Saturday, April 11, 2026
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Suspensão do projecto de gás teve impacto directo de 116 milhões de dólares

A suspensão das obras do projecto de gás liderado pela multinacional Total após o ataque ao distrito de Palma teve um impacto negativo directo estimado em 116 milhões de dólares.

“A suspensão teve impacto directo de cerca de 116 milhões de dólares de volume de negócios e 3.250 trabalhadores, incluindo trabalhadores directos da Total, ficaram com os contratos suspensos”, declarou Filipe Nyusi, numa comunicação à nação sobre a violência armada terrorista em Cabo Delgado a partir da Presidência da República, em Maputo.

O ataque a Palma, junto ao projecto de gás em construção, ocorreu em 24 de Março, tendo provocado dezenas de mortos e feridos.

O distrito acolhia o projecto de exploração de gás natural liderado pela Total, o maior investimento privado em África (na ordem dos 20 mil milhões de euros), entretanto suspenso devido à insegurança na região.

Segundo Filipe Nyusi, o ataque afectou as operações de, pelo menos, 28 empresas, 17 das quais sofreram avultados danos materiais, e a suspensão das obras afetará os prazos do projecto.

“A Total suspendeu todas as actividades de implementação do projecto, dos contratos com os construtores, fornecedores de bens e serviços e de mão-de-obra. Desta medida resultará o atraso do início da exploração do gás liquefeito”, declarou Filipe Nyusi, avançando ainda que foi suspenso o desembolso do primeiro financiamento do projecto.

“A violência desestabiliza as instituições e a actividade económica, reduzindo a confiança dos investidores por causa da percepção de riscos associados”, acrescentou.

De acordo com chefe de Estado, em todos os distritos afectados pela violência armada desde 2017, a actividade mineira foi totalmente paralisada e a agricultura tornou-se arriscada, o que tem impacto sobre as famílias, maioritariamente dependentes da actividade.

 

 

Exportadas cerca de 1000 toneladas de peixe da Cahora Bassa

No primeiro semestre deste ano, cerca de 1.000 toneladas de peixe de várias espécies foram exportadas para países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a partir da Reserva de Cahora Bassa na província de Tete.

As exportações são a produção de 460 piscicultores que trabalham em distritos adjacentes ao reservatório, que também abasteceram o mercado moçambicano com cerca de 1.300 toneladas.

Estes recursos são o resultado da produção em cativeiro desenvolvida por quatrocentos e sessenta piscicultores, na sua maioria provenientes dos distritos limítrofes do reservatório, que também abasteceram o mercado nacional com cerca de mil e trezentas toneladas.

O governador de Tete, Domingos Viola, afirma que a sua administração continuará a reforçar a actividade pesqueira naquela parte do país.

Vitória Diogo visita o Parque Industrial de Beluluane

Sua Excelência a Secretária de Estado da Província de Maputo Vitória Dias Diogo visitou no dia 13 de Julho, o Parque Industrial de Beluluane.

Durante o seu discurso, a Secretária de Estado referiu que o Parque Industrial de Beluluane estabeleceu uma referência em Moçambique, África e no mundo inteiro, para qualquer investidor que deseje investir em Moçambique pelas suas contribuições essenciais das Zonas Económicas Especiais (ZEEs) e para o crescimento e desenvolvimento da economia, desempenhando um papel crítico na aceleração da industrialização, no aumento do desenvolvimento e crescimento, na atracção de investimentos directos estrangeiros e investimentos nacionais, no crescimento e diversificação das exportações de valor acrescentado e, por fim, na construção de uma economia industrial regionalmente diversificada.

Prosseguiu afirmando que o governo está imensamente orgulhoso do que o Parque Industrial de Beluluane alcançou e está totalmente empenhado em apoiar continuamente o empreendimento nos seus planos de desenvolvimento.

