Sunday, April 12, 2026
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Preço actual de combustível pode voltar a subir

Devido à tendência crescente do preço do barril de petróleo no mercado internacional, que há pouco menos de um mês era de 76 dólares, custando, actualmente, cerca de 85 dólares, o preço de combustível no país pode sofrer, novamente, alteração, segundo indicou a Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO).

Depois do anúncio da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), quarta-feira última, sobre a entrada em vigor de novos preços de combustível no país, com efeitos a partir de quinta-feira, devido à evolução do preço do barril de Crude no mercado internacional, o jornal “O País” conversou com os técnicos da Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO), para perceber melhor os contornos deste aumento.

O IMOPETRO apontou a pouca disponibilidade do recurso no mercado internacional e a grande procura pelos países como causa principal deste agravamento, no entanto revela que o actual preço do combustível recentemente aprovado pode voltar a sofrer alteração.

“Os preços, sempre que sofrerem um impacto a nível internacional, terão impacto para todos os importadores, não apenas para o caso de Moçambique. Logicamente que, se o preço sobe a nível de mercado internacional, terá que ser feita uma análise para se tomar a decisão sobre o preço”, explicou Miceles Miambo, do Departamento de Mercados do IMOPETRO.

Miambo afirma haver disponibilidade de combustível suficiente durante 22 dias, até à próxima importação, entretanto garante que o IMOPETRO está atento ao comportamento do mercado internacional.

“O barril de Brent fechou a 85 dólares, no dia de ontem, com uma tendência de subir. Há pouco menos de um mês, o barril estava a 74 e prevíamos que subisse até 80 a 82 dólares, mas estamos no dia 21, com o barril a custar 85 dólares”, disse Miambo.

Refira-se que o país importa combustível mensalmente, de 22 a 22 dias, devido à incapacidade de armazenamento de grandes quantidades deste produto.

A SIR Motors está preparada para reanimar COMETAL

Moçambique vai voltar a produzir vagões de comboio. A empresa responsável pela produção é a mesma que os fabricava, COMETAL, outrora o quinto maior fabricante do continente. O responsável pela reabilitação é o grupo Sir Motors, que comprou a empresa.

Na realidade, é o renascimento de uma indústria que já hasteou a bandeira de Moçambique através das fronteiras. Agora, sob a gestão e propriedade do grupo Sir Motors, a COMETAL inicia actividades dedicadas à construção de vários tipos de infra-estruturas feitas de contentores.

Por contentores, entendemos os contentores que normalmente chegam aos navios e que mais tarde se tornam redundantes. Mas, COMETAL, o novo COMETAL, quer mudar isso, através da utilização do corte de ferro a laser, uma técnica de baixo custo.

O trabalho não pára, e agora, mais do que nunca, Moçambique precisa dele. Após os ataques em Cabo Delgado, muitas infra-estruturas foram destruídas, e COMETAL tem uma solução.

Nos estaleiros da empresa, é possível ver postos de polícia construídos através do manuseamento profissional das chapas de zinco e ferro dos contentores.

O director de projectos da COMETAL, Abdul Ussene, explicou que a ideia é reduzir os efeitos do terrorismo.

“Trata-se de um posto policial móvel, constituído por um balcão, um escritório, uma cela e um primeiro andar, que é um dormitório com seis ou sete beliches”, anuncia Ussene.

Mas, como os agentes da polícia dormem menos do que fazem patrulha, cada kit nesses contentores também tem algumas motorizadas para garantir a circulação nas comunidades.

Este não é o único projecto a ser desenvolvido pela COMETAL nesta primeira fase da sua renascença. Outros tipos de infra-estruturas são construídos a partir de contentores. Por exemplo, a COMETAL produziu um posto de saúde móvel com compartimentos necessários para assegurar os serviços básicos de saúde.

Um dos compartimentos, por exemplo, é uma clínica de clínica geral, onde os pacientes podem ser observados. Mas, se necessário, a secretária pode ser transformada numa maca. No exterior, existem outras unidades para ginecologia e pediatria.

Um ponto interessante é que os contentores são desmontáveis, o que facilita o seu transporte para as zonas mais distantes do país. Além disso, podem ser transformados em gabinetes de trabalho.

De facto, a COMETAL, nesta primeira fase, diz poder transformar os contentores em qualquer infra-estrutura necessária, com iluminação fornecida por painéis solares.

