Monday, April 27, 2026
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Porto de Maputo: Plano Director orçado em mais de 1.3 mil milhões de dólares

Foi lançado esta terça-feira o Plano Director do Porto de Maputo, orçado em pouco mais de 1.3 mil milhões de dólares em investimento para possibilitar o aumento do volume de carga manuseada, nos próximos 20 anos.

O Ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, disse, tarça-feira, que o Plano Director do Porto de Maputo não pode ser um instrumento isolado de todo o sistema logístico do Corredor de Maputo.

Abdulai,  sublinhou que a  materialização desta iniciativa deverá, entre outros, possibilitar a redução do tempo de espera para o manuseamento de carga, através da simplificação dos processos inter-fronteiriços e a mobilização de novos actores.

Moçambique recebe 470 milhões de dólares do FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI), aprovou a retoma do apoio directo ao Orçamento do Estado moçambicano, após seis anos de suspensão, devido à descoberta das “dívidas ocultas” da Ematum, MAM e ProIndicus.

A decisão foi tomada pelo conselho de Administração do FMI, num e encontro realizado esta segunda-feira, na sede da instituição, em Washington, Estados Unidos da América, onde aprovou-se um pacote de financiamento de 470 milhões de dólares que deve ser pago dentro de 10 anos, a uma taxa de juro de zero por cento.

O valor emprestado ao Estado moçambicano será disponibilizado a partir do próximo mês de Junho, e vai durar um período de três anos, acompanhados de reformas a serem feitas pelo Governo, que, na verdade, são a condição do empréstimo.

Primeiro pagamento deve ser feito daqui a cinco anos e meio

O primeiro pagamento da dívida pública que acabou de ser contraída deve acontecer daqui a cinco anos e meio, segundo o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel, que falava à imprensa, hoje, em Maputo, após a aprovação da retoma do apoio.

No fim do programa de financiamento ao país, daqui a três anos, o FMI espera ver um país com estabilidade do crescimento da economia nacional, níveis equilibrados do custo de vida e um rendimento das famílias salvaguardado e boa governação.

Decisão do FMI é um marco importante para a imagem do país

O Ministro da economia e Finanças, Max Tonela, disse em conferência de imprensa que com a retoma do apoio directo do FMI, o país vai obter também recursos adicionais para o financiamento da economia, não só os recursos que estão no acordo, financiados para o fundo, mas abre também a janela de oportunidades de financiamento por outros parceiros.

“A decisão tomada, hoje (09.05.2022) , pelo board do FMI representa um marco importante no nosso processo de desenvolvimento e no reforço das relações e da imagem do país no mercado financeiro internacional, sinalizando boas perspectivas para o nosso desenvolvimento”, considera Tonela.

Para promover a criação de empregos, melhorar o ambiente de negócios no país e aumentar a diversificação da economia, o novo programa financeiro do FMI prevê ainda o financiamento ao sector privado, também como forma de substituir importações por produtos concebidos no país.

AMEPETROL: “Não temos problema de stocks de momento”

Foram postas a circular algumas notícias, dando conta de uma eventual ruptura de combustível nas empresas petrolíferas do país, uma informação desmentida pela Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas (AMEPETROL), garantindo que o país tem quantidade suficiente para responder a demanda.

“Não temos problemas de stocks de momento, ocorreu uma situação de desinformação junto as redes sociais e a informação que estava a ser veiculada, não correspondia a verdade. Os consumidores não devem entrar em pânico, continuem a levar a vida de forma normal, não se agitem”, disse Ricardo Cumbe, Secretário-Geral da AMEPETROL.

Cumbe esclareceu, no entanto, que as dificuldades apresentadas recentemente pela associação, referentes ao desajuste do preço praticado no país com o preço da importação dos combustíveis, prevalecem, mas já há contactos com o governo.

Recentemente, o Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, afastou a possibilidade de o Estado subsidiar alguns subsectores, incluindo o de combustíveis, como forma de fazer face à alta de preços na sequência da crise provocada pela guerra na Ucrânia.

Moçambique poderá exportar 3,4 milhões de toneladas de gás por ano para Europa e Ásia

Compreendendo aproximadamente 450 mil milhões de metros cúbicos de gás no Campo Sul de Coral na Área 4 na Bacia do Rovuma ao largo da costa de Moçambique, o projecto de Gás Natural Liquefeito Flutuante permitirá ao país produzir 3,4 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás para exportar à Europa e Ásia em 2022.

