Monday, April 27, 2026
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“País Não Vai Renunciar à Exploração de Carvão Por Enquanto” – MIREME

O Governo moçambicano descarta, por enquanto, a possibilidade de renunciar à exploração de carvão mineral no país, no âmbito da transição energética preconizada pelas Nações Unidas para responder às metas da redução das emissões até 2030.

Esta posição foi defendida recentemente, em Maputo, pelo secretário permanente do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), Teodoro Vales, num seminário intitulado “Desafios e oportunidades para promover uma transição energética inclusiva em Moçambique”.

De acordo com a publicação do Notícias, o MIREME explica a sua posição afirmando que o carvão é o maior contribuinte para equilibrar a balança de pagamentos e fonte crucial de receitas para a economia.

“Fala-se muito da renúncia ao carvão. Porém, o carvão é, nesta altura, o principal contribuinte para a balança de pagamentos e, em segundo lugar, temos as areias pesadas. Por isso, não podemos renunciar a estas fontes de um dia para o outro, pois é necessário que tenhamos condições para o efeito”, disse Teodoro Vales.

Desta feita, o Executivo entende que a transição deve ter sempre em conta as condições existentes no país, apesar do seu peso político e económico. Aliás, é preciso notar que cerca de 60 por cento da população ainda não tem acesso à energia, além de outros desafios ligados ao desenvolvimento que Moçambique enfrenta.

No entanto, assegura que existem outras acções de mitigação em curso no contexto da transição no país, mais viradas para o desenvolvimento de sistemas não poluentes na matriz energética.

Nestes sistemas, destacam-se as energias renováveis, incluindo as centrais hidroeléctricas, bem como outros combustíveis fósseis menos poluentes, como o gás natural. O Governo também estabeleceu a meta de produzir 600 MW de energia até 2024, dos quais 400 MW serão produzidos a partir de gás natural e 200 MW na base solar, eólica e hídrica.

Por sua vez, a Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique, representada por Florival Mucave, entende que a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis é um imperativo global.

A Câmara defende que o país deve discutir amplamente o tema de transição energética, juntando o Governo, o sector privado e a sociedade civil, para produzir uma visão concertada a levar para a próxima cimeira sobre o clima, a ter lugar este ano no Egipto.

Excesso de Liquidez Leva TotalEnergies a Apontar a Aquisições no Sector do GNL com Retoma em Moçambique no Horizonte Próximo

A TotalEnergies acredita que chegou o momento de fazer aquisições nos sectores do gás natural, electricidade e energias renováveis, embora não tenha objectivos específicos em mente.

A “supermajor” francesa tem, por esta altura, e fruto da subida dos preços do gás natural dos mercados, um excesso de liquidez e, embora também tenha já anunciado os dividendos aos accionistas, está nesta altura a estudar formas de aumentar a sua exposição aos sectores de rápido crescimento do mercado energético, nomeadamente novas explorações de GNL e renováveis.

E foi isso mesmo que o CEO da empresa, Patrick Pouyanné, confirmou publicamente na semana passada: “Consideramos que esta poderá ser uma oportunidade para acelerar a transição energética, através do acesso a alguns negócios contra-cíclicos”, assinalou.

“Se nos movermos, será principalmente nos campos de GNL e/ou electricidade e no mercado das renováveis”, disse, advertindo que “não está prevista uma aquisição de grande escala”, até porque, assinalou não é “um grande fã de fusões e aquisições demasiado grandes (porque) a integração é importante”.

E destacou alguns processos de integração que decorreram, segundo o gestor, “com sucesso”, ao longo dos últimos sete anos, como a da Maersk Oil e a dos activos moçambicanos da Anadarko Petroleum, garantindo na altura, a maioria do capital da concessão da Área 1 da Bacia do Rocuma.

Depois, deixou  uma promessa para o curto e médio prazos: “Haverá notícias nos próximos meses, devemos ser pacientes”, disse Pouyanné, salientando ao mesmo tempo que “talvez dentro de duas semanas, surgirão algumas outras notícias para explicar como iremos assegurar o crescimento do GNL da nossa carteira”.

Falando durante o webcast de apresentação de resultados do primeiro trimestre da empresa, Pouyanné garantiu, de resto, que “não há nada de específico, apenas a vontade da administração de utilizar parte destes fluxos de caixa excepcionais para acelerar a nossa estratégia de acordo com o que dissemos anteriormente”.

