Sunday, April 12, 2026
spot_img
Home Blog Page 150

ENH certifica mais empresas para indústria do petróleo e gás

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), através do projecto Linkar, capacitou em Vilankulo, província de Gaza, 21 empresas que operam em diversos ramos de actividade, em matéria de legalização, tendo atribuído também os respectivos alvarás, informou esta quarta-feira, 26 de Junho, o jornal notícias.

O órgão refere que a iniciativa, que conta com a parceria do Governo e do sector, visa oferecer capacitação, assistência técnica e apoio institucional ao empresariado nacional, em particular às Pequenas e Médias Empresas (PME), para a certificação e padronização dos seus processos, bem como facilitar a identificação de oportunidades de ligações empresariais e na celebração de contratos para a prestação de serviços na indústria de petróleo e gás.

Para o coordenador do projecto Linkar, Ken McGhee, o objectivo destas capacitações é tornar as MPME mais competitivas e com capacidade para fornecer bens e serviços na indústria petrolífera do País, incluindo a cadeia de valor do sector extractivo.

Ken McGhee destacou que o projecto contempla igualmente a identificação de oportunidades, servindo como ligação empresarial entre multinacionais e as MPME para firmar contratos de prestação de serviços. “O grande desafio deste projecto é fazer com que mais de 30 empresas da província de Inhambane, assim como de Cabo Delgado, consigam ganhar contratos no sector de petróleo e gás”, sublinhou

De realçar que, na província de Inhambane, o Linkar tem como meta capacitar mais de 60 empresas dos distritos abrangidos pelo projecto de exploração de gás natural, concretamente nos distritos de Vilankulo, Inhassoro e Govuro.

Na mesma abordagem, a fonte avançou que outra grande valia do projecto é promover a padronização e certificação das PME para atribuição de certificados ISO (Organização Internacional de Normalização), de modo que se assegure que os bens e serviços prestados por empresas tenham como base requisitos e normas estabelecidas no padrão internacional.

Para o representante do administrador de Vilankulo, Silvestre Romano, o facto de o distrito ser a porta de entrada a nível da província de Inhambane demonstra as preocupações do empresariado local na procura de soluções para que possam crescer e participar de forma activa nos megaprojectos existentes em Moçambique, principalmente os provenientes da exploração de gás de Temane.

“Uma das formas de promover o desenvolvimento é termos as nossas empresas capacitadas para responder às exigências do mercado. Como Governo, louvamos estas iniciativas, porque, para além de fortificar as nossas PME, geram mais postos de trabalho para a juventude”, disse. E acrescentou que, apesar das melhorias, o conselho empresarial local ainda se ressente da fraca participação das empresas no projecto de exploração de gás natural em curso na província de Inhambane, tendo apontado a falta de qualificação e certificação como principais entraves.

“O número de empresas que prestam serviços nestes projectos ainda continua a não ser satisfatório, pelo que esperamos que o Linkar venha facilitar a participação de mais PME locais nos megaprojectos, uma vez que grande parte dos problemas está a ser ultrapassada”, explicou

Importa referir que o Programa Linkar, uma iniciativa implementada pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e financiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento, através de fundos fiduciários da Affirmative Finance Action for Women in Africa e Fund for African Private Sector Assistance (AFAWA e FAPA), já certificou mais de 50 Pequenas e Médias Empresas (PME), oriundas das províncias de Cabo Delgado, Sofala, Inhambane e Maputo província e cidade, para participação em projectos de petróleo e gás.

First Capital Bank recebe garantia do IFC para impulsionar operações de Comércio Internacional

International Finance Corporation (IFC), braço do sector privado do grupo Banco Mundial, concedeu garantias ao First Capital Bank Moçambique com o objectivo de apoiar operações de trade a partir de e para Moçambique, assim como para fortalecer o sector financeiro do País, no âmbito do “Programa Global de Trade Finance”.

De acordo com uma nota, estas garantias proporcionarão cobertura de risco de pagamento para transacções de trade disponibilizadas pelo First Capital Bank Moçambique aos seus clientes e empresas, incluindo Pequenas e Médias Empresas a operar nos sectores do comércio e agricultura.

