Tuesday, April 7, 2026
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Sector bancário mantém trajectória de recuperação e consolidação, revela nova pesquisa da KPMG

A mais recente pesquisa da KPMG sobre o desempenho do sector bancário moçambicano, referente ao exercício de 2024, revela um cenário marcado por crescimento dos depósitos, reforço da solvabilidade e melhoria gradual da rentabilidade, apesar de desafios persistentes relacionados ao crédito malparado e à eficiência operacional. À semelhança de relatórios anteriores, o estudo detalha a evolução individual das principais instituições financeiras do país, apresentando rankings sobre depósitos, lucros, retorno sobre fundos próprios, eficiência, rácio de crédito vencido e duvidoso, bem como rácio de solvabilidade.

O setor bancário registou um aumento significativo no volume total de depósitos, passando de 634,4 mil milhões de meticais em 2023 para 715,4 mil milhões de meticais em 2024. O BCI — Banco Comercial e de Investimentos, SA, e o BIM — Banco Internacional de Moçambique, SA mantêm a liderança, com depósitos acima de 180 mil milhões de meticais cada, reforçando a sua posição dominante no mercado, enquanto o Standard Bank Moçambique segue na terceira posição, também com crescimento expressivo. Este aumento global evidencia a recuperação da confiança dos depositantes e um ambiente económico relativamente estável, apesar das pressões inflacionárias e do abrandamento da economia global.

No que toca a lucros, as instituições bancárias apresentaram um resultado agregado de 20,6 mil milhões de meticais em 2024, superando os 19,9 mil milhões registados em 2023. O Standard Bank lidera o ranking com mais de 6,1 mil milhões de meticais, seguido pelo BCI e pelo BIM, refletindo maior eficiência na gestão de ativos, expansão do crédito e controlo rigoroso dos custos operacionais.

No indicador de retorno sobre o capital próprio (ROAE), o destaque vai para o First Capital Bank, que alcançou uma rentabilidade de 45,19%, superando largamente a média do setor, situada em 13,91%. Outras instituições que se destacam incluem o United Bank for Africa (UBA) com 22,72%, Nedbank Moçambique com 19,78% e o BCI com 19,14%, mostrando capacidade de gerar lucros consistentes a partir dos seus recursos próprios, num ambiente ainda desafiante.

Apesar dos resultados positivos em rentabilidade, a eficiência operacional continua a representar um desafio. O rácio de eficiência, que compara custos com rendimentos, situou-se em 57,65%, ligeiramente melhor que em 2023. O Banco Letshego apresentou o melhor desempenho, com 18,76%, seguido do First Capital Bank, demonstrando elevada capacidade de gestão de custos. No entanto, algumas instituições registraram rácios acima de 80% e até 100%, evidenciando a necessidade de reestruturação e digitalização para reforçar a competitividade.

O crédito malparado permanece como uma preocupação para o setor, com o rácio de crédito vencido e duvidoso a subir para 9,70%, acima dos 8,66% registados no ano anterior. Este aumento reflete pressão sobre a capacidade de pagamento dos clientes, sobretudo empresas. Microbanco Confiança (1,24%), Standard Bank (2,33%) e FNB Moçambique (2,34%) apresentaram os melhores indicadores, enquanto algumas instituições ultrapassaram os 12% a 22%, representando riscos para a estabilidade financeira e exigindo maior rigor na concessão de crédito.

Quanto à solvabilidade, que mede a capacidade dos bancos de suportar perdas e honrar compromissos, os resultados mostram robustez do setor. A média ponderada subiu para 26,11%, muito acima dos mínimos exigidos pelo Banco de Moçambique. O BIG — Banco de Investimento Global apresentou a solvabilidade mais elevada, com 355%, refletindo baixa exposição ao risco e uma carteira de investimentos conservadora, seguido do Banco Mais (193%), Bayport Financial Services (149%) e UBA (137%).