O bloco Área 1 da Bacia do Rovuma é operado pela Total E&P Mozambique Area 1 Ltd, com uma participação de 26,5%, a ENH Rovuma Área Um, subsidiária da estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, com 15%, Mitsui E&P Mozambique Area1 Ltd. (20%), ONGC Videsh Ltd. (10%), Beas Rovuma Energy Mozambique Limited (10%), BPRL Ventures Mozambique B.V. (10%), and PTTEP Mozambique Area 1 Limited (8,5%).

Os projectos de gás natural da bacia do Rovuma, norte do país, conheceram um revés em Março de 2022, quando a petrolífera francesa evocou a cláusula de “força maior” para suspender o seu investimento de mais de 23 mil milhões de dólares, o maior em África, na sequência de ataques armados na região.

Governo vê na subida do gás oportunidades de investimentos

Governo vê o aumento dos preços do gás como uma oportunidade para projectos acelerados, disse o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, numa entrevista realizada na semana finda em Washington, nos Estados Unidos da América.

Moçambique planeia estabelecer um fundo soberano de riqueza no final deste ano, uma vez que se prepara para iniciar as exportações de gás natural que, segundo o Governo, poderá gerar 96 mil milhões de dólares de receitas para a terceira nação mais pobre do mundo.

Segundo o ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, para garantir o sucesso do plano, há necessidade de o país assegurar que a governação do fundo seja suficientemente robusta.

As autoridades estão em vias de finalizar o projecto de legislação que irá reger a gestão do fundo, acrescentou o ministro numa entrevista realizada, na semana finda, em Washington.

Segundo escreve o jornal Further África, o Governo espera que o fundo esteja operacional antes que as primeiras exportações de gás natural liquefeito de Moçambique comecem a fluir até Outubro a partir de um projecto offshore que a Eni SpA está a desenvolver.

O Banco Africano de Desenvolvimento publicou, em Outubro de 2020, uma proposta de modelo para o fundo, o qual, segundo a instituição, iria acumular poupanças e contribuir para a estabilidade fiscal quando os preços das mercadorias flutuam. Ao abrigo deste plano, metade das receitas do Estado deveria ir para o fundo e o resto para o orçamento do Governo durante as duas primeiras décadas de produção de gás natural liquefeito.

Desde então, os dois maiores projectos de exportação desenvolvidos pela TotalEnergies SE e pela ExxonMobil Corporation estagnaram devido a uma insurgência estatal islâmica, enquanto os preços do combustível subiram desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

A TotalEnergies deverá retomar o seu projecto de 20 mil milhões de dólares para produzir 13,1 milhões de toneladas de GNL anualmente até ao final do ano, uma vez que a situação de segurança melhorou na província de Cabo Delgado, onde está sediada, disse Tonela. A ExxonMobil deverá estar pronta para tomar uma decisão final de investimento no seu projecto ainda maior assim que a TotalEnergies levante a força maior do seu trabalho, disse.

Índice de Robustez Empresarial desce em Moçambique

O Índice de Robustez Empresarial criado pela CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique recuou de 29% para 27% no primeiro trimestre de 2022, anunciou a associação empresarial.

A contração reflete “o efeito combinado” das calamidades naturais, a subida da inflação e o aumento de custos de matérias-primas (petróleo, trigo e óleo alimentar), “em grande parte explicado pelas distorções causadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia”, lê-se numa nota da CTA consultada hoje pela Lusa. Do lado positivo, os empresários destacam o alívio de restrições relacionadas com a covid-19.

Ao nível dos componentes do índice, o indicador de emprego evidenciou um abrandamento (de 125,9 para 115 pontos) entre o quarto trimestre de 2021 e o primeiro deste ano.

Obter emprego em Moçambique passou a ser “relativamente mais difícil no primeiro trimestre de 2022 e, por outro lado, as empresas moçambicanas mostraram-se mais dispostas a contratar trabalhadores temporários do que trabalhadores permanentes”.

Standard Bank obteve lucro de 5 mil milhões de Meticais em 2021

O Standard Bank alcançou um lucro de cinco mil milhões de Meticais em 2021, cerca de nove por cento abaixo do alcançado no ano de 2020.

Com o resultado líquido, o banco diz continuar sólido, mesmo com a sua suspensão no mercado cambial interbancário, o recuo da Total no projecto de gás da Bacia do Rovuma e os efeitos da COVID-19 na economia nacional.

“Este resultado líquido permitiu-nos atingir o retorno aos accionistas dos capitais próprios de cerca de 16.6 por cento. Consideramos que este resultado, de modo geral, é bastante positivo face aos impactos que tivemos em 2021, em termos da pandemia e do impacto que a mesma teve na economia, quer na linha de receitas, quer a de custos”, disse o administrador delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício.