A Câmara Africana de Energia, garante que os níveis de oferta e procura entre 2022 e 2025 sugerem que existe no país oferta suficiente de Gás Natural Liquefeito (GNL), para satisfazer a procura crescente, à medida que novos projectos entram em linha no ano corrente, assim como o projecto de Gás Natural Liquefeito Flutuante de Coral (FLNG) em Moçambique.

Além disso, os projectos de 12,8 mtpa de GNL da TotalEnergies Moçambique e de 15,2 mtpa de GNL da Eni e ExxonMobil Rovuma têm o potencial de transformar o mercado regional de gás, posicionando Moçambique como um exportador de gás altamente competitivo. Apesar de ambos os projectos terem sido adiados, estão a ser feitos progressos para que regressem ao bom caminho.

De acordo com o Centro de Energia para o Crescimento, o gás de Moçambique poderia trazer 50 mil milhões de dólares em investimentos estrangeiros e permitir ao Governo colher 95 mil milhões de dólares em receitas nos próximos 25 anos, com as políticas e investimentos correctos em vigor, bem como um ambiente político atractivo para o capital.

Moçambiques têm potencial para combater pobreza energética  

Segundo o presidente-executivo da Câmara Africana de Energia, NJ Ayuk, as reservas de gás de Moçambique têm o potencial para combater a pobreza energética em toda a região da África Austral, ajudando os países vizinhos, como o Zimbabwe, Botswana, Malawi e África do Sul, a satisfazer a procura pelo gás.

Apesar de possuir vastas reservas de gás, o progresso de Moçambique no desenvolvimento e na monetização continua a ser lento. Isto realça uma necessidade crescente de o Governo criar um ambiente político favorável que permita aos investidores e às grandes empresas internacionais participarem no mercado.

African Energy Week 2022 vai discutir medidas para acelerar indústria do gás em Moçambique 

A este respeito, a cimeira anual de investimento da Câmara Africana de Energia (AEC), African Energy Week (AEW), que terá lugar na Cidade do Cabo de 18 a 21 de Outubro de 2022, irá discutir medidas que o Governo de Moçambique pode implementar para acelerar o desenvolvimento da sua indústria do gás.

A African Energy Week 2022 acolherá painéis de discussão e reuniões de alto nível sobre o papel da indústria de gás de Moçambique no combate à pobreza energética em todo o continente africano e como o país pode criar um regime de capital atractivo para impulsionar o seu mercado.

A African Energy Week 2022 é a conferência anual da Câmara Africana de Energia, exposição e evento em rede. Este evento une as partes interessadas africanas na energia com investidores e parceiros internacionais para impulsionar o crescimento e desenvolvimento da indústria e promover África como destino de investimentos energéticos.

SASOL investe 5 milhões de dólares para projecto de gás natural em automóveis

Com o objectivo de contribuir para a massificação do uso de gás natural, a multinacional SASOL vai disponibilizar 5 milhões de dólares americanos para operacionalizar o projecto de gás natural para veículos automóveis.

O Director-Geral da SASOL, Ovideo Rodolfo, revelou que um dos objectivos passa por dar oportunidade ao sector privado de participar no negócio de gás em Moçambique. O Fundo disponibilizado pela multinacional será gerido pelo Banco Nacional de Investimentos, mas não é a instituição que vai aprovar os projectos.

Na ocasião, Presidente do Conselho Executivo do BNI revelou que foram criados comités que terão a responsabilidade de analisar os projectos técnicos e posteriormente vai submeter ao Conselho Consultivo deste Fundo, que, por sua vez, vai analisar para posterior aprovação.

O Conselho Executivo de Inhambane já está a trabalhar na criação de uma agência de transporte, com o propósito de oferecer transporte de pessoas e bens mais acessível.

Daniel Chapo, Governador de Inhambane, disse que a Agência de Transportes de Inhambane, usando o gás natural, poderá contribuir para baixar o preço do transporte de pessoas e bens e consequentemente baixar o preço de outros produtos que, neste momento, estão caros devido aos custos elevados de transporte.

Moçambique importa anualmente 1.6 milhões de toneladas métricas de combustíveis, um número que se espera ver reduzido com o gás veicular. No momento o país tem apenas quatro bombas de abastecimento de gás comprimido para viaturas, que serve a um total de 2600 viaturas na província de Maputo.

Standard Bank prevê crescimento da produção até 2025

O Standard Bank prevê que a economia do país cresça a uma média de 3,7% ao ano entre 2022 e 2025, “um crescimento lento” face à taxa de pobreza do país, referiu Fáusio Mussa, economista-chefe do banco.

