Monday, April 13, 2026
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HCB planeia a produção de 14.228 gigawatt-hora em 2022

A empresa Hidroelectrica de Cahora Bassa (HCB), que explora a barragem de Cahora Bassa no rio Zambeze, na província moçambicana ocidental de Tete, anunciou que planeia produzir 14.228 gigawatt-hora de electricidade em 2022.

Um comunicado de imprensa da HCB disse que este objectivo tem em conta as paragens planeadas para manutenção e para a reabilitação das instalações de produção.

Em 2021, a HCB produziu 14.990 gigawatt-hora, o que foi 6,2% superior ao objectivo planeado para o ano, mas 2% inferior à produção em 2020.

“Esta produção global resultou da disponibilidade de recursos hídricos, e do equipamento de geração e transmissão”, disse o comunicado da HCB.

A disponibilidade de água não deverá ser um problema para a HCB este ano. A 31 de Dezembro, o nível do reservatório de Cahora Bassa estava 320,01 metros acima do nível do mar – o que significa que o reservatório estava 72 por cento cheio.

DStv e GOtv lançam um novo canal para moçambicanos

A MultiChoice, através das plataformas DStv e GOtv, lança no dia 17 de Janeiro, o canal “Maningue Magic”. Um canal de televisão dedicado aos telespectadores moçambicanos que traz conteúdos de alta qualidade, compostos maioritariamente por telenovelas, séries de ficção, reality shows, programas musicais, magazine de lifestyle e de sociedade; todos produzidos em Moçambique.

A iniciativa visa entreter os clientes, há muito sedentos de mais conteúdo local na programação.

O evento de lançamento do novo canal decorrerá na Fortaleza de Maputo e contará com a presença de artistas, produtores, realizadores que integram as diferentes produções e representantes da Direcção da MultiChoice Moçambique.

Além de oferecer entretenimento, o canal contribuirá para o crescimento das indústrias culturais e criativas moçambicanas impactando na cadeia de valor baseada no talento e nas habilidades artísticas dos produtores, com a capacidade de geração de empregos e mais receitas para o Estado.

“Preocupamo-nos em levar o melhor do conteúdo televisivo de entretenimento para as famílias nacionais. O lançamento do canal Maningue Magic representa um inquestionável salto qualitativo na oferta de conteúdos televisivos localmente produzidos”, disse Agnelo Laice, Director Geral da MultiChoice Moçambique.

Os artistas nas suas mais variadas formas de manifestação e produção (cinema, teatro, música, promoção de espectáculos e eventos de entretenimento) terão neste canal os seus direitos salvaguardados e a sua imagem promovida na diáspora.

“Continuaremos a trabalhar com os produtores nacionais estabelecidos e apoiar os novos produtores nacionais que encontram agora no canal Maningue Magic uma plataforma de reconhecido crédito, através da qual podem veicular os seus conteúdos em alta qualidade (HD) para Moçambique e além-fronteira. Este novo canal responde também ao nosso compromisso de promover o desenvolvimento da indústria e da economia de entretenimento em Moçambique e no continente africano”, concluiu Laice.

João Ribeiro, Director do canal, destacou que “o Maningue Magic vai melhorar a experiência do telespectador e agregar valor aos clientes. Estamos orgulhosos do nosso papel no sector do entretenimento. Este lançamento reforça a visão estratégica de sermos o principal contador de histórias do continente africano e abre uma nova etapa no relacionamento com a indústria no país”.

As narrativas do Maningue Magic são emotivas e algumas vão se tornar sucessos televisivos que convidam à reflexão de temas essenciais do quotidiano moçambicano (traição, luta pela sobrevivência, conflitos familiares e dicotomia campo-cidade) contadas com uma grande dose de criatividade. Nestas produções valorizamos histórias, actores, músicos e tradições nacionais. As cenas foram filmadas em locais icónicos e em outros menos conhecidos do público, trazem para a nossa tela o outro lado do dia-a-dia com aquele toque de qualidade que caracteriza a produção da M-Net/MultiChoice.

