Monday, April 27, 2026
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Estabilidade financeira: panorama atual do setor bancário em Moçambique

Rogerio zandamela afirma que o país tem estabilidade financeira

O sector bancário moçambicano mantém sua solidez e está bem capitalizado, registando um rácio de solvabilidade de 24,0% em Setembro deste ano, o que representa um excedente de 12,0 pontos percentuais acima do mínimo regulamentar.

A informação foi anunciada pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a abertura do 48º Conselho Consultivo da instituição, evento em curso na província de Inhambane. No entanto, Zandamela alertou para a persistência de um rácio de crédito em incumprimento relativamente elevado, situado em 9,1% em Setembro de 2023, comparado com os 9,3% do ano anterior.

O discurso de Zandamela destacou a notável resiliência da actividade económica frente a choques adversos e riscos tanto globais quanto domésticos. Desde 2021, a economia mantém uma trajectória de recuperação, atingindo uma expansão anual do Produto Interno Bruto real de 4,4% no primeiro semestre deste ano, impulsionada principalmente pela indústria extractiva. A inflação anual segue uma tendência de desaceleração desde o início do ano, fixando-se em 4,6% em Setembro, após um pico de 12,9% em Agosto de 2022. Essa trajectória reflecte a estabilidade cambial, a postura restritiva da política monetária e a queda nos preços de alimentos e combustíveis no mercado internacional.

Apesar da inflação subjacente ter aumentado nos últimos três meses, Zandamela assegura que, embora não se encontre em níveis alarmantes, está sendo monitorada de perto. Quanto às transacções externas, o governador do Banco Central relata uma melhora no défice da conta-corrente em 78,3% no primeiro semestre deste ano, favorecido pela redução das importações de grandes projectos.

Além disso, o país possui reservas internacionais suficientes para cobrir cerca de quatro meses de importações de bens e serviços, excluindo os grandes projectos.

SGS já se encontra a verificar exportações de produtos mineiros

SGS já se encontra a verificar exportações de produtos mineiros

O Governo moçambicano formalizou um contrato de três anos com a empresa SGS para realizar a verificação das especificações, preços e quantidades dos produtos mineiros no momento da exportação. Embora o contrato ainda esteja pendente de aprovação pelo Tribunal Administrativo (TA), espera-se que receba o visto nos próximos dias. De acordo com informações do jornal “Notícias”, a SGS já está operando inno terreno e implementando seu plano de trabalho.

Essa medida surge como resposta ao preocupante cenário em que o Estado moçambicano enfrenta perdas superiores a 250 milhões de dólares norte-americanos devido à sub-declaração de preços por parte de algumas empresas do sector mineiro. Além disso, essas empresas omitem frequentemente as especificações dos minérios exportados, o que contribui para a subvalorização desses produtos no momento da cobrança do imposto de produção.

A iniciativa representa um importante passo para assegurar a transparência e a justiça nos negócios relacionados à indústria mineral em Moçambique. A SGS, renomeada empresa de prestação de serviços de inspecção e verificação, assume um papel crucial nesse processo, actuando como fiscalizadora independente para garantir que as exportações de minerais estejam segundo os padrões estabelecidos.

Com a implementação efectiva deste contrato, espera-se não apenas proteger os interesses do Estado, mas também fortalecer a confiança dos investidores no sector mineiro de Moçambique. A medida representa um avanço significativo na busca pela maximização dos benefícios económicos provenientes da exploração e exportação de recursos minerais no país.

ZEE Nacala: catalisadora de empregos com 24 Mil vagas em perspectiva

Catalisadora de empregos com 24 Mil vagas em perspectiva

Localizada em Nampula, a Zona Económica Especial de Nacala (ZEE) atraiu investimentos de três bilhões de dólares desde 2009 e promete gerar 24 mil empregos. Com mais de 1.200 projectos aprovados, 90 já estão em operação, proporcionando 10.000 empregos para jovens e outros.

Em entrevista à AIM, o Director-geral da Agência para Promoção de Investimento e Exportação (APIEX), GIL Bires, destacou a atractividade da ZEE de Nacala devido à sua localização estratégica no corredor logístico de Nacala e ao seu porto de destaque na África oriental.