Mas esta é apenas a primeira fase, porque há mais planos na conduta.

“Teremos linhas de montagem para motociclos e motocultivadores, linhas de montagem para camiões de 40 toneladas, num futuro próximo. E mais tarde vem a linha de fabrico”, disse Michael Antunes, director-geral da empresa.

Tudo isto faz parte de um plano devidamente calendarizado, no qual se espera que a montagem de vagões esteja em curso até ao final de 2022. E, quando isso acontecer, a COMETAL espera que o seu cliente não seja apenas a empresa estatal Caminhos-de- Ferro de Moçambique, uma vez que está planeada para poder servir vários outros clientes de mercados fora de Moçambique.

A indústria metalúrgica necessita de investimentos

A revitalização da indústria metalúrgica foi tema de debate no programa STV O País Económico, onde Marco Correia, representando a Associação Industrial de Moçambique, e Adalberto Barradas, representando o próprio COMETAL, fizeram parte do painel.

Em termos gerais, os dois painéis disseram que, para que a indústria regressasse aos níveis anteriores, era necessário que o país investisse “sem saltar etapas”, como disse Marco Correia.

Correia referia-se ao investimento que deve ser feito por todos os intervenientes no sector – “investir em máquinas e na formação de mão-de-obra qualificada”, um ponto com o qual a COMETAL concorda, embora não inteiramente.

Adalberto Barradas, da COMETAL, diz que o país deve concentrar-se em investir em equipamento, porque “a mão-de-obra fornecida pelas instituições de formação moçambicanas é suficiente para as nossas necessidades”.

Quanto ao mercado, os dois entrevistados concordam que é necessário concentrar-se mais nas vendas internas, porque o país precisa deste equipamento, “mas a certificação deve estar no nosso investimento para que, sempre que quisermos, possamos competir em igualdade de condições a nível internacional”.

Lucro da CMH cai 54% em 2021

O Relatório Anual e as Demonstrações Financeiras auditadas do exercício findo a 30 de Junho de 2021, da Companhia Nacional de Hidrocarbonetos (CMH), parte da Empresa Moçambicana de Hidrocarbonetos (ENH), revelam que o lucro da empresa derrapou em 2021.

O recém-nomeado Presidente do Conselho Administrativo (PCA) da empresa, Arsénio Mabote, explica que as receitas foram influenciadas por baixos preços de petróleo no mercado internacional devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.

O Relatório da CMH mostra um total do rendimento integral positivo (lucro líquido) de 11.4 milhões de USD, o que representa uma redução acentuada de cerca de 54%, quando comparado com os resultados do exercício financeiro de 2020, que atingiram 24.7 milhões de USD.

Essa receita resultou da produção e venda de 179.35 Milhões de Giga joules de Gás Natural e Condensado contra os 176.19 Milhões de Giga joules vendidos no ano económico de 2020. Aliado aos efeitos da pandemia da Covid-19, o PCA da CMH diz em relatório que um dos principais desafios é a disponibilidade de reservas provadas, para assegurar o fornecimento de gás ao abrigo dos contratos assinados.

“Precisamos de investir urgentemente em projectos adicionais, tanto de compressão de gás, como de furos para recuperar mais gás dos reservatórios de Pande e de Temane, a fim de aumentar os respectivos volumes a serem fornecidos, para cobrir a quantidade total contratada, mitigando deste modo o défice de reservas”, afirma o PCA da CMH em Relatório anual.

Para além dos aludidos desafios, a CHM debate-se também com outros desafios técnicos e operacionais em termos de investimento em novos furos para sustentar o plateau e restaurar os furos de produção, que têm registado problemas de integridade, a fim de manter a actual capacidade de produção de gás, para satisfazer os contratos assinados.

Não obstante os constrangimentos referidos, o novo PCA da CHM diz que a empresa continua comprometida em pagar níveis satisfatórios de dividendos aos accionistas, tendo sido já pagos todos os dividendos declarados.

“No dia 29 de Setembro de 2020, realizou-se a Assembleia Geral Ordinária em que os accionistas da CMH aprovaram a distribuição de 75% do lucro líquido apurado no exercício financeiro de 2020. Portanto, no presente exercício, a CMH pagou aos seus accionistas um montante total de USD 18.578.217 de dividendos, sendo que USD 11.181.425 foram pagos no dia 27 de Outubro de 2020 e USD 7.396.792 foram pagos no dia 13 de Abril de 2021”, detalha Mabote.

