Sunday, April 12, 2026
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Produção de Grafite em Cabo Delgado pode ser retomada após cinco meses de bloqueios

Produção de Grafite em Cabo Delgado pode ser retomada após cinco meses de bloqueios

A mineradora australiana Syrah Resources anunciou a recuperação do acesso à sua mina de grafite em Balama, Cabo Delgado, após meses de interrupções provocadas por protestos ilegais. A situação, que vinha afetando as operações desde finais de 2023, foi parcialmente resolvida após a intervenção das autoridades moçambicanas nos dias 3 e 4 de Maio, o que permitiu à empresa retomar o controlo da infra-estrutura.

Segundo um comunicado citado pelo portal Engineering News, o desbloqueio do acesso resultou de um acordo alcançado em Abril entre a Syrah, representantes do Governo e comunidades locais, maioritariamente agricultores que reivindicavam questões ligadas ao reassentamento de terras. Embora a maioria dos manifestantes tenha suspendido as acções, um pequeno grupo persistia em bloquear a entrada da mina, sem apresentar, segundo a empresa, motivos legítimos.

A mineradora, listada na Bolsa de Valores da Austrália (ASX), já iniciou a mobilização de equipas técnicas para inspeção, manutenção e reativação gradual das operações e dos embarques previstos.

As actividades da mina de Balama estiveram paralisadas por três trimestres consecutivos, impactando severamente a cadeia de fornecimento da empresa, que é uma das principais fornecedoras de grafite para baterias de veículos eléctricos, incluindo para a Tesla. Em Dezembro de 2023, a Syrah declarou “força maior” e suspendeu oficialmente as operações, o que provocou uma queda de 28% nas acções da companhia e o não cumprimento de cláusulas de financiamento com instituições dos Estados Unidos.

A Syrah havia recebido anteriormente 150 milhões de dólares da International Development Finance Corporation e mais 98 milhões do Departamento de Energia dos EUA, com o objetivo de apoiar a mina de Balama e expandir sua operação com uma fábrica de processamento nos EUA. A instabilidade política e social em Moçambique, no entanto, comprometeu o cumprimento dessas metas financeiras.

O país atravessou, nos últimos meses, uma intensa crise pós-eleitoral marcada por manifestações, algumas violentas, que resultaram em cerca de 390 mortes. A tensão agravou-se com a rejeição dos resultados eleitorais por parte do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que contestou a vitória da Frelimo e do presidente Daniel Chapo nas eleições de 9 de Outubro.

Num esforço para restaurar a paz, o Parlamento aprovou em Abril, por unanimidade, uma lei que formaliza o acordo político entre todas as forças partidárias, incluindo uma revisão da Constituição e dos poderes presidenciais. O entendimento foi assinado a 5 de Março e representa uma tentativa de estabilizar o país e criar condições para o regresso à normalidade institucional e económica.

​Conheça o PCA dos CFM e a sua visão para o sector dos transportes

​Conheça o PCA dos CFM e a sua visão para o sector dos transportes

Agostinho Francisco Langa Júnior, nascido em 1972, é um engenheiro electrotécnico moçambicano e actual Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM). Formado pela Universidade Eduardo Mondlane, possui uma carreira sólida no sector ferroviário e na administração pública.​

Formação Académica

Langa Júnior é licenciado em Engenharia Electrotécnica pela Universidade Eduardo Mondlane, uma das principais instituições de ensino superior de Moçambique.​

Percurso Profissional

  • CFM (2015–2020): Desempenhou as funções de Administrador Executivo na empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, contribuindo para projectos estratégicos no sector ferroviário. ​
  • Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional (2020–2023): Nomeado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, exerceu este cargo até Março de 2023, quando foi exonerado e, no mesmo dia, nomeado PCA dos CFM. ​
  • PCA dos CFM (desde Março de 2023): Assumiu a presidência da empresa pública responsável pela gestão dos portos e caminhos de ferro de Moçambique. Entre os desafios destacados estão a duplicação da linha férrea de Ressano Garcia, a reabilitação da linha de Machipanda e a retoma do transporte ferroviário entre Moçambique e Malawi. ​