O Maningue Magic estará disponível em exclusivo nos pacotes DStv Família, DStv Grande, DStv Grande Mais, DStv Bué e DStv Mega, assim como nos pacotes GOtv Max e GOtv Supa.

O telespectador poderá contar com uma selecção de conteúdos de alta qualidade, criados localmente e elaborados a pensar em si. Conheça os programas de destaque 100% moçambicanos que serão lançados:

A telenovela Maida – narra a viagem, com cenas de amor, sonhos e traição,de uma adolescente ingénua que deixa o campo para se mudar para a grande cidade;

A série A Influencer – conta-nos a história de uma jovem suburbana que sonha em ser uma Influenciadora Digital e representar as maiores marcas, mas que acaba envolvida num mundo de drogas e prostituição que vai mudar a sua vida;

Estação do Boss – um programa musical orgulhosamente moçambicano com entrevistas interessantes, imagens de bastidores e lançamentos de vídeo-clips de artistas nacionais;

Date My Family Moçambique– uma versão nacional do famoso reality show de encontros de sucesso, que vê solteiros a partilharem uma refeição com três (3) famílias diferentes para ver se encontram um(a) parceiro(a) ideal para si;

Top Mais – reporta a vida dos famosos de Moçambique e de outros países africanos que são os protagonistas do momento nas redes sociais. Eles vêm do cinema, televisão, turismo, desporto, música, artes, gastronomia, moda, beleza, entre outros;

Txunado – um programa que partilha as novas tendências da moda e do design em Moçambique, nas mais diversas áreas, apresenta ao público um conjunto de histórias sobre projectos criativos, promovendo plataformas e novas linguagens.

Bancos comerciais facturaram 11 biliões de Meticais em 2021

No primeiro semestre de 2021, o sector bancário continuou a registar lucros, apesar dos efeitos da segunda vaga da pandemia da Covid-19 e da instabilidade militar nas zonas Centro e Norte do país, na medida em que os lucros do exercício aumentaram em 3 biliões (ou mil milhões) de Meticais, fixando-se em 11.2 biliões de meticais, em Junho de 2021.

Publicado há dias, um relatório semestral do Banco de Moçambique explica que esta variação é justificada pelo incremento das comissões líquidas em 1.7 bilião de Meticais (correspondente a 33,22%), dos resultados de operações financeiras em 683 milhões de meticais (19,23%), e da margem financeira em 2.9 biliões de meticais (12,31%).

Para além dos lucros, o documento, intitulado “Boletim de Estabilidade Financeira” do Banco Central, refere que o desempenho dos bancos foi também notório na melhoria ligeira da qualidade dos activos, comparativamente ao período homólogo de 2020.

Em Junho último, o activo total do sector bancário moçambicano ascendeu a 797.9 biliões de Meticais, representando um crescimento de 1,48% e 11,43%, em relação a Dezembro e Junho de 2020, respectivamente.

“Os três bancos sistemicamente importantes, designadamente, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), o Banco Internacional de Moçambique (BIM) e o Standard Bank concentravam 69,27%, 64,81% e 57,36% da totalidade dos depósitos, activos e créditos do sector bancário, respectivamente”, sublinha o documento.

O relatório do Banco de Moçambique detalha que, do activo total, os depósitos continuaram, no período em análise, a representar a principal fonte de financiamento do sector bancário, com um peso de 97,72% do total das fontes de financiamento, tendo as restantes fontes de recursos mantido um peso residual.

No que respeita à estrutura dos depósitos, a fonte refere que 63,74% correspondem aos depósitos à ordem, sendo o remanescente equivalente à componente a prazo (35,04%) e outros depósitos (1,22%).