Em conclusão, a pesquisa da KPMG confirma que o setor bancário moçambicano continua resiliente e em trajetória de crescimento, apesar das pressões económicas externas e internas. Entre os pontos fortes destacam-se o aumento expressivo dos depósitos, lucros consistentes, elevada solvabilidade e boa rentabilidade em instituições chave. Já os desafios persistentes incluem o crescimento do crédito malparado, eficiência operacional ainda baixa em vários bancos e forte concentração nos maiores players do mercado. O estudo indica que a modernização tecnológica, melhoria da gestão de risco e diversificação dos serviços serão determinantes para consolidar a sustentabilidade do setor nos próximos anos.

BCI mantém liderança no ranking do sector bancário em activos e crédito

BCI

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) voltou a liderar, em 2024, o ranking das instituições financeiras que operam em Moçambique, tanto em activos totais como em empréstimos e adiantamentos, segundo dados consolidados do sector bancário nacional.

De acordo com o relatório de desempenho das instituições financeiras divulgado pela KPMG, o BCI encerrou o ano com 231,6 mil milhões de meticais em activos, seguido do Banco Internacional de Moçambique (Millennium bim), com 207,9 mil milhões de meticais, e do Standard Bank, que ocupa a terceira posição, com 78,5 mil milhões de meticais.

No total, o sector bancário registou 988,4 mil milhões de meticais em activos, cifra que representa uma ligeira variação em relação aos 983,2 mil milhões registados em 2023, indicando estabilidade na estrutura de activos das principais instituições financeiras.

Crédito à economia cresce, com BCI, Millennium bim e Standard Bank na dianteira

No segmento de empréstimos e adiantamentos, o BCI mantém igualmente a liderança, com um volume de 78,2 mil milhões de meticais, seguido pelo Millennium bim, que movimentou 45,3 mil milhões, e pelo Standard Bank, com 32,6 mil milhões de meticais.

O total de crédito concedido pelo sector bancário atingiu 291,9 mil milhões de meticais, comparativamente aos 289 mil milhões registados em 2023, reflectindo um ligeiro crescimento, apesar do ambiente económico desafiante e dos riscos associados ao financiamento empresarial.

Instituições de média dimensão reforçam presença

O relatório evidencia ainda o desempenho de bancos de média dimensão, como o Moza Banco, Nedbank Moçambique, First Capital Bank e Access Bank, que apresentaram níveis de activos acima de 20 mil milhões de meticais, consolidando a sua presença no mercado e contribuindo para maior diversidade na oferta de serviços financeiros.

No domínio do crédito, o Bayport Financial Services, o Banco Letshego, o United Bank for Africa (UBA) e o Vista Bank mantiveram posições relevantes no apoio ao consumo e ao financiamento de actividades produtivas, reflectindo um sector cada vez mais dinâmico e competitivo.

Estabilidade e resiliência dominam o comportamento do sector

Apesar dos desafios macroeconómicos, marcada por volatilidades externas e constrangimentos de liquidez em alguns segmentos, o sector bancário moçambicano manteve sinais de resiliência, com estabilidade no volume de activos, expansão moderada das carteiras de crédito e reforço dos sistemas de gestão de risco.

Analistas apontam que a ligeira expansão observada tanto em activos quanto em empréstimos indica a continuidade de uma estratégia prudente por parte das instituições financeiras, alinhada às recomendações do regulador e às perspectivas de recuperação económica gradual.

Afreximbank disponível para financiar até quatro mil milhões de dólares em projectos estratégicos

O encontro realizado ontem, em Maputo, entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente do Afreximbank, George Elombi, marcou o início de uma nova etapa de cooperação financeira, orientada para projectos estruturantes nos sectores de energia, infra-estruturas, turismo, minerais, petróleo, gás e processamento industrial.

Na audiência, o Afreximbank manifestou disponibilidade para mobilizar entre três e quatro mil milhões de dólares destinados a apoiar iniciativas prioritárias do Governo moçambicano, inseridas nos pilares estratégicos definidos para acelerar o crescimento económico.

