Saturday, April 11, 2026
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Disponíveis 15 milhões de USD para financiar PME afectadas pelos ciclones

Está disponível uma Linha de Crédito, no valor de 15 milhões de USD, para financiar Pequenas e Médias Empresas (PME) afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth, que devastaram o país em Março e Abril de 2019, respectivamente.

O valor é disponibilizado pelo Banco Mundial, através da Associação de Desenvolvimento Internacional (IDA, sigla em inglês), sendo que a sua implementação está a cargo do Fundo de Apoio à Reabilitação da Economia, através de instituições financeiras.

A novidade foi avançada esta quarta-feira, em Maputo, pelo Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclone Idai (GREPOC), durante um colóquio com os órgãos de comunicação social na cidade de Maputo.

De acordo com os dados avançados no encontro, a Linha de Crédito visa financiar investimentos ou a tesouraria de pelo menos duas mil PME, entre elas, pelo menos 600 lideradas por mulheres.

Segundo o GREPOC, são elegíveis ao financiamento PME seleccionadas pelas instituições financeiras participantes, de acordo com os seus processos de concessão de crédito, desde que cumpram os seguintes critérios mínimos: actividade principal baseada nas províncias mais afectadas pelos ciclones (Sofala e Cabo Delgado, bem como Inhambane, Manica, Nampula, Tete e Zambézia); capital e controlo maioritariamente privados; e número de empregados permanentes igual ou inferior a 100, conforme determina o Estatuto Geral das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Sublinha que o montante máximo de exposição por beneficiário é de 10 milhões de Meticais.

Dados avançados pelo GREPOC indicam ainda que a amortização do capital será feita em prestações semestrais iguais e consecutivas nas datas de amortização, sendo que a primeira amortização será feita a 30 de Junho de 2022 e a última a 31 de Dezembro de 2026.

Para além da Linha de Crédito, o GREPOC diz existir uma subvenção equivalente para apoiar a recuperação de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), no valor de 5 milhões de USD, destinados aos que perderam toda a sua capacidade de produção.

Plano rodoferroviário para diminuir o tráfego de camiões

A Transnet e a Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a empresa ferroviária estatal de Moçambique, estão a cooperar para aumentar a quantidade de carga na linha ferroviária que atravessa a fronteira de Lebombo. “Um porto seco no posto fronteiriço de Ressano Garcia está em construção e quase concluído”, disse o porta-voz do CFM, Adelio Dias.

A modernização da linha ferroviária em Moçambique visa aumentar o comércio com a África do Sul e diminuir o número de camiões que utilizam a estrada através da fronteira de Lebombo.

“O porto seco destina-se ao transbordo de carvão, magnetite e outros minerais dos camiões rodoviários para os caminhos-de-ferro”. A empresa moçambicana empreendeu este projecto com o objectivo de descongestionar a EN4 que lidera a entrada e saída de Moçambique através do Posto Fronteiriço de Lebombo.

“O objectivo é ainda mais maximizar a utilização da linha ferroviária”, disse Dias. Não estão actualmente em construção novas linhas em Moçambique. A linha existente de Ressano Garcia, que verá melhorias significativas, foi construída em 1895 e ainda está a ser utilizada. “Na linha de Ressano Garcia, duplicamos a linha de Maputo até à estação de Matola Gare. Existe uma única linha desde a estação de Matola Gare até à estação de Ressano Garcia”, acrescentou Dias.

“Há um projecto em preparação para duplicar a linha desde a Estação de Matola Gare até à Estação de Moamba”. A linha de Ressano Garcia tem um comprimento de 88 km. Segundo Dias, a linha ferroviária no lado moçambicano da fronteira beneficiou de melhoramentos e reabilitação no valor de cerca de 20 milhões de dólares, o que incluiu melhoramentos nas pontes ferroviárias e melhoria da sinalização e telecomunicações.

Como parte da estratégia rodo-ferroviária da Transnet, definida em 2012, a Transnet Freight Rail (TFR) procura transferir anualmente pelo menos 2% do transporte ferroviário de mercadorias da estrada para o caminho-de-ferro, reduzindo assim o custo de fazer negócios na África do Sul. “A TFR está também ciente do facto de que uma rede ferroviária ligada regionalmente é fundamental para o crescimento económico do continente”, disse a porta-voz da Transnet, Jane Moshoeshoe.