Relativamente aos impostos e contribuições, a CMH pagou um montante total de 25.974.153 de USD ao Estado, dos quais 94% representam imposto sobre o rendimento de pessoas colectivas (IRPC), 5% impostos sobre rendimentos de pessoas singulares (IRPS) e 1% contribuições destinadas à segurança social (INSS).

Compulsando sobre o ano económico findo a 30 de Junho de 2021, Mabote sublinhou, em Relatório, que as acções da CMH continuaram a ser transaccionadas no mercado de valores mobiliários da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM). Durante o ano financeiro, a fonte anotou que se verificou uma variação do preço da acção da CMH de 2.750 Meticais para 3.500 Meticais, tendo atingido o preço de 4.600 Meticais em Dezembro de 2020.

Refira-se que a CMH, SA é a parceira moçambicana no Consórcio (JO – Joint Operation) do Projecto de Gás Natural de Pande e Temane (PGN). São parceiros da operação conjunta a Sasol Petroleum Temane (SPT), que é a operadora dos campos de gás de Pande e Temane e é entidade moçambicana subsidiária da sul-africana Sasol Exploration and Production International (SEPI), com participação de 70%. A CMH conta com participação de 25%, e o International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, com participação de 5%.

Aumenta o número de empresas certificadas em Maputo

O Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), uma instituição tutelada pelo Ministério da Indústria e Comércio (MIC), atribuiu certificados de qualidade a um total de 19 empresas que operam em diversos ramos de actividade na Cidade de Maputo.

Trata-se de certificados de qualidade das normas técnicas NM ISO 9001 (Sistemas de Gestão de Qualidade), NM ISO 140001 (Sistema de Gestão Ambiental) e ISO 450001 (Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional), cuja atribuição decorreu durante o seminário alusivo ao Dia Mundial da Normalização, que teve como lema “Visão Compartilhada para um Mundo Melhor”.

Para a Vice-ministra da Indústria e Comércio, Ludovina Bernardo, que dirigiu a cerimónia de abertura, a certificação é uma ferramenta imprescindível para os processos de produção das Pequenas e Médias Empresas (PME), pois segundo a governante, permite que elas assumam o papel fundamental de industrialização em Moçambique, de modo a que o País tenha capacidade de produzir e fornecer bens e serviços de qualidade, com recurso a normas técnicas, assim como capitalizar as oportunidades que isso cria no âmbito do comércio interno e externo.

Na ocasião, a governante referiu-se ao Programa Industrializar Moçambique (PRONAI) como uma das iniciativas do Governo cuja implementação requer a participação activa das Pequenas e Médias Empresas (PME’s), sendo, por isso, fundamental que estas façam um esforço adicional para obterem a certificação dos seus produtos ou serviços.

Entretanto, e porque o sucesso do PRONAI não depende exclusivamente das PME’s, Ludovina Bernardo considerou serem necessárias reformas profundas visando a melhoria do ambiente de negócios, inclusão de empresas nacionais nos negócios ligados ao ramo industrial, capacitação e coordenação entre os sectores público e privado.

Por seu turno, o director-geral do INNOQ, Geraldo Albasine, mostrou-se preocupado com o actual nível de certificação, se comparado com o universo de empresas que actuam no País.

“Desde que iniciou este processo, em 2011, temos cerca de 100 empresas certificadas, e a nossa perspectiva é atingir 120 até o fim do ano”, anunciou Albasine.

O director-geral do INNOQ apontou como principal razão para este cenário o facto de a certificação ser vista como um custo pelas empresas, o que constitui um equívoco.

“As empresas não gostam de assumir custos, mas a certificação não é uma despesa. É um investimento, e é uma decisão voluntária. Só adere aquela empresa que acha que está em condições de obter e manter a certificação. Com o uso de normas técnicas melhoramos a qualidade dos nossos produtos e serviços, diminuímos desperdícios nos processos de produção, garantimos a sustentabilidade da actividade, incrementamos o nível organizacional da empresa, habilitando-a a fornecer produtos e serviços de qualidade, bem como a conseguir aceder a mercados mais exigentes, bem como contratos com grandes projectos”, realçou Geraldo Albasine, quando se referia às vantagens da certificação para as empresas.