Banco reafirma confiança no potencial moçambicano

Falando à imprensa após o encontro, George Elombi descreveu a reunião como “extremamente útil” e referiu que as discussões incidiram exclusivamente sobre matérias económicas. O dirigente destacou que Moçambique é considerado um parceiro prioritário e que o banco está empenhado em financiar projectos com impacto directo na modernização do país.

Por seu turno, Richman Dzene, Director do Gabinete do Presidente do Afreximbank para Pesquisa e Políticas, sublinhou que o pacote financeiro poderá contemplar investimentos em geração e transmissão de energia, infra-estruturas turísticas, apoio directo ao Governo e iniciativas voltadas ao comércio intra e extra-africano.

Segundo Dzene, a nova fase de cooperação está orientada para “garantir avanços concretos em projectos estruturantes que podem transformar a economia moçambicana”, reforçando sectores essenciais da actividade produtiva.

Governo reafirma abertura total à cooperação

Durante o encontro, o Presidente Daniel Chapo garantiu a total disponibilidade do Executivo para trabalhar com o Afreximbank na implementação de programas económicos de elevado impacto, afirmando que o Governo está disposto a cooperar com o banco “em tudo o que for necessário” para acelerar o desenvolvimento nacional.

O Chefe do Estado destacou ainda a importância de reforçar parcerias africanas de financiamento, sobretudo num contexto em que o continente procura soluções endógenas para dinamizar o comércio, reduzir vulnerabilidades externas e promover industrialização.

Instituição reforça solidez financeira

Criado em 1993, sob os auspícios do Banco Africano de Desenvolvimento, o Afreximbank desempenha um papel determinante no financiamento de projectos de grande escala e no suporte ao comércio africano. Em 2024, a instituição registou um lucro de 973,5 milhões de dólares, equivalente a um crescimento de 29% face ao ano anterior, consolidando a sua capacidade de intervenção no continente.

Perspectivas de impacto para Moçambique

A nova dinâmica de cooperação poderá acelerar investimentos essenciais em sectores-chave, desde a energia e industrialização, passando pela mecanização agrícola, até infra-estruturas de suporte ao crescimento produtivo. O alinhamento entre as prioridades do Governo e a disponibilidade financeira do Afreximbank cria condições para uma intervenção coordenada, capaz de gerar benefícios duradouros para a economia moçambicana.

Inaugurada a 1ª fábrica de gás de cozinha do País

Moçambique deu, esta semana, um passo decisivo na transformação do seu sector energético com a inauguração, em Inhassoro, da Infra-estrutura Integrada de Processamento de Hidrocarbonetos, um investimento que marca a transição para a produção doméstica de gás natural, GPL e condensado, reduzindo a dependência de importações e reforçando a competitividade económica do país.

O acto contou com a presença do Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, simbolizando o fortalecimento da cooperação económica e energética entre os dois países, num momento em que a região procura alternativas sustentáveis e integradas para responder às suas necessidades industriais.

Marco industrial que reposiciona o sector de gás

A nova infra-estrutura constitui a mais relevante adição industrial ao sector energético nacional desde o arranque do Coral Sul FLNG. O complexo combina, no mesmo espaço, produção, refinação, processamento e distribuição de gás natural, gás doméstico (GPL) e condensado, permitindo a Moçambique capturar maior valor dos seus recursos naturais.

No seu discurso, o Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou que a instalação “representa um salto qualitativo na diversificação da economia, no estímulo à inovação tecnológica e no aproveitamento sustentável dos recursos nacionais”, sublinhando que o projecto reforça a autonomia e estabilidade energética do país.

Com esta capacidade integrada, Moçambique reduz significativamente os encargos anuais com importações de derivados, estabiliza o mercado interno e reforça a sua posição como produtor emergente de gás na África Austral.

Impacto económico e nova competitividade regional

A produção de GPL e condensado a partir de capacidade doméstica coloca Moçambique entre os poucos países africanos com um modelo industrial completo de transformação de gás natural. A redução das importações de combustíveis, estimadas em centenas de milhões de dólares anuais, traduz-se numa melhoria do balanço comercial e no aumento da resiliência económica.

