Sunday, April 12, 2026
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Plano “Energia para Todos” requer investimento de 2,3 mil milhões USD até 2030

Electricidade de Moçambique

O Governo moçambicano, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, estima necessitar de cerca de 2,3 mil milhões de dólares para garantir o acesso à energia eléctrica a 3,6 milhões de famílias até 2030, no quadro da iniciativa “Energia para Todos”.

Segundo o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, a estratégia prevê não apenas a expansão da rede eléctrica nacional, mas também soluções fora da rede, com destaque para fontes renováveis, como forma de acelerar a transição energética e alcançar áreas remotas.

“Contamos com parceiros como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Mas precisamos de ampliar a colaboração com o sector privado, especialmente porque há zonas onde a resposta passará por energias renováveis”, afirmou Pale.

Dados do relatório de execução orçamental do Ministério das Finanças indicam que, só em 2024, foram realizadas mais de 560 mil novas ligações domiciliárias, elevando a taxa de cobertura nacional para 60% da população, contra os 53,4% registados em 2023.

Das 563.800 novas ligações efectuadas este ano, 395.600 foram feitas através da rede eléctrica nacional e 170.100 via fontes renováveis, revelou o documento.

O relatório aponta ainda para a construção dos primeiros 40 quilómetros da espinha dorsal do sistema de transporte de electricidade de alta tensão, com capacidade de 400 quilovolts (kV), que interligará o país de Norte a Sul, passando pelos troços Temane, Maputo, Chimuara e Alto Molócue.

A iniciativa “Energia para Todos” é implementada pela Electricidade de Moçambique (EDM) e pelo Fundo de Energia (FUNAE), no âmbito da Estratégia Nacional de Electrificação (ENE), aprovada pelo Conselho de Ministros em 2018.

MMEC 2025: Moçambique terá um complexo industrial para produção e armazenagem de combustíveis

O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou esta Quarta-feira (7), em Maputo, a construção de um complexo industrial para a produção e armazenagem de combustíveis líquidos e gasosos em Moçambique, no âmbito de um memorando de entendimento assinado entre a empresa estatal Petromoc e o grupo nigeriano Aiteo.

O anúncio foi feito durante a abertura da 11.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2025), que decorre até Quinta-feira sob o lema “Investir numa nova era: transformar os recursos naturais de Moçambique para impulsionar a industrialização e a integração regional”.

O empreendimento prevê a instalação de uma refinaria modular com capacidade diária para processar 200 mil barris de petróleo, além de infra-estruturas para armazenagem de 160 mil toneladas métricas de combustíveis líquidos e 24 mil toneladas métricas de Gás  Liquefeito (GL). A execução está projectada para um prazo de dois anos.

Segundo Chapo, o projecto terá impacto directo na criação de empregos, substituição de importações, incremento das exportações e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O grupo Aiteo é considerado uma das principais petrolíferas independentes de África, com operações centradas na Nigéria.

Ainda no mesmo evento, o Chefe de Estado revelou um segundo memorando de entendimento entre os governos de Moçambique e da Zâmbia para a construção de um gasoduto entre a cidade da Beira e Noa (Zâmbia), com capacidade para transportar 3,5 milhões de toneladas de produtos petrolíferos por ano. O investimento está avaliado em 1,5 mil milhões de dólares.

“O gasoduto permitirá abastecer o mercado zambiano de forma mais eficiente, reduzindo o trânsito de camiões nas estradas nacionais, principalmente na Estrada Nacional Número 6”, explicou.

Chapo também destacou o avanço de projectos estruturantes no sector energético, com destaque para o Plano de Desenvolvimento do Coral Norte, que prevê a instalação de uma plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito (GNL), e o relançamento do projecto Moçambique LNG, com financiamento do Exim Bank dos EUA e liderado pela TotalEnergies. Também está em preparação o projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, com investimentos que totalizam cerca de 27 mil milhões de dólares.

No sector mineiro, o Presidente indicou um crescimento de 12% em 2024 e a exportação de 117 carregamentos de GNL a partir do Coral Sul, operado pela ENI. Foram igualmente realizadas mais de 563 mil novas ligações eléctricas, elevando a taxa de acesso nacional de 53,4% para 60,1%.