O responsável falava hoje em Maputo durante o Economic Briefing do Standard Bank, um evento público de análise à situação económica de Moçambique.

O país “não pode crescer sozinho” e “o Governo já entendeu a mensagem”, sublinhou, ao apontar a necessidade de captar investimento estrangeiro como chave para acelerar o desenvolvimento.

O Standard prevê taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8% para este ano (descontando já o impacto da guerra na Ucrânia e riscos inflacionários globais), 3,7% no próximo, 4,1% em 2024 e 4,3% em 2025.

Moçambique não escapa ao contexto de escalada de preços a nível global, mas, segundo as previsões do Standard, terá ainda assim uma taxa de inflação “a um dígito” no final do ano, referiu Fáusio Mussa, graças ao controlo da política monetária – a contrapartida são taxas de juro altas, mas que só afetam parte da população, face a uma larga maioria pobre e muito sensível à inflação.

Assim, depois de um pico este ano, o Standard Bank prevê um recuo da inflação, com taxas de 9,4% (2022), 7,3% (2023), 6,5% (2024) e 5,9% (2025).

O economista-chefe do banco reiterou a importância de diversificar a economia para que Moçambique deixe de depender quase totalmente de um reduzido leque de produtos ou setores – como se perspetiva em relação aos megaprojetos de gás.

De acordo com o Banco Mundial, entre 62% a 63% da população moçambicana vive na pobreza e Bernardo Aparício, recém-empossado administrador-delegado do Standard Bank (em funções desde 01 de abril), orador no evento, apontou a criação de emprego em vários setores como solução.

O salto para “um país de rendimento médio” poderá acontecer com “uma estratégia que localize [no país] muita da produção do que é consumido em Moçambique, aumentando a industrialização”, referiu.

Só com a promoção do “resto da cadeia de valor” será criado “mais emprego”, captando a economia informal, em que vive a maioria da população.

O desafio “para todos os que estão nesta sala” é converter investimento direto estrangeiro em investimento que crie emprego, sublinhou o administrador-delegado.

Segundo referiu, “é fácil” estar nos grandes projetos, mas “existe oportunidade” de apostar nas cadeias de valor, onde estão as pequenas e médias empresas, cabendo à banca apoiar este “ecossistema”.

As previsões de hoje do Standard Bank dão uma nova perspetiva macroeconómica sobre o país, que conta com um Orçamento do Estado (OE) para 2022, aprovado em dezembro num contexto global diferente e com outros números.

O OE 2022 tem como pressupostos uma crescimento do PIB) de 2,9% e 5,3% de inflação média anual, números previstos antes de estalar a guerra com a invasão russa da Ucrânia.

Estado vai arrecadar mais de 18,9 ME de dólares na venda de activos da Vale

Moçambique vai encaixar 18,9 milhões de dólares de mais-valias da venda dos ativos da brasileira Vale à indiana Vulcan, disse hoje em Maputo o ministro dos Recursos Minerais e Energia moçambicano.

Carlos Zacarias, que falava no final de um encontro entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e representantes da Vulcan, avançou que as duas empresas e a Autoridade Tributária (AT) de Moçambique estão em negociações visando uma clarificação definitiva do valor a pagar ao Estado moçambicano pelo negócio.

“A Autoridade Tributária, o vendedor e o comprador estão em discussões para a clarificação do valor real a pagar”, destacou.

No âmbito da operação, a multinacional indiana vai realizar investimentos nas minas e componente logística que comprou da Vale, mantendo igualmente os postos de trabalho, acrescentou.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia adiantou que o destino provável do carvão a extrair das minas será as fábricas de aço da Vulcan na Índia.

No final de abril, a Vale anunciou ter concluído a operação de venda de ativos na exploração de carvão em Moçambique à indiana Vulcan Minerals, um negócio de 270 milhões de dólares.

“A Vale comunica que concluiu no dia 25 de abril de 2022 o processo de transmissão responsável da operação de Moatize e do Corredor Logístico de Nacala para a Vulcan Resources, com base no acordo vinculativo da venda de ativos”, anunciado em dezembro, referiu a Vale Moçambique, numa nota à comunicação social.

As minas ficam situadas na província de Tete, centro de Moçambique, e, segundo a Vale, a transação obedeceu às condições definidas por lei.

A Vale esteve presente em Moçambique por 15 anos, tendo explorado a mina de Moatize e 912 quilómetros de ferrovia no Corredor Logístico de Nacala para o transporte de carvão.

No início de 2021 a empresa anunciou a pretensão de “desinvestir dos seus ativos de carvão” e apostar em “mineração de baixo carbono”.

