Saturday, September 19, 2026
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Altona Rare Earths com expectativas positivas no projecto de Monte Muambe

No mês de Julho passado, a empresa que se dedica ao desenvolvimento dos projectos de exploração de elementos de terras raras no Monte Muambe, distrito de Moatize, província de Tete, anunciou a retoma das suas operações, depois de um período de interrupção.

“Temos um segundo semestre de 2023 muito movimentado pela frente, com vários objectivos a alcançar, a estimativa de recursos minerais e o estudo de escopo são nosso foco imediato”, afirmara o chefe-executivo da mineradora,  afirmou Cedric Simonet.

A empresa mineira centrada em África disse, na segunda-feira, que o projecto deverá ter 13,6 milhões de toneladas métricas de elementos de terras raras, de acordo com a estimativa em conformidade com o JORC.

O JORC é o padrão usado para medir o tamanho no solo de um depósito mineral que uma empresa possa ter descoberto.A empresa disse que a estimativa também inclui 42.500 toneladas de metais magnéticos de neodímio e óxidos de praseodímio.

“Esta é a primeira medida oficial de sempre da dimensão e do grau do projeto e estamos muito satisfeitos com os resultados, que confirmam a presença de um recurso de elementos de terras raras potencialmente explorável a céu aberto”, afirmou o Diretor Executivo Cedric Simonet.

A Altona Rare Earths está a finalizar o seu relatório atualizado de pessoa competente, que deverá ser publicado no próximo mês, disse. A conclusão do relatório aumentará a participação da empresa em Monte Muambe de 20% para 51%.

País vai crescer aos 6,7% este ano e o retorno da Total é crucial

A trajectória de crescimento de Moçambique, concluem os analistas, está dependente da retoma do projecto da TotalEnergies em Cabo Delgado, após a suspensão dos trabalhos em 2021, devido aos ataques terroristas na região.

“A Moody’s projecta que o Produto Interno Bruto (PIB) real se expanda 6,7% em 2023 e 5% em 2024, contra 4,4% em 2022, impulsionado pelo crescimento contínuo do sector primário e, em particular, pela produção de GNL no Coral Sul da Eni S.p.A. (o projeto mais pequeno e mais avançado que iniciou a produção no ano passado)”, refere a agência de notação financeira.

Na nota divulgada, na sexta-feira passada, que desce a previsão económica de positiva para estável, a Moody’s prevê também que a dívida pública moçambicana melhore para 93,3%, mas ainda “bem acima da mediana estimada dos pares com notação Caa, de 66,1% em 2023”, e abaixo do nível de recomendação de investimento.

“Olhando para o futuro, embora se espere que o programa do FMI forneça uma âncora para a política fiscal, a consolidação fiscal pode revelar-se um desafio, dada a vulnerabilidade de Moçambique a choques internos e externos”, diz a nota.

“Há indicações de que a situação de segurança no norte do país melhorou e as autoridades esperam que as operações sejam retomadas este ano, com a produção a iniciar-se potencialmente em 2027. A decisão final de investimento para o projeto Rovuma LNG, o maior e menos avançado projecto, que foi suspenso devido à crise do coronavírus e às difíceis condições de segurança, ainda está pendente, com as autoridades a esperarem que seja finalizada em 2025”, escreve a Moody’s.

As previsões para a dívida e o PIB foram divulgadas no contexto da revisão da perspectiva da economia moçambicana de positiva para estável, numa nota em que a Moody’s prevê também mais atrasos nos pagamentos da dívida interna e na implementação de reformas.

No tocante à segurança na província de Cabo Delgado, o Governo tem estado a reportar progressos significativos na região, dada a intervenção conjunta entre as Forças de Defesa e Segurança e as da SADC e do Ruanda . A propósito, algumas pessoas já estão a retornar para as suas zonas de origem, de onde tinham saíso, devido à ameaça dos insurgentes.

