The Kimberley Precious Metals and Gems Process Management Unit (UGPK) has been granted financial and asset autonomy following the approval of a document by the government that revises decree no. 64/2021, of September 1, which established the terms for the creation of the entity.
“The revision of the decree aims to give the Kimberley Precious Metals and Gems Process Management Unit financial and asset autonomy,” said a statement released after a session of the Council of Ministers.
The UGPK is a public institution subordinate to the Ministry of Mineral Resources and Energy, with the responsibility of guaranteeing legality in the tracking of the production, import and export of rough diamonds, precious metals and gems, as well as ensuring compliance with the standards of the Kimberley Process and the Certification System.
By joining the Kimberley Process, Mozambique has committed itself to international efforts to prevent illegal diamonds from financing conflicts.
At the end of last year, the UGPK and the Bank of Mozambique signed a memorandum of understanding to coordinate the prevention and fight against money laundering, terrorist financing and the proliferation of weapons of mass destruction, reinforcing Mozambique’s position in complying with international standards and promoting transparency and legality in the trade of precious metals and gems.
O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO) anunciou, a redução da taxa de juro de política monetária (MIMO) de 17,25% para 16,50%. Esta decisão reflete a perspectiva de manutenção da inflação em um dígito no médio prazo, assim como uma avaliação mais favorável dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação.
O governador do banco central, Rogério Lucas Zandamela, já havia indicado a possibilidade de ajustar a política monetária devido à contenção no aumento dos preços, conforme carta enviada ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A inflação em Moçambique voltou ao centro da meta, o que leva o Banco de Moçambique a monitorar cuidadosamente a necessidade de ajustar a política monetária para manter a estabilidade de preços.
A redução da taxa de juro de política monetária é uma medida que visa contribuir para a consolidação orçamental, a redução das necessidades de financiamento e o controle das vulnerabilidades da dívida pública. O FMI também avaliou positivamente a política monetária, considerando-a justificada dada a consolidação fiscal em curso e o fraco crescimento do sector não mineiro.
O contexto internacional, com volatilidade nos mercados financeiros, e a trajectória de desaceleração da inflação em Moçambique são elementos que continuam a exigir uma actuação prudente da política monetária. Neste sentido, a política monetária permanece restritiva, com a taxa de juro de política monetária fixada em 17,25% até o momento. Adicionalmente, o Banco de Moçambique aumentou os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional e estrangeira para lidar com o excesso de liquidez no sistema bancário.
A redução da taxa de juro de política monetária é um sinal positivo para a economia moçambicana, indicando uma perspectiva favorável para a estabilidade de preços e o desenvolvimento económico sustentável do país.
The Monetary Policy Committee of the Bank of Mozambique (CPMO) announced the reduction of the monetary policy interest rate (MIMO) from 17.25% to 16.50%. This decision reflects the prospect of inflation remaining in single digits in the medium term, as well as a more favorable assessment of the risks and uncertainties associated with inflation projections.
The governor of the central bank, Rogério Lucas Zandamela, had already indicated the possibility of adjusting monetary policy due to the containment of price increases, according to a letter sent to the International Monetary Fund (IMF). Inflation in Mozambique has returned to the center of the target, leading the Bank of Mozambique to carefully monitor the need to adjust monetary policy in order to maintain price stability.
Reducing the monetary policy interest rate is a measure aimed at contributing to fiscal consolidation, reducing financing needs and controlling public debt vulnerabilities. The IMF also assessed the monetary policy positively, considering it justified given the fiscal consolidation underway and the weak growth of the non-mining sector.
The international context, with volatility in the financial markets, and the slowdown in inflation in Mozambique are elements that continue to require prudent monetary policy action. To this end, monetary policy remains restrictive, with the policy interest rate set at 17.25% so far. In addition, the Bank of Mozambique has increased the mandatory reserve coefficients for domestic and foreign currency liabilities to deal with excess liquidity in the banking system.
The reduction in the monetary policy interest rate is a positive sign for the Mozambican economy, indicating a favorable outlook for price stability and the country’s sustainable economic development.
Moçambique está se preparando para apresentar sua estratégia e visão energética durante a Conferência Internacional sobre Energia Limpa, que será realizada em Maio, na capital francesa, Paris.