Preço da gasolina sobe 7 meticais

De acordo com a nova tabela de preço de combustíveis divulgada pela Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), a gasolina passa dos actuais 62,50 para 69,94 meticais por litro; o gasóleo de 57,45 para 61,71 meticais por litro; o petróleo de iluminação de 43,24 para 47,95 meticais por litro; o gás de cozinha (GLP) de 58,18 para 71,02 meticais por cada quilograma; o gás natural veicular (GNV) de 30,00 para 32,69 meticais por cada litro-equivalente.

Entretanto, a ARENE avança que os novos preços supracitados não abrangem todo o país, senão algumas regiões das províncias de Maputo, Sofala, Nampula e Cabo Delgado (nomeadamente as cidades da Matola, Beira, Nacala e Pemba).

“Os novos preços referem-se à venda ao público nos postos de abastecimento de combustíveis situados nas circunscrições territoriais das terminais oceânicas da Matola, Beira, Nacala, e Pemba”, lê-se no comunicado da ARENE a que o jornal “O País” teve acesso.

A ARENE justifica o aumento dos preços no país com o facto de ter constatado uma tendência crescente de agravamento do preço do barril de crude no mercado internacional. Tal situação, segundo a ARENE, deriva da manutenção dos volumes produzidos pelos países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e do levantamento das restrições impostas pela pandemia da COVID-19 que, em muitos países, ditou o aumento da procura dos derivados de petróleo.

Refira-se que a última actualização do precário de combustíveis líquidos tinha sido em Novembro do ano passado.

Selagem de bebidas alcoólicas: preço da cerveja e cidra poderá subir

O coordenador-geral do Projeto de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco da Autoridade Tributária de Moçambique, Miguel Nhane, disse que as cervejas não podem ser subsidiadas pela fuga ao fisco. O processo inicia em Fevereiro de 2022.

O processo de selagem de bebidas alcoólicas e tabaco manufacturado em Moçambique apresenta vários obstáculos. As duas primeiras fases do projecto foram caracterizadas por desobediência à iniciativa, culminando, assim, com a falsificação e venda paralela de selos.

De acordo com o coordenador-geral do Projecto de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco da Autoridade Tributária de Moçambique, Miguel Nhane, as pessoas, que a instituição está a tentar combater, reinventam-se a cada momento para contornar as medidas implementadas.

“Nós temos certeza que, durante todo tempo de vida do projecto, vamos ter que lidar com essas situações de possíveis falsificações de selos e venda paralela dos mesmos. Portanto, são riscos que estão calculados no programa e não podem estar para avaliar o início e implementação do mesmo”, disse Miguel Nhane, coordenador-geral do Projecto de Selagem de Bebidas Alcoólicas e Tabaco da Autoridade Tributária de Moçambique.

Miguel Nhane acrescenta ainda que, por cada unidade de cerveja ou bebida pronta a consumir, vai ter um custo acrescido de apenas um metical.

Na terceira fase, a selagem abrange cervejas e cidras, uma decisão bastante contestada pelas cervejeiras, porque poderá acarretar os custos e, consequentemente, elevar o preço do produto no mercado. Mesmo assim, a Autoridade Tributária vai avançar e explica o porquê.

“O preço das cervejas não pode ser subsidiado pela fuga ao fisco e nós temos consciência de que o preço vai subir, porque o imposto que não está a ser entregue vai passar a chegar ao destino de direito. A Autoridade Tributária está a preparar o mercado para a possível subida do preço deste produto que vai decorrer nesta altura por causa do controlo que está a ser implementado que é um dever da indústria visada”, esclareceu Miguel Nhane.

A terceira fase já devia estar a decorrer, mas a indústria cervejeira solicitou que a Autoridade Tributária reconsiderasse o início da selagem e sugeriu, igualmente, que a instituição competente devesse avançar com a estampilha digital.

O processo de selagem das cervejas e das RTD, mais conhecidas por cidras, vai iniciar a 7 de Fevereiro de 2022. A produção e distribuição de selos foram concessionadas à OpSec Security, uma empresa de capitais estrangeiros.

