Sunday, April 26, 2026
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Oil: reduction in US inventories and China’s stimulus boost prices

Petróleo: redução nos estoques dos EUA e estímulo da China impulsionam preços

Oil prices and gas rose on Thursday, January 25, after data showed that crude inventories in the United States fell more than expected last week, while the cut in China’s bank reserve ratio reinforced hopes for more stimulus and economic recovery.

Brent crude futures gained 25 cents, 0.3 percent, to $80.29 a barrel at 04:30 GMT, while U.S. West Texas Intermediate rose 31 cents, or 0.4 percent, to $75.40 a barrel.

“The significant drop in US oil inventories and expectations of China’s economic recovery, along with further stimulus measures, supported oil prices,” said Toshitaka Tazawa, an analyst at Fujitomi Securities.

Geopolitical tensions in the Middle East were also in the spotlight, but price gains were limited as risk premiums have already been built into prices, according to Priyanka Sachdeva, senior market analyst at brokerage Phillip Nova.

“Oil investors need a concrete catalyst to boost prices further, which honestly seems to be lacking for now,” Sachdeva said.

The US military carried out more strikes in Yemen in the early hours of Wednesday, January 24, destroying two Houthi anti-ship missiles that were aimed at the Red Sea and were preparing to be launched, according to the US military.

Oil prices were also supported by hopes for China’s economic recovery, with the Chinese central bank announcing a deep cut in bank reserves to inject around US$140 billion into the banking system and support the slumping economy and stock markets.

China also expanded the uses for commercial real estate loans by banks, as part of its efforts to ease a liquidity crunch faced by struggling real estate companies.

Café produzido em Manica, na reserva de Chimanimani, será exportado para o Reino Unido

Café produzido em Manica, na reserva de Chimanimani, será exportado para o Reino Unido

O café orgânico produzido no Parque Nacional de Chimanimani, na província de Manica, deu um salto significativo ao estrear-se na exportação para o mercado do Reino Unido com os primeiros 500 quilogramas, seleccionados manualmente, grão a grão, nos últimos tempos.

“É um dia histórico”, anunciou a Café Chimanimani, um projecto fundado por antigos jornalistas locais, destacando que a produção desse café em uma área protegida começou há pouco mais de três anos.

“Quando iniciamos esta aventura de produzir café em 2020, não podíamos imaginar que tão cedo nosso produto seria apreciado e procurado por um mercado tão importante e exigente como o do Reino Unido. É um mercado onde o consumidor procura cada vez mais por cafés especiais. Não é apenas café que eles procuram, mas um café excepcional”, afirmou uma fonte da empresa.

Nas terras altas enevoadas das montanhas de Chimanimani, o café orgânico é produzido como parte de um sistema agro-florestal que contribui para o reflorestamento de áreas degradadas e desmatadas da reserva, protegendo o solo, flora e fauna.

A empresa descreve o momento como “histórico” ao concretizar a exportação dos primeiros 500 quilogramas dos mil encomendados em Junho de 2023 pelo parceiro britânico, conforme acordo assinado em Londres naquela altura.

“O tempo que levou deve-se às dificuldades que ainda enfrentamos para processar e classificar o café, ainda é um processo manual, mas esperamos mecanizar em breve. Agradecemos aos nossos colaboradores que tiveram a árdua missão de seleccionar e classificar grão a grão esses 500 quilogramas de café por longos quatro meses”, explicou a empresa.

Moçambique aderiu à Organização Internacional do Café (OIC) na mesma ocasião, em Junho passado, em Londres, na presença do Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

Coffee produced in Manica, in the Chimanimani reserve, to be exported to the UK

Café produzido em Manica, na reserva de Chimanimani, será exportado para o Reino Unido

Organic coffee produced in the Chimanimani National Park, in the province of Manica, has taken a significant leap forward by making its export debut to the UK market with the first 500 kilograms, hand-picked, bean by bean, in recent times.

