Saturday, June 27, 2026
spot_img
Home Blog Page 491

CTA garante que CASP não falha em 2022

Num balanço havido em Dezembro último sobre o ano de 2021, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) garantiu que, neste ano, a Conferência Anual do Sector Privado (CASP) não vai falhar, depois de não se realizar nos últimos dois anos.

Discursando no evento, sobre perspectivas, o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, começou por sublinhar que a Confederação e aliados pretendem iniciar 2022 com muito afinco. Para este ano, a CTA projecta realizar a primeira edição do ano do Economic Briefing no dia 23 de Fevereiro, que terá lugar na Província de Nampula.

Segundo Vuma, esta edição irá marcar o ponto de partida para o exercício que se pretende consolidar, de levar o debate sobre o desempenho empresarial para as diferentes regiões do solo pátrio.

“Subsequentemente, após o adiamento, projectamos realizar a 17ª Conferência Anual do Sector Privado – CASP em Março de 2022, mantendo o lema: Reformando o Ambiente de Negócios para a Recuperação Económica, onde iremos apresentar o relatório do Índice de Conteúdo Local e o respectivo ranking das empresas, visando, de entre outros, aferir o estágio do conteúdo local em Moçambique e contribuir para a participação das PME nos grandes projectos”, assinalou o Presidente da CTA.

Além dessas perspectivas, o sector privado espera, em 2022, o alívio das 25 medidas restritivas no âmbito da Covid-19. Antevê ainda que a chegada da plataforma flutuante de produção de gás natural do projecto Coral Sul e o início da exploração do gás no país abram uma página promissora na industrialização do país e nas oportunidades de inserção das Pequenas e Médias e Empresas na cadeia de valor da indústria do Petróleo e Gás, de modo que o desempenho empresarial possa recuperar progressivamente, acompanhando a trajectória de recuperação da economia de forma geral.

Em meio à prevalência de tamanhas adversidades, Vuma exortou os empresários para que continuem apostando na capacidade de reinvenção e proactividade para responder ao imperativo de “assegurarmos a continuidade e a revitalização dos negócios e, deste modo, contribuímos para o crescimento económico e para o bem-estar social”.

“Para os nossos parceiros do Governo, por um lado, reiteramos a necessidade de estímulos para dinamizar a retoma económica e, por outro, a adopção de uma postura cautelosa no que respeita às medidas restritivas, tendo em conta o imperativo de resguardar o equilíbrio saúde-economia, numa altura em que nos deparamos com a nova variante Ómicron da Covid-19, sobre a qual ainda não há certezas sobre seu o impacto”, apelou Vuma.

Clima económico com sinais de recuperação no quarto trimestre

O indicador do clima económico (ICE) inverteu a tendência negativa que vinha registando desde o quarto trimestre de 2020, ao aumentar de forma ténue, tendo mesmo assim o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal.

De acordo com relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), sobre a matéria, esta conjuntura ligeiramente favorável da economia deveu-se, ao nível agregado, às perspectivas favoráveis da procura de emprego a curto prazo, dando assim sinais de recuperação da conjuntura económica.

“Se avaliarmos o indicador do clima económico por sector de actividade, constata-se que o aumento se deveu, fundamentalmente, à avaliação ligeiramente abonatória da conjuntura nos sectores dos serviços e da produção industrial que juntos suplantaram o sentimento negativo em relação à economia registado no sector de comércio”, descreve o INE em relatório.

No quarto trimestre de 2021, a Autoridade Estatística constatou ainda que o indicador da perspectiva da procura registou um incremento ligeiro se comparado com o trimestre anterior, tendo o respectivo saldo atingido o nível mais alto dos últimos três trimestres da série temporal. “O incremento ligeiro da procura futura no trimestre em análise deveu-se à avaliação positiva do indicador nos sectores dos serviços e da produção industrial que suplantaram o sector de comércio que previu em baixa a procura face ao terceiro trimestre”, explica a fonte.

No último trimestre do ano passado, o INE constatou igualmente que o indicador da perspectiva de emprego mostrou sinais de recuperação, facto que acontece após uma ligeira queda no trimestre anterior, tendo mesmo assim o seu saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. A Autoridade argumenta que a recuperação da perspectiva de emprego deveu-se à alta previsão do emprego futuro em todos os sectores, com maior destaque em termos de amplitude para o sector da produção industrial, que se expandiu no período em análise.

