Saturday, April 11, 2026
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Capital Economics prevê crescimento de 3% para Moçambique

A consultora Capital Economics alerta para o risco ao investimento devido à instabilidade no norte do país, em particular devido à suspensão do projeto de exploração de gás natural liquefeito, apesar de prever um crescimento de 3,0% da economia este ano.

“Em Moçambique, a declaração de ‘força maior’ sobre um grande projeto de GNL [gás natural liquefeito], na sequência de repetidos ataques por insurgentes, está a acrescentar novos ventos de proa a uma recuperação já lenta. O abandono do projeto iria prejudicar gravemente as perspectivas de crescimento do país e suscitar preocupações reais sobre a dívida pública”, escrevem os analistas numa nota hoje consultada pela Lusa.

No documento, os analistas referem que “o desejo de investimento em Moçambique está em perigo à medida que os ataques de insurgentes continuam no norte do país”.

No documento, a Capital Economics apresenta também as suas previsões, estimando para este ano um crescimento de 3,0% do PIB de Moçambique, que deverá crescer 4,0% em 2022 e 4,5% em 2023.

Quanto à inflação, o índice dos preços no consumidor deverá crescer 5,5% este ano, 5,8% no próximo e, também, 5,8% no seguinte, de acordo com as previsões da consultora sediada em Londres.

A petrolífera francesa Total tem uma quota de 26,5% no projeto de gás natural liquefeito em desenvolvimento no norte de Moçambique, cuja primeira produção e exportação estava prevista para 2024, mas que ficou adiada pelo menos um ano no seguimento da declaração de ‘força maior’ por parte da petrolífera.

Em 26 de abril, a Total acabou por fazer uma declaração de ‘força maior’, ou seja, assumindo-se “incapaz de cumprir as suas obrigações em resultado da severa deterioração da situação de segurança em Cabo Delgado, um assunto que está completamente fora do controlo da Total”.

Do investimento de 20 mil milhões de dólares – o maior investimento privado em África -, previa-se canalizar 12,5% para empresas locais durante a construção.

CTA diz que sector da indústria é negativamente marcado pela entrada da Dugongo

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz em relatório do Índice de Robustez Empresarial, publicado há dias, que o sector industrial registou, à semelhança de outros, uma ligeira melhoria em termos de desempenho empresarial no segundo trimestre de 2021, comparado com o primeiro trimestre, sendo que o Índice de Robustez Empresarial deste sector aumentou em 3pp, de 0,48 para 0.51.

Todavia, sublinha que a entrada, no último trimestre, da empresa Moçambique Dugongo Cimento marcou negativamente o sector da indústria, com destaque para o subsector de cimento.

“A despeito desta tendência de melhoria do desempenho do sector industrial no II Trimestre de 2021, alguns eventos marcaram negativamente este sector. Na indústria de cimento entrou um novo operador com preço consideravelmente abaixo dos preços então em vigor no mercado. Devido a esta situação, algumas empresas concorrentes cuja estrutura de custos não lhes permitiu manter a competitividade, suspenderam as actividades colocando em risco mais de 500 postos de trabalho”, lê-se no documento.

Ainda assim, a CTA ressalta a vantagem competitiva da nova fábrica, que assenta no facto de esta extrair a matéria-prima localmente, enquanto as outras fábricas vinham utilizando matéria-prima importada, enfrentando, para além do custo de importação, o custo de transporte e logística, que para a nova fábrica estão minimizados.

Entretanto, refira-se que o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Dugongo, Víctor Timóteo, presenciou o evento que serviu para apresentação do referido Índice, onde negou que a empresa tenha vindo a desestabilizar o mercado de cimento. Quanto ao custo baixo do cimento da Dugongo, o PCA esclareceu que a empresa fixou o seu preço consoante as condições do mercado interno (desvalorização do Dólar face ao Metical) e regional (preço acessível do produto).