Segundo Daniel Chapo, trata-se de um “empreendimento que posiciona Moçambique num novo patamar de competitividade regional”, capaz de atrair investimentos adicionais, gerar empregos e estimular cadeias de valor locais, particularmente nos sectores de transporte, logística, serviços industriais, metalomecânica e petroquímica.

Presença de Ramaphosa reforça cooperação estratégica

A participação do Presidente Cyril Ramaphosa conferiu ao evento uma dimensão política e económica adicional. A África do Sul enfrenta constrangimentos energéticos que afectam a sua indústria, tornando natural o reforço da interconexão com Moçambique, país que é, segundo Ramaphosa, “o maior parceiro comercial africano e o quarto maior parceiro comercial mundial da África do Sul”.

O líder sul-africano reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação em áreas como gás natural, energia, agro-indústria e mineração, destacando que o projecto de Inhassoro fortalece a estabilidade energética sul-africana e a sustentabilidade das cadeias industriais da região.

Inhassoro e Inhambane ganham nova centralidade económica

A infra-estrutura projecta o distrito de Inhassoro como um novo polo energético e industrial, com capacidade para atrair operadores logísticos, fornecedores industriais e investimentos complementares. A longo prazo, a região poderá acolher novas indústrias transformadoras, incluindo petroquímica, fertilizantes e metalurgia de suporte.

Este reposicionamento confere à província de Inhambane um papel central na matriz energética nacional e na integração económica regional.

Estabilidade e segurança como pilares da cooperação

Daniel Chapo destacou que o reforço da capacidade produtiva energética deve caminhar a par de esforços na estabilização da região, afirmando que apenas com cooperação e respeito mútuo será possível enfrentar desafios como o terrorismo, o crime organizado e outras ameaças transnacionais que afectam a África Austral.

Fórum Empresarial reforça dinamismo do sector privado

A inauguração da infra-estrutura coincidiu com o Fórum Empresarial Moçambique–África do Sul, realizado em Vilankulo, que reuniu operadores económicos dos dois países. Chapo apelou a um ambiente de negócios “mais dinâmico, seguro e previsível”, capaz de acelerar investimentos produtivos e garantir que o sector privado seja motor da transformação económica.

Estimativas indicam que o volume de negócios entre os dois países ronda actualmente os 2 mil milhões de dólares anuais, com tendência de crescimento impulsionada pela nova infra-estrutura e pelo reforço das relações diplomáticas.

Com a entrada em operação do complexo de Inhassoro, Moçambique afirma-se como um dos protagonistas da transformação energética da África Austral, consolidando uma economia mais industrial, mais integrada e mais competitiva.

Lançada em Vilankulo a Câmara de Comércio Sul-Africana em Moçambique

O Fórum Bilateral de Negócios Moçambique–África do Sul, recentemente realizado na cidade de Vilankulo, assinalou um marco importante na cooperação económica entre os dois países, com o lançamento oficial da South African Chamber of Business in Mozambique (SACBM).

A criação da nova entidade empresarial vai além de um ato protocolar: representa o início de uma plataforma estruturada destinada a fortalecer o comércio, o investimento e a cooperação comercial entre as duas economias vizinhas, historicamente ligadas por relações de complementaridade e interdependência.

No seu discurso de abertura, o Presidente do Conselho Autárquico de Vilankulo, Daniel Chapo, sublinhou a responsabilidade conjunta de promover o crescimento económico, reiterando a abertura de Moçambique ao investimento estrangeiro. Destacou ainda o papel relevante das empresas sul-africanas no país, que já totalizam mais de 160 mil milhões de rands investidos e 43 mil postos de trabalho criados.

Com a entrada em funcionamento da SACBM, pretende-se:

  1. Acelerar a implementação de iniciativas empresariais de elevado impacto;
  2. Diversificar investimentos para sectores de valor acrescentado, como agroprocessamento, embalagens, têxteis, madeira, metais e materiais de construção;
  3. Superar barreiras regulatórias e de infraestrutura para melhorar o ambiente de negócios;
  4. Explorar o potencial do Acordo de Livre Comércio Continental Africano (AfCFTA), visando dinamizar o comércio regional.