“O indicador de perspectiva dos preços prolongou a trajectória ascendente pelo segundo trimestre consecutivo, a um ritmo ligeiro, tendo o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. O incremento dos preços futuros no trimestre em análise deveu-se à convicção dos empresários dos sectores do comércio e dos serviços de que os preços iriam aumentar, contrariamente aos empresários do sector da produção industrial que previram em baixa os preços futuros”, observou o INE.

Por fim, a Autoridade Estatística Nacional constatou que, no período em análise, em média, 42% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo, situação que representou um incremento de 3% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior, com destaque para os sectores da produção industrial (48%) e de comércio (37%), facto contrário ao sector dos serviços (41%) que registou uma queda na proporção de empresas afectadas por algum obstáculo no seu desempenho no quarto trimestre.

União Europeia quer considerar gás como “energia verde”

A União Europeia quer rotular o gás como uma energia verde e, por isso, inofensivo ao ambiente. O pedido surge numa altura em que ambientalistas europeus já tinham pedido a suspensão do financiamento à exploração de gás de Moçambique.

Pode ser a salvação de Moçambique. É que, numa altura em que alguns ambientalistas movem um processo em tribunal para que o Governo britânico, por exemplo, pare de financiar a exploração do gás em Moçambique, a União Europeia prepara-se para que este recurso não seja mais considerado nocivo ao ambiente e, assim, poder ser usado para além de 2050, ano a partir do qual o velho continente espera estar com zero carbono na produção energética.

O plano pretende incluir usinas nucleares e usinas de gás natural como “energias verdes”, o que facilitaria o acesso dessas tecnologias ao financiamento dedicado a instalações que ajudam a combater as mudanças climáticas.

E não é só pensamento, já está escrito em projecto, o mesmo que está em discussão há meses e o esboço do texto, ainda provisório, foi enviado aos 27 Estados-membros pouco antes da meia-noite de 31 de Dezembro, tal como refere o portal G1. Dito de outra forma, caso o documento seja aprovado, Moçambique poderá ter mais mercados para exportar o gás natural que se espera que comece a ser explorado ainda este ano, sem muitas limitações ligadas ao clima.

Aliás, o gás produzido através da plataforma que esta semana chegou a Moçambique já tem um comprador fixo e é europeu. A British Petroleum tem um contrato de compra por 20 anos.

O documento da União Europeia estabelece os critérios para classificar investimentos em usinas nucleares ou de gás natural para geração de electricidade como “sustentáveis”. O projecto está de acordo com o objectivo europeu de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, mas agora já com o gás.

Todos estão interessados, mas há quem precise mais da aprovação do documento, tais são os casos da Polônia e República Checa, que querem substituir às suas altamente poluentes termo-eléctricas a carvão por recursos mais limpos.

O projecto também agrada a França, que acaba de assumir a presidência rotativa da União Europeia, e pretende retomar o seu parque energético nuclear, uma fonte de electricidade considerada pelo Governo de Macron como estável e de baixa emissão de carbono. O gás de Moçambique, uma vez mais, é uma opção. Aliás, a França tem investimentos avaliados em mais de 20 mil milhões de dólares na área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, através da Total, que, neste momento, está com actividades suspensas devido à insegurança.

Nem todos gostam da ideia. Alguns países europeus, como a Alemanha e o Luxemburgo, defendem que incluir o gás nas energias verdes é um erro. Mas, erro mesmo, de acordo com a proposta de Bruxelas, capital europeia, é considerar que o mundo pode alimentar-se de energias solar e eólica, justificando que apresentam um fornecimento intermitente, enquanto o gás, já não.

Os Estados-membros e especialistas consultados pela Comissão têm agora cerca de duas semanas para solicitar alterações ao documento. O texto final está previsto para ser publicado em meados de Janeiro.

Em todo o caso, e como não podia ser diferente, a Câmara Africana elogia a pretensão e diz que é uma forma de garantir a inclusão do continente africano, que, neste momento, precisa de se industrializar antes de se preocupar com o clima.

Negócios do sector privado cresceram a um ritmo lento em Dezembro

Os dados do relatório do último inquérito do Purchasing Managers Index (PMI) indicam uma expansão menos acentuada da economia do sector privado de Moçambique no fim de 2021, tendo o crescimento dos novos negócios conhecido o valor mais baixo dos últimos quatro meses.

