Tuesday, June 30, 2026
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Trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa

De acordo com as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, as trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa em Janeiro de 2021 foram de USD 13,139 mil milhões, um aumento homólogo de 4,5 por cento, e um aumento de 2,14 por cento face ao mês anterior.

As importações da China dos Países de Língua Portuguesa foram de US$8,254 mil milhões, um decréscimo homólogo de 0,24 por cento, e um aumento de 3,5 por cento face ao mês anterior, enquanto as exportações da China para os Países de Língua Portuguesa foram de US$4,886 mil milhões, um aumento homólogo de 13,61 por cento, e um aumento de 0,3 por cento face ao mês anterior.

Seminários MozUp: Sector do Petróleo e gás para as empresas

O MozUp tem como objectivo promover o desenvolvimento de empresas moçambicanas (Micro, Pequenas e Médias Empresas – MPMEs) mediante a transferência de conhecimentos e capacitando-as com vista a serem mais competitivas nos diversos sectores de crescimento de Moçambique, incluindo na cadeia de aprovisionamento de gás natural liquefeito (GNL).

Em Maio 2021, a organização irá organizar três seminários (1 presencial e 2 online e grátis), que proporcionam às MPMEs a informação e o conhecimento necessários para participarem no sector do petróleo e gás, assim como a acederem a potenciais oportunidades de negócio em Moçambique. Os eventos terão a seguinte agenda:

– Seminário sobre Introdução ao Gás Natural Liquefeito, dia 7 de Maio de 2021, duração: 2horas 30m período da manhã. Link registo:

https://pt.surveymonkey.com/r/MozUp_Intro_GNL

– Seminário sobre Protecção, Segurança, Saúde e Educação Ambiental (SSHE), dias 12 e 13 de Maio de 2021, duração: 1hora 30m período da manhã. Link registo:

https://pt.surveymonkey.com/r/MozUp_SSHE

– Seminário sobre Introdução aos Processos e Requisitos de Procurement , dias 26 e 28 de Maio de 2021, duração: 3 horas período da manhã (presencial) – Limite 15 participantes. Link registo:

https://pt.surveymonkey.com/r/MozUp_Procurement

Como participar?

Se a sua empresa estiver interessada em participar no seminário acima mencionado, faça o registo dos participantes no respectivo link. O mesmo irá fechar assim que atingirmos os 50 participantes e 2 dias antes de cada formação.

Como obter mais informação?

A nossa equipa encontra-se disponível para qualquer informação através do nosso website, https://mozup.org/, e redes sociais.

Siga a MozUp para ficar a saber mais sobre as suas actividades e registar-se em futuras iniciativas através dos seguintes links:

  • LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/mozupedc/
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Moçambique poderá sair da recessão durante o segundo trimestre de 2021

O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, disse ontem acreditar ser provável que Moçambique saia da recessão durante o segundo trimestre de 2021, uma vez que o país está a passar por um abrandamento das restrições relacionadas com a pandemia do COVID-19.

Os efeitos de base explicam grande parte do crescimento esperado, visto que a conjuntura ainda aponta para uma procura agregada moderada e um claro sentimento negativo, na sequência de uma série de ataques terroristas que originaram uma situação humanitária na província do norte do país, Cabo Delgado e mais atrasos na implementação de projetos de gás natural liquefeito (GNL).

“Assim, as nossas previsões de crescimento a médio e longo prazo foram revistas em baixa, devido ao declíneo esperado do investimento directo estrangeiro, inevitavelmente acentuado, na sequência da declaração de força maior da Total relativamente ao seu projeto de GNL. É pouco provável que o crescimento médio do PIB exceda o crescimento populacional que se situa entre 2,5%-3% ao ano. Esta diminuição das perspectivas de crescimento tem implicações macroeconómicas muito importantes devido às pressões fiscais” explicou Fáusio Mussá.

