Moçambique e outras 26 nações africanas marcam presença e exibem o seu potencial no arranque da edição 2025 do Africa’s Travel Indaba, a maior feira comercial e de lazer da África do Sul.
A feira que iniciou esta esta segunda-feira (12), com término esta quinta feira (15), espera receber pouco mais de nove mil visitantes e 1300 expositores que vão beneficiar de uma plataforma ideal para expositores de turismo africanos apresentarem suas ofertas a compradores internacionais e locais, empresas de marketing de destino e parceiros de serviços de turismo de lazer.
A delegação de Moçambique, chefiada pelo director-geral do Instituto Nacional de Turismo (INATUR), Richard Baulene, almeja usar da plataforma para promover o turismo nacional no seio dos turistas e estreitar parcerias com outros operadores do continente.
Segundo Baulene, citado pelo jornal Notícias, além de quadros do INATUR, estarão presentes na feira operadores turísticos, gestores de parques e reservas nacionais e de hotelaria e turismo.
Consultora internacional liderada por James Hogan vai trabalhar com novos accionistas da LAM na redefinição da frota, governação e conectividade estratégica;
A consultora irá liderar, nos próximos 90 dias, o processo de estabilização e reposicionamento da LAM (Aviator);
Novos accionistas da LAM são a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE);
Estratégia visa redefinir a frota, melhorar a governação e fortalecer a conectividade nacional e regional.
Objectivo é apoiar sectores estratégicos como turismo, mineração, petróleo e agricultura (Knighthood Global);
Knighthood possui histórico de revitalização de companhias aéreas em África e Europa, incluindo o caso Air Malta.
O Governo de Moçambique designou a consultora internacional Knighthood Global para conduzir o processo de revitalização da LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, num movimento que visa não só estabilizar a transportadora aérea nacional, mas também reconfigurar o sector da aviação em Moçambique, conforme avança o portal especializado Aviator (12 de Maio de 2025).
A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique vai contar com a experiência da Knighthood Global para a sua reestruturação estratégica e operacional. A consultora internacional, sediada em Abu Dhabi e liderada por James Hogan, antigo CEO da Etihad Airways, foi formalmente contratada pelo Governo moçambicano para liderar os esforços de reposicionamento da companhia aérea nacional, segundo revelou a própria Knighthood em comunicado reproduzido pelo portal Aviator.
De acordo com o portal Aviator, o plano de acção, cuja execução terá início imediato, prevê um período inicial de três meses centrado na estabilização operacional e reposicionamento estratégico da LAM. A Knighthood irá trabalhar em estreita colaboração com os novos accionistas da transportadora: a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), os quais têm o mandato de adquirir novas aeronaves e reconstituir uma frota adequada às exigências do mercado.
Actualmente, a LAM opera com apenas quatro aeronaves — duas Embraer EMB-145, uma Bombardier CRJ900 e um Boeing 737-500 — a partir do Aeroporto Internacional de Maputo, uma situação que reflecte anos de dificuldades operacionais, incluindo a suspensão de rotas e elevada rotatividade na gestão de topo.
A Knighthood sublinha que “o envolvimento das partes interessadas e o reforço da governação serão cruciais para restaurar a confiança no processo de reestruturação da LAM e alinhar todas as partes em torno de uma estratégia comum”, conforme consta do seu comunicado oficial citado pelo Aviator.
Segundo a consultora, a reestruturação da LAM deverá também servir de catalisador para o crescimento do turismo e de sectores económicos estratégicos como a mineração, o petróleo e a agricultura, com ênfase na criação de rotas que fortaleçam a conectividade interna e regional.
A Knighthood Global tem vindo a ganhar protagonismo em África, tendo liderado recentemente processos de revitalização das transportadoras nacionais do Zimbabué e da Tanzânia. Em 2024, concluiu o desenvolvimento do plano de negócios da KM Malta Airlines, aprovado pela União Europeia após o encerramento da antiga Air Malta (Aviator).
Além disso, a consultora foi recentemente nomeada conselheira estratégica da companhia britânica Global Airlines, onde irá acompanhar o processo de introdução de aviões Airbus A380 e o licenciamento da nova operadora junto das autoridades do Reino Unido.
