Monday, April 13, 2026
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Acordo de Mobilidade na CPLP entra em vigor no país a 1 de Fevereiro

Por nota verbal de 10 de Janeiro, a ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, depositou no secretariado-executivo da CPLP o instrumento de ratificação do acordo.

Segundo um documento a que a Revista Comunidades teve acesso, o instrumento de ratificação foi assinado pela chefe da diplomacia de Moçambique a 20 de Dezembro, após ter sido publicado em Diário da República a 02 de Novembro de 2021.

Por enquanto, a isenção de vistos aplica-se “apenas aos titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e serviço”, conforme o acordo.

Moçambique é, deste modo, o quinto dos nove Estados-membros da CPLP a entregar o instrumento de ratificação do Acordo de Mobilidade, a seguir a Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal e Guiné-Bissau, que o fizeram até ao final de Dezembro de 2021.

O documento já entrou em vigor a 1 de Janeiro para os restantes quatro Estados-membros que o ratificaram.

O acordo deverá ser agora submetido para registo junto do Secretariado das Nações Unidas, cabendo, posteriormente, a cada país legislar em concreto sobre como irá facilitar a circulação de pessoas entre os países signatários.

Assinado na cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, em Julho de 2021, em Luanda, o acordo estabelece um “quadro de cooperação” entre todos os Estados-membros de uma forma “flexível e variável” e, na prática, abrange qualquer cidadão.

Aos Estados é facultado um leque de soluções que lhes permitem assumir “compromissos decorrentes da mobilidade de forma progressiva e com níveis diferenciados de integração”, tendo em conta as suas próprias especificidades internas, na sua dimensão política, social e administrativa.

Neste contexto, têm a “liberdade (…) na escolha das modalidades de mobilidade, das categorias de pessoas abrangidas”, bem como dos países da comunidade com os quais pretendam estabelecer as parcerias.

O acordo define que a mobilidade na CPLP abrange os titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço e os passaportes ordinários.

IPG importa combustíveis para Moçambique

A Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO) adjudicou recentemente à companhia Independent Petroleum Group (IPG), do Kuwait, a importação de combustíveis de Janeiro a Junho de 2022. A informação foi avançada à “Carta” por uma fonte da IMOPETRO.

A IPG destacou-se a 14 de Dezembro último, ao propor o menor preço de importação de produtos petrolíferos na cerimónia de abertura de propostas de um concurso lançado em 27 Novembro de 2021.

Como tem sido apanágio, em concursos de importação de combustíveis, a empresa que menor proposta de preço apresenta ganha automaticamente o concurso. É o que aconteceu com a IPG.

Para esse concurso, compraram cadernos de encargo oito companhias, mas apenas sete apresentaram propostas que foram abertas pela IMOPETRO, criada em 1997 pelo Governo para se dedicar à importação de combustíveis líquidos e gasosos para o país.

Das oito companhias, apenas sete apresentaram propostas, tendo a IPG se destacado ao propor importar, cada Tonelada Métrica (TM), por 35.62 USD em média, contra 55.78 USD (preço mais alto) sugeridos pela Augusta Energy, 49.66 USD proposta por Trafigura, 45.86 USD por Glencore Energy, 43.04 USD por Vitol (actual fornecedor), 42.94 USD pela Sahara Energy, 41.64 USD pela Totsa (ou Total).

Após a abertura de propostas, a Comissão de Aquisição de Combustíveis Líquidos (CAL) avaliou outros pressupostos, como a capacidade técnica para a importação e, ao fim e ao cabo, adjudicou à IPG.

A IPG deverá importar, nos próximos seis meses, aproximadamente, 1.190,000 Toneladas Métricas (TM) dos quais 340.000 TM de Gasolina; 50.000 TM de Jet e 800.000 TM de Gasóleo 50 ppm. O contrato entre IMOPETRO e IPG prevê ainda que, após a importação, a empresa adjudicada distribua os combustíveis pelos portos de Maputo, Beira, Nacala e Pemba.