De acordo com a Secretária de Estado, o Parque Industrial de Beluluane está a cumprir um dos principais objectivos do governo – criação de emprego, ao acolher mais de 40 empresas de 17 países diferentes, gerando assim mais de 7000 empregos, sendo o maior empregador industrial da Província de Maputo. A empresa de cúpula MozParks está actualmente em processo de expansão a nível nacional, criando parques industriais para apoiar grandes projectos âncora. O governo em conjunto com o Parque Industrial continuará a gerar uma das muitas soluções para estimular o crescimento económico através da criação de empregos sustentáveis.

Sua Excelência, Vitória Diogo, aplaudiu o PIB pelo empenho no crescimento dos jovens em Moçambique através do programa de estágio MIMI NIKO KAZI que tem vindo a proporcionar aos jovens oportunidades através do estágio remunerado único desde 2018. Para além de criar empregos para os jovens, o programa dá uma oportunidade de demonstrar as suas capacidades e ao mesmo tempo permite oportunidades de formação para os jovens no sector privado. Esta iniciativa está a dar um importante contributo para as empresas e a indústria em Moçambique através do sector privado.

Sua Excelência foi recebida pelo Director Geral do Parque Industrial Beluluane, Onório Manuel, bem como por alguns directores de empresas do parque, Gil Cumaio (Mozal), Marco Correia (Duys Moçambique), David Scheepers (Capital Star Steel), Vinay Rana (Midal Cables) e Abhishek Dahiya (Beleza). Como parte da visita ao BIP, sua Excelência fez uma visita ao site da Duys Moçambique, chefiada pelo CEO da Duys Moçambique Lda, Marco Correia. Duys Moçambique Lda é uma empresa de Engenharia Mecânica, 100% moçambicana, estabelecida no parque industrial em 1999 e que emprega mais de 80 pessoas.

 

Sobre o BIP

O Parque Industrial de Beluluane é uma Parceria Público-Privada entre as Agências do Governo moçambicano para a Promoção do Investimento e Exportação (APIEX) e investidores suíço-moçambicanos. É o maior parque industrial em Moçambique e oferece isenções fiscais e benefícios especiais às empresas que operam na sua zona de comércio livre. O Parque está estrategicamente situado no Sul de Moçambique, onde se situa na espinha dorsal do Corredor de Desenvolvimento de Maputo, oferecendo a melhor entrada para os mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, Ásia e Europa.

Empresas Zimbabueanas preocupadas com crise em Moçambique

Zimbabué importa uma parte significativa das suas necessidades energéticas da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) de Moçambique para aumentar os fornecimentos erráticos das suas centrais eléctricas em dificuldades.

As indústrias do país também recebem a maior parte do seu abastecimento de combustível através do oleoduto Beira-Feruka Harare, um activo de 504 km que foi construído em 1964 com capacidade para manusear 130 milhões de litros de combustível por mês.

Em Harare, o maior lobby empresarial do país, a Confederação das Indústrias do Zimbabué (CZI) disse que os desenvolvimentos em Moçambique poderiam entrar em espiral numa crise regional com implicações na capacidade das indústrias domésticas para aceder aos mercados em Maputo.

No seu segundo relatório trimestral Business and Economic Intelligence Report divulgado na semana passada, a CZI afirmou: “As actividades terroristas na província de Cabo Delgado em Moçambique continuam a ameaçar a paz do país e as perspectivas de crescimento económico da região para 2021”.

“Moçambique é fundamental para o Zimbabué na importação de petróleo através dos oleodutos da Beira para Feruka e Msasa, e electricidade. O corredor é também importante para as exportações do Zimbabwe para Moçambique, tais como açúcar, chá e café, papel e material de embalagem e madeira”.

É a primeira vez que as indústrias se pronunciam oficialmente sobre a dura crise que tem visto os líderes regionais realizarem reuniões cruciais para encontrar uma solução duradoura.

Por enquanto, uma solução tem sido esquiva, mas as implicações do conflito far-se-iam sentir para além do Zimbabué, dado que mercados em países como a República Democrática do Congo, Zâmbia e Malawi dependem de portos moçambicanos para algumas das suas importações e exportações.