No capítulo de reformas económicas, há um esforço visível por parte do Executivo moçambicano, que tem aprovado instrumentos legais que visam estabelecer um ambiente de negócios, tal é o caso do Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE), bem assim a provação, em Agosto, da Lei de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo pela Assembleia da República.

A Lei visa, especialmente, melhorar a segurança do sistema financeiro nacional, que acabou, no final de 2022, resvalando o país à Lista Cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional.

A instituição teria justificado que houve incongruências no sistema financeiro moçambicano com indícios de ocorrência de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo em território nacional.

Triton já tem uma empresa consultora para o projecto de grafite

A SDS ajudará a Triton com o envolvimento das partes interessadas, aconselhamento estratégico, de gestão, assistência com actividades de conformidade e desenvolvimento de projectos em geral, avança o portal The Market Herald.

A empresa oferece soluções diversificadas de engenharia e construção e também é especializada em saneamento de água. A SDS irá rever especificamente os documentos legais para garantir a sua harmonização com a lei moçambicana.

Embora o acordo tenha sido assinado nos finais de Setembro, a SDS tem vindo a prestar assistência à Triton desde julho, anunciou hoje a empresa. No total, o contrato ascende a 1 milhão de dólares americanos.

O ministro de Recuros Minerais e Energia, Carlos Zacarias, concedeu à Cobra Plains o direito de mineração de mais de 20 anos, no mês passado. Plains possui um recurso inferido de 5,7 milhões de toneladas de carbono grafítico.

O projecto Ancuabe, por sua vez, possui um total de 46 milhões de toneladas de grafite. A Triton pretende produzir concentrados do minério a partir de Ancuabe para a venda nos mercados globais.

“Espera-se que os próximos 18 meses sejam cruciais na jornada da Triton para se tornar um produtor de grafite e estamos entusiasmados por ter a SDS a ajudar-nos enquanto trabalhamos incansavelmente para criar valor para os nossos accionistas”, disse o director executivo da TON, Andrew Frazer.

Sobre a escolha à SDS, a Triton destaca a sua experiência em vários projectos de recursos e infraestruturas que “acreditamos que irão ajudar muito a Triton à medida que continuamos a progredir no desenvolvimento dos nossos projectos de grafite de classe mundial”

Porto de Maputo facilita exportação de minérios sul-africanos

As exportações de carvão, por exemplo, estão a ser feitas por camiões através de Maputo. Em causa está a não utilização do Terminal de Carvão de Richards Bay, propriedade do sector privado sul-africano, em KwaZulu-Natal, devido à falta de locomotivas.

Segundo Vuslat Bayoglu, director-geral da Menar, uma empresa de investimento privado com uma carteira de activos mineiros, que inclui carvão, antracite, manganês, ouro e níquel, África do Sul não tem outra opção a não ser a Transnet e o país tem de fazer funcionar a empresa estatal de logística, caso contrário toda a economia ficará paralisada.

“A Transnet não se saiu bem em termos de carvão. No entanto, identificaram os problemas e estão a tomar iniciativas para os resolver, sendo o maior deles a disponibilidade das locomotivas”, observou Bayoglu, citado pelo portal Mining Weekly.

“Discutimos regularmente com a equipa da Transnet sobre o que é necessário fazer para aumentar a disponibilidade das locomotivas e para garantir que o sistema funciona de forma eficiente”, afirmou.

Bayoglu mostrou-se, no entanto, confiante de que os desafios da Transnet não são insuperáveis e aguarda com expectativa a forma como a Cimeira dos Brics, organizada pela África do Sul, ajudará a Transnet a assegurar a entrega, por parte de uma empresa chinesa de fabrico de carris, das restantes locomotivas e o fornecimento de peças e serviços.

“Maragra” vai reerguer-se com novos investidores

Mas a Ilovo decidiu retirar-se. A decisão vem na sequência do prejuízo de 3,6 mil milhões de meticais (56 milhões de dólares, à taxa de câmbio atual) sofrido pela Maragra devido às inundações de fevereiro passado. Foi noticiado que Maragra necessitaria de um novo investimento de cerca de 100 milhões de dólares para recuperar totalmente dos danos.