James Hogan, presidente da Knighthood, afirmou ao Aviator que “o continente africano atravessa um período de crescimento sem precedentes” e que a empresa está “comprometida em contribuir para o fortalecimento da indústria aérea como vector do desenvolvimento económico”.
A nomeação da Knighthood Global representa, assim, uma nova tentativa de revitalizar a LAM, marcada por anos de perdas, reduzida capacidade operacional e reputação fragilizada. O sucesso desta parceria poderá representar não apenas a salvação da companhia, mas um novo capítulo para a aviação civil em Moçambique.
A CLM acaba de dar mais um passo em direcção à modernização dos seus processos e ao fortalecimento do ecossistema laboral nacional com o lançamento oficial do seu Portal de Recrutamento, uma plataforma digital desenvolvida para facilitar a recepção de candidaturas a vagas de emprego e programas de estágio.
Sob o lema “Juntos a criar pontes para o futuro”, a iniciativa inscreve-se na visão estratégica da empresa de valorizar o capital humano como alicerce do progresso e do desenvolvimento económico sustentável.
Segundo uma nota institucional da CLM, o novo portal visa promover maior transparência, inclusão e acesso igualitário às oportunidades, reforçando que todo o processo de candidatura é totalmente gratuito. A empresa alerta que nenhum candidato deve efectuar qualquer tipo de pagamento para ter acesso às vagas disponibilizadas.
“Acreditamos que os méritos, a dedicação e o potencial devem ser os únicos critérios de selecção. O novo portal é mais do que uma ferramenta de gestão – é um compromisso com a justiça e a dignidade no processo de recrutamento”, lê-se na nota.
A plataforma permitirá a criação de uma base de dados centralizada, acessível à equipa de Recursos Humanos da CLM, para melhor resposta às necessidades internas e identificação eficiente de perfis qualificados, tanto para posições permanentes como para estágios profissionais.
Paralelamente, a CLM reiterou o seu apoio à missão do INEP – Instituto Nacional de Emprego, organismo tutelado pelo Ministério do Trabalho e Segurança Social, cujo papel na promoção do emprego digno, orientação vocacional e articulação com o mercado laboral continua a ser vital para o país.
“Queremos encorajar o uso e a divulgação activa dos serviços do INEP, que é uma estrutura pública de referência, sobretudo para os jovens que procuram o seu primeiro emprego ou pretendem reconverter-se profissionalmente”, acrescenta a empresa.
O Portal de Recrutamento da CLM já se encontra activo e acessível ao público através do endereço www.clm.co.mz. Para informações complementares sobre políticas de emprego e ofertas públicas, os interessados podem também consultar o site do INEP, disponível em www.inep.gov.mz.
Conferência alusiva aos 50 anos da HCB irá debater o impacto das mudanças climáticas na produção hidroenergética e o contributo do sector energético para o progresso nacional e regional.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) vai realizar, em Maputo, uma conferência internacional subordinada ao tema “HCB: Ontem, Hoje e o Futuro – Empresa Estruturante e Estratégica”, reunindo mais de 300 convidados para discutir os desafios e perspectivas do sector energético, com enfoque no papel das centrais hidroeléctricas face às mudanças climáticas.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a preparar uma conferência internacional, a decorrer em Maputo, com o propósito de promover o intercâmbio de conhecimento e experiências sobre a contribuição das empresas do sector energético para o desenvolvimento económico de Moçambique e da região da África Austral. A iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 anos da HCB.
Sob o lema “HCB: Ontem, Hoje e o Futuro – Empresa Estruturante e Estratégica”, o evento vai reunir mais de 300 convidados nacionais e internacionais, entre empresas, académicos, políticos e especialistas do sector energético. Um dos temas centrais será o papel das centrais hidroeléctricas no contexto das mudanças climáticas, nomeadamente as secas severas que ameaçam a produção de energia.
