Monday, June 29, 2026
spot_img
Home Blog Page 530

São necessárias reformas para o país não depender da indústria extractiva

Para que Moçambique deixe de depender de receitas da indústria extractiva para o pagamento da sua dívida, em 2024, economistas dizem que só um profundo diagnóstico da situação da economia, aliado à vontade política para implementar reformas económicas arrojadas.

A agência de notação financeira Moody’s considera que Moçambique está em risco de entrar novamente em Incumprimento Financeiro (default) em 2024 se a produção de gás se atrasar e comprometer o aumento previsto das receitas, dada a decisão da companhia Total de interromper as suas actividades em Palma.

O economista António Francisco diz que esta é uma situação que pressiona fortemente Moçambique, que na sua opinião, “praticamente já entrou numa situação de falência, e isto significa que da parte dos compromissos do país, estão a ser violados”.

Defende aquele economista que só reformas efectivas e transparentes podem fazer com que Moçambique saia desta situação, sublinhando que a mesma precisa de medidas de choque, partindo da atitude do próprio Estado.

 

Paraíso fiscal

Francisco realça que “em vez de dizer que vamos produzir, porque o Estado não produz nada, o Estado deve criar condições para que os produtores produzam, e em vez de transformar o país num inferno fiscal, é preciso transformá-lo num paraíso fiscal”.

Para o economista Lourenço Sambo, a economia moçambicana tem sérios problemas estruturais que precisam de ser resolvidos para que possa ser sustentável e permita o pagamento da dívida do país.

Sambo defende que, no domínio das reformas, é preciso capitalizar o papel das pequenas e médias empresas no desenvolvimento, “porque esta economia precisa de massificar e aumentar a renda e só se pode fazer isso com as pequenas e médias empresas”.

Para Sambo, as reformas devem ser, principalmente, no domínio da produção, “porque não produzimos o suficiente, e o que este país precisa de fazer é parar de tirar para fora os recursos naturais e transformá-los em riqueza”.

 

Refém do petróleo e gás

Por seu turno, o economista Hélder Muteia, entende que a riqueza também pode resultar de uma forte aposta na agricultura e agro-indústria, não apenas na indústria extractiva, porque isso coloca o país refém do petróleo e gás.

Anotou que 70 por cento dos agricultores em Moçambique trabalham em regime de subsistência, “sendo que é preciso transformá-los em agricultores em regime comercial, e isso significa apostar na transformação da agricultura”.

“Não podemos pensar apenas na grande indústria; qual é o papel da pesca, da pequena indústria, do turismo?”, interroga-se aquele economista.

Por seu turno, o economista João Mosca, entende ser fundamental que Moçambique trabalhe no sentido da diversificação da sua economia, para que não dependa, fortemente, das receitas do petróleo e gás, produtos cujos preços estão sujeitos a frequentes flutuações do mercado internacional, ao mesmo tempo que se esforce por tomar medidas relacionadas com a dívida pública.

 

Insustentabilidade

Mosca afirma ser necessário encontrar formas de travar o crescimento do endividamento interno e externo, “que coloca Moçambique cada vez mais numa situação insustentável; o Governo tem que tomar medidas sérias relacionadas com as dívidas ocultas e com reformas ligadas ao Estado e às empresas públicas”.

“Para além disso”, destaca o economista Ananias Matusse, “é fundamental também que o Governo mude a forma como encara o empresariado moçambicano, nos diferentes sectores de actividade, porque essa é uma das formas de evitar que a economia fique refém de recursos energéticos.

Na sua opinião, “Moçambique não tem empresários de verdade; nós temos empresários de comissões, porque é preciso ter ligações político-partidárias para o seu negócio andar, e isso não ajuda; é preciso que os empresários tenham acesso rápido ao crédito”.

Isto numa altura em que algumas vozes questionam o processo de privatização de empresas públicas, entre as quais os Correios de Moçambique.

Para alguns economistas, este processo, que peca por tardia, tem de ser feito de forma transparente.

Número de mulheres em posição de liderança cresce na EDM

A Electricidade de Moçambique (EDM), passou de 18 mulheres em posições de liderança, em 2014, para 26, em 2021, sendo um crescimento de 8%.

A EDM “tem actualmente 18% de representação feminina na sua força de trabalho, um número considerável tendo em conta o facto de a empresa operar num sector tradicionalmente masculino”, lê-se num comunicado da empresa, acrescentando que isto vai ao encontro do compromisso da empresa de aumentar a presença feminina na organização para 40% até 2030.

