Friday, April 17, 2026
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Banco Mundial injecta 9,5 mil milhões de meticais no Orçamento

O Banco Mundial vai desembolsar este ano cerca de 9,58 mil milhões de meticais (equivalentes a 134,4 milhões de euros) para apoio directo ao Orçamento do Estado de Moçambique, correspondente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados oficiais divulgados recentemente.

De acordo com um relatório do Governo, o apoio financeiro directo do Banco Mundial manter-se-á nos mesmos níveis de 2024. Entretanto, prevê-se um aumento na componente de financiamento programático, que deverá atingir este ano aproximadamente 29,97 mil milhões de meticais (420,3 milhões de euros), equivalendo a 1,9% do PIB nacional.

As previsões do Executivo apontam ainda para um incremento de 37,8% nas doações provenientes de outras instituições internacionais, num total estimado em 909,9 milhões de dólares (802,5 milhões de euros), além de 468,3 milhões de dólares (413 milhões de euros) em empréstimos externos.

Este reforço do apoio financeiro insere-se no quadro das parcerias estratégicas entre Moçambique e o Banco Mundial, tendo sido reiterado pelo presidente daquela instituição, Ajay Banga, durante o encontro realizado em Abril do ano passado, em Washington, com o então Presidente da República, Filipe Nyusi.

Na ocasião, Ajay Banga destacou o papel estratégico de Moçambique como futura base do mercado regional de energia eléctrica na África Austral. “Falámos sobre o progresso económico que o país tem vindo a alcançar, a melhoria do crescimento e da estabilidade inflacionária. Mas, sobretudo, debatemos o futuro da juventude e a importância de investir no seu potencial”, declarou Banga, à saída do encontro.

O líder do Banco Mundial salientou igualmente os avanços na electrificação nacional, não só para satisfazer a procura interna, mas também no posicionamento de Moçambique como plataforma de fornecimento para a região. “Este é um excelente passo em frente”, afirmou.

Apesar dos progressos registados, Ajay Banga sublinhou que há ainda um caminho a percorrer, particularmente na mobilização de investimentos conjuntos entre o Governo e o sector privado, não apenas na energia, mas também no turismo, infra-estruturas e outras áreas estratégicas. “O nosso compromisso é continuar a trabalhar em parceria para transformar o potencial do país em oportunidades concretas de emprego e desenvolvimento,” concluiu.

Com este apoio reforçado e novas parcerias em perspectiva, Moçambique consolida a sua posição como destino estratégico de investimentos para o desenvolvimento sustentável na região.

BdM: Exportações de bens renderam a Moçambique 8,2 mil milhões de dólares em 2024

As vendas de bens realizadas pela economia moçambicana para o resto do mundo em 2024 renderam ao País 8,2 mil milhões de dólares (correspondente a 37,2% do PIB), o que significa uma redução de 1% quando comparado com o ano anterior.

Os dados constam no Relatório Anual da Balança de Pagamentos (BoP), divulgado na última quinta-feira (05) pelo Banco de Moçambique (BdM).

Segundo o relatório a que o PROFILE teve acesso, a redução registada nas receitas de exportação é justificada pela queda das vendas dos produtos da economia tradicional em 5%, num cenário em que as exportações dos Grandes Projectos (GP) registaram um ligeiro aumento de 0,5%.

“A redução das exportações da economia tradicional em cerca de 96 milhões de dólares deveu-se, essencialmente, à diminuição das vendas de rubis, no valor de 153 milhões de dólares, resultado do  efeito conjugado da redução da qualidade do rubi, com impacto no preço do leilão e da tensão pós-eleitoral, que condicionou a produção”, lê-se no documento.

Adicionalmente, o relatório relata igualmente que o algodão teve um grande impacto na queda de receitas de exportações para Moçambique. Segundo o BdM, o algodão rendeu ao País 14 milhões de dólares, o que significa uma redução acima de 100%, quando comparado com o ano de 2023.

“Este desempenho foi consequência da queda em cerca de 9% do preço da fibra de algodão no mercado internacional, entre outros factores.”

Assim, as receitas provenientes da exportação do tabaco e de legumes e hortícolas registaram uma evolução positiva na ordem de 40% e 11%, respectivamente.