O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, considerou por outro lado os desafios do país, inerente os atuais desafios de segurança, a incerteza de resposta em termos de políticas, a COVID-19, e os eventos climáticos, prevemos que o dólar americano e o metical encerrem o ano com um valor de aproximadamente 60,7 no cenário bull, 65,4 no cenário de base e 70,1 no cenário bear.

Observando a inflação do final do ano no cenário base aponta para 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com uma previsão de recuperação do PIB a manter-se baixa num crescimento anual de apenas 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.”

Registado aumento de produção das empresas

Em Moçambique, as condições das empresas aumentaram pela primeira vez em mais de um ano durante o mês de Abril, tendo os últimos dados do inquérito PMITM mostrado sinais iniciais de uma recuperação do impacto da pandemia de Covid-19.

As empresas verificaram novos aumentos tanto na produção como nas novas encomendas, levando a uma forte subida na aquisição de meios de produção e na reposição de inventários. Isto coloca pressão adicional nos custos dos meios de produção, que subiram ao ritmo mais elevado desde Março de 2020. A confiança nas empresas relativamente à produção futura atingiu um pico de 16 meses, mas os números do emprego continuaram a cair.

O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ IndexTM (PMI). Valores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que valores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. Em Abril com 51,3, registando uma subida em relação a Março com 49,1, o principal indicador do PMI verificou o seu primeiro registo acima do valor neutro de 50,0 desde Fevereiro de 2020. Isto assinala a primeira melhoria nas condições das empresas desde que a economia sofreu o primeiro impacto da pandemia de Covid-19 e das restrições associadas. As empresas inquiridas registaram um novo período de expansão nos níveis de produção durante Abril, que foi atribuído, em grande parte, ao aumento da afluência de novas encomendas e do número de clientes. A recuperação geral na produção foi sólida, com aproximadamente 22% das empresas a registarem mais atividade do que em Março.

Consequentemente, a actividade de aquisição aumentou ao ritmo mais elevado em mais de um ano e meio, já que as empresas procuraram reforçar os seus stocks, antecipando novos aumentos na procura e nos preços das matérias-primas. O aumento da procura de meios de produção incentivou uma melhoria no desempenho do fornecimento, uma vez que os fornecedores enfrentaram uma forte concorrência, com os prazos de entrega a diminuir a um ritmo sólido.

Os números do emprego caíram pelo terceiro mês consecutivo, originando, contudo, pressões sobre a capacidade produtiva em várias empresas. Designadamente, as encomendas em atraso aumentaram para os valores mais elevados desde o início do inquérito, há seis anos.

Em Abril, os preços dos meios de produção foram mais elevados devido, em grande parte, a um aumento acentuado nos custos de aquisição, que foi atribuído a uma maior procura de matérias-primas. Os custos gerais dos meios de produção aumentaram ao ritmo mais elevado desde Março de 2020. As empresas transferiram estes custos para os clientes através de uma subida nos preços de venda, apesar de a inflação ter diminuído ligeiramente desde o período do inquérito anterior. Por último, em Abril, a confiança das empresas relativamente aos próximos 12 meses da actividade do sector privado foi bastante positiva.

Mais de dois terços dos inquiridos esperam que a produção aumente, mostrando esperança numa maior afluência de novos negócios, em mais exportações e na abertura de novas sucursais.

Como resultado, o nível de optimismo foi o mais elevado desde o final de 2019.

Empresários da CECPLP defendem a criação do Banco de Desenvolvimento

Empresários da Comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP) defendem a criação de um banco ou fundo de desenvolvimento na organização, com vista a apoiar o surgimento de novos negócios, viabilizando financiamento para a execução dos projectos do bloco.

A ideia foi partilhada ontem, em Malambo, na Guiné Equatorial, pelo presidente da Confederação Empresarial da CPLP, Salimo Abdula, na abertura da primeira Cimeira de Negócios deste fórum, que decorre até amanhã, que instou os governos dos países-membros a aceleraram o processo da criação do Banco de Desenvolvimento da Comunidade.

Segundo Abdula, a efectivação desta ideia será uma mais valia para o desenvolvimento dos países da comunidade pois facilitará o acesso ao financiamento.