Na mensagem enviada aos trabalhadores no Dia Internacional da Mulher, o Presidente da EDM Marcelino Gildo reafirma o empenho do Conselho de Administração em continuar a assegurar a igualdade de direitos e oportunidades para homens e mulheres na empresa, combatendo todo e qualquer tipo de discriminação e violência contra as mulheres.

Numa altura em que o país e o mundo enfrentam o desafio do Covid-19, “as mulheres são chamadas a ajudar a sociedade a ultrapassar esta pandemia com a sua liderança na disseminação de mensagens e na promoção de comportamentos preventivos e seguros, ajudando o mundo a retomar o desenvolvimento sustentável”, sublinha a mensagem de Marcelino Gildo.

Jovens Moçambicanos formados na Coreia do Sul pela Eni

Onze jovens engenheiros moçambicanos viajaram para a Coreia do Sul para um programa de formação no local de trabalho, com a duração de seis meses, como parte da formação intensiva ministrada no âmbito do projecto Coral Sul, anunciou a ENI, em nome dos Parceiros da Área 4. 

As ações de formação abrangem as mais variadas áreas do Petróleo e Gás e visam responder à necessidade de profissionais qualificados em Moçambique. Um segundo grupo de 14 moçambicanos vai também começar a sua formação numa instalação de gás na Tunísia em finais de Junho, estando outros grupos já programados para os próximos meses. 

Os estagiários, recém-licenciados em Maputo e Pemba, integram o “programa 200” lançado pela Eni em 2014 para facilitar e potenciar a participação de recursos nacionais nos projectos energéticos da Eni.

Os engenheiros fazem parte de 40 finalistas que foram recrutados através de campanhas de selecção realizadas em 2019 e 2020, em várias instituições de ensino superior em Maputo e Pemba.

Receberam uma formação inicial em Moçambique sobre a língua inglesa e sobre conceitos de Petróleo e Gás e GNL, num ambiente de sala de aula.

Seguiu-se depois a formação específica nas áreas de saúde e segurança, marítima/naval, manutenção e serviços técnicos laboratoriais, ministrada pela Eni Corporate University (ECU).

As actividades de formação foram adaptadas de modo a cumprirem com as medidas de segurança da Covid-19, garantindo a qualidade e a continuidade do treinamento.

Os estagiários viajam para Geoje, na Coréia do Sul, onde estão em curso as actividades de construção do Coral-Sul FLNG, para uma formação no local de trabalho e familiarização com a plataforma flutuante de liquefação.

Durante a sua estadia no exterior, os estagiários estarão envolvidos nas actividades operacionais diárias, de modo a que estejam prontos para se juntarem ao projecto quando as operações do Coral Sul iniciarem em Moçambique, em 2022.

Esta iniciativa visa melhorar o conteúdo local e o desenvolvimento de competências dos Moçambicanos e faz parte do compromisso da Eni de contribuir para o desenvolvimento social e económico das comunidades do país onde opera.

 

The Citizens Energy Congress

Decorre a 15-16 de Junho, o Congresso de Energia dos Cidadãos que reunirá perspectivas concorrentes em torno do futuro da energia, reunindo mais de 30 peritos de política, finanças, indústria, energia e sociedade civil para debater as difíceis questões que estão no centro da transição energética.

Inscreva-se para o seu lugar de delegado ou adira como parceiro e mostre o seu compromisso com a net-zero.

Os delegados beneficiarão de uma experiência de aprendizagem inigualável, proporcionando uma vasta gama de conhecimentos que os ajudará a construir estratégias robustas para navegar na transição energética.

O acesso a redes e ferramentas de reunião facilitará as ligações com líderes da diversificada e evolutiva cadeia de valor da energia. 

Inscreva-se AQUI

Sasol, EDM e ENH fecham acordo para Gás e Energia de Temane

Foram assinados os acordos de fornecimento de gás entre a Sasol, a EDM e a ENH, e de venda de GPL entre a Sasol e a ENH a partir do gás proveniente de Temane. 

O investimento vai permitir, por um lado, a produção de 23 milhões de Gigajoules de gás natural por ano, que serão usados para a produção de 30.000 toneladas de gás de cozinha por ano naquela que será a primeira unidade do género no País. Por outro lado, irá permitir a geração de 450 MW de electricidade na Central Térmica de Ciclo Combinado de Temane que serão injectados na rede nacional para a electrificação do país e disponibilização de energia limpa e de baixo custo para o desenvolvimento regional da SADC. O projecto abrange ainda a produção de 4.000 barris de petróleo leve por dia para exportação.