Moshoeshoe assegurou que o caminho-de-ferro do lado sul-africano se encontra num estado adequado para lidar com o aumento da carga. “A infra-estrutura ferroviária do lado sul-africano da fronteira de Lebombo está em condições de ser utilizada e está operacional”, disse ela. “Tem havido um crescimento significativo dos volumes destinados a Maputo neste corredor”.

Reivindicação do preço de cimento: Nem todas empresas protestantes pertencem a indústria

Parte das empresas que reivindicam o reajuste do preço da venda do cimento na região sul do país, não pertencem ao ramo da indústria cimenteira, afirma o Ministério da Indústria e Comércio.

Este é um dos dados preliminares da investigação em curso depois de algumas empresas de fabrico de cimento terem exigido ao governo o agravamento do preço de comercialização do cimento por parte da empresa Dugongo Cimentos.

As referidas produtoras alegam que pelo facto de a Dugongo ser a única produtora de clínquer no país, acaba colocando as outras em estado de dependência, por não terem esta componente nas suas unidades de produção.

O Ministério da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, avança que depois de um encontro com a direcção de algumas destas empresas, constatou-se que as mesmas não apresentam os requisitos para serem contempladas na classe de indústrias cimenteiras.

“ Tive oportunidade de me reunir já com duas dessas empresas que nos enviaram essa carta. Nem todas elas são empresas cimenteiras”, afirmou.

Mesquita disse ainda que “Há classes, há empresas cimenteiras de ciclo completo que é o caso da Dugongo por exemplo, que extrai calcário, processa para clínquer, produz, tem energia e vende. Há empresas que apanham o processo a meio, importam ou compram o clínquer para depois avançar e há algumas, que eventualmente sejam essas que dizem que já fecharam as portas, que compram o produto acabado daqui e acolá e misturam e também são qualificadas como cimenteiras, não são. Então, isto tudo está a ser analisado com profundidade porque queremos que as nossas indústrias prosperem dentro de um ambiente próprio de competitividade são para o desenvolvimento deste país e o impacto que os preços estão a ter hoje em dia nós vemos; cria-se uma série de actividades, temos mais pedreiros, mais obras acontecem, tem um efeito multiplicativo: É isto que nós queremos que aconteça, não só no cimento como em outras indústrias”.

Mitsui ‘optimista’ sobre o reinício do projecto de GNL

O chefe executivo da multinacional japonesa Mitsui expressou “optimismo” em relação ao projecto de gás natural da Área 1 no norte de Moçambique, congratulando-se com os progressos na restauração da segurança na região, disse uma fonte governamental em Wednesda

A fonte disse à Lusa que Motoyasu Nozaki expressou as suas expectativas numa reunião com o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, como parte de uma visita a Moçambique para se encontrar com funcionários locais.

Motoyasu disse estar “muito encorajado com os últimos desenvolvimentos em Cabo Delgado”, referindo-se ao progresso na luta contra os “grupos terroristas” que assolam a província.

Uma paz duradoura e sustentável é fundamental para um ambiente favorável ao investimento e desenvolvimento socioeconómico na província, disse.

Motoyasu Nozaki disse que o restabelecimento da segurança deveria beneficiar também as comunidades que vivem nas áreas de implementação de projectos de gás natural e a população de Cabo Delgado em geral.

A companhia japonesa é um parceiro estratégico da companhia petrolífera francesa Total na Área 1 do projecto de exploração de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma.

O consórcio foi forçado a suspender a sua operação após ataques armados a 24 de Março na aldeia de Palma, perto do desenvolvimento, que é o maior investimento privado em África.

A luta contra grupos armados em Cabo Delgado registou progressos significativos após a reconquista, no domingo, da cidade de Mocímboa da Praia, uma das principais cidades da província, numa operação conjunta das forças governamentais moçambicanas e ruandesas.

Na terça-feira, o comandante do exército moçambicano, Cristóvão Chume, disse que a força conjunta moçambicana e ruandesa está a destacar “missões de limpeza” através do distrito de Mocímboa da Praia.