A IPG é um grupo de empresas de sucesso com sede no Kuwait com operações mundiais no comércio e comercialização de petróleo bruto, produtos petrolíferos, GLP, petroquímicos e fertilizantes. Além desta actividade principal, a IPG tem interesses em terminais, oleodutos e navegação. Para além de Kuwait e Moçambique, a IPG opera em mais sete países de diferentes continentes.

Os preços dos combustíveis em Moçambique podem voltar a subir

Um barril de petróleo bruto no mercado internacional registou a sua maior subida de preços nos últimos sete anos, e isto está a exercer pressão sobre as empresas de combustíveis, adverte a Associação Moçambicana de Empresas de Combustíveis (AMEPETROL). A associação alega ainda que transportadoras de países da região estão a utilizar combustível moçambicano, uma vez que é mais acessível.

Os preços dos combustíveis foram actualizados pela última vez no país em Novembro de 2021, com a gasolina a subir de 62,50 para 69,94 meticais por litro e o gasóleo de 57,45 para 61,71 meticais. Nessa altura, um barril de petróleo bruto custava 84 dólares no mercado internacional.

Mas dois meses depois, o preço do barril é agora de 88,44 dólares – um aumento histórico, de acordo com a associação que reúne os operadores petrolíferos do país.

“Os actuais níveis de custo por barril são aproximadamente os mesmos de há sete anos atrás, em Outubro de 2014”, diz o secretário-geral da AMEPETROL, Ricardo Cumbe.

A estrutura dos preços dos combustíveis no país é influenciada por três factores, incluindo o custo de importação na fonte, com Ricardo Cumbe a notar que o aumento de preços já se faz sentir em países de toda a região.

“Na nossa vizinha África do Sul, hoje, olhando para a estrutura actual e convertida à taxa de câmbio de 4,16 (meticais para o rand), a gasolina custa 81 meticais por litro, em comparação com os nossos actuais 69 meticais”, observa ele. “Há também uma diferença em relação ao nosso gasóleo, que custa 61,70 meticais, em comparação com cerca de 79 meticais na África do Sul. A diferença é de 18 meticais para o gasóleo e 12,5 meticais para a gasolina”.

Um problema surge do facto de os preços nacionais dos combustíveis não estarem em linha com outros países da região da SADC, diz Cumbe.

“O que acontece é que os consumidores desses países, especialmente os da área dos transportes que transportam grandes mercadorias, exercem pressão sobre Moçambique. Estamos a financiar [eles] com os nossos recursos”.

Os preços poderão eventualmente atingir o pico no mercado nacional dentro de cerca de dois meses, estima Cumbe.

A AMEPETROL, que reúne 30 operadores, incluindo o IMOPETRO, o importador de petróleo moçambicano, afirma que está a estabelecer contactos com as autoridades na esperança de mitigar os efeitos de um possível aumento futuro dos preços dos combustíveis.

Moçambique continua à beira do “lixo” no mercado financeiro internacional

As agências internacionais de notação financeira, Standard & Poor’s, Fitch Ratings e Moody’s continuaram, no primeiro semestre de 2021, a classificar Moçambique como estando à beira do incumprimento (ou lixo), no mercado financeiro internacional por causa do elevado endividamento público.

A descoberta do escândalo das dívidas ocultas, no valor de 2.2 biliões de USD e consequente suspensão da ajuda externa ao Orçamento do Estado contribuiu grandemente para que as agências classificassem o país, em 2018, como incumpridor (default) no pagamento da dívida pública.

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira recentemente publicado pelo Banco de Moçambique e referente ao primeiro 2021, as agências de rating classificaram o país como estando em “CCC”, o que significa “risco substancial”, na capacidade de honrar suas obrigações financeiras integralmente e no prazo determinado (classificação que recebe desde 2019). Ou seja, Moçambique continua à beira do incumprimento/”lixo”.

“No primeiro semestre de 2021, a confiança do país no mercado internacional permaneceu no nível de risco substancial, influenciado pela intensificação do conflito armado na região Norte do país, que culminou com a suspensão do projecto Mozambique LNG”, lê-se no relatório do Banco Central.

