Monday, April 6, 2026
spot_img
Home Blog Page 372

Embaixadora dos EUA Já se Encontra em Moçambique

“Esta é uma prioridade para o Governo de Moçambique, mas também para todo o mundo e para os EUA”, referiu Linda Thomas-Greenfield, ao lado dos participantes em projectos de protecção costeira apoiados pela embaixada norte-americana.

Os EUA “são parceiros do País e destes esforços em prol do ambiente e face às mudanças climáticas”, sublinhou, de pá numa mão, e mudas de mangal (arbusto denso que prende as dunas) na outra.

“Às vezes temos de sujar as mãos na areia para um país sobreviver. Estou pronta, vamos ao trabalho”, declarou, aproveitando a maré baixa na Costa do Sol.

Moçambique tem sido apontado como um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, fragilidade a que as autoridades locais têm dado eco em fóruns internacionais para se tornarem mais resilientes.

Na parte que lhe toca, Linda Thomas-Greenfield plantou cinco árvores de mangal que promete “verificar regularmente” através da Internet.

Amanhã, sexta-feira, Linda Thomas-Greenfield, reúne-se primeiro com representantes das operações das Nações Unidas em Moçambique, onde existem acções humanitárias em curso, e depois com estudantes em programas internacionais.

A diplomata seguirá depois para o Quénia no périplo africano que arrancou no Gana, na quarta-feira.

 

HCB Elevou a Sua Produção em 5,09% em 2022

Segundo o presidente do Conselho de Administração (PCA) da HCB, Boavida Muhambe, citado no comunicado, esta produção gerou receitas consideráveis e reforçou os indicadores financeiros e de gestão da empresa face às necessidades de investimentos na revitalização do sistema electroprodutor.

“Os investimentos estratégicos nos projectos de reabilitação e modernização do parque electroprodutor, mormente a terceira fase da reabilitação da sub-estação do Songo e a segunda fase de reabilitação da central hidroeléctrica sul, irão melhorar os níveis de performance operacional, estender a vida útil dos activos de geração e conversão para mais de 25 anos e ainda incrementar a capacidade produtiva da central, dos actuais 2075 Mw para cerca de 5%, e dessa forma acrescer as actuais receitas do empreendimento hidroeléctrico de Cahora Bassa no médio e longo prazo”, disse Boavida Muhambe.

Ainda durante o ano económico de 2022, as acções da HCB fecharam o ano em referência com uma cotação de 2,35 meticais por acção, uma variação negativa de 21,7% se comparada ao preço da acção a 31 de Dezembro de 2021. De Janeiro a Dezembro de 2022, foram negociadas 2 590 850,00 acções, num valor aproximado de 4,8 milhões de meticais.

Para este ano, a empresa tem planificada a meta anual de produção de 14 292 GWh, um volume comparativamente abaixo da produção verificada em 2022, devido às intervenções de reforço da manutenção.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa é, actualmente, o maior produtor de electricidade em Moçambique e tem uma capacidade de 2000 Mw, sendo que perto de 250 são abastecidos localmente, 1000 para a África do Sul e 400 Mw para o Zimbabué.

Banco Central Mantém a Taxa de Juro em 17,25%

A medida é justificada, segundo o comunicado do CPMO, pela prevalência de elevados riscos e incertezas subjacentes às projecções de inflação, com ênfase para o impacto da liquidez gerada na economia, resultante da pressão sobre a despesa pública, e do prolongamento da tensão geopolítica na Europa, não obstante a manutenção das perspectivas de inflação num dígito, no médio prazo.

Adicionalmente, o CPMO decidiu aumentar os coeficientes de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 10,5% para 28,0%, e em moeda estrangeira de 11,5% para 28,5%, visando absorver a liquidez excessiva no sistema bancário, com tendência de gerar uma pressão inflacionária.