A fonte refere que a produção cresceu igualmente em menor escala, enquanto os números referentes ao emprego subiram ligeiramente pelo segundo mês consecutivo. Entretanto, os esforços de redução do impacto dos custos elevados dos transportes deram origem a que as empresas adiassem as novas aquisições e utilizassem os stocks de meios de produção.

O principal valor calculado pelo PMI.

Metodologicamente determina que valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que valores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. “O valor de 50,6 do PMI em Dezembro foi indicativo de uma melhoria ligeira em termos de saúde da economia do sector privado moçambicano. O índice caiu para 52,0 em Novembro, o valor mais baixo dos últimos três meses”, relata a fonte.

O documento explica que a taxa de crescimento desceu para o valor mais baixo dos últimos quatro meses, sendo que várias empresas indicaram uma menor procura por parte dos clientes e problemas relacionados com o fluxo de caixa. Como resultado, os níveis de produção expandiram de forma ligeira e num ritmo menos acentuado do que o verificado em Novembro.

“Esta quebra ajudou as empresas a cumprir encomendas em atraso, que diminuíram ligeiramente em Dezembro. Como consequência, o ritmo de criação de emprego continuou baixo”, lê-se no relatório do PMI.

De acordo com o documento que temos vindo a citar, em Dezembro o desempenho da cadeia de fornecimento melhorou em toda a economia moçambicana, tendo as empresas assistido a uma ligeira redução dos prazos médios de entrega, registando-se os tempos mais rápidos desde Agosto. Os membros do painel atribuíram esta melhoria a uma maior concorrência entre fornecedores e ao alívio das medidas relativas à Covid-19.

Por último, a perspectiva para 2022 permanece forte, tendo, no entanto, registado o nível mais frágil desde Agosto. De uma forma geral, o PMI concluiu que as empresas permanecem confiantes de que irão conseguir expandir os seus negócios em 2022 através de mão-de-obra mais sólida, maior base de clientes e um alargamento do âmbito geográfico.

O PMI é compilado pelo Standard Bank Moçambique a partir das respostas aos questionários enviados aos directores de compras de um painel de cerca de 400 empresas do sector privado. O painel é estratificado por sector específico e dimensão das empresas em termos de número de colaboradores, com base nas contribuições para o PIB. Os sectores abrangidos pelo inquérito incluem a agricultura, a mineração, o sector manufatureiro, a construção, o comércio a grosso, o comércio a retalho e os serviços.

Plataforma flutuante para exploração de gás na bacia do Rovuma já está em Moçambique

A plataforma flutuante que será instalada na Área 4 da Bacia do Rovuma para exploração de gás chegou a Moçambique, anunciou hoje o Instituto Nacional de Petróleos (INP).

“Neste momento, decorre o processo de certificação do heliporto para permitir a aterragem e descolagem de helicópteros, que transportarão as equipas de apoio e trabalho”, refere o INP em comunicado distribuído hoje à comunicação social.

Semelhante a um navio gigante, com 432 metros de comprimento, a plataforma saiu dos estaleiros da divisão industrial da Samsung em Geoje, na Coreia do Sul, em 15 de novembro, e atravessou o oceano Índico em direção ao largo da costa de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

“A chegada desta está em conformidade com o cronograma aprovado pelo Governo de Moçambique, sendo por isso um marco assinalável na implementação deste projeto, cuja Decisão Final de Investimento foi tomada em junho de 2017, prevendo-se que o início da produção ocorra até meados de 2022”, acrescenta o INP.

A infraestrutura vai estar ligada a seis poços e extrair o gás para uma fábrica a bordo que o vai arrefecer, liquidificando-o, de modo a ser transportado em cargueiros, abastecidos ali mesmo, lado a lado, em alto mar, e que depois levam o combustível até aos países de destino para produção de eletricidade, aquecimento ou outros fins.

A plataforma tem depósitos de armazenamento no casco e 13 módulos por cima deles, incluindo uma fábrica de liquefação, um módulo de oito andares onde podem viver 350 pessoas, além de uma pista para helicópteros.

A Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma ‘joint venture’ em copropriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70% de interesse participativo no contrato de concessão.

A Galp, KOGAS (Coreia do Sul) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detêm cada uma participações de 10%.

 

Grafite moçambicano vendido à indústria de veículos eléctricos dos EUA

A Syrah Resources (Syrah) celebrou um acordo de compra do material usado em baterias eléctricas a partir de grafite natural moçambicano, com a maior companhia de veículos eléctricos do mundo, a Tesla, dos Estados Unidos de América (EUA).