Entre os projectos em curso, Chapo mencionou a Central Térmica de Temane e o lançamento da Cidade Petroquímica de Anchimbe, como parte da estratégia de industrialização e diversificação económica.

Apesar dos avanços, o Presidente reconheceu desafios persistentes, sobretudo na mineração artesanal, onde subsistem práticas ilegais, evasão fiscal e falta de observância das normas ambientais. Em resposta, anunciou reformas legais em curso, incluindo a revisão das leis de Minas e de Petróleos, além da criação de uma nova Agência de Promoção Mineira.

Por fim, reiterou o papel regional de Moçambique como fornecedor de energia aos países vizinhos e o compromisso com a transição energética, através do investimento em fontes renováveis.

Quais são os limites da efectividade da política monetária em Moçambique?

A efectividade da política monetária em países menos desenvolvidos como Moçambique é um assunto complexo, com diferentes factores que afetam sua eficácia. No caso de Moçambique, a política monetária é frequentemente utilizada para controlar a inflação e garantir a estabilidade do sistema financeiro, mas sua capacidade de alcançar outros objetivos, como o crescimento económico, continua sendo limitada.

A política monetária pode ser menos eficaz em estimular o crescimento económico e controlar a inflação nestes países, comparativamente aos países desenvolvidos. O ano de 2024 trouxe grandes desafios para Moçambique, tanto na política monetária quanto na política fiscal. Após dois anos de recuperação sólida, com crescimentos de 4,9% em 2022 e 5,4% em 2023, a economia moçambicana desacelerou abruptamente para apenas 1,8% em 2024. Isso ocorreu apesar da redução do custo do crédito no mercado, da inflação controlada em níveis de um dígito e da estabilidade do metical em relação ao dólar americano. As recentes projecções apontam para uma ligeira recuperação da economia para níveis de 3%, sustentado pela normalização da situação social e o crescimento do sector dos serviços.

O abrandamento do crescimento económico é derivado dos desafios estruturais, cambiais, regulatórios, fiscal e de confiança que o país ainda enfrenta, conjugado com o impacto dos incidentes de tensão política pós-eleitoral, que aumentaram a incerteza, interrompendo cadeias logísticas; da tensão política militar em Cabo Delgado, adiando os projetos de gás; bem como dos efeitos das alterações climáticas, que continuam sendo um entrave na economia moçambicana. Estes fatores contribuíram negativamente para o ambiente de negócios e para a redução do fluxo de capital externo.

No primeiro trimestre de 2025, escassez de divisas agravou-se de forma, com a oferta de moeda estrangeira a cair cerca de 30% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, atingindo um backlog de USD600 milhões, segundo dados do mercado, deste modo importador de bens essenciais viram-se forçados a cancelar ou adiar encomendas, com impacto directo sobre cadeias produtivas e abastecimento urbano.

Diante deste cenário, O Banco de Moçambique introduziu algumas medidas: – no lado monetário: redução do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda local e estrangeira, de 39% e 39.5% para 29% e 29.5%, respetivamente, visando proporcionar maior liquidez por parte dos bancos comerciais para empréstimos com finalidades de consumo e investimento das famílias e do sector privado, permanente redução da Taxa MIMO no mercado, de 16.5% para 11.75% em Março de 2025 (YoY); – No lado cambial, aumento da obrigatoriedade de conversão de receitas de exportação de 30% para 50%, e imposição de 100% de conversão nas reexportações de combustíveis; – no lado prudencial, reduz temporariamente os níveis mínimos de provisões exigidas para créditos vencidos.

Limitantes do efeito das Decisões de política monetária do Banco Central na economia

As taxas de juro podem ter uma influência substancial sobre a taxa e o padrão de crescimento económico, influenciando o volume e a produtividade do investimento, bem como o volume e a disposição da poupança. No entanto, isto é especialmente verdade em países onde os mercados financeiros estão relativamente bem desenvolvidos ou onde o investimento privado constitui uma parte significativa do investimento total, para o caso de Moçambique que ainda enfrenta desafios estruturais, a relação crédito/PIB permaneceu estagnada em torno de 18%.