Assinatura decorreu em Maputo e contou com a presença de várias individualidades, dentre elas, o Presidente da República, Filipe Nyusi e o Presidente da Sasol, Fleetwood Grobler. Durante a cerimónia o Presidente da República, descreveu este acordo como uma nova fase para a expansão de energia e gás no país e consequentemente a melhoria para a economia do país.

“Hoje marcamos uma nova etapa, no quadro desta empreitada de iluminar Moçambique”, declarou Nyusi, referindo-se a este projecto como “um alicerce para a actividade agrícola, industrial, turismo e compensando melhor a sustentabilidade do nosso ecossistema e a substituição da lenha e do carvão vegetal”.

Fleetwood Grobler, Presidente da Sasol, defendeu que “a pandemia serviu para reforçar a importância das parcerias público-privadas e do trabalho em conjunto, de mãos dadas’. Este evento é uma ilustração clara dos resultados positivos de uma parceria deste tipo”.

Grobler fez ainda referência ainda às contribuições da Sasol para a economia de Moçambique e a intenção de prosseguir colaborando para a evolução do país. “A Sasol é uma empresa proficuamente africana com uma grande presença na África do Sul e em Moçambique”. O presidente da Sasol comentou ainda que a empresa tem aspirações de crescer e continuar a contribuir para o desenvolvimento do país, como têm vindo a fazer nos últimos 17 anos.

O Director da Sasol em Moçambique, Ovídio Rodolfo, frisou que “isto mostra claramente o quão a Sasol participa daquilo que eu chamarei de perfil energético do país”. 

Com a produção das 30 000 toneladas por ano de gás de cozinha (GPL), Moçambique deixa de importar cerca de 75% do volume actualmente importado. A produção local de GPL vai impulsionar a massificação do uso de gás de cozinha, contribuindo para a redução do desflorestamento.

Estima-se que o projecto PSA irá criar mais de 3000 empregos locais durante a fase de construção.

Cimeira MozGreen

Hoje terá lugar o MozGreen Summit, uma conferencia 100% digital que pretende trazer à discussão, os principais actores do ecossistema de negócios verdes nacionais, como organizações da sociedade civil, governo, sector privado, startups e parceiros de desenvolvimento. 

O MozGreen tem como objetivo fortalecer as empresas e seus empreendedores, dando-lhes visibilidade e contribuindo para a construção de um ecossistema de pessoas e organizações que apoiam o empreendedorismo verde. 

Deste modo, o MozGreen Summit, pretende ser um palco para a partilha de lições aprendidas nas suas diversas intervenções, disseminação de oportunidades e estreitar ligações, contribuindo para a criação de um ecossistema de empreendedorismo em Moçambique mais robusto e verde.  

Esta é uma iniciativa promovida pela IdeiaLab, com o apoio da Embaixada da Irlanda em Maputo. 

A agenda do evento será a seguinte:

            

 

Sobre a ideiaLab: é uma empresa Moçambicana fundada em 2010 com o propósito de inspirar empreendedores, apoiar o desenvolvimento de startups, acelerar o crescimento de Micro, Pequenas e Médias empresas, e promover o empreendedorismo e a inovação. 

Sobre a Embaixada da Irlanda em Moçambique: Reconhecendo o importante papel que os micro e pequenos negócios desempenham nas acções climáticas e desenvolvimento sustentável, a Embaixada da Irlanda em Moçambique está a dar suportes aos actores, engajados em desbloquear tecnologias limpas do país, para ajudar a consertar e minimizar o impacto das mudanças climáticas e degradação ambiental, através de negócios que tenham uma iniciativa de economia verde e que procurem soluções que tragam, benefícios de desenvolvimento sustentável para as comunidades enquanto ajudam a endereçar problemas relacionados com a pobreza e desigualdade

Crise estimulou crédito à economia em 2020

As instituições bancárias e financeiras nacionais financiaram a actividade produtiva do país, em 2020, no valor de 265 mil milhões de Meticais, contra 230 mil milhões de Meticais, em 2019.

Os dados foram mencionados pelo Presidente do Conselho Executivo (PCE) do Banco Nacional de Investimento (BNI), Tomás Matola, num evento em que apresentava o Relatório e Contas da instituição que dirige, referente a 2020.

No geral, o banqueiro explicou que o aumento do crédito à economia deveu-se, de entre vários aspectos, à pandemia da Covid-19, que, por um lado, obrigou à reestruturação de dívidas e, por outro, exigiu, principalmente do Estado, à disponibilização de linhas de financiamento para apoiar empresas severamente afectadas pela crise pandémica.

Do universo do crédito concedido à economia, em 2020 Matola afirmou que a participação do BNI foi de 2.8 mil milhões de Meticais, verba que cresceu em 4% em relação ao ano anterior.