Especialistas defendem que volvidos 16 anos Tete não é El Dourado

Para os especialistas em matérias da indústria extractiva, não tinha como Tete ser o “El Dourado” porque o Governo moçambicano não tinha uma agenda de fazer daquela província uma zona deveras desenvolvida. Os especialistas dizem que volvidos 16 anos, a actuação da Vale em Moçambique gerou mais perdas que ganhos.

Segundo avançou o economista, Thomas Selemane, as movimentações de grande capital por parte das mineradoras que operam no país foram resultantes de uma dinâmica internacional que Moçambique, do seu lado, não conseguiu domesticar e, também, não conseguiu construir uma agenda própria para controlar a dinâmica da actividade extractiva.

O economista destaca como um dos grandes problemas o facto de o Governo moçambicano não ter esboçado estratégias sob o ponto de vista de alternativas de desenvolvimento.

“Nunca houve uma discussão nacional sobre as diferentes alternativas de desenvolvimento. O país disponibilizou-se a receber os investimentos dos investidores do carvão sem que internamente houvesse uma discussão genuinamente moçambicana que pudesse colocar em diferentes perspectivas os problemas que a extração traz e todas as consequências a volta”, explicou Selemane.

Por seu turno, o investigador Boaventura Monjane diz que o que foi perdido em Tete, com a actuação da indústria extractiva, é mais que o que foi ganho.

“Tete não foi o El Dourado porque o extrativismo, na sua essência, quando acontece em países periféricos como Moçambique acaba não beneficiando os outros sectores da vida nacional”, disse Monjane acrescentando que “aquilo que se perdeu em Tete acaba sendo maior do que o que se ganhou”.

Boaventura Monjane apontou para a perda de biodiversidade, perda de meios de subsistência, perda de emprego, entre outros, como consequências da extracção mineira em Moçambique.

Inicia mineração de areias pesadas no sul de Moçambique

O sul de Moçambique vai ser mesmo polvilhado da prospecção de áreas pesadas, disputando a solo com o turismo. Aquilo que se temia, e muitos pensavam que era fantasia, já está a acontecer.

O jornal “Carta” apurou que duas subsidiárias da empresa Sofala Mining & Exploration, Lda. Estão prestes a iniciar suas actividades de exploração para determinar se existem concentrações comercialmente viáveis de minerais pesados (zircónio, rutilo e ilmenite), nas províncias de Gaza e Inhambane. Representantes da empresa estiveram em Inhambane há duas semanas, apresentando-se aos governos locais.

Informação disponível no site da consultora ambiental sul-africana, Coastal & Environmental Services (CES) Mozambique, Lda., indica que a empresa Sofala Mining & Exploration Lda. adquiriu recentemente duas licenças de prospecção e pesquisa nas referidas províncias.

Trata-se das Licenças 6842L (Projecto Marão), na província de Gaza, distrito de Mandlakaze, posto administrativo de Macuácua e província de Inhambane, distrito de Panda, posto administrativo de Mawayela e 6846L (Projecto Marruca), na província de Inhambane, distrito de Panda, no Posto Administrativo de Mawayela e distrito de Inharrime, no Posto Administrativo de Mocumbi.

Por forma a cumprir a legislação ambiental de Moçambique, a CES Mozambique, Lda., diz que foi contratada para conduzir o processo com vista ao licenciamento ambiental dos projectos Marão e Maruca, na sequência da submissão e aprovação da documentação de Instrução do Processo ao Ministério da Terra e Ambiente.

“Nesse contexto, como parte do Processo de Participação Pública, a CES pretende apresentar o Plano de Gestão Ambiental dos projectos e receber comentários das partes interessadas e afectadas. Assim sendo, serão realizadas reuniões de Consulta Pública nos Distritos de Mandlakaze, Panda e Inharrime, obedecendo às restrições impostas pelo actual Estado de Calamidade Pública no País, decretado devido à pandemia da Covid-19”, avança a fonte sem precisar datas.

Esse anúncio surge após uma empresa chinesa de mineração, denominada DingShen ter sido proibida, no início de Abril passado, de destruir dunas, para construir armazém, na costa de Chonguene, em Gaza. Um vídeo sobre esse caso entrou em circulação, na altura, nas redes sociais.