Enquanto organização recém-criada, a SACBM assume-se como uma ponte de confiança entre o sector privado, o Governo e outros intervenientes, com o propósito de impulsionar o crescimento económico, gerar emprego e promover maior resiliência nas duas economias.

Mais do que fomentar negócios, a iniciativa pretende contribuir para a construção de um futuro mais inclusivo, competitivo e interligado entre Moçambique e a África do Sul, reforçando o papel da região como um polo dinâmico de desenvolvimento continental.

MOZAMBIQUE FASHION WEEK CELEBRA 20 ANOS

Vasco Rocha fala do impacto cultural e social do maior evento de moda do país

O Mozambique Fashion Week (MFW) celebra este ano duas décadas de existência, afirmando-se como o maior e mais duradouro evento de moda do país. Criado e organizado pela DDB Moçambique, o MFW tornou-se, ao longo dos anos, uma plataforma decisiva para o surgimento de novos talentos epara a afirmação da identidade estética moçambicana.

À frente deste percurso está Vasco Rocha, CEO da DDB, que recorda o início do projecto com emoção e pragmatismo: “O que nós fizemos, desde o primeiro dia, foi criar um espaço onde os moçambicanos pudessem ver e mostrar o seu talento. Não imaginávamos a dimensão que o MFW teria hoje”, afirma.

Das origens a Inhambane ao reconhecimento nacional

A primeira edição, realizada em Inhambane, marcou o arranque de um movimento que, à época, parecia improvável. Com poucos recursos, mas com forte convicção, a equipa inicial da DDB estabeleceu as bases de um evento que procurava valorizar acriatividade local.

“Começamos com quase nada. Mas havia muita vontade e uma certeza: Moçambique merecia ter um palco para a sua moda”, relembra Vasco Rocha.

A mudança para Maputo, alguns anos depois, consolidou o crescimento do MFW e permitiu ampliar a visibilidade dos criadores emergentes.

Desfiles que se tornaram ícones culturais

Ao longo desses 20 anos, o MFW destacou-se não apenas pela moda, mas pela criatividade dos seus cenários.

Foram particularmente marcantes os desfiles realizados na Estação dos Caminhos de Ferro, no Aeroporto de Mavalane, nochamado “desfile do avião”, e no Armazém do Porto de Maputo, espaços emblemáticos que deram ao evento uma dimensão cultural e artística ímpar.

“Sempre quisemos levar a moda para lugares onde as pessoas não a esperam. Quando fazemos isso, criamos experiências que ficam na memória colectiva”, explica Vasco.

Moda com consciência social

Para além do glamour, o MFW incorporou, ao longo dos anos, temas sociais relevantes, como a prevenção do cancro da mamae da pele, a violência doméstica e os casamentos prematuros.

Mais recentemente, abriu espaço para debates sobre inclusão e diversidade, incluindo a visibilidade da comunidade LGBTQ+.

Segundo o CEO, esta dimensão é parte essencial do posicionamento do evento: “A moda comunica. Quando a moda aborda causas sociais, conseguimos tocar vidas de outra forma.”

Talentos que cresceram na passarela

Um dos impactos mais visíveis do MFW é a descoberta e profissionalização de novos talentos. Designers, modelos, fotógrafos, stylists e criativos de várias áreas tiveram no evento a sua primeira grande oportunidade.

“É gratificante ver jovens que começaram connosco e hoje trabalham para marcas internacionais ou criaram as suas próprias empresas”, destaca Vasco Rocha.

Influência no quotidiano e na cultura urbana

A moda moçambicana, impulsionada pelo MFW, entrou na vida quotidiana. A capulana ganhou novas linguagens, o artesanato nacional foi revalorizado e o design local passou a ser presença constante nas ruas, nos escritórios e nas celebrações.

O evento também abriu portas para o crescimento da economia criativa, gerando emprego, valorização cultural e oportunidades de empreendedorismo entre os jovens.