“Este banco será uma ferramenta que passará a apoiar projectos bons de pequeno, médio ou grande porte, ultrapassando, assim, a dificuldade de acesso ao financiamento que muitas vezes tem um elevado custo nos países da comunidade, inviabilizando os referidos projectos”, argumentou Salimo Abdula, presidente da Confederação Empresarial da CPLP.

Apesar de unidos por uma mesma língua e interesses económicos, pode haver conflito entre os estados-membros, daí que Salimo Abdula propõe a criação de um tribunal de arbitragem.

“Este tribunal, traria mais eficácia para dirimirmos litígios entre empresários da comunidade. Neste momento, este projecto se encontra em uma fase muito avançada. Foi constituída uma missão que está a trabalha afincadamente no tema e já produziu várias propostas de documentos e elaborou um questionário com perguntas que visam definir um modelo ideal para a construção do referido tribunal arbitral”, revelou Salimo Abdula.

Porque a abertura da cimeira coincidiu com o dia mundial da língua portuguesa, o secretário-executivo da CPLP disse que o português, factor de união entre os países do bloco, deve servir de ferramenta para ao desenvolvimento da comunidade.

“A língua portuguesa esteve na criação e é matriz identitária da CPLP, permanecendo, até hoje, como um pilar fundamental e um elemento congregador, de todos os países e povos que a partilham. A língua, a cultura, a história e uma vivência comum continuam a unir-nos e a possibilitar que juntos projectemos um futuro cada vez melhor para os nossos povos com mais mobilidade, por oportunidades, mais cooperação, desenvolvimento e laços de amizade mais fortes”, indicou Francisco Ribeiro Telles, secretário-executivo da CPLP.

A primeira cimeira de negócios da Confederação Empresarial da CPLP decorre sob o lema: Juntos somos mais fortes e fazemos o mundo avançar.

AMPME cria estratégias de desenvolvimento para as empresas

A Associação Moçambicana de Micro, Pequenas e Médias Empresas (AMPME) irá envolver as suas quase 600 empresas afiliadas em todo o país em programas de capacitação, destinados a melhorar o conteúdo local e outras ferramentas para um melhor controlo de qualidade dos seus produtos.

A fim de alcançar estes objectivos, a APME, e a African Management Service Company (AMSCO), um organismo pan-africano de serviços de consultoria, e a agência de assistência técnica Nunisa, assinaram na terça-feira em Maputo um Memorando de Entendimento (MoU) com uma duração de dois anos.

O memorando foi assinado pelo presidente da APME, Feito Tudo Male, e pelos representantes da AMSCO e da Nunisa, Hélia Nsthandoca e João Sixpence, respectivamente.

Ao abrigo do Memorando de Entendimento, a AMSCO e a Nunisa prestarão assistência às micro, pequenas e médias empresas em áreas como a governação empresarial, liderança, gestão e operações. A parceria centrar-se-á no desenvolvimento organizacional, e na elaboração conjunta de projectos de promoção empresarial, mas também produzirá provas que ajudarão a AMPME na tomada de decisões de base científica.

Feito Tudo Male, disse a associação, fundada em 2015, é constituída por 600 micro, pequenas e médias empresas. Disse que “têm um papel fulcral para a economia do país. Estudos recentes indicam que representam cerca de 98 por cento das empresas moçambicanas, empregando uma grande maioria de cidadãos que contribuem com cerca de 75 por cento do Produto Interno Bruto”.

Apesar dos esforços para melhorar o ambiente empresarial, Male salientou que estas empresas têm enfrentado uma vasta gama de desafios a fim de se tornarem robustas, representativas e inclusivas.

Com o memorando, Male acredita que foram criadas condições para o reforço da capacidade intelectual e institucional da APME, para a promoção do desenvolvimento de capacidades e outras iniciativas que irão impulsionar o desenvolvimento.

A representante da AMSCO, Helia Nsthandoca, disse que a capacitação institucional irá, entre outras questões, ajudar as empresas na construção de práticas de mercado padrão, que são actualmente diversas, dificultando assim o acesso a oportunidades de negócio e financiamento.

