Saturday, June 6, 2026
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Olam agri receives Top Employer recognition for the third year running

Olam agri recebe reconhecimento de Top Employer pelo terceiro ano consecutivo

For the third consecutive year, Olam Agri has been recognized as a Top Employer on the African continent. This distinction reflects the organization’s global position as an employer of choice, committed to providing its 9,600 employees with the freedom to thrive personally and professionally in a purpose-driven environment that supports diversity, inclusion and collaboration.

The Top Employers Institute (TEI) has recognized Olam Agri as a Top Employer not only in Mozambique, but also in seven other countries, including Australia, Cameroon, Senegal, Nigeria, Ghana, Ivory Coast and South Africa. As a global authority on recognizing excellence in human resources practices, TEI praised Olam Agri’s commitment to improving the workplace through excellent human resources policies and employee practices.

The TEI certification program has recognized more than 2,300 Top Employers in 121 countries/regions on five continents. The survey covers six domains, including People Strategy, Work Environment, Talent Acquisition, Learning, Diversity, Equity and Inclusion, Well-being and more.

In addition to its recognition as a Top Employer, Olam Agri recently received Great Place to Work certification in Brazil, India and Singapore, as well as the Kincentric Best Employers Award for China and Thailand.

Simião Paipe, Human Resources Director at Olam Agri Mozambique, expressed his pride at the company’s recognition as a Top Employer. He emphasized that the recognition reflects Olam Agri’s daily efforts to create an inclusive environment that respects diversity and values the contributions of all team members, while seeking to be fair in recruitment, growth and personal development within the company.

Olam Agri’s commitment to building a high-performance organization and an inspiring workplace is supported by its 3Cs of Culture, Contribution and Career. David Plink, CEO of the Top Employers Institute, highlighted the exceptional performance of the certified Top Employers in 2024, stating that these employers have consistently demonstrated their concern for the development and well-being of their employees, thus collectively enriching the world of work.

In conclusion, Olam Agri’s recognition as a Top Employer for the third consecutive year underlines its ongoing efforts to create a positive and inspiring working environment, with a strong focus on people and their well-being.

Moçambique e Zimbabué celebram memorando de cooperação no sector da Aviação

Moçambique e Zimbabué celebram memorando de cooperação no sector da Aviação

Moçambique e Zimbabué firmaram recentemente um memorando de entendimento (MoU) no sector de aviação durante a visita do ministro dos Transportes e Comunicações moçambicano, Mateus Magala, a Harare. O acordo tem como objetivo promover a cooperação e assistência mútua na investigação de acidentes e incidentes graves envolvendo aeronaves nos territórios de ambos os países.

Segundo o MoU, caso ocorra um desastre aéreo em um dos estados, esse estado pode solicitar assistência à outra parte para conduzir uma investigação, conforme as disposições da Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional. O documento também estabelece que ambos os países podem solicitar informações sobre o progresso de uma investigação relacionada a um incidente, e esforços devem ser feitos para atender a tais solicitações.

Além disso, cada parte deve facilitar o envio de investigadores, consultores, especialistas ou observadores da outra parte em suas investigações de acidentes e incidentes graves com aeronaves civis, de acordo com suas leis e regulamentos. O MoU especifica que cada estado arcará com seus próprios custos para as acções previstas no acordo, a menos que seja especificado o contrário. Também enfatiza que o objectivo de qualquer investigação de acidentes aéreos não deve ser interpretado como uma investigação para atribuir culpas ou responsabilidades à outra parte.

A cooperação visa prevenir acidentes aéreos nos dois países envolvendo aeronaves dos estados signatários. Por fim, o MoU estipula que cada estado deve conduzir uma investigação sobre as circunstâncias de um acidente conforme os procedimentos da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

Mozambique and Zimbabwe sign cooperation memorandum in the aviation sector

Mozambique and Zimbabwe sign memorandum of cooperation in the aviation sector

Mozambique and Zimbabwe recently signed a memorandum of understanding (MoU) in the aviation sector during the visit of the Mozambican Minister of Transport and Communications, Mateus Magala, to Harare. The agreement aims to promote cooperation and mutual assistance in the investigation of accidents and serious incidents involving aircraft in the territories of both countries.