“A informação que temos é que há novos proprietários que vão tomar conta da empresa num futuro próximo. Os antigos proprietários decidiram não continuar com o negócio do açúcar”, garntiu Moreno, mesmo sem indicar o nome dos novos proprietários da Maragra.

O governante disse que o relatório sobre a operação de transferência foi recentemente partilhado com o governo como uma mera comunicação, uma vez que o executivo não intervém nas negociações sobre a transferência de propriedade de uma empresa privada.

Entretanto, segundo Moreno, o governo facilitou a transação entre os antigos e os actuais investidores, na esperança de que a plantação de cana-de-açúcar esteja em condições saudáveis a tempo da próxima época agrícola.

Segundo Moreno, estão a ser ultimados os últimos pormenores da negociação entre as partes envolvidas, o que permitirá retomar a produção nos primeiros meses do próximo ano.

 

 

Magala diz que Governo confia na nova direcção das LAM

“Temos confiança nos gestores da LAM, naqueles que nos estão a ajudar na nossa agenda de transformar a LAM numa companhia credível, e acreditamos que vamos atingir o nosso objetivo”, disse Mateus Magala aos jornalistas durante a reabertura do barco que liga a ilha da Inhaca à cidade de Maputo.

Magala reagia às últimas acusações, feitas pela empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA), de alegada corrupção de alguns gestores da LAM, bem como de irregularidades na implementação de medidas para a recuperação da empresa.

Mateus Magala lembrou que a companhia aérea de bandeira está a passar por reformas que precisam de tempo, considerando a “gestão da mudança” uma “questão muito importante” do processo em curso.

A 14 de Setembro, a empresa sul-africana reconheceu que os clientes deviam à LAM um montante avaliado em 1,2 mil milhões de meticais, incluindo a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder em Moçambique.

“Entretanto, têm sido feitas cobranças, planos de pagamento de dívidas e reconciliação de contas”, explicou Zita Joaquim, da direcção da FMA, admitindo que as dívidas são de empresas públicas e privadas, ministérios, instituições públicas, entre outras.

Questionada pelos jornalistas, a responsável pelas finanças e contabilidade da LAM na gestão das FMA disse que só uma empresa, que não identificou, devia à companhia aérea quase 50 milhões de meticais.

Combustível de Moçambique chegará a Malawi através de um oleoduto

O país importa 50 por cento do seu combustível do porto da Beira e 20 por cento de Nacala e os restantes 30 por cento do porto de Dar-es-Salam, sendo que o oleoduto também poderá aliviar os custos de importação.

Malawi gasta cerca de 600 milhões de dólares por ano apenas na importação de combustível, à medida que o consumo de diesel e gasolina continua a aumentar rapidamente.

Os números do regulador da indústria energética, a Autoridade Reguladora de Energia do Malawi, mostram que, em média, os malawianos consomem cerca de 50 milhões de litros de combustível por mês, o equivalente a 600 milhões de litros por ano.

Por dia, os malawianos consomem cerca de 845 mil litros de gasolina e 834 mil litros de gasóleo. E para aguentar esta demanda de combustível, o país necessita de 600 milhões de dólares por ano.

O presidente do conselho da administração da autoridade reguladora de energia, Henry Kachaje, atribuiu o aumento do custo de importação de combustível à elevada procura de combustível no mercado nos últimos anos.

Kachaje garantiu a sustentabilidade na importação de combustíveis com base no financiamento de 50 milhões de dólares do Banco Árabe para Desenvolvimento em África (BADEA) para reabastecer as reservas de combustível do país para aliviar os desafios recorrentes no fornecimento de combustível.

Malawi tem enfrentado escassez recorrente de combustível desde Agosto do ano passado, em grande parte porque o país não tem divisas suficientes. O Banco Central do Malawi afirmou em Junho que as reservas cambiais do governo não eram suficientes para durar um mês.

″O país precisava de uma média de cerca de 300 milhões de dólares em produtos petrolíferos, mas quando os preços dos produtos petrolíferos no mercado subiram, o valor duplicou para quase 600 milhões de dólares″.