O público como parte activa

O público tem desempenhado um papel crescente na consolidação do evento, não apenas como espectador, mas como participante activo nas conversas sobre moda e cultura. As redes sociais reforçaram essa ligação, permitindo maior visibilidade para designers e modelos e estimulando o consumo de produtos nacionais.

O futuro da moda moçambicana

Vasco Rocha acredita que os próximos anos serão decisivos paraa consolidação da indústria da moda no país. Entre as prioridades estão a sustentabilidade, a valorização do algodão moçambicano, a formação de novos profissionais e a expansão internacional demarcas locais.

“Temos talento, criatividade e identidade. O que precisamos agora é fortalecer o ecossistema para que a moda moçambicana avance para outros mercados”, conclui.

Vinte anos depois, um legado consolidado

Com um percurso marcado por inovação, coragem e impacto social, o Mozambique Fashion Week tornou-se um símbolo da capacidade criativa do país e um dos eventos culturais mais aguardados do calendário nacional.

Vinte anos depois, o MFW continua a ser mais do que um evento de moda é um movimento que molda tendências, inspira gerações e contribui activamente para a construção da identidade moçambicana. Por Milton Muthisse

CFM vai construir Terminal Logístico de 70 hectares em Dondo para servir o porto da Beira

O Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) liderará o desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo, numa área inicial de 70 hectares, em resposta à crescente procura de países vizinhos pelo porto da Beira, anunciou o Governo de Moçambique.

Segundo uma resolução recentemente aprovada, consultada hoje pela Lusa, o Executivo autoriza a adjudicação direta do projeto à CFM e cria uma equipa de negociação para elaborar a proposta de contrato de concessão da infraestrutura do futuro terminal logístico na província de Sofala, no centro do país.

O Ministério dos Transportes e Logística destaca que o porto da Beira é “uma infra-estrutura importante na cadeia logística do país e no Corredor da Beira”, que abastece Zimbábue, Zâmbia, Malawi e República Democrática do Congo.

O governo reconhece que “os serviços de armazenagem e as vias de acesso no porto estão congestionados devido à procura crescente, provocando filas na entrada e saída, o que retarda o tráfego e compromete a eficiência e a segurança rodoviária no corredor”.

Por esta razão, o Executivo mandatou a CFM “para liderar o processo de desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo, numa área inicialmente prevista de 70 hectares”, com possibilidade de expansão conforme o crescimento do porto da Beira. O projeto poderá ser desenvolvido em parceria com empresas de capacidade técnica e financeira comprovada.

O Ministério sublinha que a CFM, enquanto empresa pública com experiência acumulada em projetos logísticos, “não apresenta obstáculos para negociação direta do contrato, visando o projecto, construção, operação, manutenção e retorno da infra-estrutura do terminal, sob regime de parceria público-privada”.

A resolução prevê que a concessão seja realizada através de um consórcio envolvendo a CFM EP, a MPDC (Maputo Port Development Company), o Conselho Empresarial de Sofala e o Município de Dondo.

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, deverá submeter a proposta de contrato de concessão e o respetivo decreto para aprovação no prazo de 90 dias a contar da publicação da resolução.

O governo reforça que os instrumentos de planeamento dos próximos anos estabelecem o compromisso de “transformar os corredores logísticos em verdadeiros centros de receitas, tornando-os competitivos a nível regional”.

Moçambique: Banco Mundial vê oportunidades de negócio para investidores privados

O Banco Mundial reiterou, ontem, em Maputo, que Moçambique possui um vasto potencial económico e um ambiente propício à expansão do investimento privado, apelando ao empresariado português para reforçar a sua presença no país, de modo a acelerar o crescimento nacional.

Falando durante a apresentação do portfólio de projectos da instituição e dos respectivos procedimentos de contratação pública, realizada na Embaixada de Portugal e promovida em coordenação com a AICEP, Chenjerani Simon Chirwa, gestor de aprovisionamento do Banco Mundial para a África Austral, destacou que a carteira actual da instituição no país ascende a cerca de cinco mil milhões de dólares.