No mês de Julho metical esteve mais estável

A moeda nacional, o Metical, apresentou-se menos volátil aos choques externos, em Julho de 2021, relativamente aos últimos quatro meses.

Segundo uma análise do banco Millennium Bim publicada esta quarta-feira, 11 de Agosto, no mês de Julho, o Metical manteve a tendência de depreciação iniciada em Maio, contudo com menor intensidade, tendo registado uma depreciação mensal de 0,22% face ao Dólar norte-americano (USD/MZN), fixando-se em 63,63.

De acordo com a nota do Millennium Bim, em Julho de 2021, as vendas cambiais foram superiores em relação às compras cambiais e com melhor desempenho comparativamente ao mês de Maio (que foi o pior no primeiro semestre de 2021), no qual se registou um significativo afundamento desta rubrica, contrariando a tendência de estabilidade que vinha a ser notada desde Janeiro do corrente ano.

Concorreu para este efeito o aumento da oferta e liquidez em Dólar no mercado cambial, favorecido pelo incremento do volume das compras cambiais dos bancos comerciais com o público, que se situaram em USD 562,88 mio (+82,6% m/m), em maior proporção que o incremento mensal nas vendas cambiais que se situaram em USD 643,01 mio (+21,6% m/m).

Neste capítulo, e de acordo com o Millennium Bim, as cotações do Mercado Cambial Interbancário (MCI), referentes à relação Euro/Metical, mantiveram-se elevadas, seguidas das do Dólar/Metical e, por fim, do Rand/Metical.

O saldo das Reservas Internacionais Brutas, reportadas até Julho de 2021, situou-se em USD 3.8 mil mio, com cobertura para mais de seis meses de importações (excluindo grandes projectos), preservando as tendências de 2019 e 2020.

Factores exógenos, aliados ao aumento da inflação na África do Sul e do preço das principais commodities no mercado internacional, com atenção ao petróleo, poderão aumentar a procura doméstica por divisas. Ainda assim, o alumínio continua a liderar as exportações das commodities, seguido do carvão que, particularmente nos meses de Janeiro e Abril de 2021, superou o carvão e, por fim, o petróleo, todas numa tendência crescente.

Operadoras de telefonia móvel vão reajustar bónus no final deste mês

As operadoras vão mesmo reajustar os bónus a partir do dia 28 de Agosto corrente, reafirma o Instituto Nacional das Telecomunicações de Moçambique (INCM), na sequência da publicação por este órgão, enquanto regulador do sector, da Resolução n.º 13/CA/INCM/2021 de 30 de Junho, que proíbe as empresas de telecomunicações a aplicação, nas recargas, de bónus superiores a 50 por cento do valor real da recarga.

A garantia foi dada esta terça-feira (10) em Maputo, pelo Director-geral do INCM, Tuaha Mote, e vem numa altura em que vários estratos sociais criticam a redução de bónus em plena crise pandémica, bem como a comunicação feita pelo regulador para esclarecer a referida Resolução.

Diante dessas preocupações, a Associação Moçambicana de Profissionais e Empresas de Tecnologias de Informação (AMPETIC) chegou a exortar, em comunicado, a revogação do dispositivo legal em questão.

Ainda assim, Mote garantiu que a instituição vai avançar na aplicação da Resolução, na data prevista. “O INCM não vai revogar a Resolução, porque resulta de uma decisão cientificamente estudada”, afirmou o gestor.

Refira-se que, na Resolução em causa, o INCM detalha que a decisão de reajustar o bónus surge pelo facto de se ter constatado práticas anti-competitivas nas chamadas dentro da rede, bem como nas chamadas para fora da rede, num estudo feito pela instituição, com base em informação tarifária disponibilizada pelas três operadoras, designadamente: Moçambique Telecom S.A. (Tmcel), Vodacom Moçambique S.A. e Movitel.

Falando em média breakfast, no qual também participou o Presidente do Conselho Administrativo (PCA) do INCM, Américo Muchanga, o Director-geral da instituição esclareceu que, apesar de criticada, a Resolução vem num momento oportuno e visa, em geral, proteger os consumidores, operadoras e as telecomunicações no país.