Investimentos e Projectos

Sob sua liderança, os CFM investiram mais de 910,3 milhões de dólares em infra-estruturas e equipamentos nos últimos cinco anos, visando modernizar os portos de Maputo, Beira, Nacala e Pemba, bem como as linhas férreas de Machipanda, Sena e Ressano Garcia. ​

Universidade Eduardo Mondlane projecta a sua primeira Sala do Futuro

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) anunciou a criação da Sala do Futuro, um espaço concebido com o intuito de dinamizar o ensino integrado de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

A iniciativa está inserida no projecto MozSkills, que visa formar professores das províncias de Maputo e Gaza, reforçando a capacidade interna do país nas áreas STEM.

A Sala do Futuro será equipada com um conjunto de ferramentas de ciência, robótica e tecnologia digital de ponta, permitindo que alunos e docentes explorem novas metodologias de ensino e desenvolvam competências essenciais para a resolução de problemas do mundo real.

Espera-se que esta iniciativa venha a aumentar significativamente o número de professores qualificados e, consequentemente, a inspirar mais alunos a seguir carreiras nestas áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional.

Numa primeira fase, o objectivo consiste em formar 350 professores altamente qualificados e criar uma plataforma online para formação contínua, tornando o acesso ao conhecimento mais democrático e eficiente.

Outras notícias para ler:


Para além da montagem da sala-modelo, a qual será instalada na Faculdade de Ciências, o projecto prevê a realização de feiras de ciência e robótica em escolas secundárias, institutos profissionais e universidades.

“Estas actividades envolverão mais de 1.600 alunos em olimpíadas científicas, exposições e competições, criando círculos de interesse em STEM e estimulando a criatividade e o pensamento crítico”, lê-se na nota partilhada nas redes sociais.

A revolução do ensino no país

Segundo o coordenador do projecto, Calisto Guambe, esta iniciativa representa um marco para o ensino em Moçambique. A Sala do Futuro não constitui apenas uma sala de aula, mas sim o início de uma revolução no ensino, que posiciona Moçambique na vanguarda da educação STEM em África.

A iniciativa conta com a parceria de instituições de ensino como o Instituto Industrial de Maputo, o Instituto Industrial e Comercial da Matola, o Instituto Médio Agrário de Boane, o Instituto de Formação de Professores da Munhuana, o Instituto de Formação de Professores da Matola e o Instituto de Formação de Professores de Chibututuine (na Manhiça).

INAE ordena retirada imediata do óleo alimentar da marca ‘’Super Vega’’

A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), ordenou a retirada imediata do mercado nacional do Óleo alimentar da marca ‘’Super Vega’’, por ter sido produzido ilegalmente, no distrito de Nacala, província de Nampula.

De acordo com um comunicado enviado à nossa redacção, a retirada do produto surge em cumprimento do plano operacional e controlo do mercado, bem como da defesa dos interesses económicos do Estado e do consumidor.

Da visita feita pela INAE, concretamente ao sector de produção, constatou-se que se trata de uma unidade económica ilegal, cujo óleo alimentar não obedece a qualidade prevista pelo Ministério da Saúde (MISAU) e não dispõe da aprovação do rotulo e da autorização para o uso do selo ‘’Made in Mozambique, para além do que o seu conteúdo nutricional não foi aprovado pela entidade competente.

O documento menciona ainda que a produção do óleo não obedece a outros requisitos legalmente estabelecidos, sem os quais a indústria não deveria funcionar. Por esta razão, a INAE suspendeu o processo de produção com efeitos imediatos.

Deste modo, por se tratar de uma fábrica ilegal, cujo produto é fortemente suspeito para o consumo humano, foram orientadas todas as delegações, para apreender imediatamente o óleo em causa e submeter amostras ao laboratório para efeito de controlo de qualidade, incluindo a verificação dos parâmetros de fortificação.