No que toca à sua suspensão do mercado cambial interbancário, a instituição financeira esclarece que continua a trabalhar no sentido de convencer o banco central a regressar.

“Já lá vão nove meses. O que foi levantado foi a suspensão de nós fazermos operações com os clientes e não nos foi levantada a suspensão no interbancário, essa continua a decorrer, na altura anunciaram 12 meses e esperamos que seja isso”, avançou Aparício.

O administrador-delegado explicou ainda que a instituição financeira tem estado a trabalhar com o Banco de Moçambique para resolver todos os problemas que foram identificados.

O Standard Bank apresentou, esta quinta-feira, os seus resultados financeiros do ano 2021.

Empresários Moçambicanos e do Botsuana Trocam Experiências Sobre Oportunidades de Negócios

A Câmara de Comércio de Moçambique considera de importante a criação de condições para a troca de experiências viradas para a economia entre os empresários moçambicanos e do Botsuana.

A ideia foi defendida recentemente por Álvaro Massingue, presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, depois da assinatura de acordos de cooperação, nas áreas de mineração, energia, petróleo, Turismo e Agro-negócios, com a sua congénere do Botsuana.

Falando à margem do Fórum sobre questões de comércio e investimento entre Moçambique e Botsuana, Álvaro Massingue disse que os acordos vão facilitar os negócios entre os empresários dos dois países.

Já os Governadores das províncias de Cabo Delgado e Maputo, Valige Tuabo e Júlio Paruque, respectivamente, indicaram as áreas de recursos minerais, agricultura, transportes e comunicações, como as ilegíveis de cooperação entre aquele país e as suas províncias.

Valige Tuabo e Júlio Paruque, governadores das províncias de Cabo Delgado e da Província de Maputo que integraram na comitiva presidencial na recente visita de Estado de Filipe Nyusi a Botsuana.

Novo Terminal da DP World Aumenta Eficácia Nas Exportações de Citrinos

A DP World em Maputo processou com êxito a primeira exportação de citrinos refrigerados da safra de 2022. Através de uma combinação de novas soluções, incluindo um serviço de navegação directa, a DP World em Maputo provou ser o canal ideal para a indústria citrícola sul-africana que exporta para o Médio Oriente e o Sudeste Asiático.

A região sul-africana de cultivo de citrinos, situada a sul da fronteira de Moçambique e que, numa safra de seis meses, produz mais de 50 000 contentores de 40 pés, tornou-se na segunda maior exportadora mundial de citrinos em 2020.

Desde que obteve a concessão para gerir, desenvolver e operar o terminal de contentores no Porto de Maputo, de acordo com um comunicado, a DP World em Maputo tem procurado fornecer soluções de exportação eficientes aos clientes de Moçambique e dos mercados vizinhos.

Graças à eficiência das operações portuárias, tempos de espera insignificantes e redução de custos para os clientes que utilizam a rota, a DP World em Maputo proporciona aos clientes do interior da África Austral um terminal eficiente e fiável, promovendo o desenvolvimento económico na região.

Para Christian Roeder, CEO da DP World em Maputo, encontrar formas eficientes de exportar os produtos frescos de grande procura, como os citrinos, tem sido uma das prioridades máximas no Porto de Maputo.

“Os fruticultores da África Austral estão a descobrir as vantagens de tempos de trânsito mais curtos através das nossas soluções logísticas seguras, eficientes e integrais. Isto significa uma redução significativa de tempo e dinheiro para os agricultores locais com melhor exposição aos mercados internacionais”, finalizou.

Vale conclui a venda de Moatize à Vulcan

A empresa mineira brasileira Vale concluiu a operação de venda de activos na exploração de carvão em Moçambique à indiana Vulcan Minerals, um negócio de 270 milhões de dólares, anunciou esta terça-feira, 26 de Abril, a companhia.

“A Vale comunica que concluiu no dia 25 de Abril de 2022, o processo de transmissão responsável da operação de Moatize e do Corredor Logístico de Nacala para a Vulcan Resources, com base no acordo vinculativo da venda de activos”, anunciado em Dezembro, referiu a Vale Moçambique, numa nota à comunicação social.

As minas ficam situadas na província de Tete, centro do país, e, segundo a Vale, a transação obedeceu às condições definidas por lei, entre as quais as “aprovações dos governos de Moçambique e do Maláui”.

Segundo a nota da mineradora, as duas empresas vão continuar a colaborar na “implementação de sistemas, processos e procedimentos, para garantir a continuidade das operações”.