Como consequência, a fonte sublinha que a classificação de risco substancial no mercado internacional impõe restrições no acesso aos mercados financeiros internacionais, o que pode incrementar o risco do mercado financeiro doméstico nas vertentes taxa de câmbio e taxa de juros.

De acordo com a fonte que temos vindo a citar, a classificação de Moçambique atribuída pelas principais agências de notação financeira (Standard & Poor’s, Fitch Ratings e Moody’s), baseou-se nos riscos associados aos actuais níveis de dívida pública, as limitadas fontes de financiamento, para além da falta de resolução judicial do processo das dívidas ilegais e inconstitucionais.

Até ao primeiro semestre situava-se em 848.8 biliões de Meticais (13.3 biliões de USD) o equivalente a 87,11% do Produto Interno Bruto (PIB). Para cúmulo, o relatório do Banco Central refere que, comparativamente aos países da região da SADC, Moçambique apresenta uma das notações mais baixas (estando apenas acima da Zâmbia que está em default), podendo ser um factor penalizador na captação de investimentos para o país.

Suíça anula proibição de voos de seis países africanos

A partir de hoje, a proibição de entrada na Suíça a partir da África do Sul e de outros cinco países da África Austral, imposta em Novembro, na sequência da deteção dos primeiros casos da variante omicron da covi-19 na região, será levantada.

Os outros cinco países afetados pela proibição, que também será levantada na próxima semana, são Botswana, Esuatini, Lesoto, Moçambique, Namíbia e Zimbabué, disse a Secretaria de Estado suíça para a Migração na sua conta oficial no Twitter.

Por outro lado, a instituição anunciou que a Austrália, o Canadá e a Argentina foram acrescentados à lista de países em risco para a elevada propagação da covi-19, que inclui a maioria dos países da União Europeia, bem como outros como Colômbia, Uruguai, Coreia do Sul e Peru.

A proibição de mais de dois meses aos cidadãos da África Austral não impediu a rápida circulação da variante na Suíça, como noutros países do mundo, tendo o país da Europa Central atingido um recorde de novos casos diários na terça-feira 18 (37.000 novos casos positivos).

As taxas de mortalidade também aumentaram ligeiramente durante a vaga actual, embora sejam relativamente baixas (cerca de 20 mortes por dia) e inferiores às das ondas anteriores fases da covid-19.

Millennium bim premiado pelo apoio ao Comércio Internacional

Este é o sétimo ano consecutivo que o Banco recebe o prémio “Best Trade Finance Provider”. Este prémio revela a consistência do Banco no apoio às empresas nas suas operações de comércio internacional.

O Millennium bim foi distinguido pela revista Global Finance como “Best Trade Finance Provider in Mozambique for 2022”, prémio que reconhece o Banco como a instituição bancária moçambicana que presta o melhor apoio financeiro às operações de comércio internacional das empresas, em particular as exportadoras. Este é o sétimo ano consecutivo que o Millennium bim é reconhecido como “Best Trade Finance Provider” em Moçambique pela Global Finance, publicação de referência internacional na área das finanças.

Para atribuir o prémio “Best Trade Finance Provider”, o júri, constituído por reputados especialistas em finanças internacionais, analisou critérios como volume de transacções, âmbito de cobertura global, serviço ao Cliente, preços competitivos e tecnologias inovadoras.

Além da selecção dos seus editores, a publicação especializada em finanças internacionais, e referência entre os profissionais do sector, contou também com o parecer de analistas do sector bancário e do mundo empresarial.

Sustentando a atribuição do prémio, Joseph D. Giarraputo, Director da Global Finance, afirmou que “o sector de Trade Finance continua a ser duramente atingido pelas consequências da pandemia da COVID-19, e os fornecedores continuam a adaptar-se aos desafios que esta apresenta. Os vencedores dos nossos prémios anuais de Trade Finance são as instituições que melhor responderam a estes desafios e que têm servido os seus Clientes com mais sucesso.