Kachaje disse que o regulador de energia está a trabalhar com fornecedores de combustível para minimizar a escassez. “Uma das formas é envolver fornecedores que estejam dispostos a fornecer produtos ao Malawi em Kwacha (moeda local)”, disse Kachage.

 

 

 

 

 

 

TRAC adia a conclusão de um troço essencial da EN4

Segundo o gestor, a empresa sul-africana responsável pela autoestrada, Trans Africans Concessions (TRAC), prometeu agora entregar a via rápida de quatro faixas até Dezembro.

Esta é a terceira vez que a conclusão da N4 sofre atrasos. A TRAC contratou a Inyatsi, uma empresa de Eswatini, com ligações à família real de Eswatini, para fazer o trabalho.

Os directores da TRAC foram convocados a Maputo pelo Ministro das Obras Públicas, Carlos Mesquita, que estava “irritado” com os repetidos atrasos no alargamento da N4. A estrada sofre de engarrafamentos causados por camiões carregados de minerais que transportam a sua carga da província sul-africana de Mpumalanga para o porto de Maputo.

Paulo disse que apenas o básico estará pronto em Dezembro. Tudo o resto terá de ser feito mais tarde, incluindo duas estradas de serviço, uma de cada lado da autoestrada, e duas estradas secundárias que levam o tráfego local para a N4. A TRAC também prometeu instalar duas passagens pedonais sobre a autoestrada.

“Embora este processo seja moroso e tenha sofrido contratempos, devido às fortes chuvas e inundações, em Fevereiro passado, em que não foi possível trabalhar um único dia, há luz ao fundo do túnel, uma vez que concluídos os trabalhos, o congestionamento será ultrapassado significativamente”.

O contrato de concessão da N4 celebrado pelo Governo com a TRAC termina em 2027.

Exxon Mobil continua interessada no gás natural de Cabo Delgado

O compromisso foi assumido num encontro havido entre a liderança daquela multinacional e o Presidente da República, Filipe Nyusi, segundo fez saber em conferência de imprensa minutos após do seu regresso dos EUA, onde participou na 78ª Sessão Anual da Assembleia Geral das Nações Unidas.

No referido encontro, segundo avança a Agência de Informação de Moçambique (AIM), o dirigente explicou aos parceiros sobre os progressos alcançados no combate ao terrorismo nos últimos tempos em Cabo Delgado.

“Tivemos um jantar de trabalho com a ExxonMobil para compreendermos precisamente qual é a evolução e eles tirarem as dúvidas daquilo que é a evolução na zona. O problema deles é quando é que retomam, e temos estado a trabalhar neste sentido e eles avaliaram os sucessos com muita satisfação”, disse Nyusi,

Refira-se que a ExxonMobil ainda está a avaliar a situação de segurança em Cabo Delgado, onde alguns distritos da região norte são alvos de ataques terroristas perpetrados por grupos extremistas, desde Outubro de 2017.

Em Washington, Nyusi visitou o Pentágono onde o Secretário do Estado de Defesa, Lloyd Austin, garantiu o apoio dos EUA no combate à pirataria marítima e outros crimes que acontecem no mar, sobre tudo na região norte, severamente afectada pelo extremismo violento.

“Estive também no Pentágono, com o Secretário de Defesa, onde avaliamos a nossa cooperação no âmbito da defesa e no âmbito da fiscalização do mar para evitar os crimes que acontecem, como a pesca ilegal, tráfico de drogas e de pessoas e também do terrorismo”, anotou.

“Portanto, trocamos impressões e temos estado a trabalhar com os EUA neste sentido e haverá seguimento, com vista a contornarmos aqueles que usam as nossas águas para cometer crimes”, sublinhou.

No âmbito dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Nyusi apontou a necessidade de aumentar assistência humanitária às pessoas vulneráveis.