“It’s a historic day,” announced Café Chimanimani, a project founded by former local journalists, pointing out that the production of this coffee in a protected area began just over three years ago.

“When we started this adventure of producing coffee in 2020, we couldn’t have imagined that so soon our product would be appreciated and sought after by a market as important and demanding as the UK. It’s a market where consumers are increasingly looking for specialty coffees. It’s not just coffee they’re looking for, but exceptional coffee,” said a company source.

In the misty highlands of the Chimanimani mountains, organic coffee is produced as part of an agro-forestry system that contributes to the reforestation of degraded and deforested areas of the reserve, protecting the soil, flora and fauna.

The company describes the moment as “historic”, as the first 500 kilograms of the 1,000 ordered in June 2023 by the British partner were exported, in accordance with the agreement signed in London at the time.

“The time it took is due to the difficulties we still face in processing and sorting the coffee; it’s still a manual process, but we hope to mechanize it soon. We would like to thank our employees who had the arduous task of sorting and classifying those 500 kilograms of coffee bean by bean for four long months,” the company explained.

Mozambique joined the International Coffee Organization (ICO) on the same occasion, last June, in London, in the presence of the Minister of Agriculture and Rural Development, Celso Correia.

Comunicação de riscos no sistema nacional de pagamentos será estendida para 5 dias

Comunicação de riscos no sistema nacional de pagamentos será estendida para 5 dias

Os operadores do Sistema Nacional de Pagamentos terão agora cinco dias para comunicar ao Banco de Moçambique (BdM) sobre a ocorrência de riscos de insolvência ou incapacidade de cumprimento das suas obrigações financeiras. Essa mudança faz parte da proposta de revisão da Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, recentemente divulgada pelo Banco Central para receber mais contribuições.

Além disso, segundo a mesma proposta, os operadores do sistema terão o mesmo período para comunicar sobre impedimentos, obstrução ou limitação do acesso às infra-estruturas utilizadas nas suas actividades, bem como sobre a alteração da composição dos órgãos sociais, planos de negócios, procedimentos e oferta de serviços.

Essas comunicações, agora obrigatórias em um período de cinco dias, fazem parte dos esforços do BdM, na qualidade de autoridade do Sistema Nacional de Pagamentos, para mitigar os riscos de crédito e liquidez. Uma diferença significativa em relação à lei anterior é que esta apenas se referia ao dever de comunicar ao BdM as informações que este considerasse necessárias à verificação, como o grau de liquidez e solvabilidade, os riscos incorridos e os processos de segurança.

A proposta, que altera substancialmente a composição da lei actual, também inclui, no artigo sobre os intervenientes, as instituições de crédito, as sociedades financeiras, os agentes de liquidação e as contrapartes centrais.

Por outro lado, o Comité de Coordenação do Sistema Nacional de Pagamentos passará a integrar instituições de crédito, a Associação Moçambicana das Empresas Prestadoras de Serviços de Pagamentos e o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação. Suas competências incluem aperfeiçoar ou modernizar o sistema, aprovar estudos, sugestões ou recomendações para o desenvolvimento do SNP e praticar todos os actos necessários à prossecução das suas competências.

O Banco de Moçambique mantém público o processo de colecta de subsídios e comentários para contribuir na melhoria geral da lei, um processo que vai durar até ao dia 9 do próximo mês.

Communication of risks in the national payment system to be extended to 5 days

Comunicação de riscos no sistema nacional de pagamentos será estendida para 5 dias

Operators of the National Payment System will now have five days to notify the Bank of Mozambique (BdM) of any risk of insolvency or inability to meet their financial obligations. This change is part of the proposal to revise the National Payments System Law, which was recently released by the Central Bank to receive more contributions.

In addition, according to the same proposal, the system’s operators will have the same period to communicate about impediments, obstructions or limitations to access to the infrastructures used in their activities, as well as changes to the composition of governing bodies, business plans, procedures and service offerings.