“Esta acção permitirá impulsionar as exportações e importações de Moçambique, apoiando a actividade económica e o fornecimento de bens e serviços. As garantias serão específicas para cada transacção e poderão assumir a forma de uma variedade de instrumentos, incluindo cartas de crédito, promissórias relacionadas com operações de trade, letras de câmbio, garantias de concurso e de execução e garantias de adiantamento”, explicou o comunicado.

A nota refere ainda que, ao aderir ao “Programa Global de Trade Finance do IFC”, a instituição bancária nacional poderá interagir com mais de 300 correspondentes bancários internacionais, alavancando as suas transacções de trade.

“Em nome do First Capital Bank Moçambique, gostaria de agradecer ao IFC pela confiança depositada. O Trade Finance é uma das nossas linhas de negócio mais relevantes e a nova facilidade disponibilizada pelo IFC será fundamental para reforçar o nosso crescimento neste segmento, pelo que esperamos uma parceria produtiva”, disse João Rodrigues, CEO do First Capital Bank Moçambique.

Por sua vez, Mehita Fanny, Country Manager do IFC para Moçambique, esclareceu que “o Trade Finance é um instrumento essencial para apoiar o fluxo comercial e a actividade económica”, acrescentando que “a parceria entre as duas entidades vai facilitar a importação e exportação de bens essenciais para as empresas a operar no País, impulsionando o crescimento dos negócios e a criação de emprego”.

“Este projecto está alinhado com a estratégia do Banco Mundial de aumentar o acesso ao financiamento no sector privado do País como uma forma importante de fomentar o seu crescimento económico”, destacou.

Até à data, o IFC emitiu garantias para mais de 100 mil milhões de dólares em transacções de trade a nível mundial ao abrigo do “Programa Global de Trade Finance”, com uma parte significativa dedicada a África. Só no ano fiscal de 2023, o IFC concedeu 9,1 mil milhões de dólares em garantias a nível mundial, com 3,5 mil milhões de dólares atribuídos ao continente africano.

Porto da Beira atinge números recordes no manuseamento de cargas

Foram manuseados no Porto da Beira, de Janeiro a Maio deste ano, 161 mil contentores, contra 102 mil, em igual período do ano passado. Na carga geral, foram manuseadas 1.6 milhões de toneladas, contra 1.4, do primeiro semestre do ano passado, um crescimento considerado robusto pelo gestor do Porto da Beira, a Cornelder de Moçambique.

A conclusão da reabilitação da primeira fase da terminal de mineiros, aquisição de equipamentos modernos para transporte de cargas e uso de tecnologias de ponta e dos recursos humanos são factores que estão a contribuir na melhoria do manuseamento de cargas no Porto da Beira, que já atingiu números recordes, segundo Jan De Vries, Administrador delegado da Cornelder de Moçambique(CdM), entidade gestora do porto da Beira.

“A Cornelder de Moçambique estabeleceu um recorde de produtividade no manuseio de minério de crómio, por exemplo, alcançando uma produtividade bruta, com a média diária de 14.446 toneladas, uma melhoria de 40% em relação ao recorde anterior de 10.400 toneladas por dia”, garantiu Jan De Vries.

Acrescentou também que “a excelente produtividade é resultado do forte investimento na capacidade de manuseamento de minérios. A CDM acaba de concluir a primeira fase da construção do Terminal de Minérios que inclui 4 hectares de área de armazenamento para diversos minérios em à granel e ensacados, onde estes podem ser manuseados de forma eficiente”.

Como fruto destas melhorias, há novas linhas de navegação intercontinentais que escalam o Porto da Beira, que foi reconhecido, nos últimos dois anos, como a terminal mais eficiente.

Neste ano, haverá novos investimentos para responder a demanda dos países do Interland.

“No terminal de contentores, dentro de duas semanas, iremos iniciar a remoção de um dos antigos armazéns e, no seu lugar, garantir a expansão de quase 4 hectares de um novo parque. Ainda no âmbito da modernização das infra-estruturas, iremos adquirir 4 novas gruas modernas. As que temos actualmente são as maiores no país, mas não estamos satisfeitos dada a demanda dos nossos serviços na região e no mundo. Um estudo de engenharia realizado recentemente indicou-nos que temos capacidade para acomodar gruas para atender navios com capacidade para transportar, numa única viagem, 10 mil contentores”, referiu o administrador delegado da Cornelder.