Projecto hidroeléctrico Mphanda Nkuwa compromete-se com a sustentabilidade

Foi dado um passo significativo para assegurar a sustentabilidade da energia hidroeléctrica em Moçambique, com uma colaboração entre o Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), representando o Governo de Moçambique actuando através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), e a Associação Internacional de Energia Hidroeléctrica (IHA).

A nova parceria está a desenvolver capacidades no sector energético de Moçambique, com formação da IHA em como melhorar o desempenho de sustentabilidade dos projectos hidroeléctricos, bem como fornecer orientação sobre o desenvolvimento da central hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa.

João Costa, o Chefe de Sustentabilidade da IHA disse: “Esta parceria tem como objectivo criar consciência, facilitar o diálogo e reforçar a capacidade institucional local para gerir as questões do ESG. A GMNK demonstrou o seu forte empenho na sustentabilidade hidroeléctrica e a IHA está encantada por trabalhar com eles nesta iniciativa”.

Carlos Yum, Director da GMNK, afirmou: “O Governo de Moçambique está empenhado num sistema de energia sustentável e limpa e a energia hidroeléctrica tem um papel central a desempenhar neste contexto. A GMNK está muito satisfeita por colaborar com a IHA sobre como optimizar a sustentabilidade do projecto Mphanda Nkuwa e espera também ganhar importantes conhecimentos e lições sobre como abordar futuros projectos de energia hidroeléctrica”.

Um curso de formação centrado em como avaliar a sustentabilidade do projecto utilizando as Ferramentas de Sustentabilidade Hidroeléctrica reconhecidas internacionalmente está a ser ministrado esta semana e foi tornado possível com o apoio financeiro da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD).

Uma avaliação do projecto utilizando a Ferramenta de Análise de Lacunas Ambientais, Sociais e de Governação ou HESG será também implementada com o apoio financeiro da NORAD.

O Sr. Costa acrescentou: “O HESG permite aos proponentes e investidores de projectos hidroeléctricos identificar e colmatar lacunas contra as boas práticas internacionais através de critérios de desempenho ambiental, social e de governação. A ferramenta fornece um plano de acção para ajudar as equipas de projecto a abordar quaisquer lacunas contra as boas práticas. Está dividida em 12 secções que são compatíveis com as Normas de Desempenho Ambiental e Social do IFC e o novo Quadro Ambiental e Social do Banco Mundial”.

Os critérios do HESG incluem benefícios do projecto, impactos comunitários, segurança das infra-estruturas, saúde pública, património cultural, povos indígenas, biodiversidade e espécies invasoras, erosão e sedimentação, mitigação das alterações climáticas e resiliência, entre outros.

O curso de formação desta semana contou com participantes de ministérios governamentais e outras instituições chave no sector da energia, tais como: Utilitário Nacional (Electricidade de Moçambique), a central hidroeléctrica de Cahora Bassa, a Autoridade Reguladora da Energia, e o Fundo Nacional de Energia. Entre as organizações não-governamentais e da sociedade civil presentes encontravam-se a Justiça Ambiental, o Centro Terra Viva, o Fundo Mundial para a Vida Selvagem, e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

Pesca industrial tende reduzir nos últimos três anos

A pesca industrial e semi-industrial em todo o território nacional vem experimentando momentos difíceis, nos últimos três anos. Como consequência, a quantidade de pescado capturado tendeu a reduzir de 2018 a 2020.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) constantes em “Anuário Estatístico 2020” indicam que, no ano de 2018, a quantidade de pescado capturado foi de 38.8 mil toneladas. No ano seguinte, o cenário foi de queda, tendo a quantidade registada se fixado em 36.7 mil toneladas de diversos tipos de pescados. Em 2020, a queda foi profunda. O INE registou 15.3 mil toneladas de pescado em todo o país.

O destaque para o tipo de pescado vai para os crustáceos, cuja quantidade de pescado caiu, em 2019, de 6.4 mil toneladas para 3.8 mil toneladas em 2020. Outro realce vai, igualmente, para a captura do peixe que caiu de 29.6 mil toneladas em 2018, para 10 mil toneladas em 2020. A captura de moluscos também derrapou, de 514 toneladas em 2018 para 162 toneladas em 2020. Por fim, o realce vai para a captura de fauna acompanhante que baixou de 2 mil toneladas em 2018, para 1.2 mil toneladas em 2020.