Ao abrigo do referido acordo, o material de ânodo activo de grafite natural de Balama, em Cabo Delgado, maior depósito de grafite de alta qualidade no mundo, será levado para uma fábrica em Vidalia (em instalações de produção verticalmente integradas), no Estado norte-americano de Louisiana.

Deste modo, a Tesla irá retirar a maior parte da expansão inicial proposta da capacidade de produção de grafite natural em Vidalia a um preço fixo por um período inicial de quatro anos a partir da obtenção de uma taxa de produção comercial, sujeita à qualificação final. A Tesla tem também a opção de retirar volume adicional de Vidalia, sujeito à expansão da capacidade da Syrah para além de 10 quilos de grafite por ano.

“O acordo de compra proporciona uma base sólida para prosseguir com a expansão inicial da capacidade de produção de Vidalia e a Syrah planeia tomar uma decisão final de investimento para a construção desta instalação alargada em Janeiro de 2022, sujeita a compromissos de financiamento”, lê-se em comunicado da Syrah Resources.

Segundo a mesma fonte, a companhia australiana está a avançar no compromisso comercial e técnico com outros clientes-alvo para desenvolver grafite nos EUA para produção em massa e assegurar compromissos adicionais de compra a longo prazo.

Caso a Syrah decida alargar a sua capacidade de produção, abrirá a possibilidade de expansão da produção da Tesla e tornar-se-á na primeira fonte de fornecimento de ânodo de grafite para a indústria dos EUA em rápido crescimento de veículos eléctricos e para a indústria de manufacturação de baterias de “litium-ion”. A Syrah afirma que a mina de Balama tem uma expectativa de produção de 50 anos e a concessão ocupa uma zona de 106 quilómetros quadrados.

Syrah Resources é uma empresa australiana de minerais industriais e tecnologia cotada na Bolsa de Valores Australiana com a sua principal operação “Balama Graphite” em Moçambique e uma instalação de materiais de ânodo activo a jusante nos EUA.

A visão da Syrah é ser o principal fornecedor mundial de grafite de qualidade superior e de produtos de material anódico, trabalhando em estreita colaboração com os clientes e a cadeia de fornecimento para acrescentar valor nos mercados de baterias e industriais.

 

BALAMA NO CENTRO DA GERAÇÃO DE NOVAS ENERGIAS

Segundo a VOA, o acordo confirma a grafite moçambicano como um produto de importância estratégica para uso nas novas energias.

O maior produtor mundial de grafite é a China e recentemente a Tesla, cujo maior accionista é Elon Musk, e tinha pedido ao Governo dos EUA para eliminar tarifas na importação da grafite chinesa.

Por seu turno, a agência de notícias Bloomberg, citada pela VOA, disse que a China produz, actualmente, quase metade de toda a grafite usada na produção de materiais para ânodos e a procura deverá aumentar cinco vezes até ao fim da próxima década.

O Departamento de Investigação Estratégica daquela agência financeira citou o director administrativo da Syrah, Shaun Verner, como tendo dito que “essa concentração constitui um risco a rivais que queiram construir cadeias de fornecimento doméstico de baterias, como os Estados Unidos e Europa”.

Os maiores produtores de veículos eléctricos estão, actualmente, à procura através do mundo de litium, cobalto, níquel e grafite para uso nas suas baterias.

Fidelidade compra 70% da seguradora moçambicana SIM

A Fidelidade anunciou esta sexta-feira a aquisição de 70% do capital da Seguradora Internacional Moçambique (SIM), que opera sob a marca Ímpar, numa transacção avaliada em 46,8 milhões de euros, segundo informação divulgada ao mercado.

Com a operação, o Grupo Fidelidade passará a actuar no mercado moçambicano com as marcas Fidelidade e Ímpar.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Banco Comercial Português (BCP) informou que o Banco Internacional de Moçambique (BIM), em que detém, indirectamente, uma participação de 66,69%, formalizou “um acordo de longo prazo com a Fidelidade”, assim como “a alienação pelo BIM à Fidelidade de acções representativas de 70% do capital social e direitos de voto da SIM”.