Para José Reino da Costa, Presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, “este novo prémio reconhece, mais uma vez, o apoio consistente que o Banco tem dado às empresas, tanto nas suas operações comerciais domésticas como na promoção do seu posicionamento nos mercados externos. Um apoio que tem sido crucial para robustecer o tecido empresarial num contexto particularmente complexo, dados os efeitos negativos provocados pela pandemia na economia. Esta nova distinção só foi possível graças à confiança depositada pelos nossos Clientes, à qual endereço em nome do Millennium bim o nosso muito obrigado, bem como ao elevado profissionalismo dos Colaboradores do Banco, na qual se inclui pessoal especializado em operações internacionais, que não poupam esforços na procura das melhores soluções para servir bem as nossas empresas, tornando-as mais competitivas”.

Com esta nova distinção pela Global Finance, o Millennium bim consolida a sua
posição de Banco mais premiado de Moçambique.

Sobre o Millennium bim – Maior grupo financeiro moçambicano, tem marcado o ritmo de crescimento do sector bancário. No processo de bancarização da economia moçambicana, o Banco está presente em todas as províncias do país e conta hoje com uma vasta rede de balcões, e uma das maiores redes de ATM e POS. O Millennium bim é o Banco mais premiado do País e o primeiro Banco moçambicano presente no ranking dos 100 maiores Bancos de África.

Moçambique pode voltar a ter o apoio do FMI

O Fundo Monetário Internacional – FMI- pode vir a retomar o apoio directo ao Orçamento Geral de Estado de Moçambique, suspenso após o escândalo das dívidas ocultas. A informação foi confirmada pelo representante da organização financeira no país, Alexis Cirkel, salientando que as negociações entre as partes iniciam este mês.

No próximo dia 27 de Janeiro arrancam as negociações entre o Governo moçambicano e o Fundo Monetário Internacional -FMI- com vista à retoma do apoio ao Orçamento Geral do Estado. O representante da organização financeira no país, Alexis Cirkel, considera que se não houver nenhum entrave a retoma pode vir a ser feita nos próximos meses.

“Se essa discussão não tiver nenhum entrave talvez uma conclusão deste processo até à páscoa, pode ser uma expectativa razoável”, explicou.

O desfecho das negociações é ainda uma incerteza, diz Alexis Cirkel, nesta equação a gestão do gás será tida em conta pela instituição financeira.

O Fundo Monetário Internacional suspendeu em 2016 o apoio directo ao Orçamento Geral de Estado moçambicano, após a descoberta das dívidas ocultas que lesaram o país em mais de 2.2 mil milhões de dólares.

Não houve manipulação cambial no Standard Bank

O Tribunal de Polícia da Cidade de Maputo (5ª Secção) ilibou o ex-administrador delegado do Standard Bank, Adimohanwa Chukwama Nuwococha da acusação do Banco de Moçambique segundo a qual o banqueiro “terá fixado artificialmente a taxa de câmbio, provocando prejuízo incalculável para a economia nacional”, entre 09 a 15 de Abril de 2021.O Juiz de Direito, Carlos Mondlane, considerou a condenação do Banco de Moçambique como “nula e injusta”.

Com a decisão, Adimohanwa Nuwococha não mais deverá pagar ao Banco de Moçambique 6.3 milhões de Meticais e não será inibido do exercício de cargos sociais e de funções de gestão em instituições de crédito e sociedades financeiras por 3 anos. Esta é mais uma derrota do Banco de Moçambique em sede de justiça. Desde que lidera o banco, o economista abdicou dos préstimos do Departamento Jurídico da instituição, privilegiando assessoria externa. Neste caso, as alegações do banco estiveram a cargo do advogado Francisco Avillez.

No acórdão sobre o recurso interposto pelo banqueiro e a que “Carta” teve acesso, o Tribunal de Polícia da Cidade de Maputo alega que a acusação do Banco de Moçambique é nula porque é injusta. Nas suas alegações de recurso, Chuma negou que tenha havido alguma “concertação” no SB com o objetivo de “depreciar o dólar nos dias de crise”.

O Tribunal corroborou. No acórdão lê-se que “o Banco encontrava-se numa posição técnica de exposição longa trazida em maior fluxo de dólares disponíveis e havia por conseguinte uma preocupação institucional de fazer descer o valor do dólar, o que só seria alcançado se o mercado correspondesse. Essa preocupação se estendeu para outras instituições de crédito que agiram na mesma conformidade”.

