Sunday, April 12, 2026
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Karina Jamal: The Mozambican Entrepreneur Transforming the Market with Sustainable Solutions

At 34 years old, Karina Jamal stands out as one of the most influential figures in sustainable entrepreneurship in Mozambique. An author of three published works, she is also the founder of Koko Boxes Lda, a Mozambican company dedicated to the production of biodegradable packaging and paper bags, which has been redefining the landscape of responsible consumption in the country.

The genesis of Koko Boxes dates back to a modest room in her home, where Karina began the business with limited resources. In an interview with the Lionesses of Africa platform, she recalls: “I always wanted to sell a product that was disposable, that people needed every day, but that was easy to discard and, preferably, did not cause pollution.”

After two years of operation, the company relocated to facilities in Carmoc, Maputo, where it led the commercialization of specialized boxes. Sustained growth led to the sale of the company to Mozambican partners who shared the vision of expanding local production. In 2023, a paper bag factory was inaugurated, aiming to reduce plastic consumption in Mozambique by offering innovative and eco-friendly alternatives.

Koko Boxes currently supplies biodegradable packaging to hotels, retail stores, catering companies, and restaurants, using materials such as sugarcane bagasse, recycled paper, and corn starch.

Karina Jamal continues to inspire through her leadership and commitment to sustainability, positioning Koko Boxes as a benchmark in the eco-packaging sector in Mozambique.

Moçambique recebe 131 milhões de dólares para acelerar acesso à energia limpa até 2030

Moçambique recebe 131 milhões de dólares para acelerar acesso à energia limpa até 2030

O Governo de Moçambique garantiu um novo financiamento no valor de 131 milhões de dólares norte-americanos para impulsionar o acesso universal à energia limpa até 2030. A verba será canalizada para o Projecto ASCENT – Acelerando a Transformação do Acesso à Energia Limpa e Sustentável, que marca uma nova etapa na estratégia nacional de electrificação.

Segundo um comunicado da Electricidade de Moçambique (EDM), o financiamento será disponibilizado pelo Banco Mundial, através da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), em parceria com o Governo moçambicano.

O valor assegurado irá apoiar a terceira fase do programa “Energia para Todos”, sendo que cerca de 117 milhões de dólares (7,37 mil milhões de meticais) serão destinados à EDM. O restante montante será gerido pelo Fundo Nacional de Energia (FUNAE) e pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), responsáveis por componentes específicas do projecto.

O plano prevê a ligação de 146 mil novos consumidores à Rede Eléctrica Nacional, abrangendo as províncias de Maputo, Sofala, Manica, Tete, Zambézia e Nampula. Para concretizar este objectivo, será necessário construir 3.300 quilómetros de rede de baixa tensão, 2.200 quilómetros de rede de média tensão e instalar 2.200 postos de transformação.

As estimativas apontam para cerca de 700 mil beneficiários directos, num investimento com impacto significativo no desenvolvimento económico, na inclusão social e na melhoria das condições de vida, sobretudo nas comunidades rurais.

As actividades iniciais – incluindo processos de contratação e aquisição de materiais – arrancam ainda em 2025, enquanto a execução física das obras está prevista para 2026.

Para o Governo, o acesso à energia sustentável continua a ser um factor-chave para a industrialização, geração de emprego e dinamização das comunidades, contando com o apoio contínuo dos parceiros internacionais.

“O Projecto ASCENT representa um salto qualitativo na transformação energética do país e reafirma o compromisso de Moçambique com um futuro mais limpo, inclusivo e electrificado”, sublinha a EDM.