A Vale esteve presente em Moçambique por 15 anos, tendo explorado a mina de Moatize e 912 quilómetros de ferrovia no Corredor Logístico de Nacala para o transporte de carvão.

No início de 2021 a empresa anunciou a pretensão de “desinvestir dos seus ativos de carvão” e apostar em “mineração de baixo carbono”.

A Vulcan é uma empresa privada indiana que faz parte do Jindal Group, com um valor de mercado de 18 mil milhões de dólares, e que já está presente em Moçambique, operando a mina Chirodzi, localizada também na região de Tete.

Botswana passa a exportar carvão via Porto de Maputo

O PORTO de Maputo passou a ser uma das rotas para a exportação de carvão mineral extraído no Botswana, com a chegada, ontem, do primeiro comboio de 40 vagões com duas mil toneladas deste tipo de mercadoria.

A exportação desta carga constitui a materialização dos acordos alcançados nas conversações havidas entre os presidentes de Moçambique, Filipe Nyusi, e do Botswana, Mokgweetsi Masisi, no quadro da visita que o estadista moçambicano efectuou, há dias, a este país da África Austral.

Em declarações prestadas ao “Notícias”, momentos após a chegada do comboio, Augusto Abudo, director executivo dos CFM-Sul, explicou que a locomotiva chegou a Maputo depois de percorrer cerca de 1400 quilómetros, divididos entre o Botswana, Zimbabwe e Moçambique.

Em território nacional, o comboio percorreu cerca de 500 quilómetros, a partir da fronteira de Chicualacuala, na província de Gaza.

A carvão que ontem chegou ao Porto de Maputo foi extraído da mina de Morrupule, na região mineira de Palapye, no Bostwana.

A ideia, segundo Augusto Abudo é, numa primeira fase, os exportadores tswanas passarem a transportar por Maputo 32 mil toneladas de carvão mineral por mês, o equivalente a uma média de quatro comboios por semana.

TotalEnergies e Shell planejam perfuração de exploração offshore na África do Sul

A TotalEnergies e a Shell estão considerando perfurar poços de exploração de petróleo na costa sudoeste da África do Sul, informou a Bloomberg News.

A medida ocorre meses depois que duas tentativas anteriores de realizar pesquisas sísmicas na costa do país enfrentaram desafios legais.

A SLR Consulting foi contratada para realizar uma avaliação ambiental para o programa de exploração proposto.

No aviso, visto pela Bloomberg, a SLR disse que a TotalEnergies está buscando comentários de empresas “interessadas e afetadas”. Convidou também as empresas potenciais a participar em reuniões públicas sobre o programa proposto.

A SLR disse: “O principal objetivo da fase de pré-candidatura é fornecer notificação inicial às partes interessadas e, especificamente, identificar e desenvolver o banco de dados das partes interessadas para o projeto”.

A TotalEnergies planeja realizar a perfuração de exploração em um poço na área. Com base na perfuração bem-sucedida, o trabalho incluirá mais quatro poços.

Em nome da TotalEnergies, foi emitido um aviso em três idiomas na África do Sul. Incluiu um plano de exploração detalhado para uma parte de 10.000 km² de um bloco, na costa entre a Cidade do Cabo e o Cabo das Agulhas.

Localizado entre 60km e 170km da costa, o bloco cobre lâminas d’água que variam de 700m a 3,2km.

A Petroleum Oil and Gas Corp. do governo da África do Sul é parceira no programa proposto.

Em 2019 e 2020, a TotalEnergies anunciou duas descobertas de condensado de gás na costa sul-africana.

Em um anúncio separado em Moçambique, o Société Générale (SocGen) foi selecionado pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique como o consultor financeiro para o seu plano de refinanciamento de uma participação no Gás Natural Liquefeito Flutuante (GNL) de US$ 7 bilhões, liderado pela Eni. projeto, informou a Bloomberg News.

A medida surge no momento em que a entidade estatal moçambicana pretende capitalizar os preços crescentes do gás, que aumentaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O Ministro das Finanças de Moçambique, Max Tonela, disse: “Agora é mais atractivo para eles e menos arriscado estar envolvido.

“Agora, a ENH tem mais capacidade de angariar financiamento para desempenhar o seu papel de concessionária.”

O projeto Coral, localizado na costa norte de Moçambique, está previsto para iniciar a produção em outubro de 2022.

No início deste mês, a TotalEnergies anunciou que concordou em colaborar com a Sempra Energy nas exportações de GNL para ajudar a reduzir a dependência da Europa da energia russa.