These communications, now mandatory within a five-day period, are part of the BdM’s efforts, as the authority of the National Payment System, to mitigate credit and liquidity risks. A significant difference with the previous law is that it only referred to the duty to communicate to the BdM the information it considered necessary for verification, such as the degree of liquidity and solvency, the risks incurred and the security processes.

The proposal, which substantially changes the composition of the current law, also includes credit institutions, financial companies, settlement agents and central counterparties in the article on stakeholders.

On the other hand, the National Payment System Coordination Committee will include credit institutions, the Mozambican Association of Payment Service Providers and the National Institute of Information and Communication Technologies. Its competences include improving or modernizing the system, approving studies, suggestions or recommendations for the development of the NPS and carrying out all the acts necessary for the pursuit of its competences.

The Bank of Mozambique is publicly collecting subsidies and comments to contribute to the general improvement of the law, a process that will last until the 9th of next month.

CFO Survey Moçambique-2024: Análise do sector bancário e de seguros 

Função financeira: Perspectivas do sector bancário e de seguros em Moçambique

O presente artigo aborda as preocupações actuais e futuras enfrentadas pela função financeira no sector bancário e de seguros em Moçambique, com base em um estudo realizado no formato virtual pelo CFO Survey, por meio de um questionário, conduzido em 2023. Os resultados obtidos refletem as percepções e desafios identificados por esses profissionais em relação à complexidade regulatória, volatilidade dos mercados financeiros, avanços tecnológicos e outros aspectos críticos que impactam directamente a função financeira no contexto actual. Este estudo fornece insights valiosos sobre as preocupações e perspectivas dos profissionais financeiros em Moçambique, destacando a importância de estratégias adaptativas e inovadoras para enfrentar os desafios em um ambiente em constante evolução.

Sector bancário 

  1. Aumento da complexidade regulatória e escrutínio supervisor: Este aspecto refere-se à crescente complexidade das regulamentações e às demandas mais rigorosas por parte dos supervisores em relação às práticas bancárias.
  2. Impacto da volatilidade dos mercados financeiros: A capacidade de responder rapidamente às mudanças nas condições do mercado é essencial para o sucesso no sector bancário.
  3. Ritmo acelerado das mudanças tecnológicas: As rápidas mudanças tecnológicas estão transformando a maneira como as instituições bancárias operam. Isso inclui a adopção de novas tecnologias como inteligência artificial, blockchain e automação, que impactam desde a prestação de serviços até a segurança cibernética. As instituições precisam se adaptar a esse ritmo acelerado de mudanças para permanecerem competitivas e relevantes no mercado.

No sector de seguros, as principais preocupações incluem:

  1. Complexidade regulatória e escrutínio supervisor: Assim como no sector bancário, a complexidade regulatória e o escrutínio por parte dos supervisores são desafios significativos para as empresas de seguros.
  2. Factores ESG (ambiente, social e governação): A crescente importância dos factores ESG está se tornando uma preocupação central para as empresas de seguros, que precisam considerar cada vez mais questões ambientais, sociais e de governança em suas operações e estratégias de investimento.
  3. Volatilidade dos mercados financeiros: Assim como no sector bancário, a volatilidade dos mercados financeiros também é uma preocupação para as empresas de seguros, pois pode afectar suas carteiras de investimento e solidez financeira.

Classificação do desempenho actual das funções financeiras 

Perfil de risco inerente às mudanças projectadas para a sua função financeira nos próximos 3 anos

De referir que o relatório foi divulgado esta quarta-feira, em Maputo, com o objectivo de responder os desafios actuais e futuros da função financeira no sector bancário e de seguros em Moçambique. 

Estudo por: CFO Survey

CFO Survey Mozambique-2024: Analysis of the banking and insurance sector

Função financeira: Perspectivas do sector bancário e de seguros em Moçambique

This article addresses the current and future concerns faced by the finance function in the banking and insurance sector in Mozambique, based on a study carried out in virtual format by the CFO Survey, using a questionnaire, conducted in 2023. The results obtained reflect the perceptions and challenges identified by these professionals in relation to regulatory complexity, financial market volatility, technological advances and other critical aspects that directly impact the finance function in the current context. This study provides valuable insights into the concerns and perspectives of financial professionals in Mozambique, highlighting the importance of adaptive and innovative strategies to face the challenges in a constantly evolving environment.

