Wednesday, September 30, 2026
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INP considers Galp’s move to be routine

GAS Natural

The National Petroleum Institute (INP) said on Thursday, May 23, that it considers Galp’s decision to sell its stake in the natural gas research consortium in the Rovuma Basin to be a common event within the sector. Nazário Bangalane, president of INP, said that concession companies are free to negotiate their participation in consortia, either directly or indirectly.

According to information from the Lusa news agency, Bangalane made these statements at a press conference held after the signing of concession contracts between the government and the China National Corporation (CNOC) for oil research and production.

Galp reached an agreement with the United Arab Emirates oil company, ADNOC, to sell its 10% stake in Area 4 for almost 41.1 billion meticais (600 million euros). The Portuguese company informed Portugal’s Securities Market Commission (CMVM) of the sale, which is part of its disciplined investment strategy.

Area 4 includes projects such as Coral South FLNG, in operation since 2022, and the Coral North FLNG and Rovuma LNG developments, expected to be approved in 2024/2025.

The agreement involves the payment of 41.1 billion meticais (600 million euros) for Galp shares and shareholder loans, as well as additional contingent payments based on final investment decisions in specific projects.

Area 4 is operated by Mozambique Rovuma Venture (MRV), a joint venture made up of ExxonMobil, Eni and CNPC (China), which own 70% of the participating interest, while Galp, Kogas (South Korea) and ENH – Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Mozambique) own 10% each.

Vodacom Moçambique lança Fundação para impacto social

A Vodacom Moçambique fez o lançamento oficial da Fundação Vodacom Moçambique. A cerimónia de abertura foi dirigida pelo PCA da Vodacom Moçambique, Lucas Chachine e contou com a intervenção do Dr. Hermenegildo Gamito, PCA da Fundação Vodacom e o Secretário-Permanente do Ministério de Transportes e Comunicações, Ambrósio Sitoe, em representação do Governo.

Durante a sua intervenção, o PCA da Vodacom disse que o lançamento da Fundação Vodacom representa o culminar de 20 anos de história da Vodacom em Moçambique, marcando a jornada corporativa da empresa e também o reflexo do seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e inclusivo de Moçambique.

Para o efeito, Lucas Chachine anunciou que a Vodacom vai desembolsar, anualmente, 1% da sua receita para os programas da fundação, cuja missão é de ser uma entidade catalisadora de mudanças, com enfoque nas áreas de educação, saúde, empoderamento económico, ambiente e assistência humanitária.

“A criação desta fundação é uma resposta inequívoca ao desafio de transformar positivamente a vida das pessoas através da nossa conectividade, tecnologia e inovação”, disse.

Por sua vez, Hermenegildo Gamito, PCA da Fundação Vodacom reiterou que a educação tem o poder de abrir portas, ampliar horizontes e transformar vidas, por isso, a Vodacom se compromete em criar oportunidades acessíveis e de qualidade para todos, independentemente de sua origem ou circunstância.

“Hoje, através do Faz Crescer, implementado em parceria com o Ministério de Educação, mais de 745 mil alunos e professores de escolas secundárias beneficiam de conectividade gratuita, acesso a laboratórios de informática e salas de aula digitais. Formamos professores e mentores, treinamos jovens raparigas em programação e oferecemos 60 bolsas de estudo para capacitação de jovens mulheres em áreas digitais”, referiu Hermenegildo Gamito.

Além disso, o PCA da Fundação Vodacom fez referência ao apoio da empresa aos projectos na área da saúde, através do programa Goodbye Malária, cujos resultados apontam para a protecção de cerca de 2 milhões de pessoas contra malária anualmente, através de campanhas de pulverização intra-domiciliária.

“Nos últimos anos, doamos mais de 100 toneladas de produtos diversos, em ajuda humanitária às populações deslocadas, por força dos ciclones e situações de violência em Cabo Delgado. Também estamos a recuperar algumas instituições de ensino, como a Escola Secundária de Guara-Guara, em Sofala, uma das muitas afectadas pelo Ciclone Idai”, afirmou.

Em representação do Governo de Moçambique, Ambrósio Sitoe reconheceu a contribuição da Vodacom Moçambique, na expansão da rede nacional de telefonia móvel e na introdução de serviços e soluções que mudaram a forma de fazer negócios e de relacionamento entre os moçambicanos.