Em relação aos clientes, o PCA do INCM reiterou que o bónus ilimitado não beneficia a maioria dos consumidores. De um universo actual de 14 milhões de subscritores no país, Muchanga disse que apenas 50 mil beneficiam do bónus ilimitado, ficando a larga maioria prejudicada.

O PCA do INCM explicou ainda que, embora seja, de alguma forma, uma estratégia de massificar as telecomunicações no país, na verdade, a oferta desse bónus está a prejudicar algumas empresas e, como consequência, prestam serviço aquém do desejado por falta de investimento, pois não produzem lucros.
Nesse contexto, exemplificou que 117 estações de base foram desligadas por uma operadora (cujo nome preferimos não revelar), por falta de investimento e mercado, facto que está a afectar os subscritores da mesma.

Enfim, os gestores do INCM reafirmaram que produziram a Resolução, que entra em vigor, dentro de 17 dias, com vista a evitar os problemas relatados e permitir o contínuo desenvolvimento das telecomunicações em Moçambique. Quanto à apresentação do assunto ao público, os administrativos do INCM reconheceram ter havido alguma falha de comunicação por parte da instituição, pelo que se comprometeram a reverter a situação oportunamente.

Moçambique no ‘bom caminho’ para vender diamantes certificados

O país está no bom caminho no cumprimento dos procedimentos internacionais exigidos para a venda de diamantes certificados, como parte do chamado Processo de Kimberley, anunciou-se na reunião do gabinete de Moçambique na terça-feira.

“Estamos muito avançados, estamos numa fase avançada de cumprimento dos requisitos internacionais de certificação, estamos no bom caminho”, disse o porta-voz da reunião do gabinete, Filimão Suaze.

Suaze disse que o país tinha aprovado legislação e regulamentos, estabelecido a Unidade de Gestão do Processo de Kimberley (KPMU), criado armazéns de diamantes e está a formar pessoal na classificação e transparência do negócio diamantífero.

“Em Setembro, uma equipa de peritos internacionais sobre o Processo de Kimberley virá a Moçambique para verificar as medidas já tomadas pelo país para o comércio de diamantes certificados”, disse o porta-voz da reunião do gabinete.

O país quer que os diamantes, gemas e pedras preciosas que irá colocar no mercado internacional estejam livres de dúvidas sobre a legalidade da sua extracção.

O Processo de Kimberley é um mecanismo internacional que advoga a transparência nos negócios e combate a venda de diamantes extraídos em zonas de guerra, cujas receitas são utilizadas para financiar a violência armada e ilegítima.

Pandemia da Covid-19: Apenas crise ou janela de oportunidades?

A pandemia da Covid-19 está a trazer enormes adversidades para a economia mundial e, em particular, para a economia moçambicana, desde que foi detectado o primeiro caso da doença, em Março de 2020, causando a perda de postos de trabalho, elevando o índice de desemprego e, provocando o encerramento de muitas empresas.
Os sectores do turismo, hotelaria e restauração figuram entre os mais afectados, muito por conta das medidas adoptadas para travar novas infecções pelo vírus.

Mas em meio a tantas perdas, houve também sectores que registaram ganhos estratosféricos, tais são os casos da Saúde ‘Privada’ e o das Confecções, por exemplo, este último que incluiu a cadeia de produção de máscaras, muito necessárias para a contenção da propagação da doença.

A indústria farmacêutica também não se pode queixar, visto que as vendas de álcool e gel dispararam, assim como a venda de outros desinfectantes e medicamentos.

No mercado informal, assiste-se à venda do eucalipto, tido como uma planta eficaz para fazer bafos e descongestionar o sistema respiratório. Aliás, há até empresas que foram criadas para a comercialização desta planta.
Geralmente, as crises, num primeiro momento, criam um sentimento de pânico e incerteza, em relação ao futuro, mas quando favoravelmente vividas podem ser um trampolim para o sucesso e desenvolvimento.

Particularmente, a pandemia do Coronavírus ampliou o espaço de actuação de alguns sectores de actividade, como é o caso das telecomunicações, que reforçou a utilização do Skype, Videochamadas no Whatsapp, e democratizou o conceito de Webinar (web-based-seminar) em plataformas como o Zoom, Microsoft Teams, Youtube ou até mesmo pelo Facebook.