“Pretendemos discutir como as centrais hidroeléctricas estão a gerir os seus recursos hídricos e a adaptar-se às alterações climáticas”, explicou Mariano Quinze, Director de Comunicação da HCB, durante uma conferência de imprensa em Maputo.
Mariano Quinze, Director de Comunicação da HCB
O evento abordará ainda os desafios actuais da produção hidroenergética, os efeitos de fenómenos climáticos extremos e o papel das infra-estruturas energéticas na dinamização das economias da região. Segundo fontes da empresa, a conferência contribuirá para a “massificação e divulgação de informação sobre como as empresas do sector energético operam na região, ao mesmo tempo que contribuem para o desenvolvimento nacional e regional”.
A presença de representantes de empresas da África Austral, bem como de membros da SAPT e de outras instituições relevantes, reforça o carácter estratégico do encontro. Para além deste evento, estão previstas outras actividades celebrativas que serão oportunamente divulgadas pela empresa.
Director da plataforma destaca sucesso colectivo e impacto económico sem precedentes
O projecto Coral Sul-FLNG irá injectar mais de 15 mil milhões de dólares americanos (960 mil milhões de meticais) na economia nacional ao longo da sua vida útil, anunciou o director-geral da plataforma, Alfonso Pagano, durante a 11.ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique (MMEC 2025). A iniciativa é considerada um dos maiores marcos energéticos da história económica do País.
Execução Exemplar do Megaprojecto
“Desde a assinatura da decisão final de investimento, em 2017, mantivemos o rumo. Mesmo perante imprevistos, não houve derrapagens nem de calendário, nem de custo”
— Alfonso Pagano, Director-Geral da Coral Sul-FLNG
Com um investimento inicial superior a 7 mil milhões de dólares, o Coral Sul-FLNG (plataforma flutuante de Gás Natural Liquefeito) apresenta-se como um caso de sucesso na execução de megaprojectos energéticos em África.
Investimento Inicial – 7 B USD
Impacto Económico Total – 15 B USD
GNL Produzido – 7.3 M t
Destaques Operacionais
Principais Realizações do Projecto
Mais de 15 mil milhões USD de impacto económico directo previsto
Contribuição de 50% para o crescimento económico de Moçambique em 2023
Mais de 7 milhões de toneladas de GNL já produzidas
Zero incidentes registáveis em mais de um ano de operação contínua
Mais de 800 moçambicanos directamente envolvidos nas operações
100 contratos atribuídos a empresas locais; 39% do valor adjudicado a firmas moçambicanas
Investimento de 7 mil milhões USD executado sem derrapagens de custo ou prazo
Em termos operacionais, o projecto atingiu já 7,3 milhões de toneladas de GNL produzidas, mantendo uma taxa de regularidade exemplar. A componente de segurança também foi sublinhada como “praticamente inédita na indústria”, tendo a plataforma registado zero incidentes registáveis em mais de um ano de operação contínua.
Impacto Económico e Social
Indicador
Valor
Impacto
Contribuição ao PIB (2023)
50% do crescimento
Alto
Empregos Directos
800+ moçambicanos
Significativo
Contratos Locais
100 (39% do valor)
Relevante
Segurança Operacional
0 incidentes
Exemplar
“O Coral Sul é um sucesso colectivo. Só em 2023, contribuiu com cerca de metade do crescimento económico de Moçambique, num ano em que a Moody’s estimava o PIB em 6,5%”
— Alfonso Pagano, Director-Geral da Coral Sul-FLNG
Perspectivas Futuras
Com a consolidação das operações e a manutenção dos níveis de produção e segurança, o Coral Sul-FLNG posiciona-se como um dos projectos energéticos mais bem sucedidos do continente africano, servindo de modelo para futuros investimentos no sector de gás natural em Moçambique e na região.
Estado moçambicano prepara pagamento de vários cupões e reembolsos; mercado de acções mantém níveis estáveis e papel comercial oferece rendibilidade competitiva
Análise do mercado financeiro moçambicano – Maio 2025
O mercado da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) mostra sinais de vitalidade neste início de Maio, com anúncios de pagamento de juros e reembolsos pelo Estado, taxas de juro activas nos instrumentos de dívida e um mercado accionista em equilíbrio, mas ainda com baixa liquidez.