Segundo o Banco de Mocambique, os riscos e incertezas associados às projecções de inflação agravaram-se:

A nível interno, salientam-se as incertezas quanto ao impacto do excesso de liquidez sobre os indicadores macroeconómicos, bem como dos prováveis efeitos dos choques climáticos na oferta e comercialização de bens. A nível externo, prevalecem as incertezas em relação aos efeitos do prolongamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e os riscos de recessão económica global.”. Refere o Comunicado, que acrescenta que mantêm-se, entretanto, as perspectivas de desaceleração da inflação, no curto e médio prazo”

Num outro desenvolvimento, o CPMO, indica que procedeu a revisão ligeira em baixa das perspectivas de crescimento económico, para o médio prazo,

Esta revisão decorre da maior restritividade das condições financeiras a nível global e consequente abrandamento da actividade económica dos principais parceiros comerciais do país, com potencial para a redução da procura externa. Entretanto, a nível interno, a implementação dos projectos energéticos continuará a favorecer o crescimento económico.”. Justifica o CPMO.

O CPMO, a semelhança dos comunicados anteriores, volta a alertar para o elevado endividamento público interno:

A dívida pública mantém-se elevada. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 288,7 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 13,6 mil milhões em relação a Dezembro de 2022.”

20 mil Toneladas de Fertilizantes Russos Descarregados no Porto da Beira

“Estamos numa operação de descarga do navio MV Greenwich” com 20 400 toneladas de fertilizantes que “têm como destino final a República do Maláui”, referiu Miguel de Jenga, director de operações da Cornelder Moçambique, operadora do terminal.

A operação começou “há dois dias”, depois de o navio atracar e Moçambique serve como país de trânsito da carga, importante para a actividade agrícola na região.

A falta de fertilizantes e de produtos agro-industriais tem provocado um aumento dos preços, com particular impacto em África.

O MV Greenwich, de bandeira britânica, partiu da Nova Zelândia a 29 de Novembro, fretado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM).

A empresa de fertilizantes russa Uralchem-Uralkali concordou, em meados de Novembro, em exportar carregamentos humanitários para África que tinham sido bloqueados em armazéns na Bélgica, Países Baixos e Estónia como parte das sanções impostas à Rússia em resposta à guerra na Ucrânia.

O carregamento é o primeiro de uma série de fornecimentos russos a países africanos que estavam bloqueados em portos europeus e que foram doados pela firma russa.

No total, a doação é de 260 mil toneladas e, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, vai ajudar a “aliviar as necessidades humanitárias e evitar uma perda catastrófica de colheitas em África, em plena época de sementeira”.

A iniciativa faz parte do acordo que a Ucrânia e a Rússia selaram em Julho, com o apoio da Turquia e da ONU, e que também permitiu a retomada das exportações de cereais ucranianos pelo mar Negro.

Embora as sanções dos países ocidentais contra a Rússia não afectem alimentos e fertilizantes, segundo Moscovo, as suas exportações deste tipo de produtos foi praticamente paralisada devido a restrições de empresas de logística ou dificuldades em garantir os carregamentos.

A ONU está a alertar há meses para o perigo que representa o forte aumento dos preços dos fertilizantes desde 2019, com um aumento de 250%, tornando-os inacessíveis para muitos agricultores de países em desenvolvimento.

Consequentemente, a ONU receia que as colheitas sejam prejudicadas, provocando uma grave crise alimentar, principalmente em África.

“DE”

Governo Aprova Novos Quantitativos Para as FADM e PRM

Reunido na terceira sessão do Conselho de Ministros, o Executivo aprovou, esta terça-feira, os novos quantitativos dos níveis salariais para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e da Polícia da República de Moçambique.

“O Decreto que revê o Decreto n.º 53/2022, de 14 de Outubro, que define os critérios de enquadramento, o regime, os quantitativos dos suplementos e dos quantitativos dos suplementos dos níveis salariais e escalões das Forças de Defesa e Segurança; o Decreto que revê o Decreto n.0 54/2022, de 14 de Outubro, que define o critério de enquadramento, o regime e os quantitativos dos suplementos dos níveis escalões dos membros da Polícia da República de Moçambique e outras paramilitares equivalentes”, explicou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa Citado pelo Jornal O País.