“A Vodacom ao longo da sua história em Moçambique, liderou a inovação e a busca de soluções para as necessidades dos seus clientes, o que lhe garantiu a liderança na preferência dos usuários de comunicações de voz, dados e carteiras móveis entre outros serviços fornecidos por esta operadora”, reconheceu Ambrósio Sitoe.

O lançamento da Fundação Vodacom Moçambique representa o compromisso da Vodacom em responder aos desafios mais urgentes da sociedade, em áreas essenciais como educação, saúde, empoderamento económico e sustentabilidade ambiental, contribuindo para a construção de um futuro melhor para os moçambicanos.

Vodacom Mozambique launches Foundation for social impact

Vodacom Mozambique officially launched the Vodacom Mozambique Foundation. The opening ceremony was led by the CEO of Vodacom Mozambique, Lucas Chachine, and included speeches by Dr. Hermenegildo Gamito, CEO of the Vodacom Foundation, and the Permanent Secretary of the Ministry of Transport and Communications, Ambrósio Sitoe, representing the Government.

During his speech, Vodacom’s CEO said that the launch of the Vodacom Foundation represents the culmination of 20 years of Vodacom’s history in Mozambique, marking the company’s corporate journey and also reflecting its commitment to sustainable and inclusive development in Mozambique.

To this end, Lucas Chachine announced that Vodacom will disburse 1% of its revenue annually to the foundation’s programs, whose mission is to be a catalyst for change, focusing on the areas of education, health, economic empowerment, the environment and humanitarian assistance.

“The creation of this foundation is an unequivocal response to the challenge of positively transforming people’s lives through our connectivity, technology and innovation,” he said.

For his part, Hermenegildo Gamito, PCA of the Vodacom Foundation reiterated that education has the power to open doors, broaden horizons and transform lives, which is why Vodacom is committed to creating accessible, quality opportunities for everyone, regardless of their origin or circumstance.

“Today, through Faz Crescer, implemented in partnership with the Ministry of Education, more than 745,000 secondary school students and teachers benefit from free connectivity, access to computer labs and digital classrooms. We train teachers and mentors, train young girls in programming and offer 60 scholarships to train young women in digital areas,” said Hermenegildo Gamito.

In addition, the PCA of the Vodacom Foundation referred to the company’s support for health projects, through the Goodbye Malaria program, the results of which point to the protection of around 2 million people from malaria every year, through intra-household spraying campaigns.

“In recent years, we have donated more than 100 tons of various products as humanitarian aid to people displaced by cyclones and violence in Cabo Delgado. We are also restoring some educational institutions, such as the Guara-Guara Secondary School in Sofala, one of the many affected by Cyclone Idai,” he said.

Representing the Mozambican government, Ambrósio Sitoe acknowledged Vodacom Mozambique’s contribution to the expansion of the national mobile phone network and the introduction of services and solutions that have changed the way Mozambicans do business and relate to each other.

“Throughout its history in Mozambique, Vodacom has led the way in innovation and the search for solutions to the needs of its customers, which has guaranteed it leadership in the preference of users of voice communications, data and mobile portfolios, among other services provided by this operator,” acknowledged Ambrósio Sitoe.

The launch of the Vodacom Mozambique Foundation represents Vodacom’s commitment to responding to society’s most pressing challenges, in essential areas such as education, health, economic empowerment and environmental sustainability, contributing to building a better future for Mozambicans.

Galp concluiu a venda da sua participação no projecto GNL

Galp concluiu a venda da sua participação no projecto GNL

A Galp concluiu a venda de sua participação no projecto de GNL (Gás Natural Liquefeito) em Moçambique por 650 milhões de dólares, marcando uma mudança significativa na dinâmica do sector energético na região. Esta transacção, que está sujeita as aprovações regulatórias, representa um marco importante tanto para a Galp quanto para os futuros rumos do projecto na Área 4 da Bacia do Rovuma.

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) confirmou a iminente alteração dos parceiros da Área 4, onde o projecto Coral Sul FLNG é implementado pelas concessionárias lideradas pela Mozambique Rovuma Venture, uma sociedade detida pela Eni, ExxonMobil e China National Petroleum Corporation. A Galp Energia, detentora de 10% de interesse participativo através da Galp Energia Rovuma B.V., está finalizando um acordo para vender seus activos à petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC).