Recentemente, numa entrevista com a Secretária do Ministério da Energia, Gloria Magombo, falou sobre a importância de Moçambique para o Zimbabué.

Magombo disse que enquanto Harare tinha derramado biliões de dólares dos Estados Unidos para reconstruir as suas principais centrais eléctricas até cerca de 2022, os fornecimentos regionais, incluindo de Moçambique, continuaram a ser uma engrenagem vital para os esforços de Harare para reconstruir a sua economia.

“Embora qualquer país possa importar energia de qualquer empresa pública ou produtor independente de energia que participe no mercado do Pool de Energia da África Austral, o Zimbabué tem importado tradicionalmente energia da HCB (em Moçambique) e da Eskom (na África do Sul) através de contratos bilaterais”, disse Magombo. “Sim, o país está actualmente nas facturas da Eskom, enquanto a Zesa está a trabalhar em instalações para assegurar o cumprimento das facturas da EDM (da República Democrática do Congo) e da HCB”.

A CZI disse estar também preocupada com os desenvolvimentos na África do Sul, o maior parceiro comercial do Zimbabué, que tem sido travado por bloqueios severos e paralisantes impostos pelo governo para conter a propagação da Covid-19.

“Após um estrito bloqueio que levou a economia sul-africana a contrair-se em cerca de 7,7% em 2020, prevê-se uma expansão do PIB de 3,3% em 2021. No entanto, existe ainda incerteza sobre se uma recuperação forte e sustentada se concretizará a médio prazo, dados os desafios da escassez de energia, elevada dívida pública, e outros constrangimentos políticos”, disse CZI.

Standard Bank volta ao mercado Cambial

O Standard Bank comunicou aos seus clientes, parceiros e público em geral a sua volta às actividades no mercado cambial, após a suspensão do mesmo anunciada pelo Banco Central no dia 23 de Junho.

O banco informa que “o levantamento da suspensão acima referida, vai permitir que, a partir do dia 26 de Julho corrente, o Standard Bank volte a realizar operações de conversão de divisas com os seus clientes, actividade que passa a correr normalmente no banco, sem obrigatoriedade de intervenção de outras instituições de crédito, retomando a normalidade até então vigente, antes da actuação do Banco Central”.

Importa lembrar que aquando da suspensão foram abertos três “processos de infracção” contra a instituição bancária e dois dos seus empregados.

O Standard Bank termina o comunicado agradecendo aos seus clientes e parceiros pela confiança e “compromete-se a continuar a colaborar com o Banco Central para a normalização desta situação”.

Mais de 1300 PMEs encerradas devido a covid-19

O impacto negativo da covid-19, forçou o encerramento de mais de 1300 pequenas e médias empresas de Moçambique e milhares de trabalhadores viram os seus contratos suspensos.

A Associação das Pequenas e Medias Empresas defende que só a criação de um banco de desenvolvimento genuinamente moçambicano poderá ajudar a recuperar a situação através da abertura de linhas de financiamento com taxas comportáveis.

“[É preciso] Um banco de desenvolvimento, só assim se pode facilitar as pequenas e médias empresas a contrair investimento, mas no Estado moçambicano, o dinheiro está nos bancos comerciais. E nós sabemos que o negócio do banco é vender dinheiro e as suas taxas, por si só, não vão baixar tanto ao ponto de facilitar para as pequenas e médias empresas”, afirmou Feito Tudo Male, presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas.

Na primeira vaga da covid-19 no país, cerca de 90% das pequenas e médias empresas de Moçambique foram forçadas a encerrar, com a Associação que as defende a denunciar já na altura que os apoios não eram suficientes.

Dados do Ministério da Cultura e Turismo de Moçambique indicam que o sector do turismo é dos mais prejudicados com a eclosão da covid-19 em Moçambique.

A terceira vaga da pandemia no país está a ser severa e nas últimas duas semanas houve uma média diária de 20 óbitos, com 1.400 novas infecções pelo novo coronavírus e acima de 50 internamentos.