Contribuintes do INSS têm suas multas perdoadas pelo Governo

O Governo reunido esta terça-feira, em Maputo, em mais uma sessão do Conselho de
Ministros, aprovou o perdão de multas e redução de juros de mora de contribuintes do
Instituto Nacional de Estatística (INSS). A medida abrange todas as entidades empregadoras e trabalhadores por conta própria que estejam em dívidas com o Governo.

Segundo o porta-voz do executivo, Ludovina Bernardo, que participou da reunião, as decisões enquadram-se no âmbito da mitigação dos efeitos da pandemia da Covid-19.

“O perdão de multas e redução de juros aplicam-se às entidades empregadoras, aos trabalhadores por conta própria, com dívidas de contribuições, multas e juros ou que tenham interesse em aderir, incluindo aquelas que, por quaisquer motivos, nunca se inscreveram no Sistema de Segurança Social Obrigatória, ou que tenham processos pendentes de cobrança coerciva da dívida de contribuições”, informou.

Dentre as várias decisões tomadas pelo Governo, destaca-se a recondução de Carlos Joaquim Zacarias para o cargo de presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleo.

 “O conselho de ministros apreciou e aprovou a resolução que determina a recondução de Carlos Joaquim Zacarias para o cargo de Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Petróleos”, afirmou.

Ainda no Conselho de Ministros desta terça-feira, o Governo aprovou “a resolução que ractifica o Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo da República de Moçambique e o Governo da República Federativa do Brasil, aos 30 de Março de 2015, em Maputo”.

Foi também aprovada uma resolução que ractifica o acordo do donativo de 104 milhões de dólares norte-americanos, destinado ao melhoramento do desenvolvimento de competências em Moçambique.

“O Governo apreciou e aprovou a resolução que ractifica o Acordo de Donativo número D716MZ, celebrado entre o Governo da República de Moçambique e a Associação de Desenvolvimento Internacional (IDA), no dia 3 de Novembro de 2020, no montante de 104 milhões de dólares norte-americanos, destinado ao Projecto de Melhoramento de Desenvolvimento de Competências, em Moçambique (MOZSKILLS)”, destacou a governante.

Na terça-feira,(04), o executivo olhou ainda para o ponto de situação do Contrato de Concessão à empresa de Estradas do Zambeze.

 

Dívida do país com futuro cada vez mais preocupante devido ao adiamento do megaprojecto da Total

O adiamento, por um ano, do megaprojecto de gás natural da empresa francesa Total em Afungi, na província de Cabo Delgado, traz problemas para a dívida do país que fica numa situação cada vez mais preocupante, diz o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).

O responsável da Total Jean-Pierre Sbraire anunciou, na semana passada, que o grupo deverá adiar pelo menos um ano o projecto de gás natural em Moçambique liderado pela empresa, que vale 20 mil milhões de dólares. O director financeiro do projecto confirmou ainda que a Total retirou todo o seu pessoal na sequência de um ataque de insurrectos no mês passado, sendo que uma parte tinha já sido retirada em Janeiro.

 “Obviamente, estes acontecimentos (ataques dos grupos de insurrectos) vão ter impacto no projecto e esperamos neste estádio um impacto de uma demora de pelo menos um ano”, disse Sbraire.

A Total esperava começar a produzir gás natural no projecto Mozambique LNG em 2024, e o adiamento agora anunciado quer dizer que isso não deverá acontecer antes de 2025.

Antes da Total, a agência Fitch Ratings já tinha avançado um atraso de dois anos no início da produção de gás natural pela Total devido às incertezas sobre a restauração das condições de segurança em Palma.

“A suspensão da Total significa que esperamos agora um significativo atraso no início do projecto, e revimos a nossa estimativa de início de produção de gás do projecto Mozambique LNG para 2026, um adiamento de dois anos face à nossa previsão anterior, de 2024”, escrevem os analistas da agência Fitch.