A venda dos activos pela Galp Energia foi justificada como parte de sua “estratégia disciplinada de investimento”, permitindo à empresa evitar compromissos adicionais em Moçambique em um momento em que tem outros encargos em geografias como Brasil e Namíbia. A decisão destaca a importância da avaliação estratégica contínua das empresas no contexto de investimentos globais e prioridades comerciais.

Desde o início dos investimentos em Moçambique em 2007, a Galp tem sido parte integrante do projecto, assinando um acordo com a Eni e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) para explorar a Área 4, que possui profundidades de água consideráveis, alcançando até 2600 metros. Este projecto, com uma área superior a 13 mil metros quadrados, é reconhecido como um dos mais promissores do mundo na produção de gás natural.

A venda da participação da Galp Energia neste projecto tem implicações tanto para a empresa quanto para o desenvolvimento do sector de energia em Moçambique. Além disso, destaca o interesse contínuo de investidores internacionais em projectos de gás natural na região, apesar dos desafios e incertezas associados ao ambiente operacional. Este evento sublinha a necessidade de flexibilidade e adaptação das empresas às condições em mudança no mercado global de energia.

Galp has completed the sale of its stake in the LNG project

Galp concluiu a venda da sua participação no projecto GNL

Galp has completed the sale of its stake in the LNG (Liquefied Natural Gas) project in Mozambique for 650 million dollars, marking a significant change in the dynamics of the energy sector in the region. This transaction, which is subject to regulatory approvals, represents an important milestone both for Galp and for the future direction of the project in Area 4 of the Rovuma Basin.

The Ministry of Mineral Resources and Energy (MIREME) confirmed the imminent change of partners in Area 4, where the Coral Sul FLNG project is implemented by concessionaires led by Mozambique Rovuma Venture, a company owned by Eni, ExxonMobil and China National Petroleum Corporation. Galp Energia, which holds a 10% participating interest through Galp Energia Rovuma B.V., is finalizing an agreement to sell its assets to the United Arab Emirates oil company, Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC).

Galp Energia’s sale of the assets was justified as part of its “disciplined investment strategy”, allowing the company to avoid additional commitments in Mozambique at a time when it has other burdens in geographies such as Brazil and Namibia. The decision highlights the importance of continuous strategic evaluation of companies in the context of global investments and commercial priorities.

Since the start of investments in Mozambique in 2007, Galp has been an integral part of the project, signing an agreement with Eni and Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) to explore Area 4, which has considerable water depths, reaching up to 2600 meters. This project, with an area of over 13,000 square meters, is recognized as one of the most promising in the world for natural gas production.

The sale of Galp Energia’s stake in this project has implications both for the company and for the development of the energy sector in Mozambique. It also highlights the continued interest of international investors in natural gas projects in the region, despite the challenges and uncertainties associated with the operating environment. This event underlines the need for companies to be flexible and adapt to changing conditions in the global energy market.

Indústria extractiva: Saiba como funciona a partilha de benefícios com as comunidades hospedeiras

Partilha de beneficios
Há mais de uma década que houve a descoberta de gás natural na Bacia do Rovuma, as descobertas de elevadas quantidades de hidrocarbonetos levaram o Governo a aprovar três grandes projectos de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL), a saber: 1) Coral Sul FLNG; 2) Golfinho/Atum e; 3) Rovuma LNG. Espera-se que estes projectos, dentre vários benefícios, contribuam em cerca de 96 biliões de dólares para as receitas do Estado durante a sua vida útil.
Com a extensão dos projectos da bacia de Rovuma, aliados a intensificação da extracção de recursos minerais.
Moçambique pode, também, tornar-se num dos dez maiores produtores mundiais de carvão mineral. As maiores reservas do país encontram-se na província central de Tete, estimadas em mais de 23 biliões de toneladas, e na província de Cabo Delgado, na localidade de Namanhumbir, no distrito de Montepuez, estão sendo extraídos rubis. O depósito de rubis de Montepuez foi considerado o mais significativo entre as recentes descobertas.
 Uma questão recorrente sobre a exploração de recursos naturais coloca-se em torno dos ganhos que eles geram para o país e para as comunidades afectadas pelas operações extractivas. Reside disto todo o debate sobre os modelos de governação de recursos naturais.
  • Lógica da partilha de benefícios 

A partilha de receitas geradas pela indústria extractiva é uma prática cada vez mais comum na governação de recursos naturais em diversos países. O mecanismo de partilha de receitas, comumente denominado como “sistema ou regime de partilha de receitas”, é central nesse contexto.