Do referido financiamento, 1.4 mil milhões de Meticais destinaram-se ao sector da indústria transformadora, pouco mais de mil milhões foi para o comércio e serviços, 518.8 milhões de Meticais à agricultura, 404.8 milhões de Meticais ao sector financeiro, 364 milhões ao Oil &Gás, 251 milhões de Meticais a outros sectores, e 188 milhões de Meticais ao transporte e comunicações.

Tentativas de contrabando abortadas devido à selagem electrónica

Tem sido evitado o contrabando de mais de seis mil mercadorias diversas devido ao Sistema de Selagem Electrónica e Rastreio de Carga (SEERC) transportado nos contentores em trânsito, desde a sua introdução em meados do ano passado.

Foram realizadas 113 mil operações, das quais 25 foram parar na Justiça para efeitos de procedimento legal, informa a Autoridade Tributária de Moçambique e a Mozambique Electronic Cargo Tracking Services, entidade responsável pela operacionalização do sistema. 

De acordo com o gestor operacional da Mozambique Electronic Cargo Tracking Services, Micaele Chissico, no que diz respeito à carga que entrou no país, houve selagem de 19 mil unidades de combustíveis, 22.800 de contentores de carga diversa e perto de 15 mil unidades de granel.

Oitenta por cento das operações de selagem foram feitas na região centro do país, 1.7% no norte e 7.2% no sul.

De Janeiro a esta parte, foram, igualmente, registados 6.209 alertas, dos quais 649 suscitaram a intervenção das equipas de resposta rápida das alfândegas para interceptar e inspeccionar viaturas de transporte de mercadorias em trânsito e em situação suspeita.

Para agregar valor às actividades de todos os intervenientes e beneficiários do processo de trânsito de mercadorias no território aduaneiro nacional e contribuir para a sua competitividade, a Mozambique Electronic Cargo Tracking Services está a desenvolver uma plataforma digital, na qual os operadores de trânsito terão acesso à informação referente ao estágio do trânsito aduaneiro.

Por exemplo, o transportador terá acesso à informação sobre a localização da carga transportada, em tempo real, enquanto as outras partes interessadas visualizam o estágio do processo de desembaraço das declarações aduaneiras.

Segundo Chissico, durante o processo de selagem de mercadorias, houve danificação de dezenas de selos, o que criou avultados prejuízos. Para evitar o problema, a Mozambique Electronic Cargo Tracking Services teve de treinar os oficiais das Alfândegas afectos aos serviços de trânsito e operativos nas equipas de respostas rápidas a alertas. Foram, ainda, abrangidas as associações de transitários, transportadores e despachantes aduaneiros.

 

A Autoridade Tributária destaca os benefícios do processo.

Para a Autoridade Tributaria, a selagem electrónica está a contribuir, sobretudo, para o rápido desembaraço de mercadorias, que passou de dois a três dias para apenas alguns minutos.

A redução do acompanhamento fiscal, que acarretava muitos custos para o Estado e o agente transitário, assim como o controlo rigoroso da tentativa de fuga ao fisco são outros ganhos apontados por Âmido Abudala, Director Regional Centro da Autoridade Tributária.

De acordo com o interlocutor, “as grandes vantagens do sistema é a eliminação do descaminho de mercadorias” e, consequentemente, “o pagamento de imposições aduaneiras, aumentando, assim, a receita fiscal do Estado, redução do tempo de desembaraço de mercadorias, através do fluxo de dados pelos sistemas”.

Ainda segundo Adbula, o sistema contribuiu para a eliminação de escoltas, uma vez que a selagem electrónica permite o monitoramento da mercadoria em tempo real. A presença das equipas de resposta rápida no terreno também garante intervenção em tempo útil, em caso de incumprimento das normas e regulamentos do trânsito de mercadorias no território nacional, assim como detectar actos ilícitos.

Com o SEERC, é possível rastrear toda carga em trânsito no território nacional, em tempo real, com recurso a plataformas GPS e GPRS. O sistema funciona com base numa tecnologia de ponta que ajuda a detectar tentativas de furto/desvio ou contrabando de diferentes tipos de mercadoria.

O sistema, que permite a selagem de carga contentorizada, granel e combustíveis, que transita tanto por via rodoviária, assim como ferroviária, é operado a partir de uma central de monitoramento e comando centralizado, que funciona 24 horas por dia e transmite alertas, principalmente sobre actos ilícitos, a brigadas móveis das Alfândegas.

Segundo agência Moody’s países dependentes do turismos recuperar-se-ão em dois anos

As economias dependentes do turismo terão de esperar mais dois anos até o sector recuperar para os níveis anteriores à pandemia, ao contrário dos países dependentes do petróleo, considera agência de notação financeira Moody’s.