Estado reforça regularidade no pagamento de cupões
O Estado Moçambicano prepara-se para efectuar, no dia 12 de Maio de 2025, o pagamento de juros relativos a quatro emissões de obrigações do tesouro, bem como o reembolso total da emissão de 2022 – 5.ª série. As taxas de juro associadas variam entre 14,5% e 19%, com destaque para a série 2023 – 4.ª, cujo juro bruto é de 9,50 meticais por título, e para a série 2022 – 5.ª, com juro de 8,50 meticais e reembolso do capital.
Destaques do Pagamento de Cupões
Pagamento de quatro cupões de obrigações do tesouro agendado para 12 de Maio
Taxas de juro semestrais entre 13,95% e 19%
Reembolso total da emissão de 2022 – 5.ª série
Estas movimentações mostram um cumprimento pontual por parte do Tesouro e reforçam a confiança dos investidores institucionais e particulares no papel das obrigações soberanas como instrumento seguro e previsível.
Papel Comercial: Taxa elevada e pagamentos em dia
A Bayport Financial Services Moçambique (Mcb) também anunciou o pagamento de juros relativos ao 8.º cupão do seu Papel Comercial 2024 – Série I, com uma taxa mensal de 1,5833 MZN por obrigação (taxa nominal de 19%). A manutenção desta taxa para o próximo cupão demonstra estabilidade e competitividade, num contexto em que o papel comercial se tem afirmado como alternativa atractiva de investimento de curto prazo.
Taxa Nominal Anual
19%
Rendimento Mensal
1.5833 MZN
Série
2024 – I
Acções: Baixa liquidez persiste, mas preços estáveis
No mercado de acções, continuam a destacar-se empresas como a CDM (Cervejas de Moçambique), que registou transacções a 40 MZN por acção, e a HCB, com 21.945 acções negociadas a 3,30 MZN. Outras empresas com actividade incluem a CMH (3.500 MZN) e a TROP (90 MZN).
Empresa
Preço (MZN)
Volume
Status
CDM (Cervejas de Moçambique)
40.00
N/D
Ativa
HCB
3.30
21,945
Ativa
CMH
3,500.00
N/D
Ativa
TROP
90.00
N/D
Ativa
ZERO Investimentos
–
0
Inativa
Touch Publicidade
–
0
Inativa
ARKO Seguros
–
0
Inativa
Por outro lado, empresas como a ZERO Investimentos, Touch Publicidade, ARKO Seguros, PAYTECH, entre outras, continuam listadas mas sem registo de transacções recentes, o que reflecte o desafio da baixa liquidez no mercado accionista moçambicano.
Taxas de Juro em Instrumentos de Dívida
Obrigações do Tesouro
15.88%
Obrigações Privadas
17.78%
Papel Comercial
15.27%
Estas taxas mantêm Moçambique entre os mercados africanos mais rentáveis em obrigações, ainda que o risco soberano continue a ser um factor determinante na avaliação dos investidores.
Perspectiva
As recentes operações na BVM, tanto no segmento de dívida como no de acções, espelham uma bolsa ainda em fase de consolidação, mas com sinais claros de maior estruturação e previsibilidade. O cumprimento regular dos cupões, aliado à manutenção de instrumentos privados activos, contribui para reforçar a confiança dos agentes económicos.
Com mais de 176 milhões de operações digitais em 2024, banco reforça liderança tecnológica com aposta no Mobile Banking, Smart IZI e novo modelo de balcão
Destaques:
930.342 Clientes digitais e 176 milhões de transacções em 2024;
Smart IZI assume-se como principal canal de acesso a serviços do banco;
Mobile Banking lidera com forte adesão a depósitos a prazo;
Internet Banking cresce 6% no volume de operações;
Lançamento de novo modelo de balcão digital nas províncias;
Segmento M-TOP responde a perfis de utilização 100% digital;
Banco reafirma liderança entre os 100 maiores bancos de África
O Millennium bim consolida a sua posição como líder da banca digital em Moçambique, ao atingir 930.342 Clientes digitais e um volume recorde de 176 milhões de transacções em 2024, sustentado por uma estratégia de inovação centrada no Cliente e por soluções tecnológicas como o Smart IZI.