Presidente da ACIS incentiva as empresas a filiarem-se em associações

O Presidente da Associação de Comércio, Indústria e Serviços (ACIS) Luís Magaço Jr., encoraja os empresários a filiarem as suas empresas em associações de modo a criarem uma voz única e obterem respostas coordenadas para os problemas que enfrentam.

Falando por ocasião da passagem dos 20 anos da fundação da ACIS, Luís Magaço disse que o associativismo joga um papel importante na satisfação das necessidades das empresas, bem
como na proteção e salvaguarda dos seus direitos.

“Dentro das associações, as empresas têm sempre um organismo que advoga os seus direitos, por isso, é fundamental que todos os indivíduos, sejam eles singulares, ou colectivos, sempre se agreguem em colectividades e a ACIS é altamente propugnante de associações que representem os seus membros, falem em seu nome e satisfaçam as suas necessidades”, disse.

Segundo Luís Magaço, as associações, por sua vez, devem ser orientadas por três vectores,
nomeadamente: servir os associados, advogar os seus direitos e promover oportunidades de
negócios a favor dos membros.

“Diria que servir e advogar a favor do membro é o principal objectivo de uma associação.
Quando o membro tem alguma preocupação, deve-se poder apoiar esse membro e orientá-lo à
saídas que satisfaçam as suas necessidades. Deve-se igualmente ajudá-lo a encontrar novos
mercados, novas áreas de actuação, neste caso, com feiras ou seminários, para que as empresas possam crescer e prosperar”, afirmou.

No ano da sua fundação, em 2001, a ACIS, então Associação Comercial e Industrial de Sofala, foi criada com o objectivo de servir às empresas de origem estrangeira que operavam na região centro do país, tendo rapidamente se transformado numa organização relevante, abordando igualmente temas de interesse das empresas nacionais.

Dado ao sucesso ascendente da associação, a Assembleia Geral decidiu, em Agosto de 2011,
ampliar a cobertura do universo das empresas para outras províncias e outros sectores, tornando-se uma organização nacional e adoptando a designação actual.

Hoje, com o estatuto de maior associação empresarial em Moçambique, a ACIS representa cerca de 400 Pequenas, Médias e Grandes Empresas, entre nacionais e estrangeiras e define-se como uma entidade agregadora de todo o sector empresarial moçambicano, visando a melhoria do ambiente de negócios.

Luís Magaço atribui o sucesso da Associação ao respeito pela ética e deontologia no exercício de serviço ao membro.

“Esse é o resultado quando, no seu percurso, as organizações são suficientemente transparentes na sua governação, realizam Assembleias Gerais, têm as suas contas auditadas e os corpos sociais renovados”, jubilou.

A Associação celebra 20 anos de existência, num contexto em que o país se vê assolado por
crises cíclicas, enfrentando tragédias naturais, terrorismo e uma pandemia viral que atenta contra a estabilidade das empresas.

O Presidente da ACIS manifesta-se confiante na superação desses desafios e acredita que a
Associação estará presente nos momentos cruciais do desenvolvimento económico nacional.

“Esta crise não é a primeira e não será a última que teremos e que havemos de vencer. Em todos os momentos a ACIS soube ser uma organização actuante, interventiva e que aborda questões que directamente envolvem os interesses das empresas, da protecção do negócio, do mercado e do comércio. No contexto actual, tem estado atenta a acompanhar o desenvolvimento da sua massa associativa e a trabalhar com o governo e parceiros do sector privado na mitigação desses desafios. Apoiamos não só as empresas a encontrarem respostas para as suas preocupações, mas também a assegurar que os interesses superiores do Estado sejam respeitados”, finalizou.

Sua empresa já está posicionada no mercado das redes sociais?

Já se foi o tempo em que os produtos e serviços só poderiam ser vendidos presencialmente, em mercados, na rua ou até porta a porta, quando as empresas eram mais ousadas.