 

Há oportunidades no sector mineiro em Moçambique, Geert Klok explica os detalhes

Moçambique é um dos importantes exportadores mundiais de minérios de grande valor, como o carvão mineral, grafite e rubis, o que acresce ainda mais os desafios do país no mercado global das pedras e metais preciosos.

Enquanto somam-se ganhos no sector mineiro nacional, também se multiplicam perspectivas sobre o futuro desta indústria numa altura em que o planeta tenta harmonizar os desafios energéticos e a exploração de minérios.

É que a ambição do país e o mundo em transitar para energias limpas, exige a produção em quantidade, de metais que facilitarão a transição almejada. O grafite é um dos minérios considerados fundamentais, para a concretização deste objectivo e Moçambique é, agora, uma das fontes desta matéria-prima.

Razões mais que suficientes para sabermos como estamos e para onde vamos. A resposta disso virá de uma personalidade bem entendida na matéria e um dos importantes actores do sector mineiro no país. Chama-se Geert Klok, Presidente da Câmara de Minas de Moçambique (CMM).

Nas próximas linhas, o leitor poderá saber, ao detalhe, em torno do contributo e os desafios desta indústria e, não menos importante, sobre a agremiação que acopla as empresas mineiras que actuam em território nacional.

60 mineradoras inscritas na CMM

Fundada em 2012, a CMM contabiliza um total de 60 mineradoras inscritas na sua base de dados e as mesmas são membros integrantes da agremiação. Estas variam entre mineradoras de pequena escola, cooperativas, associações e megaprojectos.

De acordo com Geert Klok, a Câmara de Minas de Moçambique representa as empresas do ramo, factor que facilita a aproximação das empresas ao Governo e vice-versa, incluindo com diversas instituções que actuam lado a lado do sector.

Todos estes representam 88 por cento do volume de produção da indústria mineira formal no país. Klok entende que esta percentagem é um claro indicador de que o sector mineiro em Moçambique é um dos importantes “braços” do desenvolvimento económico do país.

“A Câmara das Minas de Moçambique integra, como podemos ver, a grande maioria da cadeia de valor das minas. Ela estabelece parcerias entre diversos actores que actuam na cadeia de valor da mineração de dentro e fora de Moçambique”, esclareceu Geert Klok.

O dirigente da CMM acredita que a parceria entre as mineradoras nacionais e os “players” internacionais é fundamental, na iniciativa de transferência de experiências adequadas para a transformação e desenvolvimento do sector no país.

Sector mineiro responsável por 30% de exportações

O sector mineiro no país e no mundo foi severamente afectado pelos impactos da pandemia da COVID-19, que se fez sentir nos últimos dois anos.

Com a eclosão do vírus, as modalidades do comércio mundial ficaram limitadas às restrições impostas pela doença. No entanto, Geert Klok observa que o sector já está a recuperar-se das “mazelas” criadas pela pandemia.

O gestor aponta, por exemplo, que a indústria extractiva continua a contribuir com 10 por cento para o Produto Interno Bruto. Essa cifra resulta de um universo de exportações de vários minerais que se situa em torno de 30 por cento.

De acordo com Klok, destaque vai para grafite, uma importante matéria-prima usada para a produção de baterias destinadas a carros eléctricos, seguem os rubis produzidos, por exemplo, pela Montepuez Ruby Mining (MRM) e lítio, que embora esteja na fase inicial de produção, constitui um dos principais minérios que concorrem para a balança de receitas.

“Cada mineral tem a sua dinâmica e os preços de alguns minérios são muito voláteis no mercado internacional. O grafite e o carvão são exemplos disso”.

Sector mineiro estimula desenvolvimento do conteúdo local

As políticas económicas moçambicanas são claras ao acomodar o interesse das empresas nacionais. Uma das formas que o Governo encontrou para incluir as empresas nacionais no desenvolvimento de megaprojectos, foi a criação da Lei do Conteúdo Local, que apesar de não ter sido, ainda, aprovada, várias empresas moçambicanas buscam ser também protagonistas das grandes operações.