O evento será co-presidido pela Presidente da Tanzânia, Samia Hassan Suluhu, pela Primeira-Ministra da Noruega, Erna Solberg, e pelo Director-Executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. A conferência espera a participação de líderes, empresários e pesquisadores globais da área de energia.
Segundo informações divulgadas pelo Semanário Económico, Moçambique tem feito progressos significativos no sector de energias renováveis, mantendo sua posição como principal fonte de energia, representando 62% da geração em 2022, apesar do aumento da geração térmica.
Em 2022, o país exportou 27% de sua produção para países vizinhos, buscando se posicionar como um centro energético na região da África Austral.
Para garantir as necessidades energéticas do país, o Governo aprovou o Plano Director de Infra-estruturas Eléctricas 2018-43, visando integrar 20% de energias renováveis na matriz energética nacional como solução de menor custo.
A participação de Moçambique nesta conferência ressalta seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a busca por soluções energéticas inovadoras e eficientes.
Mozambique is preparing to present its energy strategy and vision during the International Conference on Clean Energy, which will be held in May in the French capital, Paris.
The event will be co-chaired by the President of Tanzania, Samia Hassan Suluhu, the Prime Minister of Norway, Erna Solberg, and the Executive Director of the International Energy Agency, Fatih Birol. The conference is expected to be attended by global energy leaders, entrepreneurs and researchers.
According to information published by Semanário Económico, Mozambique has made significant progress in the renewable energy sector, maintaining its position as the main source of energy, representing 62% of generation in 2022, despite the increase in thermal generation.
In 2022, the country exported 27% of its production to neighboring countries, seeking to position itself as an energy hub in the southern African region.
To guarantee the country’s energy needs, the government approved the 2018-43 Electricity Infrastructure Master Plan, with the aim of integrating 20% renewable energy into the national energy matrix as a lower cost solution.
Mozambique’s participation in this conference underlines its commitment to sustainable development and the search for innovative and efficient energy solutions.
A Vodacom Moçambique, sob a égide do seu programa visionário “Faz Crescer”, anuncia, durante a cerimónia de abertura do ano lectivo de 2024, a inauguração de dois laboratórios de informática, na Escola Secundária de Mafambisse, Dondo, Sofala.
Este evento, não só simboliza o compromisso da Vodacom com a educação e tecnologia, mas também marca um avanço no desenvolvimento digital em Moçambique. Estes laboratórios, equipados com um total de 50 computadores avançados e uma robusta oferta de 600 Gigabytes de Internet gratuita mensal, estão destinados a se tornar um centro de excelência em aprendizagem.
Este investimento representa um novo horizonte de oportunidades para os estudantes de Mafambisse, abrindo portas para um mundo de conhecimento digital e habilidades do século XXI. “Através do Faz Crescer, já conectamos mais de 120 escolas com internet gratuita, e já oferecemos 85 laboratórios de informática. Hoje, celebramos mais um passo nessa jornada, reforçando o nosso compromisso em conectar as gerações futuras às oportunidades ilimitadas que a tecnologia oferece. A inauguração de dois novos laboratórios de informática na Escola Secundária de Mafambisse, a maior escola secundária do país, é um reflexo do compromisso da Vodacom com o futuro da nossa nação. Acreditamos firmemente que, ao investir em infra-estruturas educacionais como esta, estamos a investir no futuro do país.”, destacou Lucas Chachine – Presidente do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique.
“Agradeço ao Governo de Moçambique, ao Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, e a todos os nossos parceiros que tornaram este projecto possível. É através de parcerias fortes e comprometidas que podemos realizar mudanças significativas na sociedade.” finalizou Chachine. A cerimónia de inauguração contou com a presença de Sua Excelência o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, da Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Rita Namashulua, e do Governador de Sofala, Lourenço Bulha.
A presença destas figuras de destaque e outros quadros do governo reafirmam a importância da colaboração entre a Vodacom os seus parceiros nos sectores público e privado para a construção de um futuro digital promissor em Moçambique. Com a inauguração dos laboratórios na Escola Secundária de Mafambisse, a província de Sofala conta agora com 10 escolas secundárias com laboratórios de informática já em funcionamento, num total de 86 em todo o país, colocando a Vodacom Moçambique na vanguarda da transformação digital, trazendo tecnologia e educação de qualidade para todos, sobretudo as comunidades com menos acesso a estas oportunidades.