Além disso, a CdM recebeu, este ano, uma nova frota de escavadoras de 35 toneladas e Pás, Carregadoras com baldes de 7m³ de capacidade, que servem para fazer o carregamento de banheiras para granéis, em tempo recorde, sendo transportados até ao cais por uma frota renovada e ampliada de tratores de terminal.

Toda a movimentação de equipamentos é monitorada pela organização reestruturada do Terminal de Carga Geral, fazendo uso do novo Sistema Operacional do Terminal, bem como do Sistema de Monitoramento de Equipamentos.

A Cornelder de Moçambique está, entretanto, preocupada com a melhoria dos acessos no Porto da Beira, que impactam de forma negativa na fluidez das cargas.

“Os volumes que temos hoje são dez vezes maiores em relação há 25 anos e, infelizmente, as estradas são as mesmas, o que cria um enorme constrangimento para a fluidez de cargas na entrada e saída do Porto da Beira. Acreditamos que uma maior articulação entre os vários utentes do Porto da Beira, incluindo o governo, sector privado e município, pode se encontrar uma solução a curto prazo”.

Refira-se que o município da Beira sempre defendeu a construção de uma estrada que dá acesso directo ao Porto da Beira, e que tem estado à procura de investimentos para a sua construção.

Porto de Pemba será reabilitado pelo consórcio PBT, LTD

O Porto de Pemba será reabilitado. Para o efeito, o Governo aprovou, ontem, por resolução, a concessão directa da infra-estrutura à Pemba Bulk Terminal Limitada, uma sociedade comercial constituída por duas empresas. A entidade deverá executar obras e gerir o terminal portuário logístico.

A concessão do Porto de Pemba, em ajuste directo ao consórcio Pemba Bulk Terminal Limitada, constituído pela CD Properties e Portos de Cabo Delgado, visa dar lugar a obras de reabilitação da infra-estrutura portuária, em terra e no plano das águas. Numa fase inicial, serão investidos 14 mil milhões de Meticais.

“A infra-estrutura vai beneficiar de um investimento adicional de cerca de 14 mil milhões de Meticais, que irá incluir a contínua reabilitação das infra-estruturas de cais de base, que têm a capacidade de 115 metros de atracagem e também outras actividades relativas ao pontão flutuante de 49,5 mil milhões de Meticais”, disse Lodovina Bernardo, porta-voz da sessão.

O Governo entende que a infra-estrutura é estratégica para prestar suporte aos projectos em curso no sector petrolífero, pelo que poderá receber investimentos adicionais em fases subsequentes.

“Entretanto, devido à necessidade de assegurar a continuidade do projecto e suporte às operações petrolíferas, para além dos investimentos iniciais, serão realizados outros investimentos adicionais, de cerca de 90 milhões de dólares americanos. É uma infra-estrutura pertinente, que que vai prestar suporte a outros projectos da província de Cabo Delgado”, explicou.

A conceção acontece num contexto em que o Porto de Pemba tem estado a registar um fraco desempenho, tendo a sua facturação passado de mais de 21 milhões de dólares por ano para seis milhões, em 2023.

Na conferência de imprensa, o Governo foi questionado sobre o atraso na distribuição do livro escolar. A porta-voz disse que a matéria não foi tratada na sessão, mas assegura que há acções em curso para resolver o problema.

Na conferência de imprensa, os jornalistas questionaram a porta-voz sobre o facto de alguns investidores no sector da mineração em Cabo Delgado terem sido citados como autores do golpe de Estado na República Democrática do Congo. O Governo disse que esta matéria não foi abordada.

Governo estima necessidade de 4,6 mil milhões de meticais para financiar défice orçamental até 2027

Governo estima necessidade de 4,6 mil milhões de meticais para financiar défice orçamental até 2027

O Governo moçambicano aprovou o Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) até 2027, destacando  que serão necessários 293,6 mil milhões de meticais (equivalente a 4,6 mil milhões de dólares) para cobrir o défice orçamental nos próximos quatro anos. Segundo informações da Lusa, o documento apresenta projecções financeiras detalhadas e estratégias para reduzir gradualmente o défice.