Apesar de níveis confortáveis de liquidez e capital, os bancos mantêm-se avessos ao risco de crédito produtivo, preferindo a segurança dos títulos do Tesouro. Com uma dívida pública acima de 77% do PIB, e juros internos a representar mais de 70% do custo total da dívida, o Estado continua a absorver grande parte da liquidez disponível no sistema financeiro. Este fenómeno agrava o crowding out e limita o espaço para financiamento ao sector privado, contrariando o cenário de redução das taxas de referência no mercado.

A economia ainda se ressente dos efeitos das tensões políticas, com um nível de incerteza elevado por parte dos investidores, aliado a falta de incentivos fiscais para a recuperação do sector privado. A inflação homóloga, embora estável, desde início de 2025, tem demostrando uma tendência crescente, com expectativas de maior aumento a médio-longo prazo, tendo atingido 4.77% em Março, podendo contribuir para redução da poupança-investimento na economia.

O risco de crédito do país deteriorou significativamente reduzindo o Índice de Investimento directo ao estrangeiro, após a nota da Standard Poors (S&P) em outubro de 2024, com o downgrade em moeda local de longo prazo de CCC+ para CCC, derivado das pressões fiscais. Em fevereiro de 2025, foi a vez da Fitch Ratings, rebaixando a classificação de Moçambique de ‘CCC+’ para ‘CCC’, em divida denominado em moeda estrangeira á longo prazo.

O reforço da conversão cambial obrigatória e a redução temporária das provisões prudenciais, embora crie um alívio assintomático, pode acarretar riscos como: penalização de exportadores (exportadores podem enfrentar dificuldades devido à menor disponibilidade de divisas para reinvestimento); distorções de mercado (a medida pode criar distorções no mercado cambial, afetando a competitividade das exportações) e dependência de instrumentos administrativos.

A realidade cambial actual mostra uma forte concentração de fluxos cambiais em poucos actores económicos. Estima-se que mais de metade do volume de moeda estrangeira transacionado em 2024 tenha tido origem em apenas três a cinco grandes exportadores, sobretudo dos sectores de energia, alumínio e mineração. Esta elevada concentração torna o sistema cambial nacional vulnerável a choques sectoriais, decisões operacionais individuais e atrasos logísticos localizados.

A falta de flexibilidade da taxa de câmbio também prejudica a eficácia do mecanismo de transmissão da taxa de juro. Permitir que a taxa de câmbio flutue permite que a taxa de política do banco central seja o principal instrumento de política monetária, envia sinais de política mais claros aos participantes no mercado e aumenta a independência da política monetária.

O Pais ainda apresenta um défice da conta corrente estrutural, refletindo desequilíbrios económicos mais profundos, como a dependência de importações de bens de capital e serviços essenciais. Isso sugere que o aumento das exportações, embora possa ser positivo, não é suficiente para resolver esses desequilíbrios estruturais. Por exemplo, de acordo com relatório de Balança de pagamentos (III trim, 2024), as exportações aumentaram em 3.7%, de USD 5.9milhões (III trim, 2023) para USD 6.2milhões (III, trim, 2024). No entanto, teve um impacto não significativo no défice da conta corrente, que continua elevado, tendo somente contraído em 1.3%.

 

Notas Conclusivas

A política monetária em Moçambique enfrenta limitações significativas devido a desafios estruturais, incertezas políticas e económicas, e um sistema financeiro subdesenvolvido. Para melhorar a eficácia da política monetária, é essencial abordar esses desafios estruturais, promover um ambiente de negócios mais estável e competitivo, e implementar políticas económicas que incentivem o investimento privado e a diversificação económica. Somente assim será possível alcançar um crescimento econômico sustentável e reduzir os desequilíbrios econômicos que afetam o país.

A gestão da política monetária dever ser complementada por acções no sector real da economia, para um melhor controlo da inflação e impulsionar o crescimento económico. Assim sugere-se uma reforma no papel do Banco Central, actuando não somente sobre o controlo e estabilidade dos preços, mas sim, também em acções concretas com vista reduzir o desemprego e impulsionar o crescimento económico. Na prática, a política monetária busca equilibrar a necessidade de controlar a inflação com a necessidade de estimular o crescimento económico e o emprego.