Essa ZEE é vital para a região norte do país, com novos investimentos em processo de aprovação, incluindo uma fábrica de cimento do Grupo Dugongo. Segundo Bires, “O gigante Dugongo atenderá à demanda por cimento na região, criando empregos e impulsionando a economia, principalmente na construção civil”.

Dos projectos aprovados, 41% estão na indústria, 20% em hotelaria e turismo, 33% em comércio e serviços, e cerca de 6% na construção civil.

A modernização do Porto de Nacala abrirá perspectivas para novos investimentos, impulsionando o desenvolvimento do Corredor de Nacala e da ZEE de Nacala. O Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE) também desempenha um papel crucial ao dinamizar o ambiente de negócios e investimentos no país, com reformas nas Leis de Investimentos, do Trabalho e Cambial, e melhorias no sistema de emissão de vistos por meio da plataforma e-visa.

Abrangendo os distritos de Nacala, Porto e Nacala-a-Velha, a ZEE de Nacala foi pioneira no país e é a mais activa em projectos de investimento sob esse regime especial.

Globeleq inicia operações da primeira usina solar com armazenamento em Moçambique

Globeleq inicia operações comerciais em Moçambique

A Globeleq, líder em geração independente de energia na África, em parceria com a Source Energia e a Electricidade de Moçambique (EDM), anunciou o início das operações da usina solar de 19 MWp em Cuamba, com armazenamento de 7 MWh, em 12 de Setembro de 2023.

Inaugurada por Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, em 14 de Setembro de 2020, a usina é pioneira no país ao combinar energia solar em larga escala com armazenamento. Orçada em 36 milhões de dólares, é o primeiro projecto verde da Globeleq em Moçambique e o primeiro de energia solar e armazenamento em seu portfólio.

O projecto, financiado pelo Fundo de Infra-estrutura Emergente da África, fornece energia limpa à EDM por meio de um contrato de 25 anos, atendendo cerca de 22.000 famílias e evitando a emissão de mais de 172.000 toneladas de CO₂. A subestação de Cuamba foi actualizada para integrar eficientemente a energia solar variável na rede.

O Presidente Nyusi destacou que a usina traz segurança energética para a região, representando um marco para Cuamba. Carlos Zacarias, Ministro de Recursos Minerais e Energia, ressaltou o papel estratégico do projecto no aumento da disponibilidade de energia no país, impulsionando a industrialização e a transição energética.

Mike Scholey, CEO da Globeleq, expressou entusiasmo pelo projecto e seu impacto na economia local. Pedro Coutinho, CEO da Source Energia, agradeceu aos parceiros e financiadores pela colaboração no desenvolvimento do projecto.

Marcelino Gildo Alberto, Presidente do Conselho de Administração da EDM, enfatizou o compromisso da empresa com soluções sustentáveis para o acesso à energia em Moçambique, alinhado com metas globais de redução do aquecimento global.

Estratégias para estabilidade económica: Recomendações do FMI para Moçambique

Estratégias para estabilidade económica

A dívida de Moçambique, em níveis elevados, apresenta um desafio significativo, aumentando a vulnerabilidade económica do país. No entanto, há medidas viáveis para assegurar sua estabilidade, conforme apontado pelo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante uma reunião com o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Pablo Lopez Murphy, em Maputo.

Comparativamente a outras nações da região, destaca-se o alto nível de dívida moçambicana, tornando o país susceptível a impactos económicos. Esse cenário é agravado pela parcela substancial da receita governamental direccionada ao serviço da dívida.

Murphy enfatiza duas abordagens cruciais para reduzir essa vulnerabilidade. Primeiramente, impulsionar o crescimento económico, visto que este é o denominador da relação do Produto Interno Bruto (PIB). Historicamente, esse é um passo crucial para diversos países. Em segundo lugar, adoptar políticas fiscais prudentes, ou seja, minimizar os déficits orçamentários. Essa estratégia é essencial para promover o desenvolvimento e a expansão do sector privado.

Além disso, Lopes Murphy destaca a notável transformação na economia moçambicana com a implementação do Pacote de Medidas de Aceleração Económica pelo Presidente Nyusi.

