidade adicional gerada pelo acordo para financiar projectos climáticos durante a vigência das garantias. A instituição compromete-se a aumentar o financiamento àqueles projectos nos mercados abrangidos pelos acordos, tanto originais quanto expandidos.

“A parceria ampliada entre a MIGA e o Absa facilitará um maior investimento em projectos climáticos por toda a África, demonstrando o nosso compromisso com o crescimento económico sustentável na região, mesmo em tempos de crises globais”, destacou Hiroshi Matano, vice-presidente executivo da MIGA.

O Absa também se comprometeu a não financiar novos projectos de carvão com prazos superiores a três anos nos mercados abrangidos e a eliminar completamente a sua exposição ao carvão até 2030. “Estes compromissos estão alinhados com a nossa estratégia de ser uma força activa para o bem, apoiando uma transição justa em África e reduzindo o financiamento de combustíveis fósseis”, conclui a nota.

FMI: Nada norteia atribuições de isenções fiscais em Moçambique

Alexis Meyer-Cirkel está de saída de Moçambique, onde esteve a trabalhar nos últimos quatro anos. Mas antes de sair, Cirkel quis dar uma alerta em relação às isenções fiscais. Diz ele que o Estado perde muito dinheiro com elas e num contexto de arbitrariedades.

“Não está claro qual é a estratégia de desenvolvimento que fundamentam; não existe um documento norteador em que se diz que ´esta é a estratégia nacional, esta é a política industrial e é assim que classificamos e escolhemos os benefícios fiscais. Então, é importante lembrar que eles são onerosos, principalmente em termos de receitas perdidas”, diz o economista enviado pelo FMI a Moçambique.

O pior de tudo, diz Cirkel, é não é um dado adquirido que dar um incentivo fiscal é suficiente para que um investidor venha invista no país. Aliás, ele diz que este não é o elemento mais importante em que se baseiam os investidores para tomarem as suas decisões. (O País)

Sulemane Ibraimo: “As pessoas compram histórias, não apenas produtos”

Sulemane Ibraimo, fundador e CEO da Ubuntu Holdings, é um nome em ascensão no mercado de vendas corporativas. Reconhecido por sua competência e inúmeros prémios na área, Ibraimo se destaca pela sua habilidade em desenvolver e gerir relações de longo prazo com clientes estratégicos.

Com vasta experiência em Gestão de Marketing, ele se mostra altamente eficaz na concepção de estratégias de marketing e vendas. Motivado, orientado para objectivos e focado, Ibraimo partilha em uma entrevista ao Profile sua trajectória e fala das tendências do mercado e os principais desafios do sector em Moçambique.

Profile Mozambique: Sulemane Ibrahimo, é um prazer tê-lo aqui connosco no Profile. Para começarmos, poderia nos contar um pouco sobre sua trajectória profissional?

Sulemane Ibraimo: É um prazer estar aqui. Eu chamo-me Sulemane Ibraimo e enveredei pelas vendas há pouco mais de 10 anos, mas corporativamente falando, foi há 10 anos, especificamente na área corporativa. Acredito que seja um pano de fundo similar para muitos de nós, começar no B2C e depois ir para o B2B.

O meu primeiro emprego foi há uns 15 anos, trabalhei com estudos de mercado, realizando inquéritos, e depois passei para a avaliação de desempenho das equipas de atendimento ao cliente. Eu fazia inquéritos aos clientes para saber se eles eram bem atendidos. Então, trabalhei em atendimento ao cliente em uma fase inicial e comecei com vendas puras quando voltei para Moçambique em 2012.

PM: Interessante. E como foi essa transição para as vendas puras ao retornar para Moçambique?

FI: Ao retornar para Moçambique em 2012, comecei a trabalhar com vendas puras. Em paralelo, fazia fotografia, porque sou fotógrafo. Fiz disso uma profissão durante algum tempo, enquanto fazia os inquéritos. A nível corporativo, a minha experiência com vendas puras começou mesmo em 2012.

O primeiro grande projecto corporativo em Moçambique foi o projecto Pioneiro de televendas, onde eu era gestor de marketing e produção. Depois, entrei no sector das telecomunicações, onde a demanda corporativa era alta, e permaneci nesse mercado até o ano passado, quando decidi criar a minha própria empresa, Ubuntu Holding.