“O acréscimo nas receitas do tabaco foi justificado pelo incremento do volume de vendas em 63%, num contexto de estabilidade de preços, totalizando 217 milhões de dólares. Já para legumes e hortícolas, o incremento das vendas destes produtos em 11 % para 167 milhões de dólares, foi influenciado pela retoma à normalidade do processo de produção e do escoamento dessas culturas, após terem sido afectadas pelas condições climatéricas adversas que assolaram o País em 2023”, detalha o boletim.

Mais adiante, o relatório do BdM aponta, igualmente, que as receitas da castanha de caju e do açúcar tiveram também destaque neste período em análise. “As exportações da castanha de caju cresceram 72% para 98 milhões de dólares enquanto as do açúcar atingiram 36 milhões, o que equivale um incremento de 50%”, assinala o BoP, sublinhando que “este comportamento deve-se à recuperação da produção após os efeitos climáticos adversos ocorridos em 2023”.

No caso dos Grandes Projectos, o documento explica que o aumento em 30 milhões de dólares para 6,2 mil milhões foi influenciado pelo acréscimo nas receitas do gás em 241 milhões e da energia eléctrica em 31 milhões de dólares.

“O crescimento das receitas do gás natural é associado ao aumento da exportação do gás da Área 4 da Bacia do Rovuma, num contexto em que o preço médio no mercado internacional baixou 15%. Quanto à energia eléctrica, o incremento continua sendo sustentado pela revisão em alta do preço de exportação aplicado aos principais clientes, pela principal empresa exportadora deste produto”, refere.

No geral, o BdM considera que a queda dos preços no mercado internacional e da redução do volume exportado para alguns produtos da indústria extractiva foram as principais razões que ditaram a evolução negativa das receitas dos principais produtos dos Grandes Projectos no ano de 2024, destacando “o carvão mineral que rendeu 2 mil milhões de dólares contra 2,2 mil milhões de 2023”. As areias pesadas é um dos produtos que também mereceram destaque por ter arrecadado 467,7 milhões em receitas, contra 514,6 milhões de dólares no ano anterior.

A Índia, China e África do Sul foram os principais destinos dos produtos moçambicanos durante o período em referência.

Indústria extractiva perdeu 100 mil milhões de meticais em 2024

Os mega-projectos e concessões empresariais da indústria extractiva fecharam o ano passado em baixa, com prejuízos financeiros na ordem de 99,9 mil milhões de meticais, segundo o relatório da Conta Geral do Estado.

Esse fracassado desempenho financeiro deveu-se, sobretudo, aos projecto de alumínio, da Mozal, e de carvão mineral, da Vulcan e Minas de Revúbuè. Em conjunto, esses projectos acumularam perdas de 112 milhões de meticais.

Entretanto, os mega-projectos e concessões empresariais contribuíram com 24,9 milhões de meticais para a receita do Estado. Esse saldo não incluiu as taxas de concessão.

Contrariamente ao exercício económico do ano de 2023, os mega*projectos e as concessões empresariais, no exercício económico do ano de 2024, não pagaram dividendos aos seus accionistas, incluindo o Estado moçambicano.

O relatório aponta ainda que, do total das receitas de concessões, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) contribuiu com o equivalente a 49,1%, seguido do Maputo Port Development Company (MPDC) com 25,1%, Corredor do Desenvolvimento do Norte com 7,9%, Movitel com 7,4%, Corredor Logístico Integrado de Nacala-a-velha com 3,3% e REVIMO com 1,5%. (STV/O PAIS)

Moçambique atrai 4,1 mil milhões USD em IDE em 2024, mas continua dependente dos megaprojectos

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) consolidou-se, em 2024, como principal fonte de financiamento externo de Moçambique, ao atingir 4.087,1 milhões de dólares norte-americanos, o que representa um crescimento de 46,3 por cento em relação ao ano anterior. A informação consta do mais recente relatório do Banco de Moçambique sobre a Balança de Pagamentos.

Segundo o documento, o aumento expressivo do IDE deve-se, em grande medida, à dinamização do projecto de gás natural liquefeito (GNL) na Área 1 da Bacia do Rovuma, bem como a investimentos adicionais nos sectores de areias pesadas e minerais energéticos. Estes sectores, inseridos nos chamados grandes projectos, continuam a absorver a maior fatia do capital estrangeiro.

Ainda assim, o relatório adverte que a concentração de mais de 95 por cento do IDE em sectores extractivos expõe a economia nacional a riscos de volatilidade nos mercados internacionais e revela uma baixa diversificação da carteira de investimentos. Áreas como a agricultura, indústria transformadora e turismo continuam a receber investimentos residuais.