Inovação digital como pilar estratégico
O Millennium bim anunciou a consolidação da sua liderança digital em Moçambique, com mais de 930 mil Clientes digitais e um recorde de 176 milhões de transacções digitais realizadas ao longo de 2024. Este desempenho reflecte uma estratégia fortemente ancorada na inovação, com destaque para a App Smart IZI, que está a transformar a forma como se faz banca no país.
A aplicação, com interface intuitiva e funcionalidades como o GO IZI (assistente virtual 24/7) e o Pay IZI (pagamentos instantâneos por QR code), tornou-se o canal preferencial dos Clientes, ao assegurar total autonomia na utilização dos serviços bancários.
Mobile Banking: Centro da experiência do cliente
O canal de Mobile Banking reforçou-se como pilar do ecossistema digital do banco, nomeadamente através do aumento da adesão a depósitos a prazo, demonstrando maior confiança dos Clientes nas soluções móveis. Paralelamente, o Internet Banking registou um crescimento de 6% nas operações, consolidando a sua relevância para segmentos com maior maturidade digital.
A Digitalização também chega ao balcão
O Millennium bim introduziu, em 2024, um novo conceito de balcão digital, já em funcionamento nas províncias de Maputo, Inhambane e Zambézia. Este modelo aposta na eficiência e sustentabilidade, com sistema automático de gestão de filas, Preçário Digital e uma zona de Self-Banking com acesso 24/7, permitindo autonomia total aos Clientes.
Segmento M-TOP: Personalização em ambiente digital
Com o objectivo de oferecer serviços cada vez mais ajustados ao comportamento dos seus Clientes, o Banco lançou o segmento M-TOP, destinado a utilizadores com perfil digital intensivo. A proposta inclui serviços remotos, produtos exclusivos e um atendimento personalizado para um público que privilegia a autonomia total.
Compromisso com a excelência e inclusão financeira
Presente em todas as províncias do país com 195 balcões, dos quais 63 localizados em zonas rurais, o Millennium bim alia a presença física à inovação tecnológica. Mais de 70% dos seus Clientes já utilizam activamente os canais digitais — uma evidência clara da mudança estrutural no relacionamento com o sistema bancário.
Com um historial de prémios e reconhecimento continental, o Millennium bim continua entre os 100 maiores bancos de África e mantém a liderança do sector em Moçambique, não apenas pela sua dimensão, mas pelo seu foco em transformação digital e excelência no serviço ao Cliente.
Profile Mozambique: Telma, tem um percurso notável que cruza continentes, sectores e culturas. Como é que esta diversidade de experiências moldou a sua abordagem à liderança e ao desenho de estratégias de remuneração?
Telma Le Guen: As várias geografias, sectores e culturas pelas quais passei ensinaram-me que a liderança exige adaptabilidade, clareza e sensibilidade ao contexto. Na remuneração, isso traduz-se na recusa de soluções genéricas. O que resulta em Lagos pode falhar em Maputo. Uma política salarial eficaz deve respeitar o quadro legal, as expectativas locais e o ambiente económico.
Liderar equipas ou aconselhar executivos implica equilibrar a leitura macroeconómica com a experiência humana, cada cultura valoriza a remuneração de maneira distinta. Assim, a remuneração deve ir além do salário base, é uma ferramenta estratégica para retenção, desempenho e cultura organizacional.
Telma Le Guen, Consultora especializada em Compensação e Benefícios (C&B).
PM: Em poucas palavras, como definiria o propósito que a move neste momento da sua carreira profissional?
TLG: O meu propósito é claro, ajudar empresas africanas a tornarem-se competitivas na atracção e retenção de talento através de estratégias de remuneração inteligentes, justas e sustentáveis. Foi com essa visão que fundámos a Workrate para democratizar o acesso a dados fiáveis e tornar as decisões mais informadas.