Artigo por: Paulo Matavela

Dólar recupera após dois dias de queda e mercados reagem a dados sólidos dos EUA

Melhoria no sector dos serviços nos Estados Unidos e expectativas em torno da decisão da Fed impulsionam o dólar, enquanto moedas asiáticas recuam e futuros bolsistas registam perdas moderadas. Eis os destaques:

Destaques

  • Índice do dólar subiu 0,2% após reacção positiva a dados do sector dos serviços nos EUA.
  • Futuros do S&P 500 recuam 0,3% após fim do maior rali em 20 anos.
  • Moedas asiáticas recuam com destaque para o ringgit da Malásia (-0,8%) e o yuan offshore (-0,4%).
  • Banco central de Hong Kong intervém agressivamente para defender o câmbio.
  • Decisão da Reserva Federal dos EUA marcada para esta quarta-feira é aguardada com expectativa.

O dólar norte-americano registou ganhos esta terça-feira, revertendo dois dias de perdas, impulsionado por dados económicos mais robustos no sector dos serviços nos Estados Unidos. O movimento surge em meio a um cenário de tensão comercial, políticas monetárias cautelosas e reacções defensivas por parte de bancos centrais asiáticos.

O dólar valorizou-se após dois dias de perdas, num movimento motivado por sinais de reaceleração do sector dos serviços nos EUA durante o mês de Abril. O índice Bloomberg Dollar Spot avançou 0,2%, enquanto os mercados cambiais asiáticos enfrentaram recuos, com destaque para a desvalorização do ringgit da Malásia e do yuan chinês.

No mercado de acções, os futuros do S&P 500 registaram uma queda de 0,3%, reflectindo o arrefecimento do optimismo após o fim da mais longa sequência de ganhos do índice em duas décadas. Já o índice Hang Seng de Hong Kong e o Shanghai Composite apresentaram ligeiras subidas de 0,5% e 0,7%, respectivamente.

DADOS DO DIA

Câmbio:
  • Dólar Index: +0,2%
  • Euro: estável em $1,1307
  • Iene japonês: estável em 143,81 por dólar
  • Yuan offshore: -0,4% para 7,2288/dólar
Criptomoedas:
  • Bitcoin: $94.266,59 (estável)
  • Ether: -0,4% para $1.802,39
Matérias-Primas:
  • Petróleo WTI: +1,5% para $57,98/barril
  • Ouro spot: +0,8% para $3.360,92/onça
Bolsa:
  • Futuros S&P 500: -0,3%
  • Euro Stoxx 50: -0,2%
  • Hong Kong Hang Seng: +0,5%
  • Shanghai Composite: +0,7%

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Banco Central revela incumprimento elevado no crédito do Ecobank

O Banco de Moçambique (BdM) revelou que quase metade do crédito concedido pelo Ecobank encontrava-se em incumprimento no final do primeiro trimestre, registando-se uma taxa de 48,17%, contra 42,66% observada no final de 2024.

Dados constantes do Relatório de Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros, referentes ao período de Janeiro a Março, indicam que, durante o trimestre em análise, a maioria das instituições bancárias do país também apresentaram níveis elevados de crédito malparado.

Segundo o mesmo documento, o Moza Banco encerrou o trimestre com uma taxa de crédito vencido (NPL) de 36,58%, superior aos 34,24% registados no quarto trimestre de 2024, seguindo-se o Access Bank, com uma taxa de 20,69%, ligeiramente abaixo dos 21,04% anteriormente reportados.

Da lista divulgada pelo banco central, com base em dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras, destacam-se os bancos United Bank for Africa (UBA), First National Bank (FNB), Standard Bank, First Capital Bank (FCB) e Absa Bank Moçambique, que apresentaram taxas de crédito malparado inferiores ao nível recomendado (5%), situando-se em 2,15%, 2,37%, 3,38%, 2,52% e 3,51%, respectivamente.

Entretanto, o Millennium bim, um dos maiores bancos comerciais do país e liderado pelo português BCP, viu a sua taxa de crédito malparado reduzir-se para 2,89%, enquanto o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), controlado pela Caixa Geral de Depósitos, atingiu os 11,89%.