Num comunicado divulgado pela Fidelidade esta sexta-feira, a seguradora assinala que o restante capital social da SIM será detido em 22% pelo Millennium BIM e em 8% por outros accionistas minoritários. De igual forma, a Fidelidade sublinha que “tem uma opção que lhe permite adquirir, posteriormente, uma participação adicional de 12%”.

A seguradora portuguesa anunciou ainda que o Conselho de Administração da SIM “continuará a ser presidido por Manuel Alfredo Gamito e a vice-presidência assegurada por Rui Oliveira e por Carlos Leitão, a quem caberá também a presidência executiva”.

Na informação do BCP à CMVM é ainda assinalado que “no âmbito do acordo de distribuição exclusiva de longo prazo, o BIM promoverá a distribuição de seguros da SIM através do canal bancário, continuando a disponibilizar aos seus clientes um amplo leque de produtos seguradores competitivos, a qual sai reforçada pela parceria com um grupo segurador de referência, como é a Fidelidade”.

O presidente executivo da Fidelidade, Rogério Campos Henriques, citado em comunicado, aponta que, com esta operação, o Grupo Fidelidade “passará a actuar no mercado moçambicano com as marcas Fidelidade e Ímpar”, permitindo “desenvolver diferentes canais e parcerias na distribuição de seguros, e, dessa forma, ir ao encontro das necessidades de um maior número de clientes moçambicanos”.

Criada em 1992, em Moçambique, a SIM actua nos ramos vida e não-vida, através das marcas Ímpar, com a qual está presente nos canais tradicionais, e Millennium Seguros, que opera no canal bancário. Fundada em 1808, a Fidelidade reclama ser a seguradora líder de mercado em Portugal, nos ramos vida e não-vida, com uma quota de 28% em 2020, operando em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Espanha, França, Macau, Peru, Bolívia, Paraguai e Chile.

Taxa de juro de referência de Moçambique vai manter-se nos 18,6%

A taxa de juro de referência (’prime rate’) do país para Janeiro vai manter-se pelo quarto mês consecutivo em 18,6%, anunciou a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).

De acordo com a Lusa, a taxa calculada pela AMB e o Banco de Moçambique tem por base um indexante único de 13,3% (calculado pelo banco central), que se mantém inalterado, e um prémio de custo que também se mantém em 5,3% (definido pela AMB).

O valor de 18,6% da ‘prime rate’ foi fixado a 01 de Outubro do ano passado, após uma descida de 30 pontos base em relação a Setembro.

Em 2021, a taxa de juro de referência começou em 15,5%, registou subidas em Março e Abril, para 17,8% e 18,9%, respectivamente, para depois descer até ao valor actual em Outubro.

A sua criação foi acordada entre o banco central e a AMB em Junho de 2017 para eliminar a proliferação de taxas de referência no custo do dinheiro.

Na altura, foi lançada com um valor de 27,75% e desceu 915 pontos base desde então.

O objectivo é que todas as operações de crédito sejam baseadas numa taxa única, “acrescida de uma margem (spread), que será adicionada ou subtraída à ‘prime rate’ mediante a análise de risco” de cada contrato, explicam os promotores.

Bad financia o Corredor de Desenvolvimento Integrado de Pemba-Lichinga

O Conselho de Administração do BAD aprovou uma subvenção de USD 47,09 milhões para a primeira fase do Desenvolvimento da Zona Especial de Processamento Agro-Industrial (SAPZ) do Corredor de Desenvolvimento Integrado Pemba-Lichinga.

Segundo um comunicado de imprensa do BAD, o projecto será financiado pelo Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF) e, na sua primeira fase, tem como objectivos reforçar a capacidade institucional e o ambiente empresarial para o desenvolvimento agro-industrial; e apoiar a produtividade agrícola, as competências e o empreendedorismo, a fim de melhorar o desenvolvimento da cadeia de valor agrícola na província de Niassa.

“O projecto irá proporcionar uma melhor coordenação política e de desenvolvimento entre a província de Niassa e os departamentos nacionais, especialmente, com o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural e o Ministério da Indústria e Comércio”, refere a fonte.

De acordo com o BAD, trata-se de uma iniciativa alinhada à Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Moçambique (ENDE 2015-2035), que visa melhorar as condições de vida da população, através da transformação estrutural da economia e da expansão e diversificação da base de produção.