Conceptualmente, o sistema ou regime de partilha de receitas (SPR) de recursos naturais é um arranjo adoptado pelos governos para determinar a parcela das receitas dos impostos e taxas a ser compartilhada, seja com as autoridades dos níveis subnacionais ou com os governos centrais. Embora possa parecer incomum compartilhar receitas com os governos centrais, esta prática ocorre em algumas jurisdições, como os Emirados Árabes Unidos. Geralmente, a prática predominante envolve a transferência de parte da receita para os governos subnacionais das áreas produtoras de recursos naturais, embora existam casos, como na Indonésia, em que o mecanismo de partilha é estendido a locais não produtores, com base em critérios específicos.

O pressuposto da partilha de receitas é fundamentalmente uma questão de economia política. Esse arranjo destaca aspectos relevantes sobre riscos de conflito decorrentes de desigualdades sociais e da representação heterogénea da sociedade em contextos de exploração e produção de recursos naturais valiosos. Justifica-se a partilha de receitas provenientes de recursos naturais pela necessidade de melhorar a qualidade de vida das regiões abrangidas pelas operações extractivas, prover alocação de recursos adicionais aos governos em regiões menos favorecidas, compensar as áreas afectadas pelos impactos sociais e ambientais da extracção de recursos naturais, e contribuir para o controle da violência associada a esses recursos. As populações das regiões afectadas pelas operações extractivas estão directamente expostas às consequências ambientais, económicas e sociais dessas actividades.

  • Contribuição dos mega-projectos nas comunidades hospedeiras 

As Leis de Minas e de Petróleos, ambas aprovadas em 2014, representaram um marco na governança dos recursos naturais ao estabelecerem a iniciativa governamental crucial da partilha de receitas geradas pelas operações de extracção mineira e petrolífera. Essas leis deixaram claro que uma parte das receitas destinadas ao Estado seria canalizada para o desenvolvimento das comunidades afectadas pelos projetos. Desde a formalização dessa lei até 2022, o governo destinava, por meio da Lei do Orçamento do Estado (LOE), uma percentagem de 2,75% sobre o imposto de produção para esse fim.

O cenário mudou significativamente com o lançamento do Pacote de Medidas de Aceleração Económica em 2022. O executivo comprometeu-se a destinar 10% das receitas fiscais dos recursos naturais ao desenvolvimento das províncias produtoras, um passo crucial visando reduzir as assimetrias e melhorar a qualidade de vida das populações locais.

Neste contexto, a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado para 2023 asseguravam que, dos 10% das receitas provenientes da indústria extractiva a serem alocados às províncias no próximo ano, 2,75% seriam destinados directamente às comunidades, em conformidade com o estipulado nos artigos 20 da Lei n.º 20/2014, Lei de Minas, e 48 da Lei n.º 21/2014, Lei de Petróleos, ambas datadas de 18 de Agosto. Os restantes 7,25% seriam alocados à província, consolidando o compromisso do governo com o desenvolvimento local e a justa distribuição das receitas provenientes dos recursos naturais.

Fontes Consultadas:

Novo acordo de cooperação entre a Agência do Zambeze e a Cooperação Alemã disponibiliza €12 Milhões para MPMEs

Uma nova etapa de cooperação entre o Vale do Zambeze e a Alemanha entra em funcionamento com a assinatura de acordos de subvenção, rubricado em Maputo, entre a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (Agência do Zambeze) e a Cooperação Alemã através do KfW – Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), no valor de 12 milhões de euros.

Segundo o Director-Geral da Agência do Zambeze, Roberto Albino, a subvenção destina-se a “estabelecer um mecanismo de suporte e apoio as MPMEs por via de cobertura do valor de colateral, até 50%, que permitirá aumentar o seu acesso ao financiamento bonificado, entre 8-10%”.