Efectivamente, muitas empresas do ramo das comunicações facturaram com essa inovação, bastante favorecida pela imposição do distanciamento social, que catapultou a realização de eventos pela via digital.

Muitas empresas adoptaram o modelo Home Office que consiste em colocar os colaboradores a trabalharem a partir de casa, tendo relatado resultados positivos, com mais eficiência, menos atrasos e racionalização de recursos, nalguns casos. Entretanto, a adopção deste modelo acarretou algum investimento em material informático, tendo impulsionado os negócios dos vendedores de computadores e os provedores de internet. Quem teve a visão futurística de incrementar o stock e reforçar o marketing, certamente teve razões para sorrir.

Ainda na senda da reinvenção, esta crise favoreceu o uso de canais digitais do sistema financeiro, com os bancos a crescerem nessa componente, com a promoção dos serviços já existentes e a criação de novos.

Enfim, vários são os casos de sucesso, sobre os quais não podemos estar indiferentes, simplesmente porque a pandemia devastou outros sectores.

Qual é o seu negócio? Ele já está nas plataformas digitais? Sabe como contornar o Corona?

Pense no seu negócio, elabore uma estratégia que venda tendo em conta as limitações trazidas pela Covid-19 e continue a trabalhar. Este pode ser o momento de excelência para deixar fluir a criatividade e criar oportunidades e soluções para os vários problemas que surgem. Basta olhar com positividade!

Analista antevê que regresso da Total aconteça dentro de um ano

O analista moçambicano Mohamed Yassine defende que a retomada de Mocímboa da Praia pelas forças moçambicanas e ruandesas abre portas para “um futuro diferente” para o megaprojeto de gás em Cabo Delgado.

Em entrevista à DW África, o especialista de Relações Internacionais Mohamed Yassine comentou ainda os atritos entre Maputo e Kigali, após as comunicações do Ruanda sobre as operações no terreno em Cabo Delgado, antes mesmo de um pronunciamento oficial de Moçambique.

Para o analista, a Defesa moçambicana será obrigada a quebrar o “segredo de Estado” se quiser recuperar o protagonismo nos meios de comunicação social e “permitir que mais instituições possam averiguar de perto o que está a acontecer em Cabo Delgado”.

DW África: O que significa a retomada de Mocímboa da Praia para o megaprojeto de gás em Cabo Delgado?

Mohamed Yassine (MY): Significa o retorno de uma parcela da soberania moçambicana que estava nas mãos da insurgência há mais de um ano. Por outro lado, significa que o lugar de concentração e que sempre serviu de bastião da insurgência, estando nas mãos do Governo é fácil projetarmos a segurança que precisamos para a região de Afungi e Palma.

DW África: Será o início do regresso da Total para a região?

MY: A estabilidade da região requer um bocadinho mais de cuidados. Para além de Mocímboa da Praia o Governo conseguiu recuperar cerca de onze posições que estavam nas mãos da insurgência, mas, por outro lado, uma vez que os insurgentes já não têm um bastião podemos começar a pensar no retorno da Total para Moçambique provavelmente daqui a um ano. A Total dava um ano e oito meses para que Moçambique se decidisse e penso que com esta intervenção feita em Mocímboa da Praia estão abertas as portas para começarmos a pensar num futuro diferente daquilo que eram os prazos. Já existem mecanismos para dizermos que, com o apoio internacional, iremos conseguir defender a província de Cabo Delgado no seu todo.

DW África: O Presidente Filipe Nyusi lançou esta segunda-feira formalmente, em Pemba, a missão militar da SADC que se vai juntar às forças moçambicanas e ruandesas em Cabo Delgado. No seu entender, como vai ser o trabalho de todas essas tropas no terreno?

MY: As dificuldades que eu vejo podem estar na coordenação porque afinal de contas os países que lá estão cada um tem o seu interesse individual ou coletivo. Acho que se Moçambique tiver feito o seu trabalho de casa por forma a introduzir cada uma das forças à força da SADC no seu todo e à força bilateral do Ruanda cada um com objetivos diferentes, um com o objetivo de combate (como temos visto nos do Ruanda) e a força da SADC como a força de manutenção da paz. Mas se isso estiver a sair do controle da liderança moçambicana, cada um dos exércitos pode optar pelo seu ego. Além de que é preciso dizer que alguns países da SADC têm ainda algumas “feridas” em relação ao Ruanda e pode resvalar num ajuste de contas no terreno.