Concerns in the banking sector


Increasing regulatory complexity and supervisory scrutiny: This aspect refers to the growing complexity of regulations and stricter demands from supervisors regarding banking practices.

Impact of financial market volatility: The ability to respond quickly to changing market conditions is essential for success in the banking sector.

Accelerated pace of technological change: Rapid technological changes are transforming the way banking institutions operate. This includes the adoption of new technologies such as artificial intelligence, blockchain and automation, which impact everything from service delivery to cyber security. Institutions need to adapt to this rapid pace of change to remain competitive and relevant in the market.

Concerns in the insurance sector


Increasing complexity of regulation and supervisory control: This aspect refers to the growing complexity of regulation and the more stringent requirements of supervisory authorities regarding banking practices.

Impact of financial market volatility: The ability to respond quickly to changing market conditions is essential for success in the banking sector.

Accelerated pace of technological evolution: Rapid technological changes are transforming the way banking institutions operate. This includes the adoption of new technologies such as artificial intelligence, blockchain and automation, which impact everything from service delivery to cybersecurity. Institutions need to adapt to this rapid pace of change in order to remain competitive and relevant in the market.

Classification of the current performance of financial functions

Risk profile inherent in the changes projected for its financial function over the next 3 years

It should be noted that the report was released this Wednesday in Maputo, with the aim of answering the current and future challenges of the financial function in the banking and insurance sector in Mozambique.

Study by: CFO Survey

Governo de Moçambique planeia emissão de dívida pública de 45,7 Mil milhões de meticais para 2024

Governo de Moçambique planeia emissão de dívida pública de 45,7 Mil milhões de meticais para 2024

O Governo de Moçambique anunciou planos para emitir 24 Obrigações do Tesouro ao longo de 2024, totalizando 45,7 mil milhões de meticais. Essa emissão tem como objetivo principal financiar despesas públicas, incluindo pagamentos de salários e investimentos em projectos de rendimento.

Essa quantia representa um aumento significativo em relação a 2023, quando foram emitidos 36,6 mil milhões de meticais em Obrigações do Tesouro. As emissões serão realizadas mediante leilões na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), com valores variando de 227 milhões a 6,6 mil milhões de meticais.

Em Janeiro de 2024, o Governo já emitiu 5,8 mil milhões de meticais em Obrigações do Tesouro e planeia emitir mais 1,1 mil milhões de meticais em Fevereiro. A programação detalhada das emissões está disponível no diploma ministerial n.º 151/2023 de 29 de Dezembro, aprovado pelo Ministério da Economia e Finanças.

As Obrigações do Tesouro são instrumentos de dívida de médio/longo prazo pelos quais o Estado obtém financiamento junto a investidores institucionais no mercado de capitais, pagando uma taxa de juro e devolvendo o valor investido ao final do período do empréstimo.

A iniciativa visa garantir o financiamento necessário para as actividades do Governo, especialmente em um contexto de desafios económicos e financeiros. A Bolsa de Valores de Moçambique desempenhará um papel fundamental na realização dessas emissões, proporcionando um ambiente transparente e eficiente para a negociação desses títulos.

Mozambican government plans public debt issue of 45.7 billion meticais for 2024

Governo de Moçambique planeia emissão de dívida pública de 45,7 Mil milhões de meticais para 2024

The Mozambican government has announced plans to issue 24 Treasury Bonds over the course of 2024, totaling 45.7 billion meticais. The main purpose of this issue is to finance public expenditure, including salary payments and investments in income projects.

This amount represents a significant increase compared to 2023, when 36.6 billion meticais were issued in Treasury Bonds. The issues will be carried out through auctions on the Mozambique Stock Exchange (BVM), with values ranging from 227 million to 6.6 billion meticais.