Klok observa que o sector mineiro tem demonstrado uma significativa demanda pelos serviços e produtos das empresas locais. Segundo afirmou, o conteúdo local apresenta enormes vantagens para as mineradoras que se encontram espalhadas pelo território moçambicano.

A título de exemplo, o também director geral da GK Ancuabe Graphite Mine, S.A., mineradora que explora grafite no distrito de Ancuabe, na província de Cabo Delgado, afirmou que a aquisição de produtos e serviços pelas empresas locais, reduziria custos que se têm verificado na compra de algumas matérias-primas importadas.

Para Geert Klok, o ideal seria que as empresas nacionais produzissem o material usado pelas empresas mineiras, sobretudo, nas imediações das áreas em que estão instalados os mega-projectos.

“Com a importação é complexo, leva mais tempo para a chegada, então o mais prático é ter o produto por perto. Com esse feito, os preços também seriam mais acessíveis”, apontou o gestor.

O sucesso do modelo dos parques industriais

Segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC), nos últimos cinco anos, foram aprovados 63 projectos de investimentos, particularmente para a província de Cabo Delgado, num valor total de mais de 402 milhões de dólares americanos, com um potencial para criar 4,943 postos de trabalho.

O destaque vai para os investimentos nos sectores de Serviços, Energia e Indústria. Os projectos em curso nomeadamente Real Moz-afungi, avaliado em 44,958,277 de dólares, Central Solar Metoro (51,921,000) e Montepuez Graphite Processing (35.000.000), são alguns exemplos por citar.

A ideia de estímulo ao conteúdo local corrobora com uma das metas do Executivo moçambicano que visa fomentar e expandir a industrialização no país. Por esse motivo, o Governo estabeleceu, em 2021, o Programa Nacional Industrializar Moçambique (PRONAI: 2021-2035).

O PRONAI, que se destaca como um ambicioso propósito do Governo, tenciona até 2030, melhorar a balança comercial, através da substituição das importações de 0 a 15 por cento, aumentar as exportações de produtos industriais em cerca de 15 por cento, garantir o crescimento sustentado do peso da indústria transformadora e aumentar a contribuição no Produto Interno Bruto (PIB) de 8.5% para 14% e a geração de mais postos de emprego na indústria transformadora em mais de 100 por cento.

Ciente dos desafios da industrialização no país, a Câmara de Minas de Moçambique identifica-se como um dos agentes catalisadores deste objectivo. Segundo Klok, a agremiação mineira está também a encorajar iniciativas de género visando a implantação de parques industriais junto das mineradoras existentes no país.

O empresário fala da importância, por exemplo, da implantação do Parque Industrial de Topuito (PIT), inaugurado em Junho passado, no distrito de Moma, província de Nampula. Erguida sob uma parceria entre a MozParks e a mineradora Kenmare, o PIT funciona como a âncora desta empresa mineira que explora areias pesadas naquele ponto do país.

“A ideia é levar os serviços através dos parques industriais próximos às empresas mineiras. Vimos o sucesso do Parque Industrial de Beluluane e agora de Topuito. A nossa expectativa é que mais empreendimentos desta natureza se estabeleçam com sucesso”, expressou Klok.

Responsabilidade em prol das comunidades

É imprescindível que os megaprojectos, onde estiverem instalados, desenvolvam iniciativas que visem apoiar às comunidades locais. Aliás, os contratos que os grandes projectos rubricam com o Governo preveem que assim seja.

Klok refere que o sector que representa toma em consideração este aspecto e aponta que a sua agremiação estimula às empresas a pautar por acções sociais, para permitir que as populações beneficiem da presença dos grandes empreendimentos.

“Há empresas que têm, por exemplo, projectos agrícolas, ao fornecerem insumos, inclusive ajudam com técnicas de melhoramento de produção agrícola”, afirma Klok.

Além disso, o empresário aponta também para a melhoria da renda familiar que as empresas têm ajudado a gerar, ao contratar trabalhadores locais. Geert Klok observa, entretanto, que a agremiação vai continuar a fomentar este tipo de iniciativas a bem das pop