O dirigente explicou ainda que o montante, disponibilizado pelo KFW e o Banco Central (de Moçambique), operacionalizado pelos bancos comerciais, é parte de um valor na ordem de 41 milhões de Euros, destinados a apoiar o sector de agronegócios nacional com enfoque na região do Vale do Zambeze, que abrange as Províncias de Manica, Tete, Zambézia e Sofala.

Roberto Albino frisou que, nos últimos 5 anos, o Governo de Moçambique através da Agência do Zambeze, canalizou mais de USD 100 milhões de dólares, que beneficiaram cerca de 1500 MPMEs, com o apoio de parceiros com destaque para o Banco Mundial, Reino dos Países Baixos, Usaid, Cooperação Italiana, entre outros.

Presidente da CMM convida investidores internacionais a investirem em Moçambique

Falando na Junior Mining Indaba, em Johannesburg, o presidente da Câmara de Minas, Geert Klok, convidou as mineradoras “júnior” a investir em Moçambique.

Por razões históricas, os recursos minerais de Moçambique ainda estão relativamente inexplorados. De acordo com Geert Klok, Presidente da Câmara de Minas de Moçambique, este facto representa uma grande oportunidade para as empresas mineiras “júnior”, como são chamadas as pequenas e médias empresas mineiras envolvidas na exploração e no desenvolvimento de novas jazidas. Elas desempenham um papel crucial no desenvolvimento do sector. Atualmente estão em curso trabalhos de pesquisa e exploração de minerais como as areias pesadas, elementos de terras raras, lítio, ouro e magnetite.

Moçambique tem uma indústria mineira jovem, mas bem estabelecida, que inclui, entre outros, minerais de areias pesadas, carvão e grafite. De facto, Moçambique é atualmente o terceiro maior produtor de grafite natural do mundo. Devido à sua localização geográfica, 2500 km de costa e corredores logísticos estabelecidos, é especialmente atrativa para as mineradoras que procuram exportar minerais em grandes quantidades.
Os investidores em empresas mineiras “júnior” tendem a estar sediados no Reino Unido, Canadá e Austrália. De acordo com o colega panelista, Boris Kamstra, os investidores podem não estar familiarizados com certos países africanos e podem estar a enfrentar barreiras linguísticas. Este facto pode reflectir numa maior perceção de risco para o investidor.
As jurisdições mineiras africanas devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se posicionarem como favoráveis aos investidores. As organizações representantes do sector mineiro, como a Câmara de Minas de Moçambique, têm um papel importante a desempenhar não somente neste contexto, disse Klok.

A Junior Mining Indaba é um local de encontro reconhecido para se discutir os desafios e oportunidades na mineração “júnior” na África do Sul e em outros países africanos. Este ano a conferência está na sua décima edição.

MIREME anuncia alteração de parceiros da ÁREA 4 da Bacia do Rovuma

O Governo de Moçambique, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, anuncia que deverá ocorrer uma alteração dos parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, uma vez a Galp Energia, detentora de 10% de interesse participativo através da Galp Energia Rovuma B.V., ter concluído um acordo para a venda dos seus ativos à favor da ADNOC, Empresa Nacional de Petróleo de Abu Dhabi.

Em conformidade com a legislação em vigor, esta transacção está sujeita à aprovação dos parceiros da Área 4 bem como do Governo que, através das autoridades competentes, deverá calcular as respectivas Mais-Valias.

Refira-se que, na Área 4  da Bacia do Rovuma, produz e exporta gás natural liquefeito (LNG) desde 2022 través do Projecto Coral Sul FLNG. Recentemente, os parceiros daquela área manifestaram interesse em desenvolver o Projecto Coral Norte FLNG, uma réplica do primeiro projecto, estando em processo de avaliação e aprovação pelo Governo. Ainda para a Área 4, foi também aprovado o Projecto Rovuma LNG, a ser desenvolvido em terra. (Comunicado)

Marco Abalroado: “Disponibilizamos uma linha de crédito avaliada em $50 Milhões para potenciar o Conteúdo Local”

O Profile esteve à conversa com Marco Abalroado, Administrador Delegado do Acess Bank, a margem da assinatura de memorando, entre Acess Bank e Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM), que preconiza a conjugação de esforços e sinergias para a facilitação do acesso ao financiamento da PME’s nas cadeias de valor das oportunidades dos megaprojectos do sector energético e da indústria extractiva de petróleo & gás para o empoderamento do conteúdo local e promoção de crescimento económico sustentável do país através de capacitação financeira da comunidade empresarial, com foco especial nas regiões de Cabo Delgado e Inhambane.