Por fim, o documento explica que tanto os depósitos à ordem como a prazo registaram aumentos equivalentes a 15,50% e 7,39%, respectivamente, quando comparados com o período homólogo de 2020, contribuindo, desta forma, para o contínuo reforço dos fluxos de financiamento do sector bancário.

Empresários do país exigem espaço nos negócios de petróleo e gás

A Associação das Pequenas e Médias Empresas de Moçambique exige do Governo a aprovação da Lei do Conteúdo Local, porque sem isso, os projectos de petróleo e gás vão beneficiar apenas o grande capital e pessoas ligadas ao poder político e não a maioria dos moçambicanos.

A exigência surge na sequência da chegada, à bacia do Rovuma, da plataforma flutuante de produção de gás natural liquefeito, em Cabo Delgado, porque, diz a associação, sem essa lei, a plataforma não vai servir os objectivos dos moçambicanos.

“Exigimos que seja aprovada a Lei do Conteúdo Local, que define a participação de, pelo menos, 10 por cento em actividades deste projecto, através da prestação de serviços, e isso já seria uma salvação para muitas das pequenas e médias empresas moçambicanas”, disse Feito Tudo Male, daquela associação.

Para a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), segundo o respectivo director executivo, Eduardo Sengo, os empresários “reclamam porque a divulgação da informação sobre estes projectos de petróleo e gás não tem sido de forma muito ampla”.

“É preciso que haja uma lei que estabeleça as provisões e os requisitos que as empresas devem seguir”, defende Benjamim Cavele, especialista em conteúdo local.

Poderosos

Entretanto, o director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento-CDD, Adriano Nuvunga, diz que interesses de pessoas poderosas ligadas ao poder, estão a emperrar a aprovação da Lei do Conteúdo Local, fundamental para a participação de empresas moçambicanas em projectos de petróleo e gás no país.

Adriano Nuvunga avançou que as grandes empresas internacionais também tiram proveito duma situação em que não há regras estabelecidas sobre como engajar e potenciar empresas locais e jovens moçambicanos que precisam de formação para poderem desenvolver o seu trabalho.

Para o director do CDD, pessoas ligadas ao sistema do poder, aproveitam -se da actual situação de anarquia, para beneficiarem, como indivíduos, dos recursos energéticos, em concertação com as multinacionais.

“Neste momento, não se tem estado a ver seriedade, da parte do Governo, no que diz respeito à aprovação da Lei do Conteúdo Local”, disse o director do CDD.

Por seu turno, o empresário Assifo Ossumane, considera que devido a essa situação, o conteúdo local existentes nos projectos de petróleo e gás em Cabo Delgado é mínimo e não permite a maximização dos benefícios sobre a maioria dos moçambicanos.

Ossumane lamenta que até para o fornecimento de comida aos trabalhadores da Total, antes de a companhia interromper as suas actividades em Cabo Delgado, tenha sido contratada uma empresas estrangeira.

CTA garante que CASP não falha em 2022

Num balanço havido em Dezembro último sobre o ano de 2021, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) garantiu que, neste ano, a Conferência Anual do Sector Privado (CASP) não vai falhar, depois de não se realizar nos últimos dois anos.

Discursando no evento, sobre perspectivas, o Presidente da CTA, Agostinho Vuma, começou por sublinhar que a Confederação e aliados pretendem iniciar 2022 com muito afinco. Para este ano, a CTA projecta realizar a primeira edição do ano do Economic Briefing no dia 23 de Fevereiro, que terá lugar na Província de Nampula.

Segundo Vuma, esta edição irá marcar o ponto de partida para o exercício que se pretende consolidar, de levar o debate sobre o desempenho empresarial para as diferentes regiões do solo pátrio.

“Subsequentemente, após o adiamento, projectamos realizar a 17ª Conferência Anual do Sector Privado – CASP em Março de 2022, mantendo o lema: Reformando o Ambiente de Negócios para a Recuperação Económica, onde iremos apresentar o relatório do Índice de Conteúdo Local e o respectivo ranking das empresas, visando, de entre outros, aferir o estágio do conteúdo local em Moçambique e contribuir para a participação das PME nos grandes projectos”, assinalou o Presidente da CTA.