Maputo prepara-se para a FINDUCO 2025, a feira que vai reunir indústrias, investidores e inovação

A PAEMO – Plataforma de Assistência aos Empresários Moçambicanos tem a honra de convidar os órgãos de comunicação social para a apresentação oficial da FINDUCO – Feira Internacional de Indústria e Comércio de Moçambique. A cerimónia terá lugar no próximo dia 17 de abril de 2025, às 17h00, nas instalações da Televisão de Moçambique (TVM), situadas na Rua dos Desportistas, em Maputo.​

A FINDUCO surge como uma plataforma estratégica para impulsionar a economia e o sector empresarial moçambicano, conectando indústrias, comerciantes, investidores e consumidores num único espaço. A feira tem como propósito fomentar negócios, inovação e parcerias estratégicas que contribuem para o crescimento sustentável do comércio e da indústria no país.​

Durante a apresentação, serão destacados os principais objectivos da FINDUCO 2025, incluindo:​

  • Impulso à Economia: Fortalecimento da indústria e do comércio, gerando oportunidades de crescimento para empresas de diferentes sectores.​
  • Internacionalização: Conexão entre empresas locais e internacionais, facilitando a troca de conhecimentos, tecnologias e investimentos.​
  • Inovação e Sustentabilidade: Espaço para apresentação de novas tendências, tecnologias e soluções sustentáveis para o desenvolvimento industrial e comercial.​
  • Acesso ao Mercado: Visibilidade e acesso a novos mercados e clientes para pequenas e grandes empresas.​
  • Networking de Alto Nível: Oportunidade para empresas, empreendedores e investidores estabelecerem parcerias estratégicas.​

A FINDUCO 2025 está agendada para decorrer de 7 a 9 de agosto, no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, das 10h00 às 22h00. Espera-se a participação de aproximadamente 20.000 participantes, representando 26 países, com a presença de 60 oradores e 3.000 stands.​

A conferência de imprensa contará com a intervenção da direcção da PAEMO, parceiros estratégicos e marcas envolvidas na feira, bem como a apresentação oficial da programação, objectivos e perspectivas futuras da iniciativa.​

Moçambique lança sistema de contratação pública

Com o objectivo de reduzir a burocracia, aumentar a transparência e melhorar a eficiência na gestão dos recursos públicos, o Governo moçambicano, através do Ministério das Finanças, lançou o projecto de Contratação Pública Electrónica (e-GP).

De acordo com a Ministra das Finanças, Carla Louveira, este sistema surge como resposta aos desafios do modelo tradicional, caracterizado por custos elevados e falta de transparência.

O sistema permitirá que as instituições públicas realizem processos de aquisição de forma mais ágil e segura, seguindo padrões internacionais, sendo também um compromisso do novo Governo com a modernização da administração pública e o fortalecimento da governação digital.

Espera-se que esta iniciativa tenha um impacto directo na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos, na confiança das empresas que operam no mercado moçambicano e no exterior, bem como na sustentabilidade das finanças públicas.

Com o Sistema de Contratação Pública Electrónica, o Governo procura reafirmar o seu compromisso com a modernização da administração pública e com o reforço da transparência e eficiência na gestão dos recursos públicos.

A cerimónia de lançamento contou com a presença do Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, que destacou que a implementação do sistema representa mais uma resposta aos anseios da Política para a Sociedade da Informação, instrumento que estabelece as linhas orientadoras para o desenvolvimento sustentável.

Para Américo Muchanga, uma das prioridades para garantir a Transformação Digital em Moçambique reside na criação de uma infraestrutura única de interoperabilidade entre os sistemas da Administração Pública, assegurando a partilha e reutilização de dados e aplicações de diferentes entidades, contribuindo assim para a melhoria da eficiência e da eficácia na prestação de serviços ao cidadão.

A materialização do projecto será conduzida de forma faseada, garantindo que cada etapa seja acompanhada por uma forte capacitação institucional e pelo desenvolvimento de uma infraestrutura tecnológica robusta.

Moçambique palco do Hack4Dev 2025

Moçambique será, de 14 a 17 de Abril, palco do Hack4Dev Regional Hackathons 2025, evento que visa motivar jovens a resolver problemas de pesquisa desafiadores através da ciência de dados.

Hack4Dev é um evento global de aplicação de machine learning em ciências espaciais, que ocorre simultaneamente em vários países. Para este ano, os hackathons acontecem no Quênia, Gana, Etiópia, Botsuana, África do Sul, Madagascar, Ruanda, Namíbia, Moçambique, Índia, Brasil e Chile.

No país, o evento acontece sob a liderança da Associação Moçambicana de Astronomia (AMAS), em parceria com o Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC).