Uma das testemunhas abonatórias de Chuma foi o conhecido Economista-Chefe do SB, Fáusio Mussá, que negou que Chuma, como Administrador Delegado do Standard Bank, nunca poderia dar ordens à sala de mercados para desvalorizar a moeda.

“Esta só ocorreu devido a algumas políticas monetárias do Banco de Moçambique, que aumentou a taxa de juros do Metical, tornando mais difícil o financiamento, desencorajando outrossim as importações e especialmente fortalecendo a moeda nacional. Esse quadro levou a que o Metical mais forte encontrasse uma moeda estrangeira mais disponível, o que afectou não só o Standard Bank, mas todas as outras instituições financeiras no domínio do câmbio diário”.

O Tribunal diz não ter encontrado, neste caso, evidências de abuso de posição dominante por parte do SB. O que o Standard Bank fez foi estabelecer uma taxa de câmbio a praticar na sala de mercados, no confronto entre a procura e a oferta. “O preço escrutinado pela sala de mercados teve a ver com o equilíbrio entre a procura e a oferta, o que consubstancia o fundamento do mercado, sem que se provasse uma articulação para propósitos nocivos com outras entidades. Por outro lado, não existe uma regulamentação sobre os limites a praticar na regularização de operações de câmbio, senão, conforme as boas práticas financeiras no encontro entre a procura e a oferta”.

Em suma, o Tribunal diz que não se provou a existência de um regime de articulação prévia entre instituições financeiras para a fixação artificial do valor, tratando-se de cotação da moeda estrangeira. “O Tribunal encontra assim dificuldades em estabelecer que o recorrente, através da sala de mercados, tenha concertado com entidades diversas para manipular o mercado cambial nos dias 9 a 15 de Maio de 2021”.

Por fim, lê-se na sentença ditada pelo Juiz de Direito, Carlos Mondlane, que “em razão do exposto, considero o presente recurso procedente e declaro nula e de nenhum efeito a decisão condenatória principal e as medidas acessórias aplicadas”.

Confiança do sector industrial continuou em recuperação

No quarto trimestre de 2021, o indicador de confiança do sector da produção industrial e distribuição de electricidade e água voltou a recuperar ligeiramente, facto que acontece pelo segundo trimestre consecutivo, tendo o respectivo saldo se situado abaixo da média da respectiva série cronológica.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicados no boletim trimestral “Indicadores de Confiança e de Clima Económico” apontam que, se no terceiro trimestre de 2021, o saldo do sector situou-se em 75.6 pontos, no último do ano, o saldo cresceu para 77.6 pontos.

O INE justifica a recuperação da conjuntura sectorial, no período em análise, com a apreciação favorável das perspectivas de emprego e da procura, que suplantaram a actividade actual avaliada como estando em queda face ao trimestre anterior, tendo assim alcançado um novo mínimo da respectiva série temporal.

“Contrariamente ao indicador síntese do sector, o volume de negócios diminuiu de forma ligeira, o que se traduziu numa subida ténue dos stocks nos armazéns industriais, num clima em que as perspectivas de preços foram de queda substancial”, observou o INE.

No período em análise, a instituição constatou que cerca de 48% das empresas deste sector tiveram constrangimentos no trimestre em análise, o que representou 8% de aumento de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior.

“Uma série de factores continuou a afectar o sector industrial, destacando-se a falta de matéria-prima (25%), a falta de acesso ao crédito (20%) e os outros factores não especificados (23%), como principais obstáculos que dificultaram o óptimo desempenho do sector”, conclui o documento.

A publicação “Indicadores de Confiança e de Clima Económico” é uma brochura sobre os resultados do inquérito de conjuntura, realizado trimestralmente pelo INE.

Trata-se de uma compilação de opinião dos agentes económicos (gestores de empresas) acerca da evolução corrente da sua actividade e perspectivas a curto prazo, particularmente sobre emprego, procura, encomendas, preços, produção, vendas e limitações da actividade.