Presidente Nyusi promove oportunidades de investimento Indiano

Presidente Nyusi promove oportunidades de investimento Indiano

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, se reuniu com o Ministro Indiano do Petróleo e Gás Natural, Dardeep Puri, para discutir áreas de cooperação, incluindo agricultura, transporte e comunicações.

Puri elogiou Nyusi como um líder visionário e destacou o potencial de investimento indiano nessas áreas, visando benefícios económicos e criação de empregos.

Além dessas áreas, foram identificadas oportunidades em biocombustíveis. O Ministro indiano se reuniu com os ministros moçambicanos de Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, e de Economia e Finanças, Ernesto Max Tonela.

Puri convidou Moçambique a se unir à Aliança Global de Biocombustíveis, destacando o potencial para cooperação bilateral.

As relações entre Moçambique e a Índia, com uma história de mais de 700 anos, foram ressaltadas por Puri, que enfatizou a relação independente entre os dois países por mais de 100 anos.

O Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi, convidou o Presidente Nyusi para visitar a Índia por ocasião da Cimeira Vibrante Garatujar Global, programada para Janeiro de 2024.

Moçambique e a Índia têm actualmente um volume de comércio de até 5 bilhões de dólares americanos, com oportunidades para crescimento. No sector de energia, o investimento indiano ultrapassa os 11 bilhões de dólares americanos.

Cahora Bassa aumenta a produção de electricidade no primeiro semestre

HCB avança com as metas de geração de electricidade

A produção de electricidade em Moçambique aumentou 2 por cento no primeiro semestre do ano, face ao mesmo período de 2022, influenciada pela produção da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), segundo dados do Ministério da Economia e Finanças a que a Lusa teve acesso na Terça-feira.

De acordo com o balanço económico e social da execução do Orçamento do Estado de janeiro a junho, a produção de eletricidade a partir de barragens representou 83,8% do total nesse período, um aumento homólogo de 1,4%, garantido essencialmente pela HCB, que foi responsável por 81%.

“A produção, em Cahora Bassa, aumentou 0,6% face ao período homólogo de 2022, embora as projecções apontassem para uma redução da produção de energia eléctrica nos meses de abril e maio, devido à necessidade de intervenção programada no canal de restituição e à modernização dos equipamentos para maximização da capacidade instalada”, refere o relatório.

Acrescentou que os aproveitamentos hidroeléctricos da Eletricidade de Moçambique (EDM) cresceram 32,5% no primeiro semestre do ano, face ao período homólogo de 2022, “influenciados pelo aumento substancial da produção na central hidroelétrica da Corumana”, devido à “reabilitação da barragem de Moamba-Maior, que aumentou a disponibilidade de água para a barragem, aumentando a geração de energia eléctrica”.

Fontes térmicas de energia 

Com um peso total de 15,9%, a produção de eletricidade a partir de fontes térmicas aumentou 5,4%, e a produção solar aumentou 10,3%, mas com um peso de apenas 0,3% na estrutura total.

O segundo maior produtor de eletricidade em Moçambique no primeiro trimestre foi a Central Térmica de Ressano Gárcia, uma joint-venture entre a Azura Power e a EDM, que opera uma unidade a gás natural com uma capacidade instalada de 175 MegaWatts e que garantiu 5,7% de toda a produção de eletricidade no país de janeiro a junho.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa, considerada um dos maiores produtores independentes de energia da África Austral, admitiu em agosto que estava a “reativar” o projeto da nova central a norte, dada a crescente procura de electricidade na região.

“Moçambique tem de reestruturar dívida se receitas do gás não forem céleres”  

Receitas do gás podem influenciar no endividamento

O analista da Capital Economics que segue a economia de Moçambique sugere que   o país poderá ter de reestruturar a dívida se as receitas do gás natural liquefeito (GNL) não aumentarem rapidamente.

“O anúncio da TotalEnergies sobre o recomeço das obras é extremamente importante para as ambições moçambicanas relativamente ao gás e às finanças públicas, já que mais atrasos seriam um desenvolvimento negativo por causa do elevado nível de dívida pública do país”, disse David Omojomolo, em declarações à Lusa.