O CFMP indica que o défice orçamental, que representa 7,6% do PIB em 2023, será reduzido para 5,0% em 2024 e continuará diminuindo até atingir 0,9% do PIB em 2027. Para financiar o défice, o Governo prevê 76,4 mil milhões de meticais (1,21 mil milhões de dólares) em 2024, aumentando para 83,4 mil milhões de meticais (1,32 mil milhões de dólares) em 2025. As necessidades de financiamento serão de 72,1 mil milhões de meticais (1,14 mil milhões de dólares) em 2026, diminuindo para 61,6 mil milhões de meticais (973,7 milhões de dólares) em 2027.

O documento destaca que o Governo priorizará créditos externos para acessar recursos financeiros com taxas de juro competitivas e prazos estendidos, visando reduzir a pressão sobre o endividamento interno e fortalecer a posição fiscal do país. Essa abordagem estratégica reflete o compromisso com uma gestão prudente das finanças públicas, buscando assegurar a sustentabilidade fiscal e promover um crescimento económico sustentável.

Além disso, o CFMP projecta ganhos adicionais por meio de medidas fiscais, com expectativas de 8,6 mil milhões de meticais (137,3 milhões de dólares) em 2025, aumentando para 16,7 mil milhões de meticais (264,6 milhões de dólares) em 2026 e 21,6 mil milhões de meticais (341,7 milhões de dólares) em 2027.

“Projectando receitas e despesas públicas para os próximos três anos, podemos identificar desafios financeiros e oportunidades de investimento que ajudarão a orientar políticas eficazes e alocar recursos de forma eficiente”, conclui o CFMP.

Government estimates need for 4.6 billion meticais to finance budget deficit by 2027

Governo estima necessidade de 4,6 mil milhões de meticais para financiar défice orçamental até 2027

The Mozambican government has approved the Medium-Term Fiscal Scenario (MTFS) until 2027, highlighting that 293.6 billion meticais (equivalent to 4.6 billion dollars) will be needed to cover the budget deficit over the next four years. According to Lusa, the document presents detailed financial projections and strategies to gradually reduce the deficit.

The CFMP indicates that the budget deficit, which represents 7.6% of GDP in 2023, will be reduced to 5.0% in 2024 and will continue to decrease until it reaches 0.9% of GDP in 2027. To finance the deficit, the government forecasts 76.4 billion meticais (1.21 billion dollars) in 2024, rising to 83.4 billion meticais (1.32 billion dollars) in 2025. Financing needs will be 72.1 billion meticais (1.14 billion dollars) in 2026, falling to 61.6 billion meticais (973.7 million dollars) in 2027.

The document highlights that the government will prioritize external credits to access financial resources with competitive interest rates and extended terms, with the aim of reducing pressure on domestic debt and strengthening the country’s fiscal position. This strategic approach reflects the commitment to prudent management of public finances, seeking to ensure fiscal sustainability and promote sustainable economic growth.

In addition, the CFMP projects additional gains through fiscal measures, with expectations of 8.6 billion meticais (137.3 million dollars) in 2025, rising to 16.7 billion meticais (264.6 million dollars) in 2026 and 21.6 billion meticais (341.7 million dollars) in 2027.

“By projecting public income and expenditure for the next three years, we can identify financial challenges and investment opportunities that will help guide effective policies and allocate resources efficiently,” concludes the CFMP.

Moçambique envia navio para auxiliar na dragagem do porto da Guiné-Bissau

logistica

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Carlos Pinto Pereira, anunciou nesta Terça-feira, 25 de Junho, que Moçambique está preparado para enviar um navio nos próximos dois ou três meses para auxiliar na dragagem do Porto Comercial de Bissau.

Durante o balanço da visita de Estado do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, a Moçambique, Pinto Pereira destacou a cooperação entre os dois países em diversas áreas. Segundo ele, o Governo moçambicano se comprometeu não só com a limpeza do Porto de Bissau, que não recebe dragagem há mais de 40 anos, mas também com parcerias empresariais e formação de quadros guineenses.

Pereira comparou a eficiência do Porto de Maputo, o mais eficiente da África Austral, com o Porto de Bissau, ressaltando a capacidade de despacho de contentores em cinco minutos contra 19 horas na África do Sul. Ele mencionou ainda que trabalhadores portuários de Bissau e estudantes serão enviados em breve para treinamento no Porto de Maputo.

Além da assistência na área portuária, Moçambique ofereceu apoio através de sua academia de polícia, escola de enfermagem e formação para pessoal da administração pública da Guiné-Bissau. Durante a visita de Embaló, discutiu-se também a colaboração de empresários moçambicanos na transformação da castanha de caju na Guiné-Bissau.