A origem do capital estrangeiro em 2024 foi, maioritariamente, de jurisdições da União Europeia, Emirados Árabes Unidos e países asiáticos, com destaque para multinacionais do sector energético e mineiro.

O IDE respondeu por 73,7 por cento do total de entradas líquidas na conta financeira, tendo contribuído significativamente para o financiamento do défice da conta corrente, estimado em -3.376,2 milhões USD, e para o reforço das reservas internacionais líquidas, que subiram para 3.454,2 milhões USD, face aos 3.103,3 milhões registados no período anterior.

Apesar dos ganhos, o Banco de Moçambique sublinha a necessidade de o país canalizar parte dos fluxos de IDE para sectores com maior valor acrescentado local, através de políticas activas de diversificação, melhoria do ambiente de negócios e incentivos fiscais orientados à produção nacional.

Banco Central: Custo de vida poderá baixar, economia deve crescer

O Banco de Moçambique (BM) diz que a medida de redução do preço das portagens, da água e da prorrogação da isenção do IVA em alguns produtos poderá contribuir para a redução progressiva do custo de vida.

Um documento sobre conjuntura económica e perspectivas de inflação do Banco Central, a que a AIM teve acesso, aponta as projecções que alistam a manutenção da inflação em um dígito, no médio prazo, resultante da combinação de vários eventos.

“A tendência para abrandamento dos preços dos bens e serviços no mercado internacional, a estabilidade do metical, a isenção do IVA sobre determinados produtos essenciais e a redução das taxas de portagens”, engrossam a lista dos eventos que poderão tornar realidade as projecções do Banco Central.

O documento reconhece a persistência de riscos e incertezas consideráveis, de natureza sobretudo interna, que impõem desafios à manutenção deste cenário, com destaque para os impactos do crescente agravamento da situação fiscal, a incerteza quanto à velocidade de recuperação da capacidade produtiva e de oferta de bens e serviços, assim como os efeitos dos choques climáticos.

“Relativamente à actividade económica, excluindo o sector do gás natural liquefeito, perspectiva-se um crescimento económico moderado, a reflectir, sobretudo, o desempenho dos sectores primário (agricultura e carvão mineral) e terciário (serviços), suportado pela reposição gradual da capacidade produtiva e de logística”, refere o documento.

O crescimento poderá ocorrer “não obstante as incertezas quanto aos impactos dos choques climáticos na produção agrícola e nas infra-estruturas diversas e dos efeitos da tensão pós-eleitoral sobre os sectores de actividade”.

Em linha com estas tendências, o Banco de Moçambique reduziu, recentemente, a taxa de juro de referência de 11.75 por cento para 11 por cento.

Importações reduziram em 9,0% em 2024

Container loading in a Cargo freight ship with industrial crane. Container ship in import and export business logistic company. Industry and Transportation concept.

O Relatório da Balança de Pagamentos de 2024 revela que a factura de importações se situou em 8.375 milhões de USD, em 2024, o correspondente a 37,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O facto representa uma redução de 9.0% em relação a 2023, influenciada pela queda das importações de bens da economia tradicional (14%).

De acordo com o documento, os bens intermédios representaram cerca de 31% do total das importações, tendo custado ao país 2.579 milhões de USD, o que corresponde a uma redução anual de 16%, influenciada pela contenção na aquisição do alumínio bruto (54%), material de construção, excluindo o cimento (17%) e combustíveis (16,0%).

Quanto aos bens de consumo, com um peso de 25% do total dos gastos com importações, conheceram uma queda anual de 10%, fixando-se em 2.063 milhões de USD, ressentindo-se da diminuição nos gastos com os medicamentos e reagentes (28%), trigo (19%), óleo alimentar (17%) e automóveis (8%).

Por sua vez, a importação de bens de capital registou uma contracção de 16% para 1.474 milhões de USD, explicada pela redução na compra de maquinaria diversa (15%) e tractores e semi-reboques (30%).

O Relatório destaca que a vizinha África do Sul continua a ser a principal fonte de origem das importações moçambicanas, com um peso de 25%, que corresponde ao montante de 2.094 milhões de USD. A energia eléctrica, automóveis para transporte de mercadorias, barras de ferro e farinha de cereais são os principais produtos que Moçambique compra daquele país da África Austral.

Por sua vez, a China aparece em segunda posição, detendo um peso de 17% do total das importações, destacando-se pelo fornecimento de tractores, automóveis para transporte de mercadorias, diversa maquinaria pesada e pesticidas diversos.