Além disso, no primeiro trimestre de 2020, o pesquisador britânico, Joseph Hanlon, publicou um artigo criticando a concessão de licenças de mineração pelo Governo de “400 quilômetros quadrados da praia de Inhambane”.
“Em parceria com a Rio Tinto, a Savannah recebeu, neste ano, uma área de 400 quilômetros quadrados (equivalente a um quarteirão de 20 km de cada lado) na praia de Inhambane, na qual removerá as antigas dunas de areia para extrair titânio (principalmente para fazer tinta branca) e zircão (usado na fundição, bem como nas hastes de combustível nuclear, nos conversores catalíticos e nos sistemas de purificação de água e ar.) Savannah candidatou-se a outros 138 quilômetros quadrados na mesma área”, relatou Hanlon.

Com esse relato, o pesquisador dava a entender que “as famosas praias de Moçambique estão a ser disputadas entre turistas e mineiros. Essas praias são um dos mais atraentes depósitos de areias minerais não desenvolvidas do mundo, segundo David Archer, director executivo (CEO) da empresa britânica Savannah Resources”.

Desenvolver o país através da exploração dos seus próprios recursos, neste caso, naturais, é racional, mas o facto é que, conforme relatado, a concessão dessas licenças pode estar a ignorar a importância turística das praias, bem como das dunas que protegem as zonas costeiras dos ventos e outras calamidades naturais.

Moçambique volta a receber apoio do Millennium Challenge Corporation

Após dezassete meses de suspensão, os Estados Unidos retomam o apoio a Moçambique, no âmbito do programa Millennium Challenge Corporation.

O anúncio foi feito esta quarta-feira, à imprensa, por uma delegação daquela organização do governo americano, após um encontro com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo.

O Director do Millennium Challenge Corporation para Moçambique, Kenneth Miller, explicou que os sectores privados do ramo da agricultura e transportes rurais são prioritários.

Nesta fase, arrancam os trabalhos para a identificação do pacote de projectos pronto para serem implementados até 2023, conforme avançou o Coordenador do MCC em Moçambique, Higino de Marrule.

O Embaixador dos Estados Unidos da América em Moçambique, Dennis Walter, afirmou que a implementação das acções do MCC constitui o principal foco da sua missão no país.

Estima-se em mais de quatrocentos milhões de meticais, o valor a ser desembolsado na fase de implementação dos projectos de agricultura, no âmbito do Millenium Challenge Corporation.

Amecon recomenda reintegração plena do Standard Bank no mercado cambial

O Banco de Moçambique (BM) levantou a suspensão do Standard Bank (SB) na actividade cambial de conversão de divisas, num alívio parcial das sanções aplicadas pelas irregularidades detectadas naquele banco comercial, uma vez que continua impedido de participar no Mercado Cambial Interbancário.

A deliberação do Banco Central é contestada pela Associação Moçambicana de Economistas (AMECON), que receia que a decisão, que considera excessiva, venha a abrir espaço ao mercado paralelo de conversão de moeda e defende, por isso, o levantamento pleno e urgente das sanções ao SB.

“Não estamos, com isto, a dizer que o Standard Bank não tenha de ser sancionado pelas irregularidades identificadas. O que defendemos é que se apliquem sanções, mas garantindo que a instituição retorne plenamente ao mercado, por forma a garantir que não haja impactos adversos, que provavelmente não consigamos controlar se o Standard Bank for suspenso por mais tempo. É um banco que controla cerca de metade da quota cambial, mas também está entre os três maiores bancos que o país tem”, disse Pedro Cossa, Presidente da AMECON.

A AMECON, que já havia recomendado o levantamento da suspensão, num relatório sobre o impacto da punição ao SB, refere que o mais importante, neste momento, é garantir o funcionamento regular do mercado financeiro.

“Estamos satisfeitos porque as nossas recomendações foram tidas em conta. Se o Banco de Moçambique não tivesse feito o levantamento da suspensão, o mercado ia se ressentir e nós colocamos uma série de questões no documento, onde destacamos impactos adversos do ponto de vista económico, social e também político”, referiu.