No final de 2024, o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou que o sistema bancário nacional permanecia “sólido e bem capitalizado”, mas alertou que o nível de crédito malparado continuava elevado.

“A taxa de crédito vencido continua relativamente alta”, declarou, apontando que a mesma se situava em 9,1% do total em Setembro último, contra 9,3% no mesmo mês do ano anterior, sendo que várias instituições ainda mantêm rácios acima do limiar recomendado de 5%.

Manuel Soares acumula funções como PCA interino do Moza Banco

O Presidente da Comissão Executiva (CEO) do Moza Banco, Manuel Soares, passou a acumular, a partir da última quarta-feira, 30 de Abril, o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Banco, em regime interino.

A nomeação foi deliberada por unanimidade pelos Accionistas, durante a Assembleia Geral Ordinária realizada no dia 29 de Abril de 2025. Na mesma ocasião, João Figueiredo, que exercia o cargo de PCA desde 2016, cessou oficialmente funções.

Manuel Soares lidera a Comissão Executiva do Moza desde 2021, ano em que foi nomeado para o cargo de CEO. Com uma carreira de quase três décadas no sector financeiro moçambicano, iniciou o seu percurso como Auditor Financeiro, tendo posteriormente assumido funções de liderança em diversas áreas estratégicas, incluindo Finanças, Tesouraria, Gestão de Riscos, Planeamento e Cash Management.

Antes de integrar o Moza, exerceu o cargo de CFO (Director Financeiro), com responsabilidades que se estendiam às áreas de logística, procurement, controlo financeiro e planeamento estratégico.

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“Cada decisão que tomarmos, cada produto que criarmos, terá um único objectivo, melhorar a vida dos moçambicanos e impulsionar o desenvolvimento económico do nosso país. Continuarei a contar com o apoio de todos os membros da família Moza para juntos escrevermos os próximos capítulos da história de sucesso deste Banco.”

A designação de Manuel Soares como PCA interino, mantendo-se simultaneamente como CEO, reflecte a confiança dos Accionistas e Colaboradores no modelo de gestão implementado desde a sua chegada ao Banco. A sua visão estratégica, aliada aos valores fundamentais do Moza, Ambição, Resiliência, Integridade e Colaboração, tem sido determinante para o crescimento robusto e sustentável da instituição.

Syrah Resources recupera acesso à mina de grafite de Balama

A mineradora australiana Syrah Resources, que opera no distrito de Balama, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, anunciou nesta segunda-feira, 5 de Maio, que conseguiu restaurar o acesso a sua mina de grafite, após interrupções causadas por protestos ilegais.

Num comunicado divulgado pelo Engineering News, a entidade explicou que chegou a um acordo formal com agricultores e autoridades governamentais em Abril, o que levou a maioria dos manifestantes a interromper as acções ilegais em Balama, acrescentando que, no entanto, um pequeno grupo de pessoas continuou a bloquear o acesso ao local “sem motivo legítimo”.

“As autoridades conseguiram reprimir os protestos ilegais restantes nos dias 3 e 4 de Maio, o que permitiu à Syrah restaurar o acesso ao local em Balama”, avançou a mineradora listada na Bolsa de Valores Australiana (em inglês Australian Stock Exchange – sigla ASX).

A empresa confirmou ainda que está a mobilizar equipas de apoio ao acampamento, inspecção e manutenção, com o objectivo de reiniciar as operações e os embarques dos produtos nos prazos previstos.

“A paralisação prolongada da mina foi motivada inicialmente por reivindicações relacionadas ao reassentamento de terras agrícolas e, posteriormente, por conflitos mais amplos relacionados às eleições. A empresa não produziu grafite por três trimestres consecutivos, e as vendas também foram suspensas até a retomada da produção”, descreveu.

Moçambique exporta grafite para diversos países, com a maior parte do material a ser utilizado na indústria de baterias de veículos eléctricos

Em Dezembro do ano passado, a entidade declarou “força maior” e suspendeu as operações na mina de grafite de Balama, devido à crise política e social. A medida resultou na queda de 28% no valor das acções da empresa, que também enfrenta um incumprimento em empréstimos financiados pelo Governo dos Estados Unidos da América (EUA).