PM: Pode nos contar mais sobre sua evolução dentro das empresas onde trabalhou?

FI: Claro. No meu percurso, fui múltiplas vezes o melhor Sales Account Manager, ou gestor de contas, até sair das empresas. Quando não era esse o caso, era um dos ou o maior fechador de negócios no ano financeiro. Terminei como director comercial.

A evolução foi de gestor de contas, especialista sénior em vendas, e depois para propósito, em vez de mudar de empresa ou concorrer para uma vaga melhor, cheguei a uma bifurcação onde podia escolher compartilhar meu conhecimento e metodologia desenvolvida ao longo dos anos. Foi quando criei a minha empresa com a filosofia africana de crescimento colectivo e sucesso colectivo, o Ubuntu.

PM: O conceito de Ubuntu é fascinante. Como isso se aplica na prática empresarial?

FI: Ubuntu resume-se na frase “Eu sou porque nós somos”. Quer dizer que, a partir do momento em que eu consigo atingir o meu objectivo, isso também deve significar que o seu objectivo foi atingido por sermos parceiros. Na prática corporativa, isso se traduz em cuidar do cliente, dos parceiros, fornecedores e revendedores para fortalecer uma relação duradoura e de longo prazo.

A consultoria que oferecemos baseia-se nesse princípio, capacitando as equipas comerciais para que tenham uma visão ampla e foquem na resolução dos problemas dos clientes.

PM: Falando sobre vendas corporativas, quais são os principais objectivos desse modelo em comparação com outros?

FI: O pensamento a longo prazo é crucial. No mercado, existe uma tendência para focar no retorno rápido, mas as vendas corporativas exigem uma visão de longo prazo. Isso envolve questionar e entender as verdadeiras necessidades do cliente, em vez de apenas empurrar produtos ou soluções. Falta escuta activa, investigação e percepção dos modelos de negócio dos clientes.

O foco na comissão muitas vezes supera a atenção às reais necessidades do cliente, o que é um grande erro.

PM: E como descreve o mercado de vendas corporativas em Moçambique, olhando para os tempos que correm?

FI: O mercado de vendas corporativas em Moçambique enfrenta desafios como a falta de preparação das pessoas recém-formadas e a falta de capacitação contínua. As faculdades não preparam os alunos para o mundo real e as empresas não acolhem esses recém-formados de forma a prepará-los adequadamente. Além disso, muitas vezes, quem já está no mercado não passa por um desenvolvimento pessoal adequado. É essencial entender que vender é resolver problemas e que é necessário um preparo contínuo e adaptável às necessidades do mercado.

PM: Quais são as estratégias eficazes para penetrar o mercado de vendas corporativas a nível doméstico?

FI: Primeiro, é crucial ter uma estratégia clara e definir o propósito do negócio. As pessoas compram histórias, não apenas produtos. É necessário saber exactamente que problema o produto ou serviço está resolvendo e se há um mercado disposto a pagar por isso.

Conhecer o cliente ideal é fundamental. Ademais, a imagem da empresa é um pilar importante. Uma boa representação no mercado, seja por meio de branding ou marketing, é essencial. Por fim, criar casos de sucesso, mesmo a custo zero, pode ser uma óptima maneira de demonstrar eficácia e capacidade no mercado.

PM: E como a tecnologia e as ferramentas digitais impactam as estratégias de vendas corporativas hoje?

FI: A tecnologia e as ferramentas digitais podem tanto destruir quanto alavancar negócios. A inteligência artificial, por exemplo, está transformando a maneira como respondemos a e-mails e gerenciamos tarefas, tornando processos mais eficientes. Quem não se adapta agora pode ficar para trás.

A transformação digital é inevitável, como a água que sempre encontra um caminho. Empresas que abraçam essas ferramentas podem se tornar mais produtivas e responder mais rapidamente às demandas dos clientes.

Sulemane Ibraimo: “People buy stories, not just products”

Sulemane Ibraimo, founder and CEO of Ubuntu Holdings, is a rising name in the corporate sales market. Recognized for his expertise and numerous awards in the field, Ibraimo stands out for his ability to develop and manage long-term relationships with strategic clients.