“O turismo só vai recuperar daqui a dois anos, pelo que as economias dependentes deste sector vão continuar a ser pressionadas durante os próximos dois anos”, disse responsável da agência.

Falando num seminário sobre a recuperação económica dos mercados emergentes, o analista vincou que, ao contrário do turismo, a subida do preço do petróleo vai animar as economias dependentes desta matéria-prima, mostrando assim que os lusófonos Cabo Verde, por um lado, e Angola, Brasil e Guiné Equatorial, por outro, poderão ter uma evolução económica diferente nos próximos trimestres.

Apesar de alguns sinais de melhorias, os indicadores de pressão sobre os níveis de crédito continuam elevados nos mercados emergentes e nas empresas que operam nesses mercados, consideraram os analistas que falaram no seminário da Moody’s.

“Em 2020, o PIB real dos países emergentes que fazem parte do G20, excluindo a China e a Turquia, caiu quase 6%, em média”, salientou o director executivo da Moody’s Atsi Sheth, vincando que “a produção económica dos mercados emergentes está a recuperar este ano, mas para muitos mercados emergentes, será preciso esperar até 2022 para chegar aos níveis anteriores à pandemia”.

Numa análise mais focada para a África subsaariana, a analista Giulia Pellegrini, da seguradora Allianz, vincou que a região “não deverá ter novos incumprimentos financeiros (defaults) este ano”, não só pela recuperação económica em curso nos países, mas também pela ajuda que tem recebido

“Não esperamos novos ‘defaults’ este ano, houve várias iniciativas para apoiar os países africanos nestes tempos de dificuldades, reduzindo os pagamentos da dívida, alargando a Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) até Dezembro e instituindo um Enquadramento Comum para o Tratamento da Dívida para além da DSSI”, lembrou a analista, notando, no entanto, que nenhum destas soluções é definitiva.

Estas iniciativas reduzem temporariamente os pagamentos, mas muitos países não aderiram porque receiam que as agências de notação financeira reduzam o ‘rating’”, apontou Giulia Pellegrini.

A Moody’s mantém a África subsaariana com Perspetiva de Evolução Negativa, colocando Angola, Moçambique e Etiópia, entre outros, em Perspetiva Negativa, o que indica que uma nova redução do “rating” é provável devido aos efeitos da pandemia nas contas públicas.

Produção de milho acima da média e preços em queda

Segundo uma análise consultada pela agência de notícias Lusa sobre uma das bases alimentares do país, o preço do milho começou a descer em Abril devido ao facto da produção do grão da época 2020/21 poder ficar dentro ou acima da média na maior parte de Moçambique.

“Em Abril, com o início da colheita, o preço do grão de milho diminuiu entre 6% e 45% em relação a Março”, lê-se no documento da Rede de Alerta Antecipado de Fome, que apoia as ações de agências governamentais e humanitárias.

Estima-se que o preço do grão de milho continue a diminuir até Julho, como acontece sazonalmente, impulsionado pelo aumento da disponibilidade nos mercados locais.

Por outro lado, o preço da farinha de milho e do arroz manteve-se estável entre Março e Abril.

“A apreciação do metical contra o dólar deve levar a uma estabilização dos preços das farinhas de milho e do arroz e é pouco provável que os preços desçam a curto prazo”, perspectiva a rede.

A maioria da população moçambicana pratica agricultura de subsistência e o milho é uma das culturas mais disseminadas com várias utilizações alimentares.

Segundo a rede Fews, a colheita agrícola de vários produtos, actualmente em curso, está a melhorar gradualmente a segurança alimentar, com grande parte do país a enfrentar riscos mínimos (entre os níveis 1 e 2, numa escala que vai até 5, fome severa).

Por outro lado, tal como referido em relatórios anteriores, o documento realça que muitas medidas de prevenção da covid-19 continuam a fazer piorar bolsas de fome nos centros urbanos.

As restrições continuam a limitar as oportunidades de rendimento para a maioria das famílias urbanas pobres, agravando sinais de insegurança de nível 2 e fazendo com que as famílias mais afectadas enfrentem insegurança de nível 3, ou seja, crise alimentar, obrigando a cortar refeições.

“As medidas de controle fronteiriço para controlar a propagação do covid-19, como a prova de um teste covid-19 recente, continuam a restringir o comércio informal transfronteiriço e a limitar a entrada de migrantes que trabalham na África do Sul”, acrescenta.

A Fews, Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome, agrega organizações norte-americanas e serve como ferramenta de auxílio à ação humanitária.