Já os Emirados Árabes Unidos fecham o pódio, com um contributo de 6% nas importações, destacando-se no fornecimento de combustíveis, cimento, arroz e máquinas diversas, entre outros, cujo custo total ascendeu a 483 milhões de USD.

Grupo chinês anuncia instalação de fábrica de aço no norte do país

O norte de Moçambique poderá, a curto prazo, acolher a instalação de uma fábrica de aço, com base no uso de carvão nacional e centrada na transformação local de minérios. O projecto visa impulsionar a industrialização e aumentar a produção de bens com valor acrescentado no território nacional.

O anúncio foi feito esta segunda-feira (02) pelo presidente do Conselho de Administração do grupo empresarial chinês Wang-Kang Safira, Zhong He Liu, durante uma audiência com o Presidente da República, Daniel Chapo, em Maputo.

“Nós queremos fazer uma fábrica de aço no norte e produzir produtos aqui em Moçambique”, afirmou o empresário, acrescentando que o grupo pretende diversificar os investimentos industriais com o objectivo de acelerar o crescimento económico do País.

Além da futura unidade siderúrgica, o grupo anunciou planos para a criação de uma zona económica especial no distrito da Moamba, província de Maputo, onde já opera a fábrica Safira Moçambique Cerâmica, inaugurada em Setembro de 2024 e considerada uma das maiores do sector em África.

“O primeiro passo é estabelecer uma zona económica especial em Moamba”, disse Zhong, que destacou o apoio institucional recebido desde o início dos investimentos no País. “O Presidente conhece-nos, temos a fábrica de cerâmica em Moamba, e fomos encorajados a continuar a investir e a ajudar a população e a economia de Moçambique.”

Durante a audiência, o chefe de Estado moçambicano saudou o compromisso do grupo e incentivou a expansão de investimentos com enfoque na criação de empregos e no bem-estar das comunidades. A reunião serviu também para avaliar os progressos das iniciativas em curso e identificar novas oportunidades de cooperação económica com o País.

O Grupo Wang-Kang, de origem chinesa, é um conglomerado com presença destacada na indústria transformadora. Desde a sua entrada no mercado moçambicano, em 2024, através da Safira Moçambique Cerâmica, tem vindo a afirmar-se como parceiro estratégico para a industrialização nacional, empregando centenas de moçambicanos e posicionando o país como uma referência na produção cerâmica no continente africano.

New AIMO Leadership Aims to Stimulate Local Production

The new leadership of the Industrial Association of Mozambique (AIMO), headed by Paulo Chibanga, has committed to promoting active policies to stimulate local production, with a particular focus on industrialization, promoting Mozambican content, and reducing dependency on imported goods.

Speaking in Maputo at the closing of the Association’s 16th Ordinary General Assembly, which elected the new governing bodies for the 2025–2030 term, Chibanga stated that industrialization will be a strategic pillar of this new cycle, alongside intensified institutional advocacy with public and private entities.

“We want to encourage local production, defend the interests of Mozambican industry, and promote the export of value-added goods produced in the country,” said Chibanga, who also emphasized the importance of industrial exemptions as a means to strengthen the competitiveness of national companies.

The new leadership of AIMO has also identified as priorities the promotion of internal cohesion among its members, the development of new industrial units, and the strengthening of the private sector’s leadership capacity.

As part of the innovations introduced in this mandate, AIMO has established an Advisory Council, a strategic support body to the leadership, composed of individuals of recognized merit from the business, academic, and institutional sectors. According to the organization, the objective is to guide the association’s actions towards creating a more competitive, dynamic, and sustainable business environment.

Nova direcção da AIMO pretende estimular a produção local

A nova direcção da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), liderada por Paulo Chibanga, assumiu o compromisso de promover políticas activas de estímulo à produção local, com destaque para a industrialização, defesa do conteúdo moçambicano e redução da dependência face a produtos importados.

Em declarações prestadas na cidade de Maputo, no encerramento da 16.ª Assembleia-Geral Ordinária da agremiação, que elegeu os novos órgãos sociais para o mandato 2025-30, Chibanga afirmou que a industrialização será um eixo estratégico do novo ciclo, a par da intensificação da advocacia institucional junto das entidades públicas e privadas.

“Queremos incentivar a produção local, defender os interesses da indústria moçambicana e promover a exportação de bens com valor acrescentado produzido no País”, afirmou o dirigente, que destacou igualmente a importância de isenções industriais como medida para reforçar a competitividade das empresas nacionais.