Esta acção da Vodacom está alinhada com o Plano Estratégico da Educação (PEE 2020-2029), que estabelece como missão a criação de um Sistema Educativo justo, inclusivo, eficiente e eficaz, visando oferecer uma educação de qualidade no país, e reforça a importância das TICs no processo de ensino-aprendizagem.
Vodacom Mozambique, under the umbrella of its visionary “Faz Crescer” program, is announcing, during the opening ceremony of the 2024 school year, the inauguration of two computer labs at Mafambisse Secondary School, Dondo, Sofala.
This event not only symbolizes Vodacom’s commitment to education and technology, but also marks a breakthrough in digital development in Mozambique. These laboratories, equipped with a total of 50 advanced computers and a robust supply of 600 Gigabytes of free Internet per month, are destined to become a center of excellence in learning.
This investment represents a new horizon of opportunities for the students of Mafambisse, opening doors to a world of digital knowledge and 21st century skills. “Through Faz Crescer, we have already connected more than 120 schools with free internet and offered 85 computer labs. Today, we celebrate another step on this journey, reinforcing our commitment to connecting future generations to the limitless opportunities that technology offers. The inauguration of two new computer labs at Mafambisse Secondary School, the largest secondary school in the country, is a reflection of Vodacom’s commitment to the future of our nation. We firmly believe that by investing in educational infrastructure like this, we are investing in the future of the country,” said Lucas Chachine – Chairman of the Board of Directors of Vodacom Mozambique.
“I thank the Government of Mozambique, the Ministry of Education and Human Development, and all our partners who made this project possible. It is through strong and committed partnerships that we can make significant changes in society.” concluded Chachine. The inauguration ceremony was attended by His Excellency the President of the Republic, Filipe Jacinto Nyusi, the Minister of Education and Human Development, Carmelita Rita Namashulua, and the Governor of Sofala, Lourenço Bulha.
The presence of these leading figures and other government officials reaffirms the importance of collaboration between Vodacom and its partners in the public and private sectors in building a promising digital future in Mozambique. With the inauguration of the labs at Mafambisse Secondary School, Sofala province now has 10 secondary schools with computer labs already in operation, out of a total of 86 across the country, placing Vodacom Mozambique at the forefront of digital transformation, bringing technology and quality education to everyone, especially communities with less access to these opportunities.
This action by Vodacom is in line with the Education Strategic Plan (PEE 2020-2029), which establishes as its mission the creation of a fair, inclusive, efficient and effective Education System, with the aim of offering quality education in the country, and reinforces the importance of ICTs in the teaching-learning process.
Moçambique e Malawi, países vizinhos na África Oriental, estão buscando soluções para facilitar a mobilidade de motoristas de longa distância ao longo de sua fronteira comum. Essa iniciativa surge devido à importância estratégica de Moçambique para a logística do Malawi, que depende dos portos de Beira, em Sofala, e de Nacala, em Nampula, para suas importações e exportações.
Parte da mercadoria destinada ao Malawi é transportada por estrada até o Porto da Beira, mas ambos os países estão investindo na reconstrução do ramal da Vila Nova da Fronteira, que se conecta à linha férrea de Sena. As obras desse ramal foram concluídas em Moçambique no ano passado, aguardando-se agora a finalização no território malawiano.
Recentemente, Moçambique e Malawi iniciaram conversações diplomáticas para discutir maneiras de melhorar a mobilidade dos motoristas de longa distância ao longo da fronteira. Essas conversações foram motivadas por um incidente em que um motorista de caminhão do Malawi foi agredido por agentes da guarda-fronteira moçambicana no posto fronteiriço de Zóbuè, em Tete. Esse incidente gerou preocupação e levou quatro associações de transportadores do Malawi a pedir ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do país que intercedesse junto ao governo moçambicano para evitar futuras ocorrências desse tipo.
Em uma carta dirigida ao Ministério dos Transportes e Obras Públicas do Malawi, as associações de transportadores solicitaram uma investigação sobre o incidente e a aplicação de medidas severas contra os agentes envolvidos. O Cônsul-geral do Malawi em Tete e o Cônsul-geral de Moçambique em Blantyre estão envolvidos nas negociações para resolver o problema de forma amigável.
Apesar desse incidente, as relações diplomáticas entre Moçambique e Malawi continuam sólidas. Ambos os países estão empenhados em garantir que a fronteira entre eles seja um local seguro e eficiente para o comércio e a circulação de pessoas.