According to the MoU, if an air disaster occurs in one of the states, that state can request assistance from the other party to conduct an investigation, in accordance with the provisions of the Chicago Convention on International Civil Aviation. The document also establishes that both countries can request information on the progress of an investigation related to an incident, and efforts must be made to comply with such requests.

In addition, each party must facilitate the dispatch of investigators, consultants, experts or observers from the other party in their investigations of accidents and serious incidents involving civil aircraft, in accordance with their laws and regulations. The MoU specifies that each state will bear its own costs for the actions provided for in the agreement, unless otherwise specified. It also emphasizes that the purpose of any air accident investigation should not be interpreted as an investigation to assign blame or responsibility to the other party.

The cooperation aims to prevent air accidents in both countries involving aircraft from the signatory states. Finally, the MoU stipulates that each state must conduct an investigation into the circumstances of an accident in accordance with the procedures of the International Civil Aviation Organization (ICAO).

MPDC obtém aprovação e investirá dois bilhões de dólares na expansão do Porto de Maputo

MPDC obtém aprovação e investirá dois bilhões de dólares na expansão do Porto de Maputo

O governo de Moçambique aprovou a extensão da concessão do Porto de Maputo, permitindo que o consórcio MPDC, composto pela DP World, Grindrod e CFM, gerencie o porto até 2058. O projecto de expansão incluirá um investimento estimado em US$2 bilhões, tornando o porto ainda mais competitivo na região, especialmente em comparação com os portos sul-africanos.

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, o acordo inclui investimentos de cerca de US$1,1 bilhão até 2033, data em que a concessão original deveria expirar. Essa extensão é a Quarta Adenda ao Contrato de Concessão celebrado em 22 de Setembro de 2000, ao abrigo do Decreto n.° 22/2000, de 25 de Julho.

O MPDC, por meio do seu Plano Director, prevê um aumento significativo no volume de cargas, atingindo 42 milhões de toneladas por ano até 2033 e 54 milhões de toneladas por ano até 2043. A capacidade do porto deverá aumentar para 54 milhões de toneladas por ano até 2058, em comparação com os actuais 37 milhões de toneladas.

Além disso, a expansão incluirá o aumento da capacidade do terminal de carvão em Matola, próximo a Maputo, de 7,5 milhões para 18 milhões de toneladas por ano. A capacidade anual de transporte de contentores também quase quadruplicará, atingindo um milhão de unidades durante o mesmo período.

O Porto de Maputo tem sido cada vez mais utilizado por empresas de mineração de carvão, cromo e magnetita, devido a problemas operacionais nos caminhos-de-ferro e portos da Transnet SOC Ltd, na África do Sul, que resultaram em perdas significativas de receita para essas empresas.

MPDC gets approval and will invest two billion dollars in the expansion of the Port of Maputo

MPDC obtém aprovação e investirá dois bilhões de dólares na expansão do Porto de Maputo

The Mozambican government has approved the extension of the Port of Maputo concession, allowing the MPDC consortium, made up of DP World, Grindrod and CFM, to manage the port until 2058. The expansion project will include an estimated investment of US$2 billion, making the port even more competitive in the region, especially compared to South African ports.

According to the statement from the Council of Ministers, the agreement includes investments of around US$1.1 billion until 2033, when the original concession was due to expire. This extension is the Fourth Addendum to the Concession Agreement signed on September 22, 2000, under Decree No. 22/2000 of July 25.

The MPDC, through its Master Plan, foresees a significant increase in the volume of cargo, reaching 42 million tons per year by 2033 and 54 million tons per year by 2043. The port’s capacity is expected to increase to 54 million tons per year by 2058, compared to the current 37 million tons.

In addition, the expansion will include increasing the capacity of the coal terminal in Matola, near Maputo, from 7.5 million to 18 million tons per year. The annual container transport capacity will also almost quadruple, reaching one million units during the same period.

The Port of Maputo has been increasingly used by coal, chrome and magnetite mining companies, due to operational problems at Transnet SOC Ltd’s railways and ports in South Africa, which resulted in significant losses of revenue for these companies.

Alemanha disponibiliza 90 milhões de euros para projectos em Moçambique

Alemanha disponibiliza 90 milhões de euros para projectos em Moçambique

O governo da Alemanha anunciou que disponibilizará 90 milhões de euros para financiar projectos de protecção costeira, infra-estruturas verdes e desenvolvimento económico e social em Moçambique. O embaixador alemão em Maputo, Ronald Münch, fez o anúncio durante sua visita à Beira, capital da província de Sofala.