“Há muitas famílias que auferem rendimentos em moeda estrangeira. Essas famílias estavam impedidas de movimentar as suas contas e não podiam, de forma alguma, pagar as suas despesas periódicas, como rendas de casa, propinas e muitas outras, mas também podemos olhar para a província de Cabo Delgado. Boa parte das Organizações Não Governamentais tem as suas contas domiciliadas no Standard Bank e em moeda estrangeira. Sabemos nós que houve, nalgumas dessas organizações, em Ancuabe e outro distrito que mencionamos, problemas de prestação de apoio humanitário. Essas ONG não tinham como pagar pelos produtos que eram canalizados para as vítimas do terror em Cabo Delgado”, relatou.

“Estamos em crer que o levantamento desta suspensão é uma questão de dias, porque pela informação que temos o SB tem estado a cumprir as recomendações do BM. Provavelmente, o Banco Central tenha querido avançar de forma cautelosa e entendemos, mas o que gostaríamos é que este levantamento fosse imediato, por forma a que o mercado funcione regularmente e não haja distorções”, apelou.

Para evitar constrangimentos similares, a AMECON evoca a acção da Associação Moçambicana dos Bancos (AMB), no sentido de trabalhar com os seus associados para garantir que evitem infracções que possam pôr em causa a estabilidade do sistema.

“Também recomendamos que, da mesma forma que devem apoiar ou exortar os seus associados nesta linha do cumprimento dos deveres que têm, devem garantir que os direitos desses associados sejam salvaguardados”, disse Pedro Cossa, ao descrever um sentimento omisso da AMB no caso do SB.

“Se é que tiveram algum papel, nós não tomamos conhecimento, mas de todas as abordagens que fizemos, sentimos esse papel omisso e achamos que a AMB não pode ser uma associação que intervém meramente quando há alterações na taxa de juros. Tem também que intervir quando os direitos dos seus membros são lesados”, afirmou.

Programa “Industrializar Moçambique” lançado a 6 de Agosto em Manica

No dia 6 de Agosto na província de Manica, cidade de Chimoio, o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) procede, ao lançamento do Programa Nacional Industrializar Moçambique.

Trata-se de uma iniciativa presidencial enquadrada na implementação do Programa Quinquenal do Governo (2020-2024), que visa contribuir para o aumento da produção industrial nacional, de preferência fazendo uso da matéria-prima local, estimular a produção, comercialização, bem como gerar emprego e renda para jovens e mulheres.

Um comunicado do MIC, enviado à nossa redacção, refere que, e passamos a citar: “paralelamente e sob o lema desenvolver Manica, através de investimentos, industrialização e exportação, em coordenação com o Alto-Comissariado do Reino Unido em Moçambique, na mesma data, vai decorrer a mesa redonda de negócios e investimentos de Manica entre Moçambique e o Reino Unido, nos domínios da economia e comércio”.

Além de divulgar as oportunidades dos Acordos de Parceria Económica (APE) entre Moçambique e os países da União Aduaneira da África Austral com o Reino Unido e Irlanda do Norte, a referida mesa redonda de negócios e investimentos de Manica vai reflectir sobre as transacções comerciais entre Moçambique e Reino Unido, através de testemunhas e experiências dos diferentes intervenientes na zona centro do país.

Igualmente, o evento vai servir para a divulgação da plataforma de informação e oportunidades, lançar o projecto (Comprar o que é nosso) e apoio ao empreendedorismo feminino (SADC WIB) e a 56ª edição da FACIM – 2021.

A mesa redonda de negócios e investimentos será antecedida, nos dias 4 e 5 de Agosto, pelo XIX Conselho Coordenador do MIC que, igualmente, vai decorrer na cidade de Chimoio, sob o lema “Industrializar Moçambique: criando bases para o desenvolvimento integrado e sustentável”.