Na sexta-feira da semana passada, lembra o CDD, o Governo moçambicano garantiu à petrolífera francesa “total empenho” para restabelecer a segurança em Cabo Delgado, condição essencial para a retoma dos trabalhos do projecto. A garantia foi dada nas reuniões entre os ministros dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, e da Defesa Nacional, Jaime Neto, e o responsável da Total para Pesquisa e Produção, Arnaud Breuillac.

“Esperamos que as ações levadas a cabo pelo Governo de Moçambique e dos seus parceiros regionais e internacionais venham permitir a segurança e estabilização da região de Cabo Delgado de modo sustentado”, disse Jean-Pierre Sbraire.

A pressão sobre Moçambique aumenta à medida em que se aproximam as datas da viagem do Presidente da República à França, onde irá discutir a questão de segurança em Cabo Delgado com o Presidente francês Emmanuel Macron. Uma viagem à Paris sem nenhum plano convincente ou solução à vista para o problema de Cabo Delgado poderá ser vista como um convite para a Total impor uma força estrangeira com objectivo de garantir a segurança no complexo de Afungi e áreas circundantes, num raio de 25 quilómetros.

Importa repisar que a capacidade de inverter a insustentabilidade da dívida pública depende da evolução dos projectos de LNG.

A mais recente Análise de Sustentabilidade da Dívida (DSA) do Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Moçambique está numa situação de sobre-endividamento (debt distress). Esta condição é agravada pela falta de opções de financiamento externo devido ao seu perfil de crédito não favorável, o que tem levado ao alto endividamento interno sujeito a elevadas taxas de juro que, por sua vez, aumentam a pressão fiscal a curto e médio prazo.

Em 2019, Moçambique situou-se no “top 10” das economias com a maior dívida pública (em percentagem do PIB) ao nível mundial, e no “top 3” ao nível de África, para além de actualmente integrar o grupo dos Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) devido à fragilidade da sua economia e ao facto de estar a enfrentar um fardo insustentável da dívida, mesmo após a utilização integral de mecanismos tradicionais de alívio da dívida. Perante este cenário, a única esperança para redução dos altos níveis de dívida pública está assente nos projectos de LNG da bacia do Rovuma.

Em Abril de 2020, o FMI considerou a dívida moçambicana como sendo sustentável numa perspectiva futura, tendo como pressupostos: i) Com o ambiente global marcado por preços de energia mais baixos e condições de financiamento mais restritas, a ExxonMobil e seus parceiros atrasariam o Decisão Final de Investimento (DFI) para 2021 e iniciariam a produção de LNG em 2026; ii) Os megaprojetos de LNG liderados pela Total e ENI avançariam conforme programado porque suas as DFI já foram alcançadas; iii) Início da produção de GNL em 2023, o que resultaria em aumento significativo do crescimento real do PIB e os indicadores fiscais e externos começariam a melhorar significativamente.

O CDD chamou a atenção para o excesso de optimismo na avaliação do FMI, tendo em conta os diversos riscos e incertezas de curto e médio prazo que os projectos de LNG enfrentavam em Moçambique.

O adiamento da DFI da ExxonMobil para depois de 2023 e da produção da Total para depois de 2024 evidenciam não só a concretização dos riscos para os quais o CDD chamava a atenção, mas também o quão distante o País está do cenário optimista desenhado pelo FMI.

Menos optimista esteve o Banco Mundial que em Fevereiro último considerou que a DFI do projecto Rovuma LNG só poderia ocorrer em 2025 e que a produção poderá começar em 2030.

Adiamentos nos projectos de Rovuma incapacitam ENH de pagar a sua dívida.

Portanto, a deterioração das condições de segurança em Cabo Delgado arrasa com todos os pressupostos de sustentabilidade da dívida pública numa perspectiva de médio prazo e adia os benefícios dos projectos de gás da bacia do Rovuma para os moçambicanos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) traçou em Abril de 2020 uma possibilidade de um cenário optimista para a dívida moçambicana (o país está entre os dez mais endividados do mundo), mas este, sublinha o CDD, era muito dependente da produção de gás natural começar já em 2023. Outras empresas com projectos na região tiveram também adiamentos pela degradação das condições de segurança. 