Segundo o embaixador, cerca de metade desse montante será direccionado para a cidade da Beira, onde será utilizado na construção de um muro de protecção costeira, na segunda fase de reabilitação de infra-estruturas verdes e em projectos sociais nas comunidades locais. Ele ressaltou que essa parceria proporcionará novas oportunidades e continuará a protecção costeira na região.

Dos 45 milhões de euros destinados à Beira, 30 milhões serão investidos no projecto de protecção costeira da cidade. Münch explicou que o concurso para a contratação do empreiteiro será lançado em Junho e as obras iniciarão em seguida.

Além do apoio da Alemanha, o Banco Mundial também está participando do projecto de protecção costeira na Beira, uma cidade que tem sido impactada pelos efeitos das mudanças climáticas, incluindo os ciclones Idai, Kenneth e Freddy. As obras incluirão a construção de um muro de betão armado e estudos geofísicos para a construção de diques para conter a água do mar.

Germany provides 90 million euros for projects in Mozambique

Alemanha disponibiliza 90 milhões de euros para projectos em Moçambique

The German government has announced that it will make 90 million euros available to finance coastal protection projects, green infrastructure and economic and social development in Mozambique. The German ambassador in Maputo, Ronald Münch, made the announcement during his visit to Beira, the capital of Sofala province.

According to the ambassador, around half of this amount will be directed to the city of Beira, where it will be used for the construction of a coastal protection wall, the second phase of green infrastructure rehabilitation and social projects in local communities. He stressed that this partnership will provide new opportunities and continue coastal protection in the region.

Of the 45 million euros earmarked for Beira, 30 million will be invested in the city’s coastal protection project. Münch explained that the tender to hire the contractor will be launched in June and the work will begin afterwards.

In addition to Germany’s support, the World Bank is also participating in the coastal protection project in Beira, a city that has been impacted by the effects of climate change, including cyclones Idai, Kenneth and Freddy. The works will include the construction of a reinforced concrete wall and geophysical studies for the construction of dikes to contain the sea water.

Gás Natural Liquefeito Flutuante (FLNG) ganha impulso em 2024

Gás Natural Liquefeito Flutuante (FLNG) ganha impulso em 2024

A consultora especializada em energia, Wood Mackenzie, destacou o impulso que o Gás Natural Liquefeito Flutuante (FLNG) está ganhando em 2024, com projectos tanto em Moçambique quanto na região contribuindo para o aumento da produção de GNL. Segundo a Wood Mackenzie, o projecto Coral Sul FLNG em Moçambique, que já está em operação, e a potencial aprovação do Coral Norte FLNG, poderiam desbloquear mais 3,4 milhões de toneladas por ano (tpa) de GNL. Além disso, a consultora considera a Fase 1 do projecto Tortue da BP, localizado entre o Senegal e a Mauritânia, como uma virada de jogo, prevendo que poderá adicionar 2,5 milhões de tpa de GNL, elevando as exportações regionais em 20%.

Miriam Ofori, analista da Wood Mackenzie, comentou sobre o ressurgimento da exploração em águas profundas na África Subsaariana, destacando as descobertas na Bacia Orange como potenciais redutores do cenário de recursos da região nos próximos anos. Por sua vez, Jean-Jacques Fortin, CEO da TotalEnergies África, expressou o compromisso da empresa em investir no sector upstream da África Subsaariana, tanto em projectos de exploração quanto de desenvolvimento, destacando o potencial energético a longo prazo da região. A Wood Mackenzie também destacou os impactos económicos desses projectos, prevendo a criação de mais de 50.000 novos empregos nas fases de exploração, desenvolvimento e construção.

A consultora estima que o aumento da produção e das exportações de GNL poderá impulsionar as receitas do governo em até 10 bilhões de dólares anuais, por meio de royalties e impostos. Além disso, a Wood Mackenzie mencionou o impacto positivo no desenvolvimento de infra-estruturas, prevendo que os investimentos em oleodutos, instalações de processamento e terminais de exportação estimularão o desenvolvimento dessas infra-estruturas em regiões ricas em recursos.