Uma boa política salarial transforma vidas: beneficia não só os colaboradores, mas também as suas famílias e comunidades. As empresas precisam de respostas concretas sobre competitividade, equidade e retorno do investimento em pessoas e é esse o trabalho que me move.
PM: A remuneração deixou de ser apenas um número no fim do mês. Que tendências globais está a observar na forma como as empresas Africanas pensam e praticam remuneração?
TLG: A mudança é evidente: remuneração hoje é entendida como uma experiência total. Os colaboradores já não querem apenas saber quanto vão ganhar, mas sim o que ganham em qualidade de vida, propósito e reconhecimento. Há uma valorização crescente de factores como flexibilidade, bem-estar e cultura organizacional.
Em África, a pressão vem de vários lados: inflação, escassez de talento e novas formas de trabalho. As empresas têm de repensar os seus pacotes de compensação e comunicar melhor o valor que oferecem aos seus colaboradores. Transparência e alinhamento com a realidade actual são fundamentais.
PM: Na sua visão, que factores devem estar no centro de uma política de remuneração eficaz em mercados emergentes como Moçambique ou Maurícias?
TLG: A base está na inteligência contextual. Uma boa política deve assentar em quatro pilares: capacidade de resposta às condições económicas, equidade e clareza na comunicação, simplicidade no modelo e relevância para o contexto local. É fundamental que os colaboradores percebam como são remunerados e confiem na equidade dos processos. Em ambientes onde faltam dados e estruturas formais, a tecnologia pode ser a ponte para decisões mais conscientes e sustentáveis.
PM: Quais são os erros mais comuns que encontra em organizações que tentam reestruturar os seus modelos de compensação e benefícios?
TLG: Há padrões que se repetem: cortes cegos ou aumentos reativos, imitação de modelos estrangeiros sem contextualização, desvalorização das desigualdades internas e falhas na comunicação. Uma boa estratégia de remuneração exige tanto gestão técnica como gestão de mudança. Se os colaboradores não compreendem a lógica por trás das decisões, até um modelo bem construído pode fracassar.
PM: A Workrate posiciona-se como uma plataforma de inteligência de remuneração. Que tipo de decisões esta tecnologia ajuda a informar?
TLG: A plataforma TheWorkrate™ apoia decisões estratégicas como revisão salarial, gestão de riscos de talento, desenho de incentivos e planeamento orçamental. Para comités executivos, ela fornece dados precisos sobre competitividade salarial, gaps internos e retorno sobre investimento em capital humano. Isto traduz-se numa gestão de risco mais eficaz. Em contextos de crescimento ou pressão, permite deixar de agir por impulso e passar a liderar com base numa estratégia estruturada.
PM: Como garantir que a digitalização dos processos de C&B não retira o elemento humano da equação?
TLG: A tecnologia deve servir para empoderar pessoas, não substituí-las. A nossa plataforma é construída para apoiar decisões informadas e fomentar conversas com clareza e empatia. A visualização de dados e os benchmarks são ferramentas que permitem uma comunicação mais transparente entre gestores e colaboradores. O factor humano é insubstituível e continua a ser central na construção de confiança e cultura organizacional.
PM: Como é que os dados e benchmarks correctos podem ajudar empresas Africanas a competir globalmente em matéria de talento e produtividade?
TLG: Com o talento a circular globalmente e muitos profissionais africanos a trabalhar remotamente para empresas no exterior, as empresas locais precisam de alinhar-se com novas exigências. A chave está em oferecer pacotes competitivos, mas sustentáveis, com base em dados locais actualizados. As organizações que não se adaptarem, ficarão para trás num continente que será casa de 25% da população mundial até 2050.
PM: Num cenário de alta inflação e mercados voláteis, como aconselha os seus clientes a equilibrar pressão orçamental com justiça interna e atracção de talento?
TLG: É nesses contextos que a estratégia de recompensas totais é mais necessária. Combinar incentivos financeiros e não financeiros com inteligência e foco. A equidade interna não pode ser sacrificada. É preciso ter grelhas salariais claras, ferramentas de monitorização e, acima de tudo, comunicar com regularidade. A pressão orçamental deve ser um catalisador para inovar com responsabilidade, não um motivo para ceder à improvisação.