Profile Mozambique: Como se concretiza na prática a assinatura do memorando de entendimento entre a Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM) e o Access Bank, que visa disponibilizar uma linha de financiamento para Pequenas e Médias Empresas (PMEs) no âmbito do conteúdo local em Moçambique?

Marco Abalroado: Obviamente que o primeiro passo, é darmos as condições necessárias para as empresas que possam ter acesso ao crédito, de maneira que possam crescer e responder a muitos destes projectos que temos hoje em dia. Portanto, o primeiro passo foi este, é existir um acordo formal para não só capacitar as empresas do ponto de vista de inclusão financeira, mas também perceberem como é que funciona o mercado financeiro, e o que é necessário para terem acesso ao crédito, para terem acesso a depósitos, e com base nisso criar as bases para começarmos a capacitar as nossas empresas, nomeadamente as pequenas e médias, para estarem preparadas para responder aos mais variados projectos, neste caso, específicos.

De realçar que estamos muito focados, obviamente, em Cabo Delgado e em Pemba, nos megaprojectos do Oil & Gas, mas o objectivo é criarmos a capacidade para que as pequenas e médias empresas possam responder ao mercado. E como é que criamos?

Como foi referido, muitas vezes não há capital que é necessário para dar um impulso as PMEs e dinamizarem as sua actividades e o que nós estamos a tentar fazer é criar produtos e serviços que estão talhados para estas empresas, e que consigamos criar um acesso mais facilitado ao crédito e uma capacitação das próprias empresas ao mesmo tempo.

PM: Em termos financeiros, qual será o montante total de crédito que será disponibilizado às empresas por intermédio do acordo?

MA: Nós temos um pacote de pequenas e médias empresas, que no seu todo está a volta dos 50 milhões de dólares. Óbvio que nós gostávamos de emprestar 50 milhões de dólares de uma só vez, mas isso não é possível.

Este pacote vai ser usado ao abrigo de acordos tripartidos, em que temos as grandes empresas também a tomar uma responsabilidade sobre o risco das pequenas e médias, mas acreditamos que, assim que conseguirmos criar a consciência da importância das empresas se formalizarem, a importância de terem contas organizadas e de terem o mínimo necessário para responder a estes projectos, que a linha vai começar a ser utilizada de uma forma muito forte.

PM: Dada a situação de terrorismo que afecta a Província de Cabo Delgado, como a população local poderá se identificar e acessar os benefícios oferecidos por este programa?

MA: Vamos ver, isso não é só o Access Bank, são todas as instituições financeiras, acho que é da nossa responsabilidade, enquanto instituições financeiras, tentarmos criar o máximo de apoio possível às populações para resolver os problemas do dia-a-dia, sejam a pequenas e médias, a grandes ou a particulares. Também a responsabilidade dos bancos ultrapassa só a parte financeira da resposta que temos de dar.

Portanto, aquilo que nós temos de criar, obviamente, é de conseguir perceber quais são os produtos necessários, quais são as necessidades reais da população e depois criar produtos e serviços que nos permitam fazer isso. Estamos, sim, a partir de uma situação difícil, portanto, o ponto de partida muitas vezes é bastante mais baixo que noutras províncias que temos no país e temos de ter isso em consciência. Temos de perceber que há uma curva de crescimento, e nós temos de criar produtos que permitam às pequenas e médias empresas, mas também aos particulares, que permitem participar neste ciclo de vida que quer os particulares, quer as empresas têm no futuro próximo.

E penso que, não estamos numa situação muito fácil, já foi mais difícil, e acho que o Governo tem feito bastante para estabilizar, e estamos cada vez mais zonas estáveis na província de Cabo Delgado, mas acredito que também com a dinamização da economia vamos criar uma estabilidade adicional.

As duas coisas estão muitas vezes, parece que não estão ligadas, mas estão muitas vezes ligadas.

PM: Considerando os encargos fiscais que frequentemente sufocam as PMEs, quais são as exigências e regulamentações que serão implementadas para permitir a entrada das PMEs nesta linha de crédito?