A nova liderança da AIMO aponta ainda como prioridade a promoção da coesão interna entre os seus membros, o fomento de novas unidades industriais e o reforço da capacidade de liderança do sector privado.

Como parte das inovações introduzidas neste mandato, foi criado o Conselho Consultivo da AIMO, uma estrutura de apoio estratégico à direcção, composta por personalidades de reconhecido mérito nos meios empresarial, académico e institucional. O objectivo, segundo a organização, é orientar a acção da associação para a criação de um ambiente de negócios mais competitivo, dinâmico e sustentável.

Conheça os novos representantes dos pelouros da CTA

Num acto solene realizado esta semana, na cidade de Maputo, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) procedeu à investidura oficial dos presidentes e vice-presidentes dos 23 globos sectoriais e transversais da Confederação. O evento contou com a presença do Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, em representação do Governo, e foi dirigido pelo Presidente da CTA, Álvaro Massingue. A cerimónia marcou o início de um novo ciclo de governação económica no seio da Confederação, orientado para a inclusão, especialização e obtenção de resultados concretos em prol do sector privado nacional.

No seu discurso de ocasião, Álvaro Massingue sublinhou que o acto representa mais do que uma formalidade protocolar, simbolizando antes o compromisso renovado da CTA com a defesa activa dos interesses do sector privado, num contexto em que Moçambique enfrenta múltiplos desafios socioeconómicos, desde a recuperação pós-crise até às transformações estruturais exigidas pela transição energética, digital e climática.

Presidente da CTA, Álvaro Massingue

“O sucesso da nossa Confederação depende do compromisso e entrega de cada um dos líderes colectivos investidos. Esperamos de todos espírito de missão, competência técnica, abertura ao diálogo e atitude proactiva e reformista”, declarou Massingue perante empresários, dirigentes institucionais e membros do Governo presentes na cerimónia.

Planos sectoriais e transversais em foco

Durante a sua intervenção, o presidente da CTA destacou a relevância estratégica dos novos planos sectoriais e transversais que orientarão a acção da organização nos próximos anos. Cada plano, segundo disse, terá a missão de liderar a agenda económica do sector privado, dialogando de forma articulada com os órgãos do Governo e com os parceiros públicos e privados, para melhorar o ambiente de negócios e promover o crescimento inclusivo.

Entre os planos destacados estão os da agricultura, indústria, transportes e logística, turismo, recursos naturais e energia, inovação e transformação digital, bem como os dedicados às mulheres empresárias, juventude empreendedora e pequenas e médias empresas.

“O Plano de Planeamento e Conteúdo Local assumirá um papel central na promoção de políticas que assegurem maior participação das empresas moçambicanas nas cadeias de valor dos megaprojectos e da indústria extractiva, impulsionando uma industrialização inclusiva”, frisou Massingue.

Igualmente, chamou a atenção para a importância de planos como o de Turismo, que pretende reposicionar Moçambique como destino turístico competitivo e sustentável, e o de Infraestruturas, que irá dinamizar investimentos em construção civil, habitação e transporte, privilegiando parcerias público-privadas.

Uma confederação mais forte e representativa

A liderança da CTA assume, com este novo elenco, o desafio de reforçar o diálogo público-privado, promover a advocacia de reformas estruturantes e acompanhar de perto os principais dossiers económicos nacionais e internacionais.

“Queremos uma CDA mais presente, eficaz e representativa dos legítimos interesses do setor privado moçambicano. Esta investidura é, por isso, um acto de compromisso e responsabilidade colectiva”, reiterou o presidente da CTA.

O acto ficou igualmente marcado por palavras de reconhecimento aos líderes cessantes, pelo contributo prestado ao longo dos seus mandatos, e pelo apelo à sua contínua colaboração, partilhando a experiência acumulada para o fortalecimento do sector privado nacional.

Secretário de Estado do Comércio, António Grispos

A investidura dos novos dirigentes setoriais surge numa fase decisiva para a economia nacional, marcada por desafios como a queda na produção de minerais estratégicos, caso recente da suspensão da mina de grafite de Balama, em Cabo Delgado, e pelas exigências de adaptação aos novos paradigmas económicos globais.

Com esta cerimónia, a CTA reafirma o seu papel como principal interlocutor do sector privado junto do Governo e parceiro estratégico na promoção de um ambiente económico mais competitivo, inclusivo e sustentável. (PROFILE)