Além dessas perspectivas, o sector privado espera, em 2022, o alívio das 25 medidas restritivas no âmbito da Covid-19. Antevê ainda que a chegada da plataforma flutuante de produção de gás natural do projecto Coral Sul e o início da exploração do gás no país abram uma página promissora na industrialização do país e nas oportunidades de inserção das Pequenas e Médias e Empresas na cadeia de valor da indústria do Petróleo e Gás, de modo que o desempenho empresarial possa recuperar progressivamente, acompanhando a trajectória de recuperação da economia de forma geral.

Em meio à prevalência de tamanhas adversidades, Vuma exortou os empresários para que continuem apostando na capacidade de reinvenção e proactividade para responder ao imperativo de “assegurarmos a continuidade e a revitalização dos negócios e, deste modo, contribuímos para o crescimento económico e para o bem-estar social”.

“Para os nossos parceiros do Governo, por um lado, reiteramos a necessidade de estímulos para dinamizar a retoma económica e, por outro, a adopção de uma postura cautelosa no que respeita às medidas restritivas, tendo em conta o imperativo de resguardar o equilíbrio saúde-economia, numa altura em que nos deparamos com a nova variante Ómicron da Covid-19, sobre a qual ainda não há certezas sobre seu o impacto”, apelou Vuma.

Clima económico com sinais de recuperação no quarto trimestre

O indicador do clima económico (ICE) inverteu a tendência negativa que vinha registando desde o quarto trimestre de 2020, ao aumentar de forma ténue, tendo mesmo assim o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal.

De acordo com relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), sobre a matéria, esta conjuntura ligeiramente favorável da economia deveu-se, ao nível agregado, às perspectivas favoráveis da procura de emprego a curto prazo, dando assim sinais de recuperação da conjuntura económica.

“Se avaliarmos o indicador do clima económico por sector de actividade, constata-se que o aumento se deveu, fundamentalmente, à avaliação ligeiramente abonatória da conjuntura nos sectores dos serviços e da produção industrial que juntos suplantaram o sentimento negativo em relação à economia registado no sector de comércio”, descreve o INE em relatório.

No quarto trimestre de 2021, a Autoridade Estatística constatou ainda que o indicador da perspectiva da procura registou um incremento ligeiro se comparado com o trimestre anterior, tendo o respectivo saldo atingido o nível mais alto dos últimos três trimestres da série temporal. “O incremento ligeiro da procura futura no trimestre em análise deveu-se à avaliação positiva do indicador nos sectores dos serviços e da produção industrial que suplantaram o sector de comércio que previu em baixa a procura face ao terceiro trimestre”, explica a fonte.

No último trimestre do ano passado, o INE constatou igualmente que o indicador da perspectiva de emprego mostrou sinais de recuperação, facto que acontece após uma ligeira queda no trimestre anterior, tendo mesmo assim o seu saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. A Autoridade argumenta que a recuperação da perspectiva de emprego deveu-se à alta previsão do emprego futuro em todos os sectores, com maior destaque em termos de amplitude para o sector da produção industrial, que se expandiu no período em análise.

“O indicador de perspectiva dos preços prolongou a trajectória ascendente pelo segundo trimestre consecutivo, a um ritmo ligeiro, tendo o respectivo saldo continuado abaixo da média da respectiva série temporal. O incremento dos preços futuros no trimestre em análise deveu-se à convicção dos empresários dos sectores do comércio e dos serviços de que os preços iriam aumentar, contrariamente aos empresários do sector da produção industrial que previram em baixa os preços futuros”, observou o INE.