A consultora também ressaltou as oportunidades para o conteúdo local, destacando que os governos estão priorizando políticas que criam oportunidades para empresas nacionais e prestadores de serviços participarem no sector. Em resumo, a Wood Mackenzie enfatizou que, à medida que o sector a montante da África Subsaariana traça uma trajectória emocionante, esses desenvolvimentos não apenas representam avanços energéticos, mas também prometem crescimento económico e desenvolvimento sustentável em toda a região.

Floating Liquefied Natural Gas (FLNG) gains momentum in 2024

Gás Natural Liquefeito Flutuante (FLNG) ganha impulso em 2024

Specialist energy consultant Wood Mackenzie has highlighted the boost that Floating Liquefied Natural Gas (FLNG) is gaining in 2024, with projects both in Mozambique and in the region contributing to increased LNG production. According to Wood Mackenzie, the Coral South FLNG project in Mozambique, which is already in operation, and the potential approval of Coral North FLNG, could unlock an additional 3.4 million tons per annum (tpa) of LNG. In addition, the consultancy considers Phase 1 of BP’s Tortue project, located between Senegal and Mauritania, to be a game changer, predicting that it could add 2.5 million tpa of LNG, increasing regional exports by 20%.

Miriam Ofori, an analyst at Wood Mackenzie, commented on the resurgence of deep-water exploration in sub-Saharan Africa, highlighting the discoveries in the Orange Basin as potential reducers of the region’s resource scenario in the coming years. For his part, Jean-Jacques Fortin, CEO of TotalEnergies Africa, expressed the company’s commitment to investing in sub-Saharan Africa’s upstream sector, both in exploration and development projects, highlighting the region’s long-term energy potential.

Wood Mackenzie also highlighted the economic impacts of these projects, forecasting the creation of more than 50,000 new jobs in the exploration, development and construction phases. The consultant estimates that the increase in LNG production and exports could boost government revenues by up to 10 billion dollars a year, through royalties and taxes. In addition, Wood Mackenzie mentioned the positive impact on infrastructure development, predicting that investments in pipelines, processing facilities and export terminals will stimulate the development of these infrastructures in resource-rich regions.

The consultant also highlighted the opportunities for local content, pointing out that governments are prioritizing policies that create opportunities for national companies and service providers to participate in the sector. In summary, Wood Mackenzie emphasized that as sub-Saharan Africa’s upstream sector charts an exciting trajectory, these developments not only represent energy breakthroughs, but also promise economic growth and sustainable development across the region.

Álvaro Massingue: “A CCM destaca-se como parceiro digno de referência no contexto da influência dos principais investidores globais”

Confira a entrevista exclusiva com o Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, Álvaro Massingue, sobre as oportunidades de negócios em Moçambique e o papel da Câmara na promoção do comércio internacional, através do incentivo a cada vez mais exportações de produtos nacionais.

Profile Mozambique: O que é Câmara de Comércio de Moçambique e onde assenta a sua relevância?

Álvaro Massingue: A Câmara de Comércio de Moçambique, abreviadamente CCM, é uma entidade criada a 17 de Julho de 1980, como uma associação de empresas, dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, sem fins lucrativos, nem políticos. Actualmente conta com mais de mil associados, que são os diversos actores do sector produtivo nacional, isto é, empresas que, de livre vontade, se filiam para desenvolverem acções associativas que sirvam para o fortalecimento mútuo, prossecução de objectivos comuns de desenvolver a economia do país e advogarem conjuntamente por políticas e acções que facilitem o ambiente de negócios e a atracção e segurança dos investimentos.

O objectivo principal da Câmara de Comércio de Moçambique, para além de desenvolver o associativismo empresarial em Moçambique, é a promoção do comércio internacional, através do incentivo a cada vez mais exportações de produtos nacionais e, igualmente, atrair investidores no quadro das prioridades da política económica visando o contínuo e rápido desenvolvimento do país e no estrangeiro. Outro papel perseguido pela CCM tem sido advogar por um ambiente favorável para o desenvolvimento da actividade empresarial e a prestação de apoio técnico e jurídico aos interesses dos seus membros, particularmente nas operações de comércio externo que estes realizem e em outras matérias para o desenvolvimento das capacidades institucionais dos seus associados.

PM: De forma retrospectiva e tendo em consideração o último ano, quais foram os desafios mais evidentes com os quais a instituição se deparou e quais as medidas adoptadas para os ultrapassar?