Mozambique sends ship to help dredge Guinea-Bissau port

logistica

Guinea-Bissau’s Minister of Foreign Affairs, Carlos Pinto Pereira, announced on Tuesday, June 25, that Mozambique is prepared to send a ship in the next two or three months to help dredge the Commercial Port of Bissau.

During the state visit by Guinean President Umaro Sissoco Embaló to Mozambique, Pinto Pereira highlighted the cooperation between the two countries in various areas. According to him, the Mozambican government has committed itself not only to cleaning up the Port of Bissau, which has not been dredged for over 40 years, but also to business partnerships and training Guinean staff.

Pereira compared the efficiency of the Port of Maputo, the most efficient in southern Africa, with the Port of Bissau, highlighting the ability to clear containers in five minutes compared to 19 hours in South Africa. He also mentioned that port workers from Bissau and students will soon be sent for training at the Port of Maputo.

In addition to assistance in the port area, Mozambique has offered support through its police academy, nursing school and training for Guinea-Bissau public administration personnel. During Embaló’s visit, they also discussed the collaboration of Mozambican entrepreneurs in the processing of cashew nuts in Guinea-Bissau.

João Figueiredo: “Nossa maior ambição é nos inspirarmos nas necessidades dos clientes”

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Moza Banco, João Figueiredo, em entrevista ao Profile, faz uma análise profunda da trajectória do Moza Banco nos últimos 16 anos.

Com um olhar atento para o futuro, o Moza Banco continua a inovar e a expandir seus serviços, reafirmando seu compromisso com um crescimento económico sustentável e inclusivo em Moçambique.

Profile Mozambique: Como descreve os 16 anos  de trajectória do Moza Banco?

João Figueiredo: São 16 anos de desafios, oportunidades, muita luta e dedicação, desde a época dos fundadores do banco até à nova administração que hoje está no Moza Banco. Este percurso contou com o grande empenho dos nossos accionistas, colaboradores, parceiros e autoridades.

Durante esses 16 anos, servimos a economia moçambicana, participando activamente do sistema financeiro e colaborando no fortalecimento do nosso sector. No entanto, tanto a nível nacional quanto internacional, a conjuntura não tem sido das mais favoráveis. A nível global, enfrentamos dois grandes fenómenos recentes: a pandemia de Covid-19 e suas consequências, e as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, cujas repercussões ultrapassam as fronteiras dos conflitos, impactando o mundo inteiro.

No contexto nacional, nossa economia também vive momentos de grande dificuldade. Precisamos concentrar nossos esforços naquilo que é essencial para nós. O Moza Banco está comprometido em impulsionar o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, que são a base de qualquer economia em crescimento. Nesse sentido, celebramos recentemente um acordo com a Fundação Dom Cabral para capacitar aos nossos pequenos empresários, um dos principais pilares do desenvolvimento.

Além disso, o Moza Banco quer destacar a importância de apoiar as pequenas e médias empresas e alertar a sociedade sobre o desenvolvimento multissectorial necessário para o nosso progresso. O setcor da energia, com a chegada do gás, é frequentemente mencionado, mas acreditamos que nosso modelo económico deve apoiar diversos sectores, incluindo turismo e agronegócio. Precisamos incluir as populações das zonas rurais no nosso desenvolvimento, pois crescimento económico não significa necessariamente inclusão social ou desenvolvimento sustentável.

Este é um grito de alerta para continuar apoiando o desenvolvimento global e sectorial, promovendo uma cadeia de valor dentro do país, reduzindo importações e aumentando exportações. Um exemplo é a questão agrícola e a necessidade de distritos que ainda não possuem bancos, agências ou ATMs.

Com 16 anos de Moza Banco, nosso projecto e plano, tanto a curto quanto a longo prazo, visam alcançar essas populações e distritos que, apesar de terem potencial económico, ainda não são adequadamente assistidos pelo sector bancário. Queremos que todos os stakeholders colaborem neste esforço, cumprindo suas responsabilidades para que possamos continuar a bancarizar o país e levar serviços financeiros às zonas mais remotas.