De acordo com Ramiro Saíde, membro da AMAS e organizador, o desafio proposto para este ano reflecte um problema real na exploração espacial: como optimizar a transmissão de dados de CubeSats pequenos satélites com capacidade computacional e largura de banda limitadas.

“Os participantes vão desenvolver um modelo de Deep Learning para classificar as imagens mais relevantes capturadas por esses satélites, garantindo que apenas os dados mais úteis sejam enviados à Terra”.

O desafio consiste em priorizar dados de forma optimizada para transmissão, concebendo modelos de machine learning que assegurem alta precisão com o mínimo uso de recursos, um aspecto crucial para missões limitadas por capacidade computacional e restrições de comunicação.

Para Ramiro Saíde, a realização deste evento no país representa uma oportunidade ímpar, pois, além de os participantes desenvolverem competências em inteligência artificial, processamento de imagens e tecnologia espacial, esses conhecimentos poderão ser aplicados em áreas como monitorização ambiental, agricultura, telecomunicações e gestão de recursos naturais.

A melhor solução dentro do desafio poderá ter a oportunidade de ser adoptada como padrão em alguns nanossatélites científicos, demonstrando que é possível contribuir directamente para avanços na pesquisa espacial a nível mundial.

O evento é aberto a todos os candidatos proficientes em programação Python e familiarizados com a linha de comando, que estejam a frequentar cursos de pós-graduação (mestrado ou doutoramento).

Crise de combustíveis: uma bomba relógio sobre Maputo

A crise na importação e distribuição de produtos petrolíferos, principalmente gasolina e gasóleo, tem vindo a ganhar contornos alarmantes nas últimas semanas. Como consequência, verifica-se a escassez de combustíveis, principalmente nas cidades de Maputo e Matola, sul de Moçambique.

Em causa está a dificuldade que as gasolineiras têm de emitir garantias bancárias para importação de combustíveis, porque o sistema financeiro não tem moeda externa (principalmente o dólar) para o efeito.

Dados revelam que há nos terminais oceânicos cerca de 100 mil toneladas métricas de combustível em financial hold. Isto é, estão retidas por falta de emissão de garantias bancárias. A quantidade é avaliada em 70 ou 80 milhões de USD. A falta de divisas não é um problema novo em Moçambique e as consequências para o sector de combustíveis também não são de agora.

Na última semana, a escassez de combustíveis ganhou contornos preocupantes para os automobilistas e para a economia no geral. Em alguns postos de abastecimento não havia principalmente gasolina para a maioria de carros ligeiros. Noutros casos, raros, não havia gasóleo para veículos pesados, indústria e transporte semi-colectivo de passageiros. Há casos, ainda, em que nenhum destes combustíveis era vendido, o que originava longas filas nos postos de abastecimento com os produtos.

Constata-se essas realidades em diferentes postos instalados nas cidades de Maputo e Matola. Fez uma ronda por 16 postos de abastecimento. Na Cidade de Maputo, visitámos seis postos, dos quais dois (da Engen e Puma) localizados nos arredores do mercado grossista do Zimpeto.

Desses postos, o da Puma não tinha combustível. Aliás, tal situação verificava-se há mais de seis meses. O da Engen só tinha gasolina, mas não dispunha de gasóleo há uma semana. Entretanto, na última sexta-feira (11), o posto recebeu o gasóleo.

Visitámos igualmente o posto de abastecimento de Nkomazi, localizado no bairro Jardim ao longo da Estrada Nacional Número 1 (EN1). No dia da visita, quinta-feira (10), o posto dispunha tanto de gasóleo como de gasolina, de tal modo que nas primeiras horas era caracterizado por longas filas de diversos veículos para abastecer.

Na cidade de Maputo, estivemos em três postos de abastecimento, dois da Total, na Avenida 25 de Setembro, próximo ao Hotel VIP e o outro na Avenida 24 de Julho, próximo à Escola Francisco Manyanga. O terceiro, na mesma Avenida, pertence à PETROMOC. Com excepção do posto da Avenida 25 de Setembro (que não tinha nenhum combustível), os restantes só tinham gasóleo e não gasolina. Frustrando o grosso dos automobilistas ligeiros.