Questionado sobre os números aprovados, Inocêncio Impissa disse que não podia anunciar, por razões organizacionais e estratégicas.

Ainda na sessão desta terça-feira, o Governo atribuiu as devidas competências a alguns ministros para a execução do PESOE 2023.

“O Decreto estabelece regras de execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2023, aprovado pela Lei n.º 29/2022, de 30 de Dezembro, e delega competências ao ministro da Administração Estatal e Função Pública, ministro da Economia e Finanças, ministros sectoriais, governadores de província, secretários de Estado no nível central, secretário  de Estado  na  província  e secretário de Estado na Cidade de Maputo, administradores  distritais, dirigentes dos órgãos ou instituições do Estado que não sejam tutelados por ministro e aos titulares dos Órgãos do Sistema de Administração da Justiça”, explicou o vice-ministro da Administração Estatal e Função Pública.

Foram igualmente apreciadas a informações do balanço da quadra festiva 2022/2023, o Regulamento de Concurso de Selecção de Secretário Permanente de Ministério, o ponto de situação da época chuvosa e ciclónica 2022–2023 e os preparativos da comemoração do dia 03 de Fevereiro (Dia dos Heróis Moçambicanos).

Governo Pretende Apurar as Causas do Derrame de Combustível no Porto da Beira

“O incidente ocorreu no sábado no âmbito da bombagem de combustível” para condutas “das instalações da Companhia do Pipeline (oleoduto) Moçambique Zimbabué”, anunciou o diretor adjunto de Hidrocarbonetos e Combustíveis, José Muhai.

Em causa esteve a rotura de uma conduta de gasóleo, parte do qual acabou por ser baldeado pela população de bairros vizinhos que se aglomeraram junto à corrente que saía da zona do porto.

Suspeita-se que a inobservância de procedimentos de segurança, face à elevada pressão a que decorrem as operações de bombagem pode ter contribuído para a rotura da infraestrutura, concluiu Muhai.

O porto da Beira é um dos principais pontos de passagem de mercadorias e bens essenciais, como combustíveis, para os países do interior da África Austral, sem acesso ao mar.

(Lusa)

Kenmare Perspetiva Robustez no Mercado de Areias Pesadas

“O ano de 2022, foi bom ano para a Kenmare, com uma produção de ilmenite de 1,08 mil de toneladas, apesar dos desafios das interrupções de energia no quarto trimestre”, anunciou Michael Carvill, Director administrativo, numa comunicação aos investidores.

“À medida que a China relaxa ainda mais as restrições relativas a covid-19, esperamos uma maior procura para sustentar as nossas vendas na região”, detalhou.

A alta cotação dos minerais pesados permitiu à Kenmare amortizar dívida da ordem dos 83 milhões de dólares e passar para uma situação de liquidez a rondar os 27 milhões de dólares, destacou o responsável, tendo acrescentado: “é uma melhoria de 110 milhões em relação ao ano anterior, além do pagamento de dividendos recorde” aos investidores.

Para 2023, a empresa fixou como meta alcançar uma produção de ilmenite dentro do intervalo entre 1,05 mil a 1,15 mil de toneladas.

A Kenmare é uma das maiores produtoras mundiais de areias minerais, cotada nas bolsas de Londres e Dublin, sendo que a produção de Moma, na província de Nampula, Norte do País, representa aproximadamente 8% das matérias-primas globais de titânio.

A empresa fornece clientes que operam em mais de 15 países e que usam os minerais pesados em tintas, plásticos e cerâmica.

Porto de Maputo Anuncia o Seu Novo Recorde de Manuseamento

Este crescimento é reflexo de uma utilização eficiente dos cais reabilitados 6, 7, 8 e 9, inaugurados em Maio de 2022, e a implementação, em Abril, da operação 24 horas na fronteira Lebombo/Ressano Garcia.