O crescimento global previsto pelo Banco Mundial para este ano pode não nos afectar directamente, mas temos que focar na nossa economia nacional. Precisamos depender menos de doações e mais da nossa própria produção. Temos recursos suficientes e potencial para sermos autossustentáveis, como nossa vasta costa de 2.700 km e terras aráveis. Precisamos concentrar esforços no desenvolvimento económico que desejamos, criando mais empregos e formalizando a economia informal.

O Moza Banco tem um lema: “Fazer Acontecer”. Estamos comprometidos em entender as necessidades dos nossos clientes e fornecer produtos e serviços que atendam a essas necessidades, criando uma relação forte e sustentável com eles. A nossa maior ambição é ser o melhor banco em qualidade, não necessariamente o maior em quantidade.

O projecto com a Fundação Dom Cabral é um exemplo do nosso compromisso contínuo com a formação dos pequenos empresários. Queremos que esse programa dure enquanto houver necessidade de capacitação. Continuaremos a investir no desenvolvimento dos nossos clientes, contribuindo para uma economia mais robusta e inclusiva.

PM: Como o Moza Banco se posiciona em relação à bancarização do país e à expansão dos serviços bancários para as áreas mais remotas? Este é um projecto que deve ser assumido em nível nacional?

JF: Nós, enquanto agentes da economia e do sistema financeiro, precisamos trabalhar em conjunto com o Estado. O Moza Banco abraçou o projecto do Estado no programa “Um Distrito, Um Banco”. No entanto, este programa enfrenta atrasos em seu orçamento e ritmo de implementação, e não por responsabilidade dos bancos. Os bancos estão a cumprir seu papel, mas é essencial que todos os stakeholders colaborem. O sistema financeiro não pode ser o único responsável, o Estado também precisa participar activamente.

Compreendemos que o Estado enfrenta várias dificuldades, mas este é um sacrifício que deve ser compartilhado. Não basta apenas os bancos se esforçarem para chegar às zonas rurais, todos os envolvidos devem estar comprometidos. Apesar dos desafios, os bancos já abriram muitos balcões em áreas rurais.

Mesmo em momentos de grande dificuldade, como em 2016, quando o Moza Banco enfrentou uma crise, conseguimos abrir dois balcões em zonas rurais. Hoje, felizmente, superamos aquela fase difícil, mas continuamos comprometidos com o programa “Um Distrito, Um Banco”. Fomos um dos bancos que mais aderiram a este programa, mas é crucial que todos os responsáveis estejam alinhados e cumpram suas obrigações.

Acreditamos que há condições para continuar com este programa se todos os stakeholders estiverem na mesma página. Recentemente, o Banco Mundial previu um crescimento da economia mundial de 2,4% para 2,6% este ano. No entanto, devemos focar em nossa própria economia e trabalhar juntos para promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável.

PM: De acordo com esta leitura do Banco Mundial, que impacto se pode esperar na economia e de uma forma directa na vida dos mocambicanos?

JF: O crescimento a nível mundial não nos afectará se não soubermos concentrar e focar na nossa economia nacional. Precisamos viver com o apoio dos nossos parceiros, mas devemos nos concentrar na produção nacional. Se não o fizermos, continuaremos dependentes de doações e ajuda externa, e isso não é o que desejamos. Queremos deixar para nossos filhos e futuras gerações um país sustentável, capaz de se sustentar por si mesmo.

Temos recursos suficientes para alcançar essa independência. Temos, por exemplo, a possibilidade de usar nossos portos para facilitar o comércio com países do interior, como a Tanzânia. Precisamos nos concentrar nessas vantagens e não deixar o tema da economia mundial nos distrair.

Devemos reunir esforços e definir um modelo de desenvolvimento económico que atenda às nossas necessidades. Quais são os sectores em que devemos investir para desenvolver o país? Precisamos criar mais postos de trabalho e formalizar a economia informal, integrando mais pessoas na economia produtiva e real.

É crucial que nos concentremos na nossa economia e nos unamos para atingir esses objectivos. Somente assim poderemos construir um futuro mais próspero e sustentável para todos os moçambicanos.

PM: Em relação ao Memorando de Entendimento assinado entre o Moza e a FDC para a viabilização de um programa educacional denominado “Pra Frente” através do qual as Pequenas e Médias Empresas nacionais, beneficiarão de formações e capacitações em matérias de empreendedorismo e gestão.

Qual é a estratégia para garantir que os critérios de selecção dos participantes atendam adequadamente às necessidades e diversidade dos pequenos empresários em diferentes regiões do país?