Por fim, a Autoridade Estatística Nacional constatou que, no período em análise, em média, 42% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo, situação que representou um incremento de 3% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior, com destaque para os sectores da produção industrial (48%) e de comércio (37%), facto contrário ao sector dos serviços (41%) que registou uma queda na proporção de empresas afectadas por algum obstáculo no seu desempenho no quarto trimestre.

União Europeia quer considerar gás como “energia verde”

A União Europeia quer rotular o gás como uma energia verde e, por isso, inofensivo ao ambiente. O pedido surge numa altura em que ambientalistas europeus já tinham pedido a suspensão do financiamento à exploração de gás de Moçambique.

Pode ser a salvação de Moçambique. É que, numa altura em que alguns ambientalistas movem um processo em tribunal para que o Governo britânico, por exemplo, pare de financiar a exploração do gás em Moçambique, a União Europeia prepara-se para que este recurso não seja mais considerado nocivo ao ambiente e, assim, poder ser usado para além de 2050, ano a partir do qual o velho continente espera estar com zero carbono na produção energética.

O plano pretende incluir usinas nucleares e usinas de gás natural como “energias verdes”, o que facilitaria o acesso dessas tecnologias ao financiamento dedicado a instalações que ajudam a combater as mudanças climáticas.

E não é só pensamento, já está escrito em projecto, o mesmo que está em discussão há meses e o esboço do texto, ainda provisório, foi enviado aos 27 Estados-membros pouco antes da meia-noite de 31 de Dezembro, tal como refere o portal G1. Dito de outra forma, caso o documento seja aprovado, Moçambique poderá ter mais mercados para exportar o gás natural que se espera que comece a ser explorado ainda este ano, sem muitas limitações ligadas ao clima.

Aliás, o gás produzido através da plataforma que esta semana chegou a Moçambique já tem um comprador fixo e é europeu. A British Petroleum tem um contrato de compra por 20 anos.

O documento da União Europeia estabelece os critérios para classificar investimentos em usinas nucleares ou de gás natural para geração de electricidade como “sustentáveis”. O projecto está de acordo com o objectivo europeu de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, mas agora já com o gás.

Todos estão interessados, mas há quem precise mais da aprovação do documento, tais são os casos da Polônia e República Checa, que querem substituir às suas altamente poluentes termo-eléctricas a carvão por recursos mais limpos.

O projecto também agrada a França, que acaba de assumir a presidência rotativa da União Europeia, e pretende retomar o seu parque energético nuclear, uma fonte de electricidade considerada pelo Governo de Macron como estável e de baixa emissão de carbono. O gás de Moçambique, uma vez mais, é uma opção. Aliás, a França tem investimentos avaliados em mais de 20 mil milhões de dólares na área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, através da Total, que, neste momento, está com actividades suspensas devido à insegurança.

Nem todos gostam da ideia. Alguns países europeus, como a Alemanha e o Luxemburgo, defendem que incluir o gás nas energias verdes é um erro. Mas, erro mesmo, de acordo com a proposta de Bruxelas, capital europeia, é considerar que o mundo pode alimentar-se de energias solar e eólica, justificando que apresentam um fornecimento intermitente, enquanto o gás, já não.

Os Estados-membros e especialistas consultados pela Comissão têm agora cerca de duas semanas para solicitar alterações ao documento. O texto final está previsto para ser publicado em meados de Janeiro.

Em todo o caso, e como não podia ser diferente, a Câmara Africana elogia a pretensão e diz que é uma forma de garantir a inclusão do continente africano, que, neste momento, precisa de se industrializar antes de se preocupar com o clima.

Negócios do sector privado cresceram a um ritmo lento em Dezembro

Os dados do relatório do último inquérito do Purchasing Managers Index (PMI) indicam uma expansão menos acentuada da economia do sector privado de Moçambique no fim de 2021, tendo o crescimento dos novos negócios conhecido o valor mais baixo dos últimos quatro meses.