Mozambique and Malawi, neighboring countries in East Africa, are seeking solutions to facilitate the mobility of long-distance drivers along their common border. This initiative comes about due to the strategic importance of Mozambique for Malawi’s logistics, which depends on the ports of Beira, in Sofala, and Nacala, in Nampula, for its imports and exports.
Part of the goods destined for Malawi are transported by road to the port of Beira, but both countries are investing in the reconstruction of the Vila Nova da Fronteira branch line, which connects to the Sena railway. Work on this branch was completed in Mozambique last year and is now awaiting completion in Malawi.
Recently, Mozambique and Malawi began diplomatic talks to discuss ways of improving mobility for long-distance drivers along the border. These talks were prompted by an incident in which a Malawian truck driver was assaulted by Mozambican border guard agents at the Zóbuè border post in Tete. This incident generated concern and led four Malawian hauliers’ associations to ask the country’s Ministry of Foreign Affairs to intercede with the Mozambican government to prevent future occurrences of this kind.
In a letter addressed to Malawi’s Ministry of Transport and Public Works, the hauliers’ associations called for an investigation into the incident and for severe measures to be taken against the agents involved. The Consul General of Malawi in Tete and the Consul General of Mozambique in Blantyre are involved in negotiations to resolve the problem amicably.
Despite this incident, diplomatic relations between Mozambique and Malawi remain solid. Both countries are committed to ensuring that the border between them is a safe and efficient place for trade and the movement of people.
O estudo “CFO Survey Moçambique 2024” destaca que a volatilidade dos mercados financeiros, o rápido avanço tecnológico e factores ESG são outras das grandes inquietações para os líderes financeiros.
Neste contexto, o Profile entrevistou Eduardo Caldas, Assurance Partner na Ernst & Young (EY) Moçambique, que descreve os principais resultados do relatório.
Profile Mozambique: Fale-nos dos principais objectivos deste inquérito da Ernst & Young (EY), que é o CFO Survey?
Eduardo Caldas: Este relatório foi realizado numa perspectiva do que já vinha sendo feito pela Ernst & Young (EY) a nível internacional. Trata-se de um relatório direccionado exclusivamente aos serviços financeiros, mais especificamente ao sector da banca e dos seguros, onde se procurou reflectir sobre aquelas que são as preocupações dos CFOs, actuais e futuras, a operar em Moçambique, considerando factores como o talento das pessoas com quem trabalham, que, portanto, compõem a equipa financeira, bem como aspectos relacionados com a aceleração tecnológica e perspectivas de investimento considerando os desafios que enfrentam actualmente.
Um outro objectivo, eu diria, um segundo objectivo, foi fornecer uma visão sobre aquilo que são os desafios actuais e futuros dos CFOs que estão a operar em Moçambique, considerando, obviamente, aquilo que são as actuais condições de mercado e o nível de conhecimento das equipas que compõem as áreas financeiras dos vários bancos e companhias de seguros.
Um terceiro objectivo do estudo foi proporcionar aquilo que são as perspectivas dos CFOs sobre os sectores da banca e dos seguros em Moçambique. Portanto, ter uma visão um pouco alargada, holística, daquilo que são as principais perspectivas dos CFOs relativamente a este mercado.
PM: No relatório em referência quantas empresas ao todo foram inquiridas?
EC: Nós acabámos por inquirir 37 empresas, portanto, 22 bancos e 15 companhias seguros, sendo que dessas 37 entidades recebemos resposta de 24, das quais 14 bancos e 10 companhias seguros.
Tivemos uma amostra bastante representativa, à volta dos 65% do total dos questionários e dos contactos que fizemos, sendo que do total dos contactos para os quais recebemos resposta 12 foram de Administradores (CEO/CFO), 2 de Directores de primeira linha e 10 de Directores Coordenadores.
PM: Por que estes dois sectores: Banca e Seguros?
EC: Acima de tudo porque o sistema financeiro, que incorpora obviamente a banca e os seguros, está actualmente em constante evolução, quer a nível internacional quer, particularmente, em Moçambique, onde há vários desafios e muitas oportunidades no mercado, decorrentes das frequentes mudanças regulatórias que vão ocorrendo ao nível destas duas áreas, estou a falar do Banco e Seguros.