É uma consultora especializada em compensação e benefícios (C&B), com uma vasta experiência na criação de estruturas de compensação e na gestão de programas de benefícios envolvendo orçamentos de milhões de dólares em mais de 30 países em África e Médio Oriente.
A sua experiência em C&B vai desde a concepção de estruturas de remuneração para empresas emergentes, harmonização de planos de C&B até ao desinvestimento. Concebeu políticas de C&B regionais e nacionais, incorporando processos da sua administração, e geriu processos de aumento salariais para vários países.
Desenvolveu e conduziu formações a diversos grupos multiculturais (líderes de RH, Executivos e colaboradores) para temas como a arquitectura de cargos, desenvolvimento de estruturas salariais, bem-estar corporativo e como gerir comunicação de C&B com os colaboradores. Ela tem uma empresa de consultoria, ConsulTRAD, e é a fundadora da TheWorkrate™.
Profile Mozambique: Telma, you have a remarkable journey that spans continents, sectors, and cultures. How has this diversity of experience shaped your approach to leadership and compensation strategy design?
Telma Le Guen: The various geographies, sectors, and cultures I’ve been part of have taught me that leadership demands adaptability, clarity, and sensitivity to context. In compensation, that translates into a rejection of one-size-fits-all solutions. What works in Lagos might fail in Maputo. An effective salary policy must respect the legal framework, local expectations, and the economic environment.
Leading teams or advising executives requires balancing macroeconomic insight with the human experience—each culture values compensation differently. Therefore, compensation must go beyond base salary; it is a strategic tool for retention, performance, and organizational culture.
PM: In a few words, how would you define the purpose driving you at this stage of your career?
TLG: My purpose is clear: to help African companies become more competitive in attracting and retaining talent through smart, fair, and sustainable compensation strategies. That’s the vision behind the founding of Workrate—to democratize access to reliable data and enable more informed decision-making. A strong salary policy can change lives—it benefits not only employees but also their families and communities. Companies need concrete answers on competitiveness, equity, and return on investment in people, and that’s the work that drives me.
Telma Le Guen, Consultant specialized in Compensation & Benefits (C&B).
PM: Compensation is no longer just a number at the end of the month. What global trends are you seeing in how African companies think about and practice compensation?
TLG: The shift is clear: compensation today is understood as a total experience. Employees no longer only ask how much they’ll earn, but what they gain in terms of quality of life, purpose, and recognition. There’s a growing appreciation for factors like flexibility, wellbeing, and organizational culture.
In Africa, pressure comes from all sides: inflation, talent scarcity, and new ways of working. Companies must rethink their compensation packages and communicate better the value they offer employees. Transparency and alignment with the current reality are essential.
PM: In your view, what factors should be at the center of an effective compensation policy in emerging markets such as Mozambique or Mauritius?
TLG: The foundation is contextual intelligence. A strong policy should rest on four pillars: responsiveness to economic conditions, equity and clarity in communication, simplicity in the model, and relevance to the local context.
It’s crucial that employees understand how they are compensated and trust the fairness of the process. In environments where data and formal structures are lacking, technology can be the bridge to more conscious and sustainable decisions.
PM: What are the most common mistakes you see in organizations trying to restructure their compensation and benefits models?
TLG: There are recurring patterns: blind cost-cutting or reactive increases, copying foreign models without contextualization, overlooking internal inequalities, and communication failures.
A good compensation strategy requires both technical management and change management. If employees don’t understand the rationale behind decisions, even a well-designed model can fail.
PM: Workrate positions itself as a compensation intelligence platform. What kind of decisions does this technology help inform?
TLG: TheWorkrate™ platform supports strategic decisions such as salary reviews, talent risk management, incentive design, and budget planning. For executive committees, it provides accurate data on salary competitiveness, internal gaps, and return on investment in human capital. This leads to more effective risk management.
In contexts of growth or pressure, it allows companies to move away from impulsive actions and lead with a structured strategy.