AM: Em primeiro lugar, há que esclarecer que os nossos desafios, como entidade associativa, são permanentes, em termos de cumprirmos com as nossas atribuições estatutárias e respondermos cabal e continuamente aos processos de consolidação das exportações, identificação de novos e potenciais mercados para a produção nacional, atração de investimentos e promoção da imagem do país na arena económica internacional e, de forma permanente, promovermos acções de capacitação dos produtores nacionais em matérias de melhoria da qualidade dos seus produtos, certificação, embalagem e rotulagem, de forma a se apresentarem mais competitivos no contexto de um mercado dinâmico a nível nacional e internacional.

Outro desafio, também permanente, é a promoção contínua de uma imagem do que a Câmara de Comércio de Moçambique é e deve ser. Devemos evitar, promovendo uma identidade própria que não permita que sejamos confundidos com outras entidades associativas empresariais. Portanto, refiro-me à promoção de uma liderança no contexto dos objectivos do fortalecimento dos produtores nacionais, promoção e divulgação da nossa produção além-fronteiras e na certificação da originalidade dos nossos produtos.

Isto inclui, também, um cada vez maior dinamismo na nossa missão de proteger, no país e no estrangeiro, a propriedade industrial das empresas e organismos nacionais de carácter comercial, agrícola, técnico-científico e económico, e servir de agente para intermediar o registo dos direitos da propriedade industrial na entidade competente.

Em segundo lugar, tem sido um desafio a promoção de uma Câmara que não seja vista como concorrente ou adversária de qualquer instituição no país e nisto temos sido felizes, como prova o reconhecimento do nosso papel distinto pelo próprio Governo de Moçambique, o que nos confere maior legitimidade no exercício das nossas competências institucionais. E isto decorre, fundamentalmente, do facto de que a nossa génese, objectivos e princípios não são e nem devem ser confundidos com as de qualquer outra agremiação, apesar de, no curso da nossa actuação, ser indispensável a complementaridade das nossas acções com as das outras agremiações empresariais, na caminhada para o objectivo comum de advogar pela remoção das barreiras aos investimentos e ao desenvolvimento das actividades das empresas.

A nível institucional os nossos principais desafios são a sustentabilidade financeira e a prestação de cada vez melhores serviços aos membros. No campo da sustentabilidade, referimo-nos, também, à criação de capacidades institucionais, em termos de recursos humanos qualificados e capazes de responder aos desafios de bem servir. E este é um processo contínuo que inclui a reorientação e programas de capacitação dos recursos humanos existentes, bem como a contratação de pessoal com outras capacidades para colaborar nesta finalidade.

Temos, também, o desafio de aprimorarmos o papel da Câmara na advocacia pela remoção das diversas barreiras aos investimentos e contribuir para a melhoria das políticas públicas que têm impacto na vida empresarial. Neste âmbito, 2023 foi fecundo em contactos com instituições governamentais, a nível central e local, visando uma interação sobre melhores formas de colaboração na identificação destas barreiras e encaminhamento de propostas de solução. Permanece, contudo, o desafio de potencializar o nosso papel junto da Assembleia da República, como mais alto órgão legislativo do país, particularmente através da sensibilização e actualização permanente dos deputados sobre os principais constrangimentos da vida empresarial, que é para influenciarmos a sua capacidade de iniciativa de lei em benefício dos agentes económicos e de um ambiente mais favorável para o desenvolvimento empresarial.

A capacitação dos nossos associados em matérias de boa gestão e boa governação das suas empresas, pesquisa e identificação de potenciais mercados; certificação e melhoria da qualidade dos produtos nacionais, como já referido, figuram entre os principais desafios para relançar Moçambique na arena do comércio internacional, promovendo a competitividade dos nossos produtos e marcas nacionais, tendo também em vista os enormes desafios que a caminhada para a Zona de Comércio Livre Continental irão colocar às empresas nacionais.

Finalmente, e transversal a toda a nossa acção, temos o desafio de promover uma Câmara que preste serviços que cativem as empresas a se identificar com ela, quer pelos benefícios que terão da sua filiação, quer pelas respostas que irão encontrar para o desenvolvimento dos seus negócios. E este é o desafio de bem-servir e de alargar os nossos serviços para benefício de todos os filiados e classe empresarial no seu todo.