Na cidade da Matola, cerca de 10 postos, quatro ao longo da Avenida da União Africana (vulgo estrada velha). Desses, dois são da TotalEnergies, um da Galp e o outro da Engen. Ao que constatámos, quatro desses postos tinham combustível, na tarde de quinta-feira, mas nas primeiras horas o da Galp não tinha gasolina. Entretanto, um posto da Total (Mariliza) não tinha, aliás, há vários meses que está encerrado. Ao longo da EN4, a equipa visitou dois postos da Total, um dos quais mais próximo da portagem. Por causa da escassez, este posto limitava o fornecimento de gasolina até dois mil Meticais.

Ainda na Cidade da Matola, percorremos os bairros Fomento e Cinema 700. No entroncamento entre a EN4 e a Avenida da Namaacha, no Fomento, o posto da Galp estava a fornecer tanto o gasóleo como a gasolina, mas nas primeiras horas não tinha gasolina.

Ao longo da Avenida 05 de Fevereiro (vulgo Avenida), no bairro Cinema 700, a equipa visitou um posto da Rabit Energy, que na altura da visita (tarde de quinta-feira) estava a abastecer gasolina. Na EN4, o posto de abastecimento da PETROMOC e SASOL, próximo ao Shoprite, não estava a fornecer combustíveis.

Outro posto visitado, ainda na Matola, localiza-se no bairro Intaka I, próximo à Primeira Rotunda ao longo da Estrada Circular de Maputo. Até sexta-feira, o posto não fornecia gasolina há uma semana, mas naquele dia esperava receber o produto.

No cômputo geral, dos 16 postos, cinco não tinham combustíveis na hora da visita, seis só vendiam gasóleo, um vendia apenas gasolina e os restantes quatro dispunham de gasóleo e gasolina. Da ronda constatou-se ainda que os postos da Galp tendem a manter o fornecimento apesar da ruptura de stock que não leva um dia.

Entretanto, grande parte dos postos da PETROMOC e Total só têm gasóleo. Curiosamente, os poucos funcionários dos postos que aceitaram falar, mas em anonimato, disseram não saber por que havia escassez de combustíveis. Para obter tal informação remetiam sempre aos seus superiores.

As divisas, mais divisas e divisas!

Por que afinal há aparente escassez de combustíveis? Contactado, o Director Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Moisés Paulino; o Director-geral da Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO), João Macanja; e o Secretário da Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL), Ricardo Cumbe. Debalde! Nenhum deles atendeu às nossas chamadas e mensagens. Por seu turno, o CEO da Galp Moçambique, Paulo Varela, acessível via telefone, explicou que a crise se deve à escassez de divisas no mercado financeiro nacional.

Apesar de garantir o fornecimento com alguma regularidade em todos os postos, Varela revela que a Galp também se ressente dos efeitos da crise. Frisou que o problema é de todos, apesar de a empresa que gere conseguir controlar a situação. Varela negou que a estabilidade da Galp seja pelo facto de obter garantias bancárias internacionais. “Não. Isso não constitui verdade. Nós também recorremos aos bancos nacionais”, disse o CEO da Galp Moçambique.

Quanto à falta de gasolina e maior disponibilidade de gasóleo, Varela explicou que tal se deve ao facto de as gasolineiras importarem mais gasóleo, por ser um produto de maior consumo em relação à gasolina.

Combustível para esta crise, em Junho de 2023, o Banco central suspendeu a comparticipação nas facturas de importação de combustíveis, sob a excusa de economizar divisas. Medida que deixou aflitas as empresas que dependem do combustível importado. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) chegou a sugerir que o regulador do sistema financeiro reavaliasse essa decisão e considerasse a comparticipação, pelo menos em parte, nas facturas de combustíveis e outros produtos críticos. Inglória!

Quem também não sabe como e quando a crise será ultrapassada é o Governo. O porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, reconheceu na última sexta-feira que o problema resulta da falta de divisas no sistema financeiro e falhas na logística dos combustíveis, nomeadamente, dos terminais oceânicos aos postos de abastecimento.

Eximindo o Governo de poder colocar a mão para solucionar o problema, Impissa escudou-se nas leis de mercado, aberto, por se tratar de um negócio entre particulares, em que Executivo não tem espaço para tomar medidas. Para o porta-voz do Governo, os bancos e as gasolineiras é que devem encontrar soluções para pôr fim à crise na importação e distribuição de combustíveis.