JF: O programa é administrado online e oferece pacotes de cursos que cobrem diversas áreas. Nosso objectivo é envolver pequenos empresários, microempresários, e oferecer-lhes a oportunidade de participar desses cursos. Eles aprenderão conceitos básicos que os ajudarão a se defender melhor e a se prepararem para a gestão de seus negócios.

O protocolo que adoptamos envolve a identificação de empresários, microempresários, pequenas e médias empresas, empreendedores e mulheres empresárias que se beneficiarão do programa. Vamos trazê-los para o programa e fornecer a formação necessária, para que fiquem melhor preparados para a vida empresarial.

A selecção dos participantes é feita com base em vários critérios. Para o primeiro grupo, buscamos cobrir diversos sectores de actividade e representantes de todas as províncias do país. Para a segunda turma, escolhemos focar exclusivamente em mulheres empreendedoras.

No futuro, novos critérios serão definidos para seleccionar os participantes.

PM: Qual tem sido o maior ganho proporcionado pelo Moza Banco para a economia ao longo de seus 16 anos de existência, e quais são os principais desafios que a instituição enfrenta actualmente em sua contribuição para o desenvolvimento económico?

JF: O maior ganho para a economia, nesses 16 anos, é o papel que o Moza Banco desempenha como entidade financiadora e parceira dos seus clientes. Construímos dia a dia uma relação de entendimento, buscando compreender suas necessidades e oferecendo produtos, instrumentos e serviços que realmente atendam a essas demandas. Nossa maior ambição é nos inspirarmos nas necessidades dos clientes e entregarmos produtos e serviços que atendam a essas necessidades.

No nosso DNA, somos um banco relacional, o que significa que queremos criar uma relação com o cliente, entendê-lo e, a partir disso, desenvolver os produtos e serviços adequados.

João Figueiredo: “Our greatest ambition is to be inspired by our customers’ needs”

The Chairman of the Board of Directors of Moza Banco, João Figueiredo, in an interview with Profile, makes an in-depth analysis of Moza Banco’s trajectory over the last 16 years.

Looking to the future, Moza Banco continues to innovate and expand its services, reaffirming its commitment to sustainable and inclusive economic growth in Mozambique.

Profile Mozambique: How would you describe Moza Banco’s 16-year history?

João Figueiredo: It’s been 16 years of challenges, opportunities, a lot of struggle and dedication, from the time of the bank’s founders to the new management at Moza Banco today. This journey has relied on the great commitment of our shareholders, employees, partners and authorities.

During these 16 years, we have served the Mozambican economy, actively participating in the financial system and helping to strengthen our sector. However, both nationally and internationally, the economic climate has not been the most favorable. Globally, we are facing two major recent phenomena: the Covid-19 pandemic and its consequences, and the wars in the Middle East and Ukraine, whose repercussions go beyond the borders of the conflicts, impacting the entire world.

In the national context, our economy is also going through very difficult times. We need to focus our efforts on what is essential to us. Moza Banco is committed to boosting the development of small and medium-sized enterprises, which are the foundation of any growing economy. To this end, we recently signed an agreement with the Dom Cabral Foundation to train our small business owners, one of the main pillars of development.

In addition, Moza Banco wants to highlight the importance of supporting small and medium-sized businesses and alert society to the multi-sectoral development that is necessary for our progress. The energy sector, with the arrival of gas, is often mentioned, but we believe that our economic model must support various sectors, including tourism and agribusiness. We need to include rural populations in our development, because economic growth does not necessarily mean social inclusion or sustainable development.

This is a wake-up call to continue supporting global and sectoral development, promoting a value chain within the country, reducing imports and increasing exports. One example is the agricultural issue and the need for districts that still don’t have banks, branches or ATMs.

With 16 years of Moza Banco, our project and plan, both short and long term, aim to reach those populations and districts which, despite having economic potential, are still not adequately assisted by the banking sector. We want all stakeholders to collaborate in this effort, fulfilling their responsibilities so that we can continue to bank the country and bring financial services to the most remote areas.

The global growth forecast by the World Bank for this year may not affect us directly, but we have to focus on our national economy. We need to rely less on donations and more on our own production. We have enough resources and potential to be self-sustaining, such as our vast 2,700 km coastline and arable land. We need to focus on the economic development we want, creating more jobs and formalizing the informal economy.