BVM Regista crescimento expressivo em 2024 e aponta para nova fase de modernização e dinamização do mercado

  • Presidente da Bolsa de Valores de Moçambique destaca aumento da capitalização bolsista, maior volume de negócios e aposta em reformas estruturantes para atrair mais empresas e investidores

Intervindo no Economic Briefing de Abril de 2025, evento da CTA, o Presidente da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), Pedro Cossa, apresentou os resultados da actividade bolsista em 2024, destacando crescimentos significativos na capitalização, no volume de negócios e no número de títulos cotados. Ao mesmo tempo, apontou uma visão estratégica para o futuro da instituição, com reformas orientadas à modernização tecnológica, diversificação de produtos e maior integração com a economia real.

Cossa revelou que a capitalização bolsista da BVM cresceu 15,5%, passando de 183.825,43 milhões de meticais em 2023 para 212.407,89 milhões de meticais em 2024. O rácio de capitalização bolsista sobre o PIB também subiu, atingindo 29,59%, consolidando o papel da bolsa como pilar de financiamento da economia.

Pedro Frederico Cossa Assume Liderança da Bolsa de Valores de Moçambique

Em termos de volume de negócios, a bolsa movimentou 34.527,88 milhões de meticais em 2024, uma subida de 55,6% face ao ano anterior, e o índice de liquidez (turnover) avançou 34,7%. O número total de títulos cotados (acções, obrigações e papel comercial) aumentou de 84 para 91, um crescimento de 8,3%.

Financiamento à economia e vigilância regulatória

Desde a sua criação, a BVM já viabilizou mais de 358 mil milhões de meticais em financiamento à economia, o que representa um crescimento acumulado de 1138,1%, consolidando a bolsa como alternativa viável ao crédito bancário tradicional.

A Central de Valores Mobiliários (CVM), instrumento essencial no controlo de fluxos financeiros, registou 318 novos registos e 26.411 titulares, com crescimentos de 15,8% e 3,5%, respectivamente — indicadores que reforçam a vigilância contra o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo.

Uma bolsa com ambição reformista

Apesar dos avanços, o Presidente da BVM reconhece que o mercado bolsista moçambicano está ainda em fase de consolidação, com nível de liquidez reduzido, sobretudo no segmento accionista. Para superar estas limitações, a estratégia da instituição inclui:

  • Adoção de boas práticas internacionais, como a exigência de cotação de empresas estratégicas (bancos, seguradoras, telecomunicações, extractiva);
  • Modernização tecnológica, com integração de “Fintechs” e tecnologias como o blockchain;
  • Revisão legal e regulamentar, incluindo a reformulação do Código do Mercado de Valores Mobiliários;
  • Implementação da Lei das PPPs, com dispersão obrigatória de capital no mercado após cinco anos de operação;
  • Criação de novos produtos, como green bondsblue bonds, fundos de investimento e instrumentos de poupança pública;
  • Promoção de operadores especializados e plataformas digitais de negociação, para estimular liquidez e acessibilidade;
  • Estabelecimento de parcerias estratégicas com bolsas e instituições congéneres da região e do mundo.

Da estabilidade à transformação

A intervenção de Pedro Cossa reflecte uma bolsa em clara trajectória ascendente, mas ciente dos desafios estruturais que ainda limitam a sua profundidade e abrangência. Ao consolidar reformas, inovar produtos e reforçar a transparência, a BVM pretende afirmar-se como instrumento moderno, competitivo e inclusivo de financiamento do desenvolvimento económico moçambicano.

Cabo Delgado: Grafite de Balama permanece encerrada desde ano passado

A mina de grafite de Balama, uma das maiores fontes de grafite natural do mundo, localizada na província de Cabo Delgado, continua encerrada devido a protestos locais intensificados no contexto de tensão pós-eleitoral em Moçambique.

Segundo uma publicação da Engneering News, a mina operada pela australiana Syrah Resources, encontra-se inoperacional há nove meses consecutivos, afectada por bloqueios no acesso ao local e pela falta de intervenção efectiva das autoridades. A paralisação teve origem em reivindicações de agricultores reassentados, mas alastrou-se a outros focos de contestação relacionados com o ambiente de instabilidade política no País.