Automobilistas alarmados

Sem soluções à vista para a crise, diversos automobilistas dizem-se preocupados com a falta de combustíveis. O destaque vai para privados e operadores de transporte semi-colectivo. Na Matola, arredores da Primeira Rotunda, ao longo da Estrada Circular de Maputo, no bairro Intaka II, interpelámos um jovem automobilista.

Na cada vez mais habitual postura de cidadania resguardada, sob o anonimato, disse que tem acompanhado com elevada preocupação as notícias sobre a escassez de combustíveis em Maputo e Matola. “No princípio desta semana, saí daqui da Rotunda para a Zona Verde e notei que não havia combustível nas poucas bombas existentes nesse troço. Por essa razão, procurei encher o tanque do carro. Para evitar que o carro pare por falta de combustível, abasteço sempre que consigo uns 200 ou 300 Meticais”, disse a fonte.

Caso a crise continue por mais tempo, o nosso entrevistado disse esperar que a maior procura pelo combustível resulte no incremento do preço dos próprios produtos petrolíferos e de mais mercadorias de primeira necessidade. O que vai agravar ainda mais o custo de vida no país.

Além do jovem em anonimato, a nossa equipa interpelou Jorge Chirindza, no Zimpeto, operador de transporte semi-colectivo. Chirindza opera na rota Zimpeto – Cidade da Matola. Ele também disse que teve dificuldades para abastecer, na última semana, porque nos postos por onde passava não havia gasóleo. Segundo o transportador, se esta situação preval__ecer “o impacto será muito negativo e tal pode causar o aumento da tarifa de transporte”.

Resposta à crise económica: Governo aponta resultados e projecções para os desafios do poder de compra e crescimento económico

  • Salim Valá destaca acções nos primeiros 100 dias de governação, estratégias para dinamizar sectores produtivos e medidas para conter a erosão do poder de compra

No decurso da sessão plenária de informação do Governo à Assembleia da República, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, detalhou os progressos alcançados nos primeiros 100 dias do novo ciclo governativo, sublinhou os desafios económicos e apresentou medidas em curso para conter a degradação do poder de compra da população, impulsionar a produção e promover o desenvolvimento endógeno.

Primeiros 100 dias: metas, resultados e monitoria apertada

No início da intervenção, o Ministro recordou a aprovação, em Fevereiro, do Plano dos Primeiros 100 Dias de Governação 2025–2029, composto por 77 acções monitoradas por 96 indicadores. Entre os avanços destacados estão:

  • Pagamento do 13.º salário e horas extras nos sectores da Educação e Saúde;
  • Criação do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), com enfoque no empreendedorismo jovem;
  • Alocação de USD 8,5 milhões a 26 PME em seis províncias;
  • Expansão da irrigação em 1.815 hectares e instalação de sete estações agrometeorológicas;
  • Distribuição de 11 milhões de livros escolares e apoio a 11.746 escolas;
  • Reintegração de 832 ex-reclusos e apoio a jovens vulneráveis com 360 cartas de condução;
  • Instalação de Internet em 200 escolas e promoção da mobilidade urbana.

Segundo o Ministro, estas acções foram executadas num contexto de forte contenção orçamental, com base em fontes diversificadas de financiamento, e sujeitas a um plano de monitoria quinzenal que assegura a execução rigorosa do programa.

Desaceleração do crescimento e cenário conservador para 2025

O discurso abordou também o desempenho da economia. Segundo Salim Valá, embora os anos de 2022 e 2023 tenham registado um crescimento robusto (4,4% e 5,4%, respectivamente), impulsionado pelo gás natural liquefeito (GNL), o ano de 2024 registou uma quebra acentuada, com o crescimento fixado em 1,85%, muito aquém da meta de 5,5%. Entre os factores apontados:

  • Conflitos geoestratégicos;
  • Choques climáticos como El Niño e a tempestade tropical Filipo;
  • Manifestações pós-eleitorais;
  • Queda nas exportações de rubis.