A fonte refere que a produção cresceu igualmente em menor escala, enquanto os números referentes ao emprego subiram ligeiramente pelo segundo mês consecutivo. Entretanto, os esforços de redução do impacto dos custos elevados dos transportes deram origem a que as empresas adiassem as novas aquisições e utilizassem os stocks de meios de produção.

O principal valor calculado pelo PMI.

Metodologicamente determina que valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que valores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. “O valor de 50,6 do PMI em Dezembro foi indicativo de uma melhoria ligeira em termos de saúde da economia do sector privado moçambicano. O índice caiu para 52,0 em Novembro, o valor mais baixo dos últimos três meses”, relata a fonte.

O documento explica que a taxa de crescimento desceu para o valor mais baixo dos últimos quatro meses, sendo que várias empresas indicaram uma menor procura por parte dos clientes e problemas relacionados com o fluxo de caixa. Como resultado, os níveis de produção expandiram de forma ligeira e num ritmo menos acentuado do que o verificado em Novembro.

“Esta quebra ajudou as empresas a cumprir encomendas em atraso, que diminuíram ligeiramente em Dezembro. Como consequência, o ritmo de criação de emprego continuou baixo”, lê-se no relatório do PMI.

De acordo com o documento que temos vindo a citar, em Dezembro o desempenho da cadeia de fornecimento melhorou em toda a economia moçambicana, tendo as empresas assistido a uma ligeira redução dos prazos médios de entrega, registando-se os tempos mais rápidos desde Agosto. Os membros do painel atribuíram esta melhoria a uma maior concorrência entre fornecedores e ao alívio das medidas relativas à Covid-19.

Por último, a perspectiva para 2022 permanece forte, tendo, no entanto, registado o nível mais frágil desde Agosto. De uma forma geral, o PMI concluiu que as empresas permanecem confiantes de que irão conseguir expandir os seus negócios em 2022 através de mão-de-obra mais sólida, maior base de clientes e um alargamento do âmbito geográfico.

O PMI é compilado pelo Standard Bank Moçambique a partir das respostas aos questionários enviados aos directores de compras de um painel de cerca de 400 empresas do sector privado. O painel é estratificado por sector específico e dimensão das empresas em termos de número de colaboradores, com base nas contribuições para o PIB. Os sectores abrangidos pelo inquérito incluem a agricultura, a mineração, o sector manufatureiro, a construção, o comércio a grosso, o comércio a retalho e os serviços.

Plataforma flutuante para exploração de gás na bacia do Rovuma já está em Moçambique

A plataforma flutuante que será instalada na Área 4 da Bacia do Rovuma para exploração de gás chegou a Moçambique, anunciou hoje o Instituto Nacional de Petróleos (INP).

“Neste momento, decorre o processo de certificação do heliporto para permitir a aterragem e descolagem de helicópteros, que transportarão as equipas de apoio e trabalho”, refere o INP em comunicado distribuído hoje à comunicação social.

Semelhante a um navio gigante, com 432 metros de comprimento, a plataforma saiu dos estaleiros da divisão industrial da Samsung em Geoje, na Coreia do Sul, em 15 de novembro, e atravessou o oceano Índico em direção ao largo da costa de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

“A chegada desta está em conformidade com o cronograma aprovado pelo Governo de Moçambique, sendo por isso um marco assinalável na implementação deste projeto, cuja Decisão Final de Investimento foi tomada em junho de 2017, prevendo-se que o início da produção ocorra até meados de 2022”, acrescenta o INP.

A infraestrutura vai estar ligada a seis poços e extrair o gás para uma fábrica a bordo que o vai arrefecer, liquidificando-o, de modo a ser transportado em cargueiros, abastecidos ali mesmo, lado a lado, em alto mar, e que depois levam o combustível até aos países de destino para produção de eletricidade, aquecimento ou outros fins.

A plataforma tem depósitos de armazenamento no casco e 13 módulos por cima deles, incluindo uma fábrica de liquefação, um módulo de oito andares onde podem viver 350 pessoas, além de uma pista para helicópteros.

