A recente redução da Taxa de Juro de Política Monetária do Banco de Moçambique, a taxa MIMO, terá efeitos limitados de estímulo à Economia face ao contexto de conflito pós-eleitoral no país, uma vez que está a seguir uma trajectória esperada face às projecções de estabilidade de preços no médio prazo e contexto internacional favorável de preços de commodities.
Contudo, se por um lado esta trajectória é favorável para o estímulo à economia, o contexto pós-eleitoral adverso tem limitado o impacto dessa medida no crédito à economia e, consequentemente, no crescimento económico. Embora reduções na taxa de referência sejam, em teoria, uma ferramenta poderosa para estimular o crédito e a actividade económica, o actual contexto pós-eleitoral e outros facto-res estruturais têm limitado a resposta esperada. Neste artigo, exploramos a dinâmica entre a política monetária, o crédito e os factores macroeconómicos e políticos que condicionam este processo
A Prime rate e o crédito à economia
Os dados recentes mostram que, apesar de uma tendência de redução na Prime Rate desde o início de 2024, o volume de crédito à economia apresentou resposta limitada. Por exemplo, entre janeiro e outubro de 2024, a Prime Rate caiu de 24,25 para 22,82 por cento, enquanto o crédito à economia flutuou levemente, permanecendo em torno de 247 biliões de meticais, sem indicar um crescimento substancial. Este padrão contrasta com o esperado em um ambiente onde as taxas de juros mais baixas deveriam incentivar a concessão de crédito e a demanda por financiamentos.
Contexto Pós-Eleitoral: Um factor limitante
O ambiente pós-eleitoral em Moçambique tem sido marcado por tensões sociais, manifestações e incerteza política. Para além de perdas humanas, resultantes de uma postura violenta da polícia e dos manifes-tantes, esses factores criam um ambiente de elevado risco para bancos e empresas, impactando directamente na disposição dos bancos em conceder crédito e a capacidade dos empréstimos estimularem investimentos pro-dutivos.
Em momentos de instabili-dade, as instituições financeiras tendem a adoptar posturas mais conservadoras, priorizando li- quidez e solvência em detrimento da expansão do crédito. Além disso, o aumento da percepção de risco afecta negativamente os potenciais tomadores de crédito. Empresas e indivíduos podem hesitar em assumir novas dívidas, temendo a redução da demanda por seus produtos e serviços em um ambiente de incerteza económica e política. Este ciclo de cautela reforça o impacto limitado da política monetária no curto prazo.
A Confederação das Associações Económicas (CTA) estima que nas primeiras três primeiras fases das manifestações que totalizaram 10 dias de paralisa-ções, começando por 1, 2 e 7 dias de forma consecutiva levaram a perdas totais e impacto no Produto Interno Bruto (PIB) totalizado cerca de 24.8 mil milhões de meticais, cerca de 2,2 por cento do PIB. Com isto, o crescimento económico de 2024 poderá situa-se a 3,3 por cento bem abaixo do projectado de 5,5 por cento. Com a desaceleração econó-mica, intensificada pela incerteza política, reduz igualmente a demanda por crédito. Empresas enfrentam um mercado interno contraído, o que limita suas necessidades de financiamento para expansão ou novos projetos e, consequentemente, os benefícios que tirariam da redução recente da taxa MIMO.
Outros factores (estruturais)
A resposta limitada do crédito à economia não é apenas reflexo do contexto pós-eleito-ral, mas também de factores estruturais que persistem na economia moçambicana. Por exemplo, o sector bancário em Moçambique é dominado por poucos bancos comerciais, o que reduz a competição e, por consequência, o incentivo para uma expansão mais agressiva do crédi-to. Além disso, esses bancos concentram-se em segmentos de menor risco, como financiamento ao governo e grandes empresas, deixando as pequenas e médias empresas (PME) com acesso restrito ao crédito.
Mesmo com a redução na Prime Rate, as taxas efectivas cobradas aos clientes finais permanecem elevadas, reflectindo prémios de risco altos, custos operacionais elevados e a fragilidade da base de garantias na economia. Este cenário é agravado pela informalidade predominan- te, que dificulta a avaliação de risco e a execução de garantias reais. Por fim, a efectividade da política monetária também depende de um alinhamento com a política fiscal. Em Moçambi-que, o elevado déficit fiscal e a crescente dívida pública resultam em pressão sobre os recursos financeiros internos, competindo com o sector privado por financiamento.
Considerações finais
Em geral, a redução da taxa MIMO, isoladamente, é insuficiente para estimular o crédito à economia em um ambiente marcado por tensões pós-eleito-rais e desafios estruturais. O contexto actual exige uma abordagem mais abrangente, envolvendo reformas no sector bancário, estabilização política e medidas de apoio ao sector privado. Apenas através de um esforço coordenado será possível transformar a política monetária em um instrumento mais eficaz para promover o crescimento económico e a inclusão financeira no pais.
Por: Egas Daniel – Economista







A estabilidade cambial quase fixa em relação ao Dólar sugere uma ausência de pressões significativas no mercado cambial. A taxa de cobertura das importações, que atingiu 3,4 meses em Dezembro de 2023, retornou ao nível de 3,1 nos últimos meses, o que indica que não houve movimentos extraordinários na disponibilidade de divisas. Aliás, desde Junho de 2023, as reservas internacionais líquidas subiram de 3,0 para 3,6 mil milhões de Dólares até Junho de 2024, bem como os depósitos em moeda estrangeira aumentaram de 852 milhões de Dólares de Junho 2023 para 876 milhões para Junho 2024.
The near-fixed exchange rate against the US dollar suggests an absence of significant pressures in the foreign exchange market. The import coverage ratio, which reached 3.4 months in December 2023, returned to 3.1 months in recent months, indicating no extraordinary shifts in foreign currency availability. Furthermore, net international reserves rose from $3.0 billion in June 2023 to $3.6 billion in June 2024, and foreign currency deposits increased from $852 million to $876 million over the same period.