Para 2025, o Governo estima um crescimento de 2,9%, num cenário moderadamente conservador. A inflação deverá manter-se entre 4,5% e 5,5% no horizonte até 2027, sustentada por políticas monetárias prudentes e isenções fiscais sobre bens essenciais.

Medidas contra a degradação do poder de compra

Para enfrentar o impacto da inflação sobre o consumo das famílias, o Governo reforçou medidas de estabilização económica, incluindo:

  • Redução da taxa de juro de política monetária e intervenções no mercado cambial;
  • Isenção do IVA sobre produtos essenciais como milho, arroz, pão, leite para lactentes, tomate, batata, cebola, carapau, gás de cozinha e petróleo de iluminação;
  • Avaliação dos programas de protecção social com cobertura a 1,2 milhões de pessoas.

Está ainda em discussão a revogação da isenção do IVA para o óleo, açúcar e sabão, proposta que visa reforçar a receita fiscal, sem negligenciar o apoio às camadas mais vulneráveis.

Transformação estrutural e crescimento inclusivo

Salim Valá reiterou que a solução de médio e longo prazo passa por elevar a produção e a produtividade, especialmente nos sectores com maior capacidade de absorção de mão-de-obra:

  • Agricultura, pecuária e pescas;
  • Indústria transformadora;
  • Turismo, logística e transportes;
  • Recursos minerais e energia.

O Governo propõe-se potenciar os pequenos produtores com acesso a insumos, tecnologia e mercados, e promover o processamento local de matérias-primas, através de incubadoras, parques industriais e tecnológicos. Paralelamente, continuará a investir em infra-estruturas integradas e resilientes, com prioridade para saúde, educação e logística de apoio à produção.

Estabilidade política e desenvolvimento económico como pilares

A terminar, o Ministro sublinhou a importância da paz, estabilidade macroeconómica e coesão institucional como pré-condições para a transformação do país. A estratégia de governação assenta num processo faseado, com enfoque nos dois primeiros anos na estabilização e preparação de condições para a retoma da economia e melhoria da prestação dos serviços públicos.

“Queremos simultaneamente dinamizar a economia muito dominada pelas Micro – PME’s, elevar o rendimento das famílias e fortalecer o capital humano e as instituições”, afirmou.

Coral Norte: Itália elogia decisão de Moçambique e prevê novos investimentos

O Embaixador da Itália em Moçambique, Gabriele Annis, congratulou, hoje, em Maputo, a decisão do Governo moçambicano que autoriza à Rovuma Venture, liderada pela petrolífera italiana Eni, a explorar gás natural, através do projecto Coral Norte FNLG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Segundo Annis, o projecto offshore Coral Norte, duplica o investimento do Coral Sul, na ordem de sete mil milhões de euros. E, por replicar a experiência que se obteve no Coral Sul, “a construção da plataforma flutuante vai se mais rápida”.

“O Governo italiano e a Eni receberam com satisfação essa aprovação que firma a nossa presença no país. É um sinal de que ambas partes terão benefícios financeiros ainda maiores com o projecto, nos próximos anos” disse.

Mas também, para o diplomata, a decisão do Executivo é um indicativo do maior interesse em criar um ambiente de negócios favorável para a entrada de novos investimentos estrangeiros no país.

A propósito, referiu que nos países onde existem investimentos italianos se assiste a um crescimento de empresas em torno dos projectos.

Gabriele Annis falava à jornalistas no Porto de Maputo por ocasião da passagem pelo país da fragata Luigi Rizzo, a assinatura de acordo de cooperação, ontem, entre a Marinha Militar Italiana e as Forças Armadas e de Defesa de Moçambique.

Mega Distribuição de Moçambique S.A. estabelece parceria estratégica com a Galp Moçambique

A Mega Distribuição de Moçambique S.A. anunciou uma parceria estratégica com a Galp Moçambique, tornando-se um dos distribuidores preferenciais de produtos alimentares para mais de 80 lojas situadas nos postos de abastecimento da Galp em todo o país.

Esta colaboração visa fortalecer a presença da Mega Distribuição no mercado moçambicano, especialmente no segmento de conveniência, ampliando a sua cobertura e eficiência na distribuição de produtos alimentares.