“Moçambique é um país com muitas oportunidades e um enorme potencial de geração de riqueza. Os investimentos vão continuar, porque o país precisa de investimento”, afirmou Chirwa, defendendo um maior engajamento do sector privado como condição essencial para dinamizar a economia.

Segundo o responsável, o Banco Mundial pretende ver uma participação mais activa das empresas portuguesas, não apenas para ampliar o investimento, mas também para aumentar o acesso aos mecanismos de financiamento disponibilizados pela instituição. Para tal, sublinhou a importância de as empresas acompanharem o mercado antes da publicação dos concursos.

“As seis semanas normais para preparar propostas são curtas. As empresas devem estudar o mercado meses antes, de forma a estarem prontas quando as oportunidades forem lançadas”, observou.

Por seu turno, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, reafirmou o compromisso do seu país em apoiar o desenvolvimento nacional, salientando que a presença empresarial portuguesa é histórica, abrangente e estratégica.

“Portugal quer continuar a contribuir para a criação de valor e para a formação de recursos humanos qualificados em Moçambique. O sector privado português acredita no país e tem prestado serviços de qualidade. Queremos que continue a concorrer também a fundos do Banco Mundial”, afirmou o diplomata.

O encontro serviu igualmente para esclarecer as novas regras de procurement do Banco Mundial e partilhar informação sobre os projectos disponíveis no mercado moçambicano, num esforço para aproximar investidores e promover maior competitividade na execução das iniciativas financiadas pela instituição.

Fonte: Club Of Mozambique

Investimento de 500 milhões de dólares vai reposicionar Porto de Maputo no mapa logístico regional e mundial

O Porto de Maputo entrou numa fase decisiva de modernização, impulsionada por investimentos de 500 milhões de dólares previstos para os próximos três anos, e que irão “posicionar o país no mapa logístico da região Austral e do mundo”.

A afirmação é do Presidente da República, Daniel Chapo, que considera os investimentos em curso no Porto de Maputo  um passo decisivo na transformação do corredor logístico.

“[A Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo] MPDC e os seus parceiros estão a realizar um conjunto de obras e investimentos que possuem um impacto verdadeiramente transformador para Moçambique e para os moçambicanos. Estas iniciativas não só reforçam a competitividade do nosso porto, como contribuem para posicionar o país no mapa logístico da região Austral e do mundo” disse.

O governante destacou o aumento da capacidade de manuseamento de contentores para mais de 500 mil TEUs, o reforço dos terminais de carvão (passarão a movimentar até 15 milhões de toneladas) e o aumento da capacidade do Terminal de Carga Geral,  que vai ultrapassar 15 milhões de toneladas.

Chapo falava após realizar uma visita às instalações do Porto de Maputo, onde adiantou que nos próximos três anos, “esperamos ver executados investimentos na ordem de 500 milhões de dólares norte-americanos”.

“Estes recursos vão permitir a expansão e modernização de vários terminais, elevando substancialmente a capacidade operacional do porto” avançou.

Por outro lado, o Chefe de Estado referiu que está em curso a preparação projectos estruturantes, prevendo o seu início já no próximo ano. Apontou a construção de uma nova dragagem de aprofundamento, que levará o canal a menos de 16 metros de profundidade, colocando o Porto de Maputo em linha com os maiores portos da região e do mundo; e a reconstrução de mais de 400 metros de cais, reforçando a segurança, a capacidade e a resiliência das nossas infra-estruturas portuárias.

GNL e Conteúdo Local: Como converter compromissos em ganhos para as PMEs

O relançamento dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Bacia do Rovuma está a reabrir espaço para a participação das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) moçambicanas na cadeia de valor do sector. A revisão do quadro regulatório da Lei dos Petróleos (Lei n.º 21/2014) ao recente Diploma Ministerial 55/2024, do Ministério dos Recursos Minerais e Energia reforça a obrigatoriedade de contratação de bens, serviços e mão-de-obra nacional, colocando o conteúdo local no centro das operações.

Quadro jurídico renovado e atenção ao conteúdo local

A base legal para a participação de empresas nacionais no sector de petróleo e gás remonta à Lei dos Petróleos (Lei n.º 21/2014, de 18 de Agosto), que definia regras gerais para operações petrolíferas.