Millennium bim regista aumento de 40,5% no resultado líquido de 2021

O banco moçambicano Millennium bim, detido maioritariamente pelo grupo BCP, registou um aumento de 40,5% no resultado líquido de 2021, de acordo com o relatório de contas consultado pela Lusa.

O resultado subiu de 5,3 para 7,4 mil milhões de meticais devido à “evolução favorável da margem financeira, das comissões líquidas e à mais-valia resultante da venda de 70% da participação no capital da Seguradora Internacional de Moçambique” à Fidelidade, lê-se no documento.

O banco destaca ainda a “redução da imparidade de crédito de 2,4 mil milhões de meticais para 300 milhões de meticais.

“Esta redução traduz a prudência que o banco teve em 2020 face a um contexto económico mais complexo, que essencialmente consistiu na penalização da rentabilidade e reforço da robustez do balanço”, refere-se no relatório.

Noutros indicadores, a instituição mantém “níveis confortáveis de solvabilidade, fixando-se em 44,8% em 2021 face a 43,9% no ano anterior”, ou seja, mais do triplo acima do mínimo regulamentar.

O banco destaca ainda que as plataformas de acesso móvel voltaram a ser “um canal de eleição dos clientes” com um aumento nas adesões de 36% a 267% dentro do leque de aplicações disponibilizadas.

O Millennium bim soma 1,8 milhões de clientes, 199 balcões e 2 500 colaboradores, sendo o principal dos três bancos sistémicos do sistema financeiro moçambicano (segundo a última atualização do banco central), seguido pelo BCI (da CGD e BPI) que em 2021 quase duplicou o resultado líquido.

O Standard Bank, terceiro banco estrutural do sistema registou uma queda de 9,8% no resultado líquido.

A economia moçambicana cresceu 2,16% em 2021, depois de uma contração de 1,28% em 2020.

BM Preocupada em Acelerar Digitalização do Sistema de Pagamentos

Banco de Moçambique (BM) está a elaborar uma visão do Sistema Nacional de Pagamentos (SNP), um instrumento que, entre vários aspectos, deverá conter as acções para acelerar a digitalização de todo o sistema de pagamentos.

Gertrudes Tovela, administradora do Banco de Moçambique, citada pelo Notícias, considera que a instituição tem, nos últimos anos, levado a cabo várias acções que visam modernizar o sistema de pagamentos no país.

Em Moçambique, cabe ao Banco de Moçambique, na qualidade de banco central, implantar padrões de superintendência aplicáveis às infra-estruturas de mercado financeiro, bem como regular o SNP, através de diversos normativos, conceder autorização para a constituição e funcionamento dos diversos operadores de pagamentos, bem como os seus produtos e serviços.

Gertrudes Tovela é citada numa das mais recentes publicações do Banco Central a considerar que a eclosão da pandemia do covid-19 trouxe consigo desafios para todos e acredita-se que está a servir para testar os sistemas de pagamento a nível mundial.

Acrescentou que a pandemia trouxe à vista a necessidade do desenvolvimento de sistemas modernos que privilegiem a automatização e digitalização das transacções financeiras, envolvendo o Governo, instituições de crédito e sociedades financeiras e os consumidores financeiros, necessidade esta que já é parte dos projectos do Banco de Moçambique e do Governo com vista à modernização do SNP.

“Podemos afirmar que a Covid-19 elevou o nível dos pagamentos digitais, mormente no tocante às transferências electrónicas de fundos, tais como pagamentos online, carteira móvel e apps (aplicativos). Com a Covid-19, houve uma necessidade de dar maior primazia aos pagamentos electrónicos, para reduzir o contacto entre pagadores e receptores de pagamentos”, referiu.

Gertrudes Tovela referiu-se também à Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF 2016- 2022) que está na sua fase derradeira: “a aferição que se faz do grau de implementação do plano de acções da ENIF é boa, a avaliar pelo nível de cumprimento das metas globais”.

Sustenta que no que se refere ao planificado, do total das 54 acções estabelecidas na estratégia 17 acções (31,5%) foram realizadas, 21 acções (38,9%) encontram-se em curso, 4 acções (7,4%) ainda não foram iniciadas e 12 acções (22,2%) são de carácter permanente.

Quanto ao nível de envolvimento dos sectores intervenientes, pode-se classificar como bom, tendo em conta que a maior parte das instituições tem vindo a participar de forma activa na implementação das acções estabelecidas pela ENIF 2016-2022, o que é possível avaliar através do ponto de situação que é apresentado, regularmente, nos grupos e subgrupos de trabalho do CNIF.