A Mega Distribuição expressou gratidão à Galp pela confiança depositada, afirmando estar comprometida em apoiar as lojas na melhoria do serviço aos clientes. Esta parceria representa uma mais-valia para as marcas e parceiros representados pela Mega em Moçambique, incluindo nomes de renome como Delta, Gorila, Nestlé, Gullón e Haribo.

Com esta aliança, a Mega Distribuição de Moçambique S.A. reforça o seu papel como distribuidor líder de marcas prestigiadas, consolidando a sua posição no mercado e contribuindo para o desenvolvimento do sector de distribuição alimentar no país.

Rand atinge mínimo histórico face ao dólar: tarifas e incerteza política minam confiança dos investidores

O rand sul-africano atingiu o seu valor mais baixo de sempre em relação ao dólar norte-americano, pressionado pela escalada da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos e pela crescente instabilidade política interna. A moeda sul-africana chegou a ser negociada a 19,9325 rands por dólar, ultrapassando o anterior recorde negativo de Junho de 2023, que era de 19,9075.

Apesar de ter recuperado ligeiramente para 19,81 até ao fecho das bolsas europeias (1533 GMT), a moeda mantinha uma desvalorização diária de 0,2% e acumulava uma perda superior a 3% desde o início da semana.

“Os últimos dias de negociação foram extremamente voláteis, e não há sinais de que esta instabilidade vá terminar tão cedo”, afirmou Danny Greeff, co-director para África da ETM Analytics.

Tarifas globais agravam o sentimento negativo nos mercados

O anúncio de novas tarifas retaliatórias por parte da China e da União Europeia sobre produtos dos EUA aprofundou o clima de incerteza nos mercados internacionais. A acção faz parte da escalada de medidas proteccionistas impulsionadas pela Administração Trump, que já havia imposto tarifas sobre dezenas de parceiros comerciais, desencadeando reacções em cadeia.

Estas tensões comerciais globais afectam economias emergentes como a sul-africana, pela sua elevada exposição a fluxos de investimento estrangeiro e à procura internacional por commodities.

Risco político interno aprofunda desvalorização

Além da pressão externa, o rand foi fortemente penalizado pelas dúvidas sobre a estabilidade do Governo de Unidade Nacional (GNU). As duas principais forças da coligação — o ANC (Congresso Nacional Africano) e a DA (Aliança Democrática) — estão em desacordo sobre o orçamento, com a DA a votar contra a proposta em parlamento e a apresentar um recurso judicial para travar a sua implementação.

Apesar de ambas as formações afirmarem que não romperam formalmente com o acordo de coligação, os investidores temem uma cisão que comprometeria a continuidade de uma agenda económica orientada para o mercado.

“Os investidores começaram a considerar seriamente a hipótese de dissolução do actual GNU”, afirmou Nicky Weimar, economista-chefe do Nedbank.

O cenário político incerto afasta capital de risco, aumenta os custos de financiamento e reduz as expectativas de reformas estruturais que vinham sendo negociadas no âmbito do governo de coligação.

Mercados financeiros reagem com perdas generalizadas

A pressão não se fez sentir apenas na taxa de câmbio. O índice de referência da Bolsa de Joanesburgo, o Top-40 (JTOPI), encerrou a sessão com uma queda de 2%, enquanto o preço dos títulos da dívida pública com vencimento em 2030 caiu, fazendo com que o rendimento (yield) subisse 10,5 pontos base, atingindo 9,305%.

Estes movimentos indicam vendas massivas de activos sul-africanos e uma fuga de capitais para mercados considerados mais seguros, como os EUA e a Zona Euro, apesar das suas próprias tensões comerciais.

Tempestade perfeita para o rand

O rand sul-africano está no epicentro de uma tempestade financeira provocada por factores simultâneos: uma guerra comercial global, incerteza na coligação governamental e fragilidades macroeconómicas persistentes. A médio prazo, analistas consideram que a estabilização da moeda dependerá da redução das tensões comerciais entre grandes economias, de garantias institucionais claras sobre a continuidade do GNU, e da retoma do fluxo de capitais e da confiança no compromisso com reformas económicas.

Até lá, o rand continuará sob pressão — e com ele, toda a economia sul-africana.