A Área 4 é operada pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma ‘joint venture’ em copropriedade da ExxonMobil, Eni e CNPC (China), que detém 70% de interesse participativo no contrato de concessão.

A Galp, KOGAS (Coreia do Sul) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique) detêm cada uma participações de 10%.

 

Grafite moçambicano vendido à indústria de veículos eléctricos dos EUA

A Syrah Resources (Syrah) celebrou um acordo de compra do material usado em baterias eléctricas a partir de grafite natural moçambicano, com a maior companhia de veículos eléctricos do mundo, a Tesla, dos Estados Unidos de América (EUA).

Ao abrigo do referido acordo, o material de ânodo activo de grafite natural de Balama, em Cabo Delgado, maior depósito de grafite de alta qualidade no mundo, será levado para uma fábrica em Vidalia (em instalações de produção verticalmente integradas), no Estado norte-americano de Louisiana.

Deste modo, a Tesla irá retirar a maior parte da expansão inicial proposta da capacidade de produção de grafite natural em Vidalia a um preço fixo por um período inicial de quatro anos a partir da obtenção de uma taxa de produção comercial, sujeita à qualificação final. A Tesla tem também a opção de retirar volume adicional de Vidalia, sujeito à expansão da capacidade da Syrah para além de 10 quilos de grafite por ano.

“O acordo de compra proporciona uma base sólida para prosseguir com a expansão inicial da capacidade de produção de Vidalia e a Syrah planeia tomar uma decisão final de investimento para a construção desta instalação alargada em Janeiro de 2022, sujeita a compromissos de financiamento”, lê-se em comunicado da Syrah Resources.

Segundo a mesma fonte, a companhia australiana está a avançar no compromisso comercial e técnico com outros clientes-alvo para desenvolver grafite nos EUA para produção em massa e assegurar compromissos adicionais de compra a longo prazo.

Caso a Syrah decida alargar a sua capacidade de produção, abrirá a possibilidade de expansão da produção da Tesla e tornar-se-á na primeira fonte de fornecimento de ânodo de grafite para a indústria dos EUA em rápido crescimento de veículos eléctricos e para a indústria de manufacturação de baterias de “litium-ion”. A Syrah afirma que a mina de Balama tem uma expectativa de produção de 50 anos e a concessão ocupa uma zona de 106 quilómetros quadrados.

Syrah Resources é uma empresa australiana de minerais industriais e tecnologia cotada na Bolsa de Valores Australiana com a sua principal operação “Balama Graphite” em Moçambique e uma instalação de materiais de ânodo activo a jusante nos EUA.

A visão da Syrah é ser o principal fornecedor mundial de grafite de qualidade superior e de produtos de material anódico, trabalhando em estreita colaboração com os clientes e a cadeia de fornecimento para acrescentar valor nos mercados de baterias e industriais.

 

BALAMA NO CENTRO DA GERAÇÃO DE NOVAS ENERGIAS

Segundo a VOA, o acordo confirma a grafite moçambicano como um produto de importância estratégica para uso nas novas energias.

O maior produtor mundial de grafite é a China e recentemente a Tesla, cujo maior accionista é Elon Musk, e tinha pedido ao Governo dos EUA para eliminar tarifas na importação da grafite chinesa.

Por seu turno, a agência de notícias Bloomberg, citada pela VOA, disse que a China produz, actualmente, quase metade de toda a grafite usada na produção de materiais para ânodos e a procura deverá aumentar cinco vezes até ao fim da próxima década.

O Departamento de Investigação Estratégica daquela agência financeira citou o director administrativo da Syrah, Shaun Verner, como tendo dito que “essa concentração constitui um risco a rivais que queiram construir cadeias de fornecimento doméstico de baterias, como os Estados Unidos e Europa”.

Os maiores produtores de veículos eléctricos estão, actualmente, à procura através do mundo de litium, cobalto, níquel e grafite para uso nas suas baterias.