“O Porto tem seguramente vindo a colher os frutos das grandes obras de infraestrutura realizadas nos últimos quatro anos”, disse o Director-Executivo da MPDC, Osório Lucas.

“Mas a decisão do Governo de Moçambique de estabelecer uma operação de fronteira 24 horas teve um impacto positivo em todo o Corredor de Maputo. Aliado aos investimentos do porto em sistemas, incluindo a integração de sistemas com entidades como a Alfândega e o Km4, que contribuíram para a melhoria das eficiências, registamos este crescimento nos volumes portuários.”

O recorde de maior carregamento em um único navio foi também batido em 2022, com um volume total carregado de 148.201,26 toneladas.

Os volumes ferroviários de crómio e ferrocrómio registaram um aumento substancial de 73% em relação ao ano anterior (de 1,4 milhão de toneladas em 2021 para 2,4 milhões de toneladas em 2022). O rácio entre carga ferroviária e rodoviária também mostrou uma ligeira melhoria de 21%/79%, respectivamente, em 2021 para 26%/74% em 2022.

“Os operadores ferroviários continuaram a trabalhar para um maior equilíbrio entre a carga ferroviária e rodoviária”, expressou o Director.

“A formalização dos comboios únicos entre a África do Sul e Moçambique, sem troca de locomotivas, foi um passo em frente na busca contínua pela melhoria da eficiência ferroviária.”

O investimento e a implementação de soluções de automação no porto continuaram ao longo de 2022 e terão uma consolidação ainda maior em 2023, com a implementação de sistemas para melhorar a eficiência de toda a cadeia logística.

Para 2023, ano em que se comemoram os 20 anos da concessão, o Porto de Maputo mantém-se optimista com boas perspectivas de continuação do crescimento.

“Já estamos a implementar o novo plano-director para o Porto de Maputo e a pensar nos desafios que o futuro nos apresenta”, afirmou Osório Lucas.

“Actualmente, estamos a tentar encontrar soluções criativas para aumentar a nossa capacidade para fazer frente à crescente demanda pelo porto. Está em curso um estudo de consultoria para identificar possíveis melhorias de eficiência que permitirão, por sua vez, aumentar o manuseamento. Além disso, estamos em processo de aquisição de equipamentos adicionais (Guindastes Portuários Móveis e equipamentos de apoio) para melhorar a nossa produtividade”, concluiu Osório Lucas.

Embaixadora dos EUA visita o país

De acordo com fontes oficiais, Linda Thomas-Greenfield, representante permanente dos Estados Unidos da América (EUA) junto à ONU, viajará entre 25 e 29 de Janeiro para estes três países da África subsaariana, numa visita que dá seguimento à cimeira EUA-África, que em Dezembro reuniu em Washington cerca de 50 líderes africanos e onde o Governo de Joe Biden reforçou o seu compromisso de expandir e modernizar as parcerias com o continente africano.

Num ‘briefing’ à imprensa, um alto funcionário da administração norte-americana apresentou os objectivos principais da viagem, começando pelo fortalecimento das parcerias com actuais e ex-membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo Moçambique, que acaba de iniciar o seu primeiro mandato como membro não-permanente do Conselho.

“Este ano, é claro, o Conselho de Segurança continuará a trabalhar para cumprir o seu mandato de abordar questões críticas relacionadas à paz e segurança internacional em todo o mundo, inclusive no continente africano, e a parceria com os membros eleitos do Conselho será vital para o nosso próprio sucesso diplomático”, disse o alto funcionário, citado pela Lusa.

“É fundamental para a nossa estratégia abordar questões no Conselho de Segurança, e estamos a investir nesses relacionamentos e a procurar formas de parceria no próximo ano e além. Então, esse é o primeiro objectivo”, frisou.