In January 2024, the government already issued 5.8 billion meticais in Treasury Bonds and plans to issue another 1.1 billion meticais in February. The detailed issuance schedule is available in ministerial diploma no. 151/2023 of December 29, approved by the Ministry of Economy and Finance.

Treasury Bonds are medium/long-term debt instruments through which the state obtains financing from institutional investors in the capital market, paying an interest rate and returning the amount invested at the end of the loan period.

The initiative aims to guarantee the necessary funding for government activities, especially in a context of economic and financial challenges. The Mozambique Stock Exchange will play a key role in carrying out these issues, providing a transparent and efficient environment for trading these securities.

Elthon Chemane: “A ACLM está desenvolver soluções para a promoção do Conteúdo Local e apoio às empresas moçambicanas”

Durante a sua intervenção no Workshop sobre o tema crucial: “Indução sobre Conteúdo Local na indústria de Petróleo e Gás”, o Presidente da Associação de Conteúdo Local de Moçambique (ACLM), Elthon Chemane, proporcionou insights valiosos sobre vários aspectos importantes a serem conhecidos e sugestões sobre caminhos a seguir rumo as oportunidades na indústria de O&G.

Como garantir que o conteúdo local é implementado de forma transparente e ter visibilidade dos benefícios considerando os níveis de corrupção actuais em Moçambique?

Elthon Chemane: Para começarmos, é crucial identificar um ponto de partida estratégico, assemelhando-se ao princípio de fortalecer um país ao privilegiar e potencializar seus recursos existentes. Uma abordagem inicial seria explorar os serviços já disponíveis dentro do país. Propõe-se realizar um “rollout” por meio de um IBS (Industrial Baseline Survey), que se traduz em uma análise abrangente do mercado empresarial moçambicano. Essa iniciativa visa fornecer um diagnóstico detalhado, permitindo uma compreensão mais profunda da capacidade local para oferecer determinados serviços.

Em seguida, seria implementado um “ring fence,” uma legislação que estabelece uma barreira de proteção. Essa legislação instruiria os megaprojectos a contratar serviços de uma lista específica de empresas moçambicanas. Vale ressaltar que não é imprescindível que essa medida seja imposta por lei; o regulador pode emitir um instrumento orgânico ou uma política para alcançar o mesmo objectivo.

É fundamental compreender que os megaprojectos não necessariamente têm a intenção de agir prejudicialmente em qualquer país. Eles muitas vezes se aproveitam de situações em que o país está mal posicionado para obter benefícios. Assim, o foco inicial deve ser a proteção dos negócios já existentes, colocando-os à porta das oportunidades.

A partir dessa fase inicial, a dinâmica passa a ser uma relação directa entre fornecedores e compradores, baseada nos princípios de oferta e demanda. Factores como preço, qualidade e outros aspectos cruciais entram em jogo durante o processo de contratação de serviços ou aquisição de bens.

Ao proteger as empresas já estabelecidas, proporcionamos um ambiente propício para o crescimento e, consequentemente, para a expansão do número de empresas competitivas. Este método progressivo permite que, ao longo do tempo, trabalhemos com outras empresas emergentes, facilitando seu desenvolvimento e incorporando-as às oportunidades disponíveis.

Gostaria de ter um esclarecimento acerca do ponto que estabelece que o conteúdo local não é social corporativo.

Se considerarmos que não é obrigatório que a empresa não cumpra com responsabilidade social corporativa, então quais são as vantagens das operações na indústria de petróleo e gás para as comunidades locais?

EC: A responsabilidade social corporativa é uma faceta presente em todas as empresas, independentemente da sua dimensão. Muitas delas implementam programas para desenvolver as regiões onde estão inseridas, contribuindo para o bem-estar das comunidades locais. Por outro lado, megaprojectos muitas vezes trazem infraestruturas de alta qualidade para seus operadores, mas nem sempre esses benefícios se estendem às comunidades circundantes.