Oportunidades da CPLP discutidas na Guiné Equatorial

Realiza-se em Malabo, capital da Guiné Equatorial, a primeira cimeira de negócios da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP).  Durante a Cimeira, espera-se que sejam discutidas as oportunidades de negócios existentes na comunidade da CPLP e como aumentar os níveis de exportação deste mercado.

Este encontro de três dias contará com cerca de 250 empresários de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial e Portugal, dos quais 37 são moçambicanos ávidos por representar parcerias e encontrar mercado para a colocação de diversos produtos que o país produz .

Salimo Abdula, Presidente da CE-CPLP mencionou que dentre os vários assuntos que serão discutidos pelos empresários, estarão temas como energia, petróleo e gás, turismo e hotelaria, agricultura, saúde, transportes entre outros.

Segundo Salimo Abdula, esta é a primeira Cimeira económica da CE-CPLP que procura seguir a agenda do sector empresarial rumo aos objectivos do pilar económico da comunidade que ainda está em construção. 

“A cidade de Malabo foi escolhida para acolher a Cimeira porque a Guiné Equatorial se ofereceu para cooperar com a CE-CPLP” afirmou.

A Cimeira contará para além de empresários, com alguns chefes de Governos dos países da CPLP, destacando-se os Presidentes da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Bissau, Umaro Sissoco Embaló, de São Tomé e Príncipe, Evaristo do Espírito Santo Carvalho e de Cabo Verde, José Carlos Fonseca, que poderá participar virtualmente, pelo que nota-se a importância da participação de mais empresários moçambicanos, estando disponível o dia de hoje para a inscrição de mais empresários.

Importa recordar que a Cimeira de Negócios da CE-CPLP, tinha sido agendada para os dias 14 a 16 de Fevereiro do ano em curso, tendo sido adiada devido ao agravamento da pandemia do Coronavírus. O Governo da Guiné Equatorial propôs a realização da Cimeira para os dias 5 a 7 de Maio, coincidindo o início da Cimeira com a comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que poderá ser mais um marco de referência neste grande evento da Comunidade. 

 

Sobre a CPLP

Importa frisar que a CPLP foi sonhada por muitos ao longo dos tempos.Em 1983, no decurso de uma visita oficial a Cabo Verde, o então ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama, referiu que: “O processo mais adequado para tornar consistente e descentralizar o diálogo tricontinental dos sete países de língua portuguesa espalhados por África, Europa e América seria realizar cimeiras rotativas bienais de Chefes de Estado ou Governo, promover encontros anuais de Ministros de Negócios Estrangeiros, efectivar consultas políticas frequentes entre directores políticos e encontros regulares de representantes na ONU ou em outras organizações internacionais, bem como avançar com a constituição de um grupo de língua portuguesa no seio da União Interparlamentar”.

O processo ganhou impulso decisivo na década de 90, merecendo destaque o empenho do então Embaixador do Brasil em Lisboa, José Aparecido de Oliveira. O primeiro passo concreto no processo de criação da CPLP foi dado em São Luís do Maranhão, em Novembro de 1989, por ocasião da realização do primeiro encontro dos Chefes de Estado e de Governo dos países de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, a convite do Presidente brasileiro, José Sarney. Na reunião, decidiu-se criar o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), que se ocupa da promoção e difusão do idioma comum da Comunidade.

Em Fevereiro de 1994, os sete ministros dos Negócios Estrangeiros e das Relações Exteriores, reunidos pela segunda vez, em Brasília, decidiram recomendar aos seus Governos a realização de uma Cimeira de Chefes de Estado e de Governo com vista à adopção do acto constitutivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Os ministros acordaram, ainda, no quadro da preparação da Cimeira, a constituição de um Grupo de Concertação Permanente, sediado em Lisboa e integrado por um alto representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal (o Director-Geral de Política Externa) e pelos Embaixadores acreditados em Lisboa (única capital onde existem Embaixadas de todos os países da CPLP).