É engraçado que actualmente as empresas continuam a invadir as nossas casas, os nossos trabalhos, as nossas vidas, mas hoje, sem sequer pedir licença. Temos empresas vendendo produtos, anunciando serviços, tudo em nossos celulares e computadores.

E a sua empresa, já está nas redes sociais? Tem alguma conta com o nome da sua empresa no facebook, no instagram, no linkedin? Tem anúncios no Google Ads? As pessoas podem entrar em contacto, pedir cotação ou qualquer outra informação sobre o seu negócio através do whatsapp?

Se a resposta for não, pode crer que há um mundo que não está a explorar e que pode melhorar exponencialmente suas vendas.

O mundo corre cada vez mais para o digital, temos serviços bancários digitais, pagamos várias contas pelos celulares e computadores, compramos roupas, mandamos vir comidas de diferentes estabelecimentos de restauração, pesquisamos sobre preços, compramos passagens, reservamos quartos de hotéis ou mesas em restaurantes… enfim, temos um verdadeiro mercado digital e as empresas que não migram para essa área digital, provavelmente terão alguma dificuldade em “sobreviver”.

A pandemia do coronavírus que nos assola, veio enfatizar a importância de migrar para os negócios digitais e as redes sociais, principalmente o facebook e instagram que são das mais usadas, são um grande canal de compra e venda.

Numa situação onde quanto menos socializarmos ou formos a rua melhor, para manter a nossa segurança, não será mais seguro mandar vir a comida que íamos comprar na rua, comprar a partir de casa a energia que nos levaria as filas ou a roupa que precisamos?

Agora pense, se o seu negócio não é digital, não tem redes sociais e as pessoas não têm predisposição para sair de casa, como você vende? Será que as vendas de quem tem uma montra nas redes sociais não são mais elevadas?
É verdade que não é linear mas estar onde os seus potenciais clientes estão ajuda muito.

Mas veja bem, não é simplesmente criar uma conta nas redes sociais mais interactivas e já está. Há que elaborar um bom plano de gestão de redes sociais de modo a garantir que o seu conteúdo tenha relevância para seus seguidores/clientes.
Não se esqueça que para além de si, há milhões de outras pessoas e empresas nas redes sociais que também partilham conteúdos e tentam vender produtos e serviços.

Crie um diferencial, ofereça qualidade, facilite a interação com o público, crie engajamento do público-alvo com as postagens da sua página, construa autoridade na sua área de actuação. Estude o seu produto ou serviço, o comportamento do seu público alvo e crie uma estratégia.

Faça das redes sociais uma aliada e use dessa ferramenta que é tão bem quanto maldita a seu favor e sucessos.

O Banco de Moçambique não altera as taxas de juro

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO), decidiu manter inalteradas as principais taxas de juro utilizadas pelo banco.

Assim, a Taxa do Mercado Monetário Interbancário (MIMO), utilizada pelo banco central para as suas intervenções no mercado monetário interbancário para regular a liquidez, mantém-se em 13,25%, depois de ter sido aumentada em 300 pontos percentuais no final de Janeiro.

Do mesmo modo, a Facilidade de Crédito Permanente (a taxa de juro paga pelos bancos comerciais ao banco central pelo dinheiro emprestado no Mercado Monetário Interbancário) mantém-se em 16,25%, e a Facilidade de Depósito Permanente (a taxa paga pelo banco central aos bancos comerciais pelo dinheiro que depositam com ela) também se mantém inalterada, em 10,25%.

A CPMO também deixou inalterado o coeficiente de reserva obrigatória, o montante de dinheiro que os bancos comerciais devem depositar no Banco de Moçambique, em 11,5 por cento para a moeda local e 34,5 por cento para a moeda estrangeira.
Uma declaração da CPMO afirmou que “a decisão reflecte as perspectivas de manter a inflação a um dígito (ou seja, menos de dez por cento), apesar do agravamento dos riscos e incertezas, particularmente as implicações para a economia da terceira vaga da Covid-19”.