With extensive experience in Marketing Management, he proves highly effective in devising marketing and sales strategies. Motivated, goal-oriented and focused, Ibraimo shares his trajectory in an interview with Profile and talks about market trends and the main challenges facing the sector in Mozambique.

Profile Mozambique: Sulemane Ibrahimo, it’s a pleasure to have you here with us at Profile. To begin with, could you tell us a little about your professional career?

Sulemane Ibraimo: It’s a pleasure to be here. My name is Sulemane Ibraimo and I got into sales a little over 10 years ago, but corporately speaking, it was 10 years ago, specifically in the corporate area. I think it’s a similar background for many of us, starting out in B2C and then moving on to B2B.

My first job was about 15 years ago, I worked in market research, carrying out surveys, and then I moved on to evaluating the performance of customer service teams. I used to survey customers to find out how well they were served. So I worked in customer service at an early stage and started with pure sales when I returned to Mozambique in 2012.

PM: Interesting. And how was that transition to pure sales when you returned to Mozambique?

FI: When I returned to Mozambique in 2012, I started working in pure sales. At the same time, I was doing photography, because I’m a photographer. I made it a profession for a while, while I was doing the surveys. On a corporate level, my experience with pure sales really began in 2012.

My first big corporate project in Mozambique was the Pioneiro telesales project, where I was marketing and production manager. I then entered the telecommunications sector, where corporate demand was high, and remained in that market until last year, when I decided to set up my own company, Ubuntu Holding.

PM: Can you tell us more about your evolution within the companies you’ve worked for?

FI: Of course. In my career, I was often the best Sales Account Manager, or account manager, until I left the company. When that wasn’t the case, I was one of or the biggest deal-maker in the financial year. I ended up as commercial director.

The evolution was from account manager to senior sales specialist, and then to purpose, instead of changing companies or applying for a better position, I came to a fork in the road where I could choose to share my knowledge and methodology developed over the years. That’s when I created my company with the African philosophy of collective growth and collective success, Ubuntu.

PM: The concept of Ubuntu is fascinating. How does it apply in business practice?

FI: Ubuntu can be summed up in the phrase “I am because we are”. It means that as soon as I achieve my goal, it must also mean that your goal has been achieved because we are partners. In corporate practice, this translates into taking care of the customer, partners, suppliers and resellers in order to strengthen a lasting, long-term relationship.

The consultancy we offer is based on this principle, empowering sales teams to take a broad view and focus on solving customers’ problems.

PM: Talking about corporate sales, what are the main objectives of this model compared to others?

FI: Long-term thinking is crucial. In the market, there is a tendency to focus on quick returns, but corporate sales require a long-term view. This involves questioning and understanding the customer’s true needs, rather than just pushing products or solutions.

There is a lack of active listening, research and insight into customers’ business models.
The focus on commission often outweighs attention to the customer’s real needs, which is a big mistake.

PM: And how would you describe the corporate sales market in Mozambique, looking at the times?

FI: The corporate sales market in Mozambique faces challenges such as the lack of preparation of recent graduates and the lack of ongoing training. Colleges don’t prepare students for the real world and companies don’t welcome these new graduates in a way that prepares them properly.

What’s more, those already on the market often don’t undergo adequate personal development. It’s essential to understand that selling is about solving problems and that you need to be continuously prepared and adaptable to the needs of the market.

PM: What are the effective strategies for penetrating the corporate sales market at home?

FI: First, it’s crucial to have a clear strategy and define the purpose of the business. People buy stories, not just products. You need to know exactly what problem the product or service is solving and whether there is a market willing to pay for it.

Knowing your ideal customer is fundamental. In addition, the company’s image is an important pillar. Good representation on the market, whether through branding or marketing, is essential. Finally, creating success stories, even at zero cost, can be a great way of demonstrating effectiveness and capacity in the market.

PM: And how do technology and digital tools impact corporate sales strategies today?

FI: Technology and digital tools can both destroy and leverage businesses. Artificial intelligence, for example, is transforming the way we respond to emails and manage tasks, making processes more efficient. Those who don’t adapt now could be left behind.
Digital transformation is inevitable, like water that always finds a way. Companies that embrace these tools can become more productive and respond more quickly to customer demands.