O Conselho Coordenador do MIC vai analisar o desempenho dos principais instrumentos, harmonizar e alinhar as actividades para o ano subsequente, com vista a materialização dos objectivos estratégicos do sector constantes no PQG; garantir a articulação e complementaridade entre as instituições, bem como o aprimoramento, harmonização e consolidação das actividades do sector para os anos subsequentes.

O Conselho Coordenador é, nos termos da lei, o órgão Consultivo convocado e dirigido pelo Ministro e tem por função coordenar, planificar e controlar a acção governativa conjunta dos órgãos centrais e locais do Ministério da Indústria e Comércio.

Importa referir que os três eventos serão realizados no formato híbrido (sendo substancialmente virtual), tendo em conta o cumprimento das medidas emanadas no Decreto Presidencial nº 50, de 16 de Julho 2021.

FMI aprova atribuição de direitos especiais de saque

Uma atribuição geral de Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em Inglês) foi aprovada pelo Conselho de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI), equivalente a USD 650 mil milhões (cerca de USD 456 mil milhões em SDR) para aumentar a liquidez global.

“Esta é uma decisão histórica, a maior atribuição de SDR na história do FMI e um tiro no braço para a economia global numa época de crise sem precedentes. A atribuição de SDR beneficiará todos os membros, responderá à necessidade global a longo prazo de reservas, criará confiança e fomentará a resiliência e estabilidade da economia global”, refere um comunicado da directora-executiva do FMI, Kristalina Georgieva, publicado na página oficial da instituição.

Em conformidade com Georgieva, a atribuição geral de SDR tornar-se-á efectiva a partir de 23 de Agosto em curso. Os SDR, recentemente criados, serão creditados aos países-membros do FMI na proporção das suas quotas existentes no Fundo.

Cerca de USD 275 mil milhões (cerca de 193 mil milhões de SDR) da nova afectação serão destinados aos mercados emergentes e países em desenvolvimento, incluindo países de baixo rendimento.

“Continuaremos, também, a envolver-nos activamente com os nossos membros para identificar opções viáveis de canalização voluntária de SDR dos países-membros mais ricos para os mais pobres e mais vulneráveis, a fim de apoiar a sua recuperação pandémica e alcançar um crescimento resistente e sustentável”, disse Georgieva.

Uma opção-chave é que os membros que têm fortes posições externas canalizem, voluntariamente, parte dos seus SDR para aumentar os empréstimos aos países de baixo rendimento, através do Fundo para a Redução da Pobreza e Crescimento (PRGT) do FMI. O apoio concecional através do PRGT é, actualmente, isento de juros.

No comunicado do FMI, refere-se ainda que foi aprovada uma estratégia de financiamento a dois tempos, para cobrir o custo destes empréstimos concessionais, cujos limites foram agora aumentados, por um lado, e para garantir a sustentabilidade do PRGT, por outro.

O FMI está, também, a explorar outras opções para ajudar os países mais pobres e mais vulneráveis nos seus esforços de recuperação. Um novo Fundo de Resiliência e Sustentabilidade poderia ser considerado para facilitar um crescimento mais resiliente e sustentável a médio prazo.

Segundo o “Expresso” a 22 de Julho, o FMI anunciou que vai aumentar em 45% o limite de financiamento aos países de baixo rendimento (LIC), entre os quais se inclui Cabo Verde além de Timor-Leste, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

As reformas anunciadas têm como objectivo “garantir que o Fundo possa, de forma flexível, apoiar as necessidades de financiamento dos LIC, durante a pandemia e a recuperação, ao mesmo tempo em que continua a fornecer empréstimos concessionais com taxas de juro zero”, segundo o FMI.

“O primeiro passo da estratégia pretende garantir USD 2,8 mil milhões de SDR em recursos para subsídios, para sustentar as taxas de juro zero, e uns USD 12,6 mil milhões de SDR adicionais em empréstimos que podem ser facilitados através da canalização dos SDR”, aponta ainda o comunicado.

direito especial de saque: o que é?

Um SDR é um activo internacional de reserva, criado pelo FMI, em 1969, para complementar as reservas oficiais dos países membros. O montante foi distribuído entre os membros do FMI.