Esses riscos e incertezas incluem também a instabilidade militar contínua no norte de Moçambique, os efeitos dos recentes motins na África do Sul, o fortalecimento do dólar americano, e o aumento dos preços internacionais do petróleo e dos produtos alimentares.

A previsão da inflação foi revista no sentido ascendente, disse a CPMO. A taxa de inflação anual subiu de 5,49 por cento em Maio para 5,52 por cento em Junho, o que a CPMO atribuiu à depreciação da moeda nacional. Esperava que a inflação acelerasse a curto e médio prazo, impulsionada por aumentos dos preços internacionais das mercadorias.

Espera-se uma lenta recuperação da economia para o resto deste ano e em 2022. A CPMO colocou o crescimento económico no primeiro trimestre de 2021 em 0,12 por cento “impulsionado pelo desempenho positivo da agricultura e serviços públicos”.

Contudo, advertiu que “o regresso do crescimento económico aos níveis anteriores à pandemia exigirá o aprofundamento das reformas estruturais na economia, procurando reforçar as instituições, melhorar o ambiente empresarial, atrair investimentos e criar empregos”.

As reservas internacionais do país permanecem “a níveis confortáveis”, acrescentou a declaração. As reservas são actualmente de 3,8 mil milhões de dólares americanos, o suficiente para cobrir mais de seis meses de importações de bens e serviços.

A agência Fitch mantém ‘rating’ de Moçambique em CCC

Devido às preocupações com a dívida, o financiamento externo e a falta de resolução judicial das chamadas ‘dívidas ocultas’, a agência de notação financeira Fitch decidiu manter o ‘rating’ de Moçambique em CCC.

“O ‘rating’ de Moçambique reflecte os riscos dos elevados níveis de dívida para a sustentabilidade da dívida, as limitadas fontes de financiamento, que se juntam aos elevados défices orçamental e necessidade de financiamento externo, e a falta de resolução da dívida do sector público”, escrevem os analistas da Fitch Ratings.

Na nota que acompanha a decisão de manter o ‘rating’ do país em CCC, bem abaixo na escala de recomendação de não investimento, ou ‘lixo’, como é geralmente conhecido, a Fitch escreve que “o impacto da pandemia e os riscos de segurança aumentam a pressão sobre a despesa pública de curto prazo” e acrescenta que, “num contexto de limitadas fontes de financiamento, isso pode ter um impacto negativo nas perspectivas de crescimento a médio prazo e aumentar os desafios sobre a sustentabilidade da dívida”.

O rácio da dívida pública face ao PIB de Moçambique, um dos mais elevados da África subsaariana, “aumentou para 121% do PIB, reflectindo em grande medida o impacto da depreciação do metical em 18%”, lê-se na nota, que lembra que 83% da dívida pública é detida em moeda externa, principalmente dólares, e é por isso significativamente afectada pela evolução do câmbio da moeda nacional, o metical.

Os analistas estimam que o rácio da dívida pública desça para cerca de 120% até 2023 devido à consolidação orçamental, recuperação económica, depreciação moderada da taxa de câmbio e endividamento da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos para financiar a sua participação nos mega projectos de exploração de gás natural, no norte do país.

O PIB de Moçambique, depois de ter registado uma contracção de 1,2% em 2020, deverá crescer 1,8% este ano, acelerando para 3,4% e 4% nos próximos dois anos, aproximando-se da tendência de crescimento registada antes da pandemia.

No entanto, advertem, “as perspectivas de crescimento económico são sensíveis aos eventos climatéricos adversos, à evolução da pandemia e à situação nos principais mercados exportadores”.

Na explicação da manutenção da opinião sobre a qualidade do crédito soberano em CCC, o segundo pior a seguir a um Incumprimento Financeiro (‘default’) e que indica uma “possibilidade real de incumprimento” das obrigações financeiras, a Fitch sugere ainda que um programa de apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional poderia funcionar como “uma âncora para as políticas” e poderia também “melhorar as condições de financiamento”.