“Com os pagamentos da dívida a aumentarem a partir de 2024, uma reestruturação parece inevitável se as receitas do gás não aumentarem rapidamente, e mesmo assim os riscos de um Incumprimento Soberano vão provavelmente continuar elevados”, acrescentou o analista britânico.

Pagamento de títulos da dívida

Em causa está o aumento dos pagamentos dos títulos de dívida soberana de Moçambique a partir do próximo ano, na sequência da reestruturação da dívida da Ematum.

Essa dívida foi convertida em dívida pública no seguimento do escândalo das dívidas ocultas, no final da década passada, e que já sofreu uma alteração nos termos, adiando o início dos pagamentos em troca de uma taxa de juro maior.

Assim, Moçambique vai ver o custo de servir os títulos de dívida com maturidade em 2031 aumentarem de 5 % por ano actualmente, no valor de cerca de 47 milhões de dólares para 9% ao ano, a partir de março de 2024, representando.

Tal representa um custo de 81 milhões de dólares por ano entre 2024 e 2028, antes de aumentarem ainda mais para 225 milhões de dólares anuais em amortizações entre 2028 e 2031, de acordo com a análise feita pela Standard & Poor’s na semana passada.

O regresso da TotalEnergies 

Para a Capital Economics, o regresso da petrolífera francesa ao norte do país “é uma boa notícia, apesar do atraso que implica que a produção e exportação de gás natural comece apenas em 2028”, precisamente quando o custo da dívida mais sobe.

Isto, conclui a consultora britânica, significa que um eventual novo atraso resultará quase de certeza na necessidade de reestruturar os termos dos pagamentos da dívida aos investidores.

Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Índia e Moçambique reforçam colaboração energética para alcançar metas ambiciosas

O Ministro da União para Petróleo e Gás Natural, Hardeep Singh Puri, e o Ministro da Economia e Finanças de Moçambique, Ernesto Max Elias Tonela, se reuniram para discutir a importância da energia, especialmente o gás, no impulso para a Índia se tornar a terceira maior economia mundial, conforme a visão do Primeiro-Ministro Narendra Modi. A discussão concentrou-se em estratégias para aprofundar a colaboração em projectos de energia em Moçambique.

Um ponto de destaque foi o mecanismo de financiamento do Projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), conforme informado pela Alta Comissão Indiana em Moçambique. Hardeep Singh Puri enfatizou a crescente importância dos hidrocarbonetos no comércio bilateral entre Índia e Moçambique, representando mais de 35% do total.

Este valor mais do que dobrou nos últimos cinco anos, passando de 2.170,74 milhões de dólares em 2018-19 para  5.028,53 milhões de dólares em 2022-23. Puri antecipa que o Projecto de GNL de 20 bilhões de dólares terá um impacto significativo na segurança energética da Índia, representando um marco importante na jornada do país em direcção à suficiência energética, sob a liderança visionária do Primeiro-Ministro Narendra Modi.

Empresa Francesa SGS vence concurso para controlo de minérios de Moçambique

O Governo moçambicano anunciou no início desta semana que a empresa francesa SGS ganhou o concurso internacional para supervisionar as quantidades, preços e especificações dos minérios extraídos e exportados de Moçambique.

O vice-ministro da Economia e Finanças, Amílcar Tivane, afirmou à Lusa que a companhia “vai assegurar a verificação das especificações, dos preços e das quantidades dos produtos mineiros”. A SGS já está no terreno para elaborar um plano de acção e assinou um contrato de três anos com as autoridades moçambicanas, aguardando apenas a aprovação do Tribunal Administrativo.

Amílcar Tivane enfatizou que a SGS é uma empresa com “ampla experiência e renome internacional” no sector. Ele defendeu que os relatórios mensais apresentados pelas empresas do sector mineiro estejam consoante as regras de controlo das quantidades, especificações e preços.

A intervenção da SGS está alinhada com o compromisso do Governo moçambicano de corrigir as falhas no controlo dos minérios extraídos e exportados do país africano. “Há falta de informação em alguns relatórios”, declarou, sublinhando que “Moçambique é rico em recursos naturais e deve aproveitar isso ao máximo”.