Os SDR podem ser trocados pelas moedas conversíveis. O valor dos SDR é baseado em uma cesta de moedas, dólar dos Estados Unidos, euro, renmimbi, Iene e libra esterlina.

É moeda internacional de reserva criada na Conferência do Rio de Janeiro, dos países-membros do FMI, em 1967, para substituir o ouro como meio de liquidação de transações financeiras internacionais. Na ocasião, o seu valor foi fixado em 0,888571 grama de ouro fino, o mesmo valor que o dólar em Julho de 1944.

Os países podiam saldar os seus déficits no balanço de pagamentos com ouro, moedas fortes ou SDR. Nos anos 1970, o ouro deixou de ser conversível em dólares, e o mercado internacional passou a funcionar no sistema de câmbio de taxas flutuantes. Com isso, a fixação do valor do SDR modificou-se, e ele é representado, actualmente, pelo valor de uma cesta de moedas conversíveis.

Empresários defendem financiamento inclusivo às PME

O alívio das obrigações fiscais ou sua redução é apontada pelos empresários como alternativa para minimizar o impacto das medidas impostas para combater a propagação da COVID-19 no país. A classe defende que o financiamento às empresas deve ser abrangente.

Segundo Ângelo Macassa, da Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME), que falava no programa Noite Informativa, da STV Notícias, os fundos alocados pelo Governo como alternativa para que as Pequenas e Médias Empresas fizessem manutenção das suas actividades, enquanto decorrer a pandemia viral, não foram abrangentes.

Para Macassa, “o Governo devia aproveitar agora para aliviar as PMEs e olhar para a carga fiscal. Se nos aliviasse pela carga fiscal e fizesse inversão no sistema de tributação, se calhar podia ser um alívio”.

O empresário acrescenta que, por conta desta situação, as PMEs são obrigadas a financiar os impostos para não incrementar as suas dívidas perante o Estado.

Por seu turno, Edson Chichongue, da Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS) diz que o que se viu, na altura após a eclosão da pandemia, é que o Governo aprovou o perdão de juros de mora para o caso de pagamento do INSS, o que não resolveu o problema das PMEs porque era para um período de até final de 2020.

“O que preocupa as empresas desde bem antes da pandemia é a questão da redução da taxa de IVA dos 17% para 14%, à semelhança de outros países da SADC, onde a taxa varia em média 15%”, apelou Chichongue.

Já a presidente da Associação de Jovens e Empreendedores de Moçambique, Jueceline Guirengane, que concorda com a opinião dos outros comentadores, deposita suas esperanças no plano do Governo de fazer uma vacinação massiva da população.

“Há uma grande expectativa que com a vacinação massiva da população o Governo venha a levantar algumas medidas restritivas como forma de aliviar a sociedade bem como as empresas”, disse Guirengane.

Em Junho LAM aumentou em 10% o número de passageiros transportados

A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), transportou, em Junho de 2021, um total de 37.952 passageiros, contra os 34.582 passageiros transportados no anterior mês de Maio, representando deste modo um crescimento de 10%, indicam dados da empresa.

Ainda nesta vertente, no mês homólogo de 2020 (Junho), a LAM transportou 10.695 passageiros. As cinco maiores rotas em termos de tráfego de passageiros transportados foram Maputo-Nampula-Maputo, com 8.594; Maputo-Beira-Maputo, com 7.768; Maputo-Tete-Maputo, com 5.072; Maputo-Pemba-Maputo, com 4.322; e Maputo-Quelimane-Maputo com 3.807.

Entretanto, a companhia de bandeira registou, no mesmo período, um índice de pontualidade operacional de 78% num universo de 656 partidas, significando um crescimento de 9 pontos percentuais em relação ao mês de Maio, em que a pontualidade registada foi de 69% para um total de 588 partidas.

De entre as escalas analisadas no período em referência, destacaram-se as de Chimoio com um registo de 97%, Joanesburgo (89%) e Dar-Es-Salaam com 89% de pontualidade.