Essas acções não são imposições; elas exigem autorização, não se tratando de reassentamento, mas sim de responsabilidade social corporativa. Pequenos investimentos em benefício das comunidades, mesmo que não proporcionem vantagens directas aos projectos, são considerados parte dessa responsabilidade.

Porém, é importante distinguir responsabilidade social corporativa de conteúdo local. No caso deste último, trata-se de uma perspectiva governamental que visa assegurar que empresas locais obtenham contratos. A colaboração entre os sectores público e privado pode incluir sugestões e programas para fortalecer as empresas locais, aproximando-as das oportunidades de negócio. A busca por certificações, por exemplo, pode ser uma estratégia para melhorar os padrões e competitividade das empresas locais.

A comunicação efectiva e a troca de ideias geram sinergias e iniciativas que impulsionam o crescimento das empresas moçambicanas, permitindo quantificar melhorias tangíveis, como o número de empresas locais envolvidas, o crescimento, o aprimoramento de padrões, a expansão e outros indicadores relevantes. Esses benefícios, por sua vez, contribuem para o desenvolvimento económico do país.

Importante ressaltar que conteúdo local não se trata de doações ou caridade. É uma abordagem estratégica que visa criar oportunidades tangíveis e sustentáveis para as empresas locais. Avaliar o impacto dessas iniciativas vai além de quantificar os recursos investidos; requer também a análise de como esses investimentos geraram resultados concretos, como contratação e aquisição de produtos de comunidades locais, promovendo, assim, um ciclo virtuoso de desenvolvimento económico.

O que é que se espera que aconteça em relação ao projecto de Oil and Gas em Palma? Se o projecto retomar nas condições de insegurança actual, haverá condições para garantir a movimentação por terra, dos recursos humanos e materiais das empresas nacionais, meios aéreos, marítimos, estarão a dispor das PMEs?

EC: Com relação à segurança, reconhecemos que a instabilidade no projecto é uma incerteza que não pode ser garantida por ninguém, incluindo eu ou qualquer outra pessoa. Todos aguardamos ansiosamente que o projecto possa superar a cláusula de força maior e se concretizar efectivamente.

No entanto, é importante ressaltar que, mesmo após a suspensão da cláusula de força maior, isso não implica necessariamente em certezas contínuas. O projecto continuará a enfrentar incertezas significativas devido a factores externos, como terrorismo e ataques, que, mesmo com a implementação de medidas de segurança e a criação das condições mínimas, permanecem fora do controle directo.

Ninguém deseja a guerra, e reconheço que não sou especialista nesse assunto. Contudo, é inevitável que, inicialmente, o acesso à área seja dificultado devido à necessidade de segurança 24 horas. Mesmo com medidas de segurança, não há garantias absolutas de segurança. O transporte de cargas e de pessoas continuará sendo arriscado até que a área seja completamente segura e livre de ameaças terroristas.

Essas circunstâncias certamente encarecerão o transporte, logística e outros custos associados. No entanto, é crucial compreender que esses são factores além do controle do projecto, do governo ou de qualquer outra entidade. O governo, dentro de suas capacidades e apoios recebidos, está empenhado em fazer o melhor possível, mas há desafios que não foram superados até o momento.

A cláusula de força maior foi implementada para acautelar situações que fogem ao controle, seja do governo, investidores ou comunidades envolvidas, e que podem representar perigos ao projecto, justificando uma pausa temporária. Actualmente, está em curso uma avaliação para determinar se existem condições favoráveis, mas é preciso estar ciente de que, mesmo após esse levantamento, as condições podem evoluir ao longo do tempo, mantendo o projecto em um estado crítico e sensível por um período considerável.

Qual é o papel da ACLM para apoiar este segmento das PMEs?