Na altura, a Syrah, fornecedora de grafite para baterias de veículos eléctricos, incluindo um contrato com a Tesla, destacou que os bloqueios impediram o transporte de materiais e levaram ao encerramento temporário das operações, com os trabalhadores dispensados.

A empresa recebeu anteriormente um financiamento de 150 milhões de dólares do International Development Finance Corp. e outros 98 milhões do Departamento de Energia dos EUA para apoiar a mina de Balama e construir uma fábrica de processamento nos EUA. No entanto, a instabilidade em Moçambique comprometeu o cumprimento dessas obrigações financeiras.

“Os impactos e a duração das acções de protesto desencadearam eventos de incumprimento nos empréstimos da empresa com a United States International Development Finance Corp. e o Departamento de Energia dos EUA”.

Moçambique viveu quase cinco meses de tensão pós-eleitoral, um momento marcado por manifestações gerais que originaram a morte de 390 pessoas durante os confrontos entre os civis e a polícia. A agitação que causou prejuízos avultados para a economia foi incentivada pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane que não reconhece os resultados das eleições de 9 de Outubro cuja vitória foi da Frelimo e do seu candidato, Daniel Chapo.

Em Abril, o Parlamento aprovou, por unanimidade, aclamação e em definitivo, a lei do acordo político para pacificar o País, incluindo a revisão da Constituição da República e dos poderes do Presidente. O dispositivo legal, aprovado pelas quatro bancadas que compõem o Parlamento moçambicano, tem por base o acordo entre o chefe do Estado, Daniel Chapo, e todos os partidos políticos, assinado no passado dia 5 de Março e submetido à Assembleia da República para apreciação com carácter de urgência.

Entretanto, no dia 23 de Março, Venâncio Mondlane e Daniel Chapo encontraram-se pela primeira vez e foi assumido o compromisso de cessar a violência no território nacional.

Conheça os novos preços de portagens a vigorar a partir de 15 de Maio

O Director Nacional dos Transportes e Segurança no Ministério dos Transportes e Logística, Fernando Andela, revelou hoje, a “nova tabela” tarifária das portagens, que deverão vigorar a partir de 15 de Maio próximo.

Em entrevista à Rádio Moçambique, clarificou que os novos preços sugeridos ao Governo tendo por base um estudo do sector dos transportes.

“Os descontes serão diferentes, porque os operadores têm contratos específicos… outros contratos não se circunscrevem apenas ao Estado moçambicano” notou.

As taxas nas praças de portagens na Estrada Circular de Maputo (REVIMO) serão reduzidas pela metade nos transportes semi-colectivos de passageiros de 15 lugares, passando dos actuais 10 meticais para cinco meticais, igualmente, na portagem de Maputo (TRAC).

Para os colectivos de passageiros “TPM”, a taxa vai reduzir de 35 meticais para 25 meticais.

Os transportes de passageiros articulados, “vulgo Hungria” vão deixar de pagar 380 meticais para pagar 130 meticais.

Os automobilistas que vivem nas imediações das portagens verão as taxas reduzir dos actuais 16 meticais para 10 meticais.

Na ponte Maputo-Katembe a proposta de redução das tarifas de portagem para utilizadores frequentes foi somente para a Classe 1 (veículos ligeiros) que vão deixar de pagar 125 meticais, passando a pagar 100 meticais. Além disso, os residentes da Katembe, em toda a sua extensão, pagavam 50 meticais e vão passar a pagar 40 meticais.

Ainda na Ponte Maputo-Katembe, os semi-colectivos vão deixar de pagar 35 meticais para pagar 20 meticais.

PESOE 2025: Governo prevê aumento de mais de 40% no investimento directo estrangeiro

PESOE 2025

O Governo moçambicano estima que o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) atinja os 5 mil milhões de dólares em 2025, o que representa um crescimento superior a 40% em relação ao ano anterior. A previsão consta na proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025, actualmente em debate na Assembleia da República.