Ainda dentro da ONU, esta viagem será uma oportunidade para os EUA continuarem as suas consultas sobre a reforma da Organização, “para garantir que se adeque ao seu propósito e reflicta o mundo como é hoje, não como era há quase oito décadas, quando essas instituições foram construídas”, observou o alto funcionário.

Em Setembro último, o Presidente norte-americano, Joe Biden, já havia anunciado o seu compromisso de apoiar uma reforma do Conselho de Segurança, para que este órgão possa ter um maior número de assentos permanentes e não permanentes, inclusive para África, que “há muito tempo é sub-representada”.

A reforma deste órgão tem vindo a ser pedida há vários anos, nomeadamente por países como a Índia, a África do Sul e o Brasil, que têm mostrado vontade de pertencer ao grupo de membros permanentes.

O poder de veto tem sido uma das questões mais polémicas e alvo de vários pedidos de modificação. Esse tem sido, aliás, o mecanismo usado pela Rússia para impedir que o Conselho de Segurança actue contra si face à guerra na Ucrânia.

Em geral, quase todos os países da ONU consideram necessário reformar o Conselho de Segurança, mas não há acordo sobre como fazê-lo, com diferentes propostas na mesa há anos.

Num outro plano, Linda Thomas-Greenfield irá concentrar parte dos seus esforços em abordar questões de segurança regional, fortalecimento da segurança alimentar e no apoio à resiliência e recuperação africana face aos efeitos das mudanças climáticas.

Na sua passagem por Moçambique, a diplomata irá reunir-se com funcionários da ONU, ex-alunos de programas de intercâmbio dos EUA, estudantes e membros da sociedade civil, incluindo aqueles envolvidos em medidas de adaptação às mudanças climáticas no país.

Arranca Amanhã 2ª Edição da Cimeira Sobre Alimentação em África.

Um evento que contará com a participação do Presidente da República  Filipe Nyusi , co-organizado pelo Presidente da República do Senegal e Presidente em exercício da União Africana, Macky Salll, e pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), constituirá uma plataforma de diálogo entre os líderes africanos sobre como identificar políticas prioritárias para entrega de tecnologias e agregação de valor em escala.

Durante a cimeira, os governantes irão debruçar-se sobre parcerias internacionais, desenvolvimento do sector privado, financiamento e tecnologias para os sistemas alimentares.

Sobre a Cimeira de Dacar  2

Diversificação da produção alimentar para o mundo

Globalmente, 828 milhões de pessoas sofrem de fome, sendo África responsável por 249 milhões, um terço do número de pessoas famintas no mundo. Atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Número 2 da Fome Zero não pode ser alcançado a menos que seja alcançado em África. As Nações Unidas observaram que África deve ser o foco, onde “o número de subnutridos está a crescer mais rapidamente do que em qualquer parte do mundo”.
Alimentar o mundo exige, portanto, que os sistemas alimentares globais sejam alterados para desbloquear totalmente o potencial de produção alimentar de África. Este é o mesmo apelo esclarecedor das Nações Unidas: “Uma mudança profunda do sistema alimentar e agrícola é necessária se quisermos alimentar mais de 828 milhões de pessoas que passam fome hoje e os 2 mil milhões adicionais que o mundo terá até 2050. O aumento da produtividade agrícola e a produção alimentar sustentável são cruciais para ajudar a aliviar os perigos da fome”.
A escassez de alimentos pode causar graves problemas sociais e políticos. Como afirmou o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, “os governos devem reforçar a produção agrícola e investir em sistemas alimentares resilientes que protejam os pequenos produtores de alimentos. “Se não alimentarmos as pessoas, alimentamos os conflitos”.