Na verdade as barreiras de entrada não são propriamente os encargos fiscais. É a formalização. Por exemplo, se eu tiver uma empresa que não tem contabilidade organizada, que não está registada, quando se aproxima de um banco e pede crédito, eu não tenho a base necessária para entender quanto é que posso emprestar e se a empresa tem ou não capacidade de reembolso.

Porque muitas vezes, sem literacia financeira, as próprias pessoas também não percebem quanto é que podem pagar por mês e quanto é que podem pedir. O trabalho aqui é um bocadinho feito a dois níveis. Uma numa perspectiva de literacia financeira.

A segunda, é que é importante as pessoas entenderem como é que funciona um crédito, qual é a prestação mensal que vão pagar, qual é a capacidade que podem pagar com base naquilo que recebem.

E depois uma ligeira variação, como eu tentei explicar resumidamente, em relação à maior parte dos produtos bancários. Os produtos bancários normalmente necessitam de uma garantia.

Estes produtos que desenhámos especificamente, não há uma garantia real associada. Portanto aquilo que nós fazemos é analisar o cash flow, as entradas e saídas de dinheiro nas contas dos clientes.

Uma vez mais é fundamental esta formalização. O dinheiro tem de pelo menos passar no sistema financeiro e nas contas para que nós consigamos perceber exactamente quanto é que essas empresas gastam.

E a partir daí, obviamente dependendo dos montantes a emprestar, nós definimos qual é que é o montante que conseguimos emprestar a cada uma destas empresas.

PM: Em relação aos montantes disponíveis, qual é a estimativa do valor máximo que cada empresa poderá acessar através deste pacote de crédito?

MA: Depende da formalização e se existe garantias.

Começamos com o que podemos chamar quase microcrédito e depois até aos montantes que forem necessários. A única coisa que varia obviamente dentro deste produto é a necessidade de garantias ou garantias reais associadas, para montantes mais baixos não são necessários, mas obviamente assim que vamos evoluir, passamos dos 500 mil meticais para os 2 milhões, para os 10 milhões, para os 20 milhões, obviamente que esse nível de garantias é necessário.

Outra parte que também é importante referir, é também a importância da cadeia de valor. Temos produtos pré-aprovados dentro da cadeia de valor do Oil & Gas, em que já sabemos como é que funciona o ciclo. Como sabem, somos o maior banco da maior economia da África que tem uma competência muito forte no Oil & Gas, é um sector que dominamos bastante e vamos aproveitar um pouco isso e do conhecimento que temos para alavancar as nossas empresas como já fizemos noutros países.

PM: Quantas PMEs espera-se que sejam abrangidas e até quando este pacote estará disponível para as PMEs aproveitarem?

Eu espero que o maior número de PMEs possível e se não está propriamente do nosso lado, está do lado das PMEs e está do lado também de nós como sociedade transmitirmos este conhecimento e aquilo que é necessário.

Não vamos conseguir ter PMEs capacitadas aos 50 mil ou 100 mil, mas se olharmos, e eu estava a ouvir o número das 42 mil, eu acredito que não são 42 mil, se calhar temos à volta de 700, 800 mil pequenas e médias ou micros pequenas e médias.

Mas se olharmos, são efectivamente pequenas e médias empresas, muitas têm um colaborador, dois colaboradores, três colaboradores, portanto é uma questão de formalização. Não temos um objectivo específico no número, temos um objectivo no máximo possível.

Eu ficaria feliz se durante os próximos dois anos conseguíssemos chegar a 10 mil, 20 mil PMEs, que acho que já tínhamos prestado um serviço bastante grande ao país e digo isto não só em nome do Access, mas em nome de todo o sistema financeiro. Acho que é fundamental o sistema financeiro começar a olhar para as PMEs como a força e a motriz de desenvolvimento do nosso país, porque isso é realmente o que acontece. Se nós conseguirmos ter um sector forte de pequenas e médias empresas temos garantidamente uma economia forte.

Acompanhe o percurso professional do nosso interlocutor, através da sua página do LinkedIN: Marco Abalroado

Breve Perfil

Director nacional experiente com um historial comprovado de trabalho no sector bancário. Competências em processos comerciais, negociação, planeamento comercial, capacidades analíticas e estratégia de TI. Forte profissional de desenvolvimento de negócios.