A questão da transformação digital tem sido muito importante, principalmente nestes dois ramos de negócio, na banca e nos seguros, bem como o impacto que as políticas monetárias, por imposição dos vários bancos centrais, têm vindo a afectar o mercado de uma forma geral, especialmente no sector bancário por via do aumento das taxas de juro e do incremento do regime de reservas mínimas obrigatórias, sendo obviamente uma preocupação geral. De referir que embora as politicas monetárias restritivas aumentem as margens financeiras dos Bancos, podem também conduzir ao aumento do NPL dos Bancos. No caso concreto de Moçambique, onde se assistiu a um crescimento do rácio de margem financeira de 64% (2021) para 68,5% (2022), a tendência do NPL, felizmente, foi inversa, passando dos 10,6% (2021) para 9% (2022). De referir ainda, que apesar da tendência global de aumento / manutenção de taxas de juro, recentemente o Banco de Moçambique procedeu a uma redução da sua taxa de referência (“Prime Rate”) de 24,1% para 23,5%, dando um sinal de alguma estabilidade no controlo da inflação e melhorando o Outlook de investimento para os principais investidores.
Eu diria que foi uma escolha, por se tratarem dos sectores de actividade que estão a ter e a sofrer maiores impactos ao nível do quadro macroeconómico e geopolítico actual que existe no mundo inteiro, de muita incerteza, e que têm impactos significativos ao nível dos bancos e das companhias de seguros.
Foi fundamentalmente por isso que nós decidimos escolher estes dois sectores de actividade e obviamente contactar estes CFOs.
PM: Quais são as principais tendências e desafios do sector bancário e de seguros na actual conjuntura?
Claramente, as tendências e desafios que se verificam a nível interno são as mesmas que se verificam a nível global, isto por causa do efeito da globalização e da rápida volatilidade existente nos mercados. Pese embora ambos os sectores de actividade estejam a sofrer grandes alterações, obviamente sector bancário está a andar relativamente mais depressa do que o sector segurador por causa do quadro macroeconómico global que temos neste momento. Assiste-se a uma constante actualização e reforço da regulamentação por parte dos supervisores, tonando-se por vezes muito mais complexa, cobrindo não só matérias relacionadas com as normas contabilísticas e de suporte ao próprio processo de fecho de contas, mas também ao nível de outras áreas, nomeadamente questões relativas aos novos paradigmas da transformação digital, fundamentalmente a digitalização bancária, criação de aceleradores tecnológicos e da agenda ESG com novas politicas sobre sustentabilidade, esta última claramente uma preocupação identificada pelos CFOs das companhias de seguros.
São dois sectores muito dependentes daquilo que é a evolução macroeconómica do país como um todo e, portanto, vão articulando e adequando as necessidades e as várias mudanças que são impostas pelos próprios reguladores.
PM: O que fazer para incrementar os investimentos e as transações? E quais os sectores em que há mais interesse e porquê?
EC: Olhando concretamente para as áreas da Banca e Seguros, que foram os sectores objecto do referido Survey, estamos a falar de um mercado com demasiados “players”, 31 bancos neste momento, dos quais 15 bancos comerciais, 12 micro bancos e 4 cooperativas, e 16 companhias de seguros, das quais 2 do Ramo Vida, 10 a operar no ramo Não Vida e 4 Mistas, para um nível de operações financeiras e de seguro não o suficientemente dimensionadas a estrutura da oferta existente. Talvez por isso se tenha assistido nos últimos tempos a alguns processos de fusão / aquisição no mercado, especialmente no mercado segurador.
Ainda assim, estamos a falar de um mercado que gere globalmente um volume de activos da ordem dos 900 mil milhões de Meticais (2022) e que gerou lucros globais da ordem dos 30 mil milhões de Meticais, isto é, cerca de 3% do PIB de Moçambique considerando valores de 2021.
Não me parece, actualmente, face às actuais condições de mercado e aos recentes desenvolvimentos decorrentes do actual quadro geopolítico, que se perspetivem novos e grandes investimentos ao nível da área financeira.
Existe sim uma tendência crescente de investimento dos actuais “players” no seu negócio, no sentido de se adaptarem às novas exigências regulatórias, à melhoria da qualidade da informação presente nos sistemas de informação, que serve de base ao apoio à tomada de decisão, e aos desafios impostos pela transformação digital, obrigando à implementação de aceleradores tecnológicos.