A administradora do Banco de Moçambique admite, no entanto, que permanecem alguns desafios para a instituição que dirige, na qualidade de Unidade Técnica de Implementação da Estratégia, no que tange ao comprometimento de todas as instituições intervenientes para assumir as responsabilidades sobre as acções para as quais lhe foi incumbido o dever de executar, no período de vigência da ENIF.

“Outro desafio da ENIF é concretizar a meta global de, até 2022, 75% da população ter acesso aos serviços financeiros a menos de 5km do local de residência ou trabalho”, apontou.

Dificuldades de segurança podem contribuir para crescimento do mercado do gás

Os recursos de gás de Moçambique têm potencial para atender a demanda regional e internacional de gás, no entanto, atrasos no desenvolvimento de projetos de gás devido à instabilidade política no país da África Austral continuam a restringir a expansão do mercado.

O crescimento do mercado de gás de Moçambique em 2022 em diante será um divisor de águas para o mercado de hidrocarbonetos da África e ajudará a definir o continente na trajetória para se tornar um centro global de energia, de acordo com as perspectivas do primeiro trimestre de 2022 da Câmara Africana de Energia (AEC), The State da Energia Africana.

Em um momento em que a produção de gás em toda a África precisa aumentar para atender à crescente demanda de energia, fatores como financiamento inadequado em novas atividades de E&P e diminuição da produção em projetos legados estão desafiando a capacidade dos países africanos produtores de hidrocarbonetos de expandir a produção de gás.

No entanto, projetos e investimentos de grande escala feitos em Moçambique – com suas reservas de 100 trilhões de pés cúbicos – podem ajudar a expandir o mercado de gás da África.

Os níveis de oferta versus demanda entre 2022-2025 sugerem que há oferta suficiente de Gás Natural Liquefeito (GNL) para atender à crescente demanda à medida que novos projetos entram em operação em 2022, como o projeto Coral Floating Liquefied Natural Gas (FLNG) em Moçambique, afirma o Outlook da AEC .

O Coral FLNG, composto por cerca de 450 mil milhões de metros cúbicos de gás no Campo Coral Sul na Área 4 na Bacia do Rovuma ao largo da costa de Moçambique, permitirá ao país da África Austral produzir 3,4 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás para exportação para a Europa e Ásia em 2022.

Adicionalmente, o projeto Mozambique LNG de 12,8 mtpa da TotalEnergies e o projeto Rovuma LNG de 15,2 mtpa da Eni e ExxonMobil têm potencial para transformar o mercado regional de gás, posicionando Moçambique como um exportador de gás altamente competitivo. Apesar de ambos os projetos terem sido adiados,

De acordo com o Energy for Growth Hub, o gás de Moçambique pode trazer $ 50 bilhões em investimentos estrangeiros e permitir que o governo obtenha $ 95 bilhões em receitas nos próximos 25 anos com as políticas e investimentos corretos, bem como ambientes políticos atraentes de capital.

Moçambique também pode utilizar as suas reservas de energia para reduzir a pobreza energética, uma vez que a percentagem da sua população que vive sem acesso a energia fiável continua a aumentar de 19,6 milhões em 2007 para mais de 21 milhões em 2017, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

“As reservas de gás de Moçambique têm potencial para resolver a pobreza energética em toda a região da África Austral, ajudando os países vizinhos como o Zimbabué, o Botswana, o Malawi e a África do Sul a satisfazer as necessidades de gás. No entanto, a instabilidade política no país e a falta de investimento em infraestruturas facilitadoras terão de ser abordadas para que Moçambique se torne um dos 10 maiores exportadores globais de GNL”, afirmou NJ Ayuk, Presidente Executivo da AEC.

Apesar de possuir vastas reservas de gás, o progresso de Moçambique no desenvolvimento e monetização continua lento. Isso destaca uma necessidade crescente de o governo estabelecer um ambiente político propício que permita que investidores e grandes empresas internacionais participem do mercado.

A este respeito, a cimeira anual de investimento da AEC, a African Energy Week (AEW), que terá lugar na Cidade do Cabo de 18 a 21 de outubro de 2022, discutirá medidas que o governo de Moçambique pode implementar para acelerar o desenvolvimento da sua indústria de gás .

A AEW 2022 irá acolher painéis de discussão e reuniões de alto nível sobre o papel da indústria de gás de Moçambique na abordagem da pobreza energética em todo o continente africano e como o país pode estabelecer um regime de capital atractivo para impulsionar o seu mercado.