Libertar o potencial alimentar e agrícola de África

Apesar de ter 65% das terras aráveis restantes para alimentar 9 mil milhões de pessoas no mundo até 2050, o continente importa mais de 100 milhões de toneladas métricas de alimentos, com um custo de 75 mil milhões de dólares anuais. África tem potencial para se alimentar a si própria e contribuir para alimentar o mundo. Só as suas vastas áreas de savana estão estimadas em 400 milhões de hectares, dos quais apenas 10% (40 milhões de hectares) são cultivados.
Investir no aumento da produtividade agrícola, apoiar infraestruturas, sistemas agrícolas climáticos inteligentes, com investimentos do setor privado ao longo de toda a cadeia de valor alimentar, pode ajudar a transformar África num celeiro para o mundo. Alcançar a fome zero em África exigirá entre 28,5 mil milhões e 36,6 mil milhões de dólares anuais. Com a eliminação das barreiras ao desenvolvimento agrícola ajudada por novos investimentos, estima-se que a produção agrícola africana possa aumentar de 280 mil milhões de dólares por ano para 1 bilião de dólares até 2030.
Para diversificar ainda mais as fontes de abastecimento alimentar para o mundo, num contexto de efeitos prolongados da guerra na Ucrânia e os seus efeitos sistémicos a nível global, e para assegurar o abastecimento alimentar para África, é agora fundamental apoiar os esforços para libertar o potencial agrícola de África para uma produção alimentar sustentável. África tem a ganhar, e o mundo tem a ganhar, com esse esforço concertado.

 

Dar escala aos sucessos: Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas

Chegou agora o momento de desbloquear totalmente o seu potencial agrícola.
A forte vontade política dos Chefes de Estado africanos, a disponibilidade de tecnologias e plataformas para fornecer de imediato tecnologias agrícolas inteligentes em matéria de clima à escala de milhões de agricultores, os incríveis sucessos de alguns países em alcançar a autossuficiência em culturas selecionadas num período muito curto, tudo isto mostra que África pode atingir a meta de ‘fome zero’. Mostra também que chegou o momento de uma coligação global de esforços em toda a África para desbloquear o seu imenso potencial agrícola para se tornar um destino global e fazer face à crescente escassez de oferta alimentar no mundo.
Isto exigirá esforços concertados para obter resultados de forma mensurável. Para assegurar a responsabilização pela garantia de resultados, os sistemas de investigação e desenvolvimento, alimentação nacional, e sistemas agrícolas, serão estruturados em torno do desenvolvimento de “Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas”.

A agenda da Cimeira será orientada para a ação e vai:

  • Mobilizar o compromisso político de alto nível em torno da produção, mercantilização e comércio para assegurar “ Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas” para países selecionados.
  • Mobilizar e alinhar recursos governamentais, parceiros de desenvolvimento e financiamento do setor privado em torno dos “Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas” para alcançar a segurança alimentar em escala em cada país.
  • Partilhar experiências de sucesso sobre alimentação e agricultura em países selecionados e plataformas bem-sucedidas para aumentar o apoio à agricultura.
  • Duplicar a produtividade agrícola com tecnologia de ponta em culturas, pecuária e aquacultura adaptadas ao clima e serviços de aconselhamento e apoiar a investigação e desenvolvimento de tecnologias agrícolas resistentes ao clima.
  • Desenvolver as infraestruturas e a logística necessárias com Zonas Especiais de Processamento Agroindustrial para construir mercados e cadeias de valor alimentares e agrícolas competitivas.

Alimentar África: Soberania e Resiliência Alimentar

A Cimeira de três dias será acolhida por Sua Excelência o Sr. Macky Sall, Presidente da República do Senegal e Presidente da União Africana, e coorganizada pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento. Realizada de 25 a 27 de janeiro de 2023 em Dacar, no Senegal, a Cimeira procura reunir Governos, Setor Privado, Organizações Multilaterais, ONG e cientistas para enfrentar o crescente desafio da segurança alimentar em África.

Resultado esperado de Dacar 2

No final da Cimeira de Alto Nível, espera-se que sejam assumidos compromissos pelos Chefes de Estado:

  • Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas por País
  • Conselhos Presidenciais para os Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas
  • Enquadramento do Financiamento para a garantia dos Compactos de Garantias Alimentares e Agrícolas do País para alcançar a ‘fome zero’.