Com a queda de quantidades de pescado, as vendas do negócio também reduziram proporcionalmente. Com todas as capturas, a indústria conseguiu 2.8 mil milhões de Meticais em vendas, no ano de 2018. No ano seguinte, as vendas caíram para 2.5 mil milhões de Meticais e, por fim, em 2020, a venda atingiu 1.1 mil milhão de Meticais.

Olhando para as vendas por tipo de pescado, constata-se que o peixe é o que apresenta o maior prejuízo. Em 2018, a receita obtida foi de 1.5 mil milhão de Meticais, mas em 2020 caiu para 426.9 milhões de Meticais. Por seu turno, as vendas da captura dos crustáceos baixaram de 1.2 mil milhão em 2018, para 701.4 milhões de Meticais, em 2020. A quebra da venda da captura da fauna acompanhante foi de 26.6 milhões de Meticais em 2018, para 16.9 milhões em 2020. Por fim, a venda dos moluscos caiu de 34.4 milhões em 2018, para 10.8 milhões de Meticais em 2020.

Sector agrário no país conta com um fundo USD 16.5 milhões

Estão disponíveis cerca de USD 16.5 milhões, para financiar projectos agrícolas em todo o país. Os fundos são da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que serão geridos pelo Absa Bank Moçambique.

O fraco financiamento aos projectos agrícolas no país continua a ser uma das principais limitações para o desenvolvimento da cadeia de valor e foi sob essa tónica que o Governo americano e a instituição financeira assinaram, esta terça-feira, um acordo para o financiamento em causa.

No total, são cerca de 30 projectos que poderão ser abrangidos durante os próximos seis anos. Estes projectos devem ter capacidade de produzir para responder às necessidades internas do país.

A propósito, o director da Banca Corporativa e de Investimento do Absa Bank Moçambique acredita que as linhas de crédito a serem canalizadas na cadeia de valor, poderão aumentar a produção e produtividade de bens alimentares, que por sua vez possibilitarão reduzir, por exemplo, a importação de bens alimentares.

“Este financiamento tem o potencial de apoiar o crescimento do sector agrícola, pois ao aumentar a capacidade financeira dos produtores, a renda dos mesmos também vai aumentar significativamente”, disse Bernardo Aparício.

Segundo Aparício, a nova linha de financiamento tem a particularidade de priorizar também projectos agrícolas geridos por mulheres, no âmbito do programa de desenvolvimento destas a nível socioeconómico.

Para adesão ao financiamento, os interessados terão de reunir todos os critérios como a concepção de projectos viáveis, capazes de desenvolver o sector, sobretudo os que poderão contribuir para a redução de importação de produtos e que envolvam vários intervenientes da cadeia de valor.

“Sabemos que o sector agrícola representa 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, e grande parte da força de trabalho e em cada um destes projectos, há pelo menos 300 ou 500 pessoas envolvidas. Portanto o impacto é maior”, afirmou.

Já a directora da USAID, Helen Pataki, afirmou que o fundo deve ser capaz de gerar mais emprego nas zonas rurais e que os produtos a serem gerados possam ser exportados pelo bem da economia local. A dirigente também focou o seu discurso mais para o empoderamento financeiro da mulher.

“Gostaríamos de enfatizar a nossa preocupação conjunta em envolver cada vez mais a mulher rural e a mulher empreendedora no acesso ao crédito, mas também em dar mais oportunidade para que elas participem em actividades produtivas e geradoras de rendimento”, sublinhou Helen Pataki.

A iniciativa tem uma duração de seis anos e os valores a serem desembolsados variam entre USD 50 mil e USD 3 milhões.

Parque Industrial de Beluluane muda de nome

O Parque Nacional de Beluluane (BIP) mudou o seu nome para MozParks Holding- Parques Industriais e Zonas Francas, SA.

A decisão, inicialmente considerada a nível da gestão, foi consolidada após uma visita de trabalho ao parque pelo Ministro da Indústria e Comércio Carlos Alberto Mesquita, que sugeriu a criação de uma cadeia de parques industriais no âmbito do programa PRONAI, como forma de impulsionar o desenvolvimento industrial no país.

O Director Geral da agora MozParks, Onório Boane, disse em entrevista à Voz do Empresário que, para replicar o modelo do Parque Industrial de Beluluane (BIP) em todo o país, foi decidido criar uma holding como forma de uniformizar a gestão dos parques industriais e igualar o sucesso do BIP.