PM: Falemos dos principais acontecimentos que marcaram positivamente, a CCM e que contribuíram para o seu crescimento durante o ano 2023.

AM: A nossa filiação à CIT (Câmara Internacional da Indústria dos Transportes), em Junho de 2022, foi um marco importante que contribuiu para o nosso crescimento e maior notoriedade internacional. importa destacar que, em menos de um ano desta nossa filiação a esta grande entidade associativa internacional, logramos alcançar uma posição de considerável influência, o que nos permitiu granjear confiança a ponto de acolhermos a Assembleia-geral extraordinária deste organismo e diversos outros eventos que marcam o ano económico de Moçambique, quer através de uma maior presença no panorama dos maiores eventos internacionais, como em termos da promoção da atractividade económica do país como destino preferencial de investimentos. É claro que, regra geral, a materialização das intenções de investimentos tem levado o seu tempo, mas não restam dúvidas que Moçambique, através da CIT, passou a integrar um grupo de países privilegiado para os investimentos, e os resultados irão ser tangíveis, a breve trecho.

Outros eventos dignos de registo foram o sucesso da nossa participação em diversos fóruns internacionais de investimento e promoção de potencial colaboração com parceiros de diferentes quadrantes do mundo, nos quais a CCM apareceu como entidade de destaque na representação das potencialidades do país e como parceiro digno de referência no contexto da influência dos principais investidores globais. Posso aqui referir-me a fóruns como o Invest in Africa, realizado em Amsterdão, Fórum Internacional de Riade, na Arábia Saudita, fóruns de negócios dos Emiratos Árabes Unidos, da Tailândia, FOCAC, o Fórum de Franchising dos EUA, entre diversos outros a nível do Continente Africano e que se constituíram em ricas oportunidades de afirmação do papel da CCM no seu contributo aos esforços de desenvolvimento de Moçambique.   

PM: Qual é o “apetite” dos investidores e das empresas estrangeiras pelo mercado moçambicano? Por favor, dê exemplos concretos de investimentos/transações comerciais existosas.

AM: Conforme afirmei em respostas anteriores, a materialização das intenções de investimentos leva o seu tempo, e isto se deve aos processos longos e complexos entre a manifestação da intenção de investimento e a tomada da decisão final de investimento. Aliás, mesmo após a tomada da decisão final de investimento, o caminho continua longo, considerando a necessidade de mobilização de recursos necessários, identificação de potenciais parceiros, etc. Entretanto, este longo processo nunca significa falta de “apetite” ou interesse de investir. E nós estamos satisfeitos e esperançosos dos resultados das diversas missões de prospecção do potencial nacional que têm sido realizadas por diversos parceiros e investidores, incluindo as manifestações de interesse resultantes de diversas missões empresariais e fóruns de negócios.

Relativamente a transacções comerciais, é digno de referência o crescimento das nossas exportações de cereais e amêndoas para diversos mercados, particularmente feijões, castanha de cajú, macadâmia, entre outros; o recente acordo de exportação de água mineral de uma marca nacional para o mercado asiático; a exportação da nossa banana, para além do tradicional mercado de mariscos que está conhecendo maior expansão.

Em suma, o potencial de investimentos em Moçambique, apesar de não poder ser devidamente mensurável, é enorme e encorajador, do mesmo modo que é bastante crescente e fértil o mercado de exportações os nossos produtos para diversos mercados mundiais.

PM: O que fazer para incrementar os investimentos e as transações? E quais os sectores em que há mais interesse e porquê?

AM: Todos os actores da nossa economia já estão engajados neste processo. Conforme disse, não se trata de estar algo em falta para atrair investimentos. o Governo e diversas entidades públicas, as diversas entidades associativas, incluindo a própria CCM e as empresas em particular estão devidamente engajadas neste processo. O que o país precisa é a paciência necessária de continuar a divulgar do seu potencial e aprimorar a sua advocacia de modo a influenciar uma rápida materialização das diversas intenções de investimento, quer através de uma rápida acção dos potenciais na tomada de decisões finais de investimento, quer nos processos de desembolso dos recursos financeiros necessários.