Exploradores de Ouro podem ter sonegado MZN 750 milhões em 2020

As empresas que exploram Ouro em Moçambique podem ter declarado menos 250 quilogramas ao Estado no que toca à sua produção em 2020. Sem aumentar o número de operadores e de áreas de exploração, o país registou uma subida galopante, em 2021. Foram declarados, no ano passado, 800 quilogramas da pedra preciosa, contra 545 do ano anterior.

A indústria extractiva e a sonegação continham elementos da mesma equação em Moçambique. Na extracção do ouro, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia intensificou a fiscalização em 2021 e, pela primeira vez, o nível de registo de produção atingiu um número recorde, 800 quilogramas.

Isto aconteceu numa altura em que o número de operadores e de zonas exploração não registou aumento, aliás, houve menos operadores no terreno devido à COVID-19. Mais do que isso, em 2020, ano em que houve mais empresas a trabalhar, o registo de produção ter-se-á situado em 550 quilogramas, ou seja, menos 250 quilogramas.

Mas, o que isso significa em termos monetários?

De acordo com o portal Goldprice, um quilograma de Ouro custa Três milhões de meticais. Esse valor, multiplicado por 250 quilogramas, que podem ter sido produzidos, mas não declarados em 2020, é igual a 750.000.000 de meticais.

A Unidade de Gestão do Processo Kimberley (UGKP), instituição subordinada ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) criada em 2019 para tratar do licenciamento, certificação, importação e exportação de pedras preciosas e gemas, prefere não falar de perdas.

“As empresas apresentam justificações como supostas avarias e outros factores, quando questionadas sobre por que declaram menos em 2020 e o nível aumentou tanto em 2021,” disse Emídio Cuamba, Coordenador dos Serviços Técnicos UGKP.

Na prática, o que ocorre é que, os exploradores industriais licenciados mentem às autoridades todos os anos sobre as quantidades que conseguem extrair do solo. Declaram menos para pagar menos em receitas.

“Essa é a conclusão que tivemos com o trabalho de rastreio que fizemos durante o ano de 2021. Ao que tudo indica, a desonestidade nas empresas é antiga”, disse Emídio Cuamba.

Terá sido este o esquema que, durante anos, impediu que Moçambique, que tem várias minas de Ouro em todas as zonas do país, o encaixe de receitas seja reduzido.

As desconfianças sobre o esquema são antigas, mas a descoberta foi feita ainda no início do ano, pelo que 2021 foi marcado pela criação de brigadas técnicas que têm estado a fazer o rastreio da produção das empresas que estão no sector, num plano que inclui também grupos que fazem mineração artesanal.

“Quem ouve estes números recorde sem conhecer a realidade pode pensar que contamos com a entrada de novos operadores para obter esses números recorde, mas não. Isto é resultado de uma maior fiscalização. Mudamos a forma de rastrear a produção”, disse o Coordenador dos Serviços Técnicos da Unidade de Gestão do Processo Kimberley, que acrescenta que os ganhos podiam ter sido ainda maiores não fossem as restrições impostas pela pandemia da COVID-19, que obrigou a retenção de alguns operadores nos seus países de origem”.

Bloqueou-se a sonegação de produção e foram criadas estratégias para que os exploradores artesanais vendessem a sua produção aos operadores licenciados. “Com esta estratégia, a ambição do Ministério dos Recursos Minerais e Energia é garantir que mineradores artesanais vendam o seu produto aos detentores de licenças de comercialização, garantindo a tributação e incremento das receitas provenientes da produção, acrescenta o documento”, afirmou Emídio Cuamba.

 

PERSPECTIVAS PARA 2022

Com a estrutura montada, espera-se maior produção em 2022. “Vamos intensificar ainda mais o controlo e contamos com a retoma das empresas que, em 2021, não puderam seguir com os trabalhos por causa da pandemia”, avançou, optimista, o Coordenador dos Serviços Técnicos UGKP.

Isso não é tudo. Há três grandes operações que vão iniciar em Manica, Zambézia e Nampula. O projecto de Manica concentra mais atenções por estimar produzir 360 quilos de Ouro por ano.