Moza Banco has a motto: “Make it Happen”. We are committed to understanding our customers’ needs and providing products and services that meet those needs, creating a strong and sustainable relationship with them. Our greatest ambition is to be the best bank in terms of quality, not necessarily the biggest in terms of quantity.

The project with the Dom Cabral Foundation is an example of our ongoing commitment to training small business owners. We want this program to last as long as there is a need for training. We will continue to invest in the development of our clients, contributing to a more robust and inclusive economy.

MP: How does Moza Banco position itself in relation to the country’s bankarization and the expansion of banking services to the most remote areas? Is this a project that should be taken on at national level?

JF: As agents of the economy and the financial system, we need to work together with the state. Moza Banco has embraced the state’s project in the “One District, One Bank” program. However, this program is facing delays in its budget and pace of implementation, and not because of the banks. The banks are fulfilling their role, but it is essential that all stakeholders collaborate. The financial system cannot be solely responsible, the state also needs to participate actively.

We understand that the state is facing various difficulties, but this is a sacrifice that must be shared. It’s not enough for banks alone to make the effort to reach rural areas, everyone involved must be committed. Despite the challenges, banks have already opened many branches in rural areas.

Even in times of great difficulty, such as in 2016, when Moza Banco faced a crisis, we managed to open two branches in rural areas. Today, fortunately, we have overcome that difficult phase, but we remain committed to the “One District, One Bank” program. We were one of the banks that joined this program the most, but it is crucial that all those responsible are aligned and meet their obligations.

We believe that there are conditions to continue with this program if all stakeholders are on the same page. Recently, the World Bank predicted growth in the world economy from 2.4% to 2.6% this year. However, we must focus on our own economy and work together to promote inclusive and sustainable development.

PM: According to this reading from the World Bank, what impact can be expected on the economy and directly on the lives of Mozambicans?

JF: Global growth won’t affect us if we can’t concentrate and focus on our national economy. We need to live with the support of our partners, but we must focus on national production. If we don’t, we’ll continue to depend on donations and foreign aid, and that’s not what we want. We want to leave our children and future generations a sustainable country, capable of supporting itself.

We have enough resources to achieve this independence. We have, for example, the possibility of using our ports to facilitate trade with inland countries such as Tanzania. We need to focus on these advantages and not let the issue of the world economy distract us.

We must join forces and define an economic development model that meets our needs. What sectors should we invest in to develop the country? We need to create more jobs and formalize the informal economy, integrating more people into the productive and real economy.

It is crucial that we focus on our economy and unite to achieve these goals. Only in this way can we build a more prosperous and sustainable future for all Mozambicans.

PM: With regard to the Memorandum of Understanding signed between Moza and the FDC for the implementation of an educational program called “Pra Frente” through which small and medium-sized national companies will benefit from training in entrepreneurship and management.
What is the strategy for ensuring that the criteria for selecting participants adequately meet the needs and diversity of small business owners in different regions of the country?

JF: The program is run online and offers packages of courses covering various areas. Our aim is to involve small business owners, micro-entrepreneurs, and offer them the opportunity to take part in these courses. They will learn basic concepts that will help them defend themselves better and prepare for running their businesses.

The protocol we have adopted involves identifying entrepreneurs, micro-entrepreneurs, small and medium-sized businesses, entrepreneurs and women entrepreneurs who will benefit from the program. We will bring them into the program and provide the necessary training so that they are better prepared for business life.

Participants are selected on the basis of various criteria. For the first group, we aim to cover various sectors of activity and representatives from all the country’s provinces. For the second group, we chose to focus exclusively on women entrepreneurs.

In the future, new criteria will be defined for selecting participants.

MP: What has been Moza Banco’s greatest gain for the economy over its 16 years of existence, and what are the main challenges the institution currently faces in its contribution to economic development?

JF: The biggest gain for the economy in these 16 years is the role Moza Banco plays as a lender and partner to its clients. Every day we build a relationship of understanding, seeking to understand their needs and offering products, instruments and services that really meet those demands. Our greatest ambition is to be inspired by our clients’ needs and to deliver products and services that meet those needs.

In our DNA, we are a relational bank, which means that we want to create a relationship with the client, understand them and, based on that, develop the right products and services.