“É consistente com os esforços concertados da comunidade internacional para apoiar Moçambique na maximização de oportunidades e para promover o crescimento económico inclusivo; e será a primeira intervenção de iniciativas emblemáticas, como o Programa Nacional para industrializar Moçambique (PRONAI) e a Estratégia para a Resiliência e Desenvolvimento Integrado do Norte de Moçambique (ERDIN), que visa abordar as assimetrias regionais para a construção da paz e estabelecer as condições básicas para a recuperação económica nestas províncias”, lê-se no documento.

O projecto está, também, alinhado com o Documento de Estratégia do Banco Africano de Desenvolvimento para Moçambique 2018-2022, com enfoque geográfico nas províncias do Norte e também comprometido com a Estratégia Alimentar África do Banco, para a transformação da agricultura em África que, entre outros, prevê a promoção das “SAPZ” como um dos seus principais programas emblemáticos.

O representante do BAD em Moçambique, César Augusto Mba Abogo, falou desta iniciativa como um projecto de transformação da agricultura e sublinhou a importância da SAPZ como uma instalação partilhada para permitir aos produtores agrícolas, processadores, agregadores e distribuidores operar no mesmo bairro para reduzir os custos de transacção, partilhar serviços de desenvolvimento empresarial e aumentar a produtividade e competitividade.

“O SAPZ pode promover a participação de pequenos produtores em cadeias de valor e adição deste valor, oferecendo, assim, um modelo de desenvolvimento inclusivo”, disse Mba Abogo.

Para o ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, este projecto é um elemento transformador da economia, promotor de inclusão e coesão social e de paz, ao abordar factores importantes da indústria, que permitem o desenvolvimento de infra-estruturas, conteúdos locais, desenvolvimento rural, inovação e capacitação institucional, tanto no sector público como no privado, num só pacote, e constituirá, definitivamente, uma mudança de jogo do desenvolvimento do corredor Pemba-Lichinga, em particular.

Informado da aprovação desta subvenção, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, reconheceu a importância deste projecto para Moçambique.

“O Plano Quinquenal do Governo 2015-2019 (PQG) identifica o sector agrícola como central para as ambições de crescimento económico do país e a promoção de um crescimento mais inclusivo, que procura contribuir directamente para a erradicação da pobreza no país e para a necessidade de diversificar, afastando-se da agricultura de baixa produtividade e orientada para a subsistência, para actividades de maior produtividade, como as industriais e transformadoras, incluindo o agro-processamento”, afirmou Correia.

O BAD fundamenta que o projecto se baseará numa longa lista de intervenções do Banco no norte de Moçambique, para o fornecimento de infra-estruturas e irá desbloquear, a partir de Niassa, o potencial agrícola do Corredor de Nacala.

Refira-se que, entre 10 e 13 de Dezembro, foram inauguradas duas destas infra-estruturas: a estrada N13 no troço Cuamba-Muíta, em Niassa, e o troço Montepuez-Ruaca da estrada N14 que liga as províncias de Cabo Delgado e Niassa. A cerimónia de inauguração foi dirigida pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que salientou que, através do desenvolvimento de infra-estruturas sustentáveis, o Governo pretende impulsionar a prosperidade nas províncias do norte, há muito inacessíveis.

Falta de negócio prejudica 500 empreiteiros nos últimos dois anos

Os últimos dois anos têm sido sufocantes para a classe. Como consequência, fecharam 500 empresas em todo o país. Os dados foram partilhados há dias pelo Presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), Manuel Pereira, à margem do balanço do ano de 2021 do sector privado.

“Esses últimos dois anos têm sido péssimos para o sector de construção civil em Moçambique. Em causa está a falta de negócios”, queixou-se Pereira.

Empreiteiro e Presidente da classe há vários anos, Pereira explicou que, nos últimos dois anos, têm vindo a auscultar os associados e concluiu que estão severamente aflitos, principalmente os das províncias em relação aos que operam em Maputo.

“Eu, como Presidente da Federação de Empreiteiros, escuto, analiso e dou-lhes razão. Os nossos empreiteiros das províncias estão muito aflitos que nós aqui na Cidade de Maputo”, disse.

Em causa, o empreiteiro apontou a falta de negócios como consequência das crises que o país tem atravessado nos últimos dois anos. O desta vai para a pandemia da Covid-19, a insegurança no centro e norte do país.

“Como consequência dessas crises, de um universo de 3 mil empresas, 500 já fecharam em todo o país”, afirmou Pereira, sublinhando esperar que o ano de 2022 seja melhor que os últimos dois anos.