DW África: Ainda no lançamento da missão da SADC, o Presidente Filipe Nyusi exigiu mais comunicação e coordenação em Cabo Delgado. Acha que foi um mea-culpa do chefe de Estado?

MY: Esse pronunciamento do Presidente não foi exatamente virado para a SADC mas é preciso recordar que Moçambique vem sendo informado sobre o que está a acontecer em Cabo Delgado através do Ruanda. A conferência de imprensa é dada no Ruanda, o que significa que do ponto de vista do Estado devia ser o contrário. A conferência de imprensa devia ser dada em Moçambique, pelo exército moçambicano anunciando os ganhos alcançados em conjunto com as forças ruandesas. Tem sido continuamente trazido até nos Tweets que o Presidente do Ruanda vai fazendo, o que mostra um bocadinho de falta de humildade para com a missão que está a assumir. Penso que o recado do Presidente (Filipe Nyusi) é no sentido de que a coordenação a ser feita com o objetivo único de apoiar Moçambique e, por outro lado, Moçambique tem de ser a “pessoa” que tem de comunicar para o mundo o que está a acontecer no país.

DW África: Nos últimos dias, tem circulado a informação de que alguns chefes militares de Moçambique não estão contentes com o Ruanda, que estaria sempre à frente na divulgação dos resultados das operações, inclusive através das redes sociais. É hora do Ministério da Defesa de Moçambique melhorar a sua comunicação?

MY: O Ministério da Defesa vai ser obrigado a quebrar o chamado “segredo de Estado”. Durante muitos anos o Ministério da Defesa além de ter impedido que os jornalistas locais pudessem viajar para Mocímboa da Praia e outras zonas para acompanhar de perto o que estava a acontecer, sempre fechou-se também em copas em relação à informação que era necessária em relação a o que estava a acontecer dentro de Cabo Delgado. A conferência de imprensa do Ruanda também passa para os órgãos de informação independente em Moçambique, o que já não é a televisão e a rádio de Moçambique que têm o poder de comunicar e até censurar aquilo que se achar que deve ser censurado. Isso vai quebrar o procedimento do Ministério da Defesa que precisa permitir que mais instituições possam averiguar de perto o que está a acontecer em Cabo Delgado até chamar à razão em relação a direitos humanos e outras consequências que advêm da guerra.

Mota-Engil quase duplica contrato de mineração em Moçambique

Será prolongado por dois anos, o contrato de mineração da Mota-Engil com a Vale, em Moçambique, passando a totalizar 871 milhões de dólares norte-americanos. O projecto quase duplica de valor, segundo informações comunicadas esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“A Mota-Engil informa que a sua subsidiária para a região de África assinou uma adenda a um contrato de mineração actualmente a decorrer em Moatize – Moçambique, cujo cliente é o grupo multinacional Vale, S.A., cujo valor total passa a ascender a 871 milhões de dólares norte-americanos, um incremento de 427 milhões de dólares norte-americanos face ao valor inicial do contrato – 444 milhões de dólares norte-americanos”, anunciou a empresa em comunicado.

A adenda contempla a extensão do atual contrato de mineração por um período adicional de dois anos, cuja data final passa para 31 de dezembro de 2024.

“Com esta adenda, o grupo vê reconhecido o seu desempenho neste contrato, estabelecido originalmente em 2017, bem como na área de mineração, e reforça a sua carteira de encomendas na região de África com um contrato de médio e longo prazo gerador de cash-flows recorrentes”, acrescenta.

Este projecto em Moçambique, adjudicado pela Vale, inclui a execução de serviços mineiros que englobam a perfuração, fornecimento de explosivos, carga e transporte de estéril e carvão, no projeto mineiro de extração de carvão em Moatize, de que a adjudicadora é concessionária. A Vale é uma das maiores mineiras do mundo e a maior empresa privada da América Latina, com sede no Brasil com atuação nos cinco continentes.