A mineradora Syrah avança que embora tenha sido alcançado um acordo com o grupo inicial de agricultores, um pequeno número de manifestantes continua a impedir o acesso à mina, sem apresentar reivindicações legítimas. A empresa obteve em Março uma injunção judicial que determina a libertação do local, mas a aplicação da ordem pelas autoridades distritais permanece incerta.

Desde a suspensão das operações, em meados de 2024, a mina de Balama não produziu qualquer tonelada de grafite. No primeiro trimestre de 2025, a Syrah registou a venda de apenas 1300 toneladas do produto, um volume muito inferior ao de períodos anteriores.

A empresa declarou força maior ao abrigo do Acordo de Mineração de Balama em 2024, mantendo o estatuto até à normalização da situação. Entretanto, os custos fixos da operação situam-se em cerca de três milhões de dólares mensais, ainda que medidas temporárias de contenção tenham sido adoptadas.

Além do impacto económico, a suspensão da actividade comprometeu os programas sociais que a Syrah desenvolvia na região. A empresa reitera, contudo, o seu compromisso com práticas de sustentabilidade e apoio às comunidades locais.

A falta de uma resposta célere das autoridades moçambicanas, num contexto de perturbação civil e de atraso na formação do novo Governo, tem agravado a incerteza quanto à retoma da produção em Balama. A Syrah não avançou, até ao momento, qualquer previsão para o reinício das operações.

Governo aprova Plano Económico e Social e Orçamento do Estado fixado em 512,7 mil milhões de meticais

O Governo aprovou, através do Conselho de Ministros, a proposta de Lei do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025, a ser submetida à Assembleia da República.

A informação foi avançada ontem, terça-feira (29), pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, após o fim da 14.ª sessão ordinária.

O documento prevê uma receita total de 385,8 mil milhões de meticais e uma despesa global de 512,7 mil milhões de meticais, resultando num défice estimado em 126,8 mil milhões de meticais. O PESOE define as metas económicas e sociais para o próximo ano, alinhadas com o novo Programa Quinquenal do Governo (2025–2029).

Do total de 512,7 mil milhões de meticais, cerca de 80,1% correspondem a recursos internos e 19,9% a recursos externos, constituídos por créditos e donativos.

As principais linhas de força centram-se na diversificação das fontes de crescimento económico, no aumento da resiliência para reduzir os impactos dos choques internos e externos, criação de mais postos de trabalho, modernização da base infra-estrutural da economia, incluindo na gestão eficiente dos recursos naturais e melhoria dos padrões de distribuição do rendimento.

Segundo o jornal “O País”, o Governo apreciou igualmente a Conta Geral do Estado referente ao exercício económico de 2024, o Relatório Anual da Dívida Pública e informações sobre a recente reunião do Grupo do FMI e Banco Mundial.

Comércio passa a operar sem restrições de horário em todo país

No âmbito das medidas de recuperação económica adoptados pelo Governo, comércio passa a funcionar sem limitações do horário em todo o território nacional, informou o Ministério da Economia em comunicado de imprensa.

Esta decisão enquadra-se num plano mais vasto visando revitalizar a economia, com especial incidência no estímulo ao sector comercial e serviços.

De acordo com o comunicado do Ministério com esta medida os agentes económicos passam a dispor de autonomia para definir o horário de funcionamento dos seus estabelecimentos.

Entretanto, avança o ministério, a obrigatoriedade de se respeitarem as normas constantes do regime geral do horário de trabalho bem como outras disposições legais aplicáveis aos sectores com regimes específicos.

Segundo o documento que temos estado a citar, a flexibilização ora introduzida procura responder às dinâmicas do mercado, e não deverá servir para prejudicar os direitos dos trabalhadores.

Portanto, a aplicação efectiva da medida implica que os operadores económicos comuniquem formalmente os horários escolhidos à Direcção Nacional do Comércio Interno, indicando os períodos de actividade pretendidos, o que permitirá uma melhor organização e fiscalização do sector.