“Neste exercício, a primeira coisa que mudou foi, evidentemente, a nossa identidade. Teremos o Parque Industrial de Beluluane não como nossa identidade, mas simplesmente como um parque, porque a nossa visão é que os parques industriais em cada província tenham o nome do local onde estão localizados. Esta é uma questão ligada à valorização do conteúdo local”, explicou Boane.

“Será assim no Parque Industrial de Topuíto, que será efectivamente a nossa primeira experiência fora de Maputo”. O parque está localizado no distrito de Larde, anteriormente conhecido como Moma, na província de Nampula, em torno do projecto de areias pesadas Kenmare”, prosseguiu ele.

Onório Boane diz que, à semelhança do BIP, que foi criado para apoiar o megaprojecto Mozal, o Parque Industrial Topuíto irá, na sua primeira fase, servir as necessidades do Kenmare, como explorador de areias pesadas.

“Queremos assegurar a criação de condições em torno da Kenmare para alojar empresas industriais e prestadoras de serviços como forma de promover conteúdos locais e reduzir as importações, dado que, em torno dos megaprojectos que não possuem um parque industrial, a maioria dos componentes e outros equipamentos é importada”, disse ele.

Entretanto, a diversificação nestes parques terá lugar ao longo dos anos, como as empresas dominam os seus modelos de negócio, salientou Onório.

“Foi assim que aconteceu no BIP. Desde 2000, quando começámos a operar, até 2005, 100% das empresas ali sediadas prestavam serviços à Mozal. De 2006 até agora, posso afirmar categoricamente que apenas 30% prestam serviços à Mozal. Invertemos o gráfico. Isto significa que 70% alimenta o mercado provincial, nacional e internacionalmente, através de exportações”, declarou Boane.

Com base na experiência com a Mozal, que, apesar da diversificação, manteve a sua quota de empresas sediadas no parque, o plano é criar um leque de oportunidades para beneficiar a economia como um todo.

“A diversificação no BIP cresceu de facto numa proporção bastante maior em comparação com as empresas que prestam serviços ao megaprojecto. Embora a nossa abordagem se destine a instalar o parque industrial no contexto de projectos de ancoragem, no BIP temos agora empresas de cabelo, de transformação de alimentos e de castanha de caju, juntamente com empresas de material de construção e de cimento, entre outras. A Larde também vai ser assim. Inicialmente, será centrada em torno de Kenmare, mas existem muitas oportunidades na província de Nampula, nos vários distritos”, afirma.

Dimensão e progresso do projecto MozParks

Como parte da expansão dos parques industriais, MozParks planeia desenvolver um total de 1.000 hectares em cada província, e o estudo de viabilidade em Larde já foi concluído. Este estudo de viabilidade, diz Onório Manuel, foi fundamental para a tomada de decisão de investimento. Foi positivo, o que permitiu que a fase seguinte – de articulação com entidades locais – preparasse as áreas a serem exploradas.

“Na primeira fase do parque industrial de Topuíto, esperamos ver desenvolvidos 215 hectares. Este Outubro, iniciaremos uma pré-fase que consistirá na instalação de todas as infra-estruturas nos 15 hectares que albergarão as primeiras empresas.

“Estamos na fase inicial das obras no local, que foi precedida por todo o processo administrativo que agora consideramos concluído. Só falta concluir a implementação das referidas infra-estruturas no terreno”, esclareceu.

Onório Boane revelou que o segundo parque industrial da MozParks será em Cabo Delgado, especificamente no distrito de Montepuez, onde se pretende instalar um agro-parque, com forte incidência na promoção do acesso ao mercado.

O director-geral da MozParks afirma que a empresa quer tirar o maior partido possível das lições da pandemia de Covid-19 e promover cada vez mais a auto-suficiência da indústria nacional.

“Ao longo deste ano (2021), conseguimos consolidar e mostrar resiliência face a uma crise mundial. As empresas do parque conseguiram produzir o que a Mozal importava antes da pandemia. Por outras palavras, a pandemia desafiou as empresas do parque a produzir vários tipos de equipamento, e muitas empresas de engenharia e metalomecânica fizeram-no com grande sucesso, o que mostra que, face às crises, o parque é capaz de responder”, concluiu Boane.