A nível interno, e este trabalho está igualmente em curso, devemos continuar a aprimorar a legislação sobre o fazer negócios em Moçambique, criarmos um ambiente mais estável e seguro para os investidores nacionais e estrangeiros, eliminando o terror que a onda de raptos e sequestros representa para os homens de negócios, incluindo os focos de instabilidade militar como os que acontecem nalgumas regiões de Cabo Delgado. Com uma legislação aprimorada e que tenha em conta todas as barreiras para o desenvolvimento de negócios, incluindo aspectos de segurança, Moçambique tem tudo para se transformar no principal destino de investimentos da Região e, quiçá, do continente.

PM: Investimentos: Quais devem ser os pontos de atenção que os investidores devem ter para o presente ano?

AM: Na óptica da CCM o agronegócio e a industrialização devem ser os principais focos, quer pelo potencial existente, quer, também, pela capacidade de respostas que estes sectores representam para os desafios do aumento da produção, da produtividade e da redução dos índices de desemprego que são a maior causa da pobreza de muitas famílias. A industrialização tem, sobretudo, o poder de permitir a transformação interna dos produtos nacionais e o potencial de aproximar as zonas de produção dos principais centros de comercialização, o que contribui para toda uma grande cadeia de valor de expansão e desenvolvimento de infra-estruturas, melhoria das condições de vida das populações, e muito mais.

PM: Como é que caracteriza o estado actual da produção nacional?

AM: Continuamos com muitos desafios, apesar de alguns avanços. Os principais desafios estão na mecanização agrícola, desenvolvimento da indústria de fertilizantes, introdução e expansão de tecnologias de produção, certificação, embalagem e rotulagem e, sobretudo, abertura de linhas de financiamento concessionais e a taxas favoráveis para o sector produtivo, incluindo a expansão de instituições financeiras de desenvolvimento vocacionadas para o desenvolvimento deste sector produtivo. O potencial é enorme, apenas falta o incremento de investimentos nestes aspectos. Como disse antes, a crescente presença de muitos produtos de origem nacional em mercados mundiais é um enorme sinal de esperança e confiança.

PM: Como é que a Câmara de Comércio está representada a nível das províncias?

AM: Para além dos nossos associados, temos delegações em todas as províncias, dirigidas por empresários de reconhecido mérito e que expandem os serviços prestados pela CCM para o seu âmbito, incluindo programas de assistência e apoio aos associados, iniciativas de capacitação, estabelecimento de parcerias e ligações empresariais, sob coordenação e assessoria do nosso escritório central.

PM: Para terminar, quais as principais metas e prioridades traçadas para a CCM, para o ano 2024?

AM: As nossas prioridades constam das linhas fundamentais do manifesto que apresentamos para as eleições em que a nossa lista saiu vitoriosa e que são a base para o Plano Estratégico 2021 – 2025. A nossa maior aposta é uma Câmara que seja líder na advocacia, informação sobre os negócios, recursos e ligações empresariais em todo o país, com capacidade de fornecer produtos, serviços e informação que serão, unicamente, disponibilizados pela Câmara da forma mais eficiente e desejada. Queremos servir e exceder à necessidade dos nossos membros, Governo, parceiros estratégicos e à comunidade, em geral, e para que possamos materializar estas prioridades, apostamos nos valores de boa governação corporativa, responsabilidade fiscal, diversidade e liderança, e proactividade.  

Queremos continuar a modernizar a actuação e a prestação de serviços aos nossos membros, e consolidar o nosso papel de entidade credível e de referência nacional e internacional na promoção de negócios e do associativismo empresarial, e fazer da nossa Câmara um parceiro preferencial do Governo e de diversas entidades na promoção da imagem do país e na atracção de investimentos. Continuaremos a prestar o nosso contributo para a remoção das maiores barreiras que as empresas enfrentam, particularmente no comércio internacional, na sua inserção nos grandes projectos nacionais de desenvolvimento, através da promoção do conteúdo local.

Importa aqui destacar que seremos sempre orientados pelo aposta na busca de respostas aos anseios dos filiados à Câmara e da classe empresarial no seu todo, para assegurar o desenvolvimento dos seus negócios e a continuidade dos seus empreendimentos, bem como a busca de melhores soluções para que as condições de investimento nacional e estrangeiro se tornem, cada vez mais, propícias para o florescimento dos mesmos.

E para a materialização de todo este desiderato, mais do que de palavras, a nossa liderança aposta numa equipa dinâmica, responsável e competente que já está pondo mãos à obra  para assegurar que a nossa Câmara seja, verdadeiramente, abrangente, activa e ética .