PM: How can digitalization of C&B processes avoid eliminating the human element from the equation?
TLG: Technology should empower people, not replace them. Our platform is built to support informed decisions and foster conversations with clarity and empathy. Data visualization and benchmarks are tools that enable more transparent communication between managers and employees.
The human factor is irreplaceable and remains central to building trust and organizational culture.
PM: How can accurate data and benchmarks help African companies compete globally for talent and productivity?
TLG: With talent now circulating globally and many African professionals working remotely for companies abroad, local businesses must align with new expectations. The key is to offer competitive yet sustainable packages, based on up-to-date local data. Organizations that fail to adapt will fall behind on a continent that will be home to 25% of the world’s population by 2050.
PM: In a context of high inflation and volatile markets, how do you advise your clients to balance budgetary pressure with internal fairness and talent attraction?
TLG: These are precisely the scenarios where a total rewards strategy is most needed, combining financial and non-financial incentives with intelligence and focus. Internal equity cannot be sacrificed.
You need clear salary grids, monitoring tools, and, above all, regular communication. Budget pressure should be a catalyst for responsible innovation, not a reason to fall into improvisation.
She is a consultant specialized in Compensation & Benefits (C&B), with extensive experience in designing compensation structures and managing benefit programs involving multimillion-dollar budgets across more than 30 countries in Africa and the Middle East.
Her C&B expertise ranges from building pay structures for emerging companies and harmonizing regional plans to supporting divestments. She has designed regional and national C&B policies, incorporated administration processes, and managed salary increase processes across several countries.
Telma has also developed and delivered training sessions to diverse multicultural groups (HR leaders, executives, and employees) on topics such as job architecture, salary structure development, corporate wellbeing, and how to communicate C&B with employees. She runs the consulting firm ConsulTRAD and is the founder of TheWorkrate™.
Estabilidade da taxa de referência reflecte cautela perante risco país, inadimplência e reservas obrigatórias elevadas;
Prime Rate mantém-se em 18% pelo segundo mês consecutivo;
Indexante Único situa-se em 11,80%, reflectindo média do mercado interbancário;
Prémio de Custo permanece elevado (6,20%) devido ao risco país e crédito malparado;
Medida afecta novos contratos, renovações e renegociações com taxa variável
Transparência no cálculo visa reforçar credibilidade do sistema bancário
A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano permanece em 18% no mês de Maio, segundo anunciou a Associação Moçambicana de Bancos. O índice resulta da soma do Indexante Único (11,80%) e de um Prémio de Custo elevado (6,20%), que reflecte a persistência de riscos estruturais na banca nacional, incluindo taxas de incumprimento e exigências de liquidez.
A taxa de referência para operações de crédito com juro variável — conhecida como Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano — mantém-se em 18% no mês de Maio de 2025. Esta taxa é composta pelo Indexante Único, actualmente em 11,80%, e pelo Prémio de Custo, fixado em 6,20%, conforme estabelecido pelo acordo entre o Banco de Moçambique e a AMB.
O Indexante Único reflecte o custo médio das operações no mercado monetário interbancário para vencimentos overnight, incluindo operações com o banco central, repos entre bancos e permutas de liquidez. A actual taxa MIMO, base do indexante, permanece em 11,75%.
O Prémio de Custo continua elevado devido à conjugação de factores de risco sistémico: (i) rácio elevado de crédito malparado, (ii) níveis exigentes de reservas obrigatórias, e (iii) rating soberano abaixo do grau de investimento, todos elementos que encarecem o custo do crédito para os bancos e, consequentemente, para os seus clientes.
A Prime Rate aplica-se a todos os novos contratos de crédito, bem como a renegociações e renovações, com spreads adicionais definidos conforme a análise de risco de cada instituição. Esta abordagem visa harmonizar e tornar mais transparente o processo de fixação de taxas variáveis, promovendo uma melhor transmissão da política monetária.
Apesar de estável, a manutenção da Prime Rate em níveis elevados impõe desafios à retoma económica, especialmente num momento em que sectores como o agro-negócio, habitação e pequenas empresas clamam por maior acesso ao crédito produtivo.