Segundo o documento, elaborado pelo Executivo liderado por Daniel Chapo, o incremento no IDE será impulsionado pela retoma de grandes projectos energéticos na bacia do Rovuma, com destaque para a reconstrução da unidade de liquefacção de gás da TotalEnergies e a instalação da segunda plataforma flutuante da Eni, ambas em Cabo Delgado.

Em 2024, o Banco de Moçambique reportou uma entrada de 3,5 mil milhões de dólares em IDE, um aumento de 41,5% face aos 2,5 mil milhões registados em 2023. Em 2022, os investimentos estrangeiros totalizaram 2,4 mil milhões de dólares, enquanto o pico foi alcançado em 2021, com 5,1 mil milhões.

Na altura, o banco central apontou a crescente confiança dos investidores internacionais como principal motor deste desempenho, destacando Moçambique como um pólo estratégico para investimentos energéticos na África Austral.

O Executivo já havia projectado, em 2024, que o IDE poderia atingir os 4,7 mil milhões de dólares, sustentado pela expansão do sector do gás natural liquefeito (GNL), valor que não chegou a ser alcançado.

A proposta do PESOE 2025, aprovada na semana passada pelo Conselho de Ministros, prevê um orçamento de 512,7 mil milhões de meticais (equivalente a 7,9 mil milhões de dólares), com metas macroeconómicas que incluem um crescimento do PIB de 2,9% e uma inflação média anual de 7%.

O documento também antecipa uma arrecadação de receitas no valor de 385,8 mil milhões de meticais (5,9 mil milhões de dólares), que deverão sustentar a execução das acções prioritárias do Governo ao longo do próximo ano.

O PESOE é o principal instrumento de programação do Executivo, definindo metas económicas, sociais e fiscais, bem como os recursos necessários para sua implementação.

Coral Sul deverá render ao Estado 70 milhões de dólares por ano até 2027

Coral Sul

O Governo moçambicano estima arrecadar cerca de 70 milhões de dólares por ano, entre 2025 e 2027, provenientes da exploração de gás natural liquefeito no âmbito do projecto Coral Sul, liderado pela petrolífera italiana ENI na bacia do Rovuma, Norte de Moçambique.

A previsão consta da proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025, submetida à Assembleia da República, e representa quase metade das receitas totais obtidas desde o início das exportações de gás daquela região, em finais de 2020. Até ao momento, o Estado encaixou 158,9 milhões de dólares, resultantes de impostos sobre a produção mineira, petróleo bruto e bónus de produção.

Esses valores foram canalizados para a Conta Transitória do Fundo Soberano, aguardando redistribuição — 60% para o Orçamento do Estado e os restantes 40% para a Conta Única do Fundo Soberano.

A estratégia orçamental para o período 2025-2027 prevê que 84,4% dos recursos mobilizados sejam de origem interna, com o Executivo a apontar para uma média anual de 543,1 mil milhões de meticais, o equivalente a 32% do Produto Interno Bruto (PIB). Destes, 458,4 mil milhões deverão vir de receitas internas e 84,7 mil milhões de fontes externas.

A política fiscal no triénio estará focada na consolidação orçamental, com medidas orientadas para o aumento da arrecadação, controlo da dívida pública e melhoria da eficiência na despesa. Entre as metas traçadas estão a redução das despesas públicas de 33,2% do PIB em 2024 para 30,7% em 2027, a contenção da massa salarial em 11,5% do PIB e a obtenção de um superavit primário doméstico de 2%.

Para o exercício de 2025, o Executivo prevê uma subida das receitas totais de 351,3 mil milhões de meticais em 2024 para 385,9 mil milhões, enquanto as receitas correntes deverão crescer para 361 mil milhões de meticais. O crédito interno, por sua vez, deverá baixar de 39 mil milhões para 35,1 mil milhões de meticais, antes de oscilar nos dois anos seguintes.

A despesa de funcionamento deverá cair ligeiramente para 351,3 mil milhões de meticais, enquanto os investimentos públicos terão um aumento tímido, passando de 96,4 mil milhões para 98,8 mil milhões.

O Governo reafirma o compromisso com políticas que impulsionem a economia, com destaque para investimentos nos sectores da agricultura, mineração, indústria, turismo e serviços, tendo o gás natural como motor do crescimento sustentado.