Os sete Ministros voltaram a reunir-se em Junho de 1995, em Lisboa, tendo reafirmado a importância para os seus países da constituição da CPLP e reiterado os compromissos assumidos na reunião de Brasília. Nessa ocasião, validaram o trabalho realizado pelo Grupo de Concertação Permanente (que passou a denominar-se Comité de Concertação Permanente) e concordaram em recomendar a marcação da Cimeira para o final do primeiro semestre de 1996, em Lisboa, fazendo-a preceder de uma reunião ministerial em Abril do mesmo ano, em Maputo. A 17 de Julho de 1996, em Lisboa, realizou-se a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que marcou a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entidade reunindo Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Seis anos mais tarde, em 20 de Maio de 2002, com a conquista de sua independência, Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro da Comunidade. Depois de um minucioso processo de adesão,  em 2014, a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro de pleno direito.

As acções desenvolvidas pela CPLP têm objectivos precisos e traduzem-se em directivas concretas, voltadas para sectores prioritários, como a Saúde e a Educação, a Segurança Alimentar e o Ambiente, entre outros domínios. Para tal, procura-se mobilizar interna e externamente esforços e recursos, criando novos mecanismos e dinamizando os já existentes.

Neste esforço, são utilizados não apenas recursos cedidos pelos governos dos países membros, mas também, de forma crescente, os meios disponibilizados através de parcerias com outros organismos internacionais, organizações não-governamentais, empresas e entidades privadas, interessadas no apoio ao desenvolvimento social e económico dos países de língua portuguesa.

No tocante à concertação político-diplomática, tem-se dado expressão crescente aos interesses e necessidades comuns em organizações multilaterais, como, por exemplo, a ONU, a FAO e a OMS.

Nos fora regionais e nas negociações internacionais de carácter político e económico, a CPLP tem-se assumido como um factor capaz de fortalecer o potencial de negociação de cada um de seus Estados-membros.

No campo económico, procura-se aproveitar os instrumentos de cooperação internacional de um modo mais consistente , através de uma concertação regular entre os Nove e da articulação com outros atores. Outro ponto importante em que se tem vindo a desenvolver esforços significativos é o da cooperação empresarial.

Para a valorização e difusão do idioma comum, realça-se o papel crescente que é exercido pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), sediado em Cabo Verde, assim como pelo Secretariado Executivo da CPLP, que desenvolveu uma rede de parcerias voltadas para o lançamento de novas iniciativas nas áreas da promoção e difusão da língua portuguesa. (Texto retirado do site da CPLP. https://www.cplp.org/id-2752.aspx  acesse o link para mais informações sobre a comunidade)

Indicador de Clima Económico abaixo da média no 1T

O Indicador de Clima Económico (ICE) moçambicano, que mede a confiança dos empresários, “registou uma queda ligeira no primeiro trimestre de 2021, após sinais de recuperação no trimestre anterior”, segundo anunciado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O ICE fixou-se em 86,7 pontos no primeiro trimestre de 2021, face a 86,9 no primeiro trimestre de 2020 e a um valor médio de 100.

“Em termos setoriais, a conjuntura desfavorável da economia no período em análise deveu-se à apreciação negativa do indicador nos setores de alojamento, restauração e similares, de transportes e da produção industrial, suplantando assim os setores da construção, do comércio, bem como de outros serviços não financeiros que registaram uma avaliação positiva no mesmo período em análise”, lê-se no boletim.

O ICE faz parte do boletim de indicadores de Confiança e de Clima Económico uma publicação mensal sobre a conjuntura de Moçambique, compilada com base num inquérito realizado todos os meses pelo INE às empresas do sector não financeiro.

“O estudo expressa a opinião de agentes económicos acerca da evolução e perspetiva da sua atividade, particularmente sobre emprego, procura, encomendas, preços, produção, vendas e limitações de atividade”, explica a autoridade estatística moçambicana.