Mais recentemente, a publicação do Diploma Ministerial 55/2024 (DM 55/2024), pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), clarificou as obrigações das concessionárias em matéria de conteúdo local desde a contratação de bens e serviços nacionais e mão-de-obra moçambicana, à formação e preferência por fornecedores locais.

Ademais, encontra-se em preparação uma proposta de lei específica de conteúdo local para a indústria de Oil & Gas, que prevê a criação de uma agência reguladora, mecanismos de fiscalização e relatórios obrigatórios sobre o grau de participação nacional.

Este conjunto de normas e projectos legislativos representa um esforço do Estado para institucionalizar e tornar vinculativas as exigências de participação nacional nos megaprojectos respondendo a críticas de que, por vezes, o conteúdo local ficava apenas como compromisso voluntário.

Desafios e exigências para as PMEs

Apesar do enquadramento regulatório, a transição de PMEs para fornecedores de bens e serviços no sector exige uma preparação rigorosa. As exigências técnicas das operadoras incluem certificações internacionais de qualidade, segurança e ambiente, requisitos que vão muito além da capacidade de muitas empresas nacionais. Analistas apontam que, sem esse nível de exigência, torna-se difícil garantir contratos de valor elevado e sustentáveis.

A necessidade de capacidade financeira robusta é outro obstáculo. Os projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) envolvem cronogramas longos, garantias financeiras, requisitos de capital de giro e riscos elevados. Para que muitas PMEs possam competir, será necessário o acesso a linhas de crédito dedicadas, factoring, garantias de performance e instrumentos de mitigação de risco. Até agora, estes mecanismos continuam pouco acessíveis a negócios de menor escala.

Também se destaca a urgência de fortalecer a qualificação técnica da mão-de-obra nacional. O sucesso de uma integração efectiva depende da existência de quadros formados em segurança industrial, manutenção, logística, gestão de projectos e sistemas de qualidade, áreas nas quais o país ainda carece de oferta formativa adequada e em escala.

O papel das operadoras, do Estado e da sociedade empresarial

Para garantir que o conteúdo local deixe de ser mero discurso e se transforme em participação real das PMEs, é fundamental uma actuação coordenada dos diversos actores, Estado, concessionárias, instituições financeiras e associações empresariais. A proposta de lei de conteúdo local prevê a criação de um órgão regulador com poderes para monitorar contratos, aferir cumprimento e aplicar sanções.

Igualmente importante será a implementação de plataformas digitais de registo de fornecedores nacionais, para aumentar transparência, reduzir barreiras de entrada e facilitar processos de adjudicação. Estudos de casos anteriores mostram que a fragmentação de informação e a falta de visibilidade das PMEs são barreiras estruturais ao desenvolvimento do conteúdo local.

Por outro lado, as operadoras de GNL como as que actuam na Bacia do Rovuma têm manifestado compromisso público com a política de conteúdo local, envolvendo contratação e formação de mão-de-obra moçambicana e aquisição de bens e serviços nacionais. A efectividade destes compromissos depende, todavia, da capacidade técnica e administrativa das PMEs a serem contratadas.

Uma oportunidade que pode redefinir a economia nacional

O relançamento dos projectos de gás natural, somado à consolidação de um quadro legal mais robusto, coloca Moçambique diante de uma oportunidade histórica de industrialização e diversificação económica. Se as PMEs nacionais conseguirem superar os desafios, com apoio técnico, financeiro e institucional, poderão tornar-se núcleos de desenvolvimento regional, gerando emprego, valor acrescentado e dinamizando sectores além do energético, como logística, engenharia, construção, serviços técnicos e formação profissional.

Mas este cenário depende de acções concretas, adesão à lei, acesso a financiamento, qualificação de quadros e compromisso das grandes concessionárias com a transferência de tecnologia. Só assim o conteúdo local poderá cumprir seu papel de catalisador de crescimento sustentável. (PROFILE MOZAMBQUE)