EC: A ACLM está actualmente empenhada na indução de conteúdo local e busca oferecer soluções inovadoras para apoiar micro, pequenas e médias empresas. O papel da ACLM é aprimorar a performance do conteúdo local, aproximando a oferta da demanda. Isso envolve acções e interações com investidores, sector privado e governo.

A ACLM actua como intermediária para melhorar o ecossistema empresarial e apoiar as empresas moçambicanas. A interação com diversos intervenientes é fundamental para encontrar soluções e caminhos que beneficiem as empresas locais. No momento, a ACLM implementou um programa de acesso ao financiamento, oferecendo soluções alternativas em colaboração com parceiros.

Um exemplo desse compromisso é o programa de workshops, agendado para 8 de fevereiro, focado em apoiar as empresas. Uma das principais barreiras para as empresas é a dificuldade em obter financiamento junto à banca comercial, devido aos rigorosos requisitos, como a colateralização de empréstimos em Moçambique, que chega a 120%. Isso representa um desafio significativo para empresas com contratos que necessitam de capital para execução.

A ACLM está desenvolvendo soluções para enfrentar esse problema e apoiar directamente as empresas moçambicanas. O objectivo é não apenas facilitar o acesso ao financiamento, mas também auxiliar os operadores a estabelecer negócios com empresas locais, promovendo o crescimento económico e fortalecendo o papel da ACLM na melhoria do ecossistema empresarial em Moçambique.

Como é que a ACLM olha para a aprovação de Lei de Conteúdo Local como mecanismo para promover a integração das PMEs na cadeia de valor de grandes projectos?

EC: Na minha análise, considero que a implementação de uma lei de conteúdo local neste momento pode acarretar desvantagens significativas. Repito, isso ocorreria porque tal legislação potencialmente traria consigo um conjunto de desafios, tornando-se altamente subjectiva. Isso não é apenas uma suposição; representa um facto real. Há um risco substancial de bloquear oportunidades cruciais para ajustar e moldar estratégias em favor das empresas nacionais.

A limitação da capacidade de alterar uma lei durante o período determinado, geralmente em torno de cinco anos, é uma preocupação válida. Megaprojectos na indústria de petróleo e gás frequentemente operam em contextos desafiadores, incluindo países com problemas como terrorismo, escassez de água, falta de eletricidade e conflitos armados. Para esses projectos, essas condições são parte integrante do jogo. Eles investem onde veem oportunidades de negócio, excepto em países com instabilidade legislativa.

O risco associado à implementação de uma lei mal concebida, que após dois, três ou quatro anos exige alterações, representa um factor crítico que poderia levar projectos a se retirarem imediatamente e a não retornarem a Moçambique. A instabilidade legislativa é considerada inaceitável nesse contexto.

Actualmente, a ausência de uma lei de conteúdo local pode ser vista como uma vantagem. Essa abordagem oferece às empresas a oportunidade de se fundirem e se unirem para melhorar sua competitividade diante dos concursos em andamento. Além disso, permite que as contratantes abram excepções, seja concedendo contratos parciais para empresas ganharem experiência gradualmente, ou para as Empresas Gestoras Independentes (GIs) acumularem conhecimento ao longo do tempo e alcançarem contratos mais substanciais dentro da indústria.

Se uma lei fosse implementada neste momento, ela seria compelida a avaliar os padrões da indústria, que são protegidos por normas internacionais. É importante reconhecer que a indústria de petróleo e gás é autoregulamentada, com processos de aquisição e contratação sendo conduzidos internacionalmente.

O preço do barril de petróleo e o comércio de crude são ditados por dinâmicas internacionais. Assim, nenhum governo individual pode ditar leis nesses domínios sem o risco de prejudicar os próprios interesses nacionais. O papel dos governos é acomodar esses projectos dentro dos padrões da Corte Internacional, buscando ajustá-los para extrair o máximo de benefícios e valor, sempre em busca do desenvolvimento e em detrimento de interesses nacionais. Nesse sentido, instrumentos legais como regulamentos, nesta fase, podem ser úteis para moldar gradualmente o ambiente regulatório.