O Executivo reafirma que esta acção integra um conjunto de iniciativas destinadas a impulsionar a retoma económica no período pós-crise, promovendo maior flexibilidade e eficiência no ambiente de negócios.

FMI preocupado com a incerteza da economia mundial

A directora-geral do FMI revelou que as reuniões em Washington estão a ser marcadas, esta semana, pela “ansiedade” face à incerteza e ao imprevisto. “Temos de ter uma economia mundial com previsibilidade”, afirmou Kristalina Georgieva.

“Nem são tanto as tarifas (taxas alfandegárias) que estão a preocupar mais os membros do Fundo Monetário Internacional, mas a incerteza, temos de descer a incerteza”, disse Kristalina Georgieva, na conferência de imprensa esta quinta-feira na sede da organização, em Washington DC.

Numa publicação do jornal Expresso, a economista búlgara, que dirige uma organização com 191 membros, revelou que, esta semana, o que mais sentiu, entre os membros presentes nesta reunião de Primavera do FMI, foi a ansiedade: “Estão ansiosos. É importante que tenhamos uma economia global com previsibilidade”.

Sem se referir, uma única vez, ao autor da incerteza e da imprevisibilidade actuais, a directora-geral do FMI foi muito diplomática em relação às críticas muito duras feitas no dia anterior pelo secretário do Tesouro norte-americano Scott Bessent durante um fórum do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, Institute of International Finance) realizado, também, em Washington, a uns quarteirões da sede do Fundo.

“Os Estados Unidos são o nosso maior acionista e é onde está a nossa sede. Valorizamos muito a voz dos EUA e esperamos discutir com eles e com os outros membros do Fundo [as questões levantadas]”, respondeu Georgieva.

EUA avançam com extinção da MCC em países africanos, incluindo em Moçambique

A administração norte-americana de Donald Trump pretende encerrar a agência de ajuda externa, Millennium Challenge Corporation (MCC), escreve a revista norte-americana “Politico.

Trata-se de uma  medida que será executada pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), liderado pelo bilionário Elon Musk, e prevê-se o despedimento de 320 funcionários, bem como o cancelamento de doações a 40 países, onde os projectos de desenvolvimento estão em curso.

A expectativa é que, dentro de 90 dias, todas as operações do MCC estejam encerradas. Uma reorganização anunciada na terça-feira, 22 de Abril, pelo Departamento de Estado inclui a abolição da divisão para “segurança dos civis, da democracia e dos direitos humanos”, que será substituída por outra, responsável pela “coordenação da ajuda externa e dos assuntos humanitários”. Esta deverá absorver o que resta da USAID, a agência de desenvolvimento que durante anos geriu um orçamento que representava quase metade da ajuda humanitária mundial, agora drasticamente cortado pela administração de Donald Trump.

Estabelecida pelo Congresso em 2004 durante a administração de George W. Bush, a MCC é independente do Departamento de Estado e tem, actualmente, assinados ou em implementação mais de 5,4 mil milhões de dólares em subsídios em 20 países de baixo rendimento.

O MCC tem estado envolvido em países lusófonos como Moçambique e os projectos focam-se em áreas como água e saneamento, estradas, agricultura e propriedade da terra, com o objectivo de atrair investimento privado e promover o crescimento.

Em 2023, Moçambique foi reeleito pelo Conselho de Administração do Millennium Challenge Corporation (MCC), para continuar a desenvolver o programa Compacto II que preconiza, entre outros pontos, a assistência ao desenvolvimento de infra-estruturas rurais, como estradas, programas de apoio à agricultura e criação de condições para a resiliência das populações costeiras, através da protecção, recuperação de ecossistemas e reposição da floresta de mangal na província da Zambézia.

No ano passado, o Governo anunciou a criação de uma instituição para gestão de mais de 537 milhões de dólares (33,9 mil milhões de meticais), dos quais 500 milhões de dólares (31,6 mil milhões de meticais) doados pela Millennium Challenge Corporation. O financiamento norte-americano destinava-se ao Compacto II, e o compromisso foi assinado a 20 de Setembro de 2